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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Os números da nova pesquisa Quaest para a presidência em primeiro turno.


Equipe CartaCapital

Lula lidera, Flávio Bolsonaro é 2º e Augusto Cury cresce: a nova pesquisa Quaest para 
o 1º turno. O levantamento testou duas simulações: com e sem o nome de Pablo Marçal.

A nova pesquisa Quaest para a presidência da República mostra o atual ocupante do cargo, Lula (PT) na liderança das intenções de voto, mais uma vez tendo Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário. O instituto testou dois cenários de primeiro turno: com e sem Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível mas tenta concorrer. Quando seu nome aparece, ele soma apenas um ponto percentual. O levantamento foi mais um a registrar alta nas intenções de voto de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado. O escritor tinha 2% no último levantamento do mesmo instituto, publicado em 14 de agosto, e agora saltou para 10% (nas duas simulações). 

Entretanto, as pesquisas publicadas agora e o levantamento de agosto não são diretamente comparáveis, já que Marçal não tinha sido lançado candidato àquela altura e o PRTB tinha Leonardo Avalanche como seu indicado.

Veja os percentuais: Primeiro turno – Cenário 1

    Lula (PT) – 37%
    Flávio Bolsonaro (PL) – 29%
    Augusto Cury (Avante) – 10%
    Renan Santos (Missão) – 3%
    Ronaldo Caiado (PSD) – 1%
    Romeu Zema (Novo) – 1%
    Samara Martins (UP) – 1%
    Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou
    Veterinário Wilson Grassi (Democrata) – não pontuou
    Clariana Barão (DC) – não pontuou
    Edmilson Costa (PCB) – não pontuou
    Hertz Dias (PSTU) – não pontuou
    Indecisos – 11%
    Branco/nulo/não vai votar – 7%

Primeiro turno – Cenário 2

    Lula (PT) – 37%
    Flávio Bolsonaro (PL) – 30%
    Augusto Cury (Avante) – 10%
    Renan Santos (Missão) – 3%
    Ronaldo Caiado (PSD) – 1%
    Romeu Zema (Novo) – 1%
    Samara Martins (UP) – não pontuou
    Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou
    Veterinário Wilson Grassi (Democrata) – não pontuou
    Clariana Barão (DC) – não pontuou
    Edmilson Costa (PCB) – não pontuou
    Hertz Dias (PSTU) – não pontuou
    Indecisos – 10%
    Branco/nulo/não vai votar – 7%

Foram realizadas 2.004 entrevistas entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais (para mais ou para menos). O código de registro no TSE é BR-07065/2026.

https://www.cartacapital.com.br/

Pedro Serrano: Reunião com Vorcaro impede Mendonça de seguir como relator do Caso Master.

 
Leonardo Miazzo

A revelação de que André Mendonça se reuniu em março de 2025 com o banqueiro Daniel Vorcaro impede o ministro do Supremo Tribunal Federal de prosseguir como relator das investigações sobre os esquemas do Banco Master, avalia Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo e colunista de CartaCapital. Mendonça partiu para o tudo ou nada contra o colega Alexandre de Moraes. Sob ordens do relator, a Polícia Federal produziu um documento de 218 páginas repleto de menções a diálogos entre Moraes e Vorcaro. Em ato contínuo, ao levantar o sigilo da peça, Mendonça escreveu que o “caminho inevitável” dos autos será o plenário e que a deliberação deverá ser “pública e transparente”, em sessão presencial a ser agendada pelo presidente Edson Fachin. Há, porém, um potencial obstáculo jurídico: a PF só pode investigar um ministro do STF com o aval do plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet — também citado nas conversas de Vorcaro —, já defendeu anular o relatório, sob o argumento de que Mendonça não pode “valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas”. O ministro, por sua vez, poderá recorrer à alegação de que não investigou Moraes e que não sabia que o colega seria o interlocutor do banqueiro nos diálogos que mandou esclarecer. Tudo isso a um mês do pleito presidencial. Este contexto, diz Pedro Serrano, demanda cautela e sugere a análise das mensagens em plenário somente após o processo eleitoral. “Tenho uma suspeita de que o ministro Mendonça pode ter agido por razão política, para interferir na eleição, o que é absolutamente indevido”, declarou o advogado.
 
 A condução de André Mendonça.

“Creio que houve ilegalidade na conduta do ministro Mendonça, porque ele interfere no funcionamento da Polícia Federal e age como um comandante da investigação quando determina esse relatório. Não é um mero relatório, são 218 páginas. Se isso não é investigação, o que é? Foram praticados atos de investigação. É muito evidente. Mesmo que não tenha o nome formal de investigação, é uma investigação. A meu ver, (Mendonça) deveria ter tido a cautela de obter uma autorização do plenário do Supremo para poder realizar aquilo sabendo que o alvo era o ministro Alexandre — ou que pelo menos ele estava no meio dos alvos”.

PGR pede a nulidade do relatório da PF.

“As duas coisas que o procurador-geral aponta são corretas. Ele (Mendonça) agiu de ofício, e acho menor esse problema. O problema maior é ele ter interferido na investigação, chamado a PF e determinado um certo tipo de procedimento sabendo que o alvo era um ministro do Supremo. Fazer isso sem pelo menos ter autorização do plenário acho inadequado. Outra coisa que também acho inadequada é muito comum no sistema de Justiça brasileiro, não só no Supremo: esse perfil de magistrado que quer conduzir a investigação como se delegado fosse. Agora, por outro lado, o relatório se funda em aparelhos apreendidos de Vorcaro de forma lícita, por ordem judicial. Então, as provas estão ali. Acho difícil justificar não investigar as condutas observadas. Acho que teria de haver uma investigação das eventuais condutas do ministro Alexandre, não porque haja algo provado ou materialidade de delito ali, mas existem indícios que podem ou não se confirmar. Indícios ensejam investigação”.

A reunião entre Vorcaro e Mendonça.

“Tomamos conhecimento hoje de que o ministro André Mendonça teve contato pessoal com Vorcaro fora do tribunal, em um ambiente privado, em um período em que ele já era investigado. Inclusive, há relatos de que foi tratada a questão do Banco Central. Creio que isso impede o ministro de permanecer como relator. Essas questões todas vão ser debatidas no plenário, pelo que estou vendo. O ministro Fachin deveria debater isso depois da eleição, porque tenho uma suspeita, uma intuição — que pode não se confirmar — de que o ministro Mendonça pode ter agido por razão política, para interferir na eleição, o que é absolutamente indevido. Havendo essa mera suspeita, é melhor afastar essa questão do período eleitoral, para o Supremo poder ter autonomia e independência para decidir essas questões tão intrincadas. Tenho 40 anos de exercício da advocacia e nunca vi uma crise dessa envergadura no STF. Espero que a Corte consiga superar este momento de um jeito ou de outro, com ou sem investigação, com ou sem deliberação de plenário”.

Sessão pública e presencial para analisar mensagens contra Moraes.

“É absolutamente equivocado essa questão ser tratada de forma pública. Já foi um grande erro ter aberto o sigilo do caso — não há magistrado ou integrante do Ministério Público que seja investigado em uma situação dessas sem ser de forma sigilosa. Não existe. Por isso é que tenho forte intuição de que isso foi feito para fins políticos, para interferir na eleição indevidamente. O ministro Fachin, a meu ver, deve servir à Constituição, à lei, ao interesse público, não ao espetáculo, como ele declarou na nota que soltou. Essa questão, se for decidida em plenário, tem de ser decidida em uma sessão secreta, absolutamente secreta. Não sei nem se em uma sessão presencial. Deve ser feita da forma mais discreta possível. Se existe algum crime ali — não sabemos se existe —, estaria muito longe de prescrever. Demoraria anos para prescrever. Há tempo para fazer qualquer investigação e chegar a qualquer conclusão. Não há necessidade nenhuma, do ponto de vista estritamente jurídico, de realizar essa decisão antes da eleição. A Corte precisa, neste momento, de calma, ponderação, equilíbrio. O ministro Mendonça, a meu ver, vinha bem nas principais decisões, com um erro ou outro, como todo mundo. Agora, ele realmente agiu de uma forma totalmente fora do que é a conduta adequada para um ministro do Supremo nessa situação”.

Há razões para abrir uma investigação formal contra Moraes?

"Existem celulares apreendidos que trazem indícios de uma conduta que pode eventualmente ser ilícita. É importante investigar até para poder realizar a ordem jurídica. O ministro do Supremo não tem diferença de qualquer outro cidadão em relação a esse tipo de situação. Quando há indício de que ele pode eventualmente ter cometido um ilícito, apura-se. Então, o que se deve fazer é apurar. Parte da mídia prega o impeachment do ministro, e acho isso descabido, porque não está caracterizado nada perto de um crime de responsabilidade. Um impeachment agora seria algo absolutamente inconstitucional e abusivo. E muito menos crime comum está caracterizado. O que precisaria fazer agora, a meu ver, é uma mera apuração”.

https://www.cartacapital.com.br 

Alcolumbre diz que pedido de 'R$ 130 milhões' para filme é esquecido: 'Agora o culpado só é o Moraes'.


Alcolumbre se dirigiu aos senadores da oposição. Na terça, Flávio Bolsonaro afirmou que Moraes, do STF, fez articulação política entre Alcolumbre e Lula.

Por Sara Curcino, TV Globo — Brasília 

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (2) que "todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões" para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    "Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado, culpado é só o ministro Alexandre de Moraes", disse Alcolumbre durante sessão do plenário do Senado.

Alcolumbre se dirigiu aos senadores da oposição. Na terça-feira (1º), em um discurso no Senado, Flávio Bolsonaro – que pediu o dinheiro a Vorcaro para financiar o filme – afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez articulação política entre os presidentes do Senado e da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    "Olhe o ambiente que os três Poderes respiram hoje: o Presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com vossa excelência. Olhe a que nível chegou o 'trabalho', muito entre aspas, de um ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou Flávio.

Na terça (1º), foi revelado mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme em setembro de 2025, dias após o senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrar Vorcaro de parcelas que estavam atrasadas. A informação é da revista "piauí" e foi confirmada pelo g1. Alcolumbre foi questionado por Flávio Bolsonaro, na terça, e por mais três oposicionistas, nesta quarta, sobre quando dará seguimento aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    "Abra esse impeachment de uma vez por todas, presidente Davi. Essa é sua chance de entrar para a história pela porta da frente dos heróis da República, e não sair com Alexandre de Moraes pelos fundos por que ele sairá", afirmou o líder do PL, Carlos Portinho (RJ).

O presidente do Senado disse não ter um prazo para analisar os requerimentos. Ele já citou que 109 pedidos, que solicitam afastamento não só de Moraes, mas dos outros ministros do STF, aguardam avaliação do Senado. É Alcolumbre quem decide se arquiva ou se admite a denúncia. Essa etapa é política e costuma ser o primeiro grande filtro. Só depois, se a denúncia for aceita, o processo pode avançar para uma comissão especial e, depois, para o plenário.

Trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro indicam que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que o teria como alvo.

https://g1.globo.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Por que caso Moraes é crise 'sem precedentes' no STF — e o que pode acontecer agora com o ministro.


Mariana Schreiber
Da BBC News Brasil em Brasília
 
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) terá que decidir o futuro das investigações que apuram a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central. Mensagens extraídas do celular do banqueiro, dentro do inquérito sobre fraudes bilionárias no Master, revelam uma série de interações atribuídas pelos investigadores a Vorcaro, Moraes e pessoas ligadas à família do ministro. As conversas incluem uma suposto pedido do banqueiro para que o ministro interferisse a seu favor na atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet. As investigações também confirmaram que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master. Além disso, foi revelado agora que o contrato chegou a ser editado por Moraes.

O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master, determinou na segunda-feira (31/8) que a PGR analisasse o relatório da PF que detalha a relação entre Moraes e Vorcaro e se manifestasse sobre a abertura de uma investigação contra o ministro. A PGR, por sua vez, se manifestou na noite de terça-feira (1/9) pela anulação do caso. Na visão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Mendonça não poderia ter solicitado diretamente à PF que produzisse um relatório sobre Moraes. Segundo o PGR, o ministro teria que ter submetido a questão ao plenário da Corte, antes de determinar essa apuração inicial.

Segundo criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil, a expectativa agora é que o plenário do STF julgue tanto o pedido de anulação da atuação de Mendonça quanto a possível investigação contra Moraes. O julgamento terá que ser marcado pelo presidente da Corte, Edson Fachin. 

O ineditismo do caso, porém, torna difícil prever todos os desdobramentos.
"Muito do que a gente vai ver a seguir é uma grande incógnita, não só em termos de fundamentação jurídica e de decisão, mas também em termos de jogo político mesmo. Ainda mais em período eleitoral", afirma o professor de Direito Processual Penal da Universidade Federal Fluminense (UFF) João Pedro Pádua. Na decisão que retirou o sigilo do relatório da PF nesta terça-feira (1/9), Mendonça defendeu que a deliberação do plenário sobre Moraes "deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do Colegiado, a partir de data a ser definida pelo eminente Presidente deste Supremo Tribunal [Edson Fachin]".

A previsão de uma sessão aberta e transparente, como solicitada por Mendonça, contrasta com a conduta da Corte quando analisou suspeitas levantadas pela PF contra o ministro Dias Toffoli, devido à venda de parte de um resort em que ele era sócio com seus irmãos no Paraná para um fundo ligado ao banco Master. Na ocasião, Toffoli pediu afastamento da relatoria do caso após Fachin convocar uma reunião de todos os ministros a portas fechadas. Foi depois disso que Mendonça foi sorteado para relatar os inquéritos do Banco Master. Para os criminalistas ouvidos pela reportagem, há elementos suficientes para que seja aberta uma investigação contra o Moraes."Se nós vivêssemos num país minimamente sério, ele já tinha renunciado. E, se não tivesse renunciado, renunciava agora. O contrato com a mulher dele já era um escândalo. Hoje, pelo que revelaram, ele discutiu e escreveu cláusula do contrato. Se isso é verdade, é um assombro", disse à reportagem o criminalista Gustavo Badaró, professor titular de Direito Processual Penal da Universidade de São Paulo (USP).

Na visão do professor, a abertura de uma investigação só seria possível após solicitação da PGR, o que não aconteceu nesse caso, já que Gonet defendeu a nulidade do relatório solicitado por Mendonça. Ele lembra, porém, que há precedentes em que o STF autorizou a continuidade de investigações mesmo contra a manifestação do Ministério Público. Isso ocorreu com o controverso inquérito das Fake News, quando a Corte discordou da posição da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pelo encerramento do caso. Caso a investigação seja aberta, nota Badaró, não há previsão legal para que Moraes seja afastado automaticamente do cargo. Isso dependeria de uma decisão do STF. "Não tem nenhuma previsão de afastamento obrigatório dele, a não ser que houvesse um requerimento da PGR e o Supremo entendesse que é aplicável a ele alguma medida cautelar de suspensão da função pública. A princípio, ele continua julgando", ressalta. "O que me parece é que, se ele estiver investigado por relações com o Daniel Vorcaro, pelo menos em relação aos processos do Daniel Vorcaro, tudo o que se tiver que decidir no Supremo, ele estará impedido de julgar", disse ainda.

Até o momento, Moraes não tem participado de julgamentos relacionados ao banco Master porque o caso vem tramitando na Segunda Turma do STF, não no plenário. Moraes integra a Primeira Turma."Eu penso que o plenário pode aplicar alguma medida cautelar de restrição, de afastamento momentâneo de Moraes do cargo, porque as acusações são muito contundentes e muito complicadas", afirma a advogada criminalista Camila Bouza. Na sua avaliação, também há elementos para abertura de um processo de impeachment no Senado. Já há dezenas de pedidos para cassar Moraes, sobretudo apresentados por parlamentares bolsonaristas, após o ministro conduzir o processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nunca autorizou a abertura.

Para Bouza, as novas revelações vão aumentar a pressão sobre Alcolumbre.
"Certamente isso vai ser o combustível para a oposição conseguir a instauração finalmente desse procedimento tão almejado há tanto tempo", acredita."Talvez o custo político de não levar o assunto ao plenário seja alto e o Alcolumbre acabe pautando. Até porque os pedidos anteriores atacavam os atos de Moraes como juiz, mas, agora, o que se tem é suposta conduta ativa e de influência dele fora da função de juiz", ressalta.

Investigação contra ministro do STF seria 'primeira na história'.
O professor da UFF João Pedro Pádua destaca o ineditismo e a sensibilidade do caso."Se acontecer isso, vai ser a primeira vez na história em que o ministro do STF sequer é investigado no inquérito policial, pelo menos por atos no exercício da sua função. Então, muito do que vai acontecer agora vai ser jurisprudência nova, decisões que nunca foram tomadas antes, sem precedentes"."Do ponto de vista político, especialmente de política interna da Corte, é bem mais sensível o STF julgar um colega seu, que é um de 11, do que o STF julgar até o presidente da República, que é de outro Poder", afirma.

Moraes ainda não se manifestou sobre as revelações da PF.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que, diante da abrangência do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo Banco Master, seu setor de compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes sobre a eventual existência de impedimentos legais para a celebração do contrato. Segundo o escritório, a consulta foi realizada porque Moraes é marido de Viviane Barci de Moraes, sócia-diretora da banca. O objetivo, de acordo com a nota, era verificar a existência de possíveis restrições, como ações sob relatoria do ministro no STF ou participação em julgamentos de interesse do potencial cliente. O escritório sustenta que não foi identificada previsão de atuação no STF nem qualquer impedimento legal para a contratação. A nota afirma ainda que Alexandre de Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master". "Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz a nota.

PGR também pode ser declarado suspeito?
Outra questão complicadora para o caso, notam os especialistas, é a situação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Como a mais alta autoridade do Ministério Público, é ele que deve conduzir investigações contra ministros do STF.

Gonet, porém, também é citado nos diálogos revelados pelas investigações.
Segundo o jornal O Globo, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, aparece como intermediador de contatos entre Vorcaro e Gonet. Ele teria atuado para que o banqueiro incluísse Pedro Gonet, filho do PGR, em uma viagem para Londres bancada pelo Master, para participação de um evento. Em outro momento, Soares manda uma foto ao lado de Paulo Gonet para Vorcaro, informando que estava com o PGR. Na sequência, ambos trocam ligações. Para Gustavo Badaró, da USP, as revelações são relevantes, mas menos graves que as informações envolvendo Moraes. Ainda assim, diz, o ideal seria que Gonet se afastasse do caso também."Eu acho que, se nós vivêssemos num país totalmente isento, todo mundo com muita responsabilidade, eu, se fosse o Gonet, diria que, para que não pairasse nenhuma dúvida, me afastaria por motivo de foro íntimo". Em caso de eventual afastamento de Gonet do caso, as investigações do Master seriam conduzidas pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, ressalta o professor da UFF João Pedro Pádua."Ele mesmo [Gonet] pode se declarar suspeito, ou os ministros e a própria polícia podem suscitar a suspeição", disse.

As mensagens obtidas pela investigação também indicam que Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto ao Gonet e ao diretor da PF, Andrei Rodrigues. No entanto, até o momento, não há informações de que Moraes tenha feito a solicitação e que algo tenha sido feito para proteger o banqueiro. O pedido teria ocorrido em 30 de outubro, após Vorcaro receber informações sigilosas de que a direção do Banco Central (BC) estaria pressionada a agir contra o Master, que acabou liquidado em novembro."O problema agora é que tive informações informais e confidenciais de turma do banco central que G [possivelmente Gabriel Galípolo, presidente do BC] e os diretores estão na pressão máxima de novo para uma medida, pois o Bacen está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim", afirmou o banqueiro."É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que faro algo em breve", continuou Vorcaro, na mesma mensagem. Naquele momento, o Master já enfrentava sérias dificuldades financeiras e Vorcaro estaria tentando vender o banco para investidores. Até o momento, não foi possível saber quais foram as respostas de Moraes a Vorcaro. Segundo a PF, os dois se comunicavam enviando prints de celular de mensagens escritas no bloco de notas.

Essas imagens eram compartilhadas por aplicativo de mensagem com visualização única e, por isso, o celular do banqueiro não armazenava as respostas do ministro. A PF, porém, conseguiu recuperar no celular de Vorcaro as mensagens que ele escreveu e printou e conseguiu identificar o envio dessas mensagens para o celular de Moraes.

https://www.bbc.com 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Exclusivo: Mendonça pede à PGR informações sobre mensagem de Vorcaro a Moraes que cita "proteção" de Gonet e Andrei.

Arte: GAAlmeida
Mensagem enviada por Vorcaro a Moraes fala da necessidade de 
“proteção” do diretor-geral da PF e do procurador-geral ao banqueiro.

Andreza Matais

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu para ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR) em um dos capítulos mais delicados que o caso Master já produziu até agora. Em ofício, o ministro solicitou informações complementares sobre conteúdo de uma mensagem enviada por WhatsApp que cita duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido de informações complementares foi motivado por mensagem enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um interlocutor desconhecido até certo momento da investigação. Na mensagem, Daniel Vorcaro diz que precisa da proteção de Andrei e de Paulo.

Segundo relatório feito pela própria Polícia Federal, Andrei e Paulo seriam, respectivamente, Andrei Rodrigues (o diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (o PGR). Após apurações preliminares, a Polícia Federal concluiu que a mensagem enviada por Daniel Vorcaro foi destinada a Alexandre de Moraes.

https://www.metropoles.com

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

BTG/Nexus: Lula lidera no 1º turno, Flávio cai 4 pontos, e Cury sobe 9.


Fernanda Bassi, Robson Santos

Pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje, mostra o presidente Lula (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Já Augusto Cury (Avante) cresceu nove pontos, em relação à semana passada, e tem 11%, na terceira colocação.

Em relação ao levantamento anterior, em 24 de agosto, Lula oscilou para baixo dentro da margem de erro, enquanto Flávio caiu quatro pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.005 eleitores, por telefone, entre 28 e 30 de agosto. O levantamento, contratado pelo banco BTG Pactual, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-08900/2026.

https://noticias.uol.com.br

domingo, 30 de agosto de 2026

Ex-comandante da FAB rebate Flávio sobre ele apoiar Lula.


PODER360

Senador do PL disse que fala do militar da reserva sobre 
risco de golpe em 2022 não era grave por ele não ser parcial.

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira Carlos Baptista Junior usou seu perfil no X neste sábado (29.ago.2026) para rebater uma declaração de Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista à TV Globo na 6ª feira (28.ago). Ao ser questionado sobre uma fala do militar da reserva de que houve risco iminente de golpe de Estado em 2022, o senador e candidato do PL à Presidência disse que a declaração não era grave por se tratar de uma pessoa que “está pedindo voto para Lula” e “completamente parcial”.

Carlos Baptista Junior disse ser leviano falar que ele faz campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Afirmou que o congressista do PL o associou ao petista para fugir da responsabilidade de responder à pergunta.

“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu o militar da reserva.

Eis o que César Tralli perguntou e a resposta de Flávio:
César Tralli – “O brigadeiro Baptista Júnior disse que houve risco iminente de golpe de Estado e pressões para que militares aderissem a uma ruptura institucional. O general Freire Gomes confirmou que a minuta do golpe foi apresentada e discutida em reunião com Jair Bolsonaro. Como o senhor avalia essas declarações dos comandantes do Exército e da Aeronáutica? Isso não é grave?”;
Flávio Bolsonaro – “Não, não é grave, porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para o Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”.

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Sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo foi 100% feita de cinismo.


Josias de Souza

Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro foi grosseiro com a repórter Ana Luiza Albuquerque, da Folha. Cobrado sobre a prestação de contas dos R$ 61 milhões que mordeu de Daniel Vorcaro, impacientou-se: "Olha só, vocês vão parar no tempo?". Na sexta-feira, indagado sobre o mesmo tema por Renata Vasconcellos, respondeu com respeito e compostura. Ou seja: estava completamente fora de si  Na véspera, Lula quis ensinar à apresentadora do Jornal Nacional como formular uma pergunta sobre crise fiscal. Caprichando na teatralidade, o filho do capitão solidarizou-se com Renata. E colocou-se à disposição para responder "qualquer tipo de pergunta". Sobreveio uma sabatina sui generis, dura de roer. A plateia teve que ouvir Flávio Bolsonaro por 40 minutos para concluir que ele não tem nada a dizer.

Vorcaro é apenas o "patrocinador privado" de uma "obra-prima": a cinebiografia de Bolsonaro. Nada a ver com o sujeito que passou a perna no banco público de Brasília. Ou que surrupiou fundos de aposentadoria de estados e municípios. E Flávio agora acha que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações. Questionado sobre as mentiras que andou dizendo sobre as urnas, Flávio deu o braço a torcer. Admitiu ter errado ao trombetear a falsidade segundo a qual urnas eletrônicas foram fabricadas por uma empresa venezuelana. Prometeu respeitar o resultado da eleição. Mas insinuou que seu respeito pode subir no telhado se Lula vencer: "Eu não vou perder. E digo mais: vou ganhar no primeiro turno".

Sobre o complô do golpe, Flávio percorreu na sabatina o roteiro de sempre. Nesse script, Bolsonaro não fumou a democracia, não bebeu o Estado Democrático de Direito e não cheirou uma anistia em causa própria. Só mentiu um pouco. O filho ecoa a ficção: golpe, que golpe? "Ele foi julgado pelos seus inimigos". E adiciona inverdades novas ao estoque antigo: o brigadeiro Carlos Baptista, que negou apoio ao golpe, hoje "pede voto para o Lula".

A entrevista mostrou que há dois Bolsonarinhos na praça. O Flávio manjado condecorou na cadeia o miliciano Adriano da Nóbrega. Empregou a mãe e a mulher do PM matador na folha da rachadinha da Alerj. O sabatinado da Globo diz ter rendido homenagens a um "policial injustiçado". Não poderia supor que houvesse um facínora escondido dentro da alma do agraciado.

Flávio foi confrontado com um artigo de 2019. Nele, sustentou que o aquecimento global "não existe". Tentou calibrar sua aversão à ciência: "Pra mim, o que acontece hoje são exemplos climáticos extremos". Se os resíduos mentais do bolsonarismo fossem concretos, não haveria esgoto que bastasse. A sabatina de Flávio Bolsonaro foi 100% feita de cinismo.

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sábado, 29 de agosto de 2026

A fala de Lula no JN que mais causou irritação na TV Globo.

 
Presidente, alvo de uma sabatina draconiana, fez uma crítica direta, porém contextualizada, à mais influente emissora televisiva do país. Entenda como a declaração causou indignação no grupo de mídia.

Por: Henrique Rodrigues 
 
A aguardada sabatina com o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, transmitida pelo Jornal Nacional na noite de quinta-feira (27), acabou convertida em um dos episódios mais tensos da relação recente entre o Palácio do Planalto e a TV Globo nos últimos anos. Do ponto de vista de boa parte do público, de analistas políticos e até mesmo de jornalistas veteranos, incluindo ex-integrantes de peso da própria emissora, o formato adotado na entrevista esteve longe do escrutínio republicano tradicional. O tom empregado pela bancada aproximou-se muito mais de um interrogatório inquisitorial típico de regimes de exceção do que de uma entrevista democrática com um postulante ao cargo máximo da nação.

Apesar da postura abertamente beligerante dos entrevistadores, Lula valeu-se de sua longa bagagem política para contornar o cerco. Conseguiu levar a situação “na flauta”, equilibrando firmeza institucional com respostas contundentes, repletas de analogias e resgates históricos do passado recente. Contudo, em meio às interrupções e ao clima de forte atrito, uma manifestação em particular no bloco intermediário provocou uma onda de indignação nos bastidores da direção do maior grupo de mídia do país: a crítica direta, ainda que contextualizada no debate, ao apoio irrestrito dado pela imprensa corporativa, com destaque histórico para a própria Globo, aos excessos e ilegalidades cometidos pela Operação Lava Jato.

O estopim para a declaração ocorreu durante a insistente abordagem sobre Fábio Luís Lula da Silva. Trata-se de um episódio em que a mídia hegemônica convencionou utilizar o apelido pejorativo de “Lulinha” em uma tentativa desproporcional de atingir a figura do presidente. Ao responder sobre as insinuações que pairam sobre o filho, baseadas unicamente em conversas de terceiros e sem qualquer indício de ato ilícito, Lula iniciou sua fala demarcando uma postura estritamente republicana e de respeito às instâncias de investigação:

    “Não tem nenhuma acusação, tem ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi. Eu não sou do Ministério Público, não sou da polícia, eu sou presidente. Eu não vou afastar delegado como outros fizeram. Ele [Fábio] sabe o que eu passei, o que a Marisa [Letícia] passou com a Lava Jato. Ele tem obrigação de não ter feito nada errado. Ele tem que provar a inocência dele. Não vou fazer um milímetro de movimento para proteger meu filho. Esse é o comportamento do presidente da República”, começou dizendo Lula.

Na sequência imediata, contudo, o chefe do Executivo aproveitou a ponte narrativa sobre as perseguições familiares para desferir o golpe de misericórdia que paralisou os bastidores do programa. Ao relembrar o período em que permaneceu encarcerado injustamente em Curitiba e a conduta do ex-juiz suspeito Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol, Lula direcionou o foco diretamente aos veículos de comunicação que chancelaram aquele processo sem qualquer revisão crítica posterior:

    “Eu conheço isso muito bem porque eu já vivi. Eu fui vítima da Lava Jato, a maior mentira que contaram nesse país para me afastar da eleição. Eu fiquei 580 dias preso para provar que o Moro estava mentindo… Eu coloquei minha cara. Eu poderia ter saído do Brasil. Queria provar que o Moro é mentiroso, Dallagnol é mentiroso. E a imprensa comprou essa mentira. A imprensa nunca me pediu desculpa por ter criado um monstro chamado Moro”, disparou o presidente da República.

O incômodo gerado no alto comando da emissora foi imediato e profundo. A fala atingiu em cheio um ponto sensível e nunca completamente pacificado pela TV Globo: a ausência de um “mea culpa” formal sobre a cobertura panfletária e o endosso irrestrito concedidos às arbitrariedades da Lava Jato ao longo de anos. Ao jogar luz sobre o fato de que o consórcio de imprensa transformou operadores do Judiciário em heróis nacionais, em um processo posteriormente anulado e eivado de parcialidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, Lula expôs a ferida aberta da cumplicidade editorial do canal.

Nos bastidores da emissora, a declaração foi recebida com enorme irritação porque desmontou a narrativa de neutralidade técnica exatamente no momento em que a bancada tentava impor um tom acusatório sobre a gestão atual. A menção ao “monstro criado” reativou o debate sobre a responsabilidade histórica dos meios de comunicação na ascensão de figuras extremistas e no desmonte de garantias constitucionais no país. Ao confrontar o passado da cobertura ao vivo, Lula não apenas rebateu a investida contra sua família, mas deixou registrado em plena primetime a conta histórica que a Globo insiste em não pagar.
 
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

No JN, Lula desafia suspeitas sobre Lulinha: “Cadê a prova?”


Publicado por Laura Jordão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante a sabatina do Jornal Nacional na quinta-feira (27), que não haverá “um milímetro de movimento” da Presidência para proteger Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Questionado por César Tralli, Lula disse que o filho terá de responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito. “Ele não será protegido por ser meu filho”, afirmou. O petista acrescentou que confia na inocência de Lulinha, mas que ele deverá prestar depoimento e participar dos inquéritos. Tralli citou mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger nas quais ela afirmaria atuar em sintonia com Lulinha e trabalhar a política “via Palácio”. Lula classificou o material divulgado como “ilações tiradas de telefonemas” e disse que conversas encontradas em celulares não comprovam, isoladamente, as suspeitas investigadas.

O presidente afirmou que, “até agora”, não foi apresentada prova do uso de dinheiro público ou de conversas entre o filho e ministros. Também acusou a PF de vazar informações para a imprensa. A origem da divulgação de dados sigilosos, porém, é objeto de apuração e não há conclusão pública que atribua a responsabilidade à instituição ou a agentes determinados. Renata Vasconcellos perguntou ainda sobre uma mensagem em que Roberta teria dito que Lula lhe ofereceu um cargo no governo. O presidente negou conhecer a empresária. “Eu nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça”, declarou, antes de chamar o relato de “imbecilidade” e comparar a repercussão do episódio ao silêncio que cerca o caso Master.

Renata também abordou a atuação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. O presidente reconheceu que as relações descritas levantam suspeitas e classificou como “totalmente errado” o recebimento de joias e o pagamento de despesas pessoais por Roberta. Marcola afirma que os R$ 249 mil recebidos foram um empréstimo, versão na qual Lula disse acreditar enquanto aguarda a conclusão da apuração. Três inquéritos específicos vieram a público e apuram suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de interesses privados em órgãos federais. Os procedimentos estão em andamento e não representam condenação. As defesas dos envolvidos negam irregularidades e contestam interpretações dadas a mensagens divulgadas pela imprensa.

A Procuradoria-Geral da República afirmou que a PF não identificou a conclusão de um negócio entre o grupo do Careca do INSS e o poder público no eixo da cannabis medicinal, nem uma conexão lógica ou instrumental entre essa frente e os descontos ilegais sofridos por aposentados. A manifestação não arquivou os inquéritos nem apresentou uma conclusão geral sobre as demais suspeitas.

No campo jurídico, a investigação não transfere ao investigado o dever de demonstrar a própria inocência. Apesar da declaração política de Lula de que o filho precisa “provar a inocência”, permanece válida a presunção de inocência, cabendo aos órgãos de acusação demonstrar eventual conduta criminosa com provas submetidas ao devido processo legal.

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