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sábado, 7 de novembro de 2026

'Paraguai não é para CLT': o que brasileiros contam em grupos sobre a vida no país e a crise do Ueno.


O g1 entrou em dois grupos, no WhatsApp e no Facebook, em que brasileiros que já moram no país comentam sobre a vida de imigrante e política dos países, dão dicas e alertam contra 'kit ilusão' paraguaio.

Por Aline Freitas, g1 — São Paulo 

Dicas de onde morar, sugestões de negócios e até indicações de açougue. Nas redes sociais, grupos de brasileiros que vivem ou pretendem se mudar para o Paraguai funcionam como uma rede de apoio, mas também como um choque de realidade: para quem chega sonhando com a mudança, os veteranos avisam que a vida lá é difícil e que “aqui não é pra CLT”. As conversas sobre oportunidades e perrengues têm agora mais um assunto: a crise que deixou clientes do banco Ueno sem acesso ao dinheiro e levou ao impeachment do presidente Santiago Peña, que está em prisão domiciliar. O número de usuários, que chega quase a 90 mil no Facebook, é um reflexo do crescente interesse dos brasileiros pelo irmão latino. Entre janeiro e outubro de 2026, 67% das autorizações de residência a estrangeiros no período foram concedidas a pessoas com cidadania brasileira, segundo o governo paraguaio. Para entender como funcionam esses espaços e quais assuntos são discutidos, o g1 acompanhou grupos, analisou as publicações compartilhadas e conversou com integrantes que vivem no Paraguai.

Os comentários sobre a crise.
No WhatsApp, uma usuária compartilhou um link para uma imagem que compara a crise enfrentada pelo país com a crise do Banco Master no Brasil. "Lá, a crise derrubou o governo. Aqui, quem caiu foi a investigação", diz a imagem, que apresenta o anúncio de renúncia de Santiago Peña como exemplo de uma reação mais rápida das autoridades paraguaias. Na legenda, a publicação afirma que a crise provocou protestos e pressão popular no Paraguai, enquanto questiona a atuação das autoridades brasileiras no caso envolvendo Daniel Vorcaro, que está preso. Santiago Peña foi sócio de um grupo empresarial ligado ao Ueno Bank até março de 2025, relação que levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses. A comparação com o Brasil também apareceu em outras mensagens do grupo. Ao comentar a situação dos bancos paraguaios, um participante comparou o episódio ao confisco da poupança durante o governo de Fernando Collor.

    "Sim, aconteceu mais ou menos que Collor fez, mas 
aqui [Paraguai] foi um banco só por enquanto", escreveu.

Outro integrante questionou se a situação era semelhante à do Banco Master. Em resposta, uma participante elogiou a reação da população paraguaia e criticou o cenário político brasileiro.

"Com a diferença que aqui todos foram punidos, 
porque o povo não deixou barato", afirmou.

Para além das comparações, o grupo também tem servido como espaço para brasileiros afetados pela crise bancária compartilharem suas preocupações e experiências. É o caso da médica Katrye Lucena, de 27 anos, que teve o salário do mês retido.

    “Hoje, estou sem acesso aos meus recursos, inclusive para 
despesas básicas como aluguel e alimentação”, relatou.

A jovem, mineira e apaixonada pelo estado de origem, mudou-se para o Paraguai aos 17 anos para cursar Medicina e hoje trabalha no país. Agora, utiliza o grupo para conversar com outras pessoas que passam pela mesma situação.

"Cada pessoa tem sua realidade, mas todos compartilham a preocupação de não conseguir acessar o próprio dinheiro, que muitas vezes é destinado a despesas essenciais", disse.

Alertas sobre 'kit ilusão' paraguaio.
Quando não há uma crise no país, os grupos funcionam como espaços de troca de conselhos, tanto para quem pretende se mudar para o Paraguai quanto para brasileiros que já vivem no país. Em uma publicação no Facebook, um brasileiro que trabalha em uma transportadora perguntou sobre oportunidades de emprego e moradia no país, que pretendia visitar durante as férias. Nos comentários, alguns integrantes desaconselharam a mudança para quem busca um emprego formal.
 
"Paraguai não é pra CLT", escreveu um deles.
Em outra publicação, um engenheiro civil que afirmava trabalhar no Paraguai há 17 anos fez uma série de alertas sobre os custos de vida, as dificuldades para conseguir emprego e a burocracia migratória.

    "Se você tem uma vida difícil no Brasil e está desesperado(a), 
não decida nada no desespero, pois a coisa pode piorar ainda mais", escreveu.

"Sentem, planejem, busquem fontes reais. 99% do que é vendido na internet eu chamo de 'KIT ILUSÃO'", escreveu outro usuário, em referência a conteúdos que, segundo ele, apresentam uma visão irrealista da mudança para o país. Outras pessoas, ainda no Brasil, procuram dicas sobre que tipo de empreendimento abrir no Paraguai. Uma usuária perguntou se os outros integrantes achavam uma boa ideia abrir um restaurante de comida brasileira. Nos comentários, alguns alertavam: "Se não colocar comida paraguaia também pode não dar certo". "Uma dica, é muito difícil achar temperos brasileiros no Paraguai". Mas as orientações não se limitam a quem ainda está no Brasil. Para os brasileiros que já vivem no Paraguai, os grupos também ajudam a resolver questões do cotidiano, como encontrar profissionais, escolher mercados e até descobrir onde comprar carne. O brasileiro Marcelo Bernard, de 26 anos, mora em Presidente Franco, no leste do país. Ele conheceu os grupos quando pesquisava sobre o Paraguai, antes de se mudar para viver com a namorada paraguaia. Depois da mudança, passou a recorrer aos outros integrantes para tirar dúvidas sobre a rotina.

    "Quanto mais eu tinha essa interação entre brasileiros aqui, mais 
eu descobria dicas de como ficar aqui, aonde comer, aonde ir", contou.

Segundo Marcelo, as recomendações sobre açougues estão entre as mais importantes. Ele conta que passou mal, assim como a namorada, depois de consumir carne comprada em um estabelecimento que não conheciam.

    "Eu considero aquele grupo quase essencial para vir para cá. Tem muita coisa ali que você precisa saber, que a pessoa acaba perguntando e, como tem opinião de várias pessoas, você chega a um consenso de resposta que pesquisando não vai achar", afirmou.

A troca também já rendeu amizades. Marcelo conta que conheceu um brasileiro pelo grupo depois de pedir indicação de um profissional para consertar o ar-condicionado do carro. Os dois passaram a conversar e mantiveram contato. Ele também já esteve do outro lado, ajudando quem planejava se mudar. Foi o caso de uma família brasileira que buscava uma cidade tranquila para morar com os filhos. Marcelo recomendou Presidente Franco, e conta que a família acabou se mudando para lá.

Política na conversa e domínio da direita.
A política brasileira também repercute nos grupos. Marcelo Bernard, que mora há dois anos no Paraguai, conta que percebeu um aumento expressivo de novos integrantes após as eleições presidenciais de outubro de 2026. Segundo ele, o movimento foi tão intenso que chegou a atrapalhar as conversas entre os participantes.

    "Não tinha como você manter uma conversa com alguém se não fosse no privado, porque a cada segundo chegava alguém perguntando alguma coisa sobre o Paraguai", contou.

Marcelo afirma, porém, que não sabe se os novos integrantes realmente concretizaram os planos de mudança. "Eu acho que foi tudo mais desespero só do pessoal que estava no Brasil", disse. Nas mensagens do grupo às quais o g1 teve acesso, integrantes fazem críticas ao presidente Lula, ao PT e a figuras do Judiciário. Uma das mensagens é categórica: "Aqui petista não se cria". As discussões também incluem provocações sobre a crise bancária no Paraguai. "Os paraguaios deram ideia pro Lula, qual será banco que ele vai começar a quebrar?", escreveu um participante. Até mesmo instituições financeiras brasileiras entram nas conversas políticas. Em uma mensagem, uma integrante afirmou sobre um grande banco brasileiro: "Esse é da esquerda... Não caiam nessa", sem apresentar evidências para sustentar a afirmação. Também circulam vídeos com acusações políticas sem comprovação apresentada nas mensagens, incluindo alegações de fraude nas eleições brasileiras de 2026. No grupo do Facebook acompanhado pelo g1, as publicações políticas são menos frequentes do que os anúncios de terrenos, casas e apartamentos.

Interesse pelo Paraguai é crescente.
Embora questões políticas apareçam nas discussões de brasileiros nas redes interessados em morar no Paraguai, o crescimento da migração para o país também está relacionado a fatores econômicos, oportunidades de negócios e à procura por cursos de Medicina. Além disso, o aumento da presença brasileira é resultado de uma política de atração de investimentos e estrangeiros desenvolvida há mais de uma década, como afirma o pesquisador em relações entre o Brasil e o Paraguai e professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Aníbal Orué Pozzo.
 
“Nos últimos 12 anos, o Paraguai estruturou uma política para atrair investimentos e pessoas do Brasil. O que vemos hoje é resultado desse processo”, explica.

Entre janeiro e outubro de 2026, brasileiros receberam 34.794 autorizações de residência no Paraguai, o equivalente a 67% das autorizações concedidas a estrangeiros no período, segundo a Direção Nacional de Migrações do país.

Entenda a crise do banco Ueno.
O Paraguai vive uma profunda crise política após vir à tona um escândalo envolvendo a quebra do banco Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos. O Ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou o processo de liquidação da instituição. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano passado. Na quinta-feira (5), em meio à pressão política, Peña anunciou que pretendia renunciar ao cargo. A Câmara dos Deputados, no entanto, aprovou a abertura do processo de impeachment contra ele. Na prática, o Congresso ignorou o pedido de renúncia do presidente. O Senado deve retomar a análise do impeachment contra Peña nesta sexta-feira (6).

https://g1.globo.com 

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Trump deixou Flávio Bolsonaro à deriva? O que o New York Times e o Washington Post disseram sobre o assunto.

 
Gabriela Cuzzuol
gabriela.ribeiro@ndmais.com.br
 
A relação de Trump com Flávio envolve liberdade de expressão, democracia e relações comerciais com o Brasil, incluindo a exploração das reservas de terras raras.

Donald Trump negou, no sábado (31), que pretenda se encontrar com Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No entanto, voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro e afirmou que o senador pode ficar no país “pelo tempo que quiser”. “Não tenho planos de me reunir com ele, mas ele foi tratado de forma mesquinha”, disse Trump durante uma festa de Halloween na Flórida. Horas antes, Marco Rubio disse que o governo norte-americano não ajudou Flávio a deixar o Brasil. Segundo o secretário de Estado, o senador já tinha visto e o presidente apenas autorizou sua entrada e assegurou o chamado humanitarian parole, uma permissão temporária de permanência por razões humanitárias. Flávio agradeceu a Trump e a Javier Milei pela ajuda para deixar o Brasil. Em carta divulgada no dia 28 de outubro, alegou fraude e criticou a extensão da votação até as 19:00h, determinada por Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, a pedido da campanha do PT.

Dois dos principais jornais do país, o The New York Times e o Washington Post publicaram artigos comentando a reação do governo americano às eleições brasileiras, mas não mencionaram abandono – nem acolhimento. O primeiro criticou a interferência de Trump na eleição e apontou que, embora sem endossar Flávio formalmente, o presidente agiu para favorecê-lo. Já o segundo questionou a atuação do Judiciário brasileiro, mas defendeu que Flávio liderasse a oposição no Brasil, não nos Estados Unidos. Existe uma distância entre acolher o senador e comprar sua briga política. Trump abriu a porta dos Estados Unidos; mas ainda não disse até que ponto pretende seguir com ele.

New York Times: Trump agiu como se tivesse endossado Flávio.
No editorial Trump Should Stay Out of Brazilian Politics, o conselho editorial do New York Times diz que o presidente não declarou apoio formal a Flávio, em parte para não prejudicá-lo nas urnas. Ainda assim, na avaliação do jornal, “fez tudo, menos endossá-lo oficialmente”. Integrantes do governo teriam ajudado Flávio a deixar o Brasil. Um assessor da Casa Branca, James Milles, teria conseguido um avião particular, enquanto Marco Rubio teria providenciado os vistos. Segundo o NYT, Trump favorece líderes com os quais se alinha e prejudica seus opositores. Como exemplos, cita as tarifas de 50% sobre a maior parte das importações brasileiras e as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher. Para o jornal, as tarifas enfraqueceram a economia brasileira e foram uma interferência indevida:

“Essa intromissão prejudica a democracia e os interesses nacionais dos Estados Unidos. Interferir nas eleições de um Estado democrático é antidemocrático: afinal, os americanos não fazem parte do corpo político brasileiro.”

A crítica vai além do Brasil. O jornal cita manifestações de apoio de Trump a candidatos na Argentina, na Colômbia, em Honduras, na Hungria, em Israel, no Japão e na Polônia. Para o conselho editorial, essa postura prejudica a democracia e os próprios interesses americanos. O argumento central é que cabe aos brasileiros, e não aos políticos norte-americanos, decidirem o futuro do país. O texto não fez nenhuma menção às críticas realizadas pelo senador e ex-candidato Flávio Bolsonaro.

Washington Post publicou texto equilibrado.
O editorial do Washington Post adota um tom mais equilibrado: aponta erros da família Bolsonaro, mas defende que a Justiça conduza as investigações com imparcialidade. Publicado em 28 de outubro, When Judges Become Prosecutors parte da ideia de que perder uma eleição não deveria levar um candidato a deixar o próprio país. Para o jornal, a ida de Flávio aos Estados Unidos também levanta dúvidas sobre a confiança no sistema de Justiça brasileiro. O editorial critica o que considera excesso de poder do Judiciário e cita o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal em 2019. Segundo o texto, ministros passaram, em determinados casos, a atuar como investigadores, acusadores e julgadores. O jornal também menciona a suspensão do X no Brasil, determinada por Moraes em 2024, e a multa diária de R$50 mil para quem usasse uma VPN para acessar a plataforma. O serviço voltou a funcionar depois que a empresa concordou em cumprir ordens judiciais, pagar multas e nomear um representante legal no país. O episódio colocou o Brasil ao lado de países como China, Irã e Turcomenistão entre os que restringem a liberdade de expressão. De acordo com o editorial, as decisões do ministro Moraes impactam o ambiente de negócios: a insegurança jurídica é um dos fatores que tende a afastar investimentos.

“Um empresário que avalia construir uma fábrica no Brasil não pode dissociar o tratamento dado aos políticos daquele que sua empresa poderá receber dos tribunais”, afirma.

Post afirma que Flávio deveria liderar a oposição no Brasil.
O jornal destaca que a saída de Flávio do país não prova sua inocência, assim como a investigação não prova sua culpa. Também defende que as garantias do devido processo legal sejam asseguradas a um acusado com o sobrenome Bolsonaro.

Instagram.
Para o Washington Post, Flávio deveria se preparar para liderar a oposição sem deixar seu país.

“Uma democracia saudável precisa de derrotados que aceitem a derrota e de um sistema de Justiça no qual possam fazê-lo com segurança.”

O que os editoriais não dizem: a importância de um aliado como Flávio Bolsonaro.

Os textos apresentam críticas diferentes e não comprovam um acordo entre Trump e Flávio. O New York Times descreve a atuação de Trump antes da eleição como uma interferência que favoreceu o senador e seu pai. O Washington Post critica o Judiciário brasileiro, mas ressalta que deixar o país não prova a inocência de Flávio. Com base apenas nesses editoriais, não é possível afirmar que Trump tenha abandonado Flávio ou negociado com ele sua saída do Brasil. O New York Times sustenta que Trump apoiou, na prática, a direita brasileira, sem formalizar um endosso ao senador. Já o Washington Post defende que Flávio volte ao centro da disputa política brasileira e lidere a oposição no Congresso.

Há um ponto que nenhum dos dois aborda: a utilidade de um aliado como Flávio para o governo Trump.
Os Estados Unidos ainda dependem de importações de terras raras. Segundo estimativa do USGS para o período de 2020 a 2023, a China respondeu por 56% do consumo americano de compostos e metais desses minerais. O interesse em diversificar fornecedores ajuda a explicar a atenção de Washington ao setor. Em setembro de 2026, a empresa americana USA Rare Earth concluiu a compra da Serra Verde, operadora da mina Pela Ema, em Goiás – a única produtora brasileira de terras raras em escala comercial. Nesse cenário, um aliado como Flávio Bolsonaro pode ser importante para Trump. O senador tem mais de duas décadas de atuação política e conhece o funcionamento do Congresso e as articulações necessárias para aprovar medidas e concessões. O plano de governo de Flávio propõe parcerias internacionais para atrair investimentos em tecnologia para a exploração de minerais críticos. Também defende a recomposição das relações comerciais com os Estados Unidos. Ter Flávio como conselheiro, ainda que informal, poderia ser valioso para Trump e influenciar a relação entre os dois países. O senador também poderia funcionar como instrumento de pressão sobre Lula enquanto Washington negocia com o governo brasileiro.

Ao criticar o processo eleitoral brasileiro e, ao mesmo tempo, dizer que não pretende se encontrar com Flávio, Trump sinaliza que não quer travar as negociações com Lula. Mas deixa claro que não se sentará à mesa sem poder de barganha. Não se trata de um aliado qualquer. Flávio é uma figura influente na política brasileira, e o Brasil é o 17º maior parceiro comercial dos Estados Unidos. O país também pode se tornar um fornecedor importante de uma das matérias-primas mais estratégicas da atualidade. Essa arquitetura política ganha contornos sofisticados. E, ao que parece, o povo brasileiro não é a principal peça desse tabuleiro.

https://ndmais.com.br/ 

Comunidade paga criada por Zambelli para se manter na Itália é cancelada.


Condenada no Brasil e procurada pela Interpol, 
a ex-deputada fugiu para a Itália em maio de 2025.

Brasília|Do R7

A comunidade paga criada por Carla Zambelli para financiar sua continuidade na Itália foi cancelada. A ex-deputada comunicou a queda da página em suas redes sociais na noite da última terça-feira (3) e os participantes tiveram seu dinheiro reembolsado. A comunidade paga foi criada nesta semana e cobrava R$ 50,00 mensais para a participação. Zambelli fez uma postagem anunciando que disponibilizaria conteúdos exclusivos, histórias e bastidores, além de vídeos ao vivo e convidados para tratar de assuntos para os assinantes. Os participantes foram reembolsados após o cancelamento, afirmou. Segundo ela, a comunidade foi encerrada porque a plataforma utilizada era brasileira. Depois, Zambelli anunciou o link de uma vaquinha, feita em um site internacional. “Eu já fiz uma vaquinha lá. O valor que eu recebi foi direto para o advogado Pieremilio Sammarco, que está me ajudando aqui na Itália”, disse na postagem.

Ela alega que está impossibilitada de trabalhar, já que suas contas bancárias estão bloqueadas e ela não pode abrir novas contas, mesmo que no exterior. “É uma forma de eu conseguir me manter até que a gente consiga pelo menos derrubar o pedido na Interpol”, disse sobre a vaquinha. A ex-deputada entrou na lista de difusão vermelha da Interpol em junho do ano passado. Zambelli é brasileira com cidadania italiana e fugiu para o país em maio de 2025, quando chegou a ser presa.

No Brasil, ela foi condenada em dois casos: por coordenar um ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por perseguir, à mão armada, um jornalista na época das eleições de 2022. Em outubro, a justiça italiana adiou para o fim deste mês o julgamento sobre sua extradição, relativo à condenação por perseguição ao jornalista.

https://noticias.r7.com

Eleitores de Flávio pedem que ele volte ao trabalho no Senado.


Grupos focais conduzidos pela cientista política Esther Solano apontam ansiedade com o novo governo Lula, mas pouca disposição para contestar a eleição; parte critica salário recebido sem exercer o mandato.

Estado de Minas

Eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) querem “virar a página” da eleição presidencial, segundo pesquisas qualitativas feitas nos últimos dias, depois da fuga do senador para os Estados Unidos. Os grupos foram conduzidos pela cientista política Esther Solano, que pesquisa o universo da direita, e os resultados foram divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo o levantamento, a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preocupa os apoiadores do senador, mas não se traduz em disposição para uma batalha judicial sem fim contra o resultado. Até os mais radicalizados consideraram “ridículo” que Flávio tenha se declarado presidente eleito ao chegar aos EUA.

Ansiedade, não revolta.

De acordo com os participantes, o clima entre os eleitores de Flávio não é de revolta generalizada, mas de ansiedade com as primeiras medidas do novo mandato de Lula e de expectativa sobre o que vem a seguir. “Apareceram muito duas expressões nos grupos, que eram ‘vida que segue’ e ‘bola pra frente’”, afirma Solano. Segundo ela, os eleitores avaliam que não faz sentido Flávio tentar reverter o resultado e que agora é preciso esperar a próxima eleição, daqui a quatro anos.

“Light” e radicais.
A pesquisa ouviu tanto apoiadores mais moderados quanto mais radicalizados. Entre os bolsonaristas “light”, predominou a avaliação de que Flávio foi mal no último debate, na TV Globo, e conduziu pior a campanha no segundo turno. Os mais radicais ainda desconfiam de fraude, principalmente por causa da prorrogação do horário de votação. Muitos, porém, disseram não saber que o próprio PL também pediu a ampliação do horário nem que os votos registrados depois do fechamento normal das urnas foram poucos e incapazes de mudar o resultado. Ao receber essas informações, os eleitores menos radicais passaram a questionar a tese de fraude. Apesar das diferenças, os dois grupos concordam que é preciso aceitar a derrota e seguir em frente.

Perseguição e investigações.
Os mais radicais ainda desconfiam de fraude, principalmente por causa da prorrogação do horário de votação. Muitos, porém, disseram não saber que o próprio PL também pediu a ampliação do horário nem que os votos registrados depois do fechamento normal das urnas foram poucos e incapazes de mudar o resultado. Ao receber essas informações, os eleitores menos radicais passaram a questionar a tese de fraude. Apesar das diferenças, os dois grupos concordam que é preciso aceitar a derrota e seguir em frente. Sobre a fuga, parte dos entrevistados enxerga a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse o passaporte como sinal de perseguição judicial. Ao mesmo tempo, admitem que o senador pode ter responsabilidade nos fatos investigados, como nos casos do Banco Master e do INSS, o que ajudaria a explicar a ida para os EUA.

Os eleitores também criticaram duramente o fato de Flávio continuar recebendo salário de senador sem exercer o mandato. “Apareceu muito forte a ideia de que se ele quer receber o salário, vai ter que vir aqui, vai ter que dar as caras, vai ter que trabalhar”, diz a pesquisadora.

Da contestação ao recuo.
Na primeira declaração depois da derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que iria à Justiça. Depois, desistiu de pedir a anulação da eleição, mas, ao chegar aos Estados Unidos, publicou uma carta de teor golpista em que se declarou presidente eleito e, em seguida, “líder do Brasil”.

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Democrata agradece ao Brasil por ‘mostrar o caminho’ e cita Exército do Lula.


Ativista Isaiah Martin afirmou em publicação nas 
redes sociais que gostaria de visitar o Brasil.

Beatriz Vasconcelos - Correio Braziliense

O ativista do Partido Democrata Isaiah Martin utilizou as redes sociais na quarta-feira (4/11) para celebrar a vitória de aliados nas eleições de meio de mandato nos EUA e agradecer ao Brasil por ter “mostrado o caminho”. Na publicação, Martin chegou a escrever o termo “explode”, fazendo referência a uma fala do deputado federal André Janones (Rede-MG) utilizada no canal “Exército do Lula”.

Com a confirmação da maioria democrata na Câmara e no Senado norte-americanos, o ativista manifestou o desejo de conhecer o país. “Beleza, agora que a gente fritou aqueles idiotas, quero visitar o Brasil”, publicou. Em outra publicação, Isaiah reforçou uma declaração feita na semana anterior e voltou a defender a deportação de Flávio Bolsonaro.

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Gonçalves.
https://www.em.com.br/

Vou pedir voto até para o Alcolumbre, diz Tereza Cristina à CNN.


Em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (4), senadora 
falou sobre disputa pela presidência do Senado.
 
Helena Prestes, da CNN Brasil*, Manoela Carlucci, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou na quarta-feira (4) à CNN Brasil que pedirá até o voto de Davi Alcolumbre (União-AP), candidato à reeleição na presidência do Senado, para sucedê-lo no comando da Casa.

"Vou até pedir voto para o senador Davi Alcolumbre porque eu já disse 
a ele que ele precisava ter uma mulher como sucessora", declarou.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) lançou oficialmente sua candidatura na quarta-feira (4). Tereza, por sua vez, articula nos bastidores apoio para disputar o cargo. A eleição está prevista para 1º de fevereiro. Segundo a senadora, o momento é de conversar com os 81 senadores para avaliar o apoio à sua candidatura.

"Eu acho que agora é hora de conversar com todo mundo e saber realmente aqueles que não querem falar, os que querem falar e contabilizar esses votos", disse.

Tereza avalia que também herdaria parte dos votos de Marinho caso ele desistisse da disputa. No cenário inverso, porém, acredita que seus apoiadores se dividiriam entre o colega do PL (Partido Liberal) e Alcolumbre.

"Os votos, eu quero dizer: muitos dos votos que Rogério tem, se ele não for candidato, eu os terei. E se eu não for candidata, os votos também que eu tenho, eu não sei se todos vão para ele. Essa contabilidade que nós vamos fazer mais pra frente", declarou.

Segundo aliados, a senadora busca se apresentar como uma espécie de "terceira via" entre Alcolumbre, apoiado por governistas, e Marinho, da oposição. Seus defensores avaliam que Tereza tem maior trânsito entre os diferentes grupos do Senado, inclusive entre governistas. A aposta é que ela consiga conquistar apoio em partidos do Centrão que resistem à candidatura de Marinho, mas também não desejam a recondução de Alcolumbre.

*Sob supervisão de João Ker
https://www.cnnbrasil.com.br

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Trump perde o Congresso: o que muda para o Brasil e para os conflitos no mundo?


Com legislativo nas mãos dos democratas, Trump deve priorizar custo de vida interno, mas com reflexos no mundo: guerra contra o Irã pode perder financiamento, Cuba pode virar alvo de mais pressão e Brasil deve ver mais fiscalização sobre medidas do governo dos EUA, dizem especialistas.

Por Aline Freitas, g1 — São Paulo 

Com a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato (midterms), realizadas nesta terça-feira (3), a expectativa histórica de que o republicano volte suas atenções para a política externa nos dois últimos anos de governo pode não se confirmar. 

Embora esse seja um comportamento observado entre presidentes americanos anteriores que perdem força no Congresso, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que Trump deve seguir um caminho diferente já que sua atuação internacional, especialmente a guerra contra o Irã, contribuiu para o desgaste de sua popularidade e para a derrota eleitoral.

Isso não significa que outros países não devem ser afetados pela derrota republicana. Na América Latina, os especialistas apontam desde um possível afastamento dos EUA de questões envolvendo a Venezuela até uma intensificação da pressão sobre Cuba. Para o Brasil, a tendência é de continuidade das políticas americanas, embora o novo Congresso possa ampliar a fiscalização sobre medidas do governo Trump.

Já no Oriente Médio, a nova maioria democrata pode dificultar o financiamento da guerra contra o Irã e aumentar a pressão por um acordo para encerrar o conflito.

Por que Trump pode contrariar o histórico dos 'patos mancos'?

Historicamente, presidentes americanos tendem a voltar suas atenções para a política externa nos últimos anos de mandato. Isso acontece especialmente ao perderem força no Congresso, quando são chamados de "patos mancos". A expressão é usada para políticos que ainda estão no cargo, mas já são vistos como figuras com menos poder e influência.

Com mais dificuldades para aprovar medidas internas, eles buscam resultados nas relações internacionais, onde possuem maior autonomia para agir.
 
Esse comportamento inclui exemplos como Bill Clinton, que tentou negociar um acordo de paz entre israelenses e palestinos no fim do governo, e Barack Obama, que, após a derrota democrata nas eleições de meio de mandato de 2014, fechou um acordo nuclear com o Irã e restabeleceu relações diplomáticas com Cuba, conforme lembra uma análise publicada pela revista Foreign Affairs.

Trump, porém, deve ir contra esse precedente.

O presidente deve deixar a política externa em segundo plano e concentrar esforços na economia americana, especialmente no aumento do custo de vida, segundo a avaliação de Roberto Uebel, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM) e professor de Relações Internacionais da ESPM.

    "Eu acredito que para ele conseguir manter uma sobrevivência política, ele precisa dar resultados, porque os norte-americanos votam por resultados econômicos", afirma. 

Na mesma linha, as dificuldades enfrentadas pelos EUA na guerra contra o Irã e a crescente competição com a China tornam novas intervenções internacionais mais arriscadas explica Vinicius Rodrigues Vieira, professor de Economia e Relações Internacionais da Faap.

    "Essa seria a expectativa no passado", avalia. "Nada mais claro do que as dificuldades enfrentadas no Irã para demonstrar que caso Trump queira abrir novas frentes de batalha em política externa, ele terá acho que mais problemas do que soluções". 

Já Vitelio Brustolin, professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), considera que as ações do governo Trump em relação a outros países não devem sofrer grandes mudanças.

"Os passos que foram dados e que foram, inclusive, ratificados na estratégia nacional de defesa e na estratégia de segurança nacional, eles não têm como recuar", diz.

Quais as possíveis consequências para a América Latina? E para o Brasil?

Ainda assim, países já envolvidos em disputas diplomáticas com o governo Trump podem sofrer consequências, segundo os especialistas.

Na avaliação de Brustolin, a pressão sobre países latino-americanos deve continuar em uma tentativa de limitar a influência chinesa e ampliar o combate ao narcotráfico. Para ele, essa pressão deve ser ainda maior no Brasil porque países vizinhos, que elegeram candidatos apoiados por Trump nas últimas eleições presidenciais, concordam com as operações militares.
 
Antes da vitória de Lula, candidatos de direita haviam conquistado as últimas cinco eleições presidenciais ocorridas na América do Sul. Após as eleições no Brasil, o mapa da América do Sul ficou desenhado com sete países de direita e cinco de esquerda. 
 
"[Apesar disso], não percebo que haja uma repercussão direta na redução ou na aplicação de mais tarifas contra o Brasil, por conta desse novo congresso dos Estados Unidos", continua. "O que pode acontecer é que questões relacionadas ao Brasil sejam usadas pela nova Câmara e pelo novo Senado para questionar autoridades do governo Trump, inclusive o Marco Rubio e o Pete Hegseth, secretário de guerra dos Estados Unidos". 

Já na avaliação de Vieira, entre os países da América Latina, o Brasil não deve ser o mais afetado.

"Eu vejo menos uma interferência no Brasil. Muito mais provável que ele volte todas as atenções para Cuba, porque Cuba, mais do que qualquer país latino-americano, mobiliza o eleitor americano em relação a qualquer questão e pode vender bem o Rubio como potencial sucessor do movimento Maga (Make America Great Again)"

Uebel, por outro lado, acredita que a derrota republicana deve levar a um afastamento gradual dos Estados Unidos da América Latina.

Para ele, a prioridade de Trump será recuperar sua força política internamente, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, deve concentrar esforços em uma possível candidatura à Presidência em 2028.
 
"Se hoje a prioridade do presidente Trump vai ser a sua sobrevivência política, Venezuela não é mais prioridade. A América Latina não é mais prioridade", afirmou.

Apesar disso, assim como Brustolin, o professor não descarta a continuidade das ações militares na região.

O que pode mudar nos conflitos no Irã, em Israel e na Ucrânia?

    Irã

A guerra do Irã, na avaliação dos especialistas, ultrapassa a barreira entre política interna e externa nos EUA, já que o conflito elevou os preços do petróleo e dos combustíveis no país, pressionando o custo de vida dos americanos.

Na avaliação de Uebel, o resultado das eleições deve levar o presidente a reduzir gradualmente o envolvimento no conflito, justamente porque a guerra passou a representar um desgaste político e econômico para o governo.

    ➡️Após o resultado nas urnas, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, atrelou a derrota republicana à guerra no Irã. Em entrevista à imprensa americana, o presidente republicano também reconheceu o papel do conflito na vitória da oposição. 

Vieira também acredita que Trump deve buscar uma saída negociada para o conflito, mas ressalta que o presidente tentará apresentar um eventual acordo como uma vitória americana. 

    "Ele vai querer declarar alguma vitória no Irã. E, para tanto, me parece que ele precisa encontrar uma saída honrosa. Os democratas, agora com controle da Câmara e do Senado, podem impeli-lo a buscar ali uma negociação e aceitar o acordo menos pior possível, desde que ele possa vender-se como vencedor da batalha", afirma. 

Brustolin considera improvável um recuo imediato. Segundo ele, Trump ainda pode tentar garantir recursos para a guerra antes da posse do novo Congresso, em 3 de janeiro, quando os democratas passarão a ter maior poder para fiscalizar e restringir o financiamento de operações militares.

    Israel

Em relação a Israel, os especialistas também apontam a possibilidade de uma redução do envolvimento americano. Na terça-feira (3), Trump anunciou que pretende encerrar a ajuda financeira anual de aproximadamente US$ 4 bilhões ao país a partir de 2027.

Para Brustolin, porém, o anúncio teve caráter eleitoral e não significa o fim da cooperação militar entre os dois países. Segundo ele, mesmo sem os repasses anuais, Israel poderá continuar comprando armamentos americanos, incluindo caças e equipamentos de defesa antiaérea.

    "Os EUA não vão mais repassar US$ 4 bi para Israel por ano, mas tudo que Israel quiser comprar, vai poder comprar", explica. "Então os caças vão continuar sendo vendidos, equipamentos de defesa antiaérea e todo o restante vai continuar sendo fornecido. Israel só não vai mais ter acesso a um repasse anual".

Já Uebel considera que o anúncio de Trump é um dos primeiros sinais de um possível afastamento dos conflitos no Oriente Médio, em uma tentativa de recuperar o apoio de eleitores insatisfeitos com os gastos internacionais.

    Guerra da Ucrânia

Na Ucrânia, a derrota republicana também pode afetar o envolvimento dos Estados Unidos nas negociações para encerrar a guerra com a Rússia.

Vieira avalia que Trump pode tentar acelerar um acordo de paz, mas ressalta que os democratas ainda precisam encontrar um consenso sobre o grau de envolvimento americano em conflitos internacionais.

Segundo ele, há divergências dentro do partido entre uma postura mais isolacionista e outra favorável a uma atuação internacional mais ativa.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

PEC da Segurança dá outra vitória à dobradinha Lula-Alcolumbre e isola o PL.


Anita Prado

Antes sem consenso — o que fez Alcolumbre, em mais um gesto de aliança, adiar o texto para depois das eleições —, na manhã da terça-feira, o PT decidiu aprovar o texto sem discutir as emendas sobre a diminuição: a de Marinho e a de Camilo. Marinho tentou reagir. Pediu destaque para forçar a discussão em plenário. Mas o relator, Rogério Carvalho (PT), tinha outra saída: apresentou um requerimento para encaminhar ambas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a discussão passaria a tramitar em uma PEC separada. O requerimento foi aprovado e, com a decisão, a discussão sobre a maioridade penal ficou para depois. Na prática, o governo conseguiu aprovar a PEC da forma que sempre quis: sem discutir a maioridade e rapidamente, sem ver o texto voltar para a Câmara — o que aconteceria caso as emendas fossem aprovadas.

O líder do PL não disfarçou a irritação. Antes da votação, já dizia a jornalistas que a oposição estava sendo escanteada. Ao orientar o voto de seu partido, classificou o episódio como "mais um estelionato eleitoral". Depois que as emendas foram retiradas de pauta, deixou o plenário alegando que participaria de uma reunião. Minutos depois, apareceu para uma coletiva de imprensa às pressas. Marinho afirmou que está sendo escrita "uma página esquisita do Legislativo" e criticou o uso do instrumento regimental, que, segundo ele, cria um precedente perigoso para a presidência do Senado. Em mais de uma ocasião, recorreu à expressão "o chapéu muda de cabeça", numa referência indireta à condução de Alcolumbre. Não é uma provocação qualquer. Marinho pretende disputar novamente a presidência da Casa, mesmo disputando a oposição com a senadora Tereza Cristina (PP), que ganhou força após a fuga de Flávio Bolsonaro. Nem mesmo a participação remota de Flávio, diretamente dos Estados Unidos, mudou o cenário. O senador Carlos Portinho (PL) precisou segurar as pontas em diferentes momentos, enquanto o partido tentava reagir a uma articulação que já parecia ter destino definido.

Do outro lado, o governo voltou a comemorar, dentro e fora do plenário. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, festejou a aprovação da PEC. Lula também celebrou o resultado e defendeu que a aprovação seja acompanhada da criação do Ministério da Segurança Pública, uma de suas propostas de governo, com foco em inteligência, planejamento e cooperação com estados e municípios no combate às facções e milícias.

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Eleições nos EUA: democratas conquistam maioria da Câmara e do Senado, impõem derrota a Trump e assumem controle do Congresso.


Pelos próximos dois anos, democratas terão maioria nas duas casas, o que causará desafios ao governo do presidente americano. Trump disse que aceitaria derrota, mas postou imagem com a palavra 'veto', sinalizando como poderia governar diante da oposição fortalecida.

Por Guilherme Naldis, g1 

O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado configura uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump em meio às eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na última terça-feira (3). A legenda manteve suas cadeiras no Senado e avançou sobre vagas historicamente ocupadas por Republicanos. Os democratas elegeram 20 senadores, sendo sete de virada, e chegaram a 54 das 100 cadeiras da Casa até a última atualização desta reportagem. Eram necessárias 51 cadeiras para alcançar a maioria. Até a última atualização desta reportagem, os resultados para o Senado estavam da seguinte forma:

    🔵 Democratas: 54
    🔴 Republicanos: 44
    Aguardando resultado: 2


Na Câmara, os democratas conseguiram "virar" 25 cadeiras que estavam sob o controle dos republicanos em distritos de mais de 10 estados. Até a última atualização desta reportagem, os resultados para a Câmara estavam da seguinte forma:

    🔵 Democratas: 228
    🔴 Republicanos: 139
    Aguardando resultado: 68

 
Toda a Câmara dos Deputados americana é renovada a cada dois anos. Como existem 435 cadeiras na Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 assentos para obter a maioria absoluta. No Senado, onde os democratas também obtiveram maioria, havia 35 cadeiras em disputa das 100 no total. As eleições devem alterar drasticamente o equilíbrio de poder em Washington, já que o partido de Donald Trump perdeu o controle que tinha nas duas Casas. 

Trump diz que vai aceitar resultado.
Após a confirmação do controle democrata sobre as duas Casas, o presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao jornal americano "The New York Times", que deve aceitar a derrota e governar junto dos democratas.

    "Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", afirmou.

Segundo o americano, sua gestão deve buscar acordos com integrantes do partido adversário.

    "Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento", declarou.

Dias antes, o republicano levantou dúvidas sobre a sua reação a uma eventual derrota ao afirmar que só reconheceria os resultados se as eleições "fossem limpas".

Presidente promete vetos.

Após os primeiros resultados negativos para seu partido, Trump publicou a foto de um boné vermelho com a palavra “veto”. Dias antes, o presidente antecipou como agiria caso os democratas vencessem as eleições. "Acho que vou me tornar o Sr. Veto", disse o presidente ao podcast "Pod Force One", do "New York Post".

    "Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo", disse.

Democratas avançam no Senado e ganham sobre estados conservadores.
Em uma surpreendente dupla vitória democrata em dois dos estados mais conservadores do país, James Talarico derrotou Ken Paxton no Texas, e Annie Andrews obteve uma vitória inesperada sobre Darline Graham na Carolina do Sul, colocando em xeque o controle republicano do Senado dos EUA. Os resultados históricos representaram uma extraordinária rejeição a Trump, que havia colocado todo o seu peso político a serviço dos candidatos derrotados. Trump havia apoiado Ken Paxton, o procurador-geral do Texas envolvido em diversos escândalos, contra o senador John Cornyn nas primárias republicanas do Estado. Cornyn e lideranças republicanas nacionais haviam alertado que Paxton teria dificuldades em uma eleição geral, o que poderia custar dezenas de milhões de dólares ao partido e, potencialmente, o controle unificado dos republicanos sobre o poder em Washington.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, marcando mais uma derrota do partido em um Estado de tendência republicana

Na Carolina do Sul, Trump apoiou Graham apesar das dúvidas dentro do próprio partido de que ela não tinha experiência e conhecimento suficientes para conquistar a cadeira anteriormente ocupada por seu irmão, Lindsey Graham, após a morte inesperada dele. Além disso, Trump visitou Ohio repetidas vezes para fazer campanha por Husted. Os democratas já haviam virado uma cadeira na Carolina do Norte e mantido assentos disputados em New Hampshire e na Geórgia. O senador democrata Jon Ossoff foi reeleito na Geórgia, derrotando o deputado Mike Collins e impedindo que os republicanos conquistassem uma cadeira que haviam considerado uma de suas principais oportunidades de avanço. O deputado Chris Pappas venceu a disputa pelo Senado em New Hampshire, derrotando o ex-senador John Sununu para substituir a senadora democrata Jeanne Shaheen, que está se aposentando. Vários senadores democratas foram reeleitos com facilidade, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado. A democrata Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador democrata Dick Durbin.

Como funcionam as midterms.
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato. Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores têm mandatos de seis anos. Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Neste ano, além das 435 cadeiras da Câmara, estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado.

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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Flávio Bolsonaro manda novo recado sem reconhecer derrota: 'Sinto que ainda não acabou'.


por Henrique Brinco.
henrique.brinco@bnews.com.br

O candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), fez uma nova postagem nas redes sociais indicando que continua não reconhecendo o resultado das urnas. Na segunda-feira (2), o senador compartilhou uma mensagem de Carlos Bolsonaro (PL) com uma legenda.
 "Fiz o que achava certo, necessário e com muita fé, que continua inabalável! Sinto ainda que não acabou! Que Deus nos abençoe!", escreveu o filho de Jair Bolsonaro, que agora está morando nos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas.

Carlos, que foi eleito senador por Santa Catarina na eleição deste ano, compartilhou uma reflexão em defesa do irmão. "Não colocou seu cargo acima daquilo em que acredita, mas sim, abriu mão de sua vida em disputa de algo muito maior!", escreveu. "Essa é mais uma verdade que o sistema tenta omitir, ignorar propositalmente e apagar da história de verdadeiros homens", finalizou Carlos.

Flávio perdeu a eleição para Lula (PT), que venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos. Ele ficou com 48,21%. O resultado, já reconhecido pela maioria dos partidos (incluindo o PL), marca a primeira vez em que o segundo colocado no primeiro turno consegue virar a disputa presidencial. No domingo (1º), o programa 'Fantástico', da TV Globo, exibiu uma longa reportagem detalhando a fuga do '01'. Segundo a atração, a operação envolveu altos valores, chegando a custar quase R$ 1 milhão.

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