Seguidores

sábado, 31 de janeiro de 2026

Motta rebate Tebet sobre sobre 'sequestro do Orçamento': 'Emendas dão voz a estados e municípios'.

 
Presidente da Câmara reage a crítica da ministra em meio a 
tensão com o Planalto por vetos e bloqueios no Orçamento.

Por Luísa Marzullo — Brasília 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu na sexta-feira às críticas feitas pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), ao volume e à execução das emendas parlamentares. Em evento, Tebet defendeu uma reforma orçamentária para melhorar o planejamento e a qualidade do gasto público. Em suas redes sociais, Motta afirmou que o Congresso Nacional não “sequestra” o orçamento da União ao ampliar o espaço dos recursos. Para ele, a declaração da ministra deslegitima uma atribuição constitucional do Legislativo e distorce o papel do Parlamento na definição dos gastos públicos. — Nenhuma instituição que integra o regime democrático “sequestra” o orçamento. O Congresso exerce uma prerrogativa constitucional: debater, emendar e decidir sobre a alocação dos recursos públicos. Isso não é desvio, é equilíbrio entre os Poderes — disse Motta.

O presidente da Câmara classificou como “equivocada” a fala da ministra e reforçou o caráter federativo das emendas parlamentares, que, segundo ele, funcionam como instrumento de conexão entre o Orçamento da União e as demandas locais. — Foi equivocada a declaração da ministra Simone Tebet de que o Congresso sequestra parte do orçamento. As emendas parlamentares dão voz aos estados, aos municípios e às prioridades reais da população — afirmou.

Motta sustentou ainda que divergências entre os Poderes são naturais, mas que o debate precisa preservar o reconhecimento institucional do papel do Parlamento. — Divergências fazem parte da democracia, mas é preciso cuidado com palavras que deslegitimam o papel do Parlamento — completou.

As declarações do deputado foram dadas após discurso de Tebet na sexta-feira, durante evento do Insper, em São Paulo, em que a ministra criticou o volume de recursos destinados a emendas parlamentares e o grau de influência do Congresso na execução do Orçamento. — Parte das despesas do orçamento que é livre foi confiscado, foi sequestrado por um Congresso Nacional cada vez mais dependente do orçamento brasileiro com um objetivo muitas vezes eleitoral, algumas vezes legítimo — afirmou a ministra. No mesmo evento, Tebet disse não ser contrária às emendas em si, mas criticou a concentração de recursos e a falta de planejamento em parte dos repasses. Segundo ela, há situações em que um único parlamentar tem poder para direcionar cerca de R$ 60.000.000,00 por ano “sem nenhum planejamento”, sem garantia de que os recursos estejam alinhados a políticas públicas estruturantes. A ministra defendeu ainda uma reforma do orçamento, que classificou como “vital” para melhorar a qualidade do gasto público e a formulação de políticas públicas.

A reação de Motta ocorre em meio à irritação de líderes da Câmara com decisões recentes do Planalto na área orçamentária, como o veto a cerca de R$ 400.000.000,00 em emendas e o bloqueio de aproximadamente R$ 11.000.000.000,00 no Orçamento. As medidas foram interpretadas por parlamentares como tentativa do Executivo de "abrir fogo" contra o Parlamento. Ao mesmo tempo, Motta evita desgaste político com o governo. O presidente tenta preservar canais com o Planalto já de olho nas eleições. Seu pai, Nabor Wanderley, é pré-candidato ao Senado na Paraíba e quer compor a chapa governista no estado.

https://oglobo.globo.com

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Irmã de Nikolas o alertou sobre ‘magia negra’: 'O Problema não é o Lula'.


Ela disse ter recebido mensagem direta de Deus e sugeriu que pessoas que 
trabalham para o parlamentar estão conspirando espiritualmente contra ele.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou uma mensagem que recebeu da irmã, Ellen Ferreira, em julho do ano passado. No texto, ela contou ao parlamentar sobre uma visão e disse que havia pessoas fazendo “magia negra” contra ele. Ellen relatou ter sido alertada por Deus sobre “sujeira”. “Nikolas, tive uma visão agora há pouco, Deus me orientou a compartilhar isso somente com você. (...) Eu vi jorrando dessa parte muita lama. Muita sujeira, como se fosse um cano de esgoto estourado. E à medida que aquilo foi saindo, eu comecei a chorar e falar: Teu povo clama! teu povo clama!”, escreveu.“E então Deus começou a falar comigo: ‘Para que a limpeza aconteça, primeiro a sujeira deve sair. A podridão deve vir à tona. Parem de se preocupar com os grandes. O problema do Brasil não é o Lula, o PT ou a esquerda. O problema é o joio, os que estão entre vocês. Os que estão crescendo às suas custas. Peçam por luz, por clareza. Nada ficará oculto’”, escreveu.

Ela disse ter recebido mensagem direta de Deus e sugeriu que pessoas que trabalham para o parlamentar - citando uma imagem de uma empregada - estão conspirando espiritualmente contra ele. Ellen seguiu parafraseando a mensagem que diz ter recebido de Deus: “‘Tenham cuidado com quem entra na casa de vocês, quem trabalha pra vocês. Há pessoas colocando objetos consagrados com magia negra dentro das casas e dos gabinetes (Nesse momento eu vi uma mulher com roupa de ‘empregada’ colocando algo em uma prateleira na casa de alguém). Orem e consagrem tudo o que forem comer. Louvem antes de todas as reuniões, porque o louvor liberta. Eu não me esqueci de vocês’”.

Caminhada de Nikolas.
Nikolas fez post no Instagram revelando a mensagem da irmã, recebida em julho de 2025, mesmo mês em que teve a ideia de fazer a caminhada. Na última segunda-feira (19/1), o parlamentar partiu de Paracatu (MG) rumo a Brasília (DF) em um trajeto de 250 km que durou até domingo (25).“Eu não lembrava dessa mensagem, muito menos do conteúdo. Ela me enviou agora e lembrei que, no último dia, passamos por uma chuva que subiu literalmente água de esgoto enquanto a gente caminhava. E eu e vários falavam: água pra limpar a sujeira de Brasília”, completou o deputado.

https://www.em.com.br

Ditadora interina da Venezuela diz estar "farta" de ordens dos EUA.


Isabella Hell de Paula

Desde que assumiu interinamente o regime da Venezuela com a queda do ditador Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez tem andado na corda bamba, na tentativa de equilibrar a pressão dos aliados chavistas com as exigências dos EUA. No domingo (25), durante um discurso na refinaria de Puerto La Cruz, no estado de Anzoátegui, a ditadora pediu ao governo de Donald Trump que cesse "imediatamente" o que ela considera interferência nos assuntos internos da Venezuela. Rodríguez declarou aos trabalhadores que participaram do evento: "Basta de ordens de Washington", uma mudança radical no tom de cooperação com os americanos.

A representante do chavismo adotou uma narrativa mais alinhada com a utilizada por Maduro para lidar com os problemas da Venezuela. Rodríguez relacionou a situação atual do país aos efeitos da pressão internacional e das sanções impostas por setores que ela descreveu como "fascistas" e "extremistas". Ela afirmou no discurso que "a República pagou um preço muito alto por ter que enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo", enfatizando que a prioridade de seu regime é "defender a pátria e sua integridade territorial".

Na semana passada, um funcionário da Casa Branca citado pela Agência EFE informou que a ditadora interina da Venezuela deve visitar Washington "em breve". O anúncio sobre a viagem de Delcy Rodríguez ocorre dias depois de uma reunião entre Trump e a líder opositora venezuelana e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, a quem o republicano excluiu, por enquanto, do processo de transição no país por considerar que não conta com apoio suficiente. Em entrevista à revista The Atlantic, poucos dias após a captura de Maduro, Trump afirmou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” caso não coopere com os EUA.

https://www.gazetadopovo.com.br

Entrevista: 'Não vou cruzar os braços. Doa a quem doer', diz Edson Fachin, presidente do STF, sobre caso Master.


Magistrado afirma que eventuais questionamentos sobre a investigação da instituição financeira, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, podem ser analisados pela Segunda Turma da Corte.

Por Mariana Muniz — Brasília 

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin afirma em entrevista ao GLOBO que não irá ficar de “braços cruzados” na hipótese de ter que avaliar questionamentos sobre o caso do Banco Master, cuja investigação está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, alvo de pedidos de suspeição feitos por parlamentares. Apesar de evitar fazer qualquer antecipação sobre seu posicionamento, o magistrado afirma que pode agir — “doa a quem doer”.

O ministro Dias Toffoli vem sendo questionado sobre as condições de continuar como relator da investigação do Banco Master no STF. Dois irmãos do magistrado já foram sócios de um resort no Paraná e venderam a participação para um fundo que é ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Diante disso, o senhor entende que Toffoli deve permanecer à frente do caso?

- Como presidente do tribunal, não posso antecipar juízo sobre circunstâncias que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi mencionado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer.

O que achou das reações negativas à nota em defesa de Toffoli e do STF divulgada na semana passada?

- Uma nota institucional da presidência do Tribunal tem, antes de tudo, o dever de defender a institucionalidade. Nesse caso específico, defendeu-se a regularidade da atuação jurisdicional durante o recesso, uma vez que o ministro relator foi designado por sorteio aleatório e optou por continuar trabalhando. Além disso, procurei enfatizar a autonomia técnica das instituições de controle — Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público. Cabe à Polícia Federal investigar com transparência; ao Ministério Público, exercer plenamente suas atribuições. Nada está imune à crítica, nem o Supremo, nem qualquer um de seus ministros. As interpretações da nota são legítimas, sejam elas quais forem.

Na nota, o senhor afirmou que é legítimo que eventuais vícios ou irregularidades devem ser analisados pelo colegiado do STF. Haverá uma definição de outros ministros da Corte sobre a permanência do caso Master no Supremo ou o retorno à primeira instância da Justiça?

- A regra é que eventuais arguições de irregularidade sejam apreciadas pelo colegiado competente, nos termos do regimento interno. Se houver recurso ou irresignação por parte de interessados, essa matéria será submetida ao órgão colegiado correspondente, e o relator apresentará suas razões. O colegiado, então, decidirá. Pela regra, será a Segunda Turma, colegiado do qual o ministro Toffoli faz parte.

O senhor tem defendido a necessidade de um código de conduta para ministros e até interrompeu as férias para conversar com os demais integrantes da Corte. Por que esse tema enfrenta tanta resistência na Corte?

- Entendo que o Supremo, nesses 37 anos, alcançou um amadurecimento institucional que permite a adoção de um código de conduta. Foram décadas intensas: enfrentamos impeachments, grandes escândalos de corrupção, ações penais de grande repercussão, como a Ação Penal 470 (processo do mensalão), a (Operação) Lava-Jato e, mais recentemente, o julgamento de pessoas envolvidas na tentativa de golpe de Estado. Nesse período, o Supremo assumiu um papel cada vez mais visível. Antes da Constituição de 1988, poucas pessoas sabiam quem eram os ministros da Corte. Hoje, isso é evidente, inclusive na vida cotidiana. A exposição pela TV Justiça também contribuiu para isso. Outras Cortes passaram por processo semelhante. O código de conduta fortalece a instituição porque reforça a legitimidade da caminhada e aumenta a confiança da população. Ele fixa parâmetros objetivos de comportamento. Dou um exemplo simples: a transparência sobre palestras ministradas por ministros — onde foram realizadas, quem convidou, quem patrocinou e se houve pagamento. Essa resposta precisa ser institucional e estrutural. Não pode ser casuística nem direcionada a situações específicas. O código deve ser duradouro.

Mas qual é o obstáculo para tirar essa ideia do papel?

- A principal resistência que percebo não é ao conteúdo do código, mas ao momento. Há quem defenda que se espere passar o período eleitoral para evitar contaminações políticas. Respeito essa posição, mas não concordo. No Brasil, temos eleições praticamente a cada dois anos, e o debate público, com críticas e controvérsias, faz parte da democracia. A democracia é um canteiro de obras ruidoso.

É possível que o código seja aprovado até 2027?
 
- Se depender da minha iniciativa, espero estabelecer um cronograma o mais breve possível, a partir de um consenso entre os ministros. Isso não significa fazer algo apressado. O próprio debate sobre o código deve ser um instrumento de mudança cultural. Isso é importante porque o Supremo deve dar o exemplo para os cerca de 18 mil juízes do país.

Como têm sido essas conversas com ministros?

- O diálogo tem sido bom e muito positivo. Tenho exposto as razões que nos levam a defender a adoção de um código de conduta e, ao mesmo tempo, recebido sugestões, ideias e também algumas contraposições, todas muito relevantes. O debate tem sido sadio, e estou confiante de que daremos um passo adiante. Com o ministro Dias Toffoli, conversei por telefone. No curso de uma ligação sobre outros assuntos, tratamos também do código de conduta. Assim como ocorreu com os demais ministros, foi uma conversa cordial, com a apresentação de sugestões que considero positivas.

Como vê a proposta de código de conduta que a OAB-SP encaminhou ao STF?

- Eu ainda não li detalhadamente, mas tenho certeza de que ela contém boas ideias. Trata-se de uma comissão respeitável, com ministros aposentados, professores e ex-integrantes do Ministério da Justiça. Vejo como salutar a iniciativa. Há um debate legítimo sobre se o Supremo pode adotar regras internas mais restritivas do que as previstas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. A minha posição é afirmativa, desde que haja critérios objetivos e que o objetivo seja a proteção do interesse público.

Por que o Judiciário tem sido alvo de ataques?

- O Judiciário não é eleito, o que faz com que sua legitimidade não venha do voto, mas do ingresso por concurso ou por indicação constitucional, seguido de sabatina. Essa é a chamada “legitimidade de entrada”. A outra dimensão é a “legitimidade da caminhada”, construída diariamente por decisões fundamentadas, jurisprudência estável e conduta compatível com a função. O Judiciário costuma ser alvo de ataques por três razões principais. A primeira é seu papel de controle sobre os demais Poderes, o que incomoda governantes com pretensões autoritárias. A segunda é o fato de ser um Poder sem armas ou força material própria, o que o torna mais vulnerável a tentativas de deslegitimação. A terceira está ligada ao papel assumido no pós-guerra de proteger direitos fundamentais e minorias, o que desperta reações de setores contrários a essa atuação. 

https://oglobo.globo.com 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Toffoli avisa STF que fica com caso Master: 'Apanho o que tiver de apanhar'.

 
Daniela Lima

O ministro Dias Toffoli decidiu ser eloquente. Contatado por colegas do Supremo, mandou avisar que fica com o caso Master. Disse que vai "apanhar o que tiver que apanhar" e "conduzir o caso regularmente, com tranquilidade". Em nota sobre a rejeição do pedido de seu afastamento do processo pela Procuradoria-Geral da República, o ministro reforçou a mensagem. Disse que o parecer de Paulo Gonet rejeitando tirá-lo do caso "reafirma a regularidade da condução"."Todos os requerimentos formulados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal foram integralmente deferidos. Em razão disso, todas as medidas investigativas foram autorizadas pelo relator e as apurações encontram-se atualmente sob a custódia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, responsáveis pela análise do material e pela instrução dos procedimentos."

Na prática, Toffoli decidiu não arredar pé. A questão agora é de defesa pessoal de sua capacidade de conduzir um processo complexo e polêmico debaixo de fogo cerrado. O ministro foi taxativo: "Não vou abrir mão", disse a um aliado.

Aos críticos dentro do próprio STF, fez questão de lembrar que a corte inteira tem na memória episódios de caronas em aeronaves ligadas a grandes empresários e que sua situação passa longe de ser inédita ou única. Pegou em armas. Toffoli determinou novos depoimentos dos diretores do Master na semana que vem. Mais: pretende fazer uma segunda conversa a portas fechadas com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para aparar arestas que ficaram evidentes, inclusive em decisões publicadas por ele, no dia da segunda fase da operação Compliance Zero. A novela vai longe.

https://noticias.uol.com.br

PF deflagra operação Barco de Papel para investigar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.


Investigação apura aplicação financeira 
irregular de autarquia do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro/RJ. A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (23/1), a operação Barco de Papel, com o objetivo de apurar a suspeita de operações financeiras irregulares que expuseram o patrimônio de autarquia responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro a risco elevado e incompatível com sua finalidade. Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro/RJ. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. A investigação, iniciada em novembro de 2025, visa apurar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970.000.000,00 de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado.

O trabalho investigativo contou com o apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social (SPREV/MPS), que elaborou o Relatório de Auditoria Fiscal que deu impulso à apuração. Estão sendo apurados crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro
Contato: (21) 2203-4404 / 4407
E-mail: scs.srrj@pf.gov.br
https://www.gov.br

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Fundo ligado à família de Toffoli transfere R$ 34.000.000,00 para offshore em paraíso fiscal.


Lucas Cheiddi

A movimentação de um fundo de investimento relacionado à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou atenção, em razão de uma transferência de R$ 33.900.000,00 em cotas para uma offshore localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, cujo controle permanece desconhecido. A informação é do SBT News. Conhecido por adquirir R$ 20.000.000,00 em ações do resort Tayayá, o fundo Arleen, de propriedade dos irmãos de Toffoli, foi encerrado depois de repassar todos os seus ativos à empresa estrangeira baseada no paraíso fiscal caribenho. O encerramento ocorreu em duas fases. Primeiro, na assembleia de 5 de novembro de 2025, a Arleen Fundo de Investimentos aprovou a entrega de seus ativos para a offshore Egide I Holding, com cotas avaliadas em R$ 1,51 cada uma. Já em 4 de dezembro, o valor unitário das cotas subiu 450 vezes, atingindo R$ 679,13 e elevando a transferência para R$ 33.900.000,00. O montante envolvia as ações do resort ligadas à família de Toffoli.

A operação apresenta semelhanças com o esquema investigado pela Polícia Federal que envolve o Banco Master. Nesse caso, ativos eram supervalorizados em curto período, de modo a dificultar a identificação dos beneficiários finais. As Ilhas Virgens Britânicas, consideradas paraíso fiscal, tornam o acesso a informações sobre os proprietários das empresas ainda mais restrito. Segundo o portal i-BVI, o registro da Egide I Holding ocorreu em março de 2025. A Comissão de Valores Mobiliários não detalha quando a Egide I Holding passou a integrar a carteira da Arleen. A primeira transação com identificação foi a compra de ações da offshore por R$ 11.500.000,00, embora o valor de mercado desses ativos fosse de R$ 1.900.000,00. Assim, a Egide I Holding figurava como a única detentora de cotas do fundo Arleen. Ela recebeu valores acima dos praticados no mercado e, ao final, ficou com todo o patrimônio do fundo.

Supervalorizações rápidas, como a registrada, fazem parte dos indícios que a Polícia Federal analisou na investigação sobre o Banco Master. Conforme apurado, fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro adquiririam ativos de baixo valor e os venderiam no mercado por valores altos. Apesar disso, não há informações oficiais sobre quem se beneficiou da valorização das cotas da Egide I Holding no caso do fundo Arleen.

Investigações sobre fundos, administradoras e conexões.
A administração do Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia era feita pela Reag Investimentos, empresa que passou a ser investigada pela Polícia Federal sob suspeita de integrar um esquema financeiro ilícito em conjunto com o Banco Master. Na quinta-feira 15, o Banco Central decretou a liquidação da Reag. Segundo a apuração policial, o Banco Master teria criado uma rede de fundos administrados pela parceira para adquirir ativos problemáticos e simular rápida valorização dos investimentos. O Arleen foi estabelecido em junho de 2021 e iniciou suas operações ao comprar 65,850 ações da Tayayá Administração e Participações Ltda. Seis meses antes, os irmãos de Dias Toffoli haviam adquirido 33% do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é dono de fundos que adquiriram participação no Tayayá. Ele declarou que “deixou o fundo em 2022”. Além dos irmãos do ministro, Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, chegou a participar do empreendimento. Atualmente, a administração do resort está sob responsabilidade do advogado Paulo Humberto Barbosa, que ainda não se manifestou.

Toffoli relata caso Master no STF.
Na função de relator do caso Master no STF, Dias Toffoli tem sido alvo de críticas por decisões que, segundo detratores, dificultariam o andamento das investigações. Em uma decisão recente, reduziu de seis para dois dias o prazo para depoimento dos investigados pela Polícia Federal. A defesa de Daniel Vorcaro declarou que o ministro “não tem qualquer conhecimento ou envolvimento com as operações dos fundos mencionados e que as associações citadas são falsas”

https://revistaoeste.com

Demócrito, filósofo pré-socrático: “Há homens que trabalham como se fossem viver para sempre”.


Conhecido como o filosofo do riso, Demócrito nasceu por volta de 460 a.C., em Abdera, na Trácia, longe do centro intelectual de Atenas.

Redação O Antagonista 

Em tempos em que relógios eram de sol e o tempo se media pelos ciclos da natureza, Demócrito de Abdera já refletia sobre a relação entre trabalho, tempo de vida e felicidade, tema que continua atual em 2025 ao questionar rotinas excessivas, prioridades e a ilusão de que sempre haverá tempo para tudo.

Quem foi Demócrito de Abdera e qual sua importância filosófica.
Demócrito nasceu por volta de 460 a.C., em Abdera, na Trácia, longe do centro intelectual de Atenas, mas construiu uma obra que influenciou profundamente a filosofia. Classificado como pré-socrático, ficou conhecido por defender que toda a realidade é composta por átomos em movimento no vazio.

Ao propor explicações naturais para o mundo físico, sem recorrer apenas a mitos ou divindades, Demócrito antecipou a ideia de que fenômenos podem ser compreendidos pela razão. Sua filosofia atomista é vista como um passo importante na história da ciência, embora só confirmada empiricamente muitos séculos depois.

O que significa trabalhar como se fosse viver eternamente.
Quando Demócrito observa que existem homens que trabalham como se fossem viver em eterno, critica a ilusão de tempo ilimitado. A vida é finita, mas muitas pessoas acumulam tarefas e adiam descanso, convivência ou reflexão como se sempre pudessem “compensar depois”. Essa atitude se reflete hoje em jornadas prolongadas, conectividade constante e metas produtivas que subordinam a gestão do tempo à lógica do desempenho. O filósofo não rejeita o trabalho, mas alerta para o desequilíbrio que transforma a existência em mera sequência de obrigações.

Como Demócrito relacionava tempo, medida e serenidade.
Na filosofia de Demócrito, a medida é central: a felicidade (eudaimonia) não depende do acúmulo de bens, mas da moderação. Ele associava esse equilíbrio à eutimia, serenidade do ânimo, em que a mente não é dominada por medos constantes nem desejos desmedidos. Para cultivar essa serenidade e usar o tempo de forma consciente, Demócrito propunha práticas que visam ao autoconhecimento e à moderação das paixões, favorecendo uma vida mais equilibrada:
Autoobservação: atenção aos próprios hábitos, pensamentos e reações;
Conhecimento de si: compreensão das limitações e necessidades reais;
Moderação dos desejos: evitar excessos de prazer ou privação;
Distanciamento das paixões: reduzir impulsos que levem a atitudes precipitadas.

Por que Demócrito ficou conhecido como o filósofo que ri.
Demócrito recebeu o apelido de “filósofo que ri” porque reagia com um sorriso às contradições humanas. Seu riso era entendido como expressão de distanciamento crítico diante da ambição, superstição e medo que movem muitos comportamentos. Para ele, a ignorância alimenta temores infundados, e o conhecimento pode trazer calma ao reduzir inseguranças. Quem reconhece a finitude da vida e compreende melhor o mundo tende a ordenar prioridades com mais clareza e menos sofrimento desnecessário.

Como o pensamento pré-socrático dialoga com o presente.
As reflexões de Demócrito sobre tempo de vida e trabalho dialogam com debates atuais sobre equilíbrio entre carreira, lazer e saúde mental. Em um cenário de hiperconexão, sua crítica a quem trabalha como se fosse viver eternamente ganha nova relevância. Quando se retoma sua filosofia hoje, destacam-se a consciência da finitude, a busca de medida entre trabalho e descanso e a valorização da serenidade como parte legítima da existência, ajudando a reorganizar rotinas em um mundo em que nenhum ser humano dispõe de tempo infinito.

https://oantagonista.com.br

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Lava Jato: PGR recorre após Tofolli mandar devolver R$ 26.500.000,00 a condenado.


Mateus Coutinho, Bruno Luiz

Diante dos indícios, Gonet defende que o dinheiro não poderia ser devolvido. "Verifica-se, assim, a suficiência do acervo processual para justificar o ajuizamento de ação de ressarcimento por improbidade administrativa e, principalmente, para obstar toda pretensão de restituição em favor do agente público corrompido. A acintosa quantia decorrente dos fatos narrados é fruto de desvios do patrimônio público, sendo a recomposição do erário medida de rigor republicano."

O desvio sistemático de recursos públicos compromete a implementação de políticas públicas, corrói a confiança institucional, fragiliza a legitimidade dos agentes estatais e destrói a ética que deve reger as relações na sociedade. A repressão à corrupção se projeta como instrumento de defesa da própria ordem democrática, autorizando a atuação concomitante e independente de diversas frentes -- penal, civil, administrativa e de improbidade -- todas orientadas pela primazia da recomposição integral do dano, tal como se pretende na espécie.
(Paulo Gonet, em recurso a Dias Toffoli).
 
A decisão de Toffoli.
Em setembro, Toffoli determinou a nulidade de todos os atos no processo do ex-gerente. O ministro atendeu pedido da defesa, que solicitou, para Gonçalves, a extensão de uma decisão do próprio Toffoli anulando provas da Lava Jato contra o advogado Rodrigo Tacla Duran. Segundo a Folha de S. Paulo, Toffoli argumentou que o caso do ex-gerente tem situação igual à de uma outra ação que já tinha sido anulada anteriormente. Na época, a condenação de Gonçalves havia transitado em julgado, e ele já havia começado a cumprir a pena. O processo tinha passado por todas as instâncias da Justiça — em 2024, o STF resolveu manter a sentença de 17 anos e nove meses de prisão, com voto favorável de Toffoli.

Com anulação da sentença, a Petrobras pediu que o dinheiro fosse mantido bloqueado para garantir eventual reparação em ação de improbidade. Em decisão de dezembro, Toffoli entendeu que não havia elementos de prova mínimos que justificassem abertura de ação de improbidade e a manutenção do bloqueio dos valores.

https://noticias.uol.com.br/

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

“Uber” aéreo da FAB ultrapassa mil viagens em 2025 e vira transporte frequente de ministros e autoridades.


Uso intensivo de jatinhos oficiais em ano pré-eleitoral revela mais de 1.100 voos, agendas em redutos políticos e deslocamentos com poucos passageiros pagos pelo contribuinte.

Escrito por
Felipe Alves da Silva

Em 2025, os jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) passaram a operar, na prática, como um verdadeiro “Uber” aéreo de autoridades, acumulando 1.145 viagens oficiais com ministros de Estado e presidentes dos principais Poderes da República. O número chama atenção não apenas pelo volume, mas também pelo contexto: ano pré-eleitoral, agendas concentradas em redutos políticos e deslocamentos com baixíssima ocupação, todos custeados com recursos públicos. A informação foi divulgada pela Gazeta do Povo, em reportagem assinada pelo jornalista Lúcio Vaz, com base em dados oficiais sobre o uso das aeronaves da FAB por autoridades federais ao longo de 2025. Segundo o levantamento, os voos atenderam ministros de Estado, presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de outras autoridades de alto escalão. Ao longo do ano, os jatinhos foram utilizados tanto para compromissos institucionais — como inaugurações, visitas a obras e assinaturas de contratos — quanto para deslocamentos de caráter pessoal, inclusive em rotas recorrentes entre Brasília e redutos eleitorais específicos.

Gastança aérea concentra voos em redutos políticos.
Entre os principais usuários das aeronaves oficiais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, liderou o ranking de viagens. Ao todo, ele realizou 122 voos em jatinhos da FAB em 2025, muitas vezes compartilhando a aeronave com outras autoridades. Grande parte dessas viagens teve como destino São Paulo, onde o ministro cumpriu agendas políticas, institucionais e reuniões com representantes do setor privado.

Logo atrás aparece o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, que realizou 113 viagens. Desse total, 27 voos foram de ida ou volta para João Pessoa, capital da Paraíba e seu reduto eleitoral. Já a Presidência do Supremo Tribunal Federal contabilizou 99 voos ao longo do ano.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre apresentou números menores, mas ainda expressivos: 56 viagens, sendo 30 delas para Macapá, capital do Amapá, também seu principal reduto político. Os dados reforçam um padrão recorrente: o uso frequente das aeronaves oficiais para deslocamentos regionais em áreas de interesse eleitoral.

https://www.sociedademilitar.com.br