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segunda-feira, 2 de março de 2026

Análise: Mendonça vira o jogo e Master assombra Brasília em ano eleitoral.


CPIs investem em explorar elo entre 
políticos e sistema financeiro corrompido.

Tainá Falcão

Ao assumir o caso Master, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça entrou ciente de que a forma como conduzirá a investigação trará riscos à sua biografia. A pessoas próximas, não à toa, Mendonça indicou que fará o necessário para preservá-la. O caso arrastou Brasília para um caldeirão de suspeitas que, ironicamente, começou a vazar dos gabinetes do Supremo, com implicações sobre Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mas que, rapidamente, atravessaram a Praça dos Três Poderes.“Tenho amigos em todos os Poderes”, disse o banqueiro Daniel Vorcaro expondo, sem cerimônia, a intimidade que mantém com políticos e ministros influentes. Caberá a Mendonça investigar se esses amigos serviram para manter o Master em ascensão, mesmo diante de irregularidades.

Como um de seus primeiros atos à frente do caso, Mendonça liberou para análise mais de cem celulares que podem ajudar a Polícia Federal a entender melhor quem integrava a rede de apoio de Vorcaro, como e se ele a utilizava para projetar seus negócios. Ainda sem provas conclusivas sobre essa parceria do banqueiro com a política, mas sob indícios curiosos, em ano eleitoral, há quem se sinta apto a meter o dedo na ferida sem sangrar a si próprio. Neste momento, CPIs sobre diversos assuntos se viram sobre o Master. A CPI do Crime Organizado pediu a convocação de ministros do Supremo e familiares; a CPMI do INSS espera acesso às informações antes restritas à presidência do Senado; e a CAE costura acordos para dar a Vorcaro a oportunidade de dizer, afinal, se ainda pode contar com os velhos amigos.

Com a entrada de Mendonça, o caso saiu do controle de quem buscava encobri-lo e começa a apontar para um cenário em que cada um buscará encobrir a si mesmo. Com todos no mesmo barco, morrer abraçado não parece uma opção. A depender do que virá, o maior escândalo financeiro do Brasil, fará de Brasília um salve-se quem puder.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Escala 6x1: deputado questiona 'qual lazer do pobre no sertão?'.

 
Bianca Mota

Deputado diz que fim da escala 6x1 pode gerar ócio: 
"Qual o lazer do pobre no sertão do Nordeste?"

Deputado afirma que redução da jornada pode afetar competitividade das empresas e defende discussão em outro momento; ele disse ter alertado o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o tema. Marcos Pereira demonstrou contrariedade ao tema e declarou Não ser o momento para o debate. O parlamentar disse que "ócio demais faz mal" e declarou que a medida pode expor a população ao uso de drogas ou vícios.

Ele questionou: "Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?” O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que está preocupado com a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 e defendeu cautela na tramitação do tema no Congresso Nacional, especialmente em ano eleitoral. O parlamentar relatou ter levado ressalvas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o avanço da proposta na Casa. Segundo ele, o momento político torna a discussão mais sensível. “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira, 25.

De acordo com Pereira, Motta explicou que decidiu encaminhar o debate para evitar que o governo federal assumisse protagonismo sobre o assunto por meio de um projeto próprio. 'Estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo', teria dito o presidente da Câmara, segundo o dirigente do Republicanos.

Impacto econômico e competitividade.
Marcos avalia que a redução da jornada pode gerar aumento de custos para empresas e prejudicar a competitividade da economia brasileira. Ele argumenta que estudos do setor produtivo apontam possíveis impactos negativos sobre a atividade econômica. Na avaliação do parlamentar, a discussão precisa considerar diferenças estruturais entre o Brasil e países que já adotaram jornadas reduzidas, especialmente em relação à renda média e à produtividade. Para Pereira, o trabalho permanece como elemento central para o desenvolvimento econômico.“Acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”, declarou.

Lazer e realidade social.
O deputado também questionou se a ampliação do tempo livre resultaria, necessariamente, em melhoria das condições de vida da população mais pobre. Segundo ele, a falta de renda limita o acesso a atividades de lazer.“O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, afirmou. Apesar das críticas, Pereira reconheceu que o lazer possui importância para a saúde mental, mas ponderou que o debate deve levar em conta a realidade econômica brasileira.

Eleição.
Além da pauta trabalhista, o presidente do Republicanos projetou crescimento da bancada do partido nas eleições de 2026 e comentou o cenário da direita nacional. Ele avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço político após a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da disputa, mas criticou a falta de articulação com outras legendas.“Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação”, disse, ao comentar decisões tomadas sem diálogo entre partidos aliados. O dirigente afirmou ainda que o apoio da sigla será discutido internamente e apenas após o período da janela partidária.

Posições econômicas e institucionais.
Durante a entrevista, Pereira reiterou posições liberais na economia e voltou a defender privatizações amplas, com exceção de empresas consideradas estratégicas. Ele também demonstrou preocupação com vazamentos de investigações, afirmando que o sistema exige cautela para evitar distorções.

Ao comentar acusações envolvendo tentativa de golpe de Estado atribuídas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado evitou emitir opinião definitiva. “Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei”, declarou. Segundo Pereira, a PEC sobre a jornada 6x1 ainda deverá enfrentar amplo debate político e econômico antes de qualquer deliberação definitiva no Congresso Nacional.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Master: Medidas de Mendonça afastam homens de confiança de Toffoli da investigação.

 
Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Brasília 

A decisão do ministro André Mendonça de fortalecer a atuação dos técnicos da Polícia Federal, ao assumir a relatoria do caso do Banco Master no Supremo, abriu caminho para a PF retirar da órbita da apuração dois homens de confiança que Dias Toffoli havia colocado para atuar no inquérito. Escolhidos a dedo pelo antigo relator, o perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti, que foi designado formalmente por Toffoli para verificar o conteúdo de celular de Vorcaro, e o delegado Rafael Dantas, que ficava nos bastidores orientando e produzindo material para o ministro, agora estão fora do caso. Dantas foi excluído automaticamente quando Toffoli renunciou à relatoria, enquanto o perito perdeu a senha de acesso aos materiais da investigação depois que Mendonça liberou a PF para distribuir os 100 dispositivos eletrônicos apreendidos nas duas fases da Operação Compliance Zero para peritos escolhidos pela própria corporação. Logo após a publicação do despacho, todas as senhas de acesso foram canceladas, e as novas foram distribuídas apenas aos técnicos designados pela direção da corporação.

Em uma das decisões mais controversas que tomou à frente das investigações, Toffoli determinou no mês passado que todo o material apreendido pelos policiais federais fosse lacrado e armazenado no STF. Depois, determinou que o material fosse enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR). E numa medida atípica, escolheu a dedo os quatro peritos da PF que poderiam se debruçar sobre o material, incluindo Lorenzo. De acordo com informação prestada pela PF ao ministro, como a perícia envolve um número aproximado de 100 dispositivos eletrônicos, um único técnico teria de dedicar 20 semanas ininterruptas para fazer a sua parte em um esquema de dedicação exclusiva. Mendonça autorizou que as extrações dos dados e análise do material seguissem o “fluxo ordinário de trabalho” da instituição, “com distribuição regular das demandas entre peritos habilitados, conforme critérios técnicos e administrativos”.

Já o delegado Rafael Dantas havia sido escolhido por Toffoli para apurar o vazamento das perguntas do depoimento de Vorcaro, ocorrido em 30 de dezembro do ano passado. O pedido de apuração foi apresentado pela defesa do executivo depois que este blog revelou o teor dos questionamentos elaborados pelo gabinete do ministro. Segundo a equipe da coluna apurou, essa apuração ainda não chegou a ser realizada antes de o STF decidir pela redistribuição do caso Master para outro relator, há duas semanas. O mesmo delegado já havia sido escolhido por Toffoli para conduzir outro caso polêmico – as investigações em torno da atuação do ex-juiz federal e hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR) à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba. Em dezembro do ano passado, Toffoli determinou uma operação de busca e apreensão na antiga vara da Lava-Jato. A investigação gira em torno de acusações do ex-deputado estadual Tony Garcia contra Moro. Garcia afirma que foi coagido por Moro a gravar interlocutores de forma ilegal em 2004 no âmbito do caso Banestado, o que o ex-juiz nega.

Queixas em coro.
Apesar de reforçar a área técnica, a decisão de Mendonça também tirou poder do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao determinar expressamente que agentes e delegados não compartilhassem detalhes sigilosos do inquérito com “superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”. O diretor da PF se tornou alvo preferencial das críticas dos ministros do Supremo ao entregar ao presidente do tribunal, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição – como por exemplo o pagamento de R$ 35.000.000,00 do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.

O relatório levou Toffoli a renunciar à relatoria do caso Master, após uma reunião secreta em que os outros ministros o pressionaram a sair. Ainda assim, no relato sobre a reunião publicado pelo site Poder 360, Mendonça foi um dos mais críticos à postura do diretor-geral da PF de entregar um relatório sobre as conexões de Toffoli com Vorcaro.

Embates.
A relação de Toffoli com a PF na supervisão das investigações do caso Banco Master foi marcada por tensões e embates públicos, a ponto de o ministro acusar a corporação de “inércia” e “falta de empenho” na execução da segunda fase da operação. Os investigadores, no entanto, rebateram as críticas do ministro, alegando que não tinham deflagrado a operação antes porque ainda não tinham em mãos os endereços certos dos alvos da investigação. Toffoli também determinou que os depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, fossem realizados no próprio STF. O ministro chegou a convocar uma acareação, antes mesmo que fossem colhidos depoimentos para confrontar versões. Depois, seu gabinete determinou que os depoimentos fossem realizados antes da acareação, ainda que não houvesse nenhuma decisão nesse sentido. 

https://oglobo.globo.com
 

Alertas do governo já colocavam Juiz de Fora no mapa de tragédia climática — por que não deu tempo de salvar dezenas de mortos?


 Vitor Tavares
 Da BBC News Brasil em São Paulo
 
Autoridades já tinham conhecimento dos riscos muito elevados de uma tragédia devido às chuvas em Juiz de Fora (MG), inclusive em áreas onde ocorreram deslizamentos na terça-feira (24/2), mostram documentos produzidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Mesmo assim, a tragédia não foi evitada.

A cidade da Zona da Mata mineira foi atingida por um temporal desde a noite de segunda-feira (23/2), com 42 mortes confirmadas e ao menos 17 pessoas desaparecidas, até a noite desta quarta (25/2). A 100 quilômetros dali, em Ubá, foram mais seis mortes confirmadas, segundo dados do governo de Minas Gerais. Em 2023, o Cemaden produziu um levantamento para identificar os municípios brasileiros mais suscetíveis à ocorrência de deslizamentos, enxurradas e inundações. A ideia era orientar ações prioritárias do governo federal, por meio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com obras em mitigação, prevenção e preparação das cidades. Ao todo, foram identificados 1.942 municípios com pessoas vivendo em áreas de risco para problemas ocasionados pela chuva. Eram 8.900.000 pessoas vivendo nessas condições — ou 6% dos brasileiros. Entre todas as cidades, Juiz de Fora aparece como a 9ª com mais pessoas vivendo nessas áreas: cerca de 129.000. Todas as cidades acima de Juiz de Fora são capitais ou parte de regiões metropolitanas — o que coloca a cidade mineira também como a que tem situação mais crítica no interior do país.

Ubá, também atingida pelas chuvas, tinha 7.400 vivendo em regiões vulneráveis. Essas são as cidades com mais pessoas vivendo em área de risco para enchentes e deslizamentos no país:

    Salvador (BA) - 1.217.527
    São Paulo (SP) - 674.329
    Rio de Janeiro (RJ) - 444.893
    Belo Horizonte (MG) - 389.218
    Recife (PE) - 206.761
    Jaboatão dos Guararapes (PE) - 188.026
    Ribeirão das Neves (MG) - 179.314
    Serra (ES) - 132.433
    Juiz de Fora (MG) - 128.946
    São Bernardo do Campo (SP) - 127.648

São locais, segundo o Cemaden, em que há características de ocupação e urbanização propícias a desastres ambientais."Um desastre ocorre quando a chuva atinge população vulnerável, porque chuva muito volumosa em área plana, desabitada ou bem preparada para resistir não causa desastre", diz Marcelo Seluchi, coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden. Segundo o Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), entre 17:00h do dia 23 e as 5:00h do dia 24, choveu 220 milímetros na cidade. Para o mês inteiro, a média é de 170 milímetros."Você já tinha acumulado anterior do mês (589 mm) que já tinha saturado o solo. Esse ambiente já estava bastante instável. Quando vem mais 220 milímetros, aí você tem uma condição mais derradeira e o solo não suporta mais", explica a professora Cássia Ferreira, coordenadora do laboratório da UFJF. "Se a gente tivesse um processo de prevenção, esses ambientes talvez estivessem melhor monitorados. Poderia até haver (deslizamentos), mas isso poderia ser reduzido ou minimizado", diz Ferreira.

4ª cidade com mais alertas.
Juiz de Fora também está na lista do Cemaden das 10 cidades com mais alertas emitidos em 2025. A cidade mineira fica atrás apenas de Manaus (AM), São Paulo (SP) e Petrópolis (RJ). Segundo o Cemaden, os alertas mais comuns foram de inundações e, principalmente, deslizamento de terra em encostas habitadas. Os alertas do órgão federal são enviados diretamente para assessorar a Defesa Civil a tomar decisões na escala local. Outro documento do Cemaden datado de 2017 mostra o risco elevado de deslizamentos de rocha na região do Morro do Cristo, próximo ao centro de Juiz de Fora. Esse morro foi um dos que registrou deslizamentos sob casas e prédios."Observam-se ocupações muito próximas à jusante do maciço, em alta vulnerabilidade", diz o documento, apontando 15 imóveis ameaçados.

Outras 79 localidades são identificadas como áreas de alto risco.
Segundo Seluchi, do Cemaden, Juiz de Fora é tão vulnerável por ter boa parte da população vivendo em moradias inadequadas em áreas de risco, como encostas ou muito perto de rios."Quando se constrói nas encostas, a vegetação é suprimida. E a vegetação retarda o processo de deslizamento de terra, porque deixa o solo mais firme e distribui e filtra melhor a precipitação, atuando como espécie de guarda-chuva", explica. Juiz de Fora fica no vale do rio Paraibuna e está cercada por morros. Como explica professora Cássia Ferreira, ou a população mora "no fundo do vale ou está na encosta". Nas áreas centrais, diz Ferreira, a urbanização dos morros ocorreu inicialmente com alto emprego técnico e boas moradias. Mas o avanço urbano levou à ocupação com moradias com menores condições e estrutura, expandindo-se à periferia."A grande maioria desses casos que aconteceram agora ocorreu exatamente onde havia moradias de uma população com uma renda mais vulnerável e que tinha menor capacidade de estar contratando o engenheiro para que ele pudesse auxiliar nas questões estruturais", diz Ferreira.

Na avaliação de Ferreira, a Defesa Civil da cidade não consegue dar conta de tantos alertas e acaba atuando no paliativo após os deslizamentos ocorrerem, com pouca ação de prevenção. Falta, segundo a pesquisadora, estruturação de um sistema de educação ambiental, além de instalação de alarmes, sirenes e criação de rotas de fuga para direcionar pessoas que vivem nas já conhecidas regiões de risco. Seluchi, do Cemaden, também defende que a Defesa Civil dos municípios brasileiros precisa estar mais bem preparada para lidar com a quantidade de alertas emitidos diante de uma maior frequência de eventos extremos. Ele defende uma mudança jurídica para que o órgão consiga retirar pessoas de casa em áreas de risco — hoje, se um morador não quiser seguir a orientação da Defesa Civil, pode permanecer no local. Para ele, as cidades precisam estruturar um plano de redução do risco, inclusive com possibilidade de mudança de bairros de lugar, como ocorreu em São Sebastião (SP) após as chuvas de 2023. O coordenador também defende foco na fiscalização e em um plano diretor que não permita construir em áreas de risco.

Recursos do PAC.
Mesmo com tanto indicativo de perigo iminente no município mineiro, a tragédia aconteceu. A lista dos municípios em risco, encomendada pela Casa Civil do Governo Federal, serve de base para ações prioritárias nos projetos do PAC Seleções, que permite a Estados e municípios enviarem propostas para receber investimentos em obras e equipamentos prioritários. Segundo documentos disponibilizados pela Casa Civil, há quatro projetos em andamento para Juiz de Fora dentro do PAC Seleções para prevenção de desastres, sendo três de contenção de encostas. Em 2012, a cidade recebeu R$ 40.000.000,00 em recursos para encostas. Há atualmente R$ 18.000.000,00 previstos para conclusão de obras do PAC na cidade. Já em 2023, a prefeitura de Margarida Salomão (PT) conseguiu a autorização de mais R$ 21.000.000,00 para obras de encostas em três bairros. Na justificativa do pedido, a gestão disse que a "instabilidade de encostas no município representa um sério risco para a segurança de pessoas, bens materiais e infraestrutura local, podendo causar danos significativos e até mesmo perda de vidas".

Essa verba, porém, ainda não foi liberada por pendências de documentos que precisam ser enviados pela prefeitura. Agora, em dezembro de 2025, um novo projeto de Juiz de Fora para encostas foi aprovado no PAC, no valor de R$ 8.500.000,00.

A BBC News Brasil entrou em contato com a Prefeitura de Juiz de Fora e com a Casa Civil para mais detalhes a respeito das obras no município, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O governo de Minas Gerais também não se manifestou. 
 
Plano de prevenção a desastres climáticos.
Além do direcionamento de recursos do PAC para cidades vulneráveis, o Ministério do Meio Ambiente tem defendido um plano de prevenção a desastres climáticos, pelo menos desde a tragédia de São Sebastião, quando 64 morreram nas enchentes de fevereiro de 2023. A ideia ficou ainda mais em evidência após as devastadoras enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. Em entrevista à BBC News Brasil em 2024, a ministra Marina Silva disse que o governo "decidiu que ia começar um processo de pensar um plano para sair da lógica da gestão do desastre para a gestão do risco e nos anteciparmos o máximo que pudéssemos para preparar os municípios". Marina também falava da necessidade de se ter um regime jurídico da emergência climática para os municípios mais suscetíveis aos  desastres naturais, como Juiz de Fora, o nono com mais gente em risco.

A BBC News Brasil questionou o Ministério do Meio Ambiente, mas não obteve resposta sobre o andamento do plano de prevenção a desastres climáticos. Para Marcelo Seluchi, coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, a realidade do Brasil hoje ainda é de esperar que "toda estação chuvosa aconteça algum fenômeno parecido [com o de Juiz de Fora]", especialmente no Sudeste e litoral do Nordeste."Não temos terremoto, vulcão, mas pelo tipo de chuva tropical que recebemos na estação chuvosa, a topografia complexa e as áreas de risco, esse é o principal problema do Brasil", diz Seluchi.

Na visão da professora Cássia Ferreira, da UFJF, também falta continuidade nas políticas públicas no Brasil quando se muda o governo."Isso é um processo que tem que ser contínuo, né? Estamos sempre correndo atrás desse prejuízo e não antecipando o prejuízo", diz. As projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas apontam que o Sudeste deverá ter chuvas mais concentradas e mais intensas nos próximos anos. Portanto, com mais ocorrência desses fenômenos extremos. A última chuva desse porte em Juiz de Fora foi em janeiro de 1985, quando choveu quase 600 milímetros em 20 dias, segundo monitoramento da UFJF. Demorou 41 anos para a cidade viver cenas de horror novamente. Mas a previsão dos especialistas é que o "tempo de retorno" de situações extremas como essa agora, com as mudanças climáticas, seja menor.

https://www.bbc.com 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Deputada chama Trump de 'mentiroso' e diz que ele 'matou americanos' durante discurso do 'Estado da União'.


Ilhan Omar, que é imigrante e democrata, se manifestou após Trump criticar os imigrantes ilegais e pedir o fim das cidades-santuário.

Por Aline Freitas, g1 — São Paulo 

A deputada democrata Ilhan Omar chamou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de "mentiroso" e afirmou que ele "matou americanos" durante discurso do "Estado da União" na madrugada desta quarta-feira (25). Durante a fala, Trump atacou imigrantes em situação irregular e afirmou que a imigração sem limites estaria importando corrupção e criminalidade para os EUA. Após as críticas, a transmissão mostrou Omar gritando para ele.

Ainda sobre imigração, ele citou a comunidade somali no estado de Minnesota, acusando autoridades e imigrantes de envolvimento em fraudes e crimes. A deputada, que representa Minnesota, é de origem somali. O estado é o mesmo onde operações para deter imigrantes irregulares resultaram na morte de dois cidadãos americanos, em janeiro deste ano. Ao que Omar se referia ao gritar que Trump havia matado cidadãos. Trump disse também que os democratas deveriam ter vergonha e afirmou que o governo norte-americano tem como objetivo proteger os cidadãos do país, e não imigrantes ilegais.

O presidente relatou uma série de crimes cometidos por imigrantes irregulares e usou as histórias para defender medidas mais rígidas. Entre elas, pediu ao Congresso a aprovação do que chamou de “Lei Dalilah”, que proibiria estados de conceder carteiras de motorista a imigrantes ilegais. Dalilah faz referência a Dalilah Coleman. Em 2024, quando tinha 5 anos, o carro em que ela estava se envolveu em um acidente com um caminhão dirigido por um imigrante ilegal, segundo Trump. Ela sobreviveu. Além disso, Trump pediu que o Congresso aprove um projeto de lei que exige documento de identidade e comprovação de cidadania nas eleições. Democratas da oposição prometem barrar a proposta no Senado. Por fim, Trump acusou adversários de terem permitido uma “invasão” na fronteira. Ao mesmo tempo, fez um aceno a estrangeiros que queiram viver legalmente nos Estados Unidos.

Omar atacada com líquido.
Em janeiro, a deputada foi atacada com um líquido durante uma reunião pública em Minneapolis. A ação ocorreu enquanto ela criticava a operação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) em Minnesota."O ICE não pode ser reformado, não pode ser reabilitado, devemos abolir o ICE de vez, e a Secretária do DHS, Kristi Noem, deve renunciar ou enfrentar um processo de impeachment", disse Omar.

Um vídeo mostra a ação do homem. Após o ataque, outro rapaz o agarra e derruba no chão. Omar chega a dar alguns passos em direção ao homem com a mão erguida no momento em que ele era contido. Após um breve intervalo, Ilhan Omar retomou seu discurso. A polícia de Minneapolis informou que agentes presentes no local observaram o ocorrido e prenderam o homem imediatamente por agressão de terceiro grau. Omar tem sido frequentemente alvo de ataques políticos por parte de Trump, que certa vez a chamou de "lixo".“Podemos seguir por dois caminhos, e vamos pelo errado se continuarmos trazendo lixo para este país”, disse o presidente. “Ilhan Omar é lixo. Ela é lixo. Os amigos dela são lixo", disse Trump em dezembro do ano passado.

Na época, o presidente norte-americano criticava a diáspora somali nos EUA. A comunidade está no país desde os anos 1990, especialmente no estado de Minnesota.

O discurso.
Durante o discurso tradicional, além de atacar os imigrantes ilegais, Trump voltou a ameaçar o Irã, defendeu o domínio americano no hemisfério ocidental e destacou indicadores da economia para mobilizar o eleitorado. Com cerca de 1 hora 48 minutos de duração, a fala foi a mais longa já registrada nessa tradição.

Contexto: O discurso no Congresso foi feito em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato. A política externa esteve entre os destaques. Trump citou o Irã, acusou o regime de tentar desenvolver uma arma nuclear e disse que prefere resolver a questão pela via diplomática. Ele ressaltou, no entanto, que jamais permitirá “que o maior patrocinador do terrorismo no mundo” obtenha uma.“Nenhuma nação deve jamais duvidar da determinação da América. Temos as Forças Armadas mais poderosas da Terra”, afirmou. “Espero que raramente precisemos usá-las. Isso se chama paz por meio da força.”“Como presidente, buscarei a paz sempre que possível, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças aos Estados Unidos onde for preciso.”

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Cúpula da PF não gostou de Mendonça proibir compartilhamento de dados do inquérito Master com superiores.

 
g1 e GloboNews — Brasília 
Por Valdo Cruz 

O ministro André Mendonça está dando um novo ritmo às investigações do inquérito do Master, no que tem sido elogiado pela Polícia Federal (PF). Na segunda-feira (23), ele fez reunião com os delegados responsáveis pelo caso para definir os próximos passos, como novas diligências. Por outro lado, a cúpula da PF não gostou nem um pouco da decisão do novo relator do inquérito do Master quando ele proibiu os delegados do caso de compartilharem informações e dados com seus superiores hierárquicos. Até aqui, apesar dos atritos públicos com Dias Toffoli, o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, vinha acompanhando de perto as investigações. A partir de agora, ele teria poder apenas administrativo sobre o caso, não podendo acessar a investigação. Segundo um investigador, é como se o STF proibisse o presidente de comandar seus ministros.

André Mendonça adotou modelo semelhante no inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele decidiu restringir o compartilhamento de dados da investigação depois de circularem informações dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre descobertas em relação às fraudes contra aposentados e pensionistas. Por suspeitar de vazamento de informações, o relator decidiu proibir que os delegados compartilhassem dados do inquérito com seus superiores, o que inclui o diretor-geral da PF.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Quanto custa viver no Rio de Janeiro? Pesquisa mostra que estado não é o mais caro do país.

 
Estudo revela ainda quanto os moradores do Rio desembolsam por mês e quais despesas mais pesam no orçamento. EXTRA mostra como organizar as finanças e reduzir gastos.

Por Caroline Nunes — Rio de Janeiro 

Para viver no Rio de Janeiro, é preciso desembolsar, em média, R$ 3.340,00 por mês, segundo uma pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com o Opinion Box. O valor está abaixo da média mensal nacional, estimada em R$ 3.520, e também é inferior ao gasto médio registrado no Distrito Federal e em estados como Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Tocantins. Ainda assim, viver em terras fluminenses custa mais do que o dobro do salário mínimo (R$ 1.621,00). — Olhando o salário mínimo brasileiro, o custo de vida está acima da média do que o brasileiro ganha minimamente. A gente vê que as pessoas precisam fazer uma renda extra para complementar (o orçamento) — avalia Gabriela Siqueira, especialista da Serasa em educação financeira. A pesquisa, que ouviu 6.063 pessoas de 22 de dezembro a 6 de janeiro em todo o país, considerou diversas categorias, como transporte, saúde, educação e lazer. Despesas com supermercado, contas recorrentes e moradia concentram 57% dos gastos dos brasileiros. Segundo a Serasa, além de prioritárias, essas despesas são consideradas as mais difíceis de manter em dia. No Estado do Rio, além dessas despesas, destacam-se os gastos com transporte, com média de R$ 340,00 educação (R$ 570,00) e saúde e atividade física (R$ 550,00) — valor acima da média nacional, de R$ 540,00.

Diante desse cenário, com cada vez mais despesas fixas, as famílias precisam redobrar a atenção e ter planejamento financeiro. Ainda assim, o levantamento mostra que apenas 19% dos entrevistados afirmam considerar fácil gerenciar os pagamentos e as despesas do dia a dia. Renan Diego, consultor financeiro e autor do livro “Produtividade financeira”, explica que compreender esses gastos é fundamental para manter o controle das finanças e tomar decisões conscientes. — Ao saber exatamente quanto se gasta com moradia, alimentação, transporte, saúde e lazer, a pessoa consegue identificar quais despesas são essenciais e quais podem ser reduzidas ou ajustadas. Esse conhecimento evita endividamentos, ajuda no planejamento de metas e proporciona mais segurança diante de imprevistos — diz o especialista. A pedido do EXTRA, o consultor listou dicas de como organizar a vida financeira para conseguir reduzir gastos e economizar.

Supermercado e moradia.

A moradia e as compras de alimentos estão entre os principais gastos mensais do brasileiro, e, no Rio, não é diferente. As despesas ligadas à habitação somam, em média, R$ 1.060,00 por mês, enquanto os gastos com supermercado chegam a R$ 850,00. Na avaliação de Leonardo Schneider, vice-presidente de Locação e Comercialização Imobiliária do Secovi-Rio, a habitação sempre ocupou uma parcela do orçamento das famílias, seja pelo financiamento, aluguel, condomínio ou impostos. Segundo ele, há um movimento gradual de busca por imóveis menores, impulsionado, entre outros fatores, pela tentativa de reduzir despesas: — Hoje, cada vez mais, vemos pessoas procurando apartamentos menores, que geram menos custos.

Da mesma forma, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) reconhece que o custo da alimentação no domicílio sempre foi um componente relevante no orçamento das famílias. A entidade destaca, porém, que os preços pagos pelo consumidor não são definidos apenas pelas redes, mas envolve também fatores como custos logísticos, tributação e câmbio. Em nota, a Asserj ressaltou que, em conjunto com seus associados, continua trabalhando para “equilibrar competitividade, oferta e preço, com foco em aliviar, tanto quanto possível, a carga sobre o orçamento das famílias fluminenses”.

Opinião de quem vive no Rio. 
‘O que mais pesa são alimentos e transporte’

Depoimento da professora Anna Beatriz Cavalcanti, de 25 anos

"Eu moro em Irajá com o meu noivo. Comparado a outros bairros, acredito que o custo de vida aqui é mais barato, o que mostra um certo padrão quando se observa a localização mais afastada do Centro da cidade em relação a lugares onde já morei (como Rio Comprido e Rocha). O que mais pesa no meu orçamento hoje são a alimentação e o transporte. Considerando a distância entre Irajá e Zona Sul e Centro, que é onde costumo trabalhar e estudar, depender exclusivamente do metrô gera um impacto maior na organização financeira, devido ao custo da passagem. Eu já tinha uma ideia dos gastos, mas nos bairros anteriores eu conseguia usar os ônibus com mais facilidade. Hoje em dia, ainda que existam algumas opções para fazer o mesmo trajeto de ônibus, eles tomam mais tempo do meu dia".
 
Mudança não é opção.
Mesmo diante do peso do custo de vida, a mudança de cidade ainda não é vista como alternativa para a maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa, apenas um em cada dez entrevistados considera se mudar neste ano com o objetivo de reduzir as despesas mensais. — Os dados reforçam que o principal desafio está mais relacionado à reorganização do orçamento do que à mobilidade geográfica — afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. Para o consultor financeiro Renan Diego, é possível organizar a vida financeira e reduzir despesas mesmo sem mudar de cidade. Ele destaca que também é viável manter a qualidade de vida sem comprometer toda a renda:

Mudança não é opção.
Mesmo diante do peso do custo de vida, a mudança de cidade ainda não é vista como alternativa para a maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa, apenas um em cada dez entrevistados considera se mudar neste ano com o objetivo de reduzir as despesas mensais. — Os dados reforçam que o principal desafio está mais relacionado à reorganização do orçamento do que à mobilidade geográfica — afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. Para o consultor financeiro Renan Diego, é possível organizar a vida financeira e reduzir despesas mesmo sem mudar de cidade. Ele destaca que também é viável manter a qualidade de vida sem comprometer toda a renda: — A qualidade de vida não está ligada apenas a gastar mais, mas também a usar o dinheiro de forma consciente, equilibrando as necessidades e o lazer com o orçamento.

Como se organizar para economizar. 
Mapeie seus gastos - Anote todas as despesas, desde moradia e contas fixas até alimentação, transporte, lazer e pequenos gastos diários. Isso ajuda a entender para onde o dinheiro está indo.
Separe despesas fixas e variáveis - Para entender o que é possível cortar para desafogar o orçamento, é preciso separar os gastos. Nos fixos, se encaixam despesas como aluguel, condomínio e internet. Já os variáveis são aqueles relacionados a lazer, delivery e compras extras.
Compare gastos com sua renda - Se as despesas estiverem muito próximas ou acima da sua renda, é sinal de alerta. O ideal é que sobre uma parte para reserva e imprevistos.
Defina prioridades - É importante se perguntar: o que é essencial? O que pode ser reduzido? Pequenos ajustes, como diminuir assinaturas de serviços, já ajudam a adequar o orçamento.
Estabeleça metas - Pode ser criar uma reserva de emergência, quitar dívidas ou guardar dinheiro para um objetivo. Ter metas ajuda a manter o foco.
Crie uma reserva - Sobrou algum dinheirinho? Guardar o equivalente a pelo menos seis meses dos custos essenciais traz segurança e evita endividamento.

https://extra.globo.com 

Lula diz que levará Receita Federal, PF e Justiça para reunião com Trump.

 
Eric Napoli

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22.fev.2026) que pretende levar representantes da Receita Federal, da Polícia Federal, do Ministério da Justiça e do Ministério da Fazenda para a reunião que terá com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, o objetivo é estruturar uma cooperação mais ampla no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e ao crime organizado internacional. Lula disse que já tratou do tema por telefone com Trump ao menos 3 vezes e que o Brasil enviou às autoridades norte-americanas documentos, fotografias e nomes de investigados. Citou como exemplo um caso envolvendo contrabando de combustíveis e afirmou que o governo brasileiro encaminhou informações detalhadas sobre suspeitos que estariam nos Estados Unidos.“Eu não quero recebê-los. Eu quero prendê-los”, declarou, ao rebater questionamento de jornalista sobre eventual pedido de repatriação de brasileiros. Segundo o presidente, a intenção é que pessoas investigadas por crimes no Brasil sejam entregues para responder à Justiça.

O presidente afirmou que levará integrantes da cúpula do governo para discutir o tema “de forma estruturada”. “Vou levar minha Polícia Federal, meu ministro da Justiça, a Receita. Eles levam o FBI, a CIA, o Departamento de Justiça deles”, declarou. Também mencionou a participação do Ministério da Fazenda nas tratativas. Lula classificou o crime organizado como uma “empresa multinacional altamente sofisticada”, com atuação em diversos países e infiltração em diferentes esferas da sociedade. “Tem braço no poder Judiciário, tem braço no futebol, tem braço na política, tem braço no empresariado”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil já criou estruturas específicas para reforçar o combate a ilícitos na fronteira amazônica, com cooperação entre países vizinhos, e está disposto a ampliar a articulação com os Estados Unidos. O presidente disse que a pauta da reunião com Trump não se limita a minerais críticos ou tarifas comerciais, mas que a cooperação na área de segurança é um dos pontos centrais. Afirmou estar “muito otimista” com o encontro e defendeu uma relação “altamente civilizada, altamente respeitosa” entre os 2 países. Para Lula, o combate ao crime organizado é uma área em que Brasil e Estados Unidos podem atuar conjuntamente. “Se tem uma coisa que nós precisamos trabalhar juntos é no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro”, declarou. As declarações foram dadas durante entrevista ao fim de visita oficial à Índia. 

Lula já está na Índia desde 5ª feira (19.fev). Ele se encontrou oficialmente com Modi no sábado (21.fev). Também participou de um fórum sobre inteligência artificial e realizou 3 reuniões bilaterais com outros líderes presentes no evento. Foram eles: Emmanuel Macron (França), Anura Kumara Dissanayake (Sri Lanka) e Andrej Plenković (Croácia). O petista conversou também com o CEO do Google, Sundar Pichai. Neste domingo (22.fev), Lula embarca para Seul, na Coreia do Sul, onde se reúne com o presidente Lee Jae Myung e com executivos de grandes empresas sul-coreanas. Retorna ao Brasil no dia 24.

PF NA ÍNDIA.
O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, se reuniu com o chefe do Central Bureau of Investigation (CBI), Praveen Sood, para tratar de temas relacionados à cooperação policial internacional e ao intercâmbio de capacitação entre as duas instituições. Rodrigues cumpriu agenda em Nova Délhi, na Índia, de 17 e 22 de fevereiro. Em nota, a PF afirmou que durante o encontro na sede do CBI, tambem foi conversado sobre a proposta de um acordo de cooperação técnica com foco no combate a crimes cibernéticos e financeiros. A pauta incluiu o uso de novas tecnologias e a coordenação de iniciativas conjuntas para o enfrentamento de delitos transnacionais. O diálogo entre as autoridades policiais busca reforçar a parceria estratégica entre Brasil e Índia em retribuição à visita do primeiro-ministro Narendra Modi ao território brasileiro no ano anterior.

https://www.poder360.com.br

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Milton Cunha fala no Instagram o que a Globo censurou sobre o desfile homenageando Lula.


Caique Lima

O carnavalesco Milton Cunha publicou um vídeo nas redes explicando o enredo em homenagem a Lula censurado pela TV Globo neste domingo (15). A escola de samba Acadêmicos de Niterói, primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí, promoveu o samba enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.“A jornada do herói, uma estrutura de narração muito utilizada desde sempre pela humanidade para dar grandes mensagens e é uma forma de comunicar educação valor e aí é essa jornada da Acadêmicos de Niterói sobre o menino Luiz Inácio”, explicou. Segundo ele, o enredo começa com “um país assombrado”, em referência aos “anos de chumbo, da ditadura militar”, ambientado no sertão e na infância do personagem.

Milton descreve a travessia da família para São Paulo ao som de “Luar do sertão”, evocando retirantes e gravuras populares. Ele afirma que o herói enfrenta “o desafio, o problema, a crise e a virada”, descobre o sindicato, ajuda a fundar um partido e segue acumulando derrotas e vitórias até se tornar “presidente da nação verde amarela”, numa subida comparada à rampa do Planalto. O carnavalesco também citou políticas públicas ao falar de “programas sociais, projetos, ‘Minha casa, minha vida’, contra fome, ajudando estudantes a terminar seus cursos”. Para ele, o desfile transforma o personagem em símbolo coletivo: “Um operário da cultura do bem, do valor humano, do humanismo”, ampliando a ideia de trabalhador para além da fábrica.“É um desfile, um enredo sobre esperança, sobre esperança de como mulheres, comuns, homens, comuns, podem empreender uma jornada que os levarão a feitos fabulosos”. E completa que há “o triunfo do nosso herói”, mas que a escolha foi começar pelo menino e pela mãe para aproximar a história do público.

A transmissão da Globo, detentora dos direitos exclusivos, adotou cobertura classificada pela própria emissora como “mais comedida”. Momentos como o esquenta não foram exibidos, e o intérprete Emerson Dias, fantasiado de Lula, apareceu rapidamente. Em nota, a empresa afirmou que “acompanha, durante todo o ano, os preparativos para a festa” e destacou a operação com “cerca de 1.200 profissionais em mais de 42 horas de transmissão ao vivo”. O desfile havia sido liberado pela Justiça Eleitoral e não havia impedimento jurídico. Ainda assim, a Globo decidiu ser omissa na transmissão da homenagem.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br

EUA estão preparados para atacar Irã já neste fim de semana, diz TV.



Gilvan Marques

EUA mandaram equipamentos para o Oriente Médico. O USS Gerald Ford —tido como o porta-aviões mais avançado— deve chegar à região já neste fim de semana. Outros recursos, como aviões-tanque de reabastecimento e caças, já haviam sido enviados. Americanos têm buscado expandir o escopo das negociações. O objetivo de Trump é levar para a mesa de discussões questões não nucleares, como o arsenal de mísseis iraniano. O Irã afirma estar disposto apenas a discutir restrições para o seu programa nuclear. Em troca, o alívio às sanções. Teerã descarta a possibilidade de abandonar completamente o enriquecimento de urânio. Os iranianos afirmaram ontem que havia concordado com os Estados Unidos sobre "diretrizes gerais" em Genebra para um acordo que evitasse conflitos, mas descartou a chance de discutir o seu programa de mísseis. Casa Branca não está completamente satisfeita com negociações. A secretária de imprensa do governo Trump, Karoline Leavitt, disse aos repórteres que houve algum progresso em Genebra, mas que ainda estamos muito distantes em algumas questões.

Irã está reforçando instalações nucleares.
Imagens de satélite mostram país se movimentando. Os iranianos estariam usando concreto e grandes quantidades de terra para enterrar locais estratégicos, segundo a CNN.

https://noticias.uol.com.br