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terça-feira, 14 de julho de 2026

A medida de Trump que pode facilitar acesso do CV e do PCC a fuzis americanos.


Mariana Schreiber
Da BBC News Brasil em Brasília
       
Comprar um fuzil online e receber na porta de casa. Essa é uma das possibilidades que está em estudo no governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Sua gestão está revisando uma série de regras no país com o objetivo de reverter supostas violações ao "direito do povo de possuir e portar armas", previsto na segunda emenda da Constituição americana. Após determinação da Casa Branca, o Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) apresentou, no final de abril, 34 propostas de mudanças na regulação do comércio de armas, que estão em tramitação. Entre as mudanças previstas está reverter restrições aplicadas pelo governo de Joe Biden, como a ampliação da exigência de licença na venda de armas, e liberar o comércio online, eliminando a necessidade de que o comprador compareça a uma loja física para conferência de seus antecedentes criminais, o que passaria a ocorrer apenas digitalmente. Críticos das mudanças dizem que a facilitação do acesso a armas é um problema interno para os EUA, onde tiroteios em espaços públicos e escolas são recorrentes, e também pode alimentar o tráfico internacional, facilitando até mesmo a aquisição de armamentos pesados por organizações criminosas, inclusive no Brasil.

Em maio, a administração Trump declarou como terroristas as duas maiores facções brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), decisão que, segundo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seria equivocada e abriria espaço para ataques americanos ao território brasileiro. Na visão do governo brasileiro, esses grupos não agem com motivações terroristas e devem ser combatidos sem a necessidade dessa classificação.

Maior produtor de armas do mundo, os EUA são historicamente uma origem importante dos armamentos usados por essas facções, embora a produção doméstica de fuzis em fábricas clandestinas esteja crescendo nos últimos anos, como apontam especialistas e o próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública. Uma forma de importação ilegal é o envio de armas compradas legalmente nos EUA e depois traficadas para o Brasil, despachadas dentro de mercadorias comuns. No final de maio, por exemplo, um fuzil AK-47 enviado da Flórida foi flagrado na inspeção alfandegária no Aeroporto de Viracopos, desmontado e escondido dentro de um forno. Em março do ano passado, a Receita Federal localizou no mesmo aeroporto 30 fuzis desmontados e camuflados em diferentes mercadorias, como prensas hidráulicas, que teriam como destino os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Outra rota de entrada comum é pela fronteira sul do país. No mês passado, a Polícia Rodoviária Federal realizou no interior do Paraná, próximo ao Paraguai, a maior apreensão de fuzis da sua história: das 26 unidades, 22 eram Colt, marca americana, mas os itens ainda serão periciados para confirmar sua origem. "As mudanças na regulamentação de armas que o governo Trump está promovendo podem, sim, afetar o tráfico internacional", diz à BBC News Brasil John Lindsay-Poland, coordenador do projeto Stop US Arms to Mexico, que atua contra o tráfico de armas dos EUA para grupos criminosos mexicanos. "Uma das propostas especialmente preocupantes é permitir a venda e a entrega de armas pelos Correios, sem qualquer interação presencial entre vendedor e comprador, incluindo fuzis AR-15. O comprador pode ser qualquer pessoa que não tenha uma razão legítima para adquirir a arma nem a capacidade de utilizá-la."

Na visão de Poland, a decisão de designar facções brasileiras como grupos terroristas não deve impactar no combate ao tráfico de armas dos EUA para esses grupos. "Pela nossa análise, o principal problema é o tamanho, a permissividade e o caráter militarizado do mercado civil de armas nos Estados Unidos, o que faz com que um grande número de transações suspeitas seja perfeitamente legal", ressalta."Assim, mesmo que uma arma seja comprada nos EUA ou exportada legalmente e depois traficada para essas organizações criminosas, não há qualquer consequência para quem vendeu a arma, mesmo quando o grupo criminoso é designado como organização terrorista. O que é necessário são mudanças na regulamentação do próprio mercado varejista de armas nos Estados Unidos." Para o pesquisador Bruno Langeani, consultor sênior no Instituto Sou da Paz, ainda não está claro se a classificação das facções brasileiras como terroristas terá impacto no tráfico de armas dos EUA para o Brasil. "Será que, dentro desse esforço de classificação de organizações terroristas, haverá sanções a essas lojas da Flórida que aparecem com frequência em rastreamentos de armas que terminam no Brasil?", questiona."Se não tiver sanção para esses grandes players, vai ficar muito claro que essa é uma medida mais de interesse político-eleitoral do que de fato interessada em enfraquecer essas organizações criminosas."

Menos restrições também para exportações legais.
De acordo com Matt Schroeder, pesquisador sênior da ONG suíça Small Arms Survey, o tráfico ilegal dos EUA para outros países movimenta dezenas de milhares de armas por ano. Ele diz que a exportação ilegal é realizada por "organizações criminosas, algumas bastante amadoras, que pagam pessoas para entrarem em lojas e comprarem armas, geralmente pequenas quantidades por vez". "Essas pessoas não têm antecedentes criminais, então conseguem comprar legalmente e passar pelas verificações de antecedentes. Depois, essas armas são reunidas, coletadas por diferentes integrantes da organização que estão baseados nos Estados Unidos, e enviadas para o país de destino", continua."Esse é o grande problema: a frequência com que isso acontece com sucesso. Às vezes, eles são descobertos, mas frequentemente só são pegos depois de operar por anos e já terem exportado dezenas de armas, às vezes centenas, em alguns casos milhares", reforçou.

Na sua avaliação, como já é fácil comprar armas legalmente nos EUA e depois exportá-las de maneira irregular, as medidas que o governo Trump pretende adotar para facilitar as vendas domésticas não devem ter impacto significativo no tráfico internacional. Por outro lado, ele acredita que o afrouxamento dos controles sobre exportações legais pode levar a um aumento do desvio de armas após a exportação, especialmente em determinados países. Em setembro de 2025, a administração Trump revogou restrições do governo Biden para dificultar exportações de armamentos civis para 36 países considerados sensíveis, devido a históricos de violações de direitos humanos e desvio de armas para o crime, incluindo vizinhos do Brasil, como Paraguai, Suriname, Colômbia e Peru.

Ao justificar a revogação, o Departamento de Comércio dos EUA disse que o fim das restrições criaria "centenas de milhões de dólares por ano em oportunidades de exportação" para a indústria armamentista. Na ocasião, a mudança também foi criticada pela Anistia Internacional. Segundo a organização, embora relatórios do próprio governo americano mostrem "que a maioria das armas fabricadas nos Estados Unidos recuperadas em cenas de crimes em outros países havia sido contrabandeada ilegalmente para fora dos Estados Unidos", há também "um número significativo de armas de fogo exportadas legalmente que acabam sendo usadas em crimes, incluindo violações de direitos humanos"."Um relatório do Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA [GAO, na sigla em inglês], publicado em 2022, descobriu que quase 20% das armas de crime de origem americana recuperadas na América Central podiam ser rastreadas até exportações licenciadas", disse a Anistia Internacional.
 
A BBC News Brasil questionou a Casa Branca sobre as críticas às medidas para facilitar vendas de armas e os possíveis impactos no tráfico internacional, mas não obteve resposta até a publicação dessa reportagem. A apreensão de fuzis no Brasil cresceu nos últimos cinco anos, como mostra levantamento recente do Instituto Sou da Paz. Em 2025, foram 2.152 unidades apreendidas, alta de 167% desde 2021. Uma pesquisa anterior do mesmo instituto analisou a origem desses armamentos e apontou o predomínio de armas brasileiras e americanas. Do total de 3.119 fuzis apreendidos entre 2019 e 2023, foi possível identificar a origem de 1.701 (54,5% do total), dos quais 738 eram dos EUA, 586 eram do Brasil e os 377 restantes eram de outros países. De acordo com Langeani, o tráfico desses armamentos passa por uma transformação no Brasil, com o aumento de fábricas clandestinas dentro do país. Segundo ele, limitações no trabalho das perícias policiais dificultam identificar adequadamente a origem dessas armas, o que seria importante para traçar as políticas públicas de combate ao tráfico. Por isso, ele questiona os resultados de outro levantamento, feito pela Polícia Militar do Rio de Janeiro com base nas armas que apreendeu em 2024.

A corporação identificou que praticamente todas (94,7%) tinham sido fabricadas no exterior, principalmente nos Estados Unidos (60%). Outros países citados foram Israel, Alemanha, Áustria e República Tcheca. Langeani, porém, diz que há armas falsificadas produzidas clandestinamente — ou seja, são vendidas como sendo de uma marca americana, por exemplo, mas não são originais."Não dá para a Polícia Militar do Rio de Janeiro pegar o valor de face desses fuzis e colocar num relatório. É uma coisa um pouco amadora de se fazer. E, se você faz diagnóstico errado de saída, quando for tentar fazer as estratégias de combate, vai estar olhando errado", critica. Ele ressalta que outro fator também reduziu, nos últimos anos, a necessidade do crime organizado recorrer ao tráfico internacional: a flexibilização das regras para a compra de armas no Brasil no governo de Jair Bolsonaro (PL), permitindo inclusive a aquisição, por civis, de calibres que antes eram restritos às Forças Armadas.

Entre as principais mudanças, pessoas registradas como CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) passaram a poder comprar fuzis, e cada indivíduo podia adquirir até 30 armas. Segundo o pesquisador, essa facilidade contribuiu para abastecer o crime organizado, já que criminosos podiam cooptar pessoas sem antecedentes criminais para comprar armas legalmente em seu nome. As medidas foram revogadas em 2023, no governo Lula. No entanto, quem adquiriu armas durante o período de vigência das regras mais flexíveis não foi obrigado a devolvê-las. Além disso, ressalta Langeani, também continuam podendo comprar munição para seus fuzis, o que seria mais um caminho de desvios para abastecer as facções.
 
Fábricas clandestinas são 'principal dor de cabeça'.
No Ministério da Justiça e Segurança Pública, as fábricas clandestinas são consideradas a "principal dor de cabeça atual" quando o assunto é tráfico de armas, disse à BBC News Brasil a diretora de Ensino e Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Michele dos Ramos, que representa a pasta na recém-criada Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (Renarme). A iniciativa, instituída em março pelo governo Lula, reúne também representantes dos ministérios da Defesa e da Fazenda, e dos governos estaduais, com foco em combater o tráfico de armas de forma integrada no país."Essas armas [fabricadas clandestinamente] ainda têm uma qualidade muito menor do que um fuzil importado dos Estados Unidos, mas a qualidade já aumentou muito nos últimos cinco anos", ressalta Ramos."E o custo operacional para que essa arma chegue a determinada facção vai ser muito menor do que o custo de trazer dos Estados Unidos."

No ano passado, uma fábrica clandestina foi fechada pela Polícia Militar e a Polícia Federal, em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo. O local, que se apresentava como uma produtora de peças aeronáuticas, usava equipamentos industriais de alta precisão e tinha capacidade de produzir 3,5 mil fuzis por ano, segundo reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo.

O diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, José Anchiêta Nery Neto, exemplifica o poder dessas armas.

"Um determinado fuzil de um fabricante legalizado pode ter uma capacidade de 10 mil disparos ininterruptos. Talvez a versão fabricada aqui, que é chamada de arma fantasma, terá uma capacidade de 3 mil disparos. Mas, infelizmente, ela serve perfeitamente para o combate urbano, e vai ter um preço menor."

Segundo ele, há fábricas que usam alguns componentes importados na fabricação desses fuzis, mas há também aquelas que produzem tudo nacionalmente.

"Esses fabricantes compram material da indústria naval para cortar aço, software para poder desenhar os equipamentos, e aí vão montar em cima de uma plataforma existente, como o AR-15, na plataforma americana, ou AK-47, na plataforma russa. Reproduz o que existe", explicou.

https://www.bbc.com 

MPC-ES aponta ‘emergência fabricada’ em contrato de Guarapari (ES).

 
Redação Multimídia ESHOJE

O Ministério Público de Contas do Espírito Santo (MPC-ES) ingressou com uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) questionando a legalidade do Contrato Emergencial nº 001/2026, firmado pela Companhia de Melhoramentos e Desenvolvimento Urbano de Guarapari (Codeg) com a empresa Limpar Ambiental Gerenciamento Integrado de Resíduos Ltda., no valor de R$ 24.900.000,00. No documento, que tramita no Processo nº 2450/2026, o órgão ministerial aponta indícios de omissão no planejamento, da 
“emergência fabricada", dispensa indevida de licitação e sucessivas contratações emergenciais da mesma empresa. Com base nesses apontamentos, o MPC-ES pede que o TCE-ES declare a nulidade do contrato e determine a realização de uma licitação regular.

Segundo a representação, a Codeg realizou duas contratações emergenciais consecutivas para o mesmo serviço com a Limpar Ambiental, totalizando R$ 37.960.000,00 sem disputa competitiva nos últimos dois anos. Para o Ministério Público de Contas, a situação não decorreu de fatos imprevisíveis, mas de falhas administrativas que impediram a conclusão do processo licitatório.

Indícios de irregularidades.
Entre as irregularidades apontadas pelo MPC-ES estão a omissão deliberada no planejamento, a fabricação de situação emergencial, a dispensa indevida de licitação, a repetição de contratações emergenciais da mesma empresa, a possível nulidade material do contrato e eventual dano ao erário pela ausência de competição entre empresas. Na avaliação do órgão, a contratação emergencial só seria justificável diante de fatos externos, imprevisíveis e inevitáveis. Entretanto, a representação sustenta que o serviço era permanente, o prazo para encerramento do contrato anterior era conhecido e a licitação foi iniciada tardiamente, com um edital considerado vulnerável. O MPC-ES afirma que a administração deixou de adotar providências dentro do prazo necessário e, posteriormente, utilizou a situação criada como justificativa para a contratação direta.

Defesa da Codeg.
A representação também analisa os esclarecimentos enviados pela Codeg durante procedimento instaurado pelo próprio MPC-ES. Segundo o órgão ministerial, as informações reforçam os indícios de planejamento deficiente e de recontratação da mesma empresa sem a conclusão da licitação. De acordo com o documento, a companhia tinha conhecimento prévio do encerramento do contrato vigente, mas publicou o edital da Concorrência Eletrônica nº 001/2026 apenas 59 dias antes do fim da vigência contratual, prazo considerado insuficiente diante da complexidade do certame. O Ministério Público de Contas também destaca que a contratação emergencial anterior já havia sido objeto de fiscalização do Tribunal de Contas, ocasião em que a área técnica apontou possível superfaturamento de R$ 814.500,00, com potencial de alcançar R$ 2.600.000,00.

Pedidos ao Tribunal.
Na representação, o MPC-ES solicita que o TCE-ES declare a nulidade do Contrato Emergencial nº 001/2026, preservando apenas a continuidade temporária dos serviços essenciais até a realização de uma licitação regular. O órgão também pede a abertura de procedimento para apurar a responsabilidade dos gestores da Codeg e de eventuais agentes privados envolvidos, verificar possível dano ao erário, aplicar as sanções cabíveis e encaminhar cópias do processo ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) para análise de eventuais responsabilidades nas esferas cível e criminal.

A representação já foi recebida pelo relator do caso, conselheiro substituto Donato Volkers Moutinho, que determinou o início da instrução do processo pela área técnica do Tribunal de Contas. Até o momento, não há decisão de mérito sobre as alegações apresentadas pelo Ministério Público de Contas, que ainda serão analisadas pelo TCE-ES.

https://eshoje.com.br/

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Saiba quem é Mariângela Fialek, citada por Dino em caso de emendas.


O ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos), que teve R$ 6.100.000,00 bloqueados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino em inquérito sobre irregularidades na destinação de emendas parlamentares, contava com o apoio de Mariângela Fialek, funcionária da Câmara dos Deputados, segundo a investigação da Polícia Federal. Conhecida como Tuca, a funcionária seria responsável por operacionalizar as demandas relacionadas a emendas atribuídas ao ex-deputado. A decisão de Dino, divulgada no domingo (12.jul.2026), afirma que Fialek dominava os procedimentos administrativos relacionados à distribuição de emendas e teria utilizado esse conhecimento para executar decisões tomadas fora do fluxo legislativo regular. A PF diz haver indícios de peculato em uma possível atuação conjunta entre a funcionária e Cunha. 

Fialek também é investigada em outros 2 inquéritos sobre o uso de emendas parlamentares. Um deles apura suspeitas envolvendo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O outro é decorrente da Operação Transparência, deflagrada pela PF em dezembro de 2025, que teve como um dos alvos o deputado Arthur Lira (PP-AL), de quem a funcionária foi assessora. Funcionária da Câmara há cerca de 6 anos, Fialek já ocupou cargos em diferentes órgãos da administração pública e integrou equipes dos governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). Em dezembro de 2025, ela foi alvo de mandado de busca e apreensão da PF, que recolheu seu celular durante a investigação sobre a gestão de emendas parlamentares.

Em nota, a defesa de Cunha nega que ele tenha cometido irregularidades e diz que vai contestar a decisão do STF. Os advogados afirmam que as emendas citadas na investigação foram oficialmente apresentadas e indicadas por congressistas, bancadas ou órgãos legitimados. Em nota, a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a funcionária da Câmara exercia função exclusivamente técnica na organização das emendas parlamentares da Casa, seguindo decisões da Presidência da Câmara e do Colégio de Líderes. Segundo os advogados, sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal”, em conformidade com a Lei Complementar 210 de 2024, editada para atender às determinações do Supremo Tribunal Federal. A defesa também declarou que Fialek não é investigada por qualquer irregularidade funcional ou criminal e sustentou que o objetivo da Polícia Federal é apenas acessar informações relacionadas ao cargo que ocupava na Câmara. Os advogados afirmam ainda que os dados sobre as indicações de emendas são públicos, encaminhados à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e publicados no Portal da Transparência.

O Poder360 procurou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para perguntar se gostaria de se manifestar sobre as investigações. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

NOTA DE MARIÂNGELA FIALEK.

Eis a íntegra da nota:

“MARIANGELA FIALEK

“É advogada formada pela PUC/RS e é mestra em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Profissional experiente e sem histórico de vinculação partidária, integrou o Poder Executivo por quase uma década, tendo inclusive desempenhado a função de Assessoria na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no Governo Lula, no ano de 2003. Também ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares no Governo Temer e foi assessora parlamentar do Ministério de Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro. Trabalhou no Senado da República por 10 anos, desempenhando a função de assessoria jurídica da Liderança dos Governos Lula e Dilma. Trabalha na Câmara dos Deputados há aproximados 6 anos e ocupava cargo em comissão do Gabinete da Presidência (CNE 07 – assessor técnico1), desempenhando suas funções na organização técnica do orçamento.

“Nessa condição, era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes). Sua atuação era estritamente técnica, apartidária e impessoal, nos exatos termos do que dispõe a LC 210/2024, editada em cumprimento às decisões do Supremo Tribunal Federal. Cumpre mencionar que todo material de trabalho de MARIANGELA FIALEK é público, e que todas as informações dali constantes, sobre indicações de emendas, são encaminhadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde podem também ser encontradas, além de serem publicadas no Portal da Transparência, tal como determinou o Supremo Tribunal Federal.
 
“Finalmente, importante mencionar que não se atribui à MARIANGELA FIALEK a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal. O OBJETIVO da Polícia Federal é acessar informações relacionadas à função que exerceu na Câmara dos Deputados, relativas às indicações, por Deputados, de verbas de emendas. Tais informações, registre-se, hoje já são públicas.”

NOTA DE EDUARDO CUNHA.
Em nota, a defesa de Eduardo Cunha afirmou que o ex-deputado nega ter exercido, de forma clandestina, funções congressistas.

Leia a íntegra da nota: 

“A defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação. Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário. Eduardo Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar.

“Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar. É igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6.150.000,00 corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha. Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha.

“A defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas”. 

https://www.poder360.com.br 

Caminhoneiros fazem paralisação em defesa da MP do Frete: ‘Quem causou foi Alcolumbre’.


Greve acontece em vários pontos do país; motoristas 
estão parados também nos portos, inclusive em Santos.

Por Chico Alves

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Republicanos-AP), de travar a votação da Medida Provisória 1.343, que altera as regras do piso do frete para o transporte rodoviário de cargas (a chamada MP do Frete) levou caminhoneiros de várias regiões do país a iniciarem paralisação às 00:00h desta segunda-feira (13). O movimento foi convocado por líderes de vários sindicatos e associações de motoristas autônomos de caminhão. Um deles é o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.“Há semanas a gente vem lutando para que o Senado coloque o texto da MP em votação e até agora não aconteceu, por isso a categoria deliberou que faríamos essa paralisação. Essa paralisação não é feita por decisão do sindicalista A ou B. Quem causou essa paralisação foi o Alcolumbre”, disse ele, Ao ICL Notícias.

A mobilização acontece porque a MP perde a validade na quinta-feira (16) e a categoria quer fazer com que Alcolumbre coloque em votação nesta terça-feira (14). A MP do Frete trata da questão do custo mínimo do frete, da autonomia para que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) possa fazer a fiscalização, isenção das multas que foram aplicada em 2022, o fim das multas de entre-eixos, salário-base de R$ 5.000,00 para motoristas celetistas e vários outros pontos.

Em vários portos do país os caminhoneiros estão parados, inclusive no Porto de Santos. Esse tipo de greve é a que mais rapidamente causa reflexo na distribuição dos produtos.“Esse recado vai para todos os caminhoneiros e para o Alcolumbre: Porto de Santos está parado, como foi pedido pela categoria. Alcolumbre, coloque essa pauta para votação senão essa responsabilidade será 100% sua”, alertou Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos), em vídeo gravado à 00:00h de hoje.

Mas  a paralisação não é só dos caminhoneiros que atendem aos portos. “É geral. O objetivo é continuarmos parados até que Alcolumbre coloque a MP em votação”, diz Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL). Algumas lideranças da categoria receberam sinalização de que o presidente do Senado pode mudar de posição e colocar o texto em votação. “Esperamos que isso aconteça”, diz Chorão.

https://iclnoticias.com.br/

domingo, 12 de julho de 2026

Lindbergh pede a Moraes a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro após carta a Flávio.


Equipe CartaCapital

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a revogação da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o parlamentar, Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares impostas, como a proibição de “usar aparelhos celulares e acessar redes sociais”, inclusive por meio de “assessores ou terceiros”, além da “gravação de vídeos e a divulgação de suas imagens e manifestações”. No documento protocolado no sábado 11, Lindbergh relata que o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) leu, nas redes sociais, uma carta escrita pelo ex-presidente e entregue a ele após uma visita realizada mais cedo.

No texto, Bolsonaro disse que Flávio é seu “porta-voz”. Lindbergh afirma que o senador “instrumentalizou” e “burlou” o regime de visitas e, por isso, pede que o pré-candidato pague uma multa de 100 mil reais por “ato atentatório à dignidade da Justiça”. Ao conceder a prisão domiciliar ao ex-presidente, Moraes proibiu a “utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros”, incluindo “as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiros”.

Determinou ainda que Jair Bolsonaro não poderia “se valer” dos meios para “burlar a medida”, sob pena de “imediata revogação e decretação da prisão”. Recentemente, o benefício concedido foi analisado após o encerramento do prazo de 90 dias. Dias antes de Moraes reanalisar a prisão de Bolsonaro, uma arma em nome do ex-presidente foi encontrada com um militar em uma blitz. O episódio resultou na abertura de um inquérito policial e quase comprometeu a condição de custódia de Bolsonaro, mas o ministro considerou que não houve “falta grave” no ocorrido.

https://www.cartacapital.com.br/

sábado, 11 de julho de 2026

Dia da Pizza: Brasil Abre 13 Novas Pizzarias por Dia em 2026.


forbes.com.br
Camila Pati

O Brasil ganha uma pizzaria a cada duas horas para dar conta de um consumo de 3.800.000 de pizzas por dia. Os números dimensionam a paixão nacional brasileira pela pizza, homenageada na sexta-feira, 10 de julho. Entre janeiro e maio de 2026, o país registrou a abertura de 1.990 novos estabelecimentos, alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram inauguradas 1.875 unidades. Os dados são do Panorama de Mercado 2026, levantamento da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). O resultado equivale a 398 pizzarias inauguradas por mês, cerca de 13 por dia. O desempenho dá sequência ao ciclo de crescimento registrado no ano passado. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 40.000 pizzarias em operação e encerrou o ano com 40.332 estabelecimentos ativos, avanço de 10,29% sobre 2024. No período, foram abertas 4.109 novas pizzarias e o número de fechamentos caiu ao menor patamar da última década, segundo a associação.

Para o presidente da Apubra, Gustavo Cardamoni, o resultado dos primeiros cinco meses do ano confirma que a expansão do ano passado não foi um movimento isolado. “O mercado continua em expansão, mantém um ritmo consistente de abertura de novos negócios e demonstra que ainda existe espaço para empreender no setor de pizzarias”, diz.

Os números mostram que ano começou mais devagar e que a retomada veio em março. Janeiro e fevereiro tiveram volume de inaugurações ligeiramente inferior ao de 2025. Mas em março, foram abertas 461 novas pizzarias, mais de 100 acima das 355 registradas no mesmo mês do ano anterior. O ritmo se manteve em abril, com 412 unidades, e em maio, com 369. Somente entre março e maio, o país ganhou 1.242 novas pizzarias.
São Paulo lidera, mas expansão se espalha

Não é à toa que o Dia da Pizza foi criado no estado de São Paulo, nos idos 1985. A pesquisa mostra que cada habitante da cidade de São Paulo consome em média 27 pizzas por ano. O estado segue como o principal polo de abertura de pizzarias, com 28% das inaugurações entre janeiro e maio. Na sequência aparecem Minas Gerais e Santa Catarina, ambos com 9%, seguidos por Rio de Janeiro (8%), Paraná (7%), Bahia (6%), Ceará (5%), Goiás (4%), Rio Grande do Sul (4%) e Pernambuco (3%).

A pesquisa indica que o mercado está cada vez mais descentralizado. Quase três em cada quatro pizzarias abertas em 2026 nasceram fora do estado de São Paulo. Segundo a Apubra, o movimento acompanha o fortalecimento dos mercados regionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Foram utilizadas fontes oficiais do governo e consideradas empresas cadastradas na Receita Federal com situação ativa entre janeiro e maio de 2026, nos portes ME, EPP e LTDA, excluindo microempreendedores individuais (MEIs). A amostra representa cerca de 89% do mercado brasileiro de pizzarias, segundo a associação.
No delivery, 195 pizzas por minuto

De acordo com o Sindbares/Abrasel, mesmo com a expansão de hambúrgueres, bowls e culinária oriental, a pizza continua sendo o prato mais pedido no delivery no Brasil. O iFood entregou 50 milhões de pedidos de pizza no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 195 pizzas por minuto em todo o país, segundo análise da plataforma divulgada para o Dia da Pizza. No mesmo período, o número de novas pizzarias parceiras do aplicativo cresceu 27%. Procuradas, a 99Food e a Keeta não toparam compartilhar os dados.

A calabresa segue como o sabor favorito dos brasileiros no iFood, posição que já ocupava no ano passado, seguida pela pizza de frango com requeijão cremoso. A terceira colocação mudou: a marguerita, quinta no ranking de 2025, ultrapassou a muçarela. Completam o top 5 a muçarela e a portuguesa.

A personalização é outro destaque: cerca de 80% dos pedidos em restaurantes da plataforma são de pizzas meio a meio ou customizadas. No Sul, o hábito é ainda mais forte, com índices de 94% em Santa Catarina e de 90,8% no Rio Grande do Sul.

São Paulo também lidera o consumo no delivery, com volume de pedidos quase três vezes superior ao do Rio de Janeiro, segundo colocado. O crescimento mais acelerado, no entanto, vem do Norte e do Nordeste: o Amazonas consumiu 31% mais no primeiro semestre de 2026 na comparação anual, seguido por Pará e Ceará, ambos com alta de 19%.

Os hábitos de consumo confirmam a pizza como programa de fim de semana: 62% dos pedidos no iFood se concentram entre sexta-feira e domingo, com o sábado respondendo por mais de 21% do fluxo semanal. O jantar concentra 95% da preferência.

Nos supermercados atendidos pela plataforma, o comportamento é diferente: o consumidor pede em média duas pizzas por compra, prefere a muçarela e mais de 40% dos pedidos, entre semiprontas e congeladas, acontecem no horário do almoço. Na vertical de mercado, o Maranhão lidera o crescimento, com alta de 305% nos pedidos de pizza no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025.

https://forbes.com.br/

Trump ameaça destruir o Irã caso país tente assassiná-lo: 'Mil mísseis estão prontos'.

 
Mensagem foi publicada após novos relatos sobre ameaças contra o presidente. Post ocorre em meio à nova escalada de tensões entre EUA e Irã.

Por Redação g1 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (11) que os militares americanos estão prontos para lançar um ataque em larga escala contra o Irã caso o governo iraniano tente assassiná-lo. 

Em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que "mil mísseis estão prontos e carregados" contra o Irã e que "milhares" de outros poderiam ser lançados em seguida."Mil mísseis estão prontos para disparo e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros prontos para serem lançados imediatamente em seguida, caso o governo iraniano cumpra a ameaça, feita em muitos cantos do mundo, de assassinar, ou tentar assassinar, o presidente em exercício dos Estados Unidos da América, neste caso, eu", escreveu.

Trump afirmou ainda que as ordens já foram dadas e que as Forças Armadas dos EUA estão preparadas para "dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã" por um período de um ano, com possibilidade de prorrogação. O presidente encerrou a mensagem com a expressão "Louvado seja Alá".

A publicação foi feita dias depois de apoiadores do governo iraniano entoarem palavras de ordem pedindo a morte de Trump durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei. Na quinta-feira (9), o jornal The Wall Street Journal informou que Israel compartilhou com os Estados Unidos novas informações de inteligência que, segundo autoridades israelenses, indicariam um novo plano iraniano para matar Trump. O Irã promete há anos retaliar Trump pela morte do general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária iraniana, morto em um ataque americano ordenado pelo então presidente em janeiro de 2020. Autoridades americanas já anunciaram, em diferentes ocasiões, acusações relacionadas a supostos planos iranianos para assassinar Trump. O Irã nega envolvimento em conspirações do tipo.

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Dino suspende emendas e bloqueia R$ 119.000.000,00 de Valdemar Costa Neto.

 
Paulo Toledo Piza

Segundo o ministro, há “indícios convergentes” de que os investigados participaram de um esquema que desviou cerca de R$ 119.000.000,00. Ministro afirma que as investigações apontam a atuação coordenada de servidores da Câmara dos Deputados e de Valdemar Costa Neto no direcionamento das verbas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a suspensão de emendas parlamentares suspeitas de terem sido indicadas irregularmente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Na decisão, o ministro manda bloquear R$ 119.000.000,00 das contas do ex-deputado federal. Segundo Dino, há “indícios convergentes” de que os investigados participaram de um esquema para direcionar irregularmente recursos de emendas parlamentares, com possível desvio de aproximadamente R$ 119.000.000,00. O ministro afirma que as investigações apontam a atuação coordenada de servidores da Câmara dos Deputados e de Valdemar Costa Neto no direcionamento das verbas. Em nota, a defesa de Costa Neto criticou a medida cautelar que torna indisponíveis valores do presidente do PL. Os advogados negaram qualquer irregularidade e avaliam que a decisão foi “prematura” em período eleitoral.

A investigação teve origem na operação Transparência, da Polícia Federal, deflagrada em dezembro de 2025 para apurar possíveis irregularidades na distribuição de emendas parlamentares. De acordo com a decisão, mensagens, planilhas e outros documentos apreendidos indicam que Costa Neto teria influenciado a destinação de recursos públicos por meio de servidores da Câmara, mesmo sem exercer mandato. Entre as medidas cautelares, Dino determinou a indisponibilidade patrimonial dos investigados por meio dos sistemas de bloqueio de ativos e bens, além da suspensão imediata da execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas apontadas pela Polícia Federal, independentemente de estarem na fase de empenho, liquidação ou pagamento. A Câmara dos Deputados, a Advocacia Geral da União e a Controladoria Geral da União deverão adotar providências para cumprir a decisão e informar as medidas tomadas ao STF em até 10 dias.

O ministro também determinou que a AGU comunique formalmente todos os municípios beneficiários da suspensão das emendas e apresente ao Supremo os comprovantes dessas notificações. Além disso, a Câmara deverá encaminhar toda a documentação relativa à tramitação interna das emendas mencionadas na investigação. Dino afirma que o caso envolve possível violação dos princípios constitucionais de transparência e rastreabilidade na execução do Orçamento. Segundo o ministro, embora a ausência desses requisitos não configure automaticamente crime, os elementos reunidos pela investigação indicam possível prática de peculato-desvio e justificam a adoção de medidas cautelares para preservar recursos públicos e evitar novos prejuízos ao erário durante o andamento das investigações.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Treta na direita: bolsonaristas detonam pré-campanha de Flávio Bolsonaro.


Fabio Wajngarten, Paulo Figueiredo e Kim Paim criticam 
estratégia, comunicação e organização da pré-campanha.

Paulo Emílio

247 – A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a enfrentar críticas públicas de figuras influentes do próprio bolsonarismo, evidenciando um cenário de desgaste e divergências internas na direita. Os ataques ganharam intensidade após a participação do parlamentar, na terça-feira (7), em uma audiência nos Estados Unidos na qual defendeu que o país não imponha novas tarifas sobre produtos brasileiros antes das eleições. Segundo a Folha de São Paulo, aliados históricos de Jair Bolsonaro (PL) passaram a questionar a estratégia política, a comunicação e a organização da campanha de Flávio. As críticas partiram do ex-secretário especial de Comunicação Fabio Wajngarten e dos influenciadores Paulo Figueiredo e Kim Paim, todos ligados ao universo bolsonarista.

Nos bastidores, integrantes da campanha evitaram responder publicamente às manifestações. De acordo com a reportagem, dois integrantes da equipe afirmaram, sob reserva, que os ataques decorrem do descontentamento de pessoas que ficaram fora da coordenação da campanha e minimizaram qualquer participação direta do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) nesse movimento.

Wajngarten diz que campanha “não existe”.
Fabio Wajngarten foi um dos mais duros críticos da estrutura montada por Flávio Bolsonaro. Em publicação na rede X, ele afirmou que “a campanha de Flávio não existe. Não tem agenda. Não tem comunicação. Não tem organização. Não tem planejamento.”

Além das críticas, o ex-secretário sugeriu mudanças na equipe. Entre elas, defendeu que Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, assuma a coordenação-geral da campanha. Ele também propôs o retorno de Toninho Neto e Walter Longo e sugeriu a participação do marqueteiro Duda Lima, embora pessoas próximas afirmem que ele não demonstra interesse em integrar o projeto. Wajngarten ainda defendeu maior aproximação com setores considerados estratégicos do eleitorado bolsonarista.“Empodere nominalmente grandes lideranças católicas, evangélicas, do agro, da segurança pública, da área médica, da área da educação, do desenvolvimento do varejo, para reuniões semanais com updates diários. Chega de erros, chega de ruídos, chega de quem não conhece nem gosta do bolsonarismo”, destacou.

Paulo Figueiredo critica estratégia e cobra reação.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Paulo Figueiredo classificou a comunicação da campanha como um “desastre” e afirmou que a estratégia estaria excessivamente preocupada com a repercussão na imprensa.“Não adianta Flávio Bolsonaro jogar com as características de um candidato que tem 3% nas urnas. Flávio tem que jogar com as características do bolsonarismo”, declarou. Na sequência, fez referência ao estilo político do ex-presidente Jair Bolsonaro:“Imagina se [Jair] Bolsonaro teria tido qualquer pudor em falar sobre o viés óbvio do voto feminino e do que isso representa. Que saudade daquele que falava que não queria ter filho ‘viado’, que saudade desse bolsonarismo.”

O influenciador também criticou a demora da campanha em divulgar uma nota oficial após a audiência realizada nos Estados Unidos.“Depois a gente perde e não sabe por que a militância é desengajada, por que toma de 7 a 1 na imprensa todos os dias”, afirmou.

Kim Paim questiona coordenação da campanha.
Outro crítico foi o youtuber Kim Paim, que direcionou ataques à coordenação da pré-campanha. Segundo ele, o senador Rogério Marinho (PL), apontado como coordenador-geral, estaria conduzindo o projeto de forma equivocada. “Está alucinado pelo poder”, disse. Paim também afirmou que a campanha não produz material suficiente para mobilizar apoiadores. “O que as pessoas possuem para divulgar o Flávio? Nada. Não tem material sendo gerado”, disparou. Além disso, o influenciador repercutiu reportagem do Metrópoles sobre a participação de Vicente Santini, um dos coordenadores da campanha, em um evento realizado nos Estados Unidos que reuniu o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, e o empresário Joesley Batista, da J&F. 
“É normal um cara desses cuidar da agenda do Flávio? E vocês não acham ainda mais estranho quando olha e vê que o Flávio não tem agenda? Está sendo claramente sabotado”, disse Paim ao ser questionado sobre o assunto.

Rogério Marinho e Vicente Santini foram procurados para comentar as críticas, mas não responderam até a publicação da reportagem. A equipe de Flávio Bolsonaro também optou por não rebater publicamente os ataques.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Faria Lima vê atuação de Flávio Bolsonaro em novo tarifaço dos EUA como inócua e 'decepcionante'.

 
Senador participou de audiência pública do governo americano para tentar impedir a imposição de novas tarifas de 25% contra produtos importados do Brasil.

Por João Sorima Neto — São Paulo 

No setor privado e no mercado financeiro, a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na audiência pública do governo americano, para tentar impedir a imposição de novas tarifas de 25% dos Estados Unidos contra produtos importados do Brasil, foi considerada inócua. Alguns classificaram a participação como 'decepcionante'. Empresários e gestores consultados pelo GLOBO avaliaram que a presença de um senador brasileiro poderia ajudar se ele tivesse levado argumentos econômicos que contrapusessem o tarifaço. Mas isso não foi o que aconteceu: Flávio deslizou para um tom mais político, o que causou desapontamento entre empresas e associações que representam setores afetados.

Na condição de anonimato, empresários que estiveram na audiência de Flávio ou acompanharam do Brasil seu discurso avaliaram a participação como 'ruim'. Enquanto esperavam mais argumentos técnicos do senador, em um discurso de cerca de cinco minutos, ele citou temas como corrupção no Brasil, além do uso do Pix e do cartão de crédito. O Pix brasileiro foi um dos alvos do governo americano, sob argumento que prejudicavam bandeiras de cartão de crédito americana."O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal", disse Flávio.

https://oglobo.globo.com