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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Trump perde o Congresso: o que muda para o Brasil e para os conflitos no mundo?


Com legislativo nas mãos dos democratas, Trump deve priorizar custo de vida interno, mas com reflexos no mundo: guerra contra o Irã pode perder financiamento, Cuba pode virar alvo de mais pressão e Brasil deve ver mais fiscalização sobre medidas do governo dos EUA, dizem especialistas.

Por Aline Freitas, g1 — São Paulo 

Com a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato (midterms), realizadas nesta terça-feira (3), a expectativa histórica de que o republicano volte suas atenções para a política externa nos dois últimos anos de governo pode não se confirmar. 

Embora esse seja um comportamento observado entre presidentes americanos anteriores que perdem força no Congresso, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que Trump deve seguir um caminho diferente já que sua atuação internacional, especialmente a guerra contra o Irã, contribuiu para o desgaste de sua popularidade e para a derrota eleitoral.

Isso não significa que outros países não devem ser afetados pela derrota republicana. Na América Latina, os especialistas apontam desde um possível afastamento dos EUA de questões envolvendo a Venezuela até uma intensificação da pressão sobre Cuba. Para o Brasil, a tendência é de continuidade das políticas americanas, embora o novo Congresso possa ampliar a fiscalização sobre medidas do governo Trump.

Já no Oriente Médio, a nova maioria democrata pode dificultar o financiamento da guerra contra o Irã e aumentar a pressão por um acordo para encerrar o conflito.

Por que Trump pode contrariar o histórico dos 'patos mancos'?

Historicamente, presidentes americanos tendem a voltar suas atenções para a política externa nos últimos anos de mandato. Isso acontece especialmente ao perderem força no Congresso, quando são chamados de "patos mancos". A expressão é usada para políticos que ainda estão no cargo, mas já são vistos como figuras com menos poder e influência.

Com mais dificuldades para aprovar medidas internas, eles buscam resultados nas relações internacionais, onde possuem maior autonomia para agir.
 
Esse comportamento inclui exemplos como Bill Clinton, que tentou negociar um acordo de paz entre israelenses e palestinos no fim do governo, e Barack Obama, que, após a derrota democrata nas eleições de meio de mandato de 2014, fechou um acordo nuclear com o Irã e restabeleceu relações diplomáticas com Cuba, conforme lembra uma análise publicada pela revista Foreign Affairs.

Trump, porém, deve ir contra esse precedente.

O presidente deve deixar a política externa em segundo plano e concentrar esforços na economia americana, especialmente no aumento do custo de vida, segundo a avaliação de Roberto Uebel, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM) e professor de Relações Internacionais da ESPM.

    "Eu acredito que para ele conseguir manter uma sobrevivência política, ele precisa dar resultados, porque os norte-americanos votam por resultados econômicos", afirma. 

Na mesma linha, as dificuldades enfrentadas pelos EUA na guerra contra o Irã e a crescente competição com a China tornam novas intervenções internacionais mais arriscadas explica Vinicius Rodrigues Vieira, professor de Economia e Relações Internacionais da Faap.

    "Essa seria a expectativa no passado", avalia. "Nada mais claro do que as dificuldades enfrentadas no Irã para demonstrar que caso Trump queira abrir novas frentes de batalha em política externa, ele terá acho que mais problemas do que soluções". 

Já Vitelio Brustolin, professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), considera que as ações do governo Trump em relação a outros países não devem sofrer grandes mudanças.

"Os passos que foram dados e que foram, inclusive, ratificados na estratégia nacional de defesa e na estratégia de segurança nacional, eles não têm como recuar", diz.

Quais as possíveis consequências para a América Latina? E para o Brasil?

Ainda assim, países já envolvidos em disputas diplomáticas com o governo Trump podem sofrer consequências, segundo os especialistas.

Na avaliação de Brustolin, a pressão sobre países latino-americanos deve continuar em uma tentativa de limitar a influência chinesa e ampliar o combate ao narcotráfico. Para ele, essa pressão deve ser ainda maior no Brasil porque países vizinhos, que elegeram candidatos apoiados por Trump nas últimas eleições presidenciais, concordam com as operações militares.
 
Antes da vitória de Lula, candidatos de direita haviam conquistado as últimas cinco eleições presidenciais ocorridas na América do Sul. Após as eleições no Brasil, o mapa da América do Sul ficou desenhado com sete países de direita e cinco de esquerda. 
 
"[Apesar disso], não percebo que haja uma repercussão direta na redução ou na aplicação de mais tarifas contra o Brasil, por conta desse novo congresso dos Estados Unidos", continua. "O que pode acontecer é que questões relacionadas ao Brasil sejam usadas pela nova Câmara e pelo novo Senado para questionar autoridades do governo Trump, inclusive o Marco Rubio e o Pete Hegseth, secretário de guerra dos Estados Unidos". 

Já na avaliação de Vieira, entre os países da América Latina, o Brasil não deve ser o mais afetado.

"Eu vejo menos uma interferência no Brasil. Muito mais provável que ele volte todas as atenções para Cuba, porque Cuba, mais do que qualquer país latino-americano, mobiliza o eleitor americano em relação a qualquer questão e pode vender bem o Rubio como potencial sucessor do movimento Maga (Make America Great Again)"

Uebel, por outro lado, acredita que a derrota republicana deve levar a um afastamento gradual dos Estados Unidos da América Latina.

Para ele, a prioridade de Trump será recuperar sua força política internamente, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, deve concentrar esforços em uma possível candidatura à Presidência em 2028.
 
"Se hoje a prioridade do presidente Trump vai ser a sua sobrevivência política, Venezuela não é mais prioridade. A América Latina não é mais prioridade", afirmou.

Apesar disso, assim como Brustolin, o professor não descarta a continuidade das ações militares na região.

O que pode mudar nos conflitos no Irã, em Israel e na Ucrânia?

    Irã

A guerra do Irã, na avaliação dos especialistas, ultrapassa a barreira entre política interna e externa nos EUA, já que o conflito elevou os preços do petróleo e dos combustíveis no país, pressionando o custo de vida dos americanos.

Na avaliação de Uebel, o resultado das eleições deve levar o presidente a reduzir gradualmente o envolvimento no conflito, justamente porque a guerra passou a representar um desgaste político e econômico para o governo.

    ➡️Após o resultado nas urnas, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, atrelou a derrota republicana à guerra no Irã. Em entrevista à imprensa americana, o presidente republicano também reconheceu o papel do conflito na vitória da oposição. 

Vieira também acredita que Trump deve buscar uma saída negociada para o conflito, mas ressalta que o presidente tentará apresentar um eventual acordo como uma vitória americana. 

    "Ele vai querer declarar alguma vitória no Irã. E, para tanto, me parece que ele precisa encontrar uma saída honrosa. Os democratas, agora com controle da Câmara e do Senado, podem impeli-lo a buscar ali uma negociação e aceitar o acordo menos pior possível, desde que ele possa vender-se como vencedor da batalha", afirma. 

Brustolin considera improvável um recuo imediato. Segundo ele, Trump ainda pode tentar garantir recursos para a guerra antes da posse do novo Congresso, em 3 de janeiro, quando os democratas passarão a ter maior poder para fiscalizar e restringir o financiamento de operações militares.

    Israel

Em relação a Israel, os especialistas também apontam a possibilidade de uma redução do envolvimento americano. Na terça-feira (3), Trump anunciou que pretende encerrar a ajuda financeira anual de aproximadamente US$ 4 bilhões ao país a partir de 2027.

Para Brustolin, porém, o anúncio teve caráter eleitoral e não significa o fim da cooperação militar entre os dois países. Segundo ele, mesmo sem os repasses anuais, Israel poderá continuar comprando armamentos americanos, incluindo caças e equipamentos de defesa antiaérea.

    "Os EUA não vão mais repassar US$ 4 bi para Israel por ano, mas tudo que Israel quiser comprar, vai poder comprar", explica. "Então os caças vão continuar sendo vendidos, equipamentos de defesa antiaérea e todo o restante vai continuar sendo fornecido. Israel só não vai mais ter acesso a um repasse anual".

Já Uebel considera que o anúncio de Trump é um dos primeiros sinais de um possível afastamento dos conflitos no Oriente Médio, em uma tentativa de recuperar o apoio de eleitores insatisfeitos com os gastos internacionais.

    Guerra da Ucrânia

Na Ucrânia, a derrota republicana também pode afetar o envolvimento dos Estados Unidos nas negociações para encerrar a guerra com a Rússia.

Vieira avalia que Trump pode tentar acelerar um acordo de paz, mas ressalta que os democratas ainda precisam encontrar um consenso sobre o grau de envolvimento americano em conflitos internacionais.

Segundo ele, há divergências dentro do partido entre uma postura mais isolacionista e outra favorável a uma atuação internacional mais ativa.

https://g1.globo.com 

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

PEC da Segurança dá outra vitória à dobradinha Lula-Alcolumbre e isola o PL.


Anita Prado

Antes sem consenso — o que fez Alcolumbre, em mais um gesto de aliança, adiar o texto para depois das eleições —, na manhã da terça-feira, o PT decidiu aprovar o texto sem discutir as emendas sobre a diminuição: a de Marinho e a de Camilo. Marinho tentou reagir. Pediu destaque para forçar a discussão em plenário. Mas o relator, Rogério Carvalho (PT), tinha outra saída: apresentou um requerimento para encaminhar ambas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a discussão passaria a tramitar em uma PEC separada. O requerimento foi aprovado e, com a decisão, a discussão sobre a maioridade penal ficou para depois. Na prática, o governo conseguiu aprovar a PEC da forma que sempre quis: sem discutir a maioridade e rapidamente, sem ver o texto voltar para a Câmara — o que aconteceria caso as emendas fossem aprovadas.

O líder do PL não disfarçou a irritação. Antes da votação, já dizia a jornalistas que a oposição estava sendo escanteada. Ao orientar o voto de seu partido, classificou o episódio como "mais um estelionato eleitoral". Depois que as emendas foram retiradas de pauta, deixou o plenário alegando que participaria de uma reunião. Minutos depois, apareceu para uma coletiva de imprensa às pressas. Marinho afirmou que está sendo escrita "uma página esquisita do Legislativo" e criticou o uso do instrumento regimental, que, segundo ele, cria um precedente perigoso para a presidência do Senado. Em mais de uma ocasião, recorreu à expressão "o chapéu muda de cabeça", numa referência indireta à condução de Alcolumbre. Não é uma provocação qualquer. Marinho pretende disputar novamente a presidência da Casa, mesmo disputando a oposição com a senadora Tereza Cristina (PP), que ganhou força após a fuga de Flávio Bolsonaro. Nem mesmo a participação remota de Flávio, diretamente dos Estados Unidos, mudou o cenário. O senador Carlos Portinho (PL) precisou segurar as pontas em diferentes momentos, enquanto o partido tentava reagir a uma articulação que já parecia ter destino definido.

Do outro lado, o governo voltou a comemorar, dentro e fora do plenário. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, festejou a aprovação da PEC. Lula também celebrou o resultado e defendeu que a aprovação seja acompanhada da criação do Ministério da Segurança Pública, uma de suas propostas de governo, com foco em inteligência, planejamento e cooperação com estados e municípios no combate às facções e milícias.

https://noticias.uol.com.br

Eleições nos EUA: democratas conquistam maioria da Câmara e do Senado, impõem derrota a Trump e assumem controle do Congresso.


Pelos próximos dois anos, democratas terão maioria nas duas casas, o que causará desafios ao governo do presidente americano. Trump disse que aceitaria derrota, mas postou imagem com a palavra 'veto', sinalizando como poderia governar diante da oposição fortalecida.

Por Guilherme Naldis, g1 

O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado configura uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump em meio às eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na última terça-feira (3). A legenda manteve suas cadeiras no Senado e avançou sobre vagas historicamente ocupadas por Republicanos. Os democratas elegeram 20 senadores, sendo sete de virada, e chegaram a 54 das 100 cadeiras da Casa até a última atualização desta reportagem. Eram necessárias 51 cadeiras para alcançar a maioria. Até a última atualização desta reportagem, os resultados para o Senado estavam da seguinte forma:

    🔵 Democratas: 54
    🔴 Republicanos: 44
    Aguardando resultado: 2


Na Câmara, os democratas conseguiram "virar" 25 cadeiras que estavam sob o controle dos republicanos em distritos de mais de 10 estados. Até a última atualização desta reportagem, os resultados para a Câmara estavam da seguinte forma:

    🔵 Democratas: 228
    🔴 Republicanos: 139
    Aguardando resultado: 68

 
Toda a Câmara dos Deputados americana é renovada a cada dois anos. Como existem 435 cadeiras na Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 assentos para obter a maioria absoluta. No Senado, onde os democratas também obtiveram maioria, havia 35 cadeiras em disputa das 100 no total. As eleições devem alterar drasticamente o equilíbrio de poder em Washington, já que o partido de Donald Trump perdeu o controle que tinha nas duas Casas. 

Trump diz que vai aceitar resultado.
Após a confirmação do controle democrata sobre as duas Casas, o presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao jornal americano "The New York Times", que deve aceitar a derrota e governar junto dos democratas.

    "Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", afirmou.

Segundo o americano, sua gestão deve buscar acordos com integrantes do partido adversário.

    "Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento", declarou.

Dias antes, o republicano levantou dúvidas sobre a sua reação a uma eventual derrota ao afirmar que só reconheceria os resultados se as eleições "fossem limpas".

Presidente promete vetos.

Após os primeiros resultados negativos para seu partido, Trump publicou a foto de um boné vermelho com a palavra “veto”. Dias antes, o presidente antecipou como agiria caso os democratas vencessem as eleições. "Acho que vou me tornar o Sr. Veto", disse o presidente ao podcast "Pod Force One", do "New York Post".

    "Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo", disse.

Democratas avançam no Senado e ganham sobre estados conservadores.
Em uma surpreendente dupla vitória democrata em dois dos estados mais conservadores do país, James Talarico derrotou Ken Paxton no Texas, e Annie Andrews obteve uma vitória inesperada sobre Darline Graham na Carolina do Sul, colocando em xeque o controle republicano do Senado dos EUA. Os resultados históricos representaram uma extraordinária rejeição a Trump, que havia colocado todo o seu peso político a serviço dos candidatos derrotados. Trump havia apoiado Ken Paxton, o procurador-geral do Texas envolvido em diversos escândalos, contra o senador John Cornyn nas primárias republicanas do Estado. Cornyn e lideranças republicanas nacionais haviam alertado que Paxton teria dificuldades em uma eleição geral, o que poderia custar dezenas de milhões de dólares ao partido e, potencialmente, o controle unificado dos republicanos sobre o poder em Washington.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, marcando mais uma derrota do partido em um Estado de tendência republicana

Na Carolina do Sul, Trump apoiou Graham apesar das dúvidas dentro do próprio partido de que ela não tinha experiência e conhecimento suficientes para conquistar a cadeira anteriormente ocupada por seu irmão, Lindsey Graham, após a morte inesperada dele. Além disso, Trump visitou Ohio repetidas vezes para fazer campanha por Husted. Os democratas já haviam virado uma cadeira na Carolina do Norte e mantido assentos disputados em New Hampshire e na Geórgia. O senador democrata Jon Ossoff foi reeleito na Geórgia, derrotando o deputado Mike Collins e impedindo que os republicanos conquistassem uma cadeira que haviam considerado uma de suas principais oportunidades de avanço. O deputado Chris Pappas venceu a disputa pelo Senado em New Hampshire, derrotando o ex-senador John Sununu para substituir a senadora democrata Jeanne Shaheen, que está se aposentando. Vários senadores democratas foram reeleitos com facilidade, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado. A democrata Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador democrata Dick Durbin.

Como funcionam as midterms.
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato. Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores têm mandatos de seis anos. Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Neste ano, além das 435 cadeiras da Câmara, estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado.

https://g1.globo.com 

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Flávio Bolsonaro manda novo recado sem reconhecer derrota: 'Sinto que ainda não acabou'.


por Henrique Brinco.
henrique.brinco@bnews.com.br

O candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), fez uma nova postagem nas redes sociais indicando que continua não reconhecendo o resultado das urnas. Na segunda-feira (2), o senador compartilhou uma mensagem de Carlos Bolsonaro (PL) com uma legenda.
 "Fiz o que achava certo, necessário e com muita fé, que continua inabalável! Sinto ainda que não acabou! Que Deus nos abençoe!", escreveu o filho de Jair Bolsonaro, que agora está morando nos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas.

Carlos, que foi eleito senador por Santa Catarina na eleição deste ano, compartilhou uma reflexão em defesa do irmão. "Não colocou seu cargo acima daquilo em que acredita, mas sim, abriu mão de sua vida em disputa de algo muito maior!", escreveu. "Essa é mais uma verdade que o sistema tenta omitir, ignorar propositalmente e apagar da história de verdadeiros homens", finalizou Carlos.

Flávio perdeu a eleição para Lula (PT), que venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos. Ele ficou com 48,21%. O resultado, já reconhecido pela maioria dos partidos (incluindo o PL), marca a primeira vez em que o segundo colocado no primeiro turno consegue virar a disputa presidencial. No domingo (1º), o programa 'Fantástico', da TV Globo, exibiu uma longa reportagem detalhando a fuga do '01'. Segundo a atração, a operação envolveu altos valores, chegando a custar quase R$ 1 milhão.

https://www.bnews.com.br/

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Justiça recebe pedido para suspender salário de Flávio Bolsonaro.


Publicado por: 
Diário do Centro do Mundo

Os advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma protocolaram uma ação popular para suspender o salário e as verbas públicas destinadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O processo tramita na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A ação foi apresentada em 31 de outubro de 2026 e questiona a manutenção dos pagamentos ao senador enquanto ele permanece nos Estados Unidos desde 27 de outubro. Os autores afirmam que a permanência de Flávio Bolsonaro no exterior inviabiliza o exercício do mandato, lesa o erário e contraria o princípio da moralidade administrativa. Na petição, os advogados também contestam a manutenção da estrutura de gabinete do senador. Flávio Bolsonaro declarou que “liderará a oposição” ao governo a partir do exterior.

Os advogados pedem que a Justiça interrompa o pagamento do salário, da verba de gabinete, do auxílio-moradia e da cota parlamentar de Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes do casal. Ele disse que se sentia ameaçado por eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal apresentou um pedido de apreensão do passaporte do senador sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar, às 21:09h de 25 de outubro de 2026, o resultado da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Moraes autorizou a apreensão dos documentos de Flávio Bolsonaro e determinou que ele não deixasse o país. A defesa do senador não havia se manifestado sobre a ação popular.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/

Carta de Flávio com brasão da República pode configurar crime.


Migalhas

O uso do Brasão da República em carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro na quarta-feira, 28, pode configurar crime previsto no Código Penal. O documento, no qual o parlamentar contesta o resultado das eleições presidenciais e se apresenta como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, foi divulgado com um símbolo oficial no cabeçalho. A primeira versão da carta, compartilhada por aliados do senador nas redes sociais, chamou a atenção por apresentar um brasão com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", com a palavra Brasil escrita com "z", conforme a grafia utilizada na antiga denominação oficial do país. Posteriormente, Flávio publicou uma segunda versão do documento, desta vez com as Armas Nacionais da República Federativa do Brasil, conforme o modelo atualmente previsto na legislação. A utilização do símbolo em comunicações particulares levanta questionamentos sobre eventual uso indevido de sinais oficiais da Administração Pública, conduta que pode ser punida com reclusão de dois a seis anos e multa.

Duas versões da carta.
A primeira versão da correspondência foi divulgada por aliados do senador, entre eles Paulo Figueiredo, que posteriormente afirmou ter recebido um documento com o que aparentava ser um brasão antigo, embora o conteúdo da mensagem estivesse correto. Na carta, Flávio se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". O senador contesta o resultado das eleições presidenciais, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva, e afirma que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. Em seguida, Flávio publicou outra versão, substituindo o símbolo histórico pelas atuais Armas Nacionais.

O que diz a legislação?
O art. 296, § 1º, III, do Código Penal estabelece punição para quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.

Veja:

CAPÍTULO III
DA FALSIDADE DOCUMENTAL

Falsificação do selo ou sinal público.
Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
III - Quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. A pena prevista é de dois a seis anos de reclusão, além de multa.

As Armas Nacionais são um dos quatro símbolos nacionais previstos na Constituição Federal, juntamente com a Bandeira Nacional, o Hino Nacional e o Selo Nacional. A lei 5.700/71 regulamenta sua apresentação e utilização. Embora o uso de símbolos nacionais por particulares não seja necessariamente ilícito, sua utilização para conferir aparência oficial a documentos privados pode caracterizar infração penal, a depender das circunstâncias. Assim, a presença do brasão na carta de Flávio Bolsonaro não significa, por si só, que houve crime. Eventual responsabilização depende da análise da finalidade do documento, das condições de utilização do símbolo e da existência dos elementos exigidos pelo tipo penal.

Condenação por uso indevido do brasão.
Em dezembro de 2017, o Migalhas noticiou que a 1ª turma do STF manteve, ao não admitir habeas corpus, a condenação do ex-deputado suplente Josué dos Santos Ferreira pelo uso indevido do Brasão da República em correspondências particulares. O caso envolvia cartas enviadas, entre 2005 e 2006, a uma empresa de telefonia e à Anatel, nas quais Ferreira utilizou o símbolo nacional para reclamar de cobranças que considerava indevidas em sua conta telefônica. Segundo o MPF, o então suplente teria utilizado sua condição política e o brasão para obter tratamento diferenciado perante órgãos e autoridades. Em 1ª instância, ele foi condenado a dois anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial aberto, pelo crime previsto no art. 296, § 1º, III, do Código Penal. A condenação foi mantida pelo TRF da 3ª região.

No Supremo, o relator do HC 135.441, ministro Alexandre de Moraes, votou pela absolvição, por entender que a conduta era atípica. Para ele, o uso do Brasão da República por particulares não configura necessariamente crime, uma vez que símbolos nacionais também são empregados por associações e instituições privadas. O ministro Luís Roberto Barroso abriu divergência e considerou inadmissível o habeas corpus, por entender que a medida estava sendo utilizada como substituta de revisão criminal após o trânsito em julgado da condenação. Barroso também destacou que o ex-deputado fazia uso reiterado dos símbolos para intimidar pessoas e obter privilégios. A divergência prevaleceu, e a 1ª turma, por maioria, não admitiu o HC, mantendo os efeitos da condenação. Processo: HC 135.441.

https://www.migalhas.com.br/

Justiça derruba sigilo médico e libera documentos sobre a morte de Tancredo Neves.

   
 Material será utilizado na preparação da segunda edição do livro 'O Paciente: O Caso Tancredo Neves'

Estadão Conteúdo 

A 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) autorizou um dos filhos do ex-presidente Tancredo Neves a obter documentos médicos referentes ao tratamento e à morte do pai, ocorrida em 1985. A decisão foi tomada por unanimidade em julgamento realizado em 26 de outubro e reconheceu que o sigilo profissional não impede, em circunstâncias excepcionais, o acesso de familiares a informações médicas de pessoas falecidas. O processo foi movido por Tancredo Augusto Tolentino Neves contra o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). Ele recorreu à Justiça por meio de um habeas data, instrumento que permite solicitar acesso a informações pessoais mantidas em registros de órgãos públicos ou de caráter público. A primeira instância havia encerrado o processo sem analisar o pedido. Filho do ex-presidente pretende reunir prontuários, relatórios e outros registros relacionados ao atendimento médico prestado ao pai. O material será utilizado na preparação da segunda edição do livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves. A iniciativa também busca esclarecer aspectos do episódio que marcou o fim da trajetória política do primeiro presidente eleito após a ditadura militar, que morreu antes de tomar posse.

As entidades médicas se opuseram à divulgação dos documentos. A justificativa foi a proteção do sigilo profissional, além do entendimento de que o habeas data é um instrumento de natureza personalíssima e, portanto, não poderia ser utilizado por terceiros, mesmo que fossem herdeiros do paciente. Ao examinar o recurso, o desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, relator do caso, entendeu que a proteção das informações médicas precisa ser avaliada em conjunto com outros direitos. Embora o sigilo seja uma garantia constitucional, segundo o magistrado, ele não deve ser aplicado de maneira irrestrita quando há interesse legítimo no acesso aos registros. O relator considerou que a solicitação não se limita a uma questão particular da família. Por se tratar de Tancredo Neves, cuja trajetória teve papel relevante na redemocratização brasileira, a documentação também pode contribuir para o esclarecimento de um acontecimento de interesse público e para a preservação da memória histórica do País.

O entendimento levou em conta precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que admitem o acesso de familiares a informações de pessoas mortas em situações específicas, desde que exista justificativa jurídica para o pedido. A decisão também afastou a necessidade de que cada herdeiro apresentasse individualmente um pedido às entidades médicas. Para o colegiado, a recusa anterior a uma solicitação feita por uma das filhas do ex-presidente já demonstrava que os conselhos não pretendiam disponibilizar os registros.

Com a decisão, os dois conselhos de medicina terão de entregar os prontuários e os demais registros médicos solicitados pelo filho de Tancredo Neves. O entendimento do TRF1 permite que a família tenha acesso a documentos que podem ajudar a esclarecer as circunstâncias do tratamento e da morte do ex-presidente, quase quatro décadas depois do episódio.

https://jovempan.com.br

Chef de projeto social comemora doações após boicote de Nikolas Ferreira.


Em vídeo mostrando as refeições que seriam distribuídas para a população em situação de rua, o chef desafiou o parlamentar: : ‘Quem sabe tu faz o mesmo?’

Por Mariana Costa - Estado de Minas

O chef Júlio Ritta publicou um vídeo, no domingo (1°/11), em que comemora as doações recebidas por seu projeto social, o Cozinheiros do Bem, após a iniciativa sofrer boicote de empresários, devido ao posicionamento político de Ritta. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a perda das doações na quinta-feira (29/10). O Cozinheiros do Bem distribui refeições a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social, no Viaduto da Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Vocês acharam que iriam me derrubar?”, questiona o chef Ritta. Ele segue e chama o parlamentar de moleque. “Nem conheço a sua história. Acho que você ainda estava nas fraldas quando comecei a servir comida nesse viaduto”, afirma. 

Em seguida, ele mostra o cardápio que seria servido para as pessoas, ao lado de outros voluntários que ajudaram no preparo das refeições. “Mais de 500 pessoas não vão precisar meter a mão numa lata de lixo para comer”, enfatizou. 

Boicote as doações.
Na quinta-feira (29/10), em publicações nos stories do Instagram, Nikolas compartilhou um vídeo do chef Julio Ritta e ironizou a situação denunciada pelo chef, de que empresários e doadores estavam deixando de contribuir com o projeto, em razão do posicionamento político de Ritta nas eleições presidenciais. 

“O cara tem um projeto ‘Cozinheiros do Bem’. Tem uma festa programada para dia 14 onde terá o cantor MV Bill. Ele fez esse vídeo xingando a direita (no mínimo 60 milhões de pessoas) e agora os patrocinadores e doadores cancelaram toda verba”, escreveu. 

Depois, Nikolas questionou por que o projeto deveria receber recursos de pessoas que, segundo ele, foram chamadas de “milicianas, extremistas, fascistas e genocidas”. Nikolas também publicou um texto religioso em que questionava a motivação de ações de caridade. “A verdadeira caridade não serve para esconder os vícios da alma, mas nasce de uma alma que busca a santidade”, escreveu. 

https://www.correiobraziliense.com.br

Midterms nos EUA: eleições podem mudar planos de Trump e mexer com dólar e juros no Brasil.

 
Disputa pelo controle do Congresso pode dificultar os planos econômicos de Trump e influenciar as decisões do governo sobre gastos e impostos. As mudanças também podem afetar o dólar e os investimentos no Brasil.

Por Janize Colaço, g1 — São Paulo 

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem mudar os rumos da política econômica do presidente Donald Trump — com possíveis reflexos também para o Brasil. A disputa pelo controle do Congresso americano pode determinar o espaço que o governo terá para aprovar medidas sobre gastos públicos, impostos e regulação. Essas decisões também influenciam as expectativas dos investidores e podem afetar os juros e o dólar no mercado internacional. Conhecidas como "midterms", as eleições renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis. Na prática, o resultado pode alterar o equilíbrio de forças no Congresso sem mudar o comando da Presidência porque todos os representantes da Câmara são escolhidos novamente a cada eleição, enquanto apenas cerca de um terço das cadeiras do Senado é renovado. As projeções disponíveis apontam vantagem dos democratas, principalmente na Câmara, enquanto a disputa pelo controle do Senado aparece mais equilibrada.

O cenário ocorre em meio à queda de popularidade de Trump: 66% dos americanos desaprovam sua gestão, o maior índice já registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos. Na mesma direção, as projeções reunidas pelo BTG Pactual apontam dificuldades para os republicanos, sobretudo na disputa pela Câmara dos Representantes.

Entre os principais cenários estão:
Câmara dos Representantes: o modelo estatístico do "The Economist", adotado pelo BTG como referência, projeta que os democratas terão 239 das 435 cadeiras após a eleição, contra 196 dos republicanos. Nesse cenário, a probabilidade de maioria democrata é de 96%. Já o Polymarket, plataforma que negocia contratos baseados em previsões sobre eventos futuros, atribuía 92% de chance à vitória do partido na disputa pela Câmara.

Senado: diferentemente da Câmara, a disputa é mais apertada. O cenário-base do modelo próprio do BTG prevê que, após a eleição, os democratas terão 51 das 100 cadeiras, contra 49 dos republicanos. Para chegar a essa estimativa, o banco considera 91 vagas como praticamente definidas e calcula o resultado das nove disputas mais acirradas. A probabilidade de maioria democrata varia de 65%, segundo as cotações do Polymarket, a 72%, de acordo com o modelo quantitativo do próprio BTG.

O que uma 'onda azul' muda para a agenda de Trump?

Uma possível “onda azul” — expressão usada para descrever a conquista do controle das duas Casas do Congresso pelos democratas — poderia reduzir o espaço de Trump para aprovar medidas e ampliar a fiscalização sobre o governo. Essa é a avaliação de Andressa Durão, economista do ASA.

    “As apostas de mercado para as eleições de meio de mandato dos EUA vêm se deslocando a favor de uma onda democrata. Um enfraquecimento do Partido Republicano reduziria o poder do presidente para aprovar determinadas medidas e ampliaria a fiscalização sobre o governo.”

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste do presidente à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, especialmente com os preços dos combustíveis nos EUA. Ele lembra que a gasolina está acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel, de US$ 6 (R$ 32,66). Para o economista, a retomada de ao menos uma das Casas pelos democratas já seria suficiente para dificultar a agenda legislativa de Trump.

O alcance desse bloqueio, porém, dependerá do resultado em cada Casa:

Se os democratas conquistarem as duas, terão o controle da pauta legislativa e das comissões responsáveis por fiscalizar o Executivo. O Senado também teria maior influência sobre a confirmação de indicados pelo presidente para cargos do governo e instituições como o Federal Reserve (Fed), banco central americano, e a Suprema Corte. Se a oposição vencer apenas na Câmara, poderá dificultar a aprovação de projetos e a liberação de recursos, mas os republicanos continuarão controlando o Senado e, com isso, terão influência sobre as nomeações. Trump, por sua vez, manterá o poder de veto a projetos aprovados pelo Congresso. Sung também vê riscos para os mercados caso os democratas conquistem as duas Casas.

    “O mercado financeiro ainda não considerou plenamente a possibilidade de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso. Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”, acrescenta.

Como as midterms dos EUA afetam o Brasil?

Para o Brasil, os efeitos das eleições americanas podem chegar principalmente por dois caminhos: os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a cotação do dólar. As decisões do Congresso sobre gastos e impostos influenciam as expectativas dos investidores sobre as contas públicas americanas. Se houver perspectiva de que as despesas do governo aumentem mais do que a arrecadação, por exemplo, os juros pagos pelos títulos do Tesouro podem subir. Isso importa porque esses títulos são considerados uma referência para aplicações financeiras no mundo todo. Quando oferecem rendimentos maiores, investir nos EUA fica mais atraente e pode levar investidores a retirar recursos de países emergentes, como o Brasil. Com menos dinheiro entrando no país, o dólar tende a subir frente ao real. As taxas de juros negociadas para períodos futuros no Brasil também podem aumentar, elevando o custo de financiamento para empresas e consumidores e influenciando as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic. Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que uma vitória republicana nas duas Casas daria a Trump mais espaço para avançar com cortes de impostos, desregulamentação e políticas comerciais mais duras. Se essas medidas ampliarem o déficit público, poderão pressionar a inflação e os juros de longo prazo nos EUA.

    “Isso tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros e dificultar o desempenho da bolsa — especialmente de empresas mais endividadas e de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção.”

Uma vitória democrata, por outro lado, poderia reduzir o espaço para novas iniciativas de expansão dos gastos e aliviar a pressão sobre os juros americanos. Na avaliação de Praça, a oposição também teria mais poder para “fiscalizar o governo” e influenciar a confirmação de indicados para cargos importantes. Com menos espaço para aprovar medidas de estímulo à economia, a pressão sobre os juros americanos poderia diminuir. Isso tornaria os mercados emergentes mais atraentes para investidores, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, o fortalecimento do real e a queda das taxas de juros futuras. Esse efeito, porém, dependeria também do ambiente político nos EUA. Disputas em torno do orçamento e conflitos entre o governo e o Congresso poderiam gerar insegurança entre os investidores e provocar novas oscilações nos mercados.

    “Na bolsa, seria desigual: exportadoras podem se beneficiar de um dólar mais alto, mas perder se houver queda das commodities ou da demanda mundial”, diz Praça.

Lula e Trump também preocupam investidores.

A relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como mais um fator de incerteza para os investidores e pode influenciar a confiança no Brasil. Após a vitória do petista no último domingo, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o mercado passou a considerar a possibilidade de uma relação mais difícil entre os dois presidentes. A perspectiva aumenta a preocupação com novos atritos políticos e econômicos entre os países, como os registrados com o tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky. Para Praça, o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA também pode influenciar a continuidade dessas medidas.
 
    “Com a reeleição de Lula, podemos esperar mais atritos como esses, caso os Republicanos vençam, ou um veto mais rápido caso os Democratas vençam. Atualmente quem tem derrubado tais ações é o Supremo dos EUA, porém por um processo mais moroso”, avalia Praça.

Uma mudança na composição do Congresso americano, porém, não significaria necessariamente o fim das tarifas adotadas por Trump. O presidente pode recorrer a diferentes dispositivos da legislação comercial dos EUA para impor taxas sobre produtos importados. Entre eles estão a Seção 232, que permite a adoção de tarifas por motivos de segurança nacional, e a Seção 301, usada em casos de práticas comerciais consideradas desleais. O governo americano já utilizou esses instrumentos em medidas que atingiram produtos brasileiros, como as tarifas sobre o aço e as ações relacionadas à investigação comercial contra o Brasil. A possibilidade de impor tarifas, no entanto, também está sujeita a limites legais. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). No entanto, a decisão não alcançou as medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301, que têm bases legais diferentes. Ainda assim, o impacto das eleições americanas sobre o Brasil pode se somar aos fatores internos na formação do preço do dólar. Depois das oscilações registradas no período eleitoral brasileiro, a cotação da moeda voltou para a casa dos R$ 5,40. Segundo Sung, o movimento ocorre em um cenário de fortalecimento global do dólar, impulsionado pelas expectativas de alta dos juros nos EUA. Essa valorização do dólar tem feito moedas de diversos países emergentes perderem valor em relação à moeda americana. O real, porém, seguiu um caminho diferente.

    “O Brasil estava na contramão após o primeiro turno das nossas eleições. Com a vitória do presidente Lula e a frustração das apostas do mercado, o dólar voltou a subir”, aponta.

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domingo, 1 de novembro de 2026

'Brasil virou exemplo de como barrar a extrema direita', diz professor de Relações Internacionais.

 
João Daniel Almeida, da PUC-Rio, acredita que vitória de Lula e fuga 
de Flávio Bolsonaro podem influenciar eleições legislativas nos EUA.

Por Filipe Barini 

Menos de um mês depois de elogiar a rapidez do sistema eleitoral brasileiro ao final do primeiro turno, o presidente dos EUA, Donald Trump, virou a chave e repete contra o Brasil um velho roteiro de ataques aos resultados — que confirmaram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e acusações infundadas de fraude. Em seguida, abriu as portas dos Estados Unidos para o senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu do Brasil no início da semana e divulgou uma carta de teor golpista, rejeitada até por seus aliados mais próximos. Em entrevista ao GLOBO, João Daniel Almeida, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, aponta que o movimento que levou à virada de Lula no Brasil e a decisão de abrigar Flávio Bolsonaro, causam ondas no cenário global e começam a fazer parte do discurso de democratas antes das eleições legislativas de terça-feira. Ele também comenta como as urnas brasileiras evidenciaram os limites ao poder de Washington na América Latina.

A vitória do presidente Lula e a fuga do senador Flávio Bolsonaro ganharam bastante destaque na imprensa dos EUA e entre personalidades políticas do país. O senhor vê alguma chance de o Brasil ter alguma influência no voto dos americanos na terça?
Acredito que sim, porque a eleição brasileira teve um impacto global e, obviamente, uma relevância hemisférica. Em meio a fracassos internos, o governo Trump apresentava, dentro de sua perspectiva, os sucessos que conseguiu na América Latina em termos de política externa. E o Brasil conseguiu interromper isso, no momento em que cenários similares ocorreram na Sérvia e na Hungria. Da noite para o dia, o Brasil passou a ser um exemplo de como barrar a extrema direita dentro da democracia. E o candidato derrotado, que dizia que não ia fugir, foi para os Estados Unidos, passando pela Argentina, com a absoluta certeza de que seria acolhido, como o irmão foi. Se Lula tivesse vencido no primeiro turno, não teria chamado tanta atenção. Mas esse roteiro da virada de Lula e da fuga de Flávio Bolsonaro foi uma história muito interessante, com toques de Hollywood, para os americanos ignorarem, e isso fez com que políticos, especialmente do campo democrata, impulsionassem o tema em suas redes sociais. Alguns prometeram deportar os Bolsonaros se a oposição retomar a Presidência em 2028, e outros disseram que, no passado, os escroques do mundo fugiam para outros países, e agora eles fogem para os Estados Unidos. Até Trump ficou com um pé atrás. Apesar de dizer que houve problemas na eleição, disse que era um problema do Brasil. Em alguma medida, isso teve seu peso para que Flávio Bolsonaro mudasse a versão da carta em que se autodeclarou "presidente eleito", passando a dizer que era o "líder" da oposição. 

Assim como Flávio Bolsonaro, Trump ameaça não reconhecer os resultados caso os democratas vençam na terça-feira. Há chances de essa contestação dar certo, e como o resultado impactará seus anos finais de mandato?
Provavelmente os democratas vão virar na Câmara e talvez no Senado, e o que Trump vai fazer é berrar, espernear, como sempre faz. Contudo, isso terá um impacto pequeno nas eleições, e ainda que perca a maioria, não será suficiente para, por exemplo, que lancem e concluam um processo de impeachment contra ele. De qualquer forma, o Congresso, ele será um pato manco (um presidente sem poderes para aprovar medidas) no final do mandato. Mas citando a carta de Flávio Bolsonaro, acredito que ela não terá impactos nessa possível tentativa de Trump de deslegitimar a derrota. Se fosse em uma eleição presidencial, talvez pudesse ter um efeito maior, mas não nas legislativas.
 
Até domingo, era a possibilidade de influenciar as eleições brasileiras com uma série de instrumentos já testados em outras eleições e que ele tinha à mão, como as redes sociais, que, segundo depoimentos e indícios, foram empregadas aqui no Brasil. Os meios digitais fazem com que o processo de interferência seja mais eficaz, barato e até renda dinheiro. Neste contexto, era vantajoso manter Eduardo Bolsonaro nos EUA, intensificar a articulação com Paulo Figueiredo. Agora, algumas variáveis se colocam. A primeira é o processo eleitoral americano. Uma eventual derrota na terça-feira tornará o custo dessa aliança com o bolsonarismo mais elevado. A segunda é a dimensão brasileira, com a perda de poder e influência dessas figuras, uma vez que Flávio Bolsonaro não apenas foi derrotado nas urnas, mas também fugiu do país e sofreu um esvaziamento do seu espólio político. E existe a terceira, que é o fato de Trump abominar perdedores. Ele trata vencedores, mesmo que de campos opostos, com respeito, como vemos com Lula, Xi Jinping (presidente da China), Vladimir Putin (presidente da Rússia). Se Trump entender que é melhor se livrar dos "perdedores", ele não pensará duas vezes. 

Trump não reconheceu a vitória de Lula e questionou a lisura do processo eleitoral brasileiro. Historicamente falando, é uma quebra da normalidade das relações entre Estados Unidos e Brasil?
É algo absolutamente inédito, e ocorreu em uma eleição que, no primeiro turno, foi elogiada até mesmo por ele. Acredito que ele reconhecerá o resultado depois das eleições legislativas, mas isso não faz muita diferença hoje, uma vez que o mundo inteiro já reconheceu a vitória de Lula. Essa relutância apenas mostra um pouco da personalidade dele, que é um tanto excêntrica. Mas não vejo riscos significativos além disso.

Ao mesmo tempo em que não parabeniza Lula pela reeleição, Trump fez alguns afagos ao presidente brasileiro, com quem deve se encontrar em dezembro na cúpula do G20, em Miami. Ao final do dia, o pragmatismo falará mais alto?

Acredito que há coisas mais sérias do que a presença de Flávio Bolsonaro nos EUA, e isso passará razoavelmente batido porque o Brasil não tem capacidade de retaliar. Fico imaginando se ocorresse algo parecido, um investigado americano recebendo asilo político no Brasil. As relações seriam completamente contaminadas. Mas a assimetria de poder, no caso atual, impede respostas como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. O governo brasileiro reclama, protesta, mas isso não muda nada nas relações. Algo que entendo ter um potencial para mexer nas relações é a demanda crescente pela regulamentação das redes sociais, a ideia da soberania digital brasileira, que também inclui o Pix e que estará na pauta nos próximos meses e anos. Para os EUA, é algo bem mais sério do que qualquer tensão sobre eleições ou o asilo a uma figura que, menos de 24 horas depois de receber 60 milhões de votos, começou a se tornar irrelevante como líder da oposição.

A vitória de Lula no domingo passado também pode ser lida como uma demonstração dos limites da política de expansão dos EUA na América Latina, a “Doutrina Donroe”, que já conta com mais de uma dezena de aliados?

O fato de o Brasil ter feito isso democraticamente, mesmo com a manipulação das redes sociais, é extraordinário. Acredito que a doutrina tem seus limites, e isso enfraquece o poder de Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA), ainda mais se os democratas vencerem na terça-feira. E há um movimento que vejo ganhar corpo nas redes sociais — nós somos um dos países mais hiperconectados do mundo — que é o de influenciadores de esquerda fazendo publicações em inglês, sugerindo que o “Exército do Janones” pautasse, com hashtags, a eleição americana, apoiando candidatos democratas. À sua forma, seria um tipo de resposta a intervenções dos EUA em eleições na América Latina nos últimos dois séculos, através de plataformas de empresas americanas. Me parece que o Brasil começa a ser entendido não apenas como o país do futebol e do samba, mas também como o país da defesa da democracia, conseguindo conter a Doutrina Donroe e enfraquecer Marco Rubio, e que obteve sucesso ao mobilizar e organizar os algoritmos das redes sociais contra elas mesmas, em nome da liberdade e da democracia.
 
O impasse entre Brasil e EUA em torno de nossas eleições é um novo ponto negativo na já deteriorada imagem de Washington no cenário internacional?
Até entre os americanos, ficou evidente que houve uma intervenção indireta nas eleições brasileiras. E também ficou, mais uma vez, claro como os EUA agem de uma maneira muito proselitista, com uma política externa agressiva que abandona a lógica multilateral da qual o Brasil, e até os americanos, se beneficiaram por muito tempo. Mesmo em um governo democrata, como foi o de Joe Biden, a credibilidade dos Estados Unidos como aliado desapareceu, ao mesmo tempo em que os chineses ganham força, especialmente por sua previsibilidade. E nas relações internacionais, a credibilidade, especialmente em momentos de insegurança, é importante.

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