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terça-feira, 24 de março de 2026

Irã ataca Israel com míssil após chamar negociação com Trump de 'fake news'.


Lorena Barros, Luana Takahashi, Robson Santos

Maioria dos moradores se deslocou a um abrigo antibombas, o que diminuiu o número de feridos, segundo o comando da Frente Interna do Exército de Israel. Em Tel Aviv e em outros pontos do país, sirenes têm avisado sobre ataques iminentes. Uma pessoa também ficou ferida em um ataque em Haifa hoje. Um homem que pisou em um fragmento de míssil também precisou de socorro médico, segundo o serviço Magen David Adom. Apesar do anúncio de pausa dos ataques dos EUA, Benjamin Netanyahu disse que seguiria com as ofensivas contra o Irã e contra o Líbano. "Há mais para vir", afirmou ontem. Governo israelense chamou trégua dos EUA de "fake news para manipular o mercado do petróleo". Segundo o porta-voz do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, nenhuma negociação foi feita com Trump.

Trump anuncia negociação com Irã e pausa ataques.
O líder americano anunciou ontem que o acordo com o Irã foi feito nos últimos dois dias. "Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio", escreveu na rede social Truth Social. Ofensivas contra usinas e infraestruturas energéticas serão paralisadas por cinco dias. O republicano disse ter feito a instrução ao Departamento de Guerra e que a suspensão está sujeita ao "sucesso das reuniões e discussões em andamento!".

As negociações devem continuar nesta semana. Segundo ele, o diálogo entre as duas nações será feito ao longo da semana, mas adiantou ter sido aprofundado, detalhado e construtivo até aqui. Se eles as levarem adiante, o conflito terminará. Eles querem chegar a um acordo, nós queremos chegar a um acordo. Donald Trump. Americano disse esperar chegar a uma resolução nuclear durante as conversas. "Não queremos ver nenhuma bomba nuclear, nenhuma arma nuclear, nem perto disso. Queremos ver paz. E eu acho que nós vamos conseguir isso. Nós concordamos com isso", disse hoje a uma repórter da Fox News após o anúncio. Trump não deu detalhes a respeito de ataques a outros tipos de infraestrutura. Além disso, não comentou se as ações militares de Israel também serão pausadas.

Jornais estatais do Irã chamam anúncio de recuo.
As mídias estatais iranianas Fars e Irib News negaram as negociações citadas. Em publicações pelo X, as agências disseram ter consultado fontes, que teriam informado não haver nenhuma ligação direta ou indireta com Trump. A imprensa também disse ter sido um recuo dos EUA. "Após a República Islâmica ameaçar atacar a infraestrutura energética de toda a região caso os EUA atacassem a infraestrutura energética iraniana, Trump recuou", declarou a Fars.

Troca de ameaças momentos antes.
No sábado, o americano havia dado um ultimato ao Irã. Ele deu o prazo de 48 horas para o Irã liberar o estreito de Hormuz, passagem responsável pelo trânsito de 20% do petróleo mundial. Trump afirmou que iria "atacar e destruir completamente" as usinas de energia iranianas caso o canal não fosse liberado em dois dias. Hoje, Israel lançou uma nova onda de ataques a Teerã, confirmando o avanço contra "alvos de infraestrutura", sem detalhar os danos causados. Ainda hoje, o Irã declarou que "minaria todo o Golfo Pérsico" se uma invasão pelos EUA acontecer no país. Ameaça de retaliação acontece porque EUA estariam tentando dominar uma ilha a 24 km da costa do Irã. Segundo a agência de notícias Associated Press, um dos novos alvos americanos é a ilha de Kharg, que tem tanques de armazenamento de petróleo. Irã já fez uma série de ataques a nações vizinhas desde o começo da guerra. A justificativa do Irã para atacar países do golfo é a presença de bases militares dos Estados Unidos na região. Entre os alvos já atacados estão o Kuwait, Qatar e os Emirados Árabes Unidos.

Resistência do Irã surpreende Trump, diz professor.
A ideia de que os Estados Unidos teriam uma vitória rápida sobre o Irã não se confirmou diante da resistência articulada pelo regime iraniano. A análise é de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da FAAP e FGV, em entrevista ao UOL News - 2ª edição, do Canal UOL na última segunda-feira. Analista diz que o país iraniano mantém sua capacidade de ataques e influência sobre grupos armados na região. "Irã parece ter capacidade para resistir por mais tempo do que o esperado. Isso que não quer dizer, claro, que o regime seja indestrutível. Mas não é um passeio como aparentemente Trump parece ter imaginado, inspirado na experiência da Venezuela", avalia.
 
Professor entende que a capacidade de resistência iraniana depende do estoque de drones e mísseis. "Fica evidente que o Irã hoje ataca muito menos do que no começo. Ainda assim, são ataques precisos, capazes de afetar alvos específicos dos EUA ali na região e de criar todo esse ambiente de incerteza."

https://noticias.uol.com.br 

segunda-feira, 23 de março de 2026

“Trump não tem estratégia, ele ameaça porque está desesperado”.

 

Entrevista com Ravi Agrawal, editor da Foreign Policy

"Um ato de desespero que não produzirá os efeitos desejados". É assim que Ravi Agrawal, editor da revista Foreign Policy, avalia o ultimato do presidente Trump ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Na sexta-feira, ele disse que estava considerando reduzir seu compromisso militar; no sábado, ameaçou destruir a infraestrutura elétrica do país. "Essas declarações são contraditórias e confirmam a falta de estratégia e de objetivos claros. Percebemos um sentimento de desespero. Destruir as usinas nucleares seria devastador para o povo iraniano, e ainda mais para o regime. Há a suspeita de que essa ameaça seja uma tentativa desesperada de reabrir o Estreito de Ormuz, mas não funcionará, pois o que resta do governo está focado na sobrevivência e sabe que a capacidade de sufocar a economia global é sua principal alavanca. Se desistirem, não lhes restará nada". A entrevista é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica.

Eis a entrevista.
A maior usina nuclear é a usina nuclear de Bushehr. Quais seriam os riscos de um ataque aéreo?
Haveria riscos não apenas devido à falta de eletricidade, mas também devido ao risco de contaminação radioativa com consequências catastróficas para a população e o meio ambiente.

Cortar o fornecimento de eletricidade não ajudaria a derrubar o regime?
Não sei, mas o que sabemos sobre este regime é que os primeiros a sofrer são sempre os cidadãos. Os militares e a ala mais extremista da Guarda Revolucionária estão no comando e, quando os recursos são escassos, são cidadãos que sofrem primeiro. Por exemplo, agora há um corte na internet, mas a liderança tem acesso por meios especiais. O mesmo aconteceria com comida, remédios ou eletricidade.

As pessoas não se revoltariam?
Precisamos nos colocar no lugar deles e lembrar o que aconteceu em janeiro, quando milhares de pessoas foram mortas. As pessoas podem chegar à conclusão de que a única opção é se revoltar, sabendo, porém, que isso será recebido com força máxima.

Se a ameaça de Trump for um ato de desespero, não encoraja o regime a não ceder?
Isso já está acontecendo. O regime acredita ter sobrevivido ao ataque mais severo dos EUA e de Israel, e um elemento-chave desse sucesso é a capacidade de infligir enormes custos econômicos à região e ao mundo.

Por quanto tempo isso pode continuar resistindo?
É uma guerra assimétrica; o Irã não precisa de grandes operações militares para ter sucesso. E não se trata apenas de petróleo, porque 20% do gás mundial passa por Ormuz, assim como um terço do hélio usado em semicondutores e fertilizantes.

Por outro lado, existem os custos para os EUA, que afetam a economia, mas também o esgotamento do seu arsenal. Por quanto tempo Trump conseguirá sustentar a intervenção?
Só ele sabe disso, especialmente porque os objetivos da campanha mudam diariamente. Os custos econômicos já são evidentes, desde os preços da gasolina e a inflação até os cancelamentos de voos pelas companhias aéreas. Quanto ao arsenal, nas três primeiras semanas da guerra, o Pentágono já utilizou mais interceptores e mísseis do que a produção anual dos EUA. Agora terá que acelerar a reconstrução, mas isso levará tempo. Enquanto isso, os EUA ficarão mais vulneráveis no Pacífico e à China, sem falar da Rússia, que está faturando US$ 200 milhões a mais por dia graças ao aumento dos preços do petróleo.

Trump está enviando os fuzileiros navais. Será que ele poderia atacar por terra?
Aqui também, a questão fundamental é qual o objetivo. Isso custaria muitas vidas, e o presidente historicamente se opôs a tais intervenções. Em vez disso, ele deveria encontrar uma maneira de declarar vitória e parar, porque a cada dia que passa o custo aumenta.

https://www.ihu.unisinos.br

quarta-feira, 18 de março de 2026

 

Afirmações de Flávio Bolsonaro sobre ‘uso da força’ vão além do aceitável


São temerárias as afirmações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, sugerindo que qualquer outro candidato, para receber apoio de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026, precisará assegurar indulto ao ex-presidente, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. E Flávio foi além. Afirmou que, em caso de condenação do pai, se um presidente aliado lhe conceder o perdão, será preciso que o STF “respeite os demais Poderes”. “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade de uso da força (...), de interferência direta entre os Poderes. Tudo que ninguém quer”, disse ele.

Não ficou claro o que Flávio quis dizer com “uso da força”. Eis sua explicação singela para as condições que levariam a tal desfecho: “Estou fazendo análise de um cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá. Certamente o candidato que o presidente Bolsonaro vai apoiar deverá ter esse compromisso”.

É certo que ele ressaltou não se tratar de ameaça, mas evidentemente esse tipo de declaração não tem cabimento num regime democrático. Ainda que Bolsonaro venha a ser condenado e que um presidente futuramente lhe conceda indulto, o STF teria o dever de analisar se o benefício cumpre os dispositivos constitucionais. Negar-lhe essa prerrogativa seria desrespeitar a independência dos Poderes.

Há, por sinal, precedentes. Em maio de 2023, o Supremo rejeitou por 8 votos a 2 a graça concedida em 2022 pelo então presidente Bolsonaro em favor do ex-deputado Daniel Silveira, restabelecendo a condenação por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no processo. Na ocasião, a Corte considerou que a decisão presidencial em benefício de um aliado político representou desvio de finalidade.

A Polícia Federal (PF) investigou minuciosamente e reuniu provas robustas da tentativa de golpe em 2022. Foram fatos graves. Além da pretendida ruptura institucional, um plano previa o assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do STF, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin. O mínimo a esperar é que os responsáveis, independentemente de nomes, partidos ou patentes, sejam julgados e, uma vez comprovadas as responsabilidades, punidos. Anistiar quem conspirou conta a democracia só serve para incentivar novos levantes golpistas.

Na semana passada, os depoimentos de Jair Bolsonaro e de outros réus corroboraram as investigações da PF e mostraram que há provas consistentes para condená-lo. Daí a preocupação de Flávio em articular desde já compromissos políticos para blindar o pai. Essa cogitação por si só já é um disparate. Querer contratar no mesmo pacote uma afronta ao Supremo, à Constituição e à democracia extrapola o limite do aceitável.

Israel elimina cúpula de segurança do Irã e expõe crise nos EUA.


Nos bastidores: Embora o governo israelense encoraje publicamente a população iraniana a se revoltar e derrubar o regime, documentos diplomáticos vazados revelam que oficiais israelenses admitem privadamente que, se os iranianos forem às ruas desarmados, "serão massacrados" pela Guarda Revolucionária, que ainda mantém uma estrutura de comando forte e descentralizada, mostra reportagem do Washington Post.

Ataque em Bagdá.
A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, localizada na fortificada Zona Verde, voltou a ser alvo de ataques com drones e foguetes na madrugada de quarta-feira (pelo horário local). Os ataques causaram danos nos arredores da embaixada, embora as forças de segurança relatem ter conseguido interceptar e derrubar pelo menos dois foguetes direcionados ao local. Também houve o registro de um drone que caiu dentro do complexo da embaixada americana.

Cerco a Cuba e escândalo na Casa Rosada.
Atenção redobrada em Cuba: A retórica de Washington em relação a Havana atingiu um tom belicoso. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que as recentes reformas econômicas de Cuba — que abrem o país para investimentos de expatriados — não são "suficientemente drásticas" e reiterou o desejo de uma mudança de regime na ilha. O presidente Donald Trump foi além, sugerindo que seria "uma honra" tomar a ilha, classificando-a como uma nação enfraquecida. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou as ameaças diárias de derrubada do seu governo, enquanto o Vietnã reafirmou seu apoio à ilha por meio de parcerias agrícolas para a produção de arroz. Analistas sugerem que a pressão sobre Cuba pode ser uma manobra de distração de Trump diante da impopularidade e dos impasses da guerra no Irã.

Escândalo financeiro atinge Javier Milei: Na Argentina, uma investigação sobre o colapso da criptomoeda $LIBRA revelou laços financeiros comprometedores entre o presidente Javier Milei e o lobista e trader Mauricio Novelli. A perícia no telefone de Novelli mostrou registros de pagamentos mensais em dólares a Milei desde 2021 — quando o atual presidente ainda era deputado —, para que este desse aulas e promovesse a consultoria de investimentos N&W. O caso se agrava com indícios de que esses repasses em dólares teriam continuado mesmo após a chegada de Milei à Casa Rosada, conforme reportagem do La Nacion.

https://noticias.uol.com.br

terça-feira, 17 de março de 2026

'Não precisamos de ninguém', diz Trump após aliados se negarem a entrar na guerra contra Irã.

  
Presidente dos EUA afirmou que a Otan negou um pedido seu para 
entrar na guerra contra o Irã e criticou a decisão: 'É um erro tolo'.

Por Redação g1 

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (17) que não precisa da ajuda "de ninguém" para seguir na guerra contra o Irã. A declaração ocorre um dia após países aliados rejeitarem o apelo do norte-americano para patrulhar o Estreito de Ormuz. 

Contexto: Trump pediu no fim de semana que aliados europeus e asiáticos enviassem navios militares para ajudar a liberar a passagem no Estreito de Ormuz - via marítima no Oriente Médio por onde passam embarcações transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo. Trump disse que países da Otan, a aliança militar do Ocidente, não concordaram em "se envolver com nossa operação militar contra o regime terrorista do Irã". Afirmou estar "desapontado" com a decisão, que chamou de "tola"."Nós não precisamos deles (sócios da Otan), mas eles deveriam ter ajudado. Estão cometendo um erro muito tolo", disse Trump durante encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin. 

Antes, em sua rede social Truth Social, ele escreveu que "nós não precisamos mais, nem desejamos, a ajuda dos países da Otan" e do Japão, da Austrália e da Coreia do Sul — que também negaram o pedido de Trump."Aliás, falando como Presidente dos Estados Unidos da América, de longe o país mais poderoso do mundo, NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM!", escreveu Trump. "O mesmo vale para o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul".

Pedido recusado.
No fim de semana, Trump pressionou aliados europeus e asiáticos para que ajudassem a patrulhar o estreito de Ormuz. O Irã afirma controlar o canal e tem atacado embarcações comerciais que passam por lá. Veja abaixo o que os países disseram na segunda (16) sobre o apelo de Trump:
 
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que a Alemanha não participará com suas forças armadas da segurança do Estreito: "O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos";
 
Já o chanceler da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a diplomacia é o caminho certo para resolver a crise no Estreito de Ormuz e que não há missões navais em que a Itália esteja envolvida que possam ser estendidas à região;
 
Um porta-voz do governo da Grécia declarou que seu país não se envolverá em operações militares no Estreito de Ormuz.
 
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou ainda não ter decidido se atenderá ao pedido de Trump, mas disse estar dialogando com aliados para tentar "bolar um plano" para garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
 
A França ainda não havia respondido à pressão de Trump, mas o presidente francês, Emmanuel Macron, já disse anteriormente que trabalha com países parceiros em uma possível missão internacional no estreito. Macron afirmou, no entanto, que isso só ocorreria quando os combates diminuírem.
 
A Coreia do Sul afirmou que “tomou nota” do pedido de Trump e que “coordenará de perto e analisará cuidadosamente” a situação com os EUA.

Petroleiros começaram a 'passar aos poucos', diz Casa Branca.
O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse à emissora "CNBC" nesta terça-feira (17) que petroleiros estão "começando a passar aos poucos" pelo Estreito de Ormuz, reiterando a posição do governo Trump de que a guerra com o Irã deve durar semanas, e não meses. Hassett, no entanto, não deu mais detalhes. 
 
Irã sinaliza abertura parcial do Estreito de Ormuz.
 
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que um grupo de embarcações de “diferentes países” já foi autorizado a passar, sem dar detalhes. O Irã afirmou que o estreito está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados. Araghchi acrescentou que “não vemos razão para conversar com os norte-americanos” sobre uma forma de encerrar a guerra. Ele também disse que Teerã “não tem planos de recuperar” o urânio enriquecido que ficou sob escombros após ataques dos EUA e de Israel no ano passado.

https://g1.globo.com 

Obras da Cesan geram falhas e revolta em Guarapari (ES).


Moradores relatam asfalto cedendo, esgoto exposto e 
contaminação de água durante intervenções de saneamento.

Problemas recorrentes nas obras de saneamento executadas pela Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) em Guarapari dominaram o debate da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa na segunda-feira (16). Relatos apresentados por moradores apontam falhas na execução dos serviços, com impactos diretos no cotidiano das comunidades. Entre os principais problemas estão afundamento de vias, vazamentos de esgoto e suspeitas de contaminação de poços e nascentes. Durante a reunião, parlamentares reconheceram a importância do saneamento, mas criticaram a forma como as obras vêm sendo conduzidas.“O Espírito Santo precisa avançar nessa questão. As obras são necessárias e fundamentais, mas precisam ser executadas de forma pragmática, para reduzir ao máximo os prejuízos e transtornos para a população”, afirmou o deputado Bruno Resende.

Moradores apontam falhas graves.
As denúncias mais contundentes vieram de moradores do bairro Condados. Segundo relatos, a compactação do solo estaria sendo feita de forma inadequada, provocando o afundamento de calçamentos e do asfalto em diversas ruas. Domingos Maciel relatou que até veículos da própria obra foram afetados.“O mau cheiro é insuportável. Perdemos produção de alimentos e precisamos da presença de alguém da Cesan no bairro para resolver os problemas”, declarou.

Ele também apontou que vazamentos de esgoto chegaram a permanecer por dias sem solução, além de relatar contaminação de poços e de uma nascente após rompimentos na rede. Segundo o morador, ao menos uma família já acionou a Justiça após ter o abastecimento comprometido.

Pressão política aumenta.
O deputado Zé Preto classificou a situação como grave e criticou a falta de resposta da concessionária.“Queremos obras de qualidade. É inaceitável que um caminhão da própria empresa caia em um buraco causado pela obra”, afirmou. O parlamentar disse que pretende acionar o Ministério Público para avaliar a paralisação das obras até que os problemas sejam corrigidos. Ele também ampliou as críticas para outras regiões da cidade.“O governo afirma que 70% de Guarapari tem cobertura de saneamento básico, mas a realidade não parece ser essa. A Cesan precisa dar uma resposta urgente”, declarou.

Resposta da concessionária.
A Cesan informou que o investimento nas obras é de R$ 7.290.000,00, com execução iniciada em julho de 2025 e previsão de conclusão em janeiro de 2027. Segundo a gerente de obras, Amanda Bragato, os problemas se concentram principalmente em duas vias do bairro Condados. Sobre o episódio do caminhão que afundou, ela atribuiu o caso a falhas de drenagem já existentes na região. A empresa também destacou que a implantação da rede de esgoto foi concluída em 2025, enquanto o asfaltamento seria de responsabilidade da prefeitura.

Fiscalização em campo.
Diante das denúncias, órgãos estaduais e a agência reguladora confirmaram a realização de uma visita técnica aos locais afetados. A vistoria deve ocorrer nas próximas semanas e incluir os bairros Condados e Praia do Morro, onde também há registros de problemas no sistema de esgoto. A expectativa é que a inspeção avalie as falhas apontadas e defina medidas para corrigir as deficiências na execução das obras.

Fonte: Ales
https://vitorianews.com.br

Bolsonaro deixa a UTI e é transferido para unidade semi-intensiva.


Ex-presidente obteve melhora nos marcadores de infecção.

Por Luísa Marzullo — Brasília 

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a unidade semi-intensiva do hospital DF Star, em Brasília, segundo a equipe médica. A mudança de ala ocorre após melhora nos marcadores da infecção que motivou a internação. Em publicação nos stories do Instagram, Michelle também divulgou a notícia e afirmou que o avanço no quadro clínico permitiu a transferência."Com a melhora dos marcadores da infecção, meu amor foi transferido para a unidade semi-intensiva. Seguimos confiantes de que ele vai vencer mais esse momento. Obrigada por todo o carinho e pelas orações", escreveu.

Bolsonaro estava internado na UTI do hospital desde sexta-feira, quando foi levado ao DF Star após passar mal durante a madrugada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde cumpre prisão. Ele chegou ao hospital com febre, vômitos e baixa saturação de oxigênio. O ex-presidente foi diagnosticado com pneumonia bacteriana bilateral causada por broncoaspiração e passou a receber tratamento com antibióticos, além de fisioterapia respiratória e motora durante a internação.

Boletim médico divulgado mais cedo na segunda-feira já apontava melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas, com recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios no sangue, o que indicava resposta favorável ao tratamento. No boletim anterior, divulgado no domingo, os médicos haviam registrado estabilidade clínica e melhora da função renal, mas apontaram nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue, o que levou a equipe a ampliar a cobertura de antibióticos e intensificar a fisioterapia respiratória.

A transferência para a unidade semi-intensiva ocorre após essa evolução no quadro clínico. Um novo boletim confirmando oficialmente a mudança de ala só deve ser divulgado amanhã. 

https://oglobo.globo.com

domingo, 15 de março de 2026

Conselheiro de Trump pediu reunião com futuro presidente do TSE para discutir eleições.


Darren Beattie havia solicitado encontro com Kassio Nunes Marques, 
que comandará a Justiça Eleitoral nas eleições deste ano.

Brasília|Augusto Fernandes e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília.

O assessor do governo americano Darren Beattie, que teve o visto para entrar no Brasil revogado, tinha pedido uma reunião com o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Kassio Nunes Marques para falar sobre eleições. Nunes Marques será o presidente da corte durante as eleições deste ano. A tentativa de agenda com o ministro ocorreu no contexto da visita que Beattie pretendia fazer ao país na próxima semana.

O visto do assessor foi cancelado pelo Ministério das Relações Exteriores após o governo brasileiro considerar que houve omissão e falseamento de informações relevantes no pedido de entrada no país. Beattie chegou a ser autorizado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, mas o ministro voltou atrás após o Itamaraty informar que o eventual encontro com Bolsonaro não havia sido informado previamente às autoridades do país. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também alertou Moraes sobre possíveis implicações diplomáticas e políticas da visita. Na comunicação enviada ao ministro, o chanceler afirmou que a agenda poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos” do Brasil, especialmente por ocorrer em ano eleitoral.

Vieira também destacou que o pedido de visita ao ex-presidente não constava entre os objetivos oficialmente informados pelo governo dos Estados Unidos ao solicitar o visto para Beattie. O documento enviado pelo chanceler ao STF também não falava sobre um eventual encontro do americano com Nunes Marques.

Visto cancelado.
Segundo o Itamaraty, o visto para Beattie havia sido concedido com base na informação de que ele participaria de uma conferência sobre minerais críticos e de reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro. De acordo com autoridades brasileiras, no entanto, outros compromissos planejados durante a viagem não haviam sido comunicados previamente, entre eles a tentativa de visita a Bolsonaro. Diante da situação, o Itamaraty decidiu cancelar o visto. Em nota, o ministério afirmou que a medida foi tomada “tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington”, acrescentando que esse motivo constitui fundamento legal suficiente para a denegação do documento, de acordo com a legislação nacional e internacional.

https://noticias.r7.com

Transcol avança dentro de Guarapari (ES), e ônibus vão circular até Muquiçaba.

 
Linhas do Transcol passarão a avançar para áreas internas 
da cidade, com trajeto até a região da Praça do Extrabom.

Bernardo Mont'Mor *

Os ônibus do Transcol vão passar a circular mais para dentro do município de Guarapari. A ampliação do trajeto foi anunciada pela Prefeitura de Guarapari e faz parte de uma iniciativa realizada em parceria com o Governo do Estado para ampliar o atendimento do transporte público na cidade. A mudança, que acontece a partir do dia 22 de março, permitirá que os coletivos entrem na área urbana do município, avancem até a região da rotatória próxima à Praça do Extrabom, no bairro Muquiçaba, e depois retornem em direção a Vila Velha.

O anúncio foi feito pelo prefeito Rodrigo Borges em um vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo ele, a medida amplia o acesso ao transporte coletivo para moradores que utilizam o serviço diariamente. Conseguimos trazer o Transcol mais para dentro da cidade, avançando o atendimento e levando mais dignidade aos trabalhadores que tanto precisavam desse serviço. (Rodrigo Borges, Prefeito de Guarapari).

Estudo técnico avaliou expansão.
A ampliação ocorre após um pedido feito pela prefeitura à Ceturb-ES (Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo). Desde 2014, o Transcol opera em Guarapari, mas os ônibus atendem apenas até a região de Setiba, sem chegar a outras áreas da cidade. Na época, Rodrigo Borges se reuniu com o diretor-presidente da Ceturb-ES, Marcelo Campos Antunes, para discutir a possibilidade de ampliar as linhas para bairros internos do município. Após o encontro, a Ceturb informou que seria necessário realizar um estudo técnico para avaliar a viabilidade da ampliação do sistema. O objetivo era analisar fatores operacionais e financeiros para garantir que a expansão fosse possível sem impactar o valor da tarifa. Com o anúncio da prefeitura, a expectativa é de que a ampliação do trajeto beneficie trabalhadores e moradores que dependem do transporte coletivo para deslocamentos diários entre Guarapari e cidades da Região Metropolitana.

https://www.folhavitoria.com.br

sábado, 14 de março de 2026

As medidas extremas que países adotam para combater o turismo excessivo.

 
Lindsey Galloway
BBC Travel

As cerejeiras continuam florescendo perto do monte Fuji, no Japão. E os turistas continuam chegando para observá-las. Mas, neste ano, não haverá o festival anual. Autoridades da cidade de Fujiyoshida, no Japão, cancelaram a celebração anual da sakura (as flores de cerejeira). O motivo foram as reclamações dos moradores locais. Eles denunciaram que os visitantes jogavam lixo, invadiam jardins e chegavam a entrar em residências particulares. O festival costumava atrair 200.000 visitantes para a cidade, que tem população estimada em 44.000 moradores. O cancelamento é o mais recente sinal de que, enquanto o turismo global atinge recordes de alta, a paciência dos moradores dos destinos mais populares está acabando. Em 2025, o Japão recebeu cerca de 43.000.000,00 de visitantes, o maior número da sua história. Paralelamente, a Europa recebeu mais da metade dos voos internacionais, estimados em 1.500.000.000,00. As projeções indicam que este número deve atingir 1.800.000.000,00 em 2030 e os governos lutam para gerenciar as pressões. Alguns países vêm tomando medidas que teriam parecido extremas poucos anos atrás.

Os fatores que levaram os EUA ao topo do ranking de melhores países para o turismo. O país africano com praias espetaculares que quer atrair turistas após ser devastado pela guerra. A ilha do Caribe onde os moradores não podem entrar nas praias. Elas incluem o controle das multidões por inteligência artificial, construção de barreiras físicas e a cobrança de ingressos pelo triplo do valor para estrangeiros, além do cancelamento de festivais famosos, como o de Fujiyoshida. Muitos desses países desejam continuar recebendo visitantes. Eles simplesmente querem que os turistas fiquem mais espalhados, se comportem melhor ou façam suas visitas em outras épocas do ano. A BBC conversou com conselhos de turismo e líderes do setor em diversos países, para saber quais medidas assertivas estão sendo tomadas para tentar reduzir os problemas gerados pelo turismo excessivo.

Japão: bloqueios e restrições.
O cancelamento do festival das flores de cerejeira não foi a primeira medida tomada pelo Japão para gerenciar o excesso de turistas. Em 2024, a cidade de Fujikawaguchiko construiu uma barreira física para bloquear um ponto popular para fotos do monte Fuji. A medida foi uma tentativa de evitar que os visitantes continuassem subindo nos telhados, ignorando os guardas e as normas de segurança. Kyoto também luta há muito tempo contra as aglomerações. A cidade proibiu que as pessoas fotografassem as gueixas e restringiu o acesso a certas alamedas do distrito histórico de Gion, um dos pontos mais populares entre os visitantes. Recentemente, Kyoto também recorreu à tecnologia, lançando ferramentas digitais de gerenciamento de multidões. O objetivo é tentar trabalhar em conjunto com os turistas, de forma mais sustentável.

Intitulada Previsão de Congestionamentos, a nova ferramenta prevê os melhores dias e horários para visitar os locais mais importantes. Paralelamente, o aplicativo Smart Navi fornece atualizações em tempo real sobre os níveis de aglomeração; a iniciativa Hidden Gems ("Joias escondidas") promove seis distritos mais calmos, longe dos templos famosos; e Hands Free Kyoto ("Mãos livres") oferece aos visitantes serviços de transporte e armazenamento de bagagem, para reduzir as aglomerações no transporte público."Não existe uma bala de prata para o turismo excessivo, mas pretendemos continuar implementando medidas para proteger o dia a dia dos cidadãos, garantindo, ao mesmo tempo, que os visitantes possam ter uma estadia confortável", afirma o gerente da Divisão de Promoção do Turismo Sustentável de Kyoto, Kousaku Ono.

As operadoras de turismo também estão se ajustando à situação atual. 
A operadora Inside Travel Group, voltada para o desenvolvimento socioambiental, alterou deliberadamente o seu foco em relação ao Japão para cinco regiões pouco visitadas: Toyama, Nagoya, Nagasaki, Aomori e Yamaguchi."O turismo excessivo é uma das maiores ameaças enfrentadas pelo futuro do setor de viagens, que precisa enfrentá-lo de cabeça erguida", afirma o diretor-gerente da companhia, Tim Oakes."Estes são lugares que realmente querem receber visitantes, desde que sem aglomerações." Estados Unidos: preços mais altos para visitantes internacionais. Já os Estados Unidos assumiram uma postura declaradamente voltada para o lado financeiro. Seu vasto sistema de parques nacionais compreende 433 unidades, com área total de 34 milhões de hectares, e oferece incontáveis atrações para os visitantes. Mas a metade das visitas se concentra nos 25 parques mais conhecidos, gerando superlotação, longas filas e excesso de lixo. Para tentar reduzir o problema, os Estados Unidos criaram em 2026 uma sobretaxa de US$ 100,00 (cerca de R$ 520,00) por pessoa para visitantes internacionais, em 11 parques nacionais populares do país. Eles incluem Yellowstone, Yosemite e o Grand Canyon.

O passaporte anual "America the Beautiful" cobre todos os locais federais de recreação. Agora, ele custa US$ 250,00 (cerca de R$ 1.300,00) para não moradores do país — três vezes mais que os US$ 80,00 (cerca de R$ 416,00) cobrados dos cidadãos americanos.

Esta política segue uma ordem executiva que orientou o Departamento do Interior dos Estados Unidos a aumentar os ingressos para estrangeiros. Relatos indicam que a medida está gerando filas ainda mais longas na entrada nos parques, já que os funcionários, agora, precisam conferir a cidadania e os documentos de identificação dos visitantes. Trabalhadores dos parques e do seu entorno não acreditam que esta estratégia seja suficiente para combater as aglomerações."É improvável que o aumento dos ingressos, sozinho, reduza significativamente o turismo excessivo na alta estação", afirma Kevin Jackson, um dos fundadores da EXP Journeys. Sua empresa oferece experiências de viagens particulares perto dos parques de Yellowstone, Grand Canyon, Zion, Moab e Yosemite."A demanda pelos parques emblemáticos permanece alta e, para o tipo de viagens que oferecemos, o ingresso mais caro representa um percentual relativamente pequeno do custo total da viagem", explica ele. Mas ele observou que alguns viajantes internacionais podem optar por parques menos conhecidos, onde a sobretaxa não é aplicada. É o caso do Canyonlands, no Estado de Utah. Dulani Porter é a vice-presidente-executiva da empresa de marketing de destinos turísticos SPARK. Ela destaca questões estruturais mais profundas."Definir preços não é um plano de gestão de visitantes", afirma ela. Porter relembra que o excesso de pessoas em parques como Zion e Yosemite é determinado, em grande parte, pelos padrões domésticos de viagens de verão, calendários escolares e pela capacidade limitada de rodovias e estacionamento. Ela também questiona o impacto sobre as comunidades vizinhas. Os visitantes internacionais contribuem de forma desproporcional com a economia do turismo local. E até mesmo uma pequena redução pode prejudicar hotéis, restaurantes e operadoras de turismo."O turismo excessivo é fundamentalmente uma questão sistêmica", afirma ela. "Não apenas um problema de preços."
 
Jamaica: Reprogramar a sazonalidade.
A Jamaica, por outro lado, vem usando incentivos, não restrições. Ansiosa para atrair turistas após a destruição causada pelo furacão Melissa, em 2025, a ilha do Caribe vem adotando medidas criativas para trazer visitantes fora da alta temporada. As empresas Jamaica Tourism, JetBlue e WeatherPromise se associaram para oferecer, a partir de março, seguro contra chuva para todos os pacotes com destino à Jamaica até o final de novembro, incluindo a estação dos furacões. Se as condições do tempo atingirem o limite para serem consideradas "excesso de chuva", os viajantes que optarem pelo seguro serão automaticamente reembolsados. E ainda poderão aproveitar a viagem para conhecer algumas das atrações em ambiente fechado do país, como o Museu Bob Marley na capital, Kingston, ou para provar rum no vale de Nassau."Esta parceria ajuda a oferecer aos nossos clientes a confiança de reservar viagens para a Jamaica o ano inteiro", afirma Jamie Perry, presidente da Paisly, a companhia responsável pela JetBlue Vacations."Ao reduzir a percepção de risco de viagem durante os períodos tradicionalmente mais calmos, estamos ajudando a criar melhores experiências para os clientes e as comunidades locais."
 
Espanha: gestão das multidões por algoritmo.
A ilha espanhola de Maiorca foi palco de um dos mais emblemáticos protestos contra o turismo já realizados. Agora, ela aposta na inteligência artificial para resolver parte dos seus problemas com aglomerações. Ainda este ano, Maiorca irá integrar ao seu novo website uma plataforma alimentada por IA. Usando dados dos visitantes em tempo real, a ferramenta orientará os turistas sobre os melhores horários para visitar locais populares, sugerindo alternativas menos congestionadas, como oficinas de artesanato com vidro e a tradicional llatra (folhas de palmeira), ou ainda visitas a vinhedos e produtores de azeite de oliva. O objetivo é expandir a visitação para locais fora do roteiro de "sol e praia" da ilha."Com a PID [Plataforma Inteligente de Destinos] de Maiorca, integramos mobilidade, acomodações e recursos em uma única plataforma, o que nos permite antecipar os fluxos, melhorar a experiência dos visitantes e fortalecer a tomada de decisões", explica o recém-nomeado ministro do Turismo local Guillem Ginard, presidente da Fundação para o Turismo Responsável de Maiorca. Além da tecnologia, a fundação lançou a campanha Ca Nostra ("Nossa Casa"), para incentivar visitantes e moradores a tratar Maiorca como sua casa temporária, protegendo seus cenários, tradições e comunidades.

Dinamarca: incentivos ao bom comportamento.
A capital dinamarquesa, Copenhague, é um dos destinos turísticos em maior crescimento da Europa. Projeções indicam que ela o número de visitantes deve aumentar em 24% até 2030. Para combater alguns dos primeiros problemas sendo causados pelo turismo excessivo, a cidade realiza experiências com incentivos ao bom comportamento. Lançado em 2024, o programa CopenPay permite que os visitantes "paguem" por experiências com ações sustentáveis, como passear de caiaque coletando o lixo dos canais ou ir aos museus de bicicleta.
 
Mais de 30 mil visitantes já participaram da iniciativa, que fez com que os aluguéis de bicicletas aumentassem em 59%."Cerca de metade dos participantes afirmam que são motivados a participar porque procuram experiências diferentes e exclusivas", conta Rikke Holm Petersen, diretora de marketing, comunicação e comportamento da organização Wonderful Copenhagen. Ela observou que sete a cada dez participantes também declararam terem levado novos hábitos para casa, como andar mais de bicicleta e separar o lixo corretamente. Este modelo atraiu o interesse de mais de 100 destinos de todo o mundo. Berlim, na Alemanha, e a região francesa da Normandia estão adotando esquemas similares."Muitos participantes nos disseram que todas as cidades deveriam ter este programa", declarou Petersen."Estamos observando uma mudança importante no comportamento dos turistas. Eles querem deixar o destino melhor do que encontraram."

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.
https://www.bbc.com