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sábado, 19 de setembro de 2026

Charuto, uísque e Londres: os bastidores do encontro do PGR Paulo Gonet com Vorcaro.

 
Foto confirmada pela PGR foi feita em evento patrocinado pelo Master; mensagens posteriores citam Macallan, saudade e viagem do filho do procurador-geral.

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Redação Brasil 247Redação Brasil 247

247 – O encontro de Paulo Gonet com Daniel Vorcaro registrado em uma foto em Londres ocorreu durante um evento patrocinado pelo Banco Master e voltou a aparecer nas conversas do banqueiro meses depois, em diálogos que mencionam charutos, uísque Macallan, uma nova viagem à capital britânica e até a possível participação de um filho do procurador-geral da República. Os detalhes constam de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e foram revelados pelo jornal O Globo. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem, feita em abril de 2024, mas Gonet nega que o registro ou os diálogos indiquem uma relação de proximidade com o ex-dono do Master. Na fotografia, Gonet aparece sentado próximo a Vorcaro, com um charuto nas mãos e copos de uísque sobre a mesa. O registro foi feito durante uma confraternização realizada em Londres, vinculada à primeira edição de um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master. A imagem chegou ao celular de Vorcaro mais de um ano depois. Em 19 de junho de 2025, o advogado Ciro Soares, então ligado à defesa do banco, encaminhou a fotografia ao banqueiro acompanhada da frase: “PG me mandou”, referência às iniciais de Paulo Gonet.

Evento teve degustação de Macallan.
A fotografia foi feita em uma programação que incluía degustação de uísque e charutos. Segundo O Globo, Vorcaro desembolsou R$ 3,2 milhões para promover um evento privado de degustação de Macallan no George Club, em Londres. O episódio ganhou novo significado com a divulgação de conversas posteriores, de 2025, quando estava sendo organizada uma segunda edição do fórum jurídico patrocinado pelo Master na Inglaterra. Em uma das mensagens encaminhadas por Ciro Soares a Vorcaro e atribuídas a Gonet, o procurador-geral manifesta interesse na programação: 
 
“Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”. 
Vorcaro respondeu em seguida: 
“Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan rsrs”.

O segundo encontro em Londres, porém, acabou não ocorrendo porque o evento previsto para 2025 foi cancelado.

Mensagens falam em “saudades”.
Outras conversas recuperadas pela PF mostram Ciro Soares funcionando como intermediário entre Gonet e Vorcaro. Em determinado momento, o advogado encaminhou ao banqueiro mensagens que atribuiu ao procurador-geral. Entre elas estavam: 
 
“Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”.
Vorcaro respondeu: 
“Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos”.

Na sequência dos diálogos, Soares afirmou ainda a Vorcaro que o procurador-geral “lhe adora” e confirmou que Gonet participaria da nova viagem a Londres. As mensagens fazem parte do conjunto analisado pela PF. Gonet contesta que essas trocas demonstrem intimidade. Ao falar sobre o episódio no Supremo Tribunal Federal, afirmou que teve apenas um encontro presencial com Vorcaro. “Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal. A atuação do Ministério Público Federal em primeiro grau e no Supremo Tribunal Federal (STF) sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal”, afirmou.

Filho de Gonet entra nas conversas.
Os diálogos também registram uma consulta feita por Ciro Soares sobre a participação de um filho de Gonet na viagem prevista para Londres em 2025. Depois de comunicar a Vorcaro que Gonet participaria do encontro, o advogado perguntou se o filho do procurador-geral poderia viajar com o grupo.

Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.

Segundo o material divulgado, Soares também atuou nas tratativas relacionadas à viagem. O conjunto das mensagens passou a integrar a controvérsia sobre a natureza da relação entre Gonet e o banqueiro. Gonet chama encontro de “banal”. Ao se manifestar no STF, Gonet afirmou que o episódio de abril de 2024 aconteceu na presença de várias autoridades e não envolveu discussão profissional relacionada ao Banco Master. A versão apresentada pelo procurador-geral é de que não existiu amizade ou vínculo pessoal com Vorcaro. A PGR também sustenta que sua atuação nos processos relacionados ao banco não foi influenciada pelos contatos registrados nas mensagens. O ministro André Mendonça, responsável por tornar público o relatório da PF contendo as referências a Gonet, também ressaltou durante julgamento no STF que não estava fazendo uma acusação contra o procurador-geral.“Aqui não estou fazendo juízo de valor em relação ao procurador-geral, até porque as informações que vieram, são informações, na minha avaliação, de outra densidade”, afirmou Mendonça. Gonet, por sua vez, questionou a validade do relatório policial. Ele argumenta que o documento foi produzido a partir de uma determinação de Mendonça sem pedido prévio do Ministério Público ou da própria Polícia Federal e também levantou a necessidade de autorização do plenário do STF em investigações que envolvam ministros da Corte.

A fotografia, portanto, não revela um encontro até então desconhecido — Gonet já havia admitido sua participação no evento. O novo elemento é o registro visual daquele episódio e sua conexão com uma sequência de mensagens posteriores que mostram referências a outro encontro em Londres, charutos, Macallan e novas tratativas envolvendo o grupo.

https://www.brasil247.com 

EUA fecham acordo para controlar segurança da Groenlândia: o que está por trás disso e quais os interesses?

 
Donald Trump afirmou que tratado será 'para sempre'. Ilha guarda recursos naturais importantes e está localizada em área estratégica para EUA, Europa e China.

Por Redação g1 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (18) que os norte-americanos serão responsáveis pelo controle da segurança da Groenlândia "para sempre". Um acordo sobre o tema deve ser assinado com a Dinamarca na próxima semana. O tratado representa uma conquista importante para Trump, que há muito tempo defende a anexação da ilha pelos EUA. Nos últimos meses, ele fez diversas declarações sobre o território — que pertence à Dinamarca, mas tem governo autônomo e discute a possibilidade de independência. Segundo o presidente norte-americano, a Groenlândia tem um papel estratégico para a segurança dos EUA e de outros países. "Precisamos da Groenlândia para a segurança internacional. Precisamos dela", afirmou em uma entrevista em dezembro de 2025. "Odeio colocar dessa forma, mas temos que ficar com ela." Trump também chegou a dizer que poderia usar a força para conquistar a Groenlândia e ameaçou aplicar tarifas contra a União Europeia caso o território não fosse cedido aos EUA. À época, autoridades da ilha e da Dinamarca afirmavam que o território não estava à venda. O tom mudou no início deste ano, quando começaram as conversas entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos. A negociação foi baseada em um tratado de segurança no Ártico. Mas há mais por trás desse acordo.

1. Histórico da Groenlândia.
Coberta em 80% por gelo e com 57 mil habitantes, a Groenlândia é a maior ilha do mundo e possui hidrocarbonetos e minerais importantes para a transição energética. O território está geograficamente localizado na América do Norte, mas mantém fortes relações com a Dinamarca. A ilha, que já foi uma colônia dinamarquesa, passou a fazer parte do Reino da Dinamarca em 1953 e, até hoje, segue a Constituição dinamarquesa. Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a ter um governo próprio e autônomo, permitindo até mesmo uma declaração de independência por meio de referendo. Trump não foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a tentar adquirir a ilha. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Harry Truman tentou comprá-la, oferecendo US$ 100 milhões em ouro. O objetivo era garantir um território estratégico para enfrentar as ameaças da Guerra Fria. A proposta de Truman foi rejeitada, mas, no início da década de 1950, os Estados Unidos conseguiram instalar uma base militar na ilha com a autorização da Dinamarca.

2. O que Trump quer?
Durante seu primeiro mandato como presidente, Trump afirmou que faria uma oferta para comprar a Groenlândia. Na época, as autoridades da ilha responderam que o território não estava à venda. Em janeiro de 2025, Trump voltou a investir contra a Groenlândia. Ele argumenta que a ilha poderia servir como uma plataforma estratégica para monitorar ameaças vindas da Rússia e da Europa. A presença de radares e bases militares fortaleceria o sistema de defesa americano. Além disso, radares instalados na região ajudariam a identificar navios e submarinos, principalmente russos, monitorando as águas entre a Islândia, a Grã-Bretanha e a própria Groenlândia. E essa posição estratégica não vem de hoje. Durante a Guerra Fria, russos e americanos mantiveram armas nucleares e submarinos no Ártico. Além do fatos militares, a ilha também é rica em minerais, petróleo e gás natural. No entanto, a extração de minerais enfrenta forte oposição de povos indígenas e restrições burocráticas do governo. Já a exploração de petróleo e gás natural é proibida por questões ambientais.

3. O que a China tem a ver com isso?
Outro fator que aumenta a importância estratégica da região é o aquecimento do Ártico. O derretimento do gelo tende a ampliar a importância de portos e pode abrir novas rotas de navegação, mudando a dinâmica do comércio internacional. Nesse contexto entra a China, que também tem interesse no Ártico. Uma nova rota marítima pela região poderia reduzir a distância percorrida por navios chineses em comparação com rotas tradicionais, além de passar ao lado da Rússia, uma das principais parceiras de Pequim. Embora esteja distante cerca de 2 mil quilômetros do Ártico, a China investe na construção de navios quebra-gelo. O país também é o maior produtor mundial de carros elétricos e turbinas eólicas, setores que dependem de minerais considerados estratégicos. Os Estados Unidos querem evitar que os chineses avancem na região.

4. O que se sabe sobre o acordo?
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o acordo garante aos norte-americanos a capacidade de "para sempre" fazer o que for necessário para proteger a Groenlândia e os próprios EUA. Segundo o presidente, o acordo fechado determina que nenhum adversário dos EUA poderá manter uma base ou presença militar na Groenlândia, nem fazer investimentos considerados sensíveis no território, sem autorização do governo americano. "Começaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar na parte apropriada da Groenlândia, que possui muitas dessas áreas", afirmou. Dinamarca e Groenlândia elogiaram o acordo. O governo dinamarquês afirmou que o tratado reconhece a soberania do território, ao mesmo tempo que amplia a segurança na região. Segundo a primeira-ministra do país, Mette Frederiksen, o tratado vai fortalecer a segurança no Ártico e no Atlântico Norte."É um acordo que fortalece nossa segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte e, portanto, também é bom para a Otan e para a Europa", afirmou."O acordo ao mesmo tempo reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação." Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que o acordo com os EUA respeita e reconhece os interesses da Groenlândia. Segundo ele, a iniciativa será benéfica a "todos". As partes ainda não revelaram detalhes sobre o texto do acordo, e o documento deve ser assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU.

5. Groenlândia pode se tornar parte dos EUA?
Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo. Com isso, na teoria, os habitantes da Groenlândia poderiam votar pela independência da ilha e, posteriormente, decidir se querem uma associação com os Estados Unidos. Na prática, porém, especialistas consideram essa hipótese pouco provável. Uma pesquisa feita no país, no fim do ano passado, indicou que apenas 6% da população apoia a incorporação aos Estados Unidos.

https://g1.globo.com 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Dino anuncia prisões e deixa Brasília e advogados em alerta.

 
 
PODER360

Ministro é relator de casos que envolvem Lulinha, “Dark Horse” e Cezinha, 
aliado de Mendonça; declaração foi dada durante julgamento sobre Moraes.

PODER360 16.set.2026 (quarta-feira) - 0h03

A declaração do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de que chegou atrasado à sessão da 3ª feira (15.set.2026) porque estava “decretando prisão de gente” colocou Brasília em atenção e acendeu o alerta entre advogados. A declaração foi feita durante julgamento relacionado ao ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Master. A preocupação vem dos casos sob a relatoria de Dino: ele é relator das investigações sobre o filme “Dark Horse” e o caso de desvios de emendas que tem como alvo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Dino também é relator de um dos inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência. A fala surgiu em um momento de descontração com o presidente da Corte, Edson Fachin, quando ambos comentavam o volume de trabalho dos últimos dias.

Dino aproveitou o contexto para perguntar se Fachin havia visto um vídeo do humorista Fábio Porchat. “Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É um vídeo muito bom porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque eu estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, presidente”, disse Dino.

O ministro explicou o sentido da referência: “É um vídeo sobre jornalistas que se aplica aos juízes do tribunal”. Fachin respondeu que também não havia tido tempo para assistir. “Eu não tive tempo, eu estou vendo os ofícios que chegaram e eles são hemorrágicos”, afirmou o presidente do STF.

O vídeo de Porchat.
O vídeo mencionado por Dino foi publicado no último sábado (12.set). Nele, Porchat aparece de pijama, deitado na cama, e finge falar em nome dos jornalistas para pedir uma trégua nas novidades divulgadas fora do horário comercial, em meio aos novos desdobramentos do caso Master. “Pelo amor de Deus, faça alguma coisa para impedir o STF dessas barbaridades. Eu sei que vocês não estão acostumados a trabalhar no horário comercial, mas ninguém aguenta mais quebra de sigilo às 23h”, diz Porchat no vídeo.
 
 

https://www.poder360.com.br

Hilux apreendida revelou R$ 5 milhões da Ancine para filme sobre Bolsonaro.

  
Agência autorizou captação do valor durante gestão de Mário Frias, em 2021.
 
Gabriela Araújo
Por Gabriela Araújo

Os recursos destinados para o filme Dark Horse, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vão além do captado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e inclue também a Ancine (Agência Nacional do Cinema). Em 2021, sob gestão do então secretário especial da Cultura, Mário Frias, a estatal autorizou a empresa a Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda., pertencente à produtora Karina Gama, a captar R$ 5 milhões por meio dos incentivos da Lei do Audiovisual, para a produção da obra. Ao A TARDE, a Ancine esclarece como é feito a captação do recurso para o financiamento de um longa. A Agência ainda negou que a empresa de Karina Gama tenha captado qualquer tipo de valor para a obra que narra a vida do ex-presidente. Em relação às empresas de titularidade de Karina Ferreira da Gama, a Agência esclarece que nenhuma das três empresas registradas (Go Up Entertainment Ltda; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eirelli; e Instituto Conhecer Brasil) efetivamente captou ou teve liberados recursos públicos geridos pela ANCINE. Das três, apenas a Go Up encontra-se com registro ativo; GO7 e Instituto Conhecer Brasil estão com registro suspenso por falta de revalidação.

Leia a nota na íntegra:
"A ANCINE esclarece que a captação de recursos públicos geridos pela Agência, para o financiamento de projetos audiovisuais, exige que a empresa produtora atenda a requisitos jurídicos, fiscais e operacionais previstos na legislação. Os projetos audiovisuais apresentados na Agência são analisados pelas instâncias técnicas e submetidos à deliberação da Diretoria Colegiada. Uma vez aprovado, o projeto pode captar recursos via Leis de Incentivo ou Fundo Setorial do Audiovisual - FSA. Valores eventualmente captados são depositados em conta bloqueada até nova análise técnica que autorize a sua efetiva liberação. Em relação às empresas de titularidade de Karina Ferreira da Gama, a Agência esclarece que nenhuma das três empresas registradas (Go Up Entertainment Ltda; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eirelli; e Instituto Conhecer Brasil) efetivamente captou ou teve liberados recursos públicos geridos pela ANCINE. Das três, apenas a Go Up encontra-se com registro ativo; GO7 e Instituto Conhecer Brasil estão com registro suspenso por falta de revalidação.

A Agência informa ainda que, em 2021, foi concedida à GO7 uma autorização para captação de recursos pela Lei do Audiovisual, destinada ao projeto “Mais que Vencedores”, hoje cancelado. A autorização se deu após análise das instâncias técnicas e a deliberação colegiada, conforme legislação e procedimento aplicáveis a todos os projetos audiovisuais. O projeto “Mais que Vencedores”, da GO7, foi cancelado por não ter havido captação de recursos no prazo estipulado (até 31/12/2024). Por fim, ressalta-se que as informações sobre projetos audiovisuais aprovados são públicas e podem ser verificadas no Portal da ANCINE".

A autorização para transferência do recurso milionário foi descoberta pela Polícia Civil de São Paulo, em junho deste ano, após a apreensão de um carro no modelo Hilux, sob posse da produtora Karina Gama.

Hilux escancara ligação de produtora de Dark Horse à captação de R$ 5 milhões.
A mulher deu acesso do veículo aos agentes, de acordo com informações da coluna Ramiro Brites, do portal Metrópoles. Conforme o colunista, a caminhonete Hilux está registrada em nome da empresa “K.F. DA GAMA BERNASSI”. No entanto, esse mesmo CNPJ já pertenceu a outra empresa: a Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural LTDA, que está no centro das investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil, que tiveram os sigilos abertos no domingo por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mario Frias já destinou R$ 54 mil à produtora do Dark Horse.
Mario Frias, que também participa diretamente da produção do longa, já destinou R$ 54 mil à Go7, a mesma empresa de Karina da Gama. Segundo o colunista, o montante foi encaminhado em 2022, quando Frias foi eleito a deputado federal. A coluna não informou se o valor foi direcionado à produção do Dark Horse.

Dark Horse: Mário Frias é apontado como líder de esquema criminoso.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a suspeita de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor do filme Dark Horse, tenha atuado como líder de um esquema criminoso. O esquema citado por Dino tinha como finalidade o desvio de recursos, no âmbito das investigações sobre o financiamento da obra cinematográfica.

*Matéria atualizada às 08h47, de 15 de setembro, para acrescentar o posicionamento da Ancine.

https://atarde.com.br/

Quem é Milton Leite, ex-vereador alvo de operação contra o PCC em SP.


Político é alvo de um mandado de prisão em operação que investiga 
a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital.

Bruna Lopes, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo

O ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, é alvo de um mandado de prisão em uma operação, deflagrada na quinta-feira (17), que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo de São Paulo. O político, de 70 anos, é citado nominalmente como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pela facção na capital. A ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Ex-presidente da Câmara Municipal por seis vezes, Milton Leite deixou a vida pública eletiva após 27 anos como vereador de São Paulo. Milton é considerado foragido pelas autoridades neste momento.

Trajetória política.
Paulistano, Milton nasceu e cresceu na região de Piraporinha, na zona Sul da capital. Ele chegou à Câmara Municipal em 1997 e foi reeleito nas eleições de 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020. Nas eleições de 2016 e 2020, foi o segundo vereador mais votado do país. Em 2020, segundo a Câmara, Leite recebeu mais de 132 mil votos. O ex-vereador presidiu a Câmara Municipal de São Paulo seis vezes ao longo de sua trajetória política. A primeira vez foi em 2017-2018. Na sequência, Leite voltou ao cargo em 2021 e permaneceu na presidência até o encerramento de sua atuação na Câmara em 2024. Milton Leite também ocupa a presidência municipal do partido União Brasil em São Paulo.

Possível ligação com o PCC.
O ex-presidente da Câmara Municipal é alvo de uma operação que mira a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo em São Paulo. A ação, batizada de Operação Vectura Corrupta, foi deflagrada na manhã da quinta-feira (17) e cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão durante a ação. Segundo as investigações, Milton Leite, alvo de mandado de prisão, é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. De acordo com o Ministério Público, há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que afirmam que ex-vereador seria o dono de fato da empresa Transwolf. A investigação, desdobramento da “Operação Decúrio” deflagrada em agosto de 2024, apontou projeto de infiltração da organização criminosa nas eleições municipais de 2024, com o lançamento de candidatos aos cargos em disputa. Além disso, foi identificado o possível envolvimento de ao menos uma servidora municipal comissionada com um integrante do alto escalão do PCC.

Balanço final.
A operação da manhã finalizou com dez presos, sendo: Júlio Salvador Filho; Claudionor Aparecido Sabino Tomaz; Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; Carla de Paula Muller, esposa de “Granada”, do PCC; Edivania Arruda Botelho Alves; André Cassali; José Ronaldo Alves de Sales; Edson Antonio de Souza; e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL (Partido Liberal). Milton Leite é considerado foragido.

O que dizem as defesas:
Milton Leite. O ex-vereador Milton Leite afirmou que não está foragido, mas sim em viagem. Ele ainda disse que se apresentará às autoridades em até 24 horas e provará inocência. Veja a nota na íntegra:

"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações." (Danilo Morgado (PL)

Meses atrás Danilo foi alvo de um processo onde se pedia sua prisão, movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão. Na época, o motivo do pedido de prisão foram vídeos publicados por Danilo, denunciando supostas licitações ligadas ao PCC dentro da prefeitura de Praia Grande, ou seja, Danilo trouxe a tona a mesma denuncia feita pelo delegado Dr. Ruy Ferraz Fontes. Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso. A sequência dos fatos fala por si. O coronel nunca muda seu modo de agir: intimida e tenta calar quem não se curva. Prenderam Danilo, mas despertaram milhares. Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve. O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular. Isso não é investigação, é perseguição."

Prefeitura de SP.
"A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada. A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório. A operação realizada na quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários."

Câmara Municipal de São Paulo

"A Câmara Municipal de São Paulo acompanha os desdobramentos das investigações promovidas pelo Ministério Público, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, aguardando as conclusões."
Levi Oliveira

“O escritório Fernando José da Costa Advogados, que representa o Dr. Levi dos Santos Oliveira, foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira, com a notícia de sua prisão. Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área. A defesa ainda não teve acesso aos autos, nem às circunstâncias que fundamentaram a medida. Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação.”

A2 Transportes representando Paulo Siqueira Korek e Júlio Salvador Filho.
"A A2 Transportes, por meio de seu presidente, Paulo Siqueira Korek, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a ética e a seriedade na condução de suas atividades. A empresa nega de forma categórica qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), bem como qualquer prática de lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas. A A2 Transportes esclarece, ainda, que todos os recursos financeiros que ingressam na empresa são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços regularmente prestados. Não existem outras fontes de entrada de recursos financeiros na empresa. Diante das informações que vêm sendo divulgadas, a empresa está à disposição das autoridades competentes para apresentar documentos e prestar todos os esclarecimentos necessários, contribuindo para que os fatos sejam devidamente apurados. Para o presidente Paulo Siqueira Korek, o movimento que vem ocorrendo em torno da empresa apresenta, em sua percepção, forte componente político. A A2 Transportes, entretanto, reafirma que seguirá colaborando com as instituições responsáveis pela apuração e respeitando rigorosamente o devido processo legal.

'A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos. Não temos outras fontes de entrada de recursos. Nossa história é construída com trabalho, seriedade e ética. Estamos à disposição para todos os esclarecimentos necessários e confiamos na apuração dos fatos e na Justiça.' (Paulo Siqueira Korek — Presidente da A2 Transportes).

A A2 Transportes reforça seu compromisso com a verdade, a transparência e a legalidade, confiando que os fatos serão esclarecidos com base em documentos, provas e informações oficiais"

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos outros citados.
"A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada. A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório. A operação realizada na quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários." (Câmara Municipal de São Paulo).

"A Câmara Municipal de São Paulo acompanha os desdobramentos das investigações promovidas pelo Ministério Público, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, aguardando as conclusões." (Levi Oliveira).

“O escritório Fernando José da Costa Advogados, que representa o Dr. Levi dos Santos Oliveira, foi surpreendido, na manhã da quinta-feira, com a notícia de sua prisão. Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área. A defesa ainda não teve acesso aos autos, nem às circunstâncias que fundamentaram a medida. Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação.”

A2 Transportes representando Paulo Siqueira Korek e Júlio Salvador Filho.
"A A2 Transportes, por meio de seu presidente, Paulo Siqueira Korek, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a ética e a seriedade na condução de suas atividades. A empresa nega de forma categórica qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), bem como qualquer prática de lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas. A A2 Transportes esclarece, ainda, que todos os recursos financeiros que ingressam na empresa são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços regularmente prestados. Não existem outras fontes de entrada de recursos financeiros na empresa. Diante das informações que vêm sendo divulgadas, a empresa está à disposição das autoridades competentes para apresentar documentos e prestar todos os esclarecimentos necessários, contribuindo para que os fatos sejam devidamente apurados. Para o presidente Paulo Siqueira Korek, o movimento que vem ocorrendo em torno da empresa apresenta, em sua percepção, forte componente político. A A2 Transportes, entretanto, reafirma que seguirá colaborando com as instituições responsáveis pela apuração e respeitando rigorosamente o devido processo legal.

'A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos. Não temos outras fontes de entrada de recursos. Nossa história é construída com trabalho, seriedade e ética. Estamos à disposição para todos os esclarecimentos necessários e confiamos na apuração dos fatos e na Justiça.' (Paulo Siqueira Korek — Presidente da A2 Transportes).

A A2 Transportes reforça seu compromisso com a verdade, a transparência e a legalidade, confiando que os fatos serão esclarecidos com base em documentos, provas e informações oficiais"

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos outros citados.

https://www.cnnbrasil.com.br/ 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro usou imóvel de cunhado de Vorcaro durante campanha em SP, diz revista.

 
Apartamento pertenceu a Fabiano Zettel e foi vendido 
ao advogado Willer Tomaz, amigo do candidato.

Por: Marcelo Hailer 

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, utilizou durante a campanha eleitoral um apartamento em São Paulo que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. As informações são da revista Piauí. Segundo a publicação, Flávio permaneceu durante alguns dias da primeira quinzena de agosto no imóvel, localizado no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista. No período, Flávio Bolsonaro se reuniu com integrantes de sua equipe para definir estratégias de campanha, gravou vídeos para o horário eleitoral, participou de podcasts e teve compromissos na região da Faria Lima. O comitê de campanha de Flávio ficava a poucos minutos do apartamento. A Piauí afirma ter confirmado a presença de Flávio no local com moradores do edifício e uma funcionária de uma escola onde ficavam estacionados veículos utilizados pela Polícia Legislativa. Segundo a revista, agentes à paisana fizeram varreduras nas áreas comuns do prédio durante a permanência do candidato.

Imóvel pertenceu a cunhado de Vorcaro.
O apartamento havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, Zettel comprou o imóvel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Menos de dez meses depois, em fevereiro de 2026, vendeu o apartamento por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz. A transação representou uma perda nominal de R$ 2 milhões para Zettel. A venda havia sido revelada anteriormente pela Folha de S.Paulo e foi confirmada pela Piauí. De acordo com a revista, a transferência do apartamento foi registrada em cartório em 4 de março, depois de o STF ter determinado o bloqueio dos bens de Zettel e na mesma data em que ele foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Willer Tomaz, atual proprietário do imóvel, é advogado e amigo de Flávio Bolsonaro. A Piauí relata que a relação entre os dois remonta ao início do governo de Jair Bolsonaro e inclui episódios pessoais e políticos.

Versões de Flávio e do proprietário.
Procurado pela Piauí, Willer Tomaz inicialmente negou, por telefone, que Flávio tivesse utilizado o apartamento. Posteriormente, enviou nota afirmando que não conhece Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e que jamais manteve “relação pessoal, comercial ou societária” com os dois. Segundo a revista, embora tenha sido questionado especificamente sobre Flávio Bolsonaro, Tomaz não tratou do candidato na nota enviada à reportagem. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que se hospedou apenas em hotéis da região.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: favores, resorts e os interesses que cercam a amizade.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz estão no centro de um novo cruzamento entre política e interesses privados. Já candidato à Presidência da República, o senador do PL prometeu acelerar a implantação de resorts e grandes empreendimentos em Angra dos Reis, justamente onde empresas do amigo possuem três propriedades e onde o advogado já procurou o órgão ambiental do Rio de Janeiro para avaliar a exploração turística de um terreno. O discurso de campanha acrescenta um capítulo novo a uma relação de anos. Willer já cedeu gratuitamente uma mansão de luxo à família de Flávio, aparece ao lado do senador em viagens particulares de jatinho e teve seu nome defendido pelo amigo para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em Angra, a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel de empresa do advogado também passou pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) quando o órgão era comandado no Rio por um indicado de Flávio. Não há prova pública de que os benefícios privados tenham sido condicionados a uma contrapartida de Flávio ou de que sua proposta para o turismo tenha sido elaborada especificamente para atender Willer. O que os episódios revelam é uma sucessão de favores pessoais, interesses econômicos e movimentos políticos que se cruzam ao longo da amizade.
 
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: resorts e interesses em Angra.
O fato mais recente ocorreu em 29 de agosto. Durante agenda de campanha em Angra dos Reis, Flávio defendeu a revisão dos planos diretores dos municípios da Costa Verde e medidas para acelerar grandes empreendimentos imobiliários e turísticos. O candidato falou especificamente em condomínios e resorts e defendeu a retirada de entraves ambientais para que essas obras avancem com maior rapidez. A proposta foi apresentada para Angra e municípios vizinhos, como Mangaratiba e Paraty. Uma apuração publicada nesta semana pela Folha de S.Paulo revelou que empresas de Willer possuem três propriedades em Angra dos Reis. Duas estão na Ilha Comprida e uma terceira na Ilha do José André. Os imóveis pertencem à Friponor e à WT Administração de Imóveis, empresas ligadas ao advogado. O interesse de Willer na exploração turística da região também está documentado. Em 2025, ele procurou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para consultar qual percentual de um terreno poderia ser utilizado em uma operação turística. Outra propriedade ligada ao advogado, na Ilha Comprida, aparece em imagens de julho de 2025 passando por obras, com construção de um segundo pavimento e de estruturas separadas da edificação principal. É justamente esse imóvel que está no centro de uma disputa envolvendo uma empresa relacionada ao jogador Richarlison.

A Fórum já reconstituiu a disputa pela mansão de Angra e a relação de Flávio com o caso.
Não há, porém, documento público que permita afirmar que a propriedade em obras é o mesmo terreno objeto da consulta ao Inea. Também não está demonstrada a existência de um projeto formal de resort para a mansão disputada com o grupo ligado a Richarlison. À Folha, Willer rejeitou qualquer associação entre seus negócios e as propostas de Flávio. Disse que não participou da formulação da política para o turismo, não foi consultado e nunca tratou do assunto com o candidato.

Mansão e jatinhos: os favores privados.
Se a proposta para resorts coloca os interesses de Willer no presente da campanha presidencial, os benefícios privados concedidos ao senador aparecem antes. Na terça-feira (8), reportagem do ICL Notícias, assinada por Alice Maciel, revelou que Flávio comemorou em fevereiro o aniversário da filha caçula em uma mansão de luxo à beira-mar em Angra. O imóvel funciona em modelo de propriedade compartilhada e uma das quatro cotas pertence à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer. O próprio advogado confirmou ao ICL que disponibilizou a casa para Flávio e sua família. Segundo ele, não houve pagamento, contraprestação ou relação comercial. Willer disse que emprestou o imóvel exclusivamente por causa da amizade com o senador. A mansão tem sete suítes, piscina aquecida, sauna, academia, heliponto e píer, além de um iate colocado à disposição dos proprietários. A propriedade não é a mesma envolvida na disputa com o grupo de Richarlison.

A Fórum publicou nesta semana os detalhes da mansão utilizada pela família de Flávio.
Meses antes, outra forma de benefício privado já havia chamado atenção: o uso de aeronaves particulares. Documentos do terminal executivo do Aeroporto de Brasília obtidos originalmente pelo Estadão mostraram ao menos dois deslocamentos da família de Flávio em jatinhos privados durante 2025. Em 1º de abril, Flávio, a mulher e as duas filhas entraram no terminal. Poucos minutos depois, uma aeronave pertencente a uma empresa ligada a Willer deixou Brasília com destino ao Rio de Janeiro. Um mês depois, Flávio e a mulher viajaram para a Flórida acompanhados de Willer e da esposa do advogado. Nesse segundo caso, a aeronave estava registrada em nome de uma empresa dos proprietários da União Química, grupo para o qual o escritório de Willer já havia atuado. A Fórum mostrou em abril quem é Willer Tomaz e detalhou sua presença nas viagens de Flávio em jatinhos particulares. Flávio afirmou na ocasião que os deslocamentos tiveram finalidade pessoal e familiar. O senador não esclareceu quem arcou com todos os custos das viagens. Willer negou ter recebido qualquer favorecimento da administração pública em razão da relação com o senador.
 
CNJ e SPU: quando a amizade alcança o poder público. A proximidade entre os dois também chegou à esfera institucional. Em 2022, nos últimos meses do governo Jair Bolsonaro, Flávio tentou emplacar Willer para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça, segundo a apuração da Folha. A articulação não prosperou. No mesmo ano, Willer travava em Angra a disputa pelos direitos de ocupação da casa da Ilha Comprida. O antigo ocupante Antônio Marcos da Silva afirmou à Folha que, durante uma visita à propriedade, Flávio e Willer se tratavam como “sócios”. A afirmação é um relato testemunhal: não há documento societário conhecido que demonstre a existência de sociedade entre os dois, e a assessoria de Flávio nega que tenha havido participação empresarial ou negócio comum.

O episódio mais sensível, no entanto, ocorreu na Secretaria do Patrimônio da União.
Por se tratar de terreno da União, a transferência dos direitos de ocupação da propriedade depende de procedimentos perante a SPU. Naquele momento, a superintendência do órgão no Rio era comandada pelo coronel Paulo Medeiros, que havia chegado ao posto por indicação de Flávio Bolsonaro. Os documentos do processo mostram que, depois do pagamento da taxa de transferência em 7 de julho de 2022, a empresa de Willer protocolou às 11:33h do dia 11 um pedido para a emissão manual da Certidão de Autorização para Transferência. Às 13:13h, a autorização estava emitida. O intervalo entre esse pedido específico e a emissão do documento foi de uma hora e 40 minutos. Após a publicação desta reportagem, a assessoria de Willer Tomaz contestou que esse intervalo correspondesse ao tempo de tramitação do processo de transferência. Segundo resposta oficial da SPU apresentada pela defesa, o processo foi protocolado em 11 de maio de 2022, sob o número 10154.125086/2022-04, e concluído em 12 de julho de 2022 — portanto, após cerca de dois meses de tramitação, com pagamento das taxas de ocupação e do laudêmio e sucessivos atos cadastrais.

A defesa também contestou a informação de que um pedido apresentado em 2021 por empresa ligada a Richarlison aguardava análise na mesma SPU. Segundo a resposta do órgão encaminhada pela assessoria, o requerente não comprovou a aquisição e o pedido não foi concluído por deficiência do próprio requerimento. A SPU informou ainda, de acordo com a manifestação, que não instaurou apuração porque nenhuma irregularidade foi identificada.

Documentos obtidos anteriormente por meio da Lei de Acesso à Informação já haviam levado o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) a pedir à Polícia Federal uma investigação sobre eventual favorecimento. A Fórum revelou em agosto o pedido feito pelo parlamentar à PF e os documentos envolvendo a SPU. Não há prova de que Flávio tenha dado ordem para que o processo fosse acelerado ou interferido diretamente na emissão da autorização. Segundo a resposta da SPU apresentada posteriormente pela defesa de Willer, o órgão não identificou irregularidades no procedimento.

Alvo da PF, Willer nega favorecimento.
A relação passou a ter peso político ainda maior depois que Willer foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em agosto, numa etapa da Operação Sem Desconto, investigação sobre o esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS e suspeitas de lavagem de dinheiro. A Fórum mostrou na ocasião as relações de Willer com Flávio e os elementos que levaram a PF até o advogado. Willer nega envolvimento nas fraudes previdenciárias. Sua defesa sustenta que ele não figura como investigado por participação no esquema e afirma que as diligências ocorreram em razão de relações patrimoniais e da utilização de uma aeronave por pessoas alcançadas pela apuração. Ser alvo de busca e apreensão não significa, por si só, responsabilidade pelos crimes investigados.

É nesse contexto que a promessa de Flávio para acelerar resorts em Angra acrescenta um novo elemento à relação. O candidato propõe hoje facilitar empreendimentos turísticos numa região onde o amigo possui imóveis e já fez consulta formal sobre exploração turística. Antes disso, Willer havia cedido gratuitamente uma mansão à família Bolsonaro, aparecido nas viagens particulares de Flávio e sido cogitado pelo próprio senador para o CNJ. Em sentido inverso, a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel de empresa de Willer passou pela SPU quando a superintendência do órgão no Rio estava sob o comando de um indicado de Flávio. Segundo a resposta oficial apresentada posteriormente pela defesa, o processo tramitou por cerca de dois meses e a SPU informou não ter identificado irregularidades. A sequência não comprova um acordo de contrapartida. Mostra, porém, que a amizade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz atravessa benefícios privados, interesses empresariais e episódios relacionados ao exercício do poder político.
 
À Folha, Willer negou de forma enfática que a proposta para o turismo tenha qualquer relação com seus negócios em Angra. Ao ICL, afirmou que a mansão foi cedida exclusivamente por amizade, sem pagamento ou contraprestação. Flávio, por sua vez, nega manter sociedade ou empreendimento comercial com o advogado. A Fórum procurou diretamente a assessoria de Willer Tomaz e questionou se ele colaborou com despesas das viagens particulares de Flávio; se conversou com o candidato sobre imóveis, resorts, exploração turística ou licenciamento ambiental na Costa Verde; se pediu ou recebeu auxílio relacionado ao processo da Ilha Comprida na SPU; e se alguma atuação ou proposta de Flávio beneficiou seus interesses ou envolveu qualquer contrapartida.

A assessoria confirmou o recebimento das perguntas e informou que as encaminharia ao advogado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação de Willer Tomaz, e eventual posicionamento será acrescentado à matéria.

Após a publicação, Willer Tomaz envia nota de esclarecimento.
Após a publicação da reportagem, a assessoria do advogado Willer Tomaz encaminhou à Fórum uma nota de esclarecimento. A manifestação é reproduzida abaixo na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO.
É falsa a afirmação de que a empresa obteve autorização da SPU “em menos de duas horas”. Segundo resposta oficial da própria Secretaria do Patrimônio da União a pedido de acesso à informação (processo 18002.009674/2026-62). O processo de transferência dos direitos de ocupação do imóvel da Ilha Comprida foi protocolado em 11 de maio de 2022 (processo protocolado sob o número 10154.125086/2022-04) e concluído em 12 de julho de 2022 — ou seja, dois meses de tramitação, com pagamento das taxas de ocupação e do laudêmio e sucessivos atos cadastrais. O requerimento de 2021 atribuído a empresa ligada a Richarlison não “aguardava análise”: conforme a SPU, ele nunca comprovou a aquisição e o pedido não foi concluído por deficiência do próprio requerimento. A SPU informou ainda que não instaurou apuração porque nenhuma irregularidade foi identificada. O Advogado Willer Tomaz nunca pediu nem recebeu auxílio relacionado ao processo, não participou de qualquer proposta de política pública para Angra dos Reis e rejeita categoricamente a insinuação de qualquer tipo de favorecimento. A Folha de S.Paulo, fonte da informação equivocada, já foi notificada para retificação. 
 
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Lula diz que Flávio tem "rabo preso" ao Master e raiva de Moraes pelo 8/1.


O petista assinalou, ainda, que a implicância do senador com o ministro do STF é motivada pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentou contra o Estado Democrático de Direito.

Por Armando Holanda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra Flávio Bolsonaro (PL), na quarta-feira (16/9), ao cobrar explicações do adversário sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O petista acusou Flávio de ter “o rabo preso ao Banco Master” e afirmou que as críticas do senador ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não têm como principal motivação as revelações envolvendo a instituição financeira.

Durante entrevista ao Desce a Letra Show, no YouTube, Lula voltou a mencionar os R$ 130 milhões que, segundo ele, estariam relacionados à atuação do escritório de advocacia de Flávio e cobrou esclarecimentos do adversário. “Eu que fui preso por essa Suprema Corte e fui preso por 580 dias. É muito engraçado isso. O que ele (Flávio Bolsonaro) tem que explicar é cadê os R$ 130 milhões que ele pegou do Vorcaro”, declarou.

Na avaliação do petista, a ofensiva de Flávio contra Moraes está relacionada, sobretudo, à atuação do ministro nos processos que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. “A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque ele mandou prender o cara que matou a Marielle. A bronca dele é que o Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro”, afirmou.

Lula também classificou como uma “obsessão” a postura de Flávio em relação ao magistrado e rebateu as tentativas de associá-lo politicamente ao ministro do Supremo. Apesar da defesa de Moraes, Lula ponderou que eventuais irregularidades envolvendo integrantes do Judiciário devem ser investigadas e, caso comprovadas, punidas, com garantia do direito de defesa.“Todo mundo que cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado. Isso vale para mim, para Alexandre de Moraes, vale para o Fachin”, declarou.

Na sequência, o presidente afirmou que Moraes prestou “dois grandes serviços” à democracia brasileira e destacou a atuação do ministro à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022, em meio aos questionamentos de Bolsonaro sobre o sistema eletrônico de votação. “Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições. Ele sabe, e o Brasil sabe, a tentativa que Bolsonaro fez de destruir a credibilidade das urnas”, enfatizou Lula.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Dino pede explicações sobre elo entre Master e instituto ligado a Mendonça.


Cézar Feitoza, Luccas Lucena

Ministro afirma que a Prefeitura de São Paulo apura eventual interferência do Master em empresas concessionárias dos cemitérios municipais. Pela decisão, a prefeitura e a SP Regula, agência reguladora de serviços públicos, terão dez dias para se manifestar sobre o caso e para apresentar informações e documentos sobre a concessão dos serviços de cemitério à Cortel. Dino aponta que, em 13 de março de 2025, determinou a manutenção sobre o teto dos preços praticados por concessionárias de serviços funerários. Em novembro de 2024, Dino havia ordenado que o município restabelecesse a comercialização e a cobrança de serviços cemiteriais e funerários nos valores anteriores à concessão.

Após decidir manter o teto dos preços de serviços funerários, Dino mandou o caso para plenário, mas Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento. "Ocorre que, em 14 de março de 2025 — um dia antes da formulação do referido pedido de vista —, consoante informações confirmadas pelo próprio Ministro André Mendonça, Sua Excelência recebeu, na sede de uma empresa privada, em São Paulo, o Sr. Daniel Vorcaro. Como vimos acima, havia elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master", diz Dino. Em 4 de abril de 2025, Dino afirma que Mendonça deixou de referendar a medida sobre os preços de serviços funerários. Sem citar a relação, Dino diz que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, integra a SP Regula (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo), atuando na área funerária e cemiterial.

Alexandre foi nomeado superintendente da agência e, em maio deste ano, foi promovido a secretário executivo da SP Regula, segundo Dino. "Isso não significa afirmar que exista relação causal entre tais circunstâncias, tampouco que os atos jurisdicionais praticados tenham sido determinados por interesses externos ao processo. Significa, diversamente, reconhecer que a multiplicidade, a natureza e a convergência temporal desses pontos de contato constituem, em tese, quadro indiciário suficientemente relevante para que a existência — ou inexistência — dessas conexões seja esclarecida mediante apuração pelas autoridades competentes."

Prefeitura de São Paulo nega irregularidade em contratos. Em nota, a prefeitura disse lamentar que "contratações regulares e realizadas dentro da legalidade estejam sendo utilizadas para construir narrativas políticas sem respaldo nos fatos". "Causa estranheza o direcionamento de suspeitas à administração municipal justamente em um momento de graves questionamentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, produzindo uma cortina de fumaça que desvia o foco do debate público", diz o texto (leia mais abaixo).
 
Mendonça recebeu Vorcaro em instituto

Ministro André Mendonça confirmou no último dia 2 ter recebido Vorcaro, em março de 2025. Articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), o encontro aconteceu no Instituto Iter, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, às 17:00h de 14 de março. Ao Estadão, o ministro disse que a conversa durou de 20 a 30 minutos. De acordo com o magistrado, ele e Vorcaro não falaram sobre o Banco Master. Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que o tema do encontro foi a Suspensão de Tutela Provisória 976, que trata do pagamento de precatórios decorrentes de prejuízos adquiridos da Agroindustrial Tabu, usina do setor sucroalcooleiro. Áudio encontrado no celular do banqueiro, porém, sugere que eles pretendiam falar sobre o caso Master. Os áudios foram divulgados inicialmente pela newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, e obtidos posteriormente pelo UOL. Em 8 de fevereiro, Soares enviou a Vorcaro: "O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. (...) Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia, que o Cezinha já tinha falado com ele". Mendonça disse em nota que "se limitou a ouvi-lo".

Instituto Iter foi fundado em novembro de 2023 por André Mendonça. Conforme o site do Iter, a instituição é voltada para a educação executiva, formação de lideranças e capacitação de profissionais para atuação nos setores público e privado. A oferta de formações vai desde curso de oratória a gestão educacional com inteligência artificial e gestão e fiscalização de contratos.

O que diz a Prefeitura de São Paulo.
Em nota, prefeitura diz que relações com bancos privados não são irregulares. "Em relação à concessão dos serviços funerários, a SP Regula esclarece que relações financeiras mantidas pelas concessionárias com bancos ou fundos privados não configuram, por si, qualquer irregularidade contratual". Gestão afirma que contratação de instituto de Mendonça seguiu lei. "A contratação do Instituto Iter pela Secretaria Municipal de Gestão para treinamento de servidores ocorreu após a análise de outras instituições e seguiu estritamente a Lei de Licitações, que autoriza a inexigibilidade de licitação para serviços técnicos especializados de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal". Irmão de Mendonça não foi promovido, diz prefeitura. "No caso da contratação do servidor Alexandre de Almeida Mendonça na SP Regula, não houve qualquer promoção do profissional em 2026. Em junho deste ano ele teve uma mudança de função dentro da agência, deixando de ser Superintendente de Planejamento para assumir a posição de Superintendente da Secretaria Executiva. As duas posições têm o mesmo nível hierárquico, diferentemente do que insinuaram reportagens publicadas sobre o assunto. Além disso, a mudança não resultou em qualquer aumento de remuneração".

https://noticias.uol.com.br 

Flávio Bolsonaro pode ser preso? Entenda o caso Banco Master, Vorcaro e o filme Dark Horse.


Entenda a apuração da PF sobre o financiamento milionário do filme sobre Jair Bolsonaro, a rota do dinheiro nos EUA e por que a Constituição impede a prisão do senador.


Flávio Bolsonaro pode ser preso? 

Entenda o caso Banco Master, Vorcaro e o filme Dark Horse. A dúvida sobre se Flávio Bolsonaro pode ser preso ganhou força após a divulgação de documentos da investigação sobre Vorcaro e o Banco Master. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não corre risco de ser preso neste momento. Como senador e candidato à Presidência, ele é investigado no caso Banco Master, mas não há nenhum mandado contra ele. Além disso, o artigo 53 da Constituição protege parlamentares: deputados e senadores só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável ou após condenação definitiva. No momento, a PF (Polícia Federal) apenas apura se houve lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas na captação de recursos para o filme Dark Horse.

O que é o caso Banco Master e a conexão com o filme.

A investigação sobre Flávio nasceu dentro da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar fraudes bilionárias no Banco Master, administrado por Daniel Vorcaro. O sigilo do inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça no STF, caiu em setembro de 2026, expondo a ponte entre o ex-banqueiro e a produção cinematográfica. O projeto em questão é o filme Dark Horse (anteriormente batizado de Capitão do Povo), uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O plano de negócios achado no celular de Vorcaro previa um investimento pesado de US$ 24 milhões (mais de R$ 120 milhões), dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 63 milhões) efetivamente cruzaram a fronteira em 2025.

Toda essa verba saiu da Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior (o “Mineiro”), e foi parar no Havengate Development Fund, um fundo praticamente inativo no Texas gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.


A atuação dos irmãos Bolsonaro e as suspeitas da PF

Para os investigadores, Flávio não era mero espectador, mas o interlocutor de Vorcaro: trocou mensagens cobrando repasses atrasados, fez reuniões e acompanhou gravações. Mensagens recuperadas também mostram Eduardo Bolsonaro orientando a gestão desses recursos nos EUA.

Além do montante expressivo, a PF achou irreal a bilheteria estimada no projeto, calculada em US$ 100 milhões, e suspeita que a produção cinematográfica possa ter servido de fachada para esquentar capital.

Diante disso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, cobrou apurações para checar se houve corrupção. A PGR quer saber se Flávio ou o deputado Mário Frias (PL-SP) defenderam projetos ou propostas legislativas favoráveis ao Banco Master no Congresso como contrapartida ao dinheiro recebido.

Duas frentes no STF e o trunfo da delação.

O caso corre no Supremo Tribunal Federal em duas frentes diferentes. De um lado, no gabinete de André Mendonça, a apuração foca no núcleo do Banco Master, na movimentação financeira de Vorcaro e nas ações dos irmãos Bolsonaro — uma frente que ganhou forte tração após a homologação da delação premiada de Mineiro, responsável pelas remessas ao fundo americano. De outro lado, no gabinete do ministro Flávio Dino, investiga o uso de emendas parlamentares ligadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil) e à produtora do filme, a Go Up Entertainment, ambas sob comando da empresária Karina Ferreira da Gama, com dados compartilhados pela Polícia Civil de São Paulo.

O que diz Flávio Bolsonaro

Por sua vez, Flávio Bolsonaro admite ter buscado Vorcaro para financiar o longa, mas afirma que se tratou de uma captação 100% privada, sem dinheiro público e sem trocas de favores. O senador defende a abertura total dos autos para provar que todo o montante arrecadado foi efetivamente aplicado na produção.

Em que pé estamos?

A apuração ainda está em estágio inicial. Para haver qualquer desdobramento mais severo, a PF precisa fechar o relatório, a PGR decidir se apresenta denúncia e o STF aceitar a acusação para transformar a investigação em ação penal. Os documentos expostos acendem o sinal amarelo na política, mas não significam condenação ou prisão iminente.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Para blindar Flávio Bolsonaro no caso 'Dark Horse', aliados podem ser rifados.

 
Lauro Jardim
 
Na esteira da operação da PF sobre o financiamento do filme "Dark Horse", deflagrada na quinta-feira passada, aliados de Flávio Bolsonaro adotaram o batido bordão de que "ele não tem nada a ver com isso".

Para tentar blindar o candidato a presidente, investigado no STF pela "possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção" por ter pedido US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro, seu entorno não terá qualquer pudor em rifar, se necessário, o deputado federal Mário Frias, idealizador do projeto, e a produtora Karina Gama, alvos da operação autorizada por Flávio Dino. Seguirão a linha do "se eles tiverem culpa, que paguem pelo que fizeram de errado". 

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