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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Parlamentares dos EUA cobram explicações de Zuckerberg sobre ações da Meta na eleição brasileira.

 
A cobrança ocorre após denúncias de que a inteligência artificial do WhatsApp recusava criar imagens de Lula (PT), mas aceitava de Flávio Bolsonaro (PL). O caso fez o TSE cobrar explicações da Meta.

Por Redação g1 

Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviaram uma carta na quinta-feira (22) ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre denúncias de tratamento desigual às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa durante as eleições brasileiras. O texto ressalta que, em eleições democráticas, cabe às big techs garantir que os candidatos recebam tratamento igual em relação à distribuição e recomendação de conteúdos em suas plataformas.

    "Estamos, portanto, profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital", afirma o documento.

Nos últimos dias, relatos de usuários apontaram que a IA do WhatsApp se recusava a criar imagens da campanha de Lula, enquanto aceitava solicitações semelhantes relacionadas a Flávio. O caso levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cobrar explicações da Meta, que afirmou, na terça-feira (20), ter cumprido as determinações da Corte para garantir tratamento isonômico no 2º turno. O documento, assinado por senadores e deputados, também cita a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook em 23 de setembro, 11 dias antes do primeiro turno, e restrições que impediram a campanha de impulsionar publicações no Instagram por quase 24 horas, entre 9 e 10 de outubro. Segundo a campanha petista, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios durante o segundo episódio.

A carta lembra que o TSE multou a Meta na quinta-feira passada (15) e determinou o tratamento igual aos candidatos. Quatro dias depois, a Corte dobrou a multa por descumprimento da decisão. Na última terça (20), a empresa afirmou ter concluído a implementação de 17 medidas para atender às determinações, incluindo um sistema de revisão humana das restrições aplicadas às contas de anúncios das campanhas. 

Congressistas pressionam por moderação.
Os parlamentares solicitaram uma reunião com a Meta para esta sexta-feira (23) e deram à empresa até 4 de novembro para responder a perguntas por escrito. Eles querem saber quais regras orientam a moderação de conteúdo em eleições estrangeiras e se houve comunicação entre a empresa e integrantes do governo Donald Trump sobre o Judiciário brasileiro, a regulação das plataformas ou as eleições de 2026. A carta também questiona quando a Meta identificou diferenças de tratamento entre as campanhas e quais medidas adotou para corrigir o problema. Os congressistas pedem detalhes sobre o sistema de revisão humana, que prevê a análise, em até duas horas, de restrições automatizadas às contas de anúncios dos candidatos.

Na carta, o grupo questiona se a empresa permitirá que auditores independentes acessem dados internos de moderação e distribuição de conteúdo político para verificar se houve tratamento igual nas eleições brasileiras.

https://g1.globo.com

Pesquisa mostra mudança na aprovação do governo Lula às vésperas da eleição.


Anna Satie

A pesquisa Datafolha da quinta-feira, 22, trouxe outra boa notícia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou a empatar numericamente com Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto. A aprovação do governo do petista ultrapassou numericamente a desaprovação pela primeira vez desde julho deste ano. Os que aprovam o governo são 49%, enquanto os que desaprovam, 48%. Dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o patamar é o mesmo. Na rodada anterior, de 15 de outubro, a aprovação era de 48%, e a desaprovação, 50%.

Caiu também o percentual dos que avaliam o governo como ruim ou péssimo. O índice, que era de 41% na semana passada, passou a 49%. Já os que consideram ótimo ou bom foi de 35% a 36%, e regular, de 23% a 24%. Os que não souberam responder se mantiveram no mesmo percentual, de 1%.

Veja os números da aprovação e avaliação do governo Lula, segundo o Datafolha:

Aprovação.
    Aprovam: 49% (eram 48% em 15 de outubro)
    Desaprovam: 48% (eram 50%)
    Não sabe: 2% (eram 3%)

Avaliação.
    Ruim/péssimo: 39% (eram 41% em 15 de outubro)
    Ótimo/bom: 36% (eram 35%)
    Regular: 24% (eram 23%)
    Não sabe: 1% (era 1%)

Sobre a pesquisa.
Contratado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, o Datafolha entrevistou 2.520 eleitores entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O protocolo de registro na Justiça Eleitoral é BR-09709/2026.

https://veja.abril.com.br

Vox Brasil volta a apontar Lula à frente de Flávio Bolsonaro no 2º turno.


CartaCapital

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial, segundo levantamento da Vox Brasil Opinião e Pesquisas divulgada nesta sexta-feira 23. Na pesquisa, Lula tem 50,6% dos votos válidos, enquanto Flávio registra 49,4%. A diferença está dentro da margem de erro, de 2,15 pontos. Segundo o levantamento, a gestão Lula é aprovada por 46,9% e reprovada por 48,1% dos entrevistados. Não souberam responder 5%. O resultado indica uma disputa apertada entre os dois candidatos a dois dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 18, Lula registrava 51% dos votos válidos, enquanto Flávio registrou 49%.

O Instituto Vox Brasil ouviu 2.100 pessoas em entrevistas presenciais domiciliares de 17 a 23 de outubro. A pesquisa tem margem de erro de 2,15 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código TSE BR-03259/2026. O levantamento foi contratado e pago com recursos próprios do instituto. 

https://www.cartacapital.com.br

Lula diz que Meta vai ter que ser reinventada e que empresa 'não pode enganar a humanidade todo tempo'.


Lula afirmou ainda que a Meta "já enganou muito" e que não pode aceitar a ideia da sociedade ser dominada pelos algoritmos ou pela mentira. Lula deu a declaração em uma live.

Por Isabella Calzolari, Marcela Cunha, g1 — Brasília 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na quinta-feira (22) que a empresa Meta (dona do Facebook, WhatsApp e Instagram) terá que ser reinventada e que não pode achar que pode enganar a humanidade "todo tempo". "A gente vai provar agora que a gente vai derrotar o império digital. A Meta vai ter que ser reinventada porque ela não pode achar que pode enganar a humanidade todo tempo. Ela já enganou muito. Agora ela vai ter que se enquadrar nos bons costumes e boas maneiras que a sociedade precisa para viver bem. A comunidade nasceu para viver em comunidade, tratar o outro, ajudar, a gente cuidar", disse Lula.

A fala ocorreu em meio a embates da campanha petista com a empresa de tecnologia. A campanha de Lula acusa a empresa de prejudicar o alcance de suas publicações e favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais de uma vez para questionar a atuação da plataforma. A Meta nega favorecimento e afirma que adotou medidas para garantir tratamento igual e não discriminatório às duas candidaturas. Lula deu a declaração durante uma live com o deputado federal André Janones (Rede-MG), que coordena o canal de WhatsApp "Exército do Lula". O canal "Exército do Lula' tem mais de 8,3 milhões de inscritos. O objetivo é compartilhar áudios, vídeos e orientações para apoiadores do presidente Lula. Durante a live, Lula afirmou ainda que acredita que vai vencer o segundo turno pelo argumento.

    "A gente existe para recuperar argumento. Não podemos aceitar ideia de sociedade ser dominada pelos algoritmos ou pela mentira. Nós que acreditamos no argumento temos que batalhar, temos que defender. Sem argumento é a barbárie, é a mentira fácil, a falta de proposta. Não poderemos aceitar que a mentira vença a verdade", disse o petista.

O presidente afirmou ainda ser necessário discutir uma regulamentação nas plataformas digitais para que crimes cometidos na internet também sejam tratados como crime na "vida real".

"Ou a gente toma atitude muito séria e começa a discutir uma regulamentação sem censura de que qualquer crime na internet seja tratado como crime da vida real. As pessoas têm que ser punidas e isso não tem nada de fim de liberdade de expressão. Queremos liberdade de expressão com responsabilidade. Já fizemos a regulamentação, o ECA Digital, que é a melhor regulamentação já feita em qualquer país do mundo", disse o petista. 

O petista também afirmou que, se for reeleito, pretende criar uma secretaria da sociedade civil para discutir finança popular.

"As pessoas que ganham R$ 1 mil, R$ 300, R$ 400, essas pessoas precisam de orientação e o Estado tem que assumir essa responsabilidade. Estamos precisando construir coisas novas no país, políticas novas", disse Lula.

O presidente disse que se assumir o quarto mandato presidencial, "vai ter que discutir um novo jeito de governar o país".

"A participação do povo nessa campanha, a saída na rua dos estudantes, mulheres, trabalhadores, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar esse país. Esperem que vai ter muita novidade. Esse país nunca mais será o mesmo".

https://g1.globo.com/politica

Coordenadora de Flávio sugere trocar servidores públicos por inteligência artificial.


Daniella Marques defendeu substituir aposentados por sistemas de IA, em vez de realizar novos concursos; nesta segunda-feira, reagiu às críticas à proposta. 

Por Cleber Lourenço

A coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, defendeu a substituição gradual de servidores públicos por inteligência artificial, em vez da realização de novos concursos para repor profissionais aposentados. A proposta foi apresentada em entrevista ao podcast G4, em 30 de setembro, e voltou a repercutir na segunda-feira (19), quando a economista tentou justificar suas declarações durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan. Na entrevista ao G4, Daniella sugeriu que vagas abertas com a aposentadoria de servidores deixassem de ser preenchidas por novos funcionários e fossem gradualmente substituídas por sistemas de inteligência artificial.
 
 “E aí substituir e faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra 
ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, questionou.

A proposta abre caminho para uma redução progressiva do funcionalismo público. Em vez de realizar concursos para repor parte dos trabalhadores que se aposentam, o governo poderia transferir suas atribuições para sistemas automatizados, diminuindo o número de servidores ao longo dos anos. A economista não apresentou, na declaração, uma estimativa de quantos cargos poderiam ser substituídos, quais carreiras seriam afetadas ou como seria garantida a continuidade dos serviços prestados à população.

Daniella já havia defendido redução do funcionalismo em agosto.
A entrevista de 30 de setembro não foi a primeira ocasião em que Daniella apresentou a possibilidade de substituir servidores públicos por inteligência artificial. Em 6 de agosto, durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan, a economista já havia questionado quantas carreiras administrativas poderiam ser substituídas por tecnologia nos próximos cinco ou dez anos. A ideia foi apresentada como uma forma de reduzir os custos da máquina pública. Ainda em agosto, durante o 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide, Daniella voltou ao assunto diante de empresários. Na ocasião, defendeu a revisão de carreiras administrativas e operacionais em razão dos avanços da inteligência artificial, relacionando a medida ao enxugamento da estrutura estatal. No podcast G4, a economista avançou na explicação de como essa redução poderia ocorrer: por meio da substituição gradual dos servidores que se aposentassem, sem a realização de novos concursos para determinados postos.

A proposta provocou críticas de entidades representativas do funcionalismo. Em 9 de outubro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) publicou um texto sobre os riscos da substituição de servidores por inteligência artificial.

Após repercussão, coordenadora tenta justificar proposta.
Na segunda-feira (19), durante nova participação no Pânico, Daniella reclamou das críticas que vem recebendo e afirmou que suas declarações estariam sendo distorcidas.

“Eles fazem vídeo me ridicularizando de que todas as carreiras, 
os servidores serão substituídos por inteligência artificial”, afirmou.

A explicação, entretanto, não esclareceu quais categorias poderiam deixar de ter vagas preenchidas por novos concursos públicos. Daniella também não apresentou critérios para determinar quais atividades seriam transferidas para sistemas de inteligência artificial. A economista voltou a relacionar o tamanho da máquina pública aos custos do Estado e à remuneração dos funcionários.

“Quando é um inchaço, uma ineficiência, uma coisa 
perdulária, fica todo mundo ganhando mal”, afirmou.

Segundo ela, uma administração mais eficiente permitiria melhorar os salários de determinadas carreiras. Daniella também argumentou que o excesso de gastos públicos pressiona os impostos pagos pela população.

“O imposto cada vez mais alto, vai subindo 
imposto para pagar a conta”, declarou.

Proposta pode reduzir concursos e afetar serviços públicos.
A ideia apresentada pela coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro não se limita ao uso da inteligência artificial para agilizar procedimentos administrativos. Ao defender a substituição de servidores aposentados por tecnologia, Daniella coloca em discussão a manutenção de determinados cargos públicos. A diferença é significativa. A inteligência artificial pode auxiliar profissionais, automatizar tarefas repetitivas e acelerar atendimentos. Já deixar de repor servidores aposentados significa reduzir o quadro de funcionários, caso as vagas sejam extintas ou permaneçam desocupadas. A medida poderia afetar diretamente as oportunidades de ingresso no serviço público e a capacidade de atendimento dos órgãos, dependendo das funções atingidas. Também permanecem dúvidas sobre quem seria responsável por supervisionar decisões automatizadas, corrigir eventuais erros e atender cidadãos em situações que exigem análise individualizada.

A Constituição estabelece o concurso público como regra para o ingresso em cargos efetivos, mas não determina a reposição automática de todas as vagas abertas por aposentadoria. Apesar de defender a preservação de algumas carreiras na entrevista da segunda-feira, Daniella não abandonou expressamente a proposta de substituir parte do funcionalismo por inteligência artificial. A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não detalhou se pretende incorporar a medida a um eventual programa de governo, quais concursos seriam afetados ou quantos cargos públicos poderiam deixar de existir.

https://iclnoticias.com.br 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Aprovação de Kast cai ao menor patamar em meio à crise econômica no Chile.


Governo vê piora nos índices em cenário de desaceleração da economia, 
desemprego, inflação e pressão da oposição contra políticas de segurança.

Da CNN Brasil*

A aprovação do presidente do Chile, José António Kast, atingiu o ponto mais baixo em meio à crise econômica e à pressão da oposição contra as políticas de segurança do governo. Apenas 30% disseram aprovar o governo enquanto a desaprovação chegou a 65%. A pesquisa Cadem Plaza Pública mostra ainda que os chilenos têm uma avaliação negativa sobre os rumos do país: 69% acreditam que o Chile está no caminho errado e 68% estão pessimistas em relação ao futuro. Os números são os piores desde março, quando Kast assumiu a presidência. Outro levantamento, da CB Global Data mostra que José António Kast perdeu posições no ranking de líderes mais bem avaliados da América Latina e caiu para 12ª colocação. O ranking é liderado pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, com 69,3% de aprovação, seguida por Nayib Bukele, de El Salvador, com 68,3%.

Em discurso na quarta-feira (21), Kast defendeu o governo. “Eu não vivo de pesquisas de opinião, e isso faz diferença na liderança”, afirmou enquanto a oposição intensifica as críticas. Kast foi eleito com as promessas de endurecer o combate ao crime e à imigração, inspirado nas políticas de Donald Trump (EUA) e Nayib Bukele (El Salvador). Ele também prometeu leis trabalhistas mais flexíveis, cortes nos impostos e menos regulamentação na economia.

Desaceleração da economia chilena.
Este mês, o Ministério da Fazenda reduziu significativamente a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruno) do Chile para 0,7%. A queda de 1,1 ponto percentual foi atribuída a fatores como produção de cobre abaixo do esperado, efeitos das tempestades, revisão das contas do primeiro e segundo trimestre e conflito prolongado no Oriente Médio. Ainda de acordo com dados do governo, o desemprego no Chile chegou a 9,6% no trimestre entre junho e agosto. A taxa está entre as maiores da América Latina. No mesmo período, a inflação subiu acima do esperado, pressionada por alimentos, bebidas não alcoólicas e transportes, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Além das pressões econômicas, o governo José António Kast enfrenta críticas da oposição a alguns dos projetos de segurança apresentados pelo governo como parte da Agenda contra o Crime Organizado e o Terrorismo. As críticas recaem especialmente sobre as Regras de Uso da Força, alvo de ação no Tribunal Constitucional.

*Com CNN Chile
https://www.cnnbrasil.com.br

Mercado revê aposta na Argentina enquanto dívida de 2027 entra no radar.


Alta do risco-país tem componente externo e técnico, enquanto eleição 
presidencial e grandes vencimentos em dólar entram no radar para o próximo ano.

Gabriel Monteiro e João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo

O risco-país da Argentina voltou a superar os 700 pontos nesta semana e atingiu o maior nível em cerca de um ano. O movimento chama atenção, mas o número sozinho explica pouco sobre o que está acontecendo com os ativos argentinos. Por trás da piora está uma combinação de fatores externos, movimentos técnicos do mercado e uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos meses: como a Argentina chegará a 2027, ano de eleição presidencial e de vencimentos relevantes da dívida em moeda estrangeira. São mais de US$ 30 bilhões em principal e juros no próximo ano, segundo levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional). A conta inclui compromissos com credores privados e organismos internacionais. O volume não é um problema imediato de pagamento. Hoje, o país mantém pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas. Parte das obrigações pode ser refinanciada e outra parcela envolve o próprio FMI.

O aumento do risco-país das últimas semanas, portanto, não deve ser explicado apenas por essa conta. Parte importante da alta recente veio de fora da Argentina, avalia Daniel Marcatto, sócio e analista da Exploritas. A abertura das taxas dos títulos norte-americanos e o fortalecimento do dólar pressionaram os mercados emergentes. A diferença é que a Argentina tende a responder de maneira mais intensa a esses movimentos: "o crédito argentino tem um beta muito elevado”, segundo Marcatto. Na prática, quando o ambiente piora para emergentes, os títulos argentinos costumam sofrer mais. E o mesmo acontece no sentido contrário, quando há melhora global nas condições financeiras. Se não bastasse isso, outubro também costuma ser um mês menos favorável para esse mercado.

Marcatto explica que fundos norte-americanos tradicionalmente fazem o rebalanceamento de suas carteiras neste período, antes do início de um novo ano fiscal em novembro. Historicamente, a janela entre dezembro e abril tende a ser mais favorável para títulos de mercados emergentes. No caso argentino, houve ainda pressão de fluxos locais. Com a retomada das remessas de dividendos ao exterior, empresas argentinas passaram a vender posições em títulos soberanos para levantar caixa e fazer remessas. O fim da restrição retirou do mercado um comprador importante. Essas tesourarias poderiam comprar papéis argentinos. Agora, parte delas está fazendo o contrário. Daniel Marcatto diz que mais de US$ 4 bilhões já teriam sido enviados ao exterior nesse processo e que o volume pode ir de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões até o fim do ano.

A aposta ficou menos otimista.
Se os fatores técnicos ajudam a explicar a velocidade do movimento recente, há também uma mudança mais profunda na maneira como investidores enxergam a economia argentina. Para Fabio Giambiagi, argentino que é pesquisador no FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o mercado exagerou no otimismo em relação à capacidade de recuperação do país.

“O mercado fez uma aposta na Argentina que 
estava 'comprando lotes na Lua'. Era delirante”, afirma.

Os números ajudam a entender a crítica. No início de 2025, o REM (Relevamiento de Expectativas de Mercado), levantamento do Banco Central argentino semelhante ao Focus brasileiro, apontava crescimento próximo de 3,7% para a economia em 2026. A expectativa de inflação para este ano estava em torno de 15%. As projeções mudaram. No REM mais recente, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é projetado em apenas 1,5% em 2026. A inflação estimada para dezembro chegou a 30%.

“Aos poucos, o mercado foi percebendo a dimensão do problema. No começo havia uma perspectiva irrealista da evolução das principais variáveis”, diz Giambiagi.

A eleição presidencial argentina acontece apenas no próximo ano e a capacidade de Milei de manter apoio político e dar continuidade ao programa econômico começa a importar mais à medida que o calendário avança. “Achar que o governo vai aprovar o que quiser é uma prova de miopia da análise econômica sobre a política”, diz Giambiagi. Para o economista, investidores subestimaram as dificuldades políticas do governo e também os efeitos do próprio estilo do presidente na construção de alianças. Nesta semana, uma nova controvérsia surgiu durante uma viagem de Milei à Espanha. O argentino chamou o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, de “ditador inapresentável” pouco mais de um mês antes das eleições espanholas. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha respondeu dizendo que não aceita interferências externas e classificou a postura do presidente argentino como “indigna”. Giambiagi cita episódios semelhantes dentro da própria Argentina e aponta para a postura que falta ao mandatário do país platino: "presidente em uma república faz política”. O próximo governo continuará dependendo do Congresso para aprovar reformas e o ambiente político pode afetar diretamente a confiança dos investidores.

Giambiagi vê o calendário com preocupação. Segundo ele, a popularidade de Milei caiu em relação aos níveis observados no início do governo e uma eventual disputa de segundo turno pode se tornar especialmente difícil caso a oposição consiga concentrar o voto contrário ao presidente. O país entra em 2027 com uma situação muito diferente daquela encontrada por Milei no início do governo. A inflação caiu, o resultado fiscal melhorou, as reservas cresceram e a balança comercial melhorou. Ao mesmo tempo, as expectativas ficaram menos exuberantes e o mercado começa a olhar com mais atenção para a capacidade política do governo de sustentar o programa econômico.

“O mercado aos poucos está percebendo que não é uma festa”, diz Giambiagi.

https://www.cnnbrasil.com.br 

CEO da Quaest negociou contrato de R$ 1,8 milhão com o Master.


Fábio Bouéri

O CEO da Quaest, Felipe Nunes, firmou um contrato de consultoria estratégica com o Banco Master, prevendo pagamentos de R$ 150 mil mensais por 12 meses, totalizando R$ 1,8 milhão. A negociação foi revelada pelo site Metrópoles na quarta-feira, 21, com base em mensagens da Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco. Em setembro de 2024, Vorcaro confirmou a contratação de Nunes. O CEO da Quaest, Felipe Nunes, negociou uma consultoria estratégica para o Banco Master em um contrato que previa pagamentos de R$ 150 mil mensais durante 12 meses, totalizando R$ 1,8 milhão. 

Quaest: Vorcaro deu sinal verde.
Em conversa de setembro de 2024, Ana Matos, responsável pelo marketing da instituição financeira, perguntou a Vorcaro se estava alinhada a contratação de Nunes, por meio da empresa Quaest. Vorcaro respondeu que o negócio havia sido fechado por Augusto e orientou a funcionária a tratar do assunto com ele. Ainda não há confirmação sobre quantas parcelas foram efetivamente pagas. Nunes afirmou que o contato com o banco foi estritamente técnico. A Quaest também foi alvo de comparações entre pesquisas eleitorais e resultados das urnas. No primeiro turno presidencial de 2026, o levantamento final do instituto, divulgado antes da votação, apontou Lula (PT) com 46% e Flávio Bolsonaro (PL) com 43,7%. O resultado oficial foi diferente: Flávio recebeu 47% dos votos válidos, contra 45,2% de Lula. 

Segundo o levantamento do Hub Político, a Quaest ficou em nono lugar entre 18 institutos na comparação específica da disputa presidencial, com erro de 4,2 pontos percentuais na margem entre os dois candidatos. 

https://revistaoeste.com

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Flávio pede a Moraes acesso à investigação que preocupa campanha.

 
 Inquérito que tramita sob sigilo apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Thomaz, amigo do candidato, que obteve licença de Cláudio Castro para operar uma bet.

O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) pediu na terça-feira (20) ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes acesso aos autos do novo inquérito que tramita contra ele relacionado à sua ligação com o advogado Willer Thomaz. Como a CNN Brasil mostrou, as primeiras avaliações do entorno do candidato são de que o caso avançou muito rapidamente em um curto período, de forma atípica se comparado ao tempo de tramitação de investigações na Corte. A informação na campanha é que o inquérito foi remetido à Corte no dia 8 de outubro, autuado e distribuído a Moraes no dia 16 de outubro e já haveria diligências em curso antes de abrir vista ao Ministério Público. Por se tratar de uma investigação sigilosa, não é possível saber como se deu sua tramitação. A CNN Brasil apurou que o MP autorizou a abertura de investigação.

Mas o processo acendeu um sinal de alerta na campanha de Flávio, diante da possibilidade de Moraes tomar alguma decisão ainda nesta semana, de forma a prejudicar o candidato a poucos dias do segundo turno. Por outro lado, também há a avaliação de que a atuação ostensiva pró-Lula no primeiro turno favoreceu Flávio e se houvesse algo nesse sentido nas vésperas do segundo turno, poderia ter o mesmo efeito. Por isso, também há a leitura de que o ministro pode segurar o caso e usá-lo como instrumento de negociação política caso Flávio vença a eleição e ganhe tração um impeachment contra Moraes no Senado, onde o PL (Partido Liberal) terá maioria.

O inquérito apura uma suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, que obteve licença para operar uma bet do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. O nome de Flávio teria aparecido em mensagens com Willer e, por isso, o caso foi remetido ao STF. A campanha deve pedir acesso à investigação ainda nesta terça-feira. Aliados de Flávio dizem que, como ele é muito amigo de Willer, é natural que haja troca de mensagens entre ambos. E garantem não haver envolvimento do candidato em irregularidades.

Em nota, Willer negou irregularidades, disse ter requerido acesso aos autos e que prestará esclarecimentos. Também declarou ter relação de amizade com Flávio e que isso não é crime.

https://www.cnnbrasil.com.br

Mundo do tigrinho. A BET DE FLÁVIO BOLSONARO.

 
Documentos acessados pela Piauí no Brasil e no exterior indicam que 
o senador foi sócio indireto de uma casa de apostas online – a Best Bet.

Allan de Abreu, do Rio De Janeiro, Breno Pires, de Brasília, Felícia Cabrita, de Lisboa, e Mário Gouveia, de Funchal 

Tudo começou em janeiro de 2023. Terminava o governo de Jair Bolsonaro, e as bets, que funcionavam no Brasil desde 2018, ainda não haviam sido regulamentadas. O mundo das apostas, com isso, se transformara num vale-tudo. No vácuo regulatório, o Supremo Tribunal Federal resolveu autorizar as loterias estaduais a explorar o jogo. Abria-se assim um universo para que governos e empresários pudessem faturar alto. A possibilidade fez brilhar os olhos de Cláudio Castro (PL-RJ), então governador do Rio de Janeiro, e de Willer Tomaz, amigo de todas as horas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Naquele mesmo mês de janeiro, Tomaz entrou em ação. Com um capital de 50 mil euros, criou a Cathedral Holdings, com sede em Funchal, capital da Ilha da Madeira, em Portugal. Com isso, ele e seu sócio formal, Jorge Barbosa Dias, aproveitavam os benefícios fiscais oferecidos pela ilha, que é considerada uma espécie de paraíso fiscal. Instalaram a nova empresa numa salinha, de número 105, no Marina Club, um moderno edifício da Avenida Arriaga, uma das principais de Funchal.

Em fevereiro, veio o passo seguinte. Com um capital de 1 milhão de reais, o grupo empresarial de Tomaz criou a Rede Loto Ltda, uma empresa de apostas. Escolheu um nome fantasia para sua casa de jogos: Best Bet. A Best Bet, cuja sede ficava em São Paulo, era controlada pela Cathedral, na Ilha da Madeira. Com esse movimento, Tomaz repetia um modelo comum adotado pelas casas de aposta na época, em que empresas no exterior eram as principais controladoras das bets no país. Armava-se o cenário para Tomaz explorar as apostas que, já então, movimentavam bilhões de reais.

Em abril, deu-se o grande passo. O governador Cláudio Castro, aproveitando a decisão do STF de permitir que as loterias estaduais faturassem com bets, resolveu entrar no negócio. A Loterj, loteria do estado do Rio, abriu uma licitação, que resultou, em maio, na concessão de licenças de operação para treze empresas – entre elas, a recém-criada Best Bet. Em pouco tempo, a empresa de Willer Tomaz obteve a autorização para explorar o jogo, em despacho assinado pelo presidente da Loterj, Hazenclever Cançado, que ocupava o cargo por indicação de Flávio Bolsonaro, segundo o jornal Folha de S.Paulo (e cujo filho, o advogado Hazenclever Cançado Júnior, trabalhou como assessor no gabinete do ministro Kassio Nunes Marques entre agosto de 2020 e junho deste ano). Em julho, outra boa notícia: graças a uma gambiarra permitida pela Loterj, a Best Bet passou a operar nacionalmente, e não apenas no Rio, onde havia obtido a licença. Seu potencial de mercado ampliou-se enormemente.

Na mesma época em que ganhou a licitação da Loterj, Tomaz tomou uma nova providência no exterior: criou a Alcazar Holdings, também na Ilha da Madeira, com um braço no Brasil, a Alcazar Brasil Ltda, sediada em São Paulo. As conexões entre a Cathedral, dona da Best Bet, e a Alcazar são evidentes. No papel, as duas têm o mesmo dono, Willer Tomaz. Também têm o mesmo administrador, Mateo Scudeler. E as duas funcionam naquela mesma salinha de número 105 do edifício Marina Club, em Funchal. A piauí esteve no local na sexta-feira, dia 16 de outubro. Não há sinal de que as duas firmas funcionem de fato no prédio. São empresas de fachada, o que não é incomum em paraísos fiscais. No papel, a Cathedral tem apenas um funcionário. A Alcazar, nem isso.

Os registros contábeis das duas empresas, obtidos pela piauí junto à Iberinform, empresa espanhola com filial em Portugal e especializada em informações comerciais e análise de risco de crédito, mostram ainda outros vínculos entre a Cathedral e a Alcazar. Em 2025, por exemplo, a contabilidade da Cathedral informava que a empresa era credora de 984 mil euros, um salto em relação aos 7,8 mil euros que tinha para receber no ano anterior. A contabilidade da Alcazar, por sua vez, mostrava o movimento exatamente oposto: a empresa devia 8,1 mil euros e passou a dever 824 mil euros, valores próximos ao que a Cathedral tinha para receber.

Um auditor fiscal que trabalha na Autoridade Tributária e Aduaneira, equivalente português da Receita Federal, examinou os relatórios contábeis a pedido da piauí. Ele falou sob anonimato por não ter autorização do fisco português para se manifestar publicamente. “É possível que a Cathedral tenha financiado a Alcazar, total ou parcialmente”, afirmou ele, mencionando um laço que torna as gestões das duas empresas uma coisa só.
 
É exatamente neste ponto que entra em cena o senador Flávio Bolsonaro, amigo de Willer Tomaz. Conforme revelou o UOL, Flávio era “usuário máster” da conta bancária da Alcazar, no Santander. A designação “máster” refere-se a uma pessoa cadastrada no banco com elevados privilégios de acesso e de administração dos serviços bancários digitais, sobretudo de contas empresariais. Um “usuário máster” pode consultar saldos, extratos e movimentações financeiras. Pode cadastrar, alterar ou excluir outros usuários da conta. Também pode definir permissões e limites operacionais de outros usuários. E pode, por fim, fazer e autorizar transferências, pagamentos e outras operações financeiras. Na conta da Alcazar no Santander, havia apenas dois usuários máster – Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

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