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sábado, 5 de setembro de 2026

PF vê possível estratégia de Mendonça para anistia de condenados por golpe.


Documento da corporação revelado por Moraes liga 
articulação do ministro à recomposição de forças no STF.

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília

A Polícia Federal levanta a hipótese de que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), buscaria alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado. A avaliação aparece em relatórios de inteligência da PF tornados públicos por Moraes na quinta-feira (3). O ministro enviou o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao apontar indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça. Em um dos documentos, os analistas avaliam uma possível "estratégia de recomposição de forças no Tribunal". A hipótese é de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência dentro do STF e alterar o equilíbrio entre grupos de ministros.

O relatório associa essa hipótese, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo e a movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A PF afirma que uma mudança na composição ou no equilíbrio interno da Corte poderia aumentar as chances de uma anistia relacionada aos crimes de 8 de Janeiro. A CNN já havia revelado que o relatório menciona uma possível estratégia de Mendonça para ampliar seu poder no tribunal.

Em uma tabela que organiza as hipóteses analisadas, a PF registra como uma das proposições que "a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro". Até 12 de agosto de 2025, o STF já havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou Mendonça ao Supremo.

Documento "sem valor probatório"
A própria Polícia Federal, porém, atribui baixo grau de confiança a essa conclusão. Segundo a corporação, os relatórios usados por Moraes são "documentos de trabalho" e "sem valor probatório", que reúnem análises de cenário e diferentes graus de confiança, sem apresentar conclusões criminais definitivas. Moraes, por outro lado, usou o conjunto dos relatórios para afirmar que há "fortes indícios" de irregularidades praticadas por Mendonça na condução das operações Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master. Entre as acusações apresentadas por Moraes estão interferência na condução das investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos, inclusive ele próprio. O episódio integra a crise aberta no Supremo nesta semana após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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Atlas/Focus: Lula tem 51,6% no 1º turno no CE; Flávio, 25,7%.

 
Foram entrevistados 1.834 eleitores do Ceará, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro; margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Da CNN Brasil

Divulgada na sexta-feira (4), a pesquisa AtlasIntel/Focus aponta o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51,6% das intenções de voto no Ceará para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Em segundo lugar, aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 25,7%. Na sequência da simulação estimulada, o escritor Augusto Cury (Avante) marca 12,3%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3,2%. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) registra 1,6%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tem 0,7%. Ainda na parte inferior da tabela, Hertz Dias (PSTU) alcança 0,1%. Os candidatos Clariana Barão (DC), Samara Martins (UP) e o veterinário Wilson Grassi (Democrata) não pontuaram no levantamento. Votos em branco ou nulos somam 1,0%, e os eleitores que não sabem representam 3,7%.

O instituto também simulou quatro cenários de um eventual segundo turno. Na principal simulação estimulada, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente, com 54,6% das intenções de voto, contra 30,1% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os eleitores que indicam voto em branco, nulo ou que não sabem responder somam 15,3%. O instituto também testou o atual presidente contra outros possíveis adversários. Em um cenário com o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), Lula pontua com 54,3% das intenções de voto, enquanto o político goiano chega a 29,7%. Os eleitores que votariam em branco, nulo ou que se dizem indecisos somam 16%.

Na simulação contra o também ex-governador Zema (Novo), o petista alcança 54,8% no Ceará, contra 27,5% do adversário mineiro. Aqueles que não escolheram nenhum dos candidatos representam 17,6% do eleitorado cearense. Já em um cenário envolvendo Renan Santos (Missão), o atual presidente vai a 54,5%, enquanto o adversário marca 24,8%. O índice de votos em branco, nulo ou de eleitores que não sabem responder atinge 20,7% nesta última simulação de segundo turno.

Metodologia
A pesquisa AtlasIntel entrevistou 1.834 eleitores do Ceará, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07411/2026.

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Gonet pede a Fachin aval para investigar Mendonça por suspeita de interferência na PF em relatório sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro.

 
Procurador-geral apura 'possível ocorrência de ordem ou interferência externa'.

Por Mariana Muniz — Brasília 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu uma investigação para apurar se houve interferência na Polícia Federal na elaboração de um relatório que detalhou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, para apurar a possível participação do ministro André Mendonça no caso. "Notifique-se a autoridade policial para esclarecer as circunstâncias em torno da confecção da IPJ-A n. 3298613/2026, notadamente quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo", escreveu Gonet no despacho que abre a apuração.

O relatório citado foi determinado por Mendonça para esclarecer quem seriam interlocutores de Vorcaro nas mensagens. Em resposta, a PF apresentou um documento de 218 páginas que apresenta uma série de mensagens do banqueiro a Moraes e conversas que mencionam outras autoridades, como o próprio Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gonet alega que a PGR não foi consultada sobre a confecção do documento e que, por isso, foi impedida de "realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação".

Em ofício direcionado a Fachin, o procurador-geral informou que abriu a apuração sobre a possível interferência e citou o artigo da lei que exige a autorização da Corte para investigações que envolvam magistrados. 

Relatório cita Gonet.
O mesmo relatório da PF que traz mensagens de Vorcaro a Moraes menciona Gonet. Em 15 de março de 2025, o advogado Ciro Rocha Soares enviou a Vorcaro uma foto em que aparece ao lado de Gonet. Na sequência, escreveu: “Liga aqui” e, depois, “Ele quer falar com você”. Poucos minutos mais tarde, segundo o relatório, foram registradas quatro chamadas de voz entre Vorcaro e Ciro, a última delas com duração de 3 minutos e 49 segundos. Em 28 de março, Ciro voltou a encaminhar a Vorcaro mensagens atribuídas a Gonet. “Já estou com saudades de você!”, dizia uma das mensagens. Vorcaro agradeceu. Na sequência, Ciro afirmou que o procurador-geral “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo. Em seguida, encaminha a mensagem em que o procurador diz: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macalan”. No dia seguinte, o advogado perguntou ao banqueiro se o filho de Gonet poderia acompanhá-los na viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.

Entenda a crise.
Na sequência da divulgação do documento, a crise ganhou novo capítulo com um pedido apresentado por Moraes para que Mendonça seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos relatados por ele, em especial o relativo ao escândalo do Master. Diante da turbulência interna que amplia as pressões sobre si, o presidente da Corte, Edson Fachin, abriu um procedimento para tratar do caso. Moraes enviou a Fachin relatórios de inteligência da PF apontando supostas irregularidades na atuação de Mendonça, como o direcionamento de investigações com fins políticos e irregularidades na condução de delações. 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

PF produziu relatório paralelo sobre atuação de Mendonça no caso Master.


PODER360

A Polícia Federal, que é comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, produziu relatórios de inteligência para analisar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, em investigações sob sua relatoria. O material, com 50 páginas, foi elaborado paralelamente às apurações conduzidas pelo ministro e posteriormente enviado ao também ministro Alexandre de Moraes. Os documentos fazem uma análise crítica de decisões e da atuação de Mendonça principalmente na operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios previdenciários do INSS, e Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Os agentes analisam desde o padrão probatório adotado pelo ministro e o tempo levado para decidir sobre medidas requeridas pela PF, até sua relação com outros integrantes do Supremo e atores políticos. O material também levanta hipóteses sobre possíveis motivações para determinadas condutas. A produção dos documentos antecedeu a decisão de 3ª feira (1º.set.2026) em que Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Master que mostravam uma relação entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Moraes. Depois da decisão, Moraes afirmou ter tomado conhecimento da existência do relatório de inteligência e determinou que a PF encaminhasse o material ao seu gabinete, por meio do inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O documento é em papel sem o timbre da PF e apócrifo. Não é assinado nem informa a data exata em que o relatório foi enviado a Moraes.

Na 5ª feira (3.set.), Moraes usou as informações dos relatórios para sustentar uma decisão em que afirmou haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que adotasse providências. Fachin abriu um novo procedimento e deu 5 dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestem informações. Os relatórios da PF ressaltam, porém, sua própria limitação. São documentos de inteligência produzidos para subsidiar decisões em ambiente de informação incompleta. Não são peças de instrução processual nem têm valor probatório. As análises trabalham com hipóteses, atribuem graus de confiança às avaliações e registram quando não há elementos suficientes para chegar a uma conclusão.

O Poder360 pediu uma manifestação ao gabinete do ministro André Mendonça diante da decisão de Moraes desta 5ª feira (3.set.2026). Até o momento não houve resposta. Esta reportagem será atualizada caso uma manifestação seja recebida.

ALCOLUMBRE COMO “ALVO ESTRATÉGICO”.
Uma das avaliações de caráter político feitas pelos analistas envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O relatório afirma que Alcolumbre constitui um “provável alvo estratégico”, considerando sua força política, o favoritismo para permanecer na presidência do Senado e o consequente controle da pauta da Casa, especialmente sobre o processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Os agentes levantam ainda a hipótese de que Mendonça poderia enxergar no presidente do União Brasil, Antonio Rueda, uma “rota de acesso” a Alcolumbre. O documento relaciona a hipótese à resistência de Alcolumbre à indicação de Mendonça ao STF durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o relatório, o senador representou um “grande empecilho” à indicação. Nesse ponto, porém, o documento trabalha explicitamente com uma hipótese de inteligência. Não afirma ter comprovado que Mendonça tenha usado uma investigação sobre Rueda para atingir Alcolumbre.

MORAES E TOFFOLI.
Outro ponto analisado é a forma como Mendonça reagiu a informações relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Segundo o relatório, em relação a Moraes, o discurso do relator indica interesse no início de uma investigação formal quando surgiram informações relacionadas ao ministro. No caso de Toffoli, os analistas identificaram uma postura diferente. O documento registra “contemporização da parte do relator, apesar dos graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF”. A análise faz uma ressalva: a diferença seria verificável documentalmente, mas sua causa não estaria demonstrada. O relatório, portanto, não conclui que Mendonça tenha favorecido Toffoli ou perseguido Moraes.

PRAZOS DE 9 A 75 DIAS.
Os agentes da PF também compararam o tempo que Mendonça levou para apreciar medidas envolvendo diferentes políticos. Em uma seção intitulada “Assimetria nos prazos de apreciação”, o relatório lista casos envolvendo Jaques Wagner (PT-BA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Cláudio Castro (PL-RJ), além de uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió. Uma medida relacionada a Wagner foi apresentada em 8 de junho de 2026 e decidida em 17 de junho, 9 dias depois. No caso de Ciro, foram 29 dias, de 7 de abril a 6 de maio. Uma medida envolvendo Castro levou 75 dias, de 11 de março a 25 de maio. Outra, que tinha parecer favorável da PGR (Procuradoria Geral da República), levou 46 dias, de 30 de maio a 15 de julho.

Já uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió, apresentada em 9 de junho, permanecia pendente em 1º de agosto, mais de 53 dias depois. A PF avalia no relatório que “a dispersão é expressiva” e diz que os dados sugerem uma possível correlação entre o tempo de apreciação e o perfil do investigado. Ressalva, contudo, que a amostra é pequena e não controlada e que diferenças de complexidade, intervalos atribuíveis à PGR e outros fatores podem afetar os prazos.

Andrei, Gonet e Gilmar Mendes.
Os documentos também analisam decisões de Mendonça que atingiram o funcionamento interno da Polícia Federal. Um dos capítulos trata de “interferência na organização interna e na gestão de pessoal”. A análise considera determinações relacionadas à composição das equipes responsáveis pelas investigações, ao fluxo de informações entre investigadores e a direção da corporação e ao tratamento e envio de dados obtidos nas apurações. O relatório também registra atritos entre Mendonça e integrantes da cúpula da PF. Segundo o documento, Mendonça teria afirmado em reuniões que Andrei mantinha “proximidade inadequada” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na última reunião presencial mencionada pelos analistas, o ministro teria dito dispor de um procedimento em que se avaliava um eventual afastamento do diretor-geral da PF. O mesmo trecho analisa a relação de Mendonça com Gonet. Segundo o relatório, a proximidade do procurador-geral com o ministro Gilmar Mendes o tornaria “indigno de confiança” na avaliação atribuída a Mendonça. O documento registra ainda que o ministro teria indicado que poderia arrolar Gonet como testemunha em processos derivados das operações.
 
COMPARAÇÃO ENTRE INVESTIGAÇÕES.
Parte dos relatórios procura identificar se Mendonça manteve padrões semelhantes ao analisar casos diferentes. Um dos documentos compara procedimentos adotados na operação Sem Desconto e na investigação do Banco Master. A análise identifica uma “variação relevante no patamar de exigência probatória aplicado” em situações examinadas pelos analistas. O relatório compara a robustez das informações disponíveis, as providências autorizadas e os requisitos considerados necessários para o avanço das apurações. Novamente, os agentes não afirmam ter identificado a razão das diferenças. O objetivo declarado é identificar padrões e avaliar hipóteses, sem atribuir de forma conclusiva uma motivação ao ministro.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS.
O inquérito das fake news (inquérito 4.781) foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 por determinação direta do então presidente da Corte, Dias Toffoli. Ele nomeou de ofício como relator o ministro Alexandre de Moraes. Os 2 ministros foram colegas de turma no curso de direito na Universidade de São Paulo. A medida de Toffoli foi um ato incomum. Investigações são uma atribuição de policiais e integrantes do Ministério Público. Quando há um novo processo no Supremo, o relator é sorteado de forma aleatória por um sistema eletrônico. Outra peculiaridade é que o inquérito continua aberto até hoje e em sigilo. Também não tem prazo para ser encerrado. O ministro decano (mais antigo) do STF, Gilmar Mendes, declarou em abril de 2026, de forma explícita, que o inquérito das fake news é um instrumento que a Corte usa quando entende ser necessário se defender de críticas: “Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O Tribunal vem sendo vilipendiado. […] Foi um momento importante abrir o inquérito e mantê-lo até as eleições”.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Os números da nova pesquisa Quaest para a presidência em primeiro turno.


Equipe CartaCapital

Lula lidera, Flávio Bolsonaro é 2º e Augusto Cury cresce: a nova pesquisa Quaest para 
o 1º turno. O levantamento testou duas simulações: com e sem o nome de Pablo Marçal.

A nova pesquisa Quaest para a presidência da República mostra o atual ocupante do cargo, Lula (PT) na liderança das intenções de voto, mais uma vez tendo Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário. O instituto testou dois cenários de primeiro turno: com e sem Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível mas tenta concorrer. Quando seu nome aparece, ele soma apenas um ponto percentual. O levantamento foi mais um a registrar alta nas intenções de voto de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado. O escritor tinha 2% no último levantamento do mesmo instituto, publicado em 14 de agosto, e agora saltou para 10% (nas duas simulações). 

Entretanto, as pesquisas publicadas agora e o levantamento de agosto não são diretamente comparáveis, já que Marçal não tinha sido lançado candidato àquela altura e o PRTB tinha Leonardo Avalanche como seu indicado.

Veja os percentuais: Primeiro turno – Cenário 1

    Lula (PT) – 37%
    Flávio Bolsonaro (PL) – 29%
    Augusto Cury (Avante) – 10%
    Renan Santos (Missão) – 3%
    Ronaldo Caiado (PSD) – 1%
    Romeu Zema (Novo) – 1%
    Samara Martins (UP) – 1%
    Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou
    Veterinário Wilson Grassi (Democrata) – não pontuou
    Clariana Barão (DC) – não pontuou
    Edmilson Costa (PCB) – não pontuou
    Hertz Dias (PSTU) – não pontuou
    Indecisos – 11%
    Branco/nulo/não vai votar – 7%

Primeiro turno – Cenário 2

    Lula (PT) – 37%
    Flávio Bolsonaro (PL) – 30%
    Augusto Cury (Avante) – 10%
    Renan Santos (Missão) – 3%
    Ronaldo Caiado (PSD) – 1%
    Romeu Zema (Novo) – 1%
    Samara Martins (UP) – não pontuou
    Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou
    Veterinário Wilson Grassi (Democrata) – não pontuou
    Clariana Barão (DC) – não pontuou
    Edmilson Costa (PCB) – não pontuou
    Hertz Dias (PSTU) – não pontuou
    Indecisos – 10%
    Branco/nulo/não vai votar – 7%

Foram realizadas 2.004 entrevistas entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais (para mais ou para menos). O código de registro no TSE é BR-07065/2026.

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Pedro Serrano: Reunião com Vorcaro impede Mendonça de seguir como relator do Caso Master.

 
Leonardo Miazzo

A revelação de que André Mendonça se reuniu em março de 2025 com o banqueiro Daniel Vorcaro impede o ministro do Supremo Tribunal Federal de prosseguir como relator das investigações sobre os esquemas do Banco Master, avalia Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo e colunista de CartaCapital. Mendonça partiu para o tudo ou nada contra o colega Alexandre de Moraes. Sob ordens do relator, a Polícia Federal produziu um documento de 218 páginas repleto de menções a diálogos entre Moraes e Vorcaro. Em ato contínuo, ao levantar o sigilo da peça, Mendonça escreveu que o “caminho inevitável” dos autos será o plenário e que a deliberação deverá ser “pública e transparente”, em sessão presencial a ser agendada pelo presidente Edson Fachin. Há, porém, um potencial obstáculo jurídico: a PF só pode investigar um ministro do STF com o aval do plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet — também citado nas conversas de Vorcaro —, já defendeu anular o relatório, sob o argumento de que Mendonça não pode “valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas”. O ministro, por sua vez, poderá recorrer à alegação de que não investigou Moraes e que não sabia que o colega seria o interlocutor do banqueiro nos diálogos que mandou esclarecer. Tudo isso a um mês do pleito presidencial. Este contexto, diz Pedro Serrano, demanda cautela e sugere a análise das mensagens em plenário somente após o processo eleitoral. “Tenho uma suspeita de que o ministro Mendonça pode ter agido por razão política, para interferir na eleição, o que é absolutamente indevido”, declarou o advogado.
 
 A condução de André Mendonça.

“Creio que houve ilegalidade na conduta do ministro Mendonça, porque ele interfere no funcionamento da Polícia Federal e age como um comandante da investigação quando determina esse relatório. Não é um mero relatório, são 218 páginas. Se isso não é investigação, o que é? Foram praticados atos de investigação. É muito evidente. Mesmo que não tenha o nome formal de investigação, é uma investigação. A meu ver, (Mendonça) deveria ter tido a cautela de obter uma autorização do plenário do Supremo para poder realizar aquilo sabendo que o alvo era o ministro Alexandre — ou que pelo menos ele estava no meio dos alvos”.

PGR pede a nulidade do relatório da PF.

“As duas coisas que o procurador-geral aponta são corretas. Ele (Mendonça) agiu de ofício, e acho menor esse problema. O problema maior é ele ter interferido na investigação, chamado a PF e determinado um certo tipo de procedimento sabendo que o alvo era um ministro do Supremo. Fazer isso sem pelo menos ter autorização do plenário acho inadequado. Outra coisa que também acho inadequada é muito comum no sistema de Justiça brasileiro, não só no Supremo: esse perfil de magistrado que quer conduzir a investigação como se delegado fosse. Agora, por outro lado, o relatório se funda em aparelhos apreendidos de Vorcaro de forma lícita, por ordem judicial. Então, as provas estão ali. Acho difícil justificar não investigar as condutas observadas. Acho que teria de haver uma investigação das eventuais condutas do ministro Alexandre, não porque haja algo provado ou materialidade de delito ali, mas existem indícios que podem ou não se confirmar. Indícios ensejam investigação”.

A reunião entre Vorcaro e Mendonça.

“Tomamos conhecimento hoje de que o ministro André Mendonça teve contato pessoal com Vorcaro fora do tribunal, em um ambiente privado, em um período em que ele já era investigado. Inclusive, há relatos de que foi tratada a questão do Banco Central. Creio que isso impede o ministro de permanecer como relator. Essas questões todas vão ser debatidas no plenário, pelo que estou vendo. O ministro Fachin deveria debater isso depois da eleição, porque tenho uma suspeita, uma intuição — que pode não se confirmar — de que o ministro Mendonça pode ter agido por razão política, para interferir na eleição, o que é absolutamente indevido. Havendo essa mera suspeita, é melhor afastar essa questão do período eleitoral, para o Supremo poder ter autonomia e independência para decidir essas questões tão intrincadas. Tenho 40 anos de exercício da advocacia e nunca vi uma crise dessa envergadura no STF. Espero que a Corte consiga superar este momento de um jeito ou de outro, com ou sem investigação, com ou sem deliberação de plenário”.

Sessão pública e presencial para analisar mensagens contra Moraes.

“É absolutamente equivocado essa questão ser tratada de forma pública. Já foi um grande erro ter aberto o sigilo do caso — não há magistrado ou integrante do Ministério Público que seja investigado em uma situação dessas sem ser de forma sigilosa. Não existe. Por isso é que tenho forte intuição de que isso foi feito para fins políticos, para interferir na eleição indevidamente. O ministro Fachin, a meu ver, deve servir à Constituição, à lei, ao interesse público, não ao espetáculo, como ele declarou na nota que soltou. Essa questão, se for decidida em plenário, tem de ser decidida em uma sessão secreta, absolutamente secreta. Não sei nem se em uma sessão presencial. Deve ser feita da forma mais discreta possível. Se existe algum crime ali — não sabemos se existe —, estaria muito longe de prescrever. Demoraria anos para prescrever. Há tempo para fazer qualquer investigação e chegar a qualquer conclusão. Não há necessidade nenhuma, do ponto de vista estritamente jurídico, de realizar essa decisão antes da eleição. A Corte precisa, neste momento, de calma, ponderação, equilíbrio. O ministro Mendonça, a meu ver, vinha bem nas principais decisões, com um erro ou outro, como todo mundo. Agora, ele realmente agiu de uma forma totalmente fora do que é a conduta adequada para um ministro do Supremo nessa situação”.

Há razões para abrir uma investigação formal contra Moraes?

"Existem celulares apreendidos que trazem indícios de uma conduta que pode eventualmente ser ilícita. É importante investigar até para poder realizar a ordem jurídica. O ministro do Supremo não tem diferença de qualquer outro cidadão em relação a esse tipo de situação. Quando há indício de que ele pode eventualmente ter cometido um ilícito, apura-se. Então, o que se deve fazer é apurar. Parte da mídia prega o impeachment do ministro, e acho isso descabido, porque não está caracterizado nada perto de um crime de responsabilidade. Um impeachment agora seria algo absolutamente inconstitucional e abusivo. E muito menos crime comum está caracterizado. O que precisaria fazer agora, a meu ver, é uma mera apuração”.

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Alcolumbre diz que pedido de 'R$ 130 milhões' para filme é esquecido: 'Agora o culpado só é o Moraes'.


Alcolumbre se dirigiu aos senadores da oposição. Na terça, Flávio Bolsonaro afirmou que Moraes, do STF, fez articulação política entre Alcolumbre e Lula.

Por Sara Curcino, TV Globo — Brasília 

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (2) que "todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões" para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    "Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado, culpado é só o ministro Alexandre de Moraes", disse Alcolumbre durante sessão do plenário do Senado.

Alcolumbre se dirigiu aos senadores da oposição. Na terça-feira (1º), em um discurso no Senado, Flávio Bolsonaro – que pediu o dinheiro a Vorcaro para financiar o filme – afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez articulação política entre os presidentes do Senado e da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    "Olhe o ambiente que os três Poderes respiram hoje: o Presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com vossa excelência. Olhe a que nível chegou o 'trabalho', muito entre aspas, de um ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou Flávio.

Na terça (1º), foi revelado mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme em setembro de 2025, dias após o senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrar Vorcaro de parcelas que estavam atrasadas. A informação é da revista "piauí" e foi confirmada pelo g1. Alcolumbre foi questionado por Flávio Bolsonaro, na terça, e por mais três oposicionistas, nesta quarta, sobre quando dará seguimento aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    "Abra esse impeachment de uma vez por todas, presidente Davi. Essa é sua chance de entrar para a história pela porta da frente dos heróis da República, e não sair com Alexandre de Moraes pelos fundos por que ele sairá", afirmou o líder do PL, Carlos Portinho (RJ).

O presidente do Senado disse não ter um prazo para analisar os requerimentos. Ele já citou que 109 pedidos, que solicitam afastamento não só de Moraes, mas dos outros ministros do STF, aguardam avaliação do Senado. É Alcolumbre quem decide se arquiva ou se admite a denúncia. Essa etapa é política e costuma ser o primeiro grande filtro. Só depois, se a denúncia for aceita, o processo pode avançar para uma comissão especial e, depois, para o plenário.

Trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro indicam que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que o teria como alvo.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Por que caso Moraes é crise 'sem precedentes' no STF — e o que pode acontecer agora com o ministro.


Mariana Schreiber
Da BBC News Brasil em Brasília
 
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) terá que decidir o futuro das investigações que apuram a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central. Mensagens extraídas do celular do banqueiro, dentro do inquérito sobre fraudes bilionárias no Master, revelam uma série de interações atribuídas pelos investigadores a Vorcaro, Moraes e pessoas ligadas à família do ministro. As conversas incluem uma suposto pedido do banqueiro para que o ministro interferisse a seu favor na atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet. As investigações também confirmaram que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master. Além disso, foi revelado agora que o contrato chegou a ser editado por Moraes.

O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master, determinou na segunda-feira (31/8) que a PGR analisasse o relatório da PF que detalha a relação entre Moraes e Vorcaro e se manifestasse sobre a abertura de uma investigação contra o ministro. A PGR, por sua vez, se manifestou na noite de terça-feira (1/9) pela anulação do caso. Na visão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Mendonça não poderia ter solicitado diretamente à PF que produzisse um relatório sobre Moraes. Segundo o PGR, o ministro teria que ter submetido a questão ao plenário da Corte, antes de determinar essa apuração inicial.

Segundo criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil, a expectativa agora é que o plenário do STF julgue tanto o pedido de anulação da atuação de Mendonça quanto a possível investigação contra Moraes. O julgamento terá que ser marcado pelo presidente da Corte, Edson Fachin. 

O ineditismo do caso, porém, torna difícil prever todos os desdobramentos.
"Muito do que a gente vai ver a seguir é uma grande incógnita, não só em termos de fundamentação jurídica e de decisão, mas também em termos de jogo político mesmo. Ainda mais em período eleitoral", afirma o professor de Direito Processual Penal da Universidade Federal Fluminense (UFF) João Pedro Pádua. Na decisão que retirou o sigilo do relatório da PF nesta terça-feira (1/9), Mendonça defendeu que a deliberação do plenário sobre Moraes "deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do Colegiado, a partir de data a ser definida pelo eminente Presidente deste Supremo Tribunal [Edson Fachin]".

A previsão de uma sessão aberta e transparente, como solicitada por Mendonça, contrasta com a conduta da Corte quando analisou suspeitas levantadas pela PF contra o ministro Dias Toffoli, devido à venda de parte de um resort em que ele era sócio com seus irmãos no Paraná para um fundo ligado ao banco Master. Na ocasião, Toffoli pediu afastamento da relatoria do caso após Fachin convocar uma reunião de todos os ministros a portas fechadas. Foi depois disso que Mendonça foi sorteado para relatar os inquéritos do Banco Master. Para os criminalistas ouvidos pela reportagem, há elementos suficientes para que seja aberta uma investigação contra o Moraes."Se nós vivêssemos num país minimamente sério, ele já tinha renunciado. E, se não tivesse renunciado, renunciava agora. O contrato com a mulher dele já era um escândalo. Hoje, pelo que revelaram, ele discutiu e escreveu cláusula do contrato. Se isso é verdade, é um assombro", disse à reportagem o criminalista Gustavo Badaró, professor titular de Direito Processual Penal da Universidade de São Paulo (USP).

Na visão do professor, a abertura de uma investigação só seria possível após solicitação da PGR, o que não aconteceu nesse caso, já que Gonet defendeu a nulidade do relatório solicitado por Mendonça. Ele lembra, porém, que há precedentes em que o STF autorizou a continuidade de investigações mesmo contra a manifestação do Ministério Público. Isso ocorreu com o controverso inquérito das Fake News, quando a Corte discordou da posição da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pelo encerramento do caso. Caso a investigação seja aberta, nota Badaró, não há previsão legal para que Moraes seja afastado automaticamente do cargo. Isso dependeria de uma decisão do STF. "Não tem nenhuma previsão de afastamento obrigatório dele, a não ser que houvesse um requerimento da PGR e o Supremo entendesse que é aplicável a ele alguma medida cautelar de suspensão da função pública. A princípio, ele continua julgando", ressalta. "O que me parece é que, se ele estiver investigado por relações com o Daniel Vorcaro, pelo menos em relação aos processos do Daniel Vorcaro, tudo o que se tiver que decidir no Supremo, ele estará impedido de julgar", disse ainda.

Até o momento, Moraes não tem participado de julgamentos relacionados ao banco Master porque o caso vem tramitando na Segunda Turma do STF, não no plenário. Moraes integra a Primeira Turma."Eu penso que o plenário pode aplicar alguma medida cautelar de restrição, de afastamento momentâneo de Moraes do cargo, porque as acusações são muito contundentes e muito complicadas", afirma a advogada criminalista Camila Bouza. Na sua avaliação, também há elementos para abertura de um processo de impeachment no Senado. Já há dezenas de pedidos para cassar Moraes, sobretudo apresentados por parlamentares bolsonaristas, após o ministro conduzir o processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nunca autorizou a abertura.

Para Bouza, as novas revelações vão aumentar a pressão sobre Alcolumbre.
"Certamente isso vai ser o combustível para a oposição conseguir a instauração finalmente desse procedimento tão almejado há tanto tempo", acredita."Talvez o custo político de não levar o assunto ao plenário seja alto e o Alcolumbre acabe pautando. Até porque os pedidos anteriores atacavam os atos de Moraes como juiz, mas, agora, o que se tem é suposta conduta ativa e de influência dele fora da função de juiz", ressalta.

Investigação contra ministro do STF seria 'primeira na história'.
O professor da UFF João Pedro Pádua destaca o ineditismo e a sensibilidade do caso."Se acontecer isso, vai ser a primeira vez na história em que o ministro do STF sequer é investigado no inquérito policial, pelo menos por atos no exercício da sua função. Então, muito do que vai acontecer agora vai ser jurisprudência nova, decisões que nunca foram tomadas antes, sem precedentes"."Do ponto de vista político, especialmente de política interna da Corte, é bem mais sensível o STF julgar um colega seu, que é um de 11, do que o STF julgar até o presidente da República, que é de outro Poder", afirma.

Moraes ainda não se manifestou sobre as revelações da PF.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que, diante da abrangência do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo Banco Master, seu setor de compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes sobre a eventual existência de impedimentos legais para a celebração do contrato. Segundo o escritório, a consulta foi realizada porque Moraes é marido de Viviane Barci de Moraes, sócia-diretora da banca. O objetivo, de acordo com a nota, era verificar a existência de possíveis restrições, como ações sob relatoria do ministro no STF ou participação em julgamentos de interesse do potencial cliente. O escritório sustenta que não foi identificada previsão de atuação no STF nem qualquer impedimento legal para a contratação. A nota afirma ainda que Alexandre de Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master". "Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz a nota.

PGR também pode ser declarado suspeito?
Outra questão complicadora para o caso, notam os especialistas, é a situação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Como a mais alta autoridade do Ministério Público, é ele que deve conduzir investigações contra ministros do STF.

Gonet, porém, também é citado nos diálogos revelados pelas investigações.
Segundo o jornal O Globo, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, aparece como intermediador de contatos entre Vorcaro e Gonet. Ele teria atuado para que o banqueiro incluísse Pedro Gonet, filho do PGR, em uma viagem para Londres bancada pelo Master, para participação de um evento. Em outro momento, Soares manda uma foto ao lado de Paulo Gonet para Vorcaro, informando que estava com o PGR. Na sequência, ambos trocam ligações. Para Gustavo Badaró, da USP, as revelações são relevantes, mas menos graves que as informações envolvendo Moraes. Ainda assim, diz, o ideal seria que Gonet se afastasse do caso também."Eu acho que, se nós vivêssemos num país totalmente isento, todo mundo com muita responsabilidade, eu, se fosse o Gonet, diria que, para que não pairasse nenhuma dúvida, me afastaria por motivo de foro íntimo". Em caso de eventual afastamento de Gonet do caso, as investigações do Master seriam conduzidas pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, ressalta o professor da UFF João Pedro Pádua."Ele mesmo [Gonet] pode se declarar suspeito, ou os ministros e a própria polícia podem suscitar a suspeição", disse.

As mensagens obtidas pela investigação também indicam que Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto ao Gonet e ao diretor da PF, Andrei Rodrigues. No entanto, até o momento, não há informações de que Moraes tenha feito a solicitação e que algo tenha sido feito para proteger o banqueiro. O pedido teria ocorrido em 30 de outubro, após Vorcaro receber informações sigilosas de que a direção do Banco Central (BC) estaria pressionada a agir contra o Master, que acabou liquidado em novembro."O problema agora é que tive informações informais e confidenciais de turma do banco central que G [possivelmente Gabriel Galípolo, presidente do BC] e os diretores estão na pressão máxima de novo para uma medida, pois o Bacen está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim", afirmou o banqueiro."É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que faro algo em breve", continuou Vorcaro, na mesma mensagem. Naquele momento, o Master já enfrentava sérias dificuldades financeiras e Vorcaro estaria tentando vender o banco para investidores. Até o momento, não foi possível saber quais foram as respostas de Moraes a Vorcaro. Segundo a PF, os dois se comunicavam enviando prints de celular de mensagens escritas no bloco de notas.

Essas imagens eram compartilhadas por aplicativo de mensagem com visualização única e, por isso, o celular do banqueiro não armazenava as respostas do ministro. A PF, porém, conseguiu recuperar no celular de Vorcaro as mensagens que ele escreveu e printou e conseguiu identificar o envio dessas mensagens para o celular de Moraes.

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Exclusivo: Mendonça pede à PGR informações sobre mensagem de Vorcaro a Moraes que cita "proteção" de Gonet e Andrei.

Arte: GAAlmeida
Mensagem enviada por Vorcaro a Moraes fala da necessidade de 
“proteção” do diretor-geral da PF e do procurador-geral ao banqueiro.

Andreza Matais

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu para ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR) em um dos capítulos mais delicados que o caso Master já produziu até agora. Em ofício, o ministro solicitou informações complementares sobre conteúdo de uma mensagem enviada por WhatsApp que cita duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido de informações complementares foi motivado por mensagem enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um interlocutor desconhecido até certo momento da investigação. Na mensagem, Daniel Vorcaro diz que precisa da proteção de Andrei e de Paulo.

Segundo relatório feito pela própria Polícia Federal, Andrei e Paulo seriam, respectivamente, Andrei Rodrigues (o diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (o PGR). Após apurações preliminares, a Polícia Federal concluiu que a mensagem enviada por Daniel Vorcaro foi destinada a Alexandre de Moraes.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

BTG/Nexus: Lula lidera no 1º turno, Flávio cai 4 pontos, e Cury sobe 9.


Fernanda Bassi, Robson Santos

Pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje, mostra o presidente Lula (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Já Augusto Cury (Avante) cresceu nove pontos, em relação à semana passada, e tem 11%, na terceira colocação.

Em relação ao levantamento anterior, em 24 de agosto, Lula oscilou para baixo dentro da margem de erro, enquanto Flávio caiu quatro pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.005 eleitores, por telefone, entre 28 e 30 de agosto. O levantamento, contratado pelo banco BTG Pactual, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-08900/2026.

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