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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Qual o futuro do bolsonarismo após Flávio Bolsonaro ir para os EUA?


Mariana Schreiber
Role, De Brasília para BBC News Brasil

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, após ser derrotado na eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixa em aberto o futuro do bolsonarismo. Na quarta-feira (28/10), o candidato derrotado divulgou um primeiro pronunciamento escrito, em sua conta na rede social X, em que se autodeclarava "o verdadeiro presidente do Brasil" e dizia que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Depois, apagou essa manifestação e publicou uma outra, quase idêntica, reafirmando a suposta fraude, mas se declarando "o líder do Brasil" em vez de "o verdadeiro presidente". Flávio Bolsonaro disse ainda que vai liderar a oposição a Lula dos Estados Unidos.

"Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista", reforçou na manifestação.

Analistas políticos, porém, são céticos sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro liderar a oposição e o movimento bolsonarista de fora do país, ao lado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Os principais partidos políticos brasileiros também reconheceram a vitória de Lula, incluindo o PL. Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a atuação dos irmãos nos Estados Unidos não terá apoio da maioria da sociedade. Ele lembra que o tarifaço adotado pela Casa Branca contra o Brasil para tentar impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, após articulação de Eduardo Bolsonaro no ano passado, foi mal visto pela maioria da população.

"É muito claro que Flávio vai pra lá tentar fazer uma articulação de fora pra dentro. Agora, quanto a classe política brasileira, inclusive o próprio PL, vai dar ressonância? Ao que parece, os partidos, quase de maneira uníssona, até o PL, já abriram mão de contestar qualquer coisa em relação à eleição de Lula", disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quis comentar a autodeclaração de Flávio como "verdadeiro presidente", ao ser questionado por jornalistas.

"Eu não vou fazer um comentário sobre isso, mas eu sei que nós demos a ele um visto para entrar no país, então vamos ver. Mas eu não vou me envolver, foi uma eleição muito estranha, isso com certeza", disse Trump.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou um pronunciamento em que diz entender a "revolta" de Flávio, mas não apoia sua contestação do resultado eleitoral.

"O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia".

Flávio Bolsonaro deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a apreensão de seu passaporte, atendendo a um pedido da Polícia Federal em um inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro do senador em parceria com o seu amigo Willer Tomaz, advogado e empresário. O senador nega as acusações e disse, em seu pronunciamento, sofrer "perseguição política" com objetivo de "silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista".

Os especialistas entrevistados se dividem sobre o futuro do bolsonarismo após uma série de reveses da família: duas derrotas presidenciais seguidas, a prisão de Jair Bolsonaro (PL) e o êxodo de seus dois filhos com maior projeção política. Por outro lado, a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro (PL) estreará em 2027 em seu primeiro mandato eletivo, como senadora pelo Distrito Federal. Já os filhos Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan (PL), que até então só haviam atuado como vereadores, também chegarão ao Congresso Nacional no próximo ano — Carlos como senador e Renan como deputado federal, ambos por Santa Catarina. Os analistas apontam ainda outros nomes que poderiam liderar o movimento e ampliar seu alcance, com destaque para Tarcísio de Freitas, que se projetou nacionalmente com apoio de Jair Bolsonaro, mas é visto como alguém que tem certa autonomia da família e acaba de reeleger no primeiro turno para governar o Estado mais rico do país.
 
A cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), diz que o bolsonarismo se organiza como um "partido digital", com uma organização coordenada nas redes que está para além da estrutura tradicional de uma legenda política. Na sua avaliação, isso garante uma base sólida para o movimento.

"A derrota presidencial é uma derrota importante, mas o bolsonarismo vai continuar forte porque ele tem hoje um partido que o organiza, que a gente chama de partido digital bolsonarista".

"Agora, o que vai acontecer é que a liderança do Flávio, que vinha sendo construída, que talvez até pudesse ter ganhado a eleição, vai ficar muito fraca, provavelmente vão subir outras lideranças, e o partido tem muitas opções".

Além de Tarcísio, Costanzo destaca outros nomes que se fortaleceram nesta eleição, como Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná; Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais; ou o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), embora ele ainda seja novo para disputar a Presidência da República. Já no clã Bolsonaro, vê Michelle Bolsonaro com mais potencial — ela se projetou como liderança política na presidência do PL Mulher, alavancando a eleição de candidaturas femininas na sigla.

"Michelle continua muito forte. Ela tem vida própria, 
não depende só do resto da família estar bem".

Na terça-feira (27/10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a futura senadora. Em post no Instagram, disse que a recebeu "para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente". Por outro lado, Costanzo não vê Carlos e Jair Renan com potencial para liderar o campo bolsonarista.

"Agora, com a queda do Flávio, já são dois irmãos que estão fora do Brasil, os dois com muito problema na Justiça. Eu acho difícil que um Carlos ou Jair Renan como próxima liderança. Eles têm menos estofo do que o resto das lideranças difícil de embalar mudanças".

Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV, vê dificuldades para Michelle, Carlos ou Jair Renan assumirem a liderança do movimento e aposta em lideranças de fora do clã familiar. Michelle, ressalta, sempre teve conflitos com os filhos do presidente e chegou a brigar publicamente com Flávio Bolsonaro na pré-campanha. Carlos, continua, tem perfil mais de bastidor, tendo atuado na comunicação digital do grupo durante o governo do pai. E Renan é "infantil" e "sem qualquer projeção política", na sua percepção.

"Vai haver uma lacuna. Então, talvez essa seja uma oportunidade também de os partidos que se dizem mais à direita diminuírem a sua dependência da família e buscarem outras lideranças", ressalta.

'Bolsonarismo atuará em três frentes: no Congresso, nas redes e na articulação a partir dos EUA'. Professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e um dos autores do livro Bolsonarismo e o Brasil Profundo, Fábio Baldaia considera que o movimento se manterá forte mesmo após a derrota de Flávio e sua saída do Brasil. Na sua visão, o bolsonarismo é uma movimento que aglutinou diferentes sentimentos e práticas que já existiam no Brasil antes da ascensão de Jair Bolsonaro, como "a relação entre política e religião, um certa concepção da moralidade pública, e uma relação entre Estado e mercado". Isso, diz, o fortalece.

"Então, mesmo com essa fuga de Flávio, o bolsonarismo não vai ser enterrado, porque esse movimento fez um partido que integrava um grupo de partidos não ideológicos, que compunham o que se chama de Centrão, que é o PL, virar o maior partido brasileiro no Congresso", afirma.

"Eles têm muita força no Senado e na Câmara, têm lideranças jovens como Nikolas Ferreira, o Lucas Pavanato [eleito deputado federal mais votado de São Paulo] e outras lideranças importantes. Tem o governador do principal Estado da federação, [Tarcísio de Freitas], que atua dentro da institucionalidade com muita habilidade", continua.

Para Baldaia, o bolsonarismo agora atuará a partir de três frentes. A primeira delas "por dentro da institucionalidade, como se fosse antissistema, talvez tentando articular o impeachment do presidente reeleito e de ministro do STF". A segunda, "mobilizando a opinião pública a partir de pautas que geram engajamento", por meio da atuação nas redes de Nikolas Ferreira e outras lideranças. E a terceira com Flávio, reforçando a articulação de Eduardo Bolsonaro para uma oposição a partir dos Estados Unidos, com outros influenciadores e aliados que estão lá. 'Ostracismo do bolsonarismo pode levar ao fortalecimento de uma direita menos extremista'

Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a família Bolsonaro está em seu momento de maior fragilidade após acumular derrotas nas disputas presidenciais e na Justiça. Na sua visão, esse momento pode favorecer a ascensão de lideranças menos radicalizadas dentro do movimento.

"Há um núcleo dentro do bolsonarismo que não se liga às ideias mais radicalizadas e que, obviamente, na ausência das figuras do clã, vai buscar outras alternativas. Então, talvez a gente tenha um ostracismo do bolsonarismo e o fortalecimento de uma direita menos extremista e radicalizada", analisa.

"Jair Bolsonaro e Flávio, claro que têm capital político, mas também têm rejeição altíssima. E essa rejeição espanta o centro, o eleitor mais moderado. Então, eu creio que pode ocorrer um deslocamento do eixo do poder do sobrenome do clã para outra figura que cresceu no bojo do bolsonarismo, como Tarcísio, que é um presidenciável natural como governador de São Paulo, ou até mesmo Michelle Bolsonaro", reforça.

https://www.bbc.com/ 

Deputados argentinos cobram Milei por viagem de Flávio Bolsonaro | G1.


Deputados argentinos acusam Milei de facilitar fuga 
de Flávio e pedem reconhecimento da vitória de Lula.

Documento assinado por parlamentares de diferentes blocos pede explicações de três integrantes do governo argentino e cobra reconhecimento formal da vitória de Lula. Deputados de diferentes blocos políticos da Argentina divulgaram, nesta quarta-feira (28), uma declaração em que cobram explicações do governo de Javier Milei sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país, a caminho dos Estados Unidos. No documento, os parlamentares acusam o governo argentino de ter facilitado a viagem do candidato derrotado. Flávio fugiu do Brasil na última terça-feira (27) após perder as eleições presidenciais de domingo (25) e seguiu para os Estados Unidos, passando pela Argentina e pelo Equador.

Os deputados pedem que o Executivo responda com urgência aos pedidos de esclarecimento apresentados pelo Congresso e convoque três integrantes do governo para prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados.

Os convocados são: 
O chefe de gabinete, Diego Santilli,
A ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva
O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno. 

Os parlamentares argumentam que a relação entre Argentina e Brasil tem importância estratégica e está ligada à história compartilhada pelos dois países. O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e duas filhas. Segundo o órgão argentino, os quatro apresentaram documentos válidos para viajar, não tinham impedimentos legais para entrar na Argentina e passaram pela fiscalização sem incidentes. Segundo o jornal "Clarín", o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, declarou que o governo argentino tomou conhecimento do resultado eleitoral, mas não pretende divulgar nenhum comunicado oficial, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores.

https://g1.globo.com

Cidadania italiana pode ser obstáculo a eventual asilo de Flávio nos EUA.


Vinícius Murad

A cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL) pode representar um obstáculo a um eventual pedido de asilo político nos Estados Unidos. A CNN Brasil consultou advogados especialistas em imigração sobre as possibilidades do candidato derrotado à Presidência. Flávio chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), três dias após perder o segundo turno da eleição presidencial. Segundo relatos de aliados, o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de asilo. O Departamento de Estado dos EUA confirmou à CNN Brasil a emissão de vistos para o senador e sua família, mas esclareceu que a autorização de entrada no país não equivale à concessão de asilo. Segundo a advogada de imigração Caroline Azevedo, da Visa Finder, a dupla nacionalidade pode pesar contra o pedido. Flávio tem cidadania italiana desde 2023. Em 9 de outubro, o Board of Immigration Appeals (BIA), instância administrativa de recursos em matéria migratória nos EUA, publicou uma decisão que estabelece uma presunção contrária à concessão de asilo a cidadãos da União Europeia, ressalvadas circunstâncias extraordinárias.

O entendimento, conhecido como Matter of B-S-A-N-, considera, entre outros fatores, que cidadãos europeus têm direito de residir legalmente nos demais países do bloco. Na avaliação da advogada, a possibilidade de viver na Itália pode dificultar a demonstração de que Flávio necessita de proteção nos Estados Unidos. A legislação americana também prevê que pessoas com mais de uma nacionalidade, em determinadas circunstâncias, demonstrem que não podem obter proteção em nenhum dos países dos quais são cidadãs. A regra foi estabelecida em precedente de 2013, conhecido como Matter of B-R-. Há, porém, uma ressalva jurídica: em 2022, um tribunal federal de apelações com jurisdição sobre Nova York, Connecticut e Vermont decidiu que, para ser considerado refugiado, um requerente com dupla nacionalidade precisa demonstrar perseguição em apenas um dos países de sua nacionalidade. Essa decisão não tem aplicação nacional e não afasta automaticamente o entendimento mais recente sobre cidadãos da União Europeia.

O precedente de outubro também não impede que Flávio apresente um pedido de asilo, nem determina que ele seja necessariamente negado. A decisão cria uma presunção contrária à concessão, que pode ser superada nas circunstâncias previstas no entendimento. A análise dependerá dos fundamentos apresentados, das provas e da interpretação das autoridades migratórias americanas. A eventual negativa de asilo também não implica deportação automática. Flávio e família conseguiram vistos americanos. Não há informações sobre qual classificação dos documentos.

Flávio obteve cidadania italiana em 2023, por descendência, assim como os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro. A nacionalidade voltou ao centro das atenções após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar a entrega dos passaportes do senador. Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, Flávio utilizou o documento italiano durante o deslocamento para o exterior.

https://www.cnnbrasil.com.br

‘Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos’, diz Malafaia após carta golpista de Flávio.


Uma das principais lideranças evangélicas do país, o pastor Silas Malafaia disparou na quarta-feira (28) a aliados uma mensagem pelo aplicativo WhatsApp em que chama os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos”. O comentário, obtido pela equipe da coluna, foi uma reação à postura do candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), que se autoproclamou o presidente eleito do Brasil, citando, sem provas, uma "fraude eleitoral" no processo brasileiro.

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu Silas Malafaia. “Trump já tirou o apoio. Deixei ele vir para a América, mas não me me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas”.

Após receber 59 milhões de votos, Flávio fugiu para os Estados Unidos, onde emitiu uma declaração. O texto, divulgado pelo aliado Paulo Figueiredo à imprensa, substitui uma coletiva que o candidato derrotado concederia na manhã de quinta-feira em Miami. No documento, Flávio se dirige “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Sem provas, o senador também falou em “fraude eleitoral” e citou a extensão do horário de votação por duas horas no último domingo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin após interrupções no funcionamento do transporte público em várias capitais brasileiras. Segundo o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado pelo aliado Kassio Nunes Marques, indicado para o STF por Jair Bolsonaro, apenas 34.993 pessoas votaram entre 17:00h e 19:00h, o equivalente a 0,027% de todos os votos computados no segundo turno. Além disso, a prorrogação do horário também havia sido solicitada pela campanha de Flávio à Justiça Eleitoral em várias cidades. Lula teve uma vantagem de 4.430.191 votos sobre o adversário do PL.

Após a repercussão imediata da carta no Brasil, Flávio divulgou em suas redes sociais uma nova versão do comunicado na qual se diz "líder do Brasil" e com outras alterações no texto. Procurado pela equipe da coluna, Malafaia não quis comentar as declarações. "Eu não tenho mais nada para falar. Não tem nada que falar não, amigo", disse.

Auditoria nas urnas.
 
Uma das propostas cogitadas por Flávio, antes de fugir do país, foi a de pedir uma auditoria nas urnas, como tentaram Aécio Neves (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2014 e 2022, respectivamente. Mas o senador foi aconselhado a não seguir adiante com nenhuma ofensiva contra o sistema eletrônico de votação, utilizado pela população brasileira desde 1996 e sem nenhuma acusação de fraude comprovada até hoje. O assunto foi discutido durante almoçou na segunda-feira (26) em Brasília com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha do PL, Rogério Marinho (PL-RN), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), além dos advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet. Um dos argumentos usados por participantes do almoço para implodir a ideia foi a de que o PL pagou um preço caro ao contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, com a imposição de uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé (acionar a Justiça de forma irresponsável), por decisão do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Ou seja, qualquer tentativa de reeditar a estratégia de 2022 não só seria condenada ao fracasso, como poderia custar caro aos cofres do partido, mais uma vez.

Em 2023, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação por utilizar uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação. 

https://oglobo.globo.com

Trump diz que não vai se ‘envolver’ após Flávio Bolsonaro divulgar carta golpista.


AFP

O presidente Donald Trump declarou na quarta-feira 28 que não vai se “envolver” na proclamação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou ser o “verdadeiro presidente do Brasil” após fugir para os Estados Unidos. “Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver”, disse o presidente americano a jornalistas, ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro, que desembarcou em Miami horas antes, acompanhado da família.

Questionado sobre por que seu governo decidiu permitir a entrada deles no país, Trump declarou: “Acho que foram tratados de forma muito injusta. Não tomei posição sobre a eleição, como vocês sabem, mas, quando vejo algo que é inapropriado, eu digo”. 

Flávio Bolsonaro afirmou ser o “verdadeiro presidente” do Brasil em um comunicado, embora uma versão posterior tenha sido divulgada na qual ele se definia como o “líder”. “Liderarei a oposição” a partir dos Estados Unidos, afirmou Bolsonaro, comparando-se a figuras políticas como os opositores venezuelanos Juan Guaidó e María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Trump é aliado da família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral após o segundo turno de domingo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele havia liderado o primeiro turno, mas Lula se impôs após uma recuperação inesperada, depois que a votação foi prorrogada por duas horas por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

https://www.cartacapital.com.br

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Centrão fala em reaproximação com Lula após apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.


Lideranças relatam surpresa com o resultado das urnas, mas reconhecem vitória do petista e sinalizam disposição para negociar.


Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu dirigentes e parlamentares de partidos do Centrão. É o caso do Republicanos, União Brasil e PP, siglas que apoiaram Flávio no segundo turno. Um dia depois da eleição, porém, lideranças dessas legendas já admitiram a possibilidade de uma reaproximação com o governo para garantir a governabilidade no quarto mandato do petista. Embora ainda não haja negociações formalizadas sobre ministérios, interlocutores dessas siglas avaliam que o resultado das eleições abre uma nova etapa de diálogo com o Planalto. O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que a participação dos partidos de centro na sustentação de governos faz parte da dinâmica do presidencialismo de coalizão. “É do DNA do Centro”, avaliou. Barros lembrou que o governo já mantém interlocução com integrantes desses partidos em estados como Paraíba, Ceará e Maranhão, onde existem alianças locais com o PT.

Entre os exemplos estão o senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula na Bahia e defensor de sua reeleição, mesmo diante da posição nacional do PSD, e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que articulou o apoio de dez diretórios estaduais do MDB à candidatura petista no segundo turno. No Republicanos, o deputado Silvio Costa Filho (PE), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos durante o terceiro mandato, também manteve uma relação próxima com Lula e declarou apoio à sua reeleição, apesar da posição nacional da sigla.

Outro exemplo é o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoiou Lula na campanha e manteve diálogo com o Planalto, mesmo depois de seu partido anunciar apoio a Flávio. No PP, André Fufuca (MA), ex-ministro do Esporte e eleito senador, contrariou a direção nacional da legenda ao defender a reeleição de Lula. O posicionamento levou a punições internas determinadas pelo presidente do partido, Ciro Nogueira. Segundo Ricardo Barros, ainda é cedo para falar em distribuição de ministérios, mas disse que o presidente Lula é experiente na relação com o Centro e que, mais cedo ou mais tarde, essa relação deve acontecer.

A avaliação é semelhante à do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Segundo ele, nenhum governo forma maioria no Congresso sem negociar com os partidos e destacou que a composição de uma base parlamentar é uma discussão diferente das alianças feitas durante a campanha eleitoral. Segundo Edinho, após o encerramento do processo eleitoral no domingo (25), caberá ao governo decidir quando e como iniciar as conversas.

Partidos reconhecem resultado.
A possibilidade de reaproximação ocorre em meio às primeiras manifestações dos dirigentes partidários após a derrota de Flávio. Na segunda-feira (26), Antonio Rueda, presidente do União Brasil, reconheceu a reeleição de Lula e afirmou que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado. O dirigente também colocou o partido à disposição para apoiar medidas voltadas ao crescimento econômico, à geração de empregos e à redução das desigualdades. O Republicanos também reconheceu a vitória do petista. Em manifestação pública, o presidente da sigla, Marcos Pereira, defendeu que Lula governe para todos os brasileiros, inclusive aqueles que votaram no candidato do PL, e mantenha o diálogo com o Congresso. MDB e PSD adotaram posições semelhantes. O primeiro defendeu que a vontade manifestada nas urnas seja respeitada, enquanto o segundo sinalizou disposição para manter uma relação institucional com o governo, preservando a autonomia de seus parlamentares.

Após o resultado das urnas, no domingo (25), Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que buscaria anulação do pleito. Na segunda-feira (26), o senador mudou de estratégia diante de obstáculos jurídicos apontados por aliados e advogados. No mesmo dia, Valdemar Costa Neto, o presidente nacional do PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado da eleição presidencial.

Tarcísio sai fortalecido.

No Republicanos, a vitória de Lula também provocou surpresa entre parlamentares que apostavam na eleição de Flávio. Apesar da derrota presidencial, a avaliação dentro da legenda é que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, termina a eleição fortalecido e permanece como uma das principais lideranças da direita. O entendimento é de que Tarcísio teria condições de derrotar Lula, caso tivesse disputado a Presidência neste ano. O partido o vê como um possível sucessor político do campo bolsonarista. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma ressalva: ainda faltam quatro anos para a próxima eleição presidencial, período em que o cenário político poderá mudar.
 
https://noticias.r7.com/ 

Moraes determina que Flávio Bolsonaro entregue passaportes para evitar fuga.

 
Senador derrotado na disputa presidencial foi intimado pela Polícia Federal. Medida é para que ele não fuja do país, algo cogitado pelo irmão Eduardo, tendo em vista os inúmeros crimes pelos quais é acusado.

Por: Henrique Rodrigues 

Numa decisão de caráter cautelar expedida na noite de domingo (25) e executada nas primeiras horas da segunda-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue imediatamente à Justiça todos os seus passaportes e determinou a proibição formal de que o parlamentar se ausente do território nacional. A medida drástica visa mitigar o risco iminente de evasão do país por parte do postulante derrotado no pleito presidencial, cenário abertamente especulado por seus familiares e aliados diretos diante da gravidade das acusações criminais que pesam sobre ele no STF. A ordem judicial foi cumprida por equipes da Polícia Federal em Brasília de forma ostensiva, interceptando o parlamentar em plena via pública no bairro do Lago Sul. O episódio ocorreu no momento em que Flávio deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), este já submetido a regime de prisão domiciliar.

A restrição de ir e vir imposta a Flávio encontra fundamento direto em declarações públicas dadas por seu irmão, o deputado cassado e condenado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista concedida na última sexta-feira a um veículo de comunicação nos EUA onde atualmente reside como um foragido da Justiça, Eduardo defendeu explicitamente que o irmão deveria abandonar o Brasil imediatamente caso o resultado eleitoral lhe fosse desfavorável, além de incitar a contestação do pleito. A manifestação pública do clã acendeu o alerta vermelho das autoridades investigativas para uma eventual tentativa de fuga e de esquiva da jurisdição penal.

Reação do senador e o discurso de vitimização.
Logo após ser abordado pelos agentes federais, Flávio utilizou seus canais de comunicação digital para veicular um pronunciamento em vídeo. No registro, o parlamentar confirmou o recebimento da intimação, mas adotou um tom de contestação à decisão do Supremo, tentando desqualificar o embasamento legal da cautelar e atribuindo à medida um suposto viés de perseguição política decorrente da apuração das urnas.

“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país”, afirmou Flávio Bolsonaro em vídeo publicado nas redes sociais.

Na gravação, o senador questionou a conexão feita pelos investigadores entre a fala do irmão no exterior e as garantias de sua permanência no Brasil, afirmando que a ordem expedida logo após o anúncio da apuração demonstraria a suposta falência do sistema democrático. O parlamentar alegou jamais ter articulado planos para deixar a nação e declarou que cumprirá a ordem de entrega dos documentos de viagem enquanto instrumentaliza sua defesa nos autos.

“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política, não pode ser assim.”
 
Cerco judicial: Bets, lavagem de dinheiro e operações suspeitas.
A determinação de retenção de passaportes ocorre em meio a um conjunto de apurações severas que tramitam na Suprema Corte. O senador figura como alvo central de dois inquéritos distintos que investigam complexos esquemas de ocultação de capital e crimes contra o sistema financeiro, cujo aprofundamento coloca o congressista em situação de extrema vulnerabilidade jurídica. O primeiro procedimento, sob a relatoria direta do ministro Alexandre de Moraes, apura a articulação de uma suposta rede de lavagem de dinheiro operada por meio de plataformas digitais de apostas (conhecidas como bets) e meios de pagamento eletrônico. A investigação começou com diligências conduzidas pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul e migrou para a jurisdição do STF após os investigadores identificarem o envolvimento de autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, notadamente o próprio Flávio Bolsonaro. Conforme a tese trabalhada pelos investigadores federais, o senador teria atuado diretamente em tratativas de alto escalão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex-proprietário do Banco Master) para garantir a injeção de capital no projeto. A apuração baseia-se em compilações de áudios, mensagens de texto e trocas de e-mails captadas com autorização judicial, as quais indicam negociações financeiras heterodoxas que podem configurar crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Diante da complexidade das redes de dados e da necessidade de obter cooperação jurídica internacional para rastrear a cadeia de suprimentos da produção, a Polícia Federal formalizou na última semana um pedido de prorrogação do prazo investigativo por mais 90 dias. A dilação, pendente de homologação pelo ministro Mendonça, permitirá a realização de novas perícias contábeis antes da elaboração do relatório final de indiciamento. O senador reitera que todas as negociações para o filme transcorreram dentro da legalidade e no âmbito de contratos privados.

Destino sem foro privilegiado e o horizonte penal.
A derrota nas urnas consolida a contagem regressiva para o término do mandato parlamentar de Flávio Bolsonaro no Senado Federal, previsto para se encerrar em fevereiro de 2027. O encerramento de sua atuação no Congresso Nacional, todavia, não significará o alívio judicial de ver seus processos remetidos à primeira instância ou diluídos na Justiça comum. Isso ocorre porque o pleno do Supremo Tribunal Federal consolidou uma alteração estrutural em sua jurisprudência no tocante ao foro por prerrogativa de função. Por maioria de 7 votos a 4, a Corte fixou a tese de que os procedimentos criminais iniciados contra autoridades continuam sob a jurisdição do STF mesmo após o encerramento do exercício das funções públicas, desde que os atos delituosos apontados tenham sido praticados no exercício do mandato e em razão do cargo ocupado.

Desse modo, os desdobramentos das apurações de lavagem de dinheiro por meio das plataformas de apostas e do financiamento do longa-metragem permanecerão sob o escrutínio direto dos ministros do STF. Com os passaportes retidos pela Polícia Federal e sob a vigilância ostensiva das autoridades de segurança, o senador derrotado enfrenta um cenário de isolamento político e severo estrangulamento jurídico, sem garantias de fuga ou de contorno às responsabilizações penais que se desenham no horizonte.

https://revistaforum.com.br/ 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Alckmin pode assumir Fazenda para acalmar o mercado financeiro.


Vice reeleito pode assumir o ministério para mostrar ao mercado 
compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.

Por Armando Holanda

Como o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda está em curso, para a quarta e última gestão do presidente os nomes que poderão formá-lo devem ser decididos somente a partir do fim de novembro. Assim mesmo, fontes palacianas que se dispuseram a analisar o assunto, não acreditam em mudanças significativas ou surpreendentes. O vice-presidente Geraldo Alckmin pode assumir um posto de peso. É, hoje, o nome mais cotado para dirigir o Ministério da Fazenda. A razão é simples: resgatar a simpatia da Faria Lima, que se jogou de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro. A colocação de Alckmin na pasta seria a demonstração de que o governo, a partir de 2027, assume um compromisso sério e público com o equilíbrio fiscal, tanto cobrado pelo setor financeiro. Dario Durigan, nesse caso, poderia substituir Alckmin exatamente na pasta da Indústria, Comércio e Serviços — e continuar o trabalho de negociação com o governo de Donald Trump que está em curso e do qual, aliás, já participa.

O patamar de André Janones também tende a ser outro. O deputado da Rede Sustentabilidade por Minas Gerais foi reeleito, mas exerceu papel fundamental entre o primeiro e o segundo turno ao eletrizar a militância e fazer com que os petistas — e os não eleitores de Flávio — se engajassem na reeleição. No discurso da vitória, Lula deu a entender que o parlamentar terá papel preponderante na comunicação do governo neste quarto mandato. Garantiu, inclusive, que será mais visto nas redes sociais e falará diretamente à sociedade. Isso não quer dizer, porém, que Janones foi aceito pelas hostes do PT, que tem dúvidas sobre os métodos de mobilização que utiliza, considerados iguais aos da extrema-direita. Dentro da campanha do presidente, houve quem torcesse o nariz para ele. E não são poucos os petistas que consideram inconcebível o deputado ser cogitado para algum posto relacionado à comunicação — setor que vem sendo motivo de críticas desde que o presidente obteve o terceiro mandato, em 2022. Por conta, sobretudo, da campanha no segundo turno, além da falta de sucessores para a disputa de 2030, alguns nomes cresceram muito no conceito de Lula — embora já fossem admirados pelo presidente. O senador Camilo Santana (PT-CE) é um deles. No primeiro turno, ele trabalhou intensamente pela reeleição do governador Elmano de Freitas e conseguiu o segundo mandato para o petista.

No segundo turno, assumiu as rédeas da campanha à reeleição ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e do presidente do PT, Edinho Silva. Essa tríade foi responsável pelo reagrupamento da tropa, que estava dispersa na etapa anterior da eleição — como chegou a reclamar publicamente o próprio Lula. Camilo foi ministro da Educação. Mas, no próximo governo, pode se tornar um dos mais próximos auxiliares de Lula e ocupar a poderosa Casa Civil. Só que não estaria afastada a hipótese de ele retornar ao MEC e manter a visibilidade de uma pasta forte e capaz de projetá-lo para voos mais altos.

Camilo, porém, tem um adversário de peso para a Casa Civil: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, derrotado por Tarcísio Gomes de Freitas na disputa pelo governo paulista. Sobre se ele pode ser o nome a ser lançado pelo PT à Presidência em 2030, isso é algo a ser analisado com o tempo. Haddad é considerado "pau para toda obra", mas perdeu duas vezes para o bolsonarismo — agora, para Tarcísio, e em 2018, para Jair Bolsonaro.

Quem corre por fora também pela Casa Civil é Gleisi Hoffman, que já esteve no Palácio ao ocupar a Secretaria de Relações Institucionais. Ela disputou o Senado pelo Paraná e não foi eleita. Considerada pessoa de confiança — presidiu o PT quando o presidente esteve preso nas dependências da Polícia Federal, em Curitiba — , Lula tende sempre a mantê-la por perto e em postos-chave.

Fica onde está.
Quem deve permanecer onde está é Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Desde que sucedeu Nísia Trindade, é consenso dentro do Palácio do Planalto que a pasta não apenas obteve visibilidade como se envolveu na articulação política direta com estados, municípios e Congresso. O perfil de Padilha, de muita presença nas redes sociais, é considerado mais compatível com a comunicação atual, sobretudo por causa do alcance das plataformas para a divulgação de programas do governo na área.

Também devem voltar ao governo Simone Tebet e Marina Silva, ambas derrotadas em São Paulo na corrida ao Senado. Mas não representa que reocuparão os espaços em que estavam antes de decidirem disputar as eleições. Tebet é considerada um bom nome para voltar ao Planejamento, mas, nesse caso, sua maior rival é Miriam Belchior, que também esteve à frente da pasta, só que no governo de Dilma Rousseff. Há a possibilidade, ainda, de Miriam ser deslocada para a presidência da Petrobras.
 
Marina, entretanto, pode ser alocada nesta mesma Petrobras. Crítica da prospecção de petróleo na Margem Equatorial, um projeto que vem sendo acalentado por Lula é colocá-la no comando da empresa com o objetivo de consolidar a estatal como produtora de energia limpa e renovável — o presidente várias vezes disse que seria o papel da empresa no futuro.

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Centrão reconhece vitória de Lula e isola PL em contestação eleitoral.

 
Anita Prado

O reconhecimento da vitória abre espaço para a articulação de Lula com partidos que ocupam posições estratégicas no Congresso Nacional. Isso, porém, não significa que o presidente terá apoio garantido para aprovar sua agenda. A capacidade de governar dependerá das negociações com essas legendas e da correlação de forças no Legislativo, especialmente diante do tamanho das bancadas do PL.

Partidos cobram responsabilidade e diálogo.

Entre as manifestações divulgadas após a apuração, o União Brasil destacou o respeito às instituições como condição para a democracia. Em nota assinada pelo presidente nacional, Antonio Rueda, a legenda afirmou que a soberania popular se expressou livremente nas urnas e que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado. O líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), também cumprimentou Lula e defendeu que as divergências políticas sejam deixadas de lado em favor dos interesses nacionais.

No PSD, o presidente nacional, Gilberto Kassab, parabenizou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em nota, afirmou que a legenda pretende apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades sociais, ao equilíbrio fiscal e à criação de condições favoráveis aos investimentos e à geração de empregos. Kassab também indicou que parlamentares e governadores eleitos pelo partido deverão manter uma relação institucional com o governo federal, sem abrir mão da defesa de projetos que considerem positivos para o desenvolvimento do país.

O Podemos, presidido pela deputada federal Renata Abreu, desejou que Lula conduza o novo mandato com sabedoria e responsabilidade. A sigla, no entanto, ressaltou que continuará atuando com independência no Parlamento, colocando os interesses da população acima das disputas partidárias.

Já o Republicanos, por meio de seu presidente, Marcos Pereira, destacou que a responsabilidade de Lula inclui governar para os eleitores que optaram por Flávio Bolsonaro. O dirigente defendeu respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, também reconheceu a vitória de Lula e afirmou que a reeleição ocorreu democraticamente. O dirigente desejou serenidade ao petista para governar em benefício de todos os brasileiros.

No campo dos partidos que apoiaram a reeleição do petista, o PDT afirmou que esteve ao lado de Lula desde o início da campanha e classificou a vitória como um resultado favorável à democracia. PCdoB e PSOL destacaram a mobilização popular e o trabalho de militantes durante o segundo turno.

A Rede atribuiu o resultado à reação contra a desinformação e o que classificou como interferência estrangeira e atuação das grandes empresas de tecnologia. PCB e PSTU também ressaltaram a participação popular, mas defenderam que a mobilização política continue após a eleição. O PSTU afirmou que seguirá se opondo tanto à extrema direita quanto às medidas do governo que considerar contrárias aos interesses dos trabalhadores.

O partido 
MISSÂO reconheceu a vitória de Lula, mas não parabenizou o presidente. Renan Santos, dirigente da legenda e candidato à Presidência no primeiro turno, negou a existência de fraude e atribuiu o resultado à força da campanha petista na etapa final da disputa e à ampliação da rejeição ao bolsonarismo.

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Como fica situação de Flavio Bolsonaro nas investigações do STF, após derrota para Lula.


Daniel Gullino

Com a derrota na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem cargo a partir de fevereiro de 2027, quando termina seu mandato de senador. O fim do foro privilegiado, contudo, não deve alterar os três inquéritos contra ele que tramitam no STF. Isso porque, no ano passado, a Corte alterou as regras do foro e determinou que as investigações continuassem no tribunal mesmo após o término do mandato das autoridades. Antes, os casos eram enviados à primeira instância.

Flávio é alvo de três inquéritos no STF. Um deles é relatado por André Mendonça e analisa os repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse. Recentemente, a PF pediu a prorrogação da apuração, devido a diligências pendentes. Outro, mais recente, trata das relações entre o senador e o advogado Willer Tomaz e tem Alexandre de Moraes como relator. Também há uma investigação sobre uma suposta calúnia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste caso, a PF já concluiu que houve crime, mas falta o posicionamento da PGR. O relator também é Moraes.

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