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sexta-feira, 24 de julho de 2026

No PL, aliados classificam articulação de Flávio com Centrão como 'tragédia' e já admitem candidatura avulsa.

 
Após fracasso nas negociações com União Brasil e Progressistas, dirigentes avaliam que Lula venceu disputa por apoios e veem Republicanos e Podemos cada vez mais distante de acordo nacional.

Por Luísa Marzullo — Brasília 

A confirmação de que a federação União-Progressistsa permanecerá neutra na disputa presidencial consolidou, entre dirigentes do PL, a percepção de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá chegar ao início da campanha sem alianças nacionais. Nos bastidores, integrantes da legenda classificam como uma "tragédia" a articulação política conduzida pelo senador e pelo coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa pelos principais apoios partidários e já trabalham com a perspectiva de uma candidatura "avulsa", sustentada exclusivamente pela estrutura do próprio PL. A avaliação ganhou força após o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicar a Flávio, na tarde desta quarta-feira, que a legenda ficará neutra na eleição presidencial, movimento que será acompanhado pelo União Brasil por causa da federação entre os dois partidos. A campanha tratava a conversa como a última tentativa de reverter a tendência de neutralidade e chegou a oferecer a vaga de vice à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou o convite. Reservadamente, dirigentes do PL afirmam que a campanha falhou na construção de uma rede de interlocução política desde o início. A crítica é que Flávio e Rogério concentraram esforços na estratégia eleitoral e negligenciaram a relação cotidiana com presidentes de partidos e lideranças do Centrão.

Um dirigente, ouvido sob reserva, afirma que a política se faz "na alegria e na tristeza", em referência ao comportamento que Flávio teve quando Ciro Nogueira foi alvo de operação da Polícia Federal no âmbito do caso Master. Segundo ele, Flávio errou ao divulgar uma nota em que ressaltou a gravidade das acusações, defendeu a apuração "com rigor e transparência" e elogiou o ministro André Mendonça, responsável por autorizar a investigação, sem fazer uma defesa política mais enfática do presidente do PP. Entre aliados de Ciro, o gesto foi interpretado como abandono justamente em um momento de maior desgaste.

Uma semana depois, veio um novo revés. O portal The Intercept Brasil divulgou mensagens entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse. A revelação reforçou, entre dirigentes da federação União Progressista, a percepção de que o senador havia adotado um discurso duro enquanto mantinha interlocução com o controlador do Banco Master.

Lula venceu de 'goleada'.
A comparação feita internamente é com Lula. O presidente conseguiu reunir todas as principais siglas do campo da esquerda — a federação formada por PT, PV e PCdoB, a federação PSOL-Rede e o PSB. Ao mesmo tempo, partidos de centro, como a federação União Progressista e o MDB, optaram pela neutralidade, cenário que também favorece o chefe do Executivo ao impedir que essas legendas reforcem formalmente a candidatura adversária. Nesse contexto, interlocutores de Flávio afirmam que Lula venceu de “goleada” a primeira disputa da eleição, travada em torno da formação das alianças, e que o senador larga a campanha em desvantagem. Ainda assim, por estar filiado ao partido com a maior bancada do Congresso, Flávio deverá dispor de cerca de 30% do tempo de propaganda eleitoral.

O pessimismo também aumentou porque interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que o Republicanos está cada vez mais distante de uma aliança nacional. Embora o PL continue defendendo a indicação da ex-presidente da Caixa Daniella Marques para a vice de Flávio, parte da direção do partido interpreta a insistência como uma forma de pressionar a legenda a integrar a chapa presidencial. Nem mesmo o Podemos é visto hoje como uma alternativa. Embora dirigentes da sigla tenham mantido conversas com PL, Novo, PT e PSD, interlocutores afirmam que a tendência é permanecer neutro na disputa presidencial. Para integrantes do PL, o quadro consolida o isolamento da candidatura de Flávio e praticamente elimina as possibilidades de uma aliança nacional antes do início da campanha.

O incômodo tem uma razão adicional. Daniella se filiou ao Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente da sigla, Marcos Pereira, e precisou recorrer à Justiça para ter sua filiação reconhecida. Como não há mais prazo para mudança de partido, dirigentes avaliam reservadamente que o PL tenta transformar a situação em instrumento de pressão para forçar uma coligação nacional.

https://oglobo.globo.com/

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Flávio emitiu notas fiscais para cobrar de empresas ligadas a Vorcaro.


PODER360.

Senador nega irregularidade, cita duas cobranças que foram canceladas e diz não ter negócios com ex-dono do Master. O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à Presidência, emitiu notas fiscais para cobrar duas empresas ligadas ao esquema de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O senador nega irregularidades e diz não ter negócios com o empresário. Ao todo, foram emitidas 3 notas. Duas delas, de R$ 500 mil cada, foram canceladas. Uma 3ª, também de R$ 500 mil, permanece sem registro de cancelamento. O total das cobranças chega a R$ 1,5 milhão. A informação foi publicada pela coluna Tácio Lorran, do site Metrópoles.

As duas notas canceladas foram emitidas em 7 de abril de 2025 pelo escritório do qual Flávio é único sócio. Elas indicavam prestação de serviços de consultoria jurídica à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Em 9 de abril de 2025, o mesmo escritório emitiu a 3ª nota, de R$ 500 mil, relacionada à empresa Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda. Não há registro de cancelamento dessa cobrança, segundo a reportagem. As duas empresas são ligadas a Rogério Lourenço Novo, que consta na Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen e único sócio da Contábil Correa. Ambas são ligadas ao esquema de Vorcaro no Banco Master, conforme o Metrópoles.

OUTRO LADO.
Flávio Bolsonaro negou, em vídeo no X publicado nesta 4ª feira (22.jul.2026), ter cometido qualquer irregularidade, e afirmou que a reportagem do Metrópoles tenta “marginalizar a advocacia”. Segundo o pré-candidato, ele foi contratado para prestar serviços jurídicos à Contábil Correa e recusou outro trabalho para a Copenhagen, motivo pelo qual as notas fiscais foram canceladas. O senador disse que duas notas fiscais emitidas por seu escritório foram canceladas porque o serviço não chegou a ser prestado. “Não movimentou nada, não tem prestação de serviço, não tem absolutamente nada de errado”, declarou. Também afirmou que não é alvo de investigação e sugeriu que informações protegidas por sigilo teriam sido divulgadas ilegalmente por “órgãos governamentais”.“Sempre que uma pesquisa mostra que eu passei o Lula, vem uma narrativa construída de forma mentirosa e covarde para tentar manchar a minha imagem. Não vão conseguir me parar. Nem com facas, nem com balas e muito menos com mentiras e narrativas“, escreveu ao compartilhar o vídeo.
 
CASO “DARK HORSE”.
Flávio Bolsonaro já admitiu anteriormente ter pedido apoio financeiro a Daniel Vorcaro para realizar o filme “Dark Horse”, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do Intercept Brasil, o fundador do Master repassou R$ 61 milhões para o projeto cinematográfico. Flávio negou qualquer irregularidade ou utilização de recursos públicos no caso.

https://www.poder360.com.br/ 

Guarapari (ES), já retira excesso de fios em postes da cidade.


Pedro Henrique Oliveira

Prefeitura iniciou um mutirão para retirar das ruas do município os fios inutilizados, mais conhecidos como “cabos mortos”. Trabalhador retira fios na avenida Ewerson de Abreu Sodré, em Muquiçaba. Ação se estenderá por outros pontos.
 
Problema que se arrasta há décadas em cidades de todo o País, o emaranhado de fios nos postes pode estar com os dias contados em Guarapari. Pelo menos é o que promete a prefeitura, que iniciou ontem um mutirão para retirar os fios inutilizados, conhecidos como “cabos mortos”. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Obras (Semob), com apoio da EDP e de operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura. O projeto-piloto foi realizado na avenida Ewerson de Abreu Sodré, uma das vias mais movimentadas do bairro Muquiçaba, onde cerca de 50 postes passaram pelo serviço. De acordo com o prefeito Rodrigo Borges, a ação é resultado de um trabalho iniciado ainda no começo da gestão, com reuniões entre a prefeitura, a EDP e as empresas que compartilham a rede aérea.“Desde o início do mandato, fazemos ações para conseguir essa despoluição visual e diminuir essa insegurança causada pelos fios caídos. Já fizemos outras ações, mas hoje (ontem) realizamos uma intervenção mais robusta e esperamos um resultado mais positivo”.

Segundo ele, uma das principais dificuldades é o grande número de fios irregulares, instalados por operadoras clandestinas. O mutirão começou por uma das principais avenidas de Guarapari, mas a prefeitura pretende ampliar o trabalho para toda a cidade. A prioridade será atender as vias com maior fluxo de pessoas e comércio e, posteriormente, as principais ruas dos bairros. “Primeiro vamos tentar as principais avenidas do comércio. Depois, as principais ruas dos bairros. Quando a gente conseguir chegar às vias secundárias é porque já teremos alcançado resultados mais positivos”.

Além da retirada dos cabos mortos, a ação prevê um novo sistema de identificação para todos os fios instalados nos postes. De acordo com o subsecretário de Obras, Ruan Felipe Monteiro, haverá fiscalização semanal para garantir o controle da ocupação da rede.“A partir de agora, todas as empresas responsáveis deverão identificar seus cabos. A prefeitura fará o monitoramento semanal dos postes, que já estão mapeados em conjunto com a EDP”, explicou.
 
Cabos deverão ser identificados.
Guarapari iniciou um mutirão para retirar fios inutilizados dos postes, conhecidos como “cabos mortos”, com o objetivo de reduzir a poluição visual e aumentar a segurança. A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Obras (Semob), em parceria com a EDP e operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura. O projeto-piloto foi realizado na avenida Ewerson de Abreu Sodré, no bairro Muquiçaba, abrangendo cerca de 50 postes. Segundo a prefeitura, o mutirão é resultado de reuniões realizadas desde o início da atual gestão com a EDP e empresas que compartilham a rede aérea.

Um dos principais desafios é a atuação de operadoras clandestinas, que instalam cabos sem autorização e dificultam o controle da ocupação dos postes. Além da retirada dos fios inutilizados, todos os cabos deverão ser identificados pelas empresas responsáveis, permitindo maior fiscalização. A prefeitura informou que fará monitoramento semanal dos postes para acompanhar a ocupação da rede e evitar novas irregularidades. Após a etapa piloto, o mutirão será expandido para outras avenidas de maior movimento e, posteriormente, para as principais ruas dos bairros para alcançar toda a cidade.

https://tribunaonline.com.br 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas.

 
Medida atinge milhares de produtos brasileiros, mas deixa de fora itens estratégicos para os EUA, como carne e café. Governo brasileiro ainda avalia resposta, que pode passar pela negociação diplomática ou pelo uso da Lei da Reciprocidade Econômica.

Por André Catto, g1 — São Paulo 

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. (leia mais abaixo). A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida.

O que muda com o tarifaço e quando ele entra em vigor?
Confirmada na noite da última quarta-feira (15) pelo governo Trump, a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA passa a valer nesta quarta-feira (22). A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA. Na prática, isso aumenta o custo de levar esses produtos ao país e pode desestimular as compras de produtos brasileiros por empresas americanas.

Enquanto isso, outros mais de 2 mil produtos ficaram de fora da medida. Muitos deles foram excluídos por serem considerados estratégicos para a economia americana, seja pelo risco de encarecer produtos essenciais, seja porque o país não produz quantidade suficiente desses itens.

Quais são os principais produtos atingidos?
Entre os 50 principais produtos brasileiros exportados aos EUA em 2025, ficaram de fora da nova tarifa itens como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Por outro lado, produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio passam a estar sujeitos à tarifa adicional.

Quais são os impactos para o Brasil?
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o novo tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA. Segundo ele, o percentual tem como referência as exportações de 2024, ano anterior aos primeiros tarifaços anunciados por Trump. O valor corresponde a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,6 bilhões). Se a base for 2025, a participação dos setores afetados cai para 15%, o equivalente a US$ 5,8 bilhões (R$ 29,4 bilhões). O ministro acrescentou que, com a nova medida, 57% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA permanecerão sem tarifa. No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço afetará R$ 4,6 bilhões por ano em exportações, o equivalente a 36,5% das vendas do setor aos EUA.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apesar dos segmentos atingidos, a medida não terá impacto sobre "a economia do país como um todo". Especialistas também avaliam que os efeitos serão restritos, entre outros fatores, pela extensa lista de exceções.
 
Como o governo dos EUA justifica a medida?
A decisão é resultado de uma investigação comercial do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo permite ao governo americano investigar práticas de outros países que considera prejudiciais ao comércio dos EUA. No relatório final, o USTR afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e que poderiam "onerar ou restringir" o comércio com os EUA. 
 
Entre os temas analisados estão:
PIX e serviços de pagamento: o USTR afirmou que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. 
Regulação de plataformas digitais: 
o órgão questionou decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticaram tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. 
Desmatamento ilegal: 
o relatório apontou falhas na fiscalização ambiental. 
Mercado de etanol: os EUA alegaram falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro.
Propriedade intelectual: 
o documento citou problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes.
Combate à corrupção: o USTR criticou medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato.

O que diz o governo brasileiro?
O governo classificou o tarifaço como um "marco lastimável" na relação entre os dois países e afirmou que a medida tem motivação política por envolver temas considerados internos e inegociáveis, como o PIX. Segundo o blog do Valdo Cruz, o presidente Lula (PT) orientou aliados a evitar radicalismos na reação ao tarifaço. Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como "injusta e descabida" e afirmou que o Brasil "não saiu da mesa de negociação".

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda "não cabe falar em retaliação" aos EUA."Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem 'viralatice' e seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", afirmou.

Brasil vai usar a Lei da Reciprocidade Econômica?
Na madrugada da última quinta (16), logo após a gestão de Donald Trump confirmar a taxa, o Palácio do Planalto divulgou uma nota em que afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação.

Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade. Uma das preocupações é com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas. Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.

Há, também, o fator eleitoral. Na avaliação de assessores presidenciais, uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, é justamente o que Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro desejam. Assim, poderiam argumentar que Lula coloca seus planos eleitorais acima dos interesses das empresas brasileiras. Além disso, os próprios setores afetados pelo tarifaço se posicionaram contra medidas de reciprocidade. Em reuniões com o governo na terça-feira (21), empresários do segmento de máquinas defenderam que a resposta seja feita pela via diplomática e empresarial.
 
Quais podem ser as respostas do Brasil?
Para especialistas, a via diplomática ou o uso cauteloso da Lei da Reciprocidade Econômica, sem uma escalada das tensões, seguem como os principais caminhos para o governo. Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país. Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho." Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo."
 
A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes." Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA."As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz.

Quais medidas o governo brasileiro anunciou até agora?
O governo federal deve fechar nos próximos dias uma série de ações para conter os efeitos econômicos do novo tarifaço e da alta dos preços dos fertilizantes, insumos essenciais para o agronegócio e afetados pela guerra no Oriente Médio. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao blog da Ana Flor que as iniciativas nas duas frentes buscam reduzir os impactos no Brasil de medidas externas. Uma delas prevê a abertura de uma linha de crédito para empresas misturadoras, responsáveis pela combinação de insumos que resulta nos fertilizantes. A outra envolve investimentos como complemento ao Plano Brasil Soberano, ainda sem detalhes definidos. Nesse caso, o governo avalia oferecer crédito a empresas atingidas pelo tarifaço, com exigência de manutenção de postos de trabalho. O Plano Brasil Soberano é um programa do governo que oferece linhas de crédito e outras formas de apoio a empresas afetadas por crises externas, como o tarifaço. Criado no ano passado por meio de medida provisória, o programa tem três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial.

Paralelamente, a ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Tarifas podem aumentar ainda mais?
Há essa possibilidade. O governo brasileiro reconhece que os EUA devem aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. A principal dúvida é se essa nova tarifa será acumulada aos 25% que entram em vigor nesta quarta-feira (22). Caso seja cumulativa, os produtos brasileiros poderiam enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. A possível nova tarifa também é resultado de uma investigação do USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que a União Europeia e outros 59 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A confirmação da nova tarifa pode sair na sexta-feira (24). Em entrevista à CNBC, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira que as medidas serão anunciadas "em breve".

https://g1.globo.com 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Real Time Big Data: Lula tem 40% no 1º turno e Flávio, 33%.


Nenhum dos outros pré-candidatos testados chegou a mais de 10% das intenções de voto; pesquisa ouviu 2 mil pessoas em todo o território nacional, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

Da CNN Brasil

Segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (21), o presidente Lula (PT) lidera a corrida do primeiro turno com 40% das intenções de voto no cenário estimulado. Ele é seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 33%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o cenário não configura empate técnico entre os líderes. Atrás dos primeiros colocados, o levantamento mostra Renan Santos (Missão) com 9% e o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO), com 7%.

Na sequência, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), atinge 2%. O escritor Augusto Cury (Avante) e o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa (DC) aparecem numericamente empatados com 1% cada. Os eleitores que afirmam votar em branco ou nulo somam 3%, enquanto outros 3% estavam indecisos. Os candidatos Cabo Daciolo (Mobiliza), Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias(PSTU), somados, pontuaram 1% e foram classificados como "Outros".

Metodologia.
A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 2.000 eleitores, entre os dias 18 e 20 de julho, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-05864/2026. (

https://www.cnnbrasil.com.br/

Governo do Estado e parlamentares aliados transformam Guarapari (ES), em um grande canteiro de obras.


(Texto e fotos:  Renato Paoliello)
Elimar Cortes 

O prefeito de Guarapari, Rodrigo Borges (PP), e o governador Ricardo Ferraço (MDB) firmaram uma parceria que estabelece um investimento de R$ 13,3 milhões para a execução de um dos maiores pacotes de obras da história recente no município. Estão sendo contempladas 41 ruas e avenidas com recapeamento asfáltico, além de obras de saneamento básico. A Cidade Saúde, conhecida pelas suas belas praias, na administração passada estava isolada e impondo dificuldades até mesmo para receber recursos estaduais e federais. Mas o prefeito Rodrigo Borges, que até trocou de partido – saiu do Republicanos – e alinhou-se ao Palácio Anchieta, trazendo apoio do então governado Renato Casagrande (PSB), Ricardo Ferraço e dos deputados federais Amaro Neto, Da Vitória – ambos do PP – e dos deputados estaduais Zé Preto (Podemos) e Tyago Hoffmann (PSB) que beneficiaram o município com recursos do Tesouro e de emendas parlamentares.

O prefeito Rodrigo Borges ampliou o leque de apoio, usou seu prestígio. Nos últimos dois anos, o Governo do Estado destinou dezenas de milhões de reais em repasses e convênios para o município de Guarapari. Apenas em meados de 2025, foi anunciado um pacote de cerca de R$ 24 milhões focado na modernização e ampliação da rede de ensino local. Os montantes transferidos ao longo desse período vêm sendo aplicados prioritariamente na construção e reforma de creches (CMEIs) e escolas municipais, no fortalecimento do Complexo do Caic, na ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na melhoria da infraestrutura de saneamento e pavimentação urbana e rural.

A rede municipal de ensino de Guarapari conta com um importante reforço orçamentário viabilizado pelo deputado federal Amaro Neto. O parlamentar destinou uma emenda individual de R$ 1,98 milhão voltada à compra de novos móveis e equipamentos para creches, pré-escolas e unidades do ensino fundamental. Além do recurso direto, a articulação de Amaro Neto junto ao Governo do Estado garantiu o anúncio de R$ 24 milhões em investimentos para a reforma, ampliação e modernização do Complexo do CAIC, consolidando um forte pacote de melhorias para a infraestrutura escolar do município.

O deputado federal Da Vitória, coordenador da bancada capixaba no Congresso, destinou quase R$ 5 milhões em emendas parlamentares para o município de Guarapari. Do total repassado, a maior fatia foi direcionada para a saúde pública local, somando R$ 3,5 milhões em serviços de Média e Alta Complexidade. O restante das emendas visa fortalecer a infraestrutura e o setor de turismo, incluindo apoio a eventos culturais. A iniciativa foi anunciada em parceria com a prefeitura para ampliar a rede de atendimento e movimentar a economia do município.

O deputado estadual Tyago Hoffmann destinou para Guarapari recursos na ordem de R$ 11,7 milhões voltados para a saúde pública, equipamentos hospitalares e infraestrutura. As verbas liberadas via emendas e repasses estaduais visam estruturar o Hospital Cidade Saúde (HIFA), garantindo a compra de maquinários e custeio de atendimentos. O investimento busca atender demandas históricas da população e ampliar a capacidade do serviço médico local.

No turismo, o investimento mais importante são as obras de restauro do histórico Radium Hotel e da Praça Ciríaco Ramalhete iniciaram em abril de 2025, com prazo de execução de 360 dias e previsão de entrega para meados de 2026.

Financiadas pelo Governo do Estado com investimento superior a R$ 23 milhões, as intervenções reabilitam a estrutura para transformá-la em um Centro Estadual de Inovação e qualificação em Turismo e Gastronomia. O projeto é gerido via termo de colaboração estadual, com posterior operação pelo Senac-ES e articulação institucional com a Prefeitura de Guarapari para a valorização do entorno e do patrimônio local.

Rodrigo Borges aproveitou o ano eleitoral e resgatou o município do isolamento político. Hoje, ele é Ricardo Ferraço para governo; Renato Casagrande para o Senado; e para deputado federal e estadual quem investir mais na cidade tem seu apoio.

https://elimarcortes.com.br/

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Trump transforma autonomia do Brasil em delito comercial, diz jornal britânico sobre tarifas.


Editorial do Guardian afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país.

Por BBC 

O jornal britânico The Guardian publicou na terça-feira (14/07) um editorial no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país. O governo dos EUA deve anunciar até quarta-feira (15/07) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. "A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington", afirma o editorial do jornal.

O jornal afirma que "Trump rejeita a defesa" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz da soberania brasileira. O jornal britânico The Guardian publicou na terça-feira (14/07) um editorial no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país. O governo dos EUA deve anunciar até quarta-feira (15/07) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. "A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington", afirma o editorial do jornal.

O jornal afirma que "Trump rejeita a defesa" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz da soberania brasileira."Lula quer que o Brasil tenha capacidade de fiscalizar a desinformação antidemocrática [dentro do país]. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o espaço informacional do país", diz o editorial. O texto destaca que, em junho passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) "reagiu às mentiras online que ajudaram a alimentar a tentativa fracassada de golpe de extrema-direita liderada por Jair Bolsonaro em 2023". O Guardian diz que o STF decidiu que as plataformas de redes sociais poderiam ser responsabilizadas por postagens de alguns usuários, obrigando empresas como a X, de Elon Musk, e a Meta, de Mark Zuckerberg, a remover discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos. "Um mês depois, Donald Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, queixando-se de que os juízes haviam obrigado empresas de tecnologia dos EUA a retirar do ar material 'político'", afirma o jornal britânico. O editorial também faz referências aos ataques dos EUA ao Pix.

"Outra questão de soberania diz respeito a quem controla a infraestrutura financeira do Brasil e se é possível existir, na América Latina, uma infraestrutura pública de pagamentos bem-sucedida que não esteja sob controle americano", escreve o jornal. "Assim como a Índia, o Brasil construiu uma infraestrutura pública digital [o Pix] projetada para reduzir a dependência de redes de pagamento controladas por estrangeiros e proteger seu sistema doméstico de pagamentos contra pressões ou sanções externas. Na prática, o sistema contorna as redes de cartão nos moldes da Visa e da Mastercard, ameaçando os lucros dessas empresas." O editorial do Guardian também faz referência às eleições brasileiras, em que Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem na frente nas pesquisas."[Flávio] Bolsonaro é menos carismático que seu pai, mas está baseado no mesmo antiesquerdismo simplista, nas mesmas políticas punitivas de 'lei e ordem' e nas mesmas guerras culturais de extrema-direita", afirma o jornal.

O Guardian disse que o pedido de Flávio Bolsonaro a Trump para que evite tarifas contra o Brasil até as eleições de outubro foi "extremamente audacioso". Já Lula é descrito como um dos políticos "mais bem-sucedidos deste século". "De operário a líder sindical e fundador de partido, Lula fez da redistribuição a linguagem da democracia brasileira. A pobreza extrema caiu de 30 milhões em 2002 para menos de 7 milhões atualmente. Ele governou de 2003 a 2011. A política brasileira é polarizada: Lula só retornou em 2023 depois que juízes anularam condenações por corrupção." "A verdadeira infração [do Brasil] não é o protecionismo, mas a autonomia", escreve o Guardian.
 
https://g1.globo.com 

domingo, 19 de julho de 2026

Tarifaço pode abrir portas na China, mas analistas veem limites para avanço das exportações brasileiras.


Maior parceiro comercial do Brasil, país asiático comprou quase US$ 100 bilhões em produtos brasileiros em 2025, mas desaceleração econômica e barreiras comerciais reduzem espaço para compensar perdas nos EUA.

Por Micaela Santos, g1 — São Paulo 

O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode levar empresas a buscar novos mercados para reduzir a dependência do consumidor americano. Nesse cenário, a China, principal destino das exportações do Brasil, aparece como uma alternativa. Especialistas, porém, avaliam que o país asiático deve absorver apenas uma parcela das vendas que eventualmente forem afetadas pelas tarifas americanas. A diferença entre o perfil das exportações brasileiras para os dois países e a própria capacidade industrial chinesa limitam uma substituição rápida dos mercados. No ano passado, o Brasil exportou US$ 99,94 bilhões (cerca de R$ 512 bilhões) para a China, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor é bem mais que o dobro das vendas para os EUA, que somaram US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões).

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado chinês alcançaram recorde de US$ 58,32 bilhões (cerca de R$ 299 bilhões), alta de 21,9% na comparação com igual período do ano anterior. Ainda assim, a China não é uma solução imediata para a maior parte dos produtos atingidos. "Quando existe excedente de produção, as empresas buscam novos mercados. A China é um grande mercado, mas eu não acredito que somente o tarifaço vá provocar alguma mudança nisso", afirma Rodrigo Giraldelli, especialista em comércio China-Brasil e CEO da China Gate."O que entra nesse tarifaço são, basicamente, produtos manufaturados, máquinas, equipamentos e esse tipo de coisa. E, nesse caso, a China produz muito e exporta justamente esse tipo de produto", diz.
 
Perfil das exportações limita substituição.
Enquanto os americanos importam do Brasil principalmente aeronaves, máquinas, equipamentos, produtos siderúrgicos transformados e outros bens industrializados, as compras chinesas são concentradas em commodities. Atualmente, soja, petróleo bruto, minério de ferro e carnes representam quase 90% das exportações brasileiras para a China. Essa concentração reduz a capacidade de empresas que vendem produtos industriais aos EUA migrarem para o mercado chinês."Um fabricante brasileiro que perder mercado nos EUA nem sempre consegue redirecionar sua produção para a China. Isso ocorre apenas parcialmente e varia conforme o setor", explica Wagner Pagliato, coordenador dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Unicid.

Segundo Vera Kanas, especialista em comércio internacional, a China tende a oferecer mais oportunidades para produtos agrícolas e minerais do que para bens industrializados."A pauta exportadora brasileira para a China é restrita a poucas commodities, como minério de ferro e soja. Além disso, muitas das commodities que o Brasil exporta para a China não foram atingidas pelas tarifas impostas recentemente." A experiência do primeiro tarifaço de Trump mostra que parte das empresas conseguiu buscar outros mercados, mas sem uma substituição completa. Segundo o Boletim Regional do Banco Central publicado em dezembro de 2025, as vendas brasileiras para os EUA caíram 6,7%, de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões em 2025. No mesmo período, as exportações para outros países cresceram de US$ 296,7 bilhões para US$ 310,6 bilhões.

No período mais intenso das tarifas, entre agosto e novembro de 2025, produtos como petróleo, aviões, semiacabados de ferro e aço, café, carne bovina, sucos de frutas e celulose tiveram queda nas vendas aos EUA, mas aumento das exportações para outros destinos, indicando um redirecionamento parcial dos fluxos comerciais. Além da diferença no perfil das compras, o mercado chinês possui suas próprias restrições. Entre elas estão cotas tarifárias para alguns produtos agropecuários, exigências sanitárias e regras para habilitação de exportadores. Desde janeiro de 2026, a China passou a aplicar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira. A medida estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. O volume excedente fica sujeito a uma sobretaxa de 55%.

Como Brasil e China não possuem acordo de livre comércio, os produtos brasileiros continuam sujeitos às tarifas de importação aplicadas pelo mercado chinês, além de exigências regulatórias e barreiras específicas para determinados setores. A China não aplica uma tarifa única sobre produtos brasileiros. As alíquotas variam conforme o produto e a classificação tarifária. Commodities como soja, minério de ferro e petróleo costumam ter tarifas menores ou zeradas por serem estratégicas para a economia chinesa. A soja, por exemplo, tem tarifa de cerca de 3%, enquanto o minério de ferro entra com alíquota de 0%. Já produtos industrializados tendem a enfrentar taxas mais altas.

Economia chinesa cresce menos.
Outro fator que limita uma expansão maior das exportações brasileiras é o momento vivido pela economia chinesa. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,3%, abaixo do registrado no início do ano e inferior à meta estabelecida pelo governo. Ao mesmo tempo, o país enfrenta uma prolongada crise no setor imobiliário, consumo doméstico enfraquecido e excesso de capacidade industrial."A economia chinesa continua crescendo, mas em ritmo menor do que no passado. Os dados recentes mostram crescimento sustentado principalmente pelas exportações e pela indústria, enquanto o consumo doméstico permanece fraco e o setor imobiliário continua enfrentando dificuldades", afirma Pagliato.

Para ele, esses fatores tornam arriscado ampliar excessivamente a dependência brasileira do mercado chinês."A China continua sendo um mercado enorme e essencial para o Brasil, mas apostar em uma dependência ainda maior aumenta a vulnerabilidade brasileira a uma eventual desaceleração mais forte da economia chinesa."

Oportunidades em novos setores.
Apesar das limitações, especialistas veem oportunidades decorrentes da mudança de estratégia econômica chinesa. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) estabelece como prioridade o desenvolvimento de setores ligados à inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos, biotecnologia e transição energética. Essa mudança tende a ampliar a demanda por minerais críticos, como níquel, cobre, grafite e terras raras — recursos abundantes no Brasil.

Nos últimos anos, os investimentos chineses também passaram a se concentrar em projetos de energia renovável, mineração e mobilidade elétrica. Em 2025, o Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimentos produtivos da China, tornando-se o principal destino global do capital chinês, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Na avaliação dos especialistas, o principal efeito do tarifaço pode ser acelerar a diversificação das exportações brasileiras, e não necessariamente aumentar a dependência da China."O tarifaço vai acelerar uma mudança permanente na geografia das exportações brasileiras, seja pela busca mais ativa por novos mercados, seja pela negociação de acordos de livre comércio", afirma Vera Kanas. Ela cita que o novo cenário fortalece negociações conduzidas pelo Mercosul com parceiros como Japão, Canadá e Singapura, além de reforçar a importância do acordo de livre comércio com a União Europeia, aprovado no ano passado após 25 anos de negociações.

Para o professor Wagner Pagliato, a estratégia mais segura é ampliar o número de destinos das exportações brasileiras."A China continuará sendo um parceiro fundamental, mas a diversificação reduz a exposição do Brasil tanto às mudanças na política comercial americana quanto aos riscos de uma desaceleração mais intensa da economia chinesa."O movimento inicial das empresas brasileiras, segundo Rodrigo Giraldelli, tende a ser de adaptação ao novo cenário, antes de uma mudança completa dos mercados consumidores."É tudo muito novo, então as empresas ainda estão avaliando a situação. As negociações vão e voltam, as taxas podem subir e depois ser retiradas. As empresas estão aguardando para ver como o mercado vai se comportar, principalmente qual será a reação dos clientes americanos", afirma. Segundo ele, muitas companhias devem tentar preservar as vendas para os EUA por meio de ajustes comerciais, como renegociação de preços e condições de venda.

"A China está muito longe e desenvolver novos mercados não acontece do dia para a noite", afirma. "É claro que a movimentação dos empresários já está acontecendo no sentido de buscar alternativas, mas a China não é uma alternativa óbvia e imediata para a maioria desses mercados afetados."
 
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EUA condicionaram redução de tarifaço a concessões para empresas americanas; veja setores cobiçados.


Governo avalia que, caso o Brasil aceitasse ceder aos pedidos dos Estados Unidos, o impacto econômico seria maior que o causado pelas novas taxas, que atingem 18% das exportações.

Por Isabella Calzolari, g1 — Brasília 

O governo brasileiro ouviu de autoridades dos Estados Unidos que os setores de bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo deveriam ter tarifas zeradas para as empresas americanas para que o governo de Donald Trump pudesse considerar ao menos reduzir o novo tarifaço contra o Brasil. A proposta se somou às exigências apresentadas em outras reuniões anteriores pelos EUA ao governo brasileiro como:
    Zerar a tarifa do etanol;
    Não regulamentar plataformas digitais; e
    incluir nas negociações o PIX.

A avaliação de uma ala no Palácio do Planalto é que essa proposta era "indigna" de negociação e "inaceitável". Segundo esses auxiliares, caso o Brasil aceitasse ceder aos pedidos dos Estados Unidos, o impacto para a economia brasileira seria maior que o causado pelas novas taxas – que impactará 18% das exportações brasileiras para os EUA, segundo o cálculo inicial previsto do governo. A decisão dos americanos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço".

Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político". A medida entra em vigor em 22 de julho. Segundo um levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico. Para interlocutores do governo Lula, o Departamento de Estado americano não deve dar margem para avançar nas negociações ao longo do ano de olho nas eleições do Brasil.

O Planalto, no entanto, seguirá, nas palavras de um negociar, tentando manter um canal de diálogo aberto com foco em diminuir os impactos para os setores afetados. A estratégia do governo brasileiro, nesse sentido, será levar os próximos passos, "não deixando a emoção tomar conta" e "de olho nos atores" americanos. Um negociador brasileiro afirma que tudo que os Estados Unidos querem são argumentos para serem usados contra o Brasil neste momento.

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sábado, 18 de julho de 2026

Colírio comum é recolhido por órgãos de saúde após risco de cegueira por substância estranha em mais de 2,5 milhões de frascos.


Produto com prescrição foi retirado de circulação pelos órgãos de saúde após detecção de substância estranha; especialistas orientam pacientes.

Órgãos de saúde determinaram o recolhimento de mais de 2,5 milhões de colírios após a identificação de uma substância estranha no medicamento, acendendo alerta para risco à visão. O produto afetado é um dos mais prescritos na oftalmologia e exige receita médica, sendo amplamente usado em inflamações oculares e no pós-operatório.

Órgãos de saúde identificaram presença de substância.
O recall foi iniciado pela fabricante Lupin Pharmaceuticals, após falha de qualidade detectada no colírio de acetato de prednisolona 1%. Segundo órgãos de saúde, a presença de uma substância estranha motivou a retirada imediata de 2.530.182 frascos do mercado norteamericano. O medicamento é um colírio corticosteroide usado no tratamento de doenças inflamatórias oculares, como irite e uveíte, além de ser rotina após cirurgias como a de catarata.

Pacientes podem utilizar o produto várias vezes ao dia por semanas, meses ou até de forma contínua, dependendo do quadro clínico. Especialistas orientam que pessoas que utilizam o colírio verifiquem os frascos e confiram se estão entre os lotes recolhidos pelos órgãos de saúde. Caso positivo, a recomendação é interromper o uso e procurar imediatamente o médico para substituição do medicamento. Até o momento, não foram registrados eventos adversos relacionados ao recolhimento do colírio. Ainda assim, órgãos de saúde reforçam a importância de seguir as orientações médicas e verificar os produtos utilizados.

Histórico recente eleva alerta.
O caso ocorre após uma sequência de recalls envolvendo colírios. Em 2026, mais de 3 milhões de unidades foram recolhidas. Já em 2023, produtos contaminados foram associados a 4 mortes, 14 perdas de visão e 80 infecções.

Detalhes do produto.
O colírio recolhido é o acetato de prednisolona 1%, vendido em frascos de 5 mL, 10 mL e 15 mL, com uso exclusivo sob prescrição médica. Os números de lote e validade devem ser verificados pelos pacientes conforme orientação dos órgãos de saúde.

https://ndmais.com.br