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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Milton Cunha fala no Instagram o que a Globo censurou sobre o desfile homenageando Lula.


Caique Lima

O carnavalesco Milton Cunha publicou um vídeo nas redes explicando o enredo em homenagem a Lula censurado pela TV Globo neste domingo (15). A escola de samba Acadêmicos de Niterói, primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí, promoveu o samba enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.“A jornada do herói, uma estrutura de narração muito utilizada desde sempre pela humanidade para dar grandes mensagens e é uma forma de comunicar educação valor e aí é essa jornada da Acadêmicos de Niterói sobre o menino Luiz Inácio”, explicou. Segundo ele, o enredo começa com “um país assombrado”, em referência aos “anos de chumbo, da ditadura militar”, ambientado no sertão e na infância do personagem.

Milton descreve a travessia da família para São Paulo ao som de “Luar do sertão”, evocando retirantes e gravuras populares. Ele afirma que o herói enfrenta “o desafio, o problema, a crise e a virada”, descobre o sindicato, ajuda a fundar um partido e segue acumulando derrotas e vitórias até se tornar “presidente da nação verde amarela”, numa subida comparada à rampa do Planalto. O carnavalesco também citou políticas públicas ao falar de “programas sociais, projetos, ‘Minha casa, minha vida’, contra fome, ajudando estudantes a terminar seus cursos”. Para ele, o desfile transforma o personagem em símbolo coletivo: “Um operário da cultura do bem, do valor humano, do humanismo”, ampliando a ideia de trabalhador para além da fábrica.“É um desfile, um enredo sobre esperança, sobre esperança de como mulheres, comuns, homens, comuns, podem empreender uma jornada que os levarão a feitos fabulosos”. E completa que há “o triunfo do nosso herói”, mas que a escolha foi começar pelo menino e pela mãe para aproximar a história do público.

A transmissão da Globo, detentora dos direitos exclusivos, adotou cobertura classificada pela própria emissora como “mais comedida”. Momentos como o esquenta não foram exibidos, e o intérprete Emerson Dias, fantasiado de Lula, apareceu rapidamente. Em nota, a empresa afirmou que “acompanha, durante todo o ano, os preparativos para a festa” e destacou a operação com “cerca de 1.200 profissionais em mais de 42 horas de transmissão ao vivo”. O desfile havia sido liberado pela Justiça Eleitoral e não havia impedimento jurídico. Ainda assim, a Globo decidiu ser omissa na transmissão da homenagem.

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EUA estão preparados para atacar Irã já neste fim de semana, diz TV.



Gilvan Marques

EUA mandaram equipamentos para o Oriente Médico. O USS Gerald Ford —tido como o porta-aviões mais avançado— deve chegar à região já neste fim de semana. Outros recursos, como aviões-tanque de reabastecimento e caças, já haviam sido enviados. Americanos têm buscado expandir o escopo das negociações. O objetivo de Trump é levar para a mesa de discussões questões não nucleares, como o arsenal de mísseis iraniano. O Irã afirma estar disposto apenas a discutir restrições para o seu programa nuclear. Em troca, o alívio às sanções. Teerã descarta a possibilidade de abandonar completamente o enriquecimento de urânio. Os iranianos afirmaram ontem que havia concordado com os Estados Unidos sobre "diretrizes gerais" em Genebra para um acordo que evitasse conflitos, mas descartou a chance de discutir o seu programa de mísseis. Casa Branca não está completamente satisfeita com negociações. A secretária de imprensa do governo Trump, Karoline Leavitt, disse aos repórteres que houve algum progresso em Genebra, mas que ainda estamos muito distantes em algumas questões.

Irã está reforçando instalações nucleares.
Imagens de satélite mostram país se movimentando. Os iranianos estariam usando concreto e grandes quantidades de terra para enterrar locais estratégicos, segundo a CNN.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Desfile debocha de Bolsonaro e exalta Lula, que vai à avenida sem Janja.


Adriana Ferraz, Ana Paula Bimbati

Artistas globais interpretaram Lula, dona Lindu (mãe dele) e a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Paulo Vieira, Dira Paes e Juliana Baroni, respectivamente, se dividiram entre as 25 alas, compostas por 150 integrantes cada. Boneco gigante de Lula no último carro. A escola levou cinco carros para a avenida, com um boneco gigante do presidente encerrando o desfile. Presidente foi à pista e beijou pavilhão da escola. Ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), o presidente deixou o camarote municipal para ir à avenida e saudar os integrantes da escola; ele acompanhou a maior parte dos desfiles no chão. A previsão, no entanto, era que ele assistisse à festa da plateia, acompanhado de ministros, para evitar questionamentos de cunho eleitoral.

Janja não desfilou.
Primeira-dama foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Rosângela da Silva não entrou na avenida, como planejado, e acompanhou a festa no camarote da prefeitura carioca. De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, ela foi pressionada a desistir de desfiar por receio de gerar problemas com a Justiça Eleitoral. Janja foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Ministros também não participaram do desfile. No mesmo carro de Fafá, estavam artistas como Paulo Betti, Bete Mendes, Chico Diaz e Júlia Lemmertz. 

Provocação a Bolsonaro, Temer e Eduardo.
Palhaço preso com tornozeleira danificada ironizou prisão de ex-presidente. Jair Bolsonaro foi representado de forma provocativa como um palhaço preso com uma tornozeleira danificada em um dos carros alegóricos da escola. Nas redes sociais, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, criticou a alegoria e destacou que Lula é quem foi preso por corrupção. Bolsonaro também foi retratado na comissão de frente. Na abertura do desfile, um ator surgiu fantasiado como o palhaço Bozo, representando o ex-presidente, fazendo "arminhas" com as mãos e flexões de braço. O ex-presidente também apareceu em meio a cruzes com o número de mortos pela covid-19 no Brasil: mais de 700.000.

Comissão de frente também fez referências a Dilma e Temer. A encenação dos personagens começou com Lula passando a faixa presidencial para Dilma Rousseff (PT) — em 2010, ele lançou a petista ao Planalto após cumprir dois mandatos no governo federal. Logo depois, o personagem que representou o ex-presidente Michel Temer (MDB) arrancou o adereço da petista, em uma referência ao impeachment de 2016. Escola também retratou Bolsonaro e Lula discutindo. O ex-presidente estava próximo de uma bandeira com as cores dos Estados Unidos e o petista, com as do Brasil.

Um das alas ironizou Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Os integrantes estavam fantasiados de Mickey. Na mão, seguravam uma tocha da Estátua da Liberdade que coloca fogo na bandeira do Brasil. Segundo a sinopse do desfile, a fantasia é inspirada em uma charge feita por Nando Motta, na ilustração original, é Eduardo quem está vestido do personagem.

PT teve ala própria com estrela, mas sem número 13.
Símbolos do partido estamparam fantasia. A estrela e a cor vermelha compuseram a fantasia da ala dedicada à sigla. Segundo a sinopse do desfile, a fundação da legenda foi uma consequência da liderança sindical de Lula na região do ABC Paulista. Escola evitou expor número 13. Seguindo recomendações de especialistas em direito eleitoral, a escola evitou usar o número do partido em alegorias ou fantasias. Há menção indireta, porém, no samba-enredo. Segundo a letra, a viagem de Lula ainda criança para São Paulo em um pau de arara levou 13 dias.

Escala 6x1.
Ala dedicada à promessa do petista. Uma ala inteira se apresentou no final do desfile para defender o fim da escala 6x1, promessa de Lula para o último ano de seu terceiro mandato presidencial. Na sinopse, o projeto foi citado como parte da "luta histórica por melhores condições de vida para a classe trabalhadora". Figurino trouxe relógios para criticar jornada de trabalho extensa. A justificativa é "medir e registrar o tempo que o trabalhador dedica efetivamente ao trabalho". Além disso, a sinopse justificou que a indumentária quis fazer uma crítica aos patrões que controlam o tempo dos funcionários como se fossem brinquedos ou robôs.

Marcas petistas.
Programas sociais petistas foram exaltados na avenida. A escola deu destaque a programas lançados nos primeiros mandatos, como Bolsa Família, Prouni, Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida. Sinopse falava em "luta de classes". Segundo o programa divulgado pela escola, o quarto setor, já da metade para o final do desfile, apresentou as políticas sociais desenvolvidas por Lula na presidência da República e a "luta de classes" que, no entendimento do carnavalesco, permeia seus mandatos. Taxação de bilionários foi celebrada na avenida. Quase no final do desfile, a escola comemorou a decisão do governo de isentar os mais pobres do pagamento de imposto de renda e taxar os mais ricos. Nas fantasias, células de dinheiro e cartolas de banqueiros.

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Eucalipto mostra a busca pela cura e celebra Guarapari, a "Cidade Saúde".

Escola destacou o poder da radioatividade nas areias monazíticas de Guarapari, que atraiu pessoas em busca da cura.

Ana Piontkowski * e Maeli Radis

A Independente de Eucalipto desfilou no Carnaval de Vitória 2026 já na madrugada de sábado (14). A escola de samba da Grande Maruípe mostrou a busca dos seres humanos pela cura e destacou a “Cidade Saúde”, Guarapari (ES).

O desfile no Sambão do Povo, com a assinatura do carnavalesco Douglas Palluzzo, apresentou uma jornada cultural e histórica sobre a procura da cura. Desde civilizações antigas até a saberes medicinais, a escola revelou como o poder da radioatividade passou a ser utilizado por pessoas nas areias monazíticas de Guarapari. O município capixaba guarda em suas praias propriedades com potencial terapêutico especialmente para doenças reumatológicas, respiratórias e dermatológicas.

Ao apresentar essas características, a Eucalipto reconheceu e preservou a história de Guarapari. Ao todo, foram 900 componentes em 15 alas, além de dois carros alegóricos e um tripé
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Decidiu bater de frente com os Estados Unidos e mandar 814 toneladas de alimentos para ajudar Cuba.


Por Henrique Cesaretti

Em meio à crise de abastecimento que atinge Cuba, um novo capítulo ganhou destaque no cenário internacional. Uma potência decidiu bater de frente com os Estados Unidos e enviar 814 toneladas de alimentos para ajudar a ilha caribenha.

A ajuda humanitária por parte do Governo do México inclui milhões de quilos de produtos básicos, justamente em um momento em que a população enfrenta dificuldade para encontrar itens essenciais. O envio foi tratado como estratégico e até mesmo simbólico diante das sanções que pesam sobre o país.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a carga chegou como parte de um acordo de cooperação. No entanto, o gesto também carrega um recado político claro ao governo norte-americano.

Cuba atravessa uma das piores crises alimentares das últimas décadas, com prateleiras vazias e longas filas nos mercados. A escassez tem afetado diretamente o dia a dia da população e aumentado a pressão sobre as autoridades locais.

O envio das 814 toneladas busca justamente amenizar esse cenário e garantir o mínimo necessário para milhares de famílias. Até mesmo setores mais críticos do governo cubano reconheceram a importância da ajuda neste momento delicado.

Especialistas apontam que a iniciativa reforça alianças internacionais e amplia a disputa por influência na região. No entanto, também reacende o debate sobre os impactos do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos.

A movimentação internacional ocorre enquanto Cuba tenta reorganizar sua economia e ampliar parcerias comerciais. Justamente por isso, cada gesto externo acaba tendo peso político e econômico significativo.

Relação de Cuba e Estados Unidos

Os Estados Unidos não são contra a ajuda humanitária em si, no entanto, esse tipo de envio é visto como parte de uma disputa política maior, já que mantêm um embargo contra Cuba para pressionar o governo por mudanças. Quando outra potência envia grandes volumes de alimentos, isso pode justamente enfraquecer o impacto das sanções e ampliar a influência desse país na região, algo sensível para Washington.

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Países ricos deveriam temer 'Brasileirização' da economia global, diz The Economist.


A revista The Economist usou o Brasil de alerta para a economia de países ricos. Em artigo publicado na quinta-feira (12/2), o veículo afirma que o mundo rico deveria temer a "Brasileirização", ou seja, um cenário em que juros elevados tornam a dívida pública cada vez mais difícil de administrar. O artigo afirma que o paradoxo do país é combinar indicadores que, à primeira vista, seriam considerados positivos, como crescimento econômico, banco central independente e orçamento primário "quase equilibrado", com uma dinâmica de endividamento considerada explosiva. Com a selic, a taxa básica de juros, em 15% ao ano, o governo brasileiro "provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros", diz a revista, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio."Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico."

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública bruta do Brasil vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%."Pode parecer dolorosamente difícil, em um mundo populista, ao mesmo tempo, prometer baixa inflação e gastar menos com os idosos. Mas isso não é nada comparado à escolha agonizante que se aproxima do Brasil: entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida."

Mas a saída pela austeridade, diz a publicação, parece politicamente inviável. Segundo o texto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição em outubro, "afrouxou os cordões da bolsa", o que reduz as chances de um ajuste fiscal severo no curto prazo. Para explicar por que o país paga taxas tão superiores às de economias ricas, a revista aponta uma combinação de fatores institucionais e históricos. As instituições brasileiras, diz a revista, seriam "frágeis" e chegaram a "vacilar" durante a tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Além disso, a inflação teria "um pavio mais curto", em razão do trauma da hiperinflação dos anos 1980 e 1990 e da crise econômica da década passada. Outro elemento é a rigidez do gasto público. O Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias. Sem reformas, diz a revista, o país gastará mais em 2050 com pensões do que países "mais ricos e mais envelhecidos"."Ainda assim, as pensões são protegidas na Constituição, que, por exemplo, determina que, quando o salário mínimo sobe, os aposentados também recebam mais. O controle extraordinário dos pensionistas sobre o orçamento dificulta o equilíbrio das contas e também desloca outros gastos mais valiosos."Para a The Economist, o país sul-americano funciona como um "alerta antecipado" do que pode acontecer com economias avançadas. "A aflição fiscal do Brasil lança em relevo os orçamentos do mundo rico", diz.

O editorial afirma que os Estados Unidos já exibem sintomas iniciais do processo de "brasileirização": instituições sob pressão e uma inflação mais difícil de controlar após a pandemia. O texto cita o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "politizou o Departamento de Justiça", deseja controlar o Federal Reserve e "cogita federalizar as eleições". A revista também observa que, assim como no Brasil, o peso crescente de aposentadorias e gastos com saúde tende a pressionar os orçamentos do mundo rico.

Problemas vão além de 'desperdícios' de Lula.
Na quinta-feira (11/2), a revista havia publicado outra análise sobre o Brasil. A revista afirma que, apesar de indicadores positivos, a trajetória da dívida brasileira é "insustentável" e que "os pessimistas estão certos em prever problemas". Para a The Economist, a crise fiscal não se explica apenas pela política do governo Lula, mas por um sistema capturado por interesses poderosos, muitos protegidos pela Constituição. No texto, a revista britânica afirma que as eleições de outubro serão fundamentais para evitar que a economia do Brasil não estagne e entre em crise, caso os parlamentares eleitos "encontrem a coragem" para "enfrentar os interesses arraigados". A revista também criticou o sistema tributário, classificado como uma "bagunça"."As estimativas dos custos econômicos variam, mas são da mesma ordem de grandeza da perda de crescimento devido à falta de credibilidade fiscal, o que equivale a talvez meio ponto percentual do PIB anualmente."A falta de reformas, diz a The Economist, mina a confiança do mercado e custa ao Brasil até um ponto percentual de crescimento por ano. A revista reconhece avanços recentes, como o teto para isenções e o IVA dual, que pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033, mas avalia que, sem mudanças estruturais, o país seguirá preso a um modelo fiscal insustentável.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Nikolas é réu e pode perder mandato em julgamento nesta quarta (11/2).

Julgamento analisa possível uso indevido de meio de comunicação social e abuso do poder promovido pelo deputado nas eleições de 2022.


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) enfrenta, nesta quarta-feira (11/2), um julgamento sobre uso indevido de meio de comunicação social e abuso do poder econômico, político e econômico no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Caso condenado, Nikolas pode perder o mandato. A sessão acontece desde 8:00h, em plenário híbrido, e a acusação se refere a postagens feitas pelo réu, quando vereador de Belo Horizonte e candidato a deputado federal, com ataques às urnas eletrônicas e difusão de desinformação sobre o sistema eleitoral com urnas eletrônicas. Informações no TRE-MG dão conta de que o julgamento une dois processos similares: um deles movido pela ex-candidata do PSOL ao Senado Sara Azevedo e outro pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). No processo de Sara, que se trata de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), a ex-candidata descreveu Nikolas como um político de direita que “usa a sua notoriedade nas redes sociais para atacar as urnas eletrônicas e as instituições democráticas”, sendo “um dos principais personagens do ecossistema de desinformação bolsonarista constatado e denunciado no curso do período eleitoral findo recentemente”.

Segundo ela, o atual deputado, integrante de um ecossistema de desinformação associado ao bolsonarismo, ataca o sistema eletrônico de votação, as instituições democráticas e incita a revolta da população com falas que reproduzem informações fraudulentas. A investigante também afirmou que o investigado preenche debate público com desinformação, sendo um dos “personagens mais influentes nas redes sociais da direita no Brasil”, o que lhe dá credibilidade e evidencia abuso de poder. Além da investigação, Sara pediu quebra de sigilo fiscal e bancário, apresentação de ofícios nas plataformas de redes sociais para a apresentação de informações, cassação de registro e diploma e declaração de inelegibilidade pelos próximos oito anos.

No curso do processo, a Justiça determinou o envio de ofícios ao Twitter e ao YouTube (Google), responsáveis pelos dados relacionados às postagens mencionadas na ação. Já as solicitações direcionadas ao Facebook, Instagram e Gettr foram rejeitadas, sob a justificativa de que não houve indicação específica de conteúdos publicados nessas plataformas. O requerimento para quebra dos sigilos bancário e fiscal de Nikolas também foi negado. Na decisão, o magistrado apontou ausência de elementos que comprovassem a relação direta entre a medida pleiteada e os fatos descritos, além da falta de fundamentos que autorizassem a adoção de uma providência de caráter excepcional.

Defesa nega intenção de propagar desinformação.
Por sua vez, a defesa de Nikolas afirmou que ele não teve intenção de difundir informação falsa ou contrária ao sistema eleitoral e que somente pediu investigação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca de supostas denúncias em relação às urnas, exercendo seu dever parlamentar de fiscalização. Nega, portanto, que tenha cometido ataques às instituições democráticas e ao sistema eleitoral. A parte ré também afirmou que a investigante “criou fantasias” de que haja um ecossistema de desinformação quando, “na verdade, o que existe é uma rede social livre em que cada pessoa, candidato, empresa publicam conteúdos pessoais, opiniões particulares ou até mercantilizam suas mercadorias de forma totalmente espontânea, sem nenhum tipo de grupo organizado para aquela ou outra pauta política”.

Para a defesa, Nikolas difundiu “fatos verídicos” e “amplamente noticiados pelos principais meios de comunicação do país”, em uma “livre manifestação do pensamento e da liberdade de expressão”, conforme despacho do processo. A assessoria de Nikolas Ferreira foi consultada e informou que se posicionará em breve sobre o caso. O espaço segue em aberto.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A China plantou milhões de árvores para frear o deserto, mas cometeu um erro de cálculo: a floresta começou a 'beber' a água das pessoas.


Comparação entre os megaprojetos da China e da África mostra como o reflorestamento mal planejado pode agravar a escassez de água e gerar novos impactos ambientais.

Laura Vieira

O plantio de árvores sempre foi tratado como uma espécie de remédio para combater a degradação ambiental. Mais árvores significariam menos CO₂ na atmosfera, solos mais protegidos e desertos contidos, mas nem sempre significam mais sustentabilidade. Dois dos maiores projetos de reflorestamento do planeta, um na China e outro na África, começaram a revelar um paradoxo que ninguém esperava: nem toda floresta salva o ambiente.

Na China, programas lançados nas últimas décadas para conter o avanço do Deserto de Gobi, reunidos sob o nome Grande Muralha Verde da China, ajudaram a capturar carbono e frear a areia, mas também alteraram o ciclo da água em regiões inteiras. Já na África, um  projeto com nome parecido seguiu um caminho diferente: a Grande Muralha Verde africana surgiu quase como uma resposta a esse tipo de erro, priorizando o manejo sustentável da terra e a participação direta das comunidades locais, ao invés de monoculturas em larga escala. A comparação entre as duas iniciativas mostra que, no combate às mudanças climáticas, não é o número de árvores que define o sucesso, mas a forma como são plantadas e integradas ao ambiente.

Reflorestamento na China conteve o deserto, mas secou o solo.
Conter desertos é um dos maiores desafios ambientais enfrentados por países com grandes áreas áridas. No norte da China, o Deserto de Gobi, que há anos avança sobre cidades, áreas agrícolas e rotas comerciais, fez o país apostar no reflorestamento como uma política de Estado. A ideia envolvia plantar milhões de árvores para criar uma barreira verde contra o avanço do deserto e, de quebra, absorver grandes volumes de dióxido de carbono. Inicialmente, o plano funcionou, e o Deserto de Gobi foi contido em várias áreas. No entanto, relatórios citados pela Weather revelaram um efeito colateral que ninguém esperava. Muitas dessas florestas foram formadas por espécies não nativas e de crescimento acelerado, escolhidas não por sua adaptação ao ecossistema local, mas pela velocidade com que cresciam e faziam as áreas reflorestadas aparecerem rapidamente nos indicadores e mapas oficiais. O problema é que essas árvores também têm uma demanda altíssima por água.

Por meio da evapotranspiração, elas devolvem umidade para a atmosfera, mas retiram grandes volumes do solo e dos aquíferos. Como consequência, isso reduziu a disponibilidade hídrica para agricultura, consumo humano e abastecimento urbano, fazendo com que a floresta passasse a disputar o mesmo recurso usado pelas comunidades locais. 

Um estudo publicado na revista científica Earth’s Future mostra que, entre 2001 e 2020, essa dinâmica contribuiu para uma redução da água doce em regiões do leste e do noroeste da China, enquanto outras áreas, como o Planalto Tibetano, registraram aumento. A pesquisa indica que as árvores conseguem captar água de camadas profundas do solo e redistribuí-la pela atmosfera, alterando o destino das chuvas. O resultado foi um redesenho inesperado do ciclo hidrológico, em que a água continua circulando, mas passou a cair em lugares diferentes, longe de onde era mais necessária. 
 
Grande Muralha Verde da África: um projeto de restauração 
ecológica que envolve solo, água e comunidades.

Enquanto a China apostava em escala e velocidade para conter o deserto em seu próprio projeto conhecido como Grande Muralha Verde, a África seguiu um caminho muito mais ambicioso: criar um cinturão verde de cerca de 8.000 quilômetros, atravessando 22 países. Lançada sob a coordenação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a Grande Muralha Verde para o Saara e o Sahel tinha como objetivo frear a degradação do solo, conter o avanço da desertificação e recuperar áreas produtivas.

Com o tempo, porém, o projeto foi sendo reformulado. A ideia de uma faixa contínua de plantio deu lugar a um conceito mais amplo, definido hoje como um “mosaico de intervenções”. O foco deixou de ser apenas a quantidade de árvores e passou a incluir regeneração natural, manejo sustentável da terra e a participação direta das comunidades locais. A meta é restaurar 100 milhões de hectares de terras degradadas até 2030, sequestrar 250 milhões de toneladas de carbono e criar 10 milhões de empregos verdes. Nesse modelo, a árvore não é o fim, mas o meio. A prioridade está na segurança alimentar, na economia local e no uso inteligente da água, justamente para evitar os erros associados a monoculturas e soluções tecnológicas, como o caso da China. Reflorestar não é só plantar: o contraste entre a estratégia chinesa e africana revelam os riscos do reflorestamento sem planejamento.

Quando colocados lado a lado, os dois projetos revelam estratégias diferentes de combate à desertificação. Mas os dois casos mostram que o reflorestamento é uma ciência precisa, que deve ser realizada com planejamento e estudo de impacto. Isso porque plantar a espécie errada, no lugar errado e sem gestão hídrica adequada, pode drenar solos, secar aquíferos e criar um problema ambiental.

Embora ambas recebam o nome de Grande Muralha Verde, as experiências da China e da África mostram que reflorestar pode significar coisas muito diferentes e produzir impactos igualmente distintos. Por um lado, o projeto chinês mostrou os riscos de tratar florestas como uma solução industrial padronizada. Por outro, o projeto africano apontou um caminho mais lento, mas resiliente, onde biodiversidade, água e sociedade caminham juntas. 

Os resultados revelam que programas de reflorestamento só produzem benefícios duradouros quando consideram, de forma integrada, espécies nativas, disponibilidade de água, características do solo e impactos sociais. Sem esse equilíbrio, iniciativas pensadas para mitigar a crise climática podem acabar criando novos riscos ambientais.

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Após posse de Luiz Fux no STF, processos do filho saltam de 5 para 544.


Publicado por: Guilherme Arandas 

A atuação do advogado Rodrigo Fux nos tribunais superiores passou por uma mudança expressiva a partir de março de 2011, quando seu pai, Luiz Fux, assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Até então, Rodrigo havia atuado em apenas cinco processos nessas instâncias. Com informações do Estadão. Depois da posse do ministro, esse número saltou para 544 ações distribuídas entre o STF e o Superior Tribunal de Justiça. Levantamento aponta que 99% dos processos com participação de Rodrigo Fux nessas cortes foram protocolados após 2011. Os dados indicam que, no STF, 48 dos 49 casos em que o advogado atuou tiveram início depois da chegada do pai à Corte. No STJ, o cenário é semelhante: 496 de um total de 500 ações começaram no mesmo período. O portfólio de clientes inclui grandes empresas e grupos econômicos, como a Petrobras e o grupo educacional YDUQS. Segundo a apuração, esse padrão se repete em outros casos envolvendo parentes de ministros do Supremo que exercem a advocacia e ampliaram sua atuação nos tribunais superiores após a posse de familiares, tema que vem sendo abordado em uma série de reportagens do jornal.

Procurado, Rodrigo Fux afirmou que “jamais foi contratado para atuar em processos que se encontrassem em vias de remessa ao STF, muito menos para atuar em processos que já se encontrassem em trâmite na Corte”. Ele declarou ainda que o “escritório sempre atuou desde a origem da causa”. Em outro trecho, ressaltou que “mais da metade chegou ao Tribunal por iniciativa da parte contrária e apenas quatro tiveram o mérito efetivamente julgado naquele Tribunal”.

O escritório Fux Advogados foi fundado em 1994 e tem Rodrigo como sócio-administrador e fundador. A primeira atuação do advogado em cortes superiores ocorreu em 2009. Desde então, a maior parte dos processos nessas instâncias se concentrou após 2011, período em que Luiz Fux já integrava o Supremo. Ao longo da carreira pública, o ministro esteve afastado da advocacia, tendo passado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, pela magistratura estadual, pelo Tribunal de Justiça do Rio e pelo STJ antes de chegar ao STF. Entre os casos ainda em andamento no Supremo, há apenas uma ação com atuação direta de Rodrigo Fux.

Trata-se de uma reclamação constitucional envolvendo uma disputa imobiliária entre empresas do setor agropecuário. No processo, o advogado obteve decisão liminar favorável do ministro André Mendonça, com referendo da Segunda Turma, suspendendo efeitos de decisão do STJ até o julgamento do mérito. A última movimentação registrada é de abril de 2024. Além desse caso, Rodrigo já representou empresas como a Souza Cruz, hoje British American Tobacco, a Avon e clientes em ações contra o Google. No STF, um de seus principais clientes foi o Clube de Regatas Flamengo, em disputas judiciais que incluíram o histórico litígio sobre o título do Campeonato Brasileiro de 1987. Em agosto de 2024, o ministro Flávio Dino manteve entendimento favorável ao Sport Club do Recife, impondo derrota à CBF e ao Flamengo na ação.

Em nota, a Avon afirmou que “pauta suas atividades por rigorosos padrões éticos, técnicos e de compliance” e que a contratação do escritório ocorreu de forma lícita em 2011, baseada em critérios técnicos. A BAT Brasil informou que manteve os mesmos advogados na defesa judicial após o encerramento desfavorável de um processo administrativo tributário no Pará. Na manifestação completa enviada ao Estadão, Rodrigo Fux reforçou que, nos últimos 15 anos, o escritório atuou em apenas 49 casos no STF e que o ministro Luiz Fux “sempre se declarou impedido em todos os recursos de Fux Advogados, seja no STJ, seja no STF”. A nota também destaca a formação acadêmica do advogado, sua atuação docente e o crescimento gradual do escritório, que hoje conta com oito sócios e cerca de 80 colaboradores.

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Transparência Brasil diz que decisão de suspensão de penduricalhos é 'corajosa e necessária'.

Ministro do STF determinou suspensão e revisão de verbas 
indenizatórias sem previsão legal dos Três Poderes.

Por Bernardo Lima — Brasília 

A ONG (organização não governamental) Transparência Brasil chamou de “corajosa e necessária” a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que suspendeu verbas indenizatórias sem previsão legal na quinta-feira.“A Transparência Brasil considera corajosa e necessária a decisão proferida ontem, 05.fev.2026, pelo ministro Flávio Dino no âmbito da Reclamação nº 88319, que concedeu liminar pela total suspensão, em 60 dias, de penduricalhos pagos apenas por ordem administrativa nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público e Tribunais de Contas”, escreveu a organização em nota.

Em decisão da quinta, o ministro impôs aos Três Poderes a revisão e a suspensão de verbas indenizatórias sem previsão legal usadas para driblar o teto do funcionalismo. A análise foi pautada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e será submetida ao plenário físico da Suprema Corte no dia 25 de fevereiro. A decisão acontece após o Congresso Nacional aprovar um projeto que previa verbas fura-teto para determinados servidores da Câmara e Senado. No ano passado, funcionários do Tribunal de Contas da União (TCU) ganharam um penduricalho semelhante.“A Transparência Brasil defende a urgente necessidade de veto do presidente a esses dispositivos, pois a incorporação em lei federal impulsionará a legalização às pressas, inclusive nos entes subnacionais”, diz a nota. 

Segundo a Transparência Brasil, é necessário criar uma legislação nacional que regulamente e limite as verbas indenizatórias. Ao determinar que órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário revisem, em até 60 dias, todas as verbas remuneratórias e indenizatórias pagas a seus agentes, Dino afirmou que se consolidou no país um sistema de "penduricalhos" incompatível com a Constituição. Por esses benefícios, alguns servidores conseguem receber acima do teto do funcionalismo, o equivalente ao salário de um ministro do STF, hoje em R$ 46.366. Na decisão, o ministro alerta para o uso indevido de verbas ditas “indenizatórias” que, na prática, servem para turbinar salários e ultrapassar o limite previsto na Constituição. 

https://oglobo.globo.com