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sábado, 12 de setembro de 2026

O segredo chocante que NINGUÉM te conta sobre as canetas emagrecedoras!


Entenda por que semaglutida e tirzepatida exigem mudança de hábitos 
para manter o peso. Veja os cinco pilares essenciais. Confira agora.

Por: Itatiaia

A promessa de emagrecer rapidamente com as chamadas canetas emagrecedoras atrai cada vez mais pessoas em busca de resultados rápidos. Mas a ciência mostra uma realidade diferente: quando o tratamento termina, o peso volta. Isso acontece porque a obesidade é uma doença crônica, assim como hipertensão e diabetes. O reganho de peso não é falta de força de vontade, mas uma resposta biológica do organismo que tenta recuperar o que foi perdido. Segundo o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, "quando o tratamento é interrompido, a doença volta a se manifestar".

Como as canetas emagrecedoras funcionam no organismo.
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida agem sobre o GLP-1, um hormônio responsável pelas sensações de fome e saciedade. Ao frear sua ação, essas substâncias fazem a pessoa querer comer menos, promovendo o emagrecimento. O problema surge quando o uso é interrompido. O organismo volta a ativar mecanismos que favorecem o ganho de peso, revertendo os resultados conquistados. Por isso, esses fármacos não devem ser vistos como solução rápida para emagrecer. Eles fazem parte de uma estratégia mais ampla de tratamento da obesidade.

O que acontece com o peso após parar os medicamentos.
Uma revisão sistemática publicada no BMJ em janeiro de 2025 analisou 37 estudos com mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os resultados revelam o padrão de reganho de peso após a interrupção do tratamento. Os participantes usaram diferentes classes de medicamentos, desde opções mais antigas como sibutramina e orlistate até terapias recentes com liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Permaneceram em média 39 semanas em tratamento e foram acompanhados por mais 32 semanas após a suspensão. Durante o uso das medicações, os participantes perderam em média 8,3 kg, mais que o dobro da perda observada nos grupos controle. Após interromper o tratamento, porém, o peso voltou a aumentar gradualmente no ritmo de 0,4 kg por mês. Nesse ritmo, os participantes retornariam ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses. Além disso, os benefícios metabólicos conquistados, como melhora da glicemia, colesterol e pressão arterial, também começaram a diminuir.

Por que o organismo defende o peso perdido.
O corpo humano desenvolveu ao longo da evolução mecanismos de defesa contra a perda de gordura. Esses mecanismos foram importantes para a sobrevivência da espécie em períodos de escassez de alimentos. Hoje, esses mesmos mecanismos dificultam a manutenção da perda de peso. "Esses mecanismos foram importantes para a sobrevivência da espécie em períodos de escassez de alimentos. Hoje, eles dificultam a manutenção da perda de peso", explica Paulo Rosenbaum.

O reganho tende a ser menor em pessoas que perderam menos peso, tinham obesidade menos grave e conseguiram manter hábitos saudáveis consistentemente. Mas não é possível prever com precisão quem terá esse comportamento.

Cinco pilares para manter o peso após os medicamentos.
Manter os resultados conquistados com as medicações depende de um conjunto de mudanças no estilo de vida. Esses hábitos devem ser construídos durante o tratamento, não apenas após sua interrupção.

Alimentação estratégica: uma dieta rica em proteínas e fibras ajuda a aumentar a saciedade e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. Essa mudança no padrão alimentar é fundamental para sustentar a perda de peso.

Exercícios regulares: a prática regular de atividade física contribui para preservar a massa magra, elevar o gasto energético e melhorar a saúde cardiovascular. O exercício é um dos pilares mais importantes para evitar o reganho.

Qualidade do sono: dormir bem é fundamental para regular os hormônios relacionados ao apetite. A privação de sono está associada a maior dificuldade em manter o peso.

Controle do estresse: níveis elevados de estresse podem desencadear episódios de alimentação emocional. Técnicas de manejo do estresse ajudam a manter o controle sobre as escolhas alimentares.

Mudança comportamental: sem uma transformação profunda nos hábitos e na relação com a comida, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso.
 
Medicamentos sozinhos não sustentam a perda de peso.
"Muitas pessoas apenas usam o remédio, comem menos porque o apetite diminuiu e emagrecem. Mas, se elas não mudam o padrão alimentar, não praticam atividade física regularmente e não fazem uma mudança comportamental, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso", alerta o endocrinologista Paulo Rosenbaum.

As canetas emagrecedoras são ferramentas muito eficazes no tratamento da obesidade, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla. Sozinhas, elas não conseguem sustentar a perda de peso por muito tempo. "As mudanças no estilo de vida potencializam a perda de peso e aumentam as chances de manter os resultados no longo prazo", frisa o médico do Einstein.

Tratamento da obesidade como doença crônica.
O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas tratar uma doença crônica que exige acompanhamento de longo prazo. Essa mudança de perspectiva é fundamental para o sucesso. "O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas tratar uma doença crônica. As canetas para emagrecer fazem parte desse tratamento, mas o sucesso depende de uma estratégia de longo prazo, construída entre paciente, médico e equipe multiprofissional", conclui Paulo Rosenbaum. A abordagem integrada, que combina medicação, mudança de hábitos e acompanhamento profissional, oferece as melhores chances de resultados sustentáveis. O tratamento da obesidade exige compromisso contínuo, não soluções pontuais.

https://www.itatiaia.com.br 

‘Fala irmãozão’, ‘a caminho’ e ‘imagina a gente dando um calote’, relatório da PF sobre Dark Horse mostra mensagens de Flávio cobrando Vorcaro.


Polícia Federal também aponta possibilidade de reunião presencial 
entre senador e banqueiro antes de cobrança por mensagens.

Por Lauriberto Pompeu , Patrik Camporez e Letícia Pille — Brasília 

Relatório da Polícia Federal (PF) mostra mensagens em que o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), cobra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pagamentos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, tornado público pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, aponta também a possibilidade de reuniões presenciais entre o senador e o banqueiro e a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação. De acordo com o relatório da PF, nos dias 12, 14, 18 e 27 de agosto de 2025, o publicitário Thiago Miranda, que fez o papel de intermediar os repasses para o filme, cobrou Vorcaro do pagamento das parcelas de financiamento. As cobranças haviam sido reveladas pelo site Intercept Brasil em maio. As mensagens também mostram que Flávio pediu ao banqueiro R$ 131 milhões para a produção da obra, dos quais R$ 60 milhões foram pagos, segundo informações obtidas pela PF. De acordo com o documento, Miranda disse para Vorcaro que Flávio ligou para falar sobre o assunto no dia 27 de agosto de 2025. 

Uma semana antes, no dia 20 do mesmo mês, há, segundo a PF, os primeiros registros de trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. De acordo com o relatório, Vorcaro envia para Flávio a mensagem “21 pode ser”, ao que Flávio responde com “Blz” e uma figurinha de WhatsApp com a foto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Logo em seguida, Vorcaro responde com “Kkk” e “Boa” e Flávio retorna com “A caminho”.

De acordo com a PF, “isso indica que pode ter ocorrido uma reunião presencial entre os dois no dia 20/08/2025”, antes de o senador ter mandado as primeiras mensagens com as cobranças das parcelas para o filme. O contato seguinte entre os dois teria acontecido por mensagem no dia 8 de setembro, quando Flávio demonstrou preocupação com parcelas em atraso para o filme. “É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né”, disse o senador em um áudio enviado a Vorcaro.

Ainda de acordo com a PF, uma troca de mensagens entre Thiago Miranda e Vorcaro indica uma outra reunião presencial entre o candidato do PL e o banqueiro. Miranda disse a Vorcaro no dia 15 de setembro de 2025 que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para falar sobre o filme e Vorcaro confirma que aceita participar da reunião.  Uma terceira possível reunião presencial entre Flávio e Vorcaro teria acontecido em novembro. No dia 22 de outubro, Flávio manda mensagem a Vorcaro o convidando para um jantar com a equipe do filme. Vorcaro responde que aceita o encontro e sugere que ele seja feito na sua casa. De acordo com os diálogos, os dois marcaram um jantar para o dia 6 de novembro. No dia 16 de novembro do mesmo ano, um dia antes da deflagração da Operação Compliance Zero, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez por conta do escândalo de fraude financeira, outra troca de mensagens entre o senador e o banqueiro indicou intimidade entre eles. Flávio tenta ligar para Vorcaro, que responde por mensagem: “Fala irmãozão” e diz estar na igreja.

Depois, o senador enviou duas imagens de visualização única e escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. O banqueiro responde com outra imagem de visualização única e Flávio responde de volta “Amém”.

O relatório da PF também indica a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, na articulação para captar os recursos. Uma das hipóteses trabalhadas pela PF como linha de investigação é a possibilidade de os recursos terem servido para financiar Eduardo nos Estados Unidos. Tanto Flávio quanto Eduardo tem negado qualquer irregularidade nos pedidos de financiamento do filme. O ex-deputado saiu do Brasil em fevereiro do ano passado, alegando sofrer perseguição política. 

Relatório de Inteligência Financeira aponta que, em 2025, dois fundos movimentaram os recursos que seriam para o filme. “Os dados presentes no arquivo do RIF mostram que houve, em 2025, pelo menos 7 remessas de valores da ENTRE INVESTIMENTOS, que somaram US$ 12.333.335,00 (doze milhões trezentos e trinta e três mil trezentos e trinta e cinco dólares), para o HAVENGATE DEVELOPMENT FUND LP, nos Estados Unidos. No dia 18 de março de 2025, Thiago Miranda enviou para Vorcaro uma captura de tela de conversa com Eduardo Bolsonaro, em que o ex-deputado fala sobre as movimentações dos fundos

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”.

https://oglobo.globo.com 

Quebra de sigilo expõe Flávio Bolsonaro investigado; entenda.

 
Por Valor — São Paulo e Brasília 

Documentos da Polícia Federal (PF) tornados públicos após a retirada do sigilo de parte das investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, era "interlocutor direto" do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na negociação dos repasses para o filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PF, Flávio negociava o dinheiro, enquanto o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, atuava como gestor dos recursos nos Estados Unidos. A negociação com Daniel Vorcaro seria de ao menos US$ 24 milhões - cerca de R$ 122 milhões -, dizem os investigadores. Os pagamentos, feitos de forma parcelada, eram enviados para o fundo Havengate, sediado no Texas (EUA) e administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo. O ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, determinou a abertura de inquérito para investigar a atuação de Flávio no financiamento de "Dark Horse". A investigação foi aberta em julho, após um pedido da Polícia Federal. A PF suspeita de crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa. 

Na representação que foi enviada pela PF ao STF consta que Flávio fez cobranças de pagamentos para a produção do filme "Dark Horse" e reuniões presenciais com Vorcaro. Diz ainda que o áudio em que cobra valores e chama o dono do Banco Master de "irmão" foi enviado na véspera da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025."Tais elementos indicam que o Senador FLÁVIO NANTES BOLSONARO não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de DANIEL VORCARO em tratativas relacionadas ao financiamento da produção", diz o documento. O sigilo foi levantado pelo relator na sexta-feira (12), a pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin. O relatório da PF remonta a dezembro de 2024 o início das tratativas com Vorcaro, quando o publicitário Thiago Miranda o contatou para agendar uma reunião com Flávio Bolsonaro e o deputado Mario Frias (PL-RJ), que assumiu a função de produtor-executivo de "Dark Horse".

Segundo a PF, a partir daquele momento, observou-se uma sequência de interações voltadas à viabilização e ao acompanhamento dos pagamentos. Em janeiro de 2025, Vorcaro registrou em uma mensagem que o pagamento para o filme era "o mais importante disparado". Os investigadores salientaram que na véspera da prisão do ex-banqueiro, em 16 de novembro de 2025, Flávio enviou uma mensagem de áudio chamando o interlocutor de "irmão", e registrando que estaria com ele "sempre". No dia seguinte, Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, tentando embarcar para Dubai.

Fundo inativo.
Segundo a PF, o fundo Havengate - que recebeu os valores de Vorcaro - foi sido criado originalmente para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões em 2020, mas não tem nenhuma propriedade em seu nome até hoje. Além disso, estava inativo por quatro anos até receber os valores de Vorcaro."A Calixsan Capital Management LLC — gestora do fundo, controlada pelos mesmos PAULO CALIXTO e ALTIERIS SANTANA — cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas (maio de 2021) e na Flórida (setembro de 2021), justamente quando o empreendimento deveria, segundo seu próprio cronograma, estar em plenas obras", diz a representação. E acrescenta: "O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme".

A Entre Investimentos, citada pela PF, pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele fechou um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e esse acordo foi homologado pelo ministro André Mendonça nessa semana. Segundo a PF, "a reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos".

Documentos da PF contradizem versão de Flávio.
Os documentos da PF contradizem a versão dada por Flávio Bolsonaro em maio, quando as negociações com Vorcaro foram reveladas pelo site Intercept Brasil. Na época, em entrevista à GloboNews, o senador disse que o Havengate havia sido criado para a realização do filme "Dark Horse". “É importante falar que esse fundo é fiscalizado pela SEC, que é a tipo a CVM [Comissão de Valores Imobiliários] dos Estados Unidos. É um órgão sério, é um órgão que faz a auditoria. O fundo presta contas para esse órgão de fiscalização do governo americano", disse na entrevista de maio.

Questionado, agora, sobre a investigação,Flávio disse que apoia o inquérito. "Eu peço ao ministro André Mendonça [relator do caso Master]: abra os sigilos, tira o sigilo de tudo, mostra tudo pro povo”, disse o senador em entrevista em Manaus (AM), onde cumpriu agenda de campanha nessa sexta-feira. Flávio tem negado irregularidades no financiamento do filme, argumentando que os recursos teriam origem privada, embora o Banco Master tenha recebido aportes de fundos de previdência de servidores públicos.

https://valor.globo.com 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Decisão de Mendonça que afasta chefe da PF determina que Corregedoria da corporação investigue atuação de Andrei Rodrigues.


Segundo Mendonça, o afastamento do diretor-geral é uma medida necessária para que a Corte, o AGU Jorge Messias e os servidores da PF 'exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais'.


Por Mariana Muniz e Sarah Teófilo — Brasília 

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal determina que a Corregedoria da corporação apure a conduta do diretor-geral. A decisão foi antecipada pela colunista do GLOBO Malu Gaspar. "À Polícia Federal, por meio da sua Corregedoria, que promova a abertura de procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar voltados à apuração dos graves fatos identificados, devendo submeter a este relator as medidas que considerar necessárias no curso das apurações", diz a decisão. De acordo com Mendonça, o afastamento de Andrei Rodrigues é uma medida necessária para que os integrantes da Corte, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e os servidores da Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”. O ministro do STF também determinou o afastamento do delegado Leandro Almada do cargo de diretor de inteligência policial da Polícia Federal.

Entenda crise no STF.
A crise no STF escalou na última quinta-feira com um pedido apresentado por Alexandre de Moraes para que Mendonça seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos sob sua relatoria, em especial o relativo ao escândalo do Master. O despacho surgiu dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, ao próprio Moraes. Ao demandar a PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados.

Diante do conflito, Fachin disse sexta-feira em evento no Palácio do Planalto que a resposta será “firme e rigorosa”, mas sem “precipitação”. Ele afirmou que a “gravidade” dos fatos não “autoriza atalhos”. — As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito — afirmou o presidente do STF.

Fachin abriu prazo para que Moraes e Mendonça se manifestem. Também vão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens de Vorcaro.

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Posts usam fechamento de fábricas no exterior para enganar sobre o Brasil.


Isabela Aleixo
Do UOL, no Rio.

Uma série de publicações que circulam nas redes sociais usam títulos enganosos com informações incompletas para sugerir que multinacionais estão fechando fábricas no Brasil, quando na verdade, as medidas foram adotadas em outros países. Por trás da desinformação, há a intenção de transmitir uma sensação de que empresas estão falindo e deixando o país de forma massiva devido a uma crise generalizada na economia provocada pelo governo Lula (PT).

O que está circulando
Postagens dão a entender que casos ocorreram no Brasil, mas isso é falso. Os posts citam, por exemplo, a Nestlé, que fechou fábricas na Hungria e na Alemanha. Também circula o fechamento de lojas da Domino's, que aconteceu na Austrália e na Nova Zelândia. No caso Electrolux, houve encerramento das atividades de unidades na Hungria e no Chile e um plano de reestruturação na Itália. Há também desinformação sobre a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, e a Volkswagen. Outras postagens enganam sobre uma suposta transferência da produção da marca brasileira Lupo para o Paraguai: a Lupo inaugurou uma fábrica no país vizinho, mas não deixou o Brasil.

Lista mistura casos reais com desinformação. Ela circula nas redes misturando notícias reais, como a crise das Casas Bahia e de setores do varejo, com conteúdo enganoso para criar a sensação de crise generalizada na economia. O UOL Confere recebeu o pedido de checagem dessa lista no WhatsApp. Ela também foi divulgada pelo deputado federal e candidato ao Senado Gustavo Gayer (PL-GO) e por Pablo Marçal (PRTB) nas redes e em entrevista. Há caso de fechamento após acordo com o MP. Analisados individualmente, os itens da lista mostram particularidades de diferentes setores da economia, como bancos, varejo e até de montadoras alemãs. Também há situações sem relação com o cenário econômico nacional ou internacional, como o fechamento da fábrica da Isover Saint-Gobain em São Paulo por acordo firmado entre a empresa e o Ministério Público após reclamação de moradores pelos impactos causados (aqui e aqui).

O que é verdade sobre a crise do varejo e multinacionais.
A crise do varejo é global e influenciada por mudança de paradigmas tecnológicos, juros altos e comportamento do consumidor. De acordo com o coordenador dos núcleos de varejo da ESPM, Ricardo Pastore, o setor passa por uma reestruturação dos canais de venda. "Isso acontece no mundo inteiro. As empresas deveriam ter antevisto tudo isso, não faltaram sinais. Poderiam ter feito essa transição de forma mais natural, porém a realidade é outra", analisa. O especialista esclarece que o varejo é uma atividade econômica crítica, porque atua com grande volume de dinheiro e margens muito apertadas. "É um exercício de fluxo financeiro difícil de fazer, porque você compra produto contando com a venda. Se você erra a previsão, o produto fica parado e a conta chega", afirma. Isso pode levar a pedidos de empréstimos a bancos e ao endividamento com credores. Esse movimento se intensifica com a alta da taxa de juros: atualmente a Selic está em 14% ao ano.

Como o UOL Confere verificou, o país atingiu recorde de pedidos de recuperação judicial no ano passado, mas isso não significa falência de empresas. Pelo contrário, no mesmo período, o número de falências foi o mais baixo desde 2012. Ricardo Pastore explica que o pedido de recuperação judicial evita desempregos e efeito cascata. "Porque se um grande varejista deixa de pagar fornecedores, alguns podem quebrar junto com ele", diz. Multinacionais encerram fábricas em outros países, enquanto mantêm atividades no Brasil. Já para as multinacionais, o Brasil representa um mercado gigante e lucrativo na avaliação do especialista. "A vantagem das multinacionais é que, enquanto um mercado está ruim, outro está bom. Isso acaba minimizando o impacto de crises localizadas. E o Brasil, apesar de tudo, tem certa estabilidade", afirma.

Táticas de desinformação utilizadas.
Desinformação usa núcleo de verdade para enganar. De acordo com Sérgio Lüdtke, editor-chefe do Projeto Comprova e secretário-executivo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), esse tipo de desinformação se baseia em distorcer um cenário que faz parte do cotidiano de muita gente. "As pessoas já ouviram falar de empresas fechando, sabem que há um endividamento tanto de pessoas quanto de empresas bastante forte, e no ambiente digital, onde a atenção é precária e há um ponto de vista estabelecido sobre essas coisas, qualquer manipulação que se faça a partir de uma verdade é mais facilmente absorvida", explica. Descontextualização, apelo à emoção e verossimilhança são algumas das táticas usadas pelos desinformadores. As publicações enganosas destacam o encerramento de postos de trabalho (veja aqui, aqui e aqui) como uma estratégia para causar uma reação sentimental no leitor. "Também tem exagero ou alarmismo ao distorcer um fato real e ampliar o impacto para gerar algum tipo de pânico ou ansiedade", avalia Lüdtke… 

Mentiras são repetidas até que se tornem verdades. Nas redes sociais, a repetição e a exposição constante ao conteúdo podem familiarizar o usuário até que ele tome aquilo como verdade."Na medida em que há várias contas reproduzindo o mesmo conteúdo, essa repetição ajuda a consolidar uma ideia", explica…

https://noticias.uol.com.br 

sábado, 5 de setembro de 2026

PF vê possível estratégia de Mendonça para anistia de condenados por golpe.


Documento da corporação revelado por Moraes liga 
articulação do ministro à recomposição de forças no STF.

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília

A Polícia Federal levanta a hipótese de que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), buscaria alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado. A avaliação aparece em relatórios de inteligência da PF tornados públicos por Moraes na quinta-feira (3). O ministro enviou o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao apontar indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça. Em um dos documentos, os analistas avaliam uma possível "estratégia de recomposição de forças no Tribunal". A hipótese é de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência dentro do STF e alterar o equilíbrio entre grupos de ministros.

O relatório associa essa hipótese, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo e a movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A PF afirma que uma mudança na composição ou no equilíbrio interno da Corte poderia aumentar as chances de uma anistia relacionada aos crimes de 8 de Janeiro. A CNN já havia revelado que o relatório menciona uma possível estratégia de Mendonça para ampliar seu poder no tribunal.

Em uma tabela que organiza as hipóteses analisadas, a PF registra como uma das proposições que "a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro". Até 12 de agosto de 2025, o STF já havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou Mendonça ao Supremo.

Documento "sem valor probatório"
A própria Polícia Federal, porém, atribui baixo grau de confiança a essa conclusão. Segundo a corporação, os relatórios usados por Moraes são "documentos de trabalho" e "sem valor probatório", que reúnem análises de cenário e diferentes graus de confiança, sem apresentar conclusões criminais definitivas. Moraes, por outro lado, usou o conjunto dos relatórios para afirmar que há "fortes indícios" de irregularidades praticadas por Mendonça na condução das operações Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master. Entre as acusações apresentadas por Moraes estão interferência na condução das investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos, inclusive ele próprio. O episódio integra a crise aberta no Supremo nesta semana após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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Atlas/Focus: Lula tem 51,6% no 1º turno no CE; Flávio, 25,7%.

 
Foram entrevistados 1.834 eleitores do Ceará, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro; margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Da CNN Brasil

Divulgada na sexta-feira (4), a pesquisa AtlasIntel/Focus aponta o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51,6% das intenções de voto no Ceará para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Em segundo lugar, aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 25,7%. Na sequência da simulação estimulada, o escritor Augusto Cury (Avante) marca 12,3%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3,2%. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) registra 1,6%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tem 0,7%. Ainda na parte inferior da tabela, Hertz Dias (PSTU) alcança 0,1%. Os candidatos Clariana Barão (DC), Samara Martins (UP) e o veterinário Wilson Grassi (Democrata) não pontuaram no levantamento. Votos em branco ou nulos somam 1,0%, e os eleitores que não sabem representam 3,7%.

O instituto também simulou quatro cenários de um eventual segundo turno. Na principal simulação estimulada, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente, com 54,6% das intenções de voto, contra 30,1% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os eleitores que indicam voto em branco, nulo ou que não sabem responder somam 15,3%. O instituto também testou o atual presidente contra outros possíveis adversários. Em um cenário com o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), Lula pontua com 54,3% das intenções de voto, enquanto o político goiano chega a 29,7%. Os eleitores que votariam em branco, nulo ou que se dizem indecisos somam 16%.

Na simulação contra o também ex-governador Zema (Novo), o petista alcança 54,8% no Ceará, contra 27,5% do adversário mineiro. Aqueles que não escolheram nenhum dos candidatos representam 17,6% do eleitorado cearense. Já em um cenário envolvendo Renan Santos (Missão), o atual presidente vai a 54,5%, enquanto o adversário marca 24,8%. O índice de votos em branco, nulo ou de eleitores que não sabem responder atinge 20,7% nesta última simulação de segundo turno.

Metodologia
A pesquisa AtlasIntel entrevistou 1.834 eleitores do Ceará, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07411/2026.

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Gonet pede a Fachin aval para investigar Mendonça por suspeita de interferência na PF em relatório sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro.

 
Procurador-geral apura 'possível ocorrência de ordem ou interferência externa'.

Por Mariana Muniz — Brasília 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu uma investigação para apurar se houve interferência na Polícia Federal na elaboração de um relatório que detalhou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, para apurar a possível participação do ministro André Mendonça no caso. "Notifique-se a autoridade policial para esclarecer as circunstâncias em torno da confecção da IPJ-A n. 3298613/2026, notadamente quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo", escreveu Gonet no despacho que abre a apuração.

O relatório citado foi determinado por Mendonça para esclarecer quem seriam interlocutores de Vorcaro nas mensagens. Em resposta, a PF apresentou um documento de 218 páginas que apresenta uma série de mensagens do banqueiro a Moraes e conversas que mencionam outras autoridades, como o próprio Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gonet alega que a PGR não foi consultada sobre a confecção do documento e que, por isso, foi impedida de "realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação".

Em ofício direcionado a Fachin, o procurador-geral informou que abriu a apuração sobre a possível interferência e citou o artigo da lei que exige a autorização da Corte para investigações que envolvam magistrados. 

Relatório cita Gonet.
O mesmo relatório da PF que traz mensagens de Vorcaro a Moraes menciona Gonet. Em 15 de março de 2025, o advogado Ciro Rocha Soares enviou a Vorcaro uma foto em que aparece ao lado de Gonet. Na sequência, escreveu: “Liga aqui” e, depois, “Ele quer falar com você”. Poucos minutos mais tarde, segundo o relatório, foram registradas quatro chamadas de voz entre Vorcaro e Ciro, a última delas com duração de 3 minutos e 49 segundos. Em 28 de março, Ciro voltou a encaminhar a Vorcaro mensagens atribuídas a Gonet. “Já estou com saudades de você!”, dizia uma das mensagens. Vorcaro agradeceu. Na sequência, Ciro afirmou que o procurador-geral “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo. Em seguida, encaminha a mensagem em que o procurador diz: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macalan”. No dia seguinte, o advogado perguntou ao banqueiro se o filho de Gonet poderia acompanhá-los na viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.

Entenda a crise.
Na sequência da divulgação do documento, a crise ganhou novo capítulo com um pedido apresentado por Moraes para que Mendonça seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos relatados por ele, em especial o relativo ao escândalo do Master. Diante da turbulência interna que amplia as pressões sobre si, o presidente da Corte, Edson Fachin, abriu um procedimento para tratar do caso. Moraes enviou a Fachin relatórios de inteligência da PF apontando supostas irregularidades na atuação de Mendonça, como o direcionamento de investigações com fins políticos e irregularidades na condução de delações. 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

PF produziu relatório paralelo sobre atuação de Mendonça no caso Master.


PODER360

A Polícia Federal, que é comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, produziu relatórios de inteligência para analisar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, em investigações sob sua relatoria. O material, com 50 páginas, foi elaborado paralelamente às apurações conduzidas pelo ministro e posteriormente enviado ao também ministro Alexandre de Moraes. Os documentos fazem uma análise crítica de decisões e da atuação de Mendonça principalmente na operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios previdenciários do INSS, e Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Os agentes analisam desde o padrão probatório adotado pelo ministro e o tempo levado para decidir sobre medidas requeridas pela PF, até sua relação com outros integrantes do Supremo e atores políticos. O material também levanta hipóteses sobre possíveis motivações para determinadas condutas. A produção dos documentos antecedeu a decisão de 3ª feira (1º.set.2026) em que Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Master que mostravam uma relação entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Moraes. Depois da decisão, Moraes afirmou ter tomado conhecimento da existência do relatório de inteligência e determinou que a PF encaminhasse o material ao seu gabinete, por meio do inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O documento é em papel sem o timbre da PF e apócrifo. Não é assinado nem informa a data exata em que o relatório foi enviado a Moraes.

Na 5ª feira (3.set.), Moraes usou as informações dos relatórios para sustentar uma decisão em que afirmou haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que adotasse providências. Fachin abriu um novo procedimento e deu 5 dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestem informações. Os relatórios da PF ressaltam, porém, sua própria limitação. São documentos de inteligência produzidos para subsidiar decisões em ambiente de informação incompleta. Não são peças de instrução processual nem têm valor probatório. As análises trabalham com hipóteses, atribuem graus de confiança às avaliações e registram quando não há elementos suficientes para chegar a uma conclusão.

O Poder360 pediu uma manifestação ao gabinete do ministro André Mendonça diante da decisão de Moraes desta 5ª feira (3.set.2026). Até o momento não houve resposta. Esta reportagem será atualizada caso uma manifestação seja recebida.

ALCOLUMBRE COMO “ALVO ESTRATÉGICO”.
Uma das avaliações de caráter político feitas pelos analistas envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O relatório afirma que Alcolumbre constitui um “provável alvo estratégico”, considerando sua força política, o favoritismo para permanecer na presidência do Senado e o consequente controle da pauta da Casa, especialmente sobre o processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Os agentes levantam ainda a hipótese de que Mendonça poderia enxergar no presidente do União Brasil, Antonio Rueda, uma “rota de acesso” a Alcolumbre. O documento relaciona a hipótese à resistência de Alcolumbre à indicação de Mendonça ao STF durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o relatório, o senador representou um “grande empecilho” à indicação. Nesse ponto, porém, o documento trabalha explicitamente com uma hipótese de inteligência. Não afirma ter comprovado que Mendonça tenha usado uma investigação sobre Rueda para atingir Alcolumbre.

MORAES E TOFFOLI.
Outro ponto analisado é a forma como Mendonça reagiu a informações relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Segundo o relatório, em relação a Moraes, o discurso do relator indica interesse no início de uma investigação formal quando surgiram informações relacionadas ao ministro. No caso de Toffoli, os analistas identificaram uma postura diferente. O documento registra “contemporização da parte do relator, apesar dos graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF”. A análise faz uma ressalva: a diferença seria verificável documentalmente, mas sua causa não estaria demonstrada. O relatório, portanto, não conclui que Mendonça tenha favorecido Toffoli ou perseguido Moraes.

PRAZOS DE 9 A 75 DIAS.
Os agentes da PF também compararam o tempo que Mendonça levou para apreciar medidas envolvendo diferentes políticos. Em uma seção intitulada “Assimetria nos prazos de apreciação”, o relatório lista casos envolvendo Jaques Wagner (PT-BA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Cláudio Castro (PL-RJ), além de uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió. Uma medida relacionada a Wagner foi apresentada em 8 de junho de 2026 e decidida em 17 de junho, 9 dias depois. No caso de Ciro, foram 29 dias, de 7 de abril a 6 de maio. Uma medida envolvendo Castro levou 75 dias, de 11 de março a 25 de maio. Outra, que tinha parecer favorável da PGR (Procuradoria Geral da República), levou 46 dias, de 30 de maio a 15 de julho.

Já uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió, apresentada em 9 de junho, permanecia pendente em 1º de agosto, mais de 53 dias depois. A PF avalia no relatório que “a dispersão é expressiva” e diz que os dados sugerem uma possível correlação entre o tempo de apreciação e o perfil do investigado. Ressalva, contudo, que a amostra é pequena e não controlada e que diferenças de complexidade, intervalos atribuíveis à PGR e outros fatores podem afetar os prazos.

Andrei, Gonet e Gilmar Mendes.
Os documentos também analisam decisões de Mendonça que atingiram o funcionamento interno da Polícia Federal. Um dos capítulos trata de “interferência na organização interna e na gestão de pessoal”. A análise considera determinações relacionadas à composição das equipes responsáveis pelas investigações, ao fluxo de informações entre investigadores e a direção da corporação e ao tratamento e envio de dados obtidos nas apurações. O relatório também registra atritos entre Mendonça e integrantes da cúpula da PF. Segundo o documento, Mendonça teria afirmado em reuniões que Andrei mantinha “proximidade inadequada” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na última reunião presencial mencionada pelos analistas, o ministro teria dito dispor de um procedimento em que se avaliava um eventual afastamento do diretor-geral da PF. O mesmo trecho analisa a relação de Mendonça com Gonet. Segundo o relatório, a proximidade do procurador-geral com o ministro Gilmar Mendes o tornaria “indigno de confiança” na avaliação atribuída a Mendonça. O documento registra ainda que o ministro teria indicado que poderia arrolar Gonet como testemunha em processos derivados das operações.
 
COMPARAÇÃO ENTRE INVESTIGAÇÕES.
Parte dos relatórios procura identificar se Mendonça manteve padrões semelhantes ao analisar casos diferentes. Um dos documentos compara procedimentos adotados na operação Sem Desconto e na investigação do Banco Master. A análise identifica uma “variação relevante no patamar de exigência probatória aplicado” em situações examinadas pelos analistas. O relatório compara a robustez das informações disponíveis, as providências autorizadas e os requisitos considerados necessários para o avanço das apurações. Novamente, os agentes não afirmam ter identificado a razão das diferenças. O objetivo declarado é identificar padrões e avaliar hipóteses, sem atribuir de forma conclusiva uma motivação ao ministro.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS.
O inquérito das fake news (inquérito 4.781) foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 por determinação direta do então presidente da Corte, Dias Toffoli. Ele nomeou de ofício como relator o ministro Alexandre de Moraes. Os 2 ministros foram colegas de turma no curso de direito na Universidade de São Paulo. A medida de Toffoli foi um ato incomum. Investigações são uma atribuição de policiais e integrantes do Ministério Público. Quando há um novo processo no Supremo, o relator é sorteado de forma aleatória por um sistema eletrônico. Outra peculiaridade é que o inquérito continua aberto até hoje e em sigilo. Também não tem prazo para ser encerrado. O ministro decano (mais antigo) do STF, Gilmar Mendes, declarou em abril de 2026, de forma explícita, que o inquérito das fake news é um instrumento que a Corte usa quando entende ser necessário se defender de críticas: “Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O Tribunal vem sendo vilipendiado. […] Foi um momento importante abrir o inquérito e mantê-lo até as eleições”.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Os números da nova pesquisa Quaest para a presidência em primeiro turno.


Equipe CartaCapital

Lula lidera, Flávio Bolsonaro é 2º e Augusto Cury cresce: a nova pesquisa Quaest para 
o 1º turno. O levantamento testou duas simulações: com e sem o nome de Pablo Marçal.

A nova pesquisa Quaest para a presidência da República mostra o atual ocupante do cargo, Lula (PT) na liderança das intenções de voto, mais uma vez tendo Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário. O instituto testou dois cenários de primeiro turno: com e sem Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível mas tenta concorrer. Quando seu nome aparece, ele soma apenas um ponto percentual. O levantamento foi mais um a registrar alta nas intenções de voto de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado. O escritor tinha 2% no último levantamento do mesmo instituto, publicado em 14 de agosto, e agora saltou para 10% (nas duas simulações). 

Entretanto, as pesquisas publicadas agora e o levantamento de agosto não são diretamente comparáveis, já que Marçal não tinha sido lançado candidato àquela altura e o PRTB tinha Leonardo Avalanche como seu indicado.

Veja os percentuais: Primeiro turno – Cenário 1

    Lula (PT) – 37%
    Flávio Bolsonaro (PL) – 29%
    Augusto Cury (Avante) – 10%
    Renan Santos (Missão) – 3%
    Ronaldo Caiado (PSD) – 1%
    Romeu Zema (Novo) – 1%
    Samara Martins (UP) – 1%
    Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou
    Veterinário Wilson Grassi (Democrata) – não pontuou
    Clariana Barão (DC) – não pontuou
    Edmilson Costa (PCB) – não pontuou
    Hertz Dias (PSTU) – não pontuou
    Indecisos – 11%
    Branco/nulo/não vai votar – 7%

Primeiro turno – Cenário 2

    Lula (PT) – 37%
    Flávio Bolsonaro (PL) – 30%
    Augusto Cury (Avante) – 10%
    Renan Santos (Missão) – 3%
    Ronaldo Caiado (PSD) – 1%
    Romeu Zema (Novo) – 1%
    Samara Martins (UP) – não pontuou
    Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou
    Veterinário Wilson Grassi (Democrata) – não pontuou
    Clariana Barão (DC) – não pontuou
    Edmilson Costa (PCB) – não pontuou
    Hertz Dias (PSTU) – não pontuou
    Indecisos – 10%
    Branco/nulo/não vai votar – 7%

Foram realizadas 2.004 entrevistas entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais (para mais ou para menos). O código de registro no TSE é BR-07065/2026.

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