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terça-feira, 31 de março de 2026

PGR recorre contra suspensão da aposentadoria compulsória de juízes.


Procuradoria Geral defende que decisão seja analisada pelo plenário do tribunal; 
a expectativa é que a medida só seja aplicada pelo CNJ após manifestação colegiada.

Sérgio Lima/Poder360 
Nino Guimarães de Brasília 

A Procuradoria-Geral da República apresentou na 2ª feira (30.mar.2026) um recurso contra decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a aposentadoria compulsória do rol de sanções graves contra magistrados. Com o recurso, a PGR quer que o caso seja analisado pelo plenário do tribunal. Conforme antecipou o Poder360, há expectativa no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de que a decisão sobre o fim da aposentadoria compulsória e sua aplicação seja fixada pelo plenário. Conselheiros ouvidos por este jornal digital afirmaram que Dino havia se comprometido a levar o caso ao colegiado caso houvesse recurso. O processo está sob sigilo. O agravo regimental protocolado pela subprocuradora-geral Elizeta Ramos de Paiva sustenta que a decisão carece de especificidade sobre sua aplicação prática pelos tribunais. Além disso, o recurso pede que o tema seja analisado de forma colegiada. Com o recurso, Dino determinou que as partes do processo apresentem manifestações num prazo de 15 dias.

No dia 16.mar.2026, o ministro determinou a retirada da aposentadoria compulsória do rol de punições para juízes alvos de processos administrativos. Entendeu que a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019) estabelece a perda do cargo como punição mais grave.“Em face da mudança constitucional e à luz do princípio da moralidade, infrações graves de magistrados devem ser punidas com a perda do cargo, com rito adequado ao princípio da razoável duração do processo, mediante atuação do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal”, declarou.

QUESTIONAMENTOS DA DECISÃO.

A decisão de Dino gerou dúvidas e questionamentos por parte de associações da magistratura e de conselheiros do CNJ. As entidades afirmam que não sabem como as novas regras serão aplicadas, sobretudo em processos em andamento. Também avaliam que a decisão pode beneficiar juízes infratores ao reduzir o alcance das sanções. O argumento é que, ao retirar a aposentadoria compulsória, Dino limita as punições e, na prática, deixa a disponibilidade como principal sanção administrativa. A Lei Orgânica da Magistratura prevê as seguintes punições:

    advertência;
    censura;
    remoção compulsória;
   disponibilidade (com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço);
    aposentadoria compulsória (com vencimentos proporcionais);
    perda do cargo.


Para a perda do cargo, é necessário não só processo administrativo, mas decisão judicial transitada em julgado. Segundo as associações, isso pode dificultar a retirada de magistrados, já que exige condenação definitiva —seja pelos tribunais de Justiça (1º grau) ou pelo STJ (2º grau).

DECISÃO COLEGIADA.
No CNJ, a expectativa é que uma decisão colegiada do STF esclareça as regras para punições administrativas. Há também preocupação sobre como tratar processos de aposentadoria compulsória em andamento. Segundo o Poder360, desde 2006 o CNJ já aplicou 126 aposentadorias compulsórias a magistrados por infrações graves. Um dos conselheiros relatou ter questionado diretamente Dino e espera que o julgamento pelo plenário traga clareza ao tema.

https://www.poder360.com.br

domingo, 29 de março de 2026

Flávio Bolsonaro pede ajuda a Trump para se eleger presidente.



Um exemplo notável de subserviência
Ricardo Noblat

Incitar é um verbo transitivo que significa estimular, instigar, provocar ou encorajar alguém a realizar uma ação. Foi o que fez o senador Flávio Bolsonaro, em sua versão dita moderada, em palestra para o fino da direita americana em Dallas, no Texas. Diante de milhares de pessoas, ele comparou a trajetória do seu pai com a de Donald Trump, e acusou Lula de fazer lobby em favor de facções criminosas brasileiras e de privilegiar interesses chineses, cubanos e iranianos sobre os dos americanos.

“Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível”, disse Flávio em inglês, lendo um texto. Empolgado, disse que “o Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.

Segundo Mariana Sanchez, colunista do UOL em Washington, coube a Eduardo Bolsonaro chamar ao palco o irmão, não sem antes mostrar à audiência que estava registrando o evento em um vídeo de celular “para mostrar ao meu pai”. Flávio disse sobre o pai: “Tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Trump. Não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo. Nós brasileiros ainda lutamos”.

Em seguida, qualificou Lula de “socialista condenado por corrupção” e mostrou uma foto dele abraçado ao líder venezuelano Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York, depois de ter sido removido de Caracas por forças militares americanas.“Talvez vocês pensem: ‘Por que deveríamos nos importar? Este é um problema do Brasil’. Deixem-me explicar exatamente por que isso importa para a América e para o mundo“, disse Flávio. E citou os minerais críticos e o combate ao narcotráfico.

Foi a deixa para dizer: “Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região simplesmente impossível”.

Adiante: “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Ontem, por sinal, Trump a elogiou ao reconhecer a eficiência de seu modelo econômico. Nem Jair Bolsonaro ousou criticar a China à época do seu governo desastroso. Mas Flávio, cópia encardida do pai…“O presidente do meu país faz lobby nos EUA para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo“, disse Flávio, mudando de assunto.

E defendeu que os Estados Unidos classifiquem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Terrorista é a organização que atua para derrubar regimes. O crime organizado visa ganhar dinheiro.“Estas organizações criminosas não têm qualquer viés ideológico, nem viés político, não querem mudar o sistema. Elas praticam infrações penais, lavagem de dinheiro”, afirma Mario Sabburro, ex-secretário nacional de Segurança Pública. No limite, a classificação delas como organizações terroristas permitiria aos Estados Unidos combatê-las em solo brasileiro via operações militares ou policiais, e a bloquear contas de empresas que se relacionem com elas. A soberania do país iria para o lixo.Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo não se importam com isso. Flávio com a palavra:“Eu entendo que o presidente Trump está incrivelmente ocupado ‘Fazendo a América Grande Novamente’ e deve manter relações institucionais com líderes de todos os países (…). Mas estou confiante de que o maior negociador da história pode facilmente ver quem são seus verdadeiros aliados do Brasil”. 

Flávio encerrou sua fala dizendo: “Trump 2.0 está sendo muito melhor que Trump 1.0, certo? Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai. E os EUA também terão seu aliado de volta”. Poderia haver exemplo mais notável de subserviência e de pedido de ajuda para se eleger presidente em outubro próximo?

https://www.metropoles.com

sexta-feira, 27 de março de 2026

TJ-RJ anula a eleição de Douglas Ruas (PL) para presidente da Alerj.


Equipe CartaCapital

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou, na noite da quinta-feira 26, a sessão que elegeu Douglas Ruas (PL) para o cargo de presidente da Assembleia Legislativa do estado. A eleição ocorreu horas antes, na tarde da quinta. A decisão, em caráter liminar, partiu da presidente em exercício do TJ-RJ, a desembargadora Suely Lopes Magalhães. Ao eleger Ruas — candidato único —, a Alerj também decidiu, na prática, levá-lo ao posto de governador interino do Rio de Janeiro. Ele foi escolhido por 45 dos 47 deputados presentes, enquanto a oposição boicotou o pleito e 22 parlamentares não compareceram.

A eleição ocorreu por ordem do Tribunal Superior Eleitoral, que cassou os mandatos do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do deputado Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Assembleia. Em maio do ano passado, Thiago Pampolha renunciou ao cargo de vice-governador para assumir uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Com os primeiros na linha sucessória de Castro impossibilitados de tomar posse, o posto ficou, de forma interina, sob o comando do presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto de Castro. Na decisão em que anula a sessão da Assembleia na quinta-feira, Suely Lopes Magalhães afirmou que a eleição só poderia acontecer depois da retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio, em linha com o que decidiu o TSE ao cassar o mandato de Bacellar.

O TRE agendou a retotalização para a próxima terça-feira 31. Esse processo anulará os 97.822 votos recebidos por Bacellar em 2022. “A cronologia lógica a ser observada no cumprimento da decisão da Justiça Eleitoral é inequívoca: primeiro retotalizar os votos, para assegurar a legitimidade da composição da Casa Legislativa e, assim, a higidez do colégio eleitoral e do próprio sufrágio interno que se avizinha; e só então deflagrar o processo eleitoral”, escreveu a desembargadora.

https://www.cartacapital.com.br

Prefeitos do PL deixam partido após filiação de Moro.


Gestores do Paraná anunciam saída em massa após chegada de Sérgio Moro e criticam falta de diálogo, indicando apoio a outro candidato ao governo.

Conteúdo postado por:
Aquiles Lins

247 - Uma crise interna no Partido Liberal (PL) culminou na saída em massa de prefeitos no Paraná na quinta-feira (26). A debandada ocorre após a filiação do ex-juiz Sérgio Moro à legenda e sua indicação como pré-candidato ao Governo do Estado. De acordo com informações divulgadas pelos próprios gestores municipais, o anúncio oficial deve ser feito durante uma coletiva de imprensa em Curitiba. A movimentação reúne a maioria dos prefeitos do partido no estado e evidencia o descontentamento com os rumos adotados pela sigla. Ao menos 40 dos 52 prefeitos do PL — cerca de 80% do total — devem formalizar a saída. O grupo alega que a chegada de Moro provocou um ambiente de insatisfação generalizada, especialmente por considerarem que o ex-juiz tem perfil individualista e pouco aberto ao diálogo político.

Na avaliação de parte dos gestores, o estilo de atuação atribuído a Moro não dialoga com as exigências da vida pública. Eles afirmam que o diálogo é um dos pilares da democracia e essencial para a construção de consensos e a condução de políticas públicas eficazes. Outro ponto de crítica envolve a condução política do ex-juiz. Prefeitos ouvidos no movimento consideram que uma postura considerada autoritária poderia comprometer o atual momento político do estado. Além disso, apontam dificuldades em apoiar um nome que, segundo eles, não mantém boa relação com adversários e já fez críticas públicas ao PL e à família Bolsonaro.

Os prefeitos também ressaltam que a atividade legislativa exige articulação constante. Segundo o grupo, é fundamental construir pontes para viabilizar projetos, aprovar leis e assegurar estabilidade administrativa, fatores que consideram prejudicados diante do cenário atual. Diante desse contexto, os gestores municipais decidiram não apenas deixar o partido, mas também reorganizar sua atuação política. A tendência é que passem a apoiar outro candidato ao governo estadual nas eleições. A saída em bloco representa um dos maiores movimentos de ruptura recente dentro do PL no Paraná e pode impactar diretamente o cenário político local, especialmente na disputa pelo comando do Executivo estadual.

https://www.brasil247.com

quinta-feira, 26 de março de 2026

Entenda os próximos passos da extradição de Carla Zambelli.


Justiça italiana autorizou nesta quinta-feira o prosseguimento 
do processo da ex-deputada federal para o Brasil.

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília

A Justiça italiana autorizou nesta quinta-feira (26) o prosseguimento do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. À CNN, a defesa de Carla Zambelli disse que pretende recorrer à Corte de Apelação italiana. Com a decisão, o próximo passo é a análise do processo pelo Ministério da Justiça italiano, a quem cabe liberar formalmente a extradição. Após a apreciação do ministério, as autoridades italianas comunicam oficialmente o governo brasileiro. A partir daí, a Polícia Federal fica responsável por organizar a logística da transferência, já que cabe ao Brasil buscar a extraditanda. Durante todo o procedimento, Zambelli permanecerá presa.

A CNN apurou que a Interpol também deve ser avisada. A notificação ao organismo internacional ocorre quando se iniciar o ajuste logístico da transferência."Com a extradição aprovada, essa entrega é rápida e ela não sai de custódia em nenhum momento", afirma o advogado especialista em Ciências Criminais Berlinque Cantelmo.Zambelli será trazida ao Brasil sob escolta policial e ficará presa conforme definição do  ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A expectativa é de que a ex-deputada seja detida na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, também conhecida como Colmeia.

Zambelli está presa na Itália desde julho. Ela foi condenada pelo STF a mais de 15 anos de prisão, considerando duas condenações, além de inelegibilidade e da perda do mandato e dos direitos políticos. Antes do trânsito em julgado do processo, ela deixou o país e se refugiou na Itália, o que levou o governo brasileiro a solicitar a extradição.

https://www.cnnbrasil.com.br

terça-feira, 24 de março de 2026

Irã ataca Israel com míssil após chamar negociação com Trump de 'fake news'.


Lorena Barros, Luana Takahashi, Robson Santos

Maioria dos moradores se deslocou a um abrigo antibombas, o que diminuiu o número de feridos, segundo o comando da Frente Interna do Exército de Israel. Em Tel Aviv e em outros pontos do país, sirenes têm avisado sobre ataques iminentes. Uma pessoa também ficou ferida em um ataque em Haifa hoje. Um homem que pisou em um fragmento de míssil também precisou de socorro médico, segundo o serviço Magen David Adom. Apesar do anúncio de pausa dos ataques dos EUA, Benjamin Netanyahu disse que seguiria com as ofensivas contra o Irã e contra o Líbano. "Há mais para vir", afirmou ontem. Governo israelense chamou trégua dos EUA de "fake news para manipular o mercado do petróleo". Segundo o porta-voz do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, nenhuma negociação foi feita com Trump.

Trump anuncia negociação com Irã e pausa ataques.
O líder americano anunciou ontem que o acordo com o Irã foi feito nos últimos dois dias. "Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio", escreveu na rede social Truth Social. Ofensivas contra usinas e infraestruturas energéticas serão paralisadas por cinco dias. O republicano disse ter feito a instrução ao Departamento de Guerra e que a suspensão está sujeita ao "sucesso das reuniões e discussões em andamento!".

As negociações devem continuar nesta semana. Segundo ele, o diálogo entre as duas nações será feito ao longo da semana, mas adiantou ter sido aprofundado, detalhado e construtivo até aqui. Se eles as levarem adiante, o conflito terminará. Eles querem chegar a um acordo, nós queremos chegar a um acordo. Donald Trump. Americano disse esperar chegar a uma resolução nuclear durante as conversas. "Não queremos ver nenhuma bomba nuclear, nenhuma arma nuclear, nem perto disso. Queremos ver paz. E eu acho que nós vamos conseguir isso. Nós concordamos com isso", disse hoje a uma repórter da Fox News após o anúncio. Trump não deu detalhes a respeito de ataques a outros tipos de infraestrutura. Além disso, não comentou se as ações militares de Israel também serão pausadas.

Jornais estatais do Irã chamam anúncio de recuo.
As mídias estatais iranianas Fars e Irib News negaram as negociações citadas. Em publicações pelo X, as agências disseram ter consultado fontes, que teriam informado não haver nenhuma ligação direta ou indireta com Trump. A imprensa também disse ter sido um recuo dos EUA. "Após a República Islâmica ameaçar atacar a infraestrutura energética de toda a região caso os EUA atacassem a infraestrutura energética iraniana, Trump recuou", declarou a Fars.

Troca de ameaças momentos antes.
No sábado, o americano havia dado um ultimato ao Irã. Ele deu o prazo de 48 horas para o Irã liberar o estreito de Hormuz, passagem responsável pelo trânsito de 20% do petróleo mundial. Trump afirmou que iria "atacar e destruir completamente" as usinas de energia iranianas caso o canal não fosse liberado em dois dias. Hoje, Israel lançou uma nova onda de ataques a Teerã, confirmando o avanço contra "alvos de infraestrutura", sem detalhar os danos causados. Ainda hoje, o Irã declarou que "minaria todo o Golfo Pérsico" se uma invasão pelos EUA acontecer no país. Ameaça de retaliação acontece porque EUA estariam tentando dominar uma ilha a 24 km da costa do Irã. Segundo a agência de notícias Associated Press, um dos novos alvos americanos é a ilha de Kharg, que tem tanques de armazenamento de petróleo. Irã já fez uma série de ataques a nações vizinhas desde o começo da guerra. A justificativa do Irã para atacar países do golfo é a presença de bases militares dos Estados Unidos na região. Entre os alvos já atacados estão o Kuwait, Qatar e os Emirados Árabes Unidos.

Resistência do Irã surpreende Trump, diz professor.
A ideia de que os Estados Unidos teriam uma vitória rápida sobre o Irã não se confirmou diante da resistência articulada pelo regime iraniano. A análise é de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da FAAP e FGV, em entrevista ao UOL News - 2ª edição, do Canal UOL na última segunda-feira. Analista diz que o país iraniano mantém sua capacidade de ataques e influência sobre grupos armados na região. "Irã parece ter capacidade para resistir por mais tempo do que o esperado. Isso que não quer dizer, claro, que o regime seja indestrutível. Mas não é um passeio como aparentemente Trump parece ter imaginado, inspirado na experiência da Venezuela", avalia.
 
Professor entende que a capacidade de resistência iraniana depende do estoque de drones e mísseis. "Fica evidente que o Irã hoje ataca muito menos do que no começo. Ainda assim, são ataques precisos, capazes de afetar alvos específicos dos EUA ali na região e de criar todo esse ambiente de incerteza."

https://noticias.uol.com.br 

segunda-feira, 23 de março de 2026

“Trump não tem estratégia, ele ameaça porque está desesperado”.

 

Entrevista com Ravi Agrawal, editor da Foreign Policy

"Um ato de desespero que não produzirá os efeitos desejados". É assim que Ravi Agrawal, editor da revista Foreign Policy, avalia o ultimato do presidente Trump ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Na sexta-feira, ele disse que estava considerando reduzir seu compromisso militar; no sábado, ameaçou destruir a infraestrutura elétrica do país. "Essas declarações são contraditórias e confirmam a falta de estratégia e de objetivos claros. Percebemos um sentimento de desespero. Destruir as usinas nucleares seria devastador para o povo iraniano, e ainda mais para o regime. Há a suspeita de que essa ameaça seja uma tentativa desesperada de reabrir o Estreito de Ormuz, mas não funcionará, pois o que resta do governo está focado na sobrevivência e sabe que a capacidade de sufocar a economia global é sua principal alavanca. Se desistirem, não lhes restará nada". A entrevista é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica.

Eis a entrevista.
A maior usina nuclear é a usina nuclear de Bushehr. Quais seriam os riscos de um ataque aéreo?
Haveria riscos não apenas devido à falta de eletricidade, mas também devido ao risco de contaminação radioativa com consequências catastróficas para a população e o meio ambiente.

Cortar o fornecimento de eletricidade não ajudaria a derrubar o regime?
Não sei, mas o que sabemos sobre este regime é que os primeiros a sofrer são sempre os cidadãos. Os militares e a ala mais extremista da Guarda Revolucionária estão no comando e, quando os recursos são escassos, são cidadãos que sofrem primeiro. Por exemplo, agora há um corte na internet, mas a liderança tem acesso por meios especiais. O mesmo aconteceria com comida, remédios ou eletricidade.

As pessoas não se revoltariam?
Precisamos nos colocar no lugar deles e lembrar o que aconteceu em janeiro, quando milhares de pessoas foram mortas. As pessoas podem chegar à conclusão de que a única opção é se revoltar, sabendo, porém, que isso será recebido com força máxima.

Se a ameaça de Trump for um ato de desespero, não encoraja o regime a não ceder?
Isso já está acontecendo. O regime acredita ter sobrevivido ao ataque mais severo dos EUA e de Israel, e um elemento-chave desse sucesso é a capacidade de infligir enormes custos econômicos à região e ao mundo.

Por quanto tempo isso pode continuar resistindo?
É uma guerra assimétrica; o Irã não precisa de grandes operações militares para ter sucesso. E não se trata apenas de petróleo, porque 20% do gás mundial passa por Ormuz, assim como um terço do hélio usado em semicondutores e fertilizantes.

Por outro lado, existem os custos para os EUA, que afetam a economia, mas também o esgotamento do seu arsenal. Por quanto tempo Trump conseguirá sustentar a intervenção?
Só ele sabe disso, especialmente porque os objetivos da campanha mudam diariamente. Os custos econômicos já são evidentes, desde os preços da gasolina e a inflação até os cancelamentos de voos pelas companhias aéreas. Quanto ao arsenal, nas três primeiras semanas da guerra, o Pentágono já utilizou mais interceptores e mísseis do que a produção anual dos EUA. Agora terá que acelerar a reconstrução, mas isso levará tempo. Enquanto isso, os EUA ficarão mais vulneráveis no Pacífico e à China, sem falar da Rússia, que está faturando US$ 200 milhões a mais por dia graças ao aumento dos preços do petróleo.

Trump está enviando os fuzileiros navais. Será que ele poderia atacar por terra?
Aqui também, a questão fundamental é qual o objetivo. Isso custaria muitas vidas, e o presidente historicamente se opôs a tais intervenções. Em vez disso, ele deveria encontrar uma maneira de declarar vitória e parar, porque a cada dia que passa o custo aumenta.

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quarta-feira, 18 de março de 2026

 

Afirmações de Flávio Bolsonaro sobre ‘uso da força’ vão além do aceitável


São temerárias as afirmações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, sugerindo que qualquer outro candidato, para receber apoio de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026, precisará assegurar indulto ao ex-presidente, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. E Flávio foi além. Afirmou que, em caso de condenação do pai, se um presidente aliado lhe conceder o perdão, será preciso que o STF “respeite os demais Poderes”. “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade de uso da força (...), de interferência direta entre os Poderes. Tudo que ninguém quer”, disse ele.

Não ficou claro o que Flávio quis dizer com “uso da força”. Eis sua explicação singela para as condições que levariam a tal desfecho: “Estou fazendo análise de um cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá. Certamente o candidato que o presidente Bolsonaro vai apoiar deverá ter esse compromisso”.

É certo que ele ressaltou não se tratar de ameaça, mas evidentemente esse tipo de declaração não tem cabimento num regime democrático. Ainda que Bolsonaro venha a ser condenado e que um presidente futuramente lhe conceda indulto, o STF teria o dever de analisar se o benefício cumpre os dispositivos constitucionais. Negar-lhe essa prerrogativa seria desrespeitar a independência dos Poderes.

Há, por sinal, precedentes. Em maio de 2023, o Supremo rejeitou por 8 votos a 2 a graça concedida em 2022 pelo então presidente Bolsonaro em favor do ex-deputado Daniel Silveira, restabelecendo a condenação por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no processo. Na ocasião, a Corte considerou que a decisão presidencial em benefício de um aliado político representou desvio de finalidade.

A Polícia Federal (PF) investigou minuciosamente e reuniu provas robustas da tentativa de golpe em 2022. Foram fatos graves. Além da pretendida ruptura institucional, um plano previa o assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do STF, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin. O mínimo a esperar é que os responsáveis, independentemente de nomes, partidos ou patentes, sejam julgados e, uma vez comprovadas as responsabilidades, punidos. Anistiar quem conspirou conta a democracia só serve para incentivar novos levantes golpistas.

Na semana passada, os depoimentos de Jair Bolsonaro e de outros réus corroboraram as investigações da PF e mostraram que há provas consistentes para condená-lo. Daí a preocupação de Flávio em articular desde já compromissos políticos para blindar o pai. Essa cogitação por si só já é um disparate. Querer contratar no mesmo pacote uma afronta ao Supremo, à Constituição e à democracia extrapola o limite do aceitável.

Israel elimina cúpula de segurança do Irã e expõe crise nos EUA.


Nos bastidores: Embora o governo israelense encoraje publicamente a população iraniana a se revoltar e derrubar o regime, documentos diplomáticos vazados revelam que oficiais israelenses admitem privadamente que, se os iranianos forem às ruas desarmados, "serão massacrados" pela Guarda Revolucionária, que ainda mantém uma estrutura de comando forte e descentralizada, mostra reportagem do Washington Post.

Ataque em Bagdá.
A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, localizada na fortificada Zona Verde, voltou a ser alvo de ataques com drones e foguetes na madrugada de quarta-feira (pelo horário local). Os ataques causaram danos nos arredores da embaixada, embora as forças de segurança relatem ter conseguido interceptar e derrubar pelo menos dois foguetes direcionados ao local. Também houve o registro de um drone que caiu dentro do complexo da embaixada americana.

Cerco a Cuba e escândalo na Casa Rosada.
Atenção redobrada em Cuba: A retórica de Washington em relação a Havana atingiu um tom belicoso. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que as recentes reformas econômicas de Cuba — que abrem o país para investimentos de expatriados — não são "suficientemente drásticas" e reiterou o desejo de uma mudança de regime na ilha. O presidente Donald Trump foi além, sugerindo que seria "uma honra" tomar a ilha, classificando-a como uma nação enfraquecida. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou as ameaças diárias de derrubada do seu governo, enquanto o Vietnã reafirmou seu apoio à ilha por meio de parcerias agrícolas para a produção de arroz. Analistas sugerem que a pressão sobre Cuba pode ser uma manobra de distração de Trump diante da impopularidade e dos impasses da guerra no Irã.

Escândalo financeiro atinge Javier Milei: Na Argentina, uma investigação sobre o colapso da criptomoeda $LIBRA revelou laços financeiros comprometedores entre o presidente Javier Milei e o lobista e trader Mauricio Novelli. A perícia no telefone de Novelli mostrou registros de pagamentos mensais em dólares a Milei desde 2021 — quando o atual presidente ainda era deputado —, para que este desse aulas e promovesse a consultoria de investimentos N&W. O caso se agrava com indícios de que esses repasses em dólares teriam continuado mesmo após a chegada de Milei à Casa Rosada, conforme reportagem do La Nacion.

https://noticias.uol.com.br

terça-feira, 17 de março de 2026

'Não precisamos de ninguém', diz Trump após aliados se negarem a entrar na guerra contra Irã.

  
Presidente dos EUA afirmou que a Otan negou um pedido seu para 
entrar na guerra contra o Irã e criticou a decisão: 'É um erro tolo'.

Por Redação g1 

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (17) que não precisa da ajuda "de ninguém" para seguir na guerra contra o Irã. A declaração ocorre um dia após países aliados rejeitarem o apelo do norte-americano para patrulhar o Estreito de Ormuz. 

Contexto: Trump pediu no fim de semana que aliados europeus e asiáticos enviassem navios militares para ajudar a liberar a passagem no Estreito de Ormuz - via marítima no Oriente Médio por onde passam embarcações transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo. Trump disse que países da Otan, a aliança militar do Ocidente, não concordaram em "se envolver com nossa operação militar contra o regime terrorista do Irã". Afirmou estar "desapontado" com a decisão, que chamou de "tola"."Nós não precisamos deles (sócios da Otan), mas eles deveriam ter ajudado. Estão cometendo um erro muito tolo", disse Trump durante encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin. 

Antes, em sua rede social Truth Social, ele escreveu que "nós não precisamos mais, nem desejamos, a ajuda dos países da Otan" e do Japão, da Austrália e da Coreia do Sul — que também negaram o pedido de Trump."Aliás, falando como Presidente dos Estados Unidos da América, de longe o país mais poderoso do mundo, NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM!", escreveu Trump. "O mesmo vale para o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul".

Pedido recusado.
No fim de semana, Trump pressionou aliados europeus e asiáticos para que ajudassem a patrulhar o estreito de Ormuz. O Irã afirma controlar o canal e tem atacado embarcações comerciais que passam por lá. Veja abaixo o que os países disseram na segunda (16) sobre o apelo de Trump:
 
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que a Alemanha não participará com suas forças armadas da segurança do Estreito: "O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos";
 
Já o chanceler da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a diplomacia é o caminho certo para resolver a crise no Estreito de Ormuz e que não há missões navais em que a Itália esteja envolvida que possam ser estendidas à região;
 
Um porta-voz do governo da Grécia declarou que seu país não se envolverá em operações militares no Estreito de Ormuz.
 
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou ainda não ter decidido se atenderá ao pedido de Trump, mas disse estar dialogando com aliados para tentar "bolar um plano" para garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
 
A França ainda não havia respondido à pressão de Trump, mas o presidente francês, Emmanuel Macron, já disse anteriormente que trabalha com países parceiros em uma possível missão internacional no estreito. Macron afirmou, no entanto, que isso só ocorreria quando os combates diminuírem.
 
A Coreia do Sul afirmou que “tomou nota” do pedido de Trump e que “coordenará de perto e analisará cuidadosamente” a situação com os EUA.

Petroleiros começaram a 'passar aos poucos', diz Casa Branca.
O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse à emissora "CNBC" nesta terça-feira (17) que petroleiros estão "começando a passar aos poucos" pelo Estreito de Ormuz, reiterando a posição do governo Trump de que a guerra com o Irã deve durar semanas, e não meses. Hassett, no entanto, não deu mais detalhes. 
 
Irã sinaliza abertura parcial do Estreito de Ormuz.
 
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que um grupo de embarcações de “diferentes países” já foi autorizado a passar, sem dar detalhes. O Irã afirmou que o estreito está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados. Araghchi acrescentou que “não vemos razão para conversar com os norte-americanos” sobre uma forma de encerrar a guerra. Ele também disse que Teerã “não tem planos de recuperar” o urânio enriquecido que ficou sob escombros após ataques dos EUA e de Israel no ano passado.

https://g1.globo.com