Uso intensivo de jatinhos oficiais em ano pré-eleitoral revela mais de 1.100 voos, agendas em redutos políticos e deslocamentos com poucos passageiros pagos pelo contribuinte.
Escrito por
Felipe Alves da Silva
Em 2025, os jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) passaram a operar, na prática, como um verdadeiro “Uber” aéreo de autoridades, acumulando 1.145 viagens oficiais com ministros de Estado e presidentes dos principais Poderes da República. O número chama atenção não apenas pelo volume, mas também pelo contexto: ano pré-eleitoral, agendas concentradas em redutos políticos e deslocamentos com baixíssima ocupação, todos custeados com recursos públicos. A informação foi divulgada pela Gazeta do Povo, em reportagem assinada pelo jornalista Lúcio Vaz, com base em dados oficiais sobre o uso das aeronaves da FAB por autoridades federais ao longo de 2025. Segundo o levantamento, os voos atenderam ministros de Estado, presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de outras autoridades de alto escalão. Ao longo do ano, os jatinhos foram utilizados tanto para compromissos institucionais — como inaugurações, visitas a obras e assinaturas de contratos — quanto para deslocamentos de caráter pessoal, inclusive em rotas recorrentes entre Brasília e redutos eleitorais específicos.
Gastança aérea concentra voos em redutos políticos.
Entre os principais usuários das aeronaves oficiais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, liderou o ranking de viagens. Ao todo, ele realizou 122 voos em jatinhos da FAB em 2025, muitas vezes compartilhando a aeronave com outras autoridades. Grande parte dessas viagens teve como destino São Paulo, onde o ministro cumpriu agendas políticas, institucionais e reuniões com representantes do setor privado.
Logo atrás aparece o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, que realizou 113 viagens. Desse total, 27 voos foram de ida ou volta para João Pessoa, capital da Paraíba e seu reduto eleitoral. Já a Presidência do Supremo Tribunal Federal contabilizou 99 voos ao longo do ano.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre apresentou números menores, mas ainda expressivos: 56 viagens, sendo 30 delas para Macapá, capital do Amapá, também seu principal reduto político. Os dados reforçam um padrão recorrente: o uso frequente das aeronaves oficiais para deslocamentos regionais em áreas de interesse eleitoral.
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