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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Renan Santos expõe Flávio Bolsonaro e diz que tem provas da verdade: ‘Alguém com acesso ao e-mail oficial dele clicou para fazer a filiação’.


Missão afirma ter logs e IPs que comprovam acesso do próprio e-mail do senador no processo de filiação e propõe acareação pública ao vivo.


O candidato à Presidência da República do partido Missão, Renan Santos, afirmou ter provas definitivas de que a suposta filiação fraudulenta do senador Flávio Bolsonaro (PL) à sua legenda partiu do próprio e-mail oficial do parlamentar. Em vídeo publicado nas redes sociais durante viagem ao Rio de Janeiro, Santos rebateu as acusações de que a sigla teria agido de má-fé e propôs um desafio direto ao filho do ex-presidente: uma acareação pública ao vivo transmitida por qualquer veículo de imprensa. A controvérsia começou quando a equipe do senador encontrou barreiras ao tentar registrar sua candidatura, constatando que o nome de Flávio constava como filiado ao Partido Missão. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral ) descartou qualquer hipótese de invasão hacker nos sistemas da Justiça Eleitoral, esclarecendo que o registro ocorreu por vias administrativas da própria legenda. Segundo Renan, a alegação do senador de ter sido vítima de um ataque busca apenas politizar o caso e criar palanque eleitoral.

Renan Santos aponta logs e e-mail oficial do senador como prova.
De acordo com Renan Santos, o sistema interno do Missão registrou todo o passo a passo da operação, demonstrando que a solicitação não partiu de terceiros estranhos, mas de acessos vinculados à equipe do próprio parlamentar.“Temos como comprovar que a filiação aconteceu através do e-mail oficial dele. Alguém com acesso ao e-mail clicou para fazer a filiação e inclusive baixou o nosso aplicativo. A chance desse cara estar inventando essa história é gigantesca”, declarou o dirigente partidário. Ele agora veio com a desculpa de que é vítima do sistema e que precisa de todo mundo nas ruas no ato de campanha dele. Ou seja, a chance de ser uma malandragem para divulgar o ato dele e se fazer de vítima é enorme

Para expor o que chama de “narrativa vitimista”, o líder do Missão colocou à disposição o histórico técnico do cadastro e desafiou o senador a confrontar os dados técnicos.“Faço um desafio para ele e convido todos os veículos de imprensa. Faço uma acareação pública agora em qualquer televisão, eu e o Flávio, mostrando tintim por tintim, IP por IP, log por log no sistema, para ver quem está sendo moleque aqui”, disparou Santos.


TSE restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL.
O ministro Nunes Marques, presidente do TSE, determinou o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e a exclusão de seu registro automático no Partido Missão. A decisão também liberou o sistema para o registro de sua candidatura e acionou a Polícia Federal para investigar as circunstâncias da alteração indevida.

Alerta foi enviado no início de agosto, mas gabinete não respondeu.
Além das provas de acesso, a legenda reforça que tentou solucionar o impasse administrativamente antes que o caso ganhasse proporções públicas. O Partido Missão afirma ter notificado o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda no dia 2 de agosto, informando sobre a tentativa de movimentação cadastral. Prints de rastreamento do serviço de e-mail divulgados pela sigla indicam que as mensagens de alerta foram entregues e abertas na mesma data, mas o gabinete do senador optou por não responder aos avisos. Sem o retorno da equipe do parlamentar, a legenda acionou formalmente a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para que o caso seja apurado em profundidade.

TSE descarta ataque hacker e Missão nega interesse em filiação.
O impasse se tornou público quando a defesa de Flávio Bolsonaro sugeriu ter sido alvo de criminosos virtuais. No entanto, em nota oficial, o tribunal foi categórico ao afastar a hipótese de invasão externa:"O TSE informa que não houve hackeamento do sistema e, sim, o cadastro da filiação por parte de um representante do Missão”, comunicou o órgão eleitoral. O Partido Missão, por sua vez, ressaltou que não tem qualquer interesse em manter o parlamentar em seus quadros e reforçou que repudia movimentações desse tipo. A silga diz que avisou ao gabinete do senador sobre a tentativa de filiação fraudulenta.“Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção. Reafirmamos que não compactuamos com filiações de natureza fraudulenta”, destacou a sigla em posicionamento oficial.

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Governo Lula dá início a processo de reciprocidade contra os Estados Unidos.

 
Wendal Carmo

O governo Lula (PT) informou ter dado início, na quinta-feira 13, ao processo para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros. Trata-se de uma etapa formal prevista na legislação e não significa, por ora, que o Brasil tenha decidido aplicar tarifas ou outras contramedidas contra os norte-americanos. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que o governo iniciou a análise do pedido de enquadramento das medidas adotadas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Segundo o comunicado, as consultas têm como objetivo buscar uma solução negociada antes da eventual adoção de medidas de retaliação. “As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, diz a nota.

O governo afirma ainda que atuou durante a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para contestar as acusações de práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil. “As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirmou. A Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada por Lula em 2025, permite ao governo brasileiro adotar medidas proporcionais contra países que imponham restrições ou tarifas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do Brasil. Entre as possibilidades estão restrições à importação de bens e serviços e a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relacionadas à propriedade intelectual. O rito, porém, prevê consultas a setores interessados e análises sobre os impactos econômicos das eventuais contramedidas. O processo  pode levar meses, e medidas provisórias podem ser adotadas enquanto a análise definitiva estiver em curso. Uma resposta mais enérgica encontra resistência em setores empresariais. 

A decisão de abrir o processo ocorreu após uma reunião de Lula com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim. A iniciativa ocorre em paralelo à disputa do Brasil com Washington na Organização Mundial do Comércio em razão do tarifaço. Nesta semana, os Estados Unidos aceitaram o pedido brasileiro para a realização de consultas sobre as tarifas. Brasília questiona na organização duas medidas adotadas por Trump: uma tarifa de 25% relacionada a uma investigação da Seção 301 e outra de 12,5% vinculada a acusações de falhas na fiscalização de produtos associados a trabalho forçado.“Seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos. Manteremos medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, conclui a nota do Palácio do Planalto. 

De acordo com interlocutores do governo, a abertura do processo é, neste momento, mais um movimento de pressão do que um passo para uma retaliação imediata. A estratégia é ganhar margem de negociação com os EUA enquanto o Planalto tenta reduzir a resistência de setores empresariais à aplicação da reciprocidade.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Os dois cartões amarelos de Bolsonaro ao comandante da Aeronáutica na iminência do golpe.

 Montagem criada por IA.
Bela Megale
 
Em uma das tensas reuniões que teve com a cúpula das Forças Armadas quando estava recluso no Palácio do Alvorada, após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro se dirigiu ao então comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, e lançou o recado: “Já te dei dois cartões amarelos”. Para Baptista Junior, a declaração do então presidente foi uma tentativa clara de pressão diante dos posicionamentos que ele havia adotado, defendendo a postura legalista das Forças Armadas diante da derrota de Jair Bolsonaro. Em entrevistas concedidas ao GLOBO e à Folha de S.Paulo no fim de 2022, Baptista Junior havia enfatizado que as Forças cumpririam a lei e prestariam continência ao presidente eleito, independentemente de quem fosse.

Essas afirmações, que contrariavam as expectativas de Bolsonaro, teriam motivado os "cartões amarelos" ao então comandante. Esse e outros episódios de um dos momentos mais tensos da história brasileira são narrados pelo ex-comandante no livro "Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista" (Autêntica Editora). O relato do militar revela, de forma inédita, as tensões, pressões e desafios enfrentados para assegurar a transição democrática e a tentativa de golpe capitaneada por Jair Bolsonaro. Baptista Junior conta que as reuniões entre ele, o general Freire Gomes, comandante do Exército, o almirante Almir Garnier, comandante da Marinha, e o general Paulo Sergio, ministro da Defesa, se tornaram uma constante após a derrota do ex-presidente. Eles eram chamados de “grupo dos quatro”.

O autor detalha como as reuniões foram marcadas por confrontos e por divergências profundas sobre as medidas a serem adotadas diante da contestação eleitoral encampada pelo ex-presidente. Em meio a esse ambiente, Baptista Junior conta que chegou a dizer a Bolsonaro que ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023.

O livro do ex-comandante estará disponível a partir de 15 de setembro. 

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% no ano, menor nível em 3 anos para o período.


Vendas de produtos sujeitos às maiores sobretaxas 
caíram 31,5% entre janeiro e julho.

Por Ismael Jales, g1 — São Paulo 

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, queda de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas e levou os embarques para o mercado americano ao menor nível para o período em três anos. Os dados são do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em informações do Comexstat. A queda foi ainda maior entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens recuaram 31,5% no acumulado do ano, de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões. A retração nesse grupo de produtos mais taxados foi puxada principalmente pela madeira de coníferas, cujas vendas para os EUA desabaram 59,4% de janeiro a julho na comparação com o mesmo período do ano passado.

O tombo no faturamento do setor atingiu em cheio outros itens da pauta, com quedas expressivas no sebo bovino, ovino ou caprino (-42,5%), nos granitos trabalhados (-42,1%), no fumo não manufaturado (-37,7%) e na exportação de portas e caixilhos (-35,3%) — um retrato de como o tarifaço americano vem encolhendo os ganhos da indústria e do setor extrativo brasileiro no ano.“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Exportações caem em julho.
Somente em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas para o mercado americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas. Assim como na comparação Janeiro a Julho, entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a queda foi ainda mais forte em julho, de 25,7%. Na direção contrária, os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de aço e alumínio. Entre os produtos que registraram as maiores quedas no acumulado do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Semimanufaturados de ferro e aço também tiveram retração.

Relembre como funcionam as sobretaxas impostas pelos EUA:
Sobretaxas de 25% a 37,5% (Seção 301 - Tarifas mais altas):Atingem produtos como sebo bovino, fumo, madeira de coníferas e portas. Essa alíquota é a mais pesada porque combina duas punições comerciais cumulativas aplicadas pelos EUA sobre o mercado brasileiro. Foi essa categoria que liderou as maiores quedas em valor no ano (-31,5%). Sobretaxas de 12,5% (Seção 301 - Tarifa base): É a taxa de retaliação comercial padrão aplicada a itens como minério de ferro aglomerado, pedras de cantaria e outros silícios."Seção 232" (Segurança Nacional): Agrupa bens industriais e estratégicos — como aço, alumínio, transformadores e maquinário pesado (tratores e pás carregadoras). Em vez de uma porcentagem fixa única, esses produtos seguem uma lei americana voltada à "segurança nacional", com regras setoriais específicas que variam de acordo com o tipo e a composição do bem. 

Vendas aos EUA caem enquanto exportações ao mundo crescem.
O desempenho das exportações para os Estados Unidos ficou abaixo do registrado pelo Brasil nos demais mercados. Enquanto as vendas para os EUA recuaram 12,2% entre janeiro e julho, as exportações totais brasileiras cresceram 10,5% no mesmo período. Mesmo com a queda, os Estados Unidos continuam como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, quatro tiveram queda nas exportações para o mercado americano ao mesmo tempo em que registraram crescimento nas vendas para o restante do mundo. É o caso do petróleo bruto, cujas exportações para os EUA caíram 25,5%, dos semimanufaturados de ferro ou aço, com queda de 11,1%, do ferro-gusa, que recuou 7,9%, e da celulose, com baixa de 5,3%.

Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos tiveram queda nas vendas no acumulado do ano. No restante do mundo, todos esses produtos registraram crescimento.

Brasil tem déficit com os Estados Unidos.
As importações brasileiras de produtos americanos somaram US$ 23,2 bilhões entre janeiro e julho, queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. Com as exportações em queda, o Brasil acumulou déficit de US$ 2,3 bilhões no comércio com os Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano. O valor representa uma alta de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente em julho, as compras brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões, após sete meses consecutivos de retração.
Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos no mês. 

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Evangélicos brasileiros se reúnem com parlamentares dos EUA para alertar sobre interferência nas eleições.


Bela Megale
 
Representantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito estiveram em Washington (EUA), na semana passada, para entregar uma carta a congressistas americanos sobre as eleições brasileiras de outubro. O documento foi levado pelo grupo aos gabinetes dos senadores Raphael Warnock e Adam Schiff, e da deputada Hillary Scholten, três lideranças religiosas ativas. Warnock é pastor titular da Ebenezer Baptist Church, em Atlanta, a mesma congregação de Martin Luther King Jr. Schiff, que é judeu, presidiu o Comitê de Inteligência da Câmara, com atuação histórica em política externa e defesa das instituições democráticas. Scholten atuou como auxiliar na LaGrave Avenue Christian Reformed Church, igreja localizada em Grand Rapids, conhecida por sua atuação comunitária e pela ênfase em valores bíblicos.

Na carta, o grupo progressista criado em 2016 destaca a preocupação com a tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais do Brasil e aponta reportagens que destacam o plano da gestão Donald Trump de enviar funcionários a Brasília para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

A Frente também criticou as recentes medidas tarifárias dos EUA que afetam exportações brasileiras, ressaltando que elas deveriam se basear em critérios econômicos e técnicos, evitando influências políticas internas. Por fim, os signatários da carta destacam que, embora alguns líderes evangélicos brasileiros apoiem publicamente o senador Flávio Bolsonaro, eles não representam a totalidade da comunidade evangélica brasileira, que é diversa em opiniões políticas.

A carta ainda reforça a importância do Brasil como maior democracia da América do Sul e sua influência regional, destacando a necessidade de proteger suas instituições contra pressões externas que possam fragilizar o processo democrático. A Frente solicita um canal de diálogo permanente com os parlamentares americanos, cooperação para fortalecer a independência das instituições brasileiras e a abstenção de intervenções externas nas eleições. 

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Após Brasil acionar OMC, China pede para participar de consultas sobre tarifaço dos EUA.


Pequim alega 'interesse comercial substancial' porque uma das medidas questionadas pelo Brasil também afeta produtos chineses. Participação nas consultas não significa que a China tenha aberto uma disputa própria contra os EUA.

Por Redação g1 — São Paulo 

A China pediu na segunda-feira (10) para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação movida pelo Brasil contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos aos parceiros comerciais. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização. O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca:
Uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos EUA junto à própria entidade internacional. Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano.

Também nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à OMC e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço."Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. 

O que significa a participação chinesa?
A participação chinesa não significa, neste momento, que Pequim tenha aberto uma disputa própria contra os Estados Unidos. O pedido permite que a China acompanhe e participe das consultas por entender que as medidas discutidas no caso brasileiro também afetam seus interesses comerciais. As consultas são a primeira etapa formal do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O procedimento permite que os países envolvidos tentem chegar a um acordo antes da eventual abertura de um painel para analisar o caso.

Para o Brasil, o acionamento da OMC também tem caráter político e institucional. Diplomatas avaliam que levar o caso à organização registra a posição brasileira contra as medidas de Washington e reforça a preferência do país pela solução multilateral de disputas comerciais. A entrada da China nas consultas acrescenta um novo elemento à disputa, ao indicar que parte das medidas americanas questionadas pelo Brasil também tem impacto direto sobre o comércio entre EUA e China.

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domingo, 9 de agosto de 2026

Brasil tem maior número de chapas puro-sangue desde a redemocratização.


Filipe Pereira, Manoela Carlucci

As eleições de 2026 contarão com o maior número de chapas puro-sangue desde o pleito de 1989, o primeiro realizado após a redemocratização do país. O cenário se consolidou após diversos partidos e coligações escolherem a neutralidade no âmbito nacional. Enquanto a corrida eleitoral de 1989 tinha 22 nomes, neste ano concorrem à Presidência da República 13 candidatos. No entanto, proporcionalmente, o pleito deste ano conta com mais chapas de apenas um partido, na marca dos 92,3% contra 86,4% de 1989. O levantamento mostra que a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a única que possui uma coligação no âmbito nacional pela Federação Brasil da Esperança, criada em 2022.

Atualmente o grupo é formado por:
PT (Partido dos Trabalhadores), 
PCdoB (Partido Comunista do Brasil), 
PV (Partido Verde), 
PSOL (Partido Socialismo e Liberdade),
Rede Sustentabilidade, 
PSB (Partido Socialista Brasileiro) 
e PDT (Partido Democrático Trabalhista).

Alguns dos concorrentes do petista, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), cogitaram apoios e nomes para possíveis vices em outros partidos, mas não fecharam a chapa. Em comparação ao último pleito nacional, em 2022, três candidatos contavam com coligações: Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil da Esperança - PT, PCdoB, PSOL, Rede, PSB, Solidariedade, Avante, PROS e Agir), Jair Bolsonaro (Muda Brasil - PL, PP e Republicanos) e Simone Tebet (Brasil para Todos - MDB, Podemos, PSDB e Cidadania).

Para Murilo Medeiros, cientista político da UnB (Universidade de Brasília), a escolha das legendas em abrir mão de um apoio nacional e deixar que seus diretórios nos estados escolham os nomes que irão formar palanque demonstra um novo modelo do presidencialismo brasileiro. Na análise, esse contexto caminha para uma "paroquização" da política brasileira, com os redutos eleitorais ganhando cada vez mais força e a sinalização de que uma ausência de apoio nacional não reflete na chapa no estado."É uma conjuntura que fortalece muito os caciques e as lideranças regionais, favorecendo a pulverização das alianças locais. Em vez de uma grande coalizão organizada de cima para baixo pela candidatura presidencial, teremos vários acordos construídos de baixo para cima, a partir dos estados", aponta.

Desta forma, não definir um nome como padrão para todas as regiões permite que os candidatos a governadores e outros cargos que possuem mais contato direto com aquela comunidade escolham aquele presidenciável com o qual mais se identificam."A diferença é que o partido deixa de impor uma única escolha presidencial para todo o país. Isso permite que uma legenda apoie determinado candidato presidencial em um estado e outro candidato em uma região diferente, de acordo com a conveniência eleitoral de cada diretório", completa Medeiros. Apesar dessa mudança, outros motivos podem incentivar a formação de coligações. No caso da Federação Brasil da Esperança, a única do ano, o especialista vê uma espécie de "herança" vinda do último pleito, somada a uma questão de "sobrevivência eleitoral". Para ele, com a redução de votos e, consequentemente, menos nomes no Congresso e Senado, o apoio funciona como um meio de manutenção da força do nome de um partido ao usar o capital político de Lula.

"Legendas tradicionais de esquerda, como PSB e PDT, passam por processos de redução de suas bancadas e de perda de protagonismo nacional. A aliança com Lula funciona como uma estratégia de preservação de espaço político."
 
https://www.cnnbrasil.com.br 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Senado dos Estados Unidos aprova Daniel Perez como embaixador dos EUA no Brasil.

 
Novo embaixador esteve no centro da crise entre EUA e Brasil após a perda de visto da embaixadora brasileira nos EUA e a negação de visto a dois diplomatas americanos que pretendiam vir ao País.

Por Redação g1 

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (7), a indicação de Daniel Perez para novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Ele recebeu 51 votos a favor e 47 contrários. Agora, o nome de Perez segue para aprovação do Itamaraty, que poderá conceder -- ou não -- o agrément, a autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funçõe
s, a autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funçes. O republicano foi escolhido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em junho para ocupar o posto, que está vago desde o retorno do presidente à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Desde o anúncio da indicação, o governo brasileiro e o governo americano divergiram sobre o processo de nomeação. O Itamaraty se incomodou com o fato de a Casa Branca ter tornado público o nome de Perez antes da conclusão das consultas diplomáticas reservadas que normalmente antecedem a apresentação formal de um candidato a embaixador ao país anfitrião. A tensão aumentou porque os Estados Unidos passaram a cobrar do Brasil a concessão do agrément. Washington alegou que o governo brasileiro estava demorando para dar uma resposta sobre o nome de Perez, enquanto Brasília sustentou que o pedido seguia em análise dentro dos procedimentos diplomáticos habituais.

O impasse levou a uma escalada na relação bilateral. Na terça-feira (4), o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmando que a medida era uma resposta à demora na autorização para a nomeação de Perez. O governo americano também indicou que a decisão poderia ser revista caso o Brasil concedesse o agrément.

A medida foi anunciada 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado. Eles foram apontados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, o que os EUA negam. O governo brasileiro já esperava retaliações. O Planalto e o Itamaraty reagiram à medida e classificaram a iniciativa como parte de uma escalada de ações hostis dos Estados Unidos. Integrantes da diplomacia brasileira rejeitaram a justificativa apresentada por Washington e criticaram o uso da questão envolvendo Perez como instrumento de pressão sobre o governo brasileiro. Com a aprovação pelo Senado americano, Daniel Perez supera a última etapa do processo interno nos Estados Unidos. Ainda assim, para assumir oficialmente a embaixada em Brasília, ele continuará dependendo da autorização formal do governo brasileiro.

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Daniela Lima supera a GloboNews no Ibope com frequência 1 ano após ser demitida do canal.


Mudança nas manhãs da emissora reforça a impressão 
de que a saída da jornalista gerou impacto negativo.

Por: Jeff Benício
blogsaladetv

Entre os veículos de notícias da TV paga, o Canal UOL tem aparecido, às vezes, melhor posicionado na aferição de audiência minuto a minuto do que a GloboNews. Acontece principalmente quando exibe notícias esportivas e nas participações de Daniela Lima fazendo análises sobre os bastidores da política. A jornalista foi demitida da GloboNews em agosto de 2025. Na época, dividia a apresentação do ‘Conexão’ com Leilane Neubarth e Camila Bomfim.O programa com 3 horas e meia de duração ao vivo havia crescido no Ibope desde a contratação dela, dois anos antes. Após seu desligamento inesperado houve maior oscilação de público no horário e o fortalecimento de concorrentes como CNN Brasil e Jovem Pan News.

Na tentativa de se recuperar, a GloboNews acaba de estrear uma reformulação: o ‘Conexão’ deu lugar ao ‘Radar’, só com Camila Bomfim. Leilane deixou a TV no início de julho. Os canais pagos dedicados 100% ao jornalismo oscilam geralmente de 0,00 a 0,50 no Ibope na medição de audiência em tempo real. Atraem uma parcela muito pequena de telespectadores, mas acumulam prestígio por falar a um público qualificado que interessa aos grandes anunciantes e às autoridades dos poderes da República. Nessa guerra pela atenção de cada assinante, Daniela Lima se destaca por dar notícias em primeira mão e fazer críticas destemidas contra ações questionáveis de políticos e partidos.

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STF determina que senadora preste mais informações sobre denúncia de estupro de vulnerável envolvendo vice de Flávio Bolsonaro.

 
Caso foi apresentado na CPI do INSS por adversários do deputado Alfredo Gaspar, que nega a acusação e diz que está à disposição para um exame de DNA.

Por Sarah Teófilo — Brasília 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinou que a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) preste mais informações à Corte sobre a suspeita apresentada por ela à Polícia Federal de um suposto caso de estupro de vulnerável envolvendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Gaspar não se manifestou sobre o caso nesta semana, mas em ocasiões anteriores negou ter cometido crime e disse estar à disposição para um exame de DNA. Soraya terá 15 dias para fornecer elementos que ajudem a identificar autores de mensagens que constam dos autos e dados sobre ligações telefônicas. O caso em análise na Corte veio à tona em março, durante a CPI do INSS, da qual Gaspar foi relator. Adversários do parlamentar na comissão, Soraya e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionaram a PF pedindo a apuração informando que tiveram acesso a “fatos graves”.

Em nota, a campanha de Flávio Bolsonaro defendeu Gaspar e cobrou investigação célere para comprovar que houve falsas denúncias. A equipe afirmou que Soraya e Lindbergh fizeram uma acusação “sem apresentar qualquer prova, indício mínimo e nem sequer existência de vítima” e atribuiu a iniciativa a uma tentativa de desviar o foco do relatório da CPI do INSS. "Soraya e Lindbergh têm agora a obrigação de divulgarem a autoria dessa acusação caluniosa", diz a manifestação.

A Polícia Federal, por sua vez, ingressou no Supremo em abril requisitando a abertura formal de uma investigação. A Corte determinou a manifestação da PGR, que solicitou diligências adicionais antes de oficializar se vai pedir ou não a abertura do inquérito. Na representação apresentada à PF, os parlamentares afirmaram que receberam documentos relatando o estupro de uma menina que, na ocasião, tinha 13 anos, engravidou e teve um filho. O caso teria ocorrido há oito anos. Os denunciantes não apresentaram provas alegando que era necessário preservar a criança e a mãe. Gilmar determinou agora que Soraya apresente dados sobre a criança, como nome, data e local de nascimento, dentre outras informações.

Depois das acusações, Gaspar entrou com processos no Supremo contra Lindbergh e Soraya. O deputado do PL afirmou na ocasião que disponibilizou seu material genético para fazer um exame de DNA quando necessário. Ele também divulgou um vídeo em que uma mulher nega ser filha dele e diz que o pai é um primo do deputado.“As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade”, disse Gaspar em nota na ocasião.

O que diz a campanha de Flávio.
O deputado Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke lançaram uma acusação mentirosa e de extrema gravidade contra o deputado Alfredo Gaspar sem apresentar qualquer prova, indício mínimo e nem sequer existência de vítima.

A acusação foi jogada ao ar com o intuito único de tumultuar o momento em que o relatório da Comissão da CPMI do INSS apontava o indiciamento e o pedido de prisão de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e de outros integrantes do governo Lula, em uma tentativa deliberada de tirar o foco das graves conclusões de descontos criminosos de aposentados.

Alfredo Gaspar é inocente e acionou a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke pelos crimes de calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

Soraya e Lindberg tem agora a obrigação de divulgarem a autoria dessa acusação caluniosa. E a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal arquivarem todos os pedidos de forma urgente, que só serve para oposicionistas atacarem a reputação do deputado que já provou não ter nenhuma relação com a denúncia leviana.

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