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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Justiça recebe pedido para suspender salário de Flávio Bolsonaro.


Publicado por: 
Diário do Centro do Mundo

Os advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma protocolaram uma ação popular para suspender o salário e as verbas públicas destinadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O processo tramita na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A ação foi apresentada em 31 de outubro de 2026 e questiona a manutenção dos pagamentos ao senador enquanto ele permanece nos Estados Unidos desde 27 de outubro. Os autores afirmam que a permanência de Flávio Bolsonaro no exterior inviabiliza o exercício do mandato, lesa o erário e contraria o princípio da moralidade administrativa. Na petição, os advogados também contestam a manutenção da estrutura de gabinete do senador. Flávio Bolsonaro declarou que “liderará a oposição” ao governo a partir do exterior.

Os advogados pedem que a Justiça interrompa o pagamento do salário, da verba de gabinete, do auxílio-moradia e da cota parlamentar de Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes do casal. Ele disse que se sentia ameaçado por eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal apresentou um pedido de apreensão do passaporte do senador sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar, às 21:09h de 25 de outubro de 2026, o resultado da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Moraes autorizou a apreensão dos documentos de Flávio Bolsonaro e determinou que ele não deixasse o país. A defesa do senador não havia se manifestado sobre a ação popular.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/

Carta de Flávio com brasão da República pode configurar crime.


Migalhas

O uso do Brasão da República em carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro na quarta-feira, 28, pode configurar crime previsto no Código Penal. O documento, no qual o parlamentar contesta o resultado das eleições presidenciais e se apresenta como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, foi divulgado com um símbolo oficial no cabeçalho. A primeira versão da carta, compartilhada por aliados do senador nas redes sociais, chamou a atenção por apresentar um brasão com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", com a palavra Brasil escrita com "z", conforme a grafia utilizada na antiga denominação oficial do país. Posteriormente, Flávio publicou uma segunda versão do documento, desta vez com as Armas Nacionais da República Federativa do Brasil, conforme o modelo atualmente previsto na legislação. A utilização do símbolo em comunicações particulares levanta questionamentos sobre eventual uso indevido de sinais oficiais da Administração Pública, conduta que pode ser punida com reclusão de dois a seis anos e multa.

Duas versões da carta.
A primeira versão da correspondência foi divulgada por aliados do senador, entre eles Paulo Figueiredo, que posteriormente afirmou ter recebido um documento com o que aparentava ser um brasão antigo, embora o conteúdo da mensagem estivesse correto. Na carta, Flávio se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". O senador contesta o resultado das eleições presidenciais, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva, e afirma que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. Em seguida, Flávio publicou outra versão, substituindo o símbolo histórico pelas atuais Armas Nacionais.

O que diz a legislação?
O art. 296, § 1º, III, do Código Penal estabelece punição para quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.

Veja:

CAPÍTULO III
DA FALSIDADE DOCUMENTAL

Falsificação do selo ou sinal público.
Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
III - Quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. A pena prevista é de dois a seis anos de reclusão, além de multa.

As Armas Nacionais são um dos quatro símbolos nacionais previstos na Constituição Federal, juntamente com a Bandeira Nacional, o Hino Nacional e o Selo Nacional. A lei 5.700/71 regulamenta sua apresentação e utilização. Embora o uso de símbolos nacionais por particulares não seja necessariamente ilícito, sua utilização para conferir aparência oficial a documentos privados pode caracterizar infração penal, a depender das circunstâncias. Assim, a presença do brasão na carta de Flávio Bolsonaro não significa, por si só, que houve crime. Eventual responsabilização depende da análise da finalidade do documento, das condições de utilização do símbolo e da existência dos elementos exigidos pelo tipo penal.

Condenação por uso indevido do brasão.
Em dezembro de 2017, o Migalhas noticiou que a 1ª turma do STF manteve, ao não admitir habeas corpus, a condenação do ex-deputado suplente Josué dos Santos Ferreira pelo uso indevido do Brasão da República em correspondências particulares. O caso envolvia cartas enviadas, entre 2005 e 2006, a uma empresa de telefonia e à Anatel, nas quais Ferreira utilizou o símbolo nacional para reclamar de cobranças que considerava indevidas em sua conta telefônica. Segundo o MPF, o então suplente teria utilizado sua condição política e o brasão para obter tratamento diferenciado perante órgãos e autoridades. Em 1ª instância, ele foi condenado a dois anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial aberto, pelo crime previsto no art. 296, § 1º, III, do Código Penal. A condenação foi mantida pelo TRF da 3ª região.

No Supremo, o relator do HC 135.441, ministro Alexandre de Moraes, votou pela absolvição, por entender que a conduta era atípica. Para ele, o uso do Brasão da República por particulares não configura necessariamente crime, uma vez que símbolos nacionais também são empregados por associações e instituições privadas. O ministro Luís Roberto Barroso abriu divergência e considerou inadmissível o habeas corpus, por entender que a medida estava sendo utilizada como substituta de revisão criminal após o trânsito em julgado da condenação. Barroso também destacou que o ex-deputado fazia uso reiterado dos símbolos para intimidar pessoas e obter privilégios. A divergência prevaleceu, e a 1ª turma, por maioria, não admitiu o HC, mantendo os efeitos da condenação. Processo: HC 135.441.

https://www.migalhas.com.br/

Justiça derruba sigilo médico e libera documentos sobre a morte de Tancredo Neves.

   
 Material será utilizado na preparação da segunda edição do livro 'O Paciente: O Caso Tancredo Neves'

Estadão Conteúdo 

A 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) autorizou um dos filhos do ex-presidente Tancredo Neves a obter documentos médicos referentes ao tratamento e à morte do pai, ocorrida em 1985. A decisão foi tomada por unanimidade em julgamento realizado em 26 de outubro e reconheceu que o sigilo profissional não impede, em circunstâncias excepcionais, o acesso de familiares a informações médicas de pessoas falecidas. O processo foi movido por Tancredo Augusto Tolentino Neves contra o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). Ele recorreu à Justiça por meio de um habeas data, instrumento que permite solicitar acesso a informações pessoais mantidas em registros de órgãos públicos ou de caráter público. A primeira instância havia encerrado o processo sem analisar o pedido. Filho do ex-presidente pretende reunir prontuários, relatórios e outros registros relacionados ao atendimento médico prestado ao pai. O material será utilizado na preparação da segunda edição do livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves. A iniciativa também busca esclarecer aspectos do episódio que marcou o fim da trajetória política do primeiro presidente eleito após a ditadura militar, que morreu antes de tomar posse.

As entidades médicas se opuseram à divulgação dos documentos. A justificativa foi a proteção do sigilo profissional, além do entendimento de que o habeas data é um instrumento de natureza personalíssima e, portanto, não poderia ser utilizado por terceiros, mesmo que fossem herdeiros do paciente. Ao examinar o recurso, o desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, relator do caso, entendeu que a proteção das informações médicas precisa ser avaliada em conjunto com outros direitos. Embora o sigilo seja uma garantia constitucional, segundo o magistrado, ele não deve ser aplicado de maneira irrestrita quando há interesse legítimo no acesso aos registros. O relator considerou que a solicitação não se limita a uma questão particular da família. Por se tratar de Tancredo Neves, cuja trajetória teve papel relevante na redemocratização brasileira, a documentação também pode contribuir para o esclarecimento de um acontecimento de interesse público e para a preservação da memória histórica do País.

O entendimento levou em conta precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que admitem o acesso de familiares a informações de pessoas mortas em situações específicas, desde que exista justificativa jurídica para o pedido. A decisão também afastou a necessidade de que cada herdeiro apresentasse individualmente um pedido às entidades médicas. Para o colegiado, a recusa anterior a uma solicitação feita por uma das filhas do ex-presidente já demonstrava que os conselhos não pretendiam disponibilizar os registros.

Com a decisão, os dois conselhos de medicina terão de entregar os prontuários e os demais registros médicos solicitados pelo filho de Tancredo Neves. O entendimento do TRF1 permite que a família tenha acesso a documentos que podem ajudar a esclarecer as circunstâncias do tratamento e da morte do ex-presidente, quase quatro décadas depois do episódio.

https://jovempan.com.br

Chef de projeto social comemora doações após boicote de Nikolas Ferreira.


Em vídeo mostrando as refeições que seriam distribuídas para a população em situação de rua, o chef desafiou o parlamentar: : ‘Quem sabe tu faz o mesmo?’

Por Mariana Costa - Estado de Minas

O chef Júlio Ritta publicou um vídeo, no domingo (1°/11), em que comemora as doações recebidas por seu projeto social, o Cozinheiros do Bem, após a iniciativa sofrer boicote de empresários, devido ao posicionamento político de Ritta. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a perda das doações na quinta-feira (29/10). O Cozinheiros do Bem distribui refeições a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social, no Viaduto da Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Vocês acharam que iriam me derrubar?”, questiona o chef Ritta. Ele segue e chama o parlamentar de moleque. “Nem conheço a sua história. Acho que você ainda estava nas fraldas quando comecei a servir comida nesse viaduto”, afirma. 

Em seguida, ele mostra o cardápio que seria servido para as pessoas, ao lado de outros voluntários que ajudaram no preparo das refeições. “Mais de 500 pessoas não vão precisar meter a mão numa lata de lixo para comer”, enfatizou. 

Boicote as doações.
Na quinta-feira (29/10), em publicações nos stories do Instagram, Nikolas compartilhou um vídeo do chef Julio Ritta e ironizou a situação denunciada pelo chef, de que empresários e doadores estavam deixando de contribuir com o projeto, em razão do posicionamento político de Ritta nas eleições presidenciais. 

“O cara tem um projeto ‘Cozinheiros do Bem’. Tem uma festa programada para dia 14 onde terá o cantor MV Bill. Ele fez esse vídeo xingando a direita (no mínimo 60 milhões de pessoas) e agora os patrocinadores e doadores cancelaram toda verba”, escreveu. 

Depois, Nikolas questionou por que o projeto deveria receber recursos de pessoas que, segundo ele, foram chamadas de “milicianas, extremistas, fascistas e genocidas”. Nikolas também publicou um texto religioso em que questionava a motivação de ações de caridade. “A verdadeira caridade não serve para esconder os vícios da alma, mas nasce de uma alma que busca a santidade”, escreveu. 

https://www.correiobraziliense.com.br

Midterms nos EUA: eleições podem mudar planos de Trump e mexer com dólar e juros no Brasil.

 
Disputa pelo controle do Congresso pode dificultar os planos econômicos de Trump e influenciar as decisões do governo sobre gastos e impostos. As mudanças também podem afetar o dólar e os investimentos no Brasil.

Por Janize Colaço, g1 — São Paulo 

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem mudar os rumos da política econômica do presidente Donald Trump — com possíveis reflexos também para o Brasil. A disputa pelo controle do Congresso americano pode determinar o espaço que o governo terá para aprovar medidas sobre gastos públicos, impostos e regulação. Essas decisões também influenciam as expectativas dos investidores e podem afetar os juros e o dólar no mercado internacional. Conhecidas como "midterms", as eleições renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis. Na prática, o resultado pode alterar o equilíbrio de forças no Congresso sem mudar o comando da Presidência porque todos os representantes da Câmara são escolhidos novamente a cada eleição, enquanto apenas cerca de um terço das cadeiras do Senado é renovado. As projeções disponíveis apontam vantagem dos democratas, principalmente na Câmara, enquanto a disputa pelo controle do Senado aparece mais equilibrada.

O cenário ocorre em meio à queda de popularidade de Trump: 66% dos americanos desaprovam sua gestão, o maior índice já registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos. Na mesma direção, as projeções reunidas pelo BTG Pactual apontam dificuldades para os republicanos, sobretudo na disputa pela Câmara dos Representantes.

Entre os principais cenários estão:
Câmara dos Representantes: o modelo estatístico do "The Economist", adotado pelo BTG como referência, projeta que os democratas terão 239 das 435 cadeiras após a eleição, contra 196 dos republicanos. Nesse cenário, a probabilidade de maioria democrata é de 96%. Já o Polymarket, plataforma que negocia contratos baseados em previsões sobre eventos futuros, atribuía 92% de chance à vitória do partido na disputa pela Câmara.

Senado: diferentemente da Câmara, a disputa é mais apertada. O cenário-base do modelo próprio do BTG prevê que, após a eleição, os democratas terão 51 das 100 cadeiras, contra 49 dos republicanos. Para chegar a essa estimativa, o banco considera 91 vagas como praticamente definidas e calcula o resultado das nove disputas mais acirradas. A probabilidade de maioria democrata varia de 65%, segundo as cotações do Polymarket, a 72%, de acordo com o modelo quantitativo do próprio BTG.

O que uma 'onda azul' muda para a agenda de Trump?

Uma possível “onda azul” — expressão usada para descrever a conquista do controle das duas Casas do Congresso pelos democratas — poderia reduzir o espaço de Trump para aprovar medidas e ampliar a fiscalização sobre o governo. Essa é a avaliação de Andressa Durão, economista do ASA.

    “As apostas de mercado para as eleições de meio de mandato dos EUA vêm se deslocando a favor de uma onda democrata. Um enfraquecimento do Partido Republicano reduziria o poder do presidente para aprovar determinadas medidas e ampliaria a fiscalização sobre o governo.”

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste do presidente à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, especialmente com os preços dos combustíveis nos EUA. Ele lembra que a gasolina está acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel, de US$ 6 (R$ 32,66). Para o economista, a retomada de ao menos uma das Casas pelos democratas já seria suficiente para dificultar a agenda legislativa de Trump.

O alcance desse bloqueio, porém, dependerá do resultado em cada Casa:

Se os democratas conquistarem as duas, terão o controle da pauta legislativa e das comissões responsáveis por fiscalizar o Executivo. O Senado também teria maior influência sobre a confirmação de indicados pelo presidente para cargos do governo e instituições como o Federal Reserve (Fed), banco central americano, e a Suprema Corte. Se a oposição vencer apenas na Câmara, poderá dificultar a aprovação de projetos e a liberação de recursos, mas os republicanos continuarão controlando o Senado e, com isso, terão influência sobre as nomeações. Trump, por sua vez, manterá o poder de veto a projetos aprovados pelo Congresso. Sung também vê riscos para os mercados caso os democratas conquistem as duas Casas.

    “O mercado financeiro ainda não considerou plenamente a possibilidade de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso. Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”, acrescenta.

Como as midterms dos EUA afetam o Brasil?

Para o Brasil, os efeitos das eleições americanas podem chegar principalmente por dois caminhos: os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a cotação do dólar. As decisões do Congresso sobre gastos e impostos influenciam as expectativas dos investidores sobre as contas públicas americanas. Se houver perspectiva de que as despesas do governo aumentem mais do que a arrecadação, por exemplo, os juros pagos pelos títulos do Tesouro podem subir. Isso importa porque esses títulos são considerados uma referência para aplicações financeiras no mundo todo. Quando oferecem rendimentos maiores, investir nos EUA fica mais atraente e pode levar investidores a retirar recursos de países emergentes, como o Brasil. Com menos dinheiro entrando no país, o dólar tende a subir frente ao real. As taxas de juros negociadas para períodos futuros no Brasil também podem aumentar, elevando o custo de financiamento para empresas e consumidores e influenciando as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic. Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que uma vitória republicana nas duas Casas daria a Trump mais espaço para avançar com cortes de impostos, desregulamentação e políticas comerciais mais duras. Se essas medidas ampliarem o déficit público, poderão pressionar a inflação e os juros de longo prazo nos EUA.

    “Isso tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros e dificultar o desempenho da bolsa — especialmente de empresas mais endividadas e de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção.”

Uma vitória democrata, por outro lado, poderia reduzir o espaço para novas iniciativas de expansão dos gastos e aliviar a pressão sobre os juros americanos. Na avaliação de Praça, a oposição também teria mais poder para “fiscalizar o governo” e influenciar a confirmação de indicados para cargos importantes. Com menos espaço para aprovar medidas de estímulo à economia, a pressão sobre os juros americanos poderia diminuir. Isso tornaria os mercados emergentes mais atraentes para investidores, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, o fortalecimento do real e a queda das taxas de juros futuras. Esse efeito, porém, dependeria também do ambiente político nos EUA. Disputas em torno do orçamento e conflitos entre o governo e o Congresso poderiam gerar insegurança entre os investidores e provocar novas oscilações nos mercados.

    “Na bolsa, seria desigual: exportadoras podem se beneficiar de um dólar mais alto, mas perder se houver queda das commodities ou da demanda mundial”, diz Praça.

Lula e Trump também preocupam investidores.

A relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como mais um fator de incerteza para os investidores e pode influenciar a confiança no Brasil. Após a vitória do petista no último domingo, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o mercado passou a considerar a possibilidade de uma relação mais difícil entre os dois presidentes. A perspectiva aumenta a preocupação com novos atritos políticos e econômicos entre os países, como os registrados com o tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky. Para Praça, o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA também pode influenciar a continuidade dessas medidas.
 
    “Com a reeleição de Lula, podemos esperar mais atritos como esses, caso os Republicanos vençam, ou um veto mais rápido caso os Democratas vençam. Atualmente quem tem derrubado tais ações é o Supremo dos EUA, porém por um processo mais moroso”, avalia Praça.

Uma mudança na composição do Congresso americano, porém, não significaria necessariamente o fim das tarifas adotadas por Trump. O presidente pode recorrer a diferentes dispositivos da legislação comercial dos EUA para impor taxas sobre produtos importados. Entre eles estão a Seção 232, que permite a adoção de tarifas por motivos de segurança nacional, e a Seção 301, usada em casos de práticas comerciais consideradas desleais. O governo americano já utilizou esses instrumentos em medidas que atingiram produtos brasileiros, como as tarifas sobre o aço e as ações relacionadas à investigação comercial contra o Brasil. A possibilidade de impor tarifas, no entanto, também está sujeita a limites legais. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). No entanto, a decisão não alcançou as medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301, que têm bases legais diferentes. Ainda assim, o impacto das eleições americanas sobre o Brasil pode se somar aos fatores internos na formação do preço do dólar. Depois das oscilações registradas no período eleitoral brasileiro, a cotação da moeda voltou para a casa dos R$ 5,40. Segundo Sung, o movimento ocorre em um cenário de fortalecimento global do dólar, impulsionado pelas expectativas de alta dos juros nos EUA. Essa valorização do dólar tem feito moedas de diversos países emergentes perderem valor em relação à moeda americana. O real, porém, seguiu um caminho diferente.

    “O Brasil estava na contramão após o primeiro turno das nossas eleições. Com a vitória do presidente Lula e a frustração das apostas do mercado, o dólar voltou a subir”, aponta.

https://g1.globo.com 

domingo, 1 de novembro de 2026

'Brasil virou exemplo de como barrar a extrema direita', diz professor de Relações Internacionais.

 
João Daniel Almeida, da PUC-Rio, acredita que vitória de Lula e fuga 
de Flávio Bolsonaro podem influenciar eleições legislativas nos EUA.

Por Filipe Barini 

Menos de um mês depois de elogiar a rapidez do sistema eleitoral brasileiro ao final do primeiro turno, o presidente dos EUA, Donald Trump, virou a chave e repete contra o Brasil um velho roteiro de ataques aos resultados — que confirmaram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e acusações infundadas de fraude. Em seguida, abriu as portas dos Estados Unidos para o senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu do Brasil no início da semana e divulgou uma carta de teor golpista, rejeitada até por seus aliados mais próximos. Em entrevista ao GLOBO, João Daniel Almeida, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, aponta que o movimento que levou à virada de Lula no Brasil e a decisão de abrigar Flávio Bolsonaro, causam ondas no cenário global e começam a fazer parte do discurso de democratas antes das eleições legislativas de terça-feira. Ele também comenta como as urnas brasileiras evidenciaram os limites ao poder de Washington na América Latina.

A vitória do presidente Lula e a fuga do senador Flávio Bolsonaro ganharam bastante destaque na imprensa dos EUA e entre personalidades políticas do país. O senhor vê alguma chance de o Brasil ter alguma influência no voto dos americanos na terça?
Acredito que sim, porque a eleição brasileira teve um impacto global e, obviamente, uma relevância hemisférica. Em meio a fracassos internos, o governo Trump apresentava, dentro de sua perspectiva, os sucessos que conseguiu na América Latina em termos de política externa. E o Brasil conseguiu interromper isso, no momento em que cenários similares ocorreram na Sérvia e na Hungria. Da noite para o dia, o Brasil passou a ser um exemplo de como barrar a extrema direita dentro da democracia. E o candidato derrotado, que dizia que não ia fugir, foi para os Estados Unidos, passando pela Argentina, com a absoluta certeza de que seria acolhido, como o irmão foi. Se Lula tivesse vencido no primeiro turno, não teria chamado tanta atenção. Mas esse roteiro da virada de Lula e da fuga de Flávio Bolsonaro foi uma história muito interessante, com toques de Hollywood, para os americanos ignorarem, e isso fez com que políticos, especialmente do campo democrata, impulsionassem o tema em suas redes sociais. Alguns prometeram deportar os Bolsonaros se a oposição retomar a Presidência em 2028, e outros disseram que, no passado, os escroques do mundo fugiam para outros países, e agora eles fogem para os Estados Unidos. Até Trump ficou com um pé atrás. Apesar de dizer que houve problemas na eleição, disse que era um problema do Brasil. Em alguma medida, isso teve seu peso para que Flávio Bolsonaro mudasse a versão da carta em que se autodeclarou "presidente eleito", passando a dizer que era o "líder" da oposição. 

Assim como Flávio Bolsonaro, Trump ameaça não reconhecer os resultados caso os democratas vençam na terça-feira. Há chances de essa contestação dar certo, e como o resultado impactará seus anos finais de mandato?
Provavelmente os democratas vão virar na Câmara e talvez no Senado, e o que Trump vai fazer é berrar, espernear, como sempre faz. Contudo, isso terá um impacto pequeno nas eleições, e ainda que perca a maioria, não será suficiente para, por exemplo, que lancem e concluam um processo de impeachment contra ele. De qualquer forma, o Congresso, ele será um pato manco (um presidente sem poderes para aprovar medidas) no final do mandato. Mas citando a carta de Flávio Bolsonaro, acredito que ela não terá impactos nessa possível tentativa de Trump de deslegitimar a derrota. Se fosse em uma eleição presidencial, talvez pudesse ter um efeito maior, mas não nas legislativas.
 
Até domingo, era a possibilidade de influenciar as eleições brasileiras com uma série de instrumentos já testados em outras eleições e que ele tinha à mão, como as redes sociais, que, segundo depoimentos e indícios, foram empregadas aqui no Brasil. Os meios digitais fazem com que o processo de interferência seja mais eficaz, barato e até renda dinheiro. Neste contexto, era vantajoso manter Eduardo Bolsonaro nos EUA, intensificar a articulação com Paulo Figueiredo. Agora, algumas variáveis se colocam. A primeira é o processo eleitoral americano. Uma eventual derrota na terça-feira tornará o custo dessa aliança com o bolsonarismo mais elevado. A segunda é a dimensão brasileira, com a perda de poder e influência dessas figuras, uma vez que Flávio Bolsonaro não apenas foi derrotado nas urnas, mas também fugiu do país e sofreu um esvaziamento do seu espólio político. E existe a terceira, que é o fato de Trump abominar perdedores. Ele trata vencedores, mesmo que de campos opostos, com respeito, como vemos com Lula, Xi Jinping (presidente da China), Vladimir Putin (presidente da Rússia). Se Trump entender que é melhor se livrar dos "perdedores", ele não pensará duas vezes. 

Trump não reconheceu a vitória de Lula e questionou a lisura do processo eleitoral brasileiro. Historicamente falando, é uma quebra da normalidade das relações entre Estados Unidos e Brasil?
É algo absolutamente inédito, e ocorreu em uma eleição que, no primeiro turno, foi elogiada até mesmo por ele. Acredito que ele reconhecerá o resultado depois das eleições legislativas, mas isso não faz muita diferença hoje, uma vez que o mundo inteiro já reconheceu a vitória de Lula. Essa relutância apenas mostra um pouco da personalidade dele, que é um tanto excêntrica. Mas não vejo riscos significativos além disso.

Ao mesmo tempo em que não parabeniza Lula pela reeleição, Trump fez alguns afagos ao presidente brasileiro, com quem deve se encontrar em dezembro na cúpula do G20, em Miami. Ao final do dia, o pragmatismo falará mais alto?

Acredito que há coisas mais sérias do que a presença de Flávio Bolsonaro nos EUA, e isso passará razoavelmente batido porque o Brasil não tem capacidade de retaliar. Fico imaginando se ocorresse algo parecido, um investigado americano recebendo asilo político no Brasil. As relações seriam completamente contaminadas. Mas a assimetria de poder, no caso atual, impede respostas como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. O governo brasileiro reclama, protesta, mas isso não muda nada nas relações. Algo que entendo ter um potencial para mexer nas relações é a demanda crescente pela regulamentação das redes sociais, a ideia da soberania digital brasileira, que também inclui o Pix e que estará na pauta nos próximos meses e anos. Para os EUA, é algo bem mais sério do que qualquer tensão sobre eleições ou o asilo a uma figura que, menos de 24 horas depois de receber 60 milhões de votos, começou a se tornar irrelevante como líder da oposição.

A vitória de Lula no domingo passado também pode ser lida como uma demonstração dos limites da política de expansão dos EUA na América Latina, a “Doutrina Donroe”, que já conta com mais de uma dezena de aliados?

O fato de o Brasil ter feito isso democraticamente, mesmo com a manipulação das redes sociais, é extraordinário. Acredito que a doutrina tem seus limites, e isso enfraquece o poder de Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA), ainda mais se os democratas vencerem na terça-feira. E há um movimento que vejo ganhar corpo nas redes sociais — nós somos um dos países mais hiperconectados do mundo — que é o de influenciadores de esquerda fazendo publicações em inglês, sugerindo que o “Exército do Janones” pautasse, com hashtags, a eleição americana, apoiando candidatos democratas. À sua forma, seria um tipo de resposta a intervenções dos EUA em eleições na América Latina nos últimos dois séculos, através de plataformas de empresas americanas. Me parece que o Brasil começa a ser entendido não apenas como o país do futebol e do samba, mas também como o país da defesa da democracia, conseguindo conter a Doutrina Donroe e enfraquecer Marco Rubio, e que obteve sucesso ao mobilizar e organizar os algoritmos das redes sociais contra elas mesmas, em nome da liberdade e da democracia.
 
O impasse entre Brasil e EUA em torno de nossas eleições é um novo ponto negativo na já deteriorada imagem de Washington no cenário internacional?
Até entre os americanos, ficou evidente que houve uma intervenção indireta nas eleições brasileiras. E também ficou, mais uma vez, claro como os EUA agem de uma maneira muito proselitista, com uma política externa agressiva que abandona a lógica multilateral da qual o Brasil, e até os americanos, se beneficiaram por muito tempo. Mesmo em um governo democrata, como foi o de Joe Biden, a credibilidade dos Estados Unidos como aliado desapareceu, ao mesmo tempo em que os chineses ganham força, especialmente por sua previsibilidade. E nas relações internacionais, a credibilidade, especialmente em momentos de insegurança, é importante.

https://oglobo.globo.com 

O alerta a um aliado de Lula que adiou a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA.

 
Pelo menos um aliado próximo de Lula foi informado no fim da noite de segunda-feira que Flávio Bolsonaro estava prestes a fugir do Brasil rumo aos EUA. Eram 23:50h quando esse aliado recebeu uma mensagem via WhatsApp da Argentina. O interlocutor argentino deu o alerta: recebera uma comunicação de trabalhadores ligados a sindicatos peronistas sobre um avião Gulfstream da empresa Baires Fly que estava programado para decolar em breve do aeroporto de Puerto Iguazú — mais precisamente às 2:30h da madrugada de terça-feira com destino a Miami.

No plano de voo do jato, constavam os nomes de quatro passageiros, Flávio, Fernanda, sua mulher, e as duas filhas, Luiza e Carolina. Assim que o aliado de Lula recebeu a informação, ligou imediatamente para o presidente reeleito, para o chefe da PF, Andrei Rodrigues, e para outras autoridades de igual calibre. Mas era tarde. A República dormia. A solução possível encontrada pelo interlocutor argentino foi vazar a informação ao site Infobae para que, com a notícia publicada, os planos do fujão se frustrassem. E assim foi feito. Por causa disso, Flávio acabou conseguindo decolar rumo aos EUA somente na noite seguinte. 

https://oglobo.globo.com

Bolsonaros viraram “fardo político para Trump”, diz ministro de Lula.


PODER360

José Guimarães falou no X sobre fuga de Flávio Bolsonaro 
para os EUA após derrota nas eleições presidenciais.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), usou seu perfil no X no sábado (31.out.2026) para comentar a relação dos Bolsonaros com o governo norte-americano depois da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência, para os Estados Unidos. Afirmou que “a família Bolsonaro virou um fardo político” para o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano).

“Marco Rubio agora nega que o governo dos EUA tenha ajudado Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil. O episódio ganha ainda mais repercussão às vésperas das eleições de meio de mandato, quando os norte-americanos vão às urnas para renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado”, declarou Guimarães, referindo-se ao secretário de Estado dos EUA.

No sábado (30.out), Rubio disse que o governo norte-americano não teve envolvimento direto na fuga de Flávio do Brasil. Também no sábado, Trump afirmou que não tem planos para se encontrar com Flávio na Flórida, mas declarou que ele foi tratado “muito mal” e que é bem-vindo no território norte-americano.

“A pergunta que incomoda Trump vem do próprio eleitorado: por que o governo Trump alega não ter recursos suficientes para garantir saúde à população, mas utiliza sua estrutura para acolher uma família estrangeira cercada de denúncias graves envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas?”, disse o ministro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Guimarães afirmou também que a relação do governo norte-americano com os Bolsonaros “começa a gerar questionamentos dentro dos EUA e se transforma em mais um problema político para Trump”. Na publicação, o ministro usou as hashtags “ #DeportTheBolsonaros” (deporte os Bolsonaros) e “#DeportTheBolsonarosNOW” (deporte os Bolsonaros agora). O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na última 3ª feira (27.out), acompanhado de sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal. Ele fugiu por se considerar perseguido e alvo de possíveis ações que considera ilegais por parte do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal expediu um pedido de apreensão do passaporte de Flávio só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial, às 21:09h de 25 de outubro de 2026 –o vencedor foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. O magistrado avalizou o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. 

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sábado, 31 de outubro de 2026

O mundo faz o L: Brasil assume a vanguarda da resistência à extrema direita.

  
Reeleição de Lula abre novo capítulo inspirador para as democracias; gesto de apoio ao petista é incorporado na América Latina e na Europa como símbolo de liberdade e esperança. 

Da Rede PT de Comunicação 

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, 25, transformou o Brasil num símbolo global de esperança e de resistência contra a extrema direita e na defesa da democracia. A mobilização digital e as multidões de brasileiras e brasileiros que tomaram as ruas de todo o Brasil entre o primeiro e o segundo turno, garantindo uma virada inédita de 10 milhões de votos a mais para Lula na fase final da disputa, fizeram com que o “L” se espalhasse pelo mundo como gesto de luta e liberdade. O resultado eleitoral do Brasil têm inspirado manifestações em outros países e o engajamento digital de eleitores. Em diferentes idiomas, português, espanhol, francês e italiano, L.U.L.A também se transformou, nas redes, num acrônimo: Liga Universal da Luta Antifascista. Lula virou sinônimo de Luta. Ainda antes da confirmação da reeleição do petista, a ex-prefeita de Barcelona e candidata nas eleições espanholas pela Frente Ampla, Ada Colau, pediu durante um comício que seus apoiadores fizessem o L “pela esperança, pela Palestina livre, por Lula no Brasil e pela Frente Ampla”. 

Depois do resultado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, candidato pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), disse que a vitória de Lula representa a “virada do progressismo global” e que, “se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”. Ilustrações do premiê fazendo o L têm inundado as redes sociais, assim como uma logo alternativa com o L. As eleições espanholas serão em 29 de novembro, e as pesquisas indicam favoritismo do Partido Popular (PP), da direita conservadora. Algo parecido acontece na França. As pesquisas para a eleição presidencial que será realizada em 2027 apontam Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, de extrema-direita, como favorita. Depois da vitória de Lula, se espalharam pelas redes sociais vídeos de apoiadores de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa, fazendo dois Ls com as mãos e depois transformando o gesto em um M. O coordenador da França Insubmissa, Manuel Bompard, disse à emissora LCI que o aumento da participação popular foi fundamental para a vitória de Lula, e completou: “Quero dizer ao povo francês que o que os brasileiros fizeram, nós também podemos fazer na França”. A candidata ecologista Marine Tondelier afirmou que a virada de Lula “lembra que a vitória da extrema direita nunca está garantida de antemão”. 

Outro candidato, o socialista Raphaël Glucksmann, disse que o resultado mostra que “na política, não existe fatalidade” quando há “mobilização popular e cidadã”. Já o candidato do Partido Comunista Fabien Roussel chamou a reeleição de Lula de “extraordinária mensagem de esperança” que lembra que “a extrema direita não é uma fatalidade”. Cenas semelhantes se repetiram na Argentina, no México e no Chile. O gesto do L foi criado pelo publicitário Mário Milani durante a campanha presidencial de 1989. Segundo o próprio Milani, o L não é só de Lula, mas também de “luta” e, principalmente, de “liberdade”. Além dos vídeos de pessoas fazendo o L em todas as partes do mundo, alguns desses posts que tomaram as redes sociais nesta semana usam a trilha sonora do filme “Jogos Vorazes” e associam Lula à personagem Katniss, que a partir do Distrito 12 lidera uma revolução contra o governo fascista da Capital. Algumas publicações dizem que o Brasil é o “Distrito 13”, em referência ao número do PT.

A vanguarda de um novo tempo.
Para a cientista política Carolina Botelho, associada ao Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a virada histórica de Lula do primeiro para o segundo turno coloca o Brasil na vanguarda de um movimento global de resistência. O país foi o primeiro na última década que foi governado pela extrema direita e depois a venceu em dois ciclos eleitorais seguidos. Além disso, Lula contrariou uma tendência de que líderes de esquerda ou direita não conseguem mais se reeleger. Isso, por si só, já acende os holofotes das democracias sobre o Brasil, mas a mobilização pela virada nas ruas e nas redes, a redução histórica das abstenções e as cenas marcantes da eleição aumentam a projeção do país como fonte de inspiração para um novo capítulo da história política em nível global.
 
“A gente precisa entender isso como um novo capítulo mesmo para a política internacional, a ser observado, estudado e entendido pelas nações que estão atravessando essa ofensiva reacionária e neofascista”, afirma Botelho. Segundo ela, o feito se torna ainda mais grandioso ao levar em conta que “a gente tava lutando contra vários tsunamis internos e externos”.

“Além de resistir ao fascismo e à extrema direita nacional, a gente conseguiu de alguma forma frear uma ofensiva internacional, incluindo as big techs e poderes de muita grandeza. É como se a gente tivesse conseguido o impossível”, diz a cientista política. Ela também cita a ofensiva de grandes corporações, do mercado financeiro e de setores da imprensa nacional. Botelho também afirma que é preciso levar em conta o papel fundamental da sociedade civil. Para ela, todo esse movimento influencia países vizinhos e por todo o mundo: “O presidente Lula, mais uma vez, alçou o Brasil a um patamar de país a ser copiado em muitas questões”. Para a especialista, neste momento, o Brasil é um exemplo para o mundo democrático.

Exércitos da liberdade.

Uma das coisas que mais chamaram a atenção do mundo na vitória de Lula foi a força da mobilização digital. O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), tem sido replicado como estratégia digital em vários países. O canal saiu de cerca de 50 mil inscritos no primeiro turno para 10,5 milhões no segundo turno, três semanas depois. O deputado também organizou lives com a presença de políticos, artistas, influenciadores, intelectuais e o próprio presidente da República, além de coordenar ações nas redes sociais. O impacto foi tamanho que Janones foi convidado pela campanha de Pedro Sánchez para ajudar nas estratégias digitais do PSOE. A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, que fez o L ao celebrar a vitória de Lula no domingo, também convidou o deputado para uma visita de trabalho. Na França, apoiadores de Mélenchon criaram o canal “Les Soldats Insoumis” (“Soldados Insubmissos”, em português), que reuniu mais de 15 mil membros somente até terça-feira, 27, e levou à criação do canal oficial “L’équipe de Mélenchon officielle”. “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”, disse o deputado Antoine Laument, que organiza o grupo.

Na argentina, foi criado no Instagram e no WhatsApp o “Ejército del Peronismo”. E na Espanha estão sendo compartilhadas nas redes sociais cartilhas de “regras de Janones”, misturando a estratégia digital de não engajar conteúdos adversários e o cumprimento de “missões” pelos “soldados”. O grupo “La Fuerza da Gente” tem replicado esses conteúdos. O modelo de militância digital implementado no Brasil também está sendo observado por apoiadores do Partido Democrata dos Estados Unidos. A influenciadora Jess Craven publicou um vídeo em seu instagram entitulado “O que podemos aprender com o Brasil?”.

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Vorcaro provoca delegada em depoimento sobre fraude no Master: ‘Tem alguém com coragem na PF?’


Em depoimento à Polícia Federal, ex-banqueiro negou ter causado prejuízo de R$ 2,2 bilhões ao BRB e contestou as suspeitas envolvendo carteiras de crédito do Banco Master

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, foi acusado de fraude pela delegada da PF (Polícia Federal) Janaína Palazzo durante depoimento em 15 de outubro. Na ocasião, ela apontou suspeitas de fraude envolvendo carteiras de crédito que teriam sido repassadas ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro negou ter causado prejuízos à instituição e questionou a atuação dos investigadores: “Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para entender isso?”. A audição foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (29), um dia após Vorcaro ser acusado de gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro, segundo o Metrópoles. No depoimento, a delegada afirmou que a fraude ocorreu quando Vorcaro pegou “as carteiras de uma base de dados que, aparentemente, quem trouxe foi o seu sócio, ou ex-sócio, Augusto Lima, e internaliza nos sistemas do seu banco”.

Em seguida, o ex-banqueiro questionou: “Eu fiz isso? A senhora tem prova?”. Vorcaro prosseguiu dizendo que a PF fez um “relatório inicial baseado em informação do Banco Central, que depois ele mesmo disse que já tinham acabado as transações”. Na audiência, Vorcaro reconheceu que houve problemas envolvendo a empresa Tirreno, mas afirmou que “foi resolvido lá atrás”. A delegada da PF argumentou que “tem ações que, apesar de poderem resolver algo financeiramente, não significa que você vai apagar o que aconteceu”. O ex-dono do Banco Master, então, respondeu que “tem que investigar tudo” e voltou a negar crime.

“Se alguém fez alguma coisa de errado dentro do meu banco, no BRB, na Tirreno, tem que ser apurado. Agora, o que eu sei é que eu não fiz nada. O que eu fiz foi: quando eu fiquei sabendo de problema na carteira, peguei ativos do banco e substituí, peguei ativos próprios e substituí, em boa-fé com o BRB, que hoje mais ativos do que ele pagou. Essa é a realidade. Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para poder entender isso?”, questionou.

Janaína informou que já solicitou acesso aos documentos e ao resultado da auditoria. A delegada também mencionou o prejuízo de R$ 2,2 bilhões que, segundo a investigação, teria sido causado ao BRB. “Para mim, é muito dinheiro”, destacou. De acordo com a PF, as carteiras de crédito que conteriam créditos inexistentes foram originadas na Tirreno e transferidas ao BRB por meio do Banco Master. As investigações apontam que Vorcaro teria conhecimento da origem e das inconsistências dos ativos.

“A senhora sabe o que é baixa? É provisionamento contábil que o banco faz. Não quer dizer que não vale”, contestou Vorcaro. A delegada, então, afirmou que “o que a gente acompanha é uma tentativa desesperada do DF de conseguir um empréstimo” para o BRB.

O Governo do Distrito Federal solicitou R$ 6,6 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mas a negociação foi travada após a União se recusar a conceder aval à operação.

*Com informações do Metrópoles
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