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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Lula ganhou o debate da Band mesmo sem ir.


Há debates que um candidato vence falando. E há 
debates em que ele vence justamente porque não está lá.

Por: Renato Rovai 

Há debates que um candidato vence falando. E há debates em que ele vence justamente porque não está lá. Foi o que aconteceu com Lula no debate da Band. A ausência do presidente transformou sua própria ausência no principal assunto da noite. Mas houve um detalhe ainda mais revelador: Renan e Caiado, em vez de concentrar seus ataques em Lula, bateram mais em Flávio Bolsonaro. Isso diz muito sobre o momento da disputa.

Flávio, que deveria ser um dos principais polos de oposição ao governo, acabou sendo colocado na defensiva por candidatos que, em tese, também disputam o eleitorado contrário ao campo progressista. A ausência de Lula foi uma vitória. A de Flávio, uma derrota. A disputa pelo espaço da direita apareceu com mais força do que o confronto direto com Lula. E isso é uma ótima notícia para o presidente. Porque, quando os adversários começam a se atacar entre si, o candidato que está fora do debate ganha uma vantagem silenciosa: não precisa gastar energia se defendendo. O curioso é que Lula acabou funcionando como uma espécie de elefante na sala. Estava ausente fisicamente, mas presente em praticamente toda a lógica do debate. Para atacá-lo, era preciso falar dele. Para se diferenciar dele, era preciso falar dele. Mas, na hora do confronto efetivo, Renan e Caiado preferiram mirar Flávio.

É um fenômeno político importante.
Lula hoje não é apenas mais um nome na disputa. É a referência em torno da qual os demais candidatos precisam se posicionar. E, quando os adversários começam a disputar entre si quem ocupa o espaço de oposição, Lula assiste de fora e preserva sua posição. Há ainda um segundo aspecto. Lula não precisa entrar em toda arena para demonstrar força. A eleição de 2026 será decidida muito mais pela avaliação que os brasileiros fizerem do país, da economia, do emprego, das políticas sociais e do futuro do Brasil do que pela performance de uma noite de televisão. No fim, os candidatos tiveram o palco. Lula continuou tendo a centralidade.

E talvez essa seja a principal leitura do debate da Band: Lula não foi ao debate. Renan e Caiado passaram boa parte dele batendo em Flávio. E, enquanto a oposição brigava entre si, Lula seguia sendo o principal personagem da eleição. Paradoxalmente, pode ter sido justamente por não estar lá que Lula saiu como um dos grandes vencedores da noite. Quanto a Augusto Cury, ele continua sendo um não candidato.

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Perito de Dark Horse desmente Flávio Bolsonaro: dinheiro do filme ainda não foi explicado.


Anísio Castelo Branco admite que perícia citada por Flávio Bolsonaro não analisou preços de mercado nem rastreou o dinheiro após pagamentos a fornecedores; PF pediu novos dados sobre o filme.

Por: Diego Feijó de Abreu 

Flávio Bolsonaro declarou na quinta-feira (20) que o dinheiro de Dark Horse já estava explicado e que, de sua parte, o assunto era “página virada”. O perito de Dark Horse responsável pelo laudo usado pelo senador para sustentar essa versão, porém, admitiu horas depois que a perícia deixa abertas questões centrais sobre os gastos do filme de Jair Bolsonaro. Anísio Costa Castelo Branco afirmou que o trabalho não analisou se os valores pagos pela produção eram compatíveis com os preços do mercado cinematográfico e também não rastreou o que aconteceu com o dinheiro depois que os recursos chegaram a empresas contratadas.

As revelações foram feitas em entrevista ao jornalista Paulo Motoryn, autor da apuração original. Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, revelou ainda que a Polícia Federal pediu informações mais detalhadas sobre transferências, despesas operacionais e custos de Dark Horse. A admissão vem um dia depois de Flávio Bolsonaro afirmar que o caso Dark Horse estava encerrado. Como mostrou a Fórum, o senador disse que a prestação de contas havia sido feita e tentou afastar novas cobranças sobre os milhões de dólares negociados com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar a cinebiografia de seu pai.
 
“Da nossa parte, está tudo página virada.”
A prestação de contas citada por Flávio é uma perícia privada produzida a pedido da defesa de Karina Ferreira da Gama, responsável pela GoUp Entertainment, produtora de Dark Horse. O documento foi anexado a um inquérito da Polícia Civil de São Paulo e passou a ser apresentado pelo senador como resposta às dúvidas sobre o caminho do dinheiro.

Perito de Dark Horse admite que não sabe o destino final do dinheiro.
Uma das principais limitações do laudo aparece justamente depois que o dinheiro chega aos fornecedores. Castelo Branco afirmou que consegue identificar pagamentos feitos pela produção, mas não o que aconteceu com os recursos a partir daí. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o dinheiro ter sido posteriormente repassado a terceiros, respondeu: “Não consigo controlar o que acontece da terceira camada para trás.”

Segundo o próprio perito, para avançar nessa etapa seria necessário investigar as empresas que receberam os valores e seus respectivos prestadores de serviço. É uma lacuna relevante porque uma das perguntas que acompanha o caso desde a revelação das negociações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro é se todo o dinheiro obtido para Dark Horse foi efetivamente consumido pela produção. Castelo Branco afirmou possuir registros das transferências feitas pelo Havengate Development LP, fundo sediado no Texas, para a GoUp Entertainment. Segundo ele, a maior parte, possivelmente quase a totalidade, dos recursos identificados como usados no filme veio do Havengate.

Perito não analisou se gastos estavam dentro dos preços de mercado.
Outro ponto que ficou fora da perícia foi a comparação entre os gastos apresentados pela produção e os preços praticados no mercado audiovisual. Motoryn perguntou diretamente a Castelo Branco se esse tipo de análise havia sido realizado. “Não, eu não fiz esse tipo de análise.”

O perito disse que seu trabalho se limitou a verificar transferências, levantar custos nacionais e internacionais e analisar eventual presença de dinheiro público. Avaliar se uma despesa era alta, baixa ou compatível com os preços cobrados no cinema não fazia parte do escopo. Castelo Branco reconheceu que, caso fosse contratado especificamente para esse tipo de avaliação, precisaria recorrer a especialistas e realizar pesquisas e comparações. Assim, embora a perícia registre pagamentos e apresente valores atribuídos à produção, ela não estabelece se os serviços contratados custaram o que normalmente custariam em uma produção cinematográfica semelhante.

Polícia Federal pediu mais informações sobre Dark Horse.
A ideia de que o assunto está encerrado também esbarra em uma nova frente da investigação. Castelo Branco revelou que a Polícia Federal enviou um ofício pedindo informações mais detalhadas sobre o trabalho realizado. Segundo ele, a requisição envolve transferências, despesas operacionais e custos do filme. A equipe responsável pelo laudo acusou o recebimento e pediu à PF que esclarecesse como pretende receber os dados solicitados.“Muitas coisas que você está aqui perguntando talvez eu até tenha mesmo que responder por conta do ofício da Polícia Federal, de uma forma mais clara.”
 
Castelo Branco confirmou ainda que os registros das transferências do Havengate para a produtora estão entre os documentos de interesse da investigação e afirmou possuir informações que não foram individualizadas no laudo divulgado até agora, incluindo dados de pessoas e empresas que receberam pagamentos. Flávio tentou encerrar a cobrança dizendo que a prestação de contas estava feita. O perito responsável pelo documento, porém, reconhece que não acompanhou o dinheiro depois de determinada etapa, não comparou os gastos com os preços do mercado cinematográfico e agora terá de prestar novos esclarecimentos à PF.

A “página virada” de Flávio, ao menos para quem investiga o caminho do dinheiro de Dark Horse, segue aberta.

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domingo, 23 de agosto de 2026

Juíza anula suspensão de vistos imposta por Trump ao Brasil e a mais 74 países.


AFP

Uma juíza federal norte-americana anulou na sexta-feira 21 a suspensão dos trâmites de vistos de residência permanente nos Estados Unidos imposta em janeiro a 75 países, em mais um golpe à agenda anti-imigração do presidente Donald Trump. Na decisão, Jeannette Vargas, de um tribunal de Nova York, declarou que a política era “contrária à lei” e excedia a “autoridade legal” do secretário de Estado, Marco Rubio. A medida, em vigor desde 21 de janeiro, suspendia o processamento de vistos de imigrante, ao contrário dos vistos de não imigrante, que permitem a entrada temporária no país, e afetava, entre outros, os pedidos de cidadãos do Brasil, Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen.

O Departamento de Estado havia justificado a decisão alegando que os imigrantes destes países representavam “um alto risco de depender de assistência social ou de se tornarem um peso para as finanças públicas”. Vargas, no entanto, afirmou que os funcionários consulares foram equivocadamente instruídos a recusar vistos de imigração baseados apenas no país de origem do demandante, mesmo quando se havia determinado que a pessoa cumpria os demais requisitos. A decisão emitida na sexta-feira revoga qualquer negativa de visto baseada exclusivamente nesta política.

O governo pode apresentar recurso contra a decisão judicial.
Desde seu retorno ao poder, Trump prioriza o combate à imigração ilegal, com deportações em massa de imigrantes sem documentos, mas também restringiu de maneira significativa a entrada legal de estrangeiros. Várias medidas emblemáticas do governo foram anuladas pelos tribunais. No início de junho, um juiz federal anulou a taxa de 100 mil dólares para vistos de trabalho, muito utilizada no setor de tecnologia.

No fim de junho, a Suprema Corte anulou um decreto emitido por Trump no primeiro dia de seu segundo mandato que eliminava a cidadania por direito de nascimento para filhos de imigrantes sem documentos, com o objetivo de acabar com o que ele considerava um incentivo à imigração ilegal.

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Canadá retaliará os EUA com tarifas sobre diversos setores, diz Carney.


Medida ocorre após falha em acordo comercial e imposição de 
tarifas de 50% por Washington sobre exportações canadenses.

Promit Mukherjee e Bhargav Acharya, da Reuters, Ottawa

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse no sábado que, a partir de 8 de setembro, o Canadá deve impor tarifas sobre as importações dos Estados Unidos em diversos setores, em retaliação às novas tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump, que entraram em vigor à meia-noite. Após dias de intensas negociações, os dois países não conseguiram chegar a um acordo comercial na noite de sexta-feira, agravando uma relação já delicada entre os dois parceiros comerciais e aliados de longa data e complicando o futuro de um pacto de livre comércio continental de grande sucesso, conhecido como USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá).

As novas tarifas de Trump atingiram diversos setores, incluindo vinho, móveis, laticínios, cimento, vestuário, varas de pesca e equipamentos de hóquei, e abrangem cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses para os EUA. Essas tarifas não isentam os produtos canadenses de acordo com o USMCA, acordo que protegeu a maior parte das exportações canadenses para os EUA nos últimos 18 meses."O Canadá irá igualar as novas tarifas de Washington dólar por dólar, a fim de proteger os trabalhadores, agricultores, famílias e empresas canadenses", disse Carney em uma coletiva de imprensa.

Essas tarifas retaliatórias atingirão setores como aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose e papel e eletrônicos, e também incluirão produtos atualmente sujeitos às tarifas injustificadas das Seções 232 e 338, disse Carney em um discurso entusiasmado no prédio do Parlamento em Ottawa."Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não daremos o que eles pediram", disse Carney.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Lula liga para Trump, defende negociação e diz que alegações dos EUA para tarifaço são 'infundadas'.

 

Estados Unidos aplicaram duas taxas sobre o Brasil: de 25% e de 12,5%.

Por Victoria Azevedo — Brasília 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou o Palácio do Planalto. De acordo com o governo, o presidente brasileiro defendeu a negociação sobre o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil e classificou as alegações americanas para aplicação das taxas como "infundadas". 

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou em nota que a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial” e teve duração de uma hora e vinte minutos. No começo do mês, Lula indicou a aliados políticos que buscaria uma conversa com o presidente americano para os próximos dias.

Segundo o informe, as duas autoridades conversaram sobre temas como a imposição de novas taxas pelo governo americano aos produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais.

Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, segundo o Planalto, Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) "são infundadas". 

O governo brasileiro tem defendido essa linha nas mesas de negociação desde o começo desse processo. A avaliação é que essas medidas têm teor político, e aliados do presidente da República têm denunciado a atuação de adversários políticos, como Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, para provocar essa taxação.

"Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível", afirma a nota do governo.

Após a divulgação do telefonema pela Secom, o presidente Lula tratou da ligação com Trump em publicação nas redes sociais. Ele reforçou o conteúdo que havia sido previamente divulgado. 

    Lula
    @LulaOficial
    Telefonei, nesta manhã (21), para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Conversamos por uma hora e vinte minutos sobre temas do relacionamento bilateral e da agenda global.

    Sobre a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, enfatizei que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. 

    Destaquei que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, e afirmei que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterei a importância de trabalharmos juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O Presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível. 

    Reiterei o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Argumentei que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.  Afirmei que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las. Informei sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de 17 bilhões de reais, e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima.

    Também comentei sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Mencionei o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. O Presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área. 
 
Trocamos impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Concordamos sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. O Presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. Lamentei a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugeri aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propus a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. Afirmei que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.

Na semana passada, o governo brasileiro informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que atinge também outras nações. 

As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora. A avaliação do entorno petista, no entanto, é que esse processo não avance neste ano. Eles defendem cautela para não tomar decisões precipitadas.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA a parte dos produtos brasileiros exportados para aquele país começou a valer no dia 22 de julho. De acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, ou US$ 5,8 bilhões, sendo que os setores mais impactados são madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.

Esse novo tarifaço foi adotado após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela política comercial do país, sobre supostas práticas “desleais” do Brasil que prejudicam as empresas americanas. 

A administração de Donald Trump citou, por exemplo, o Pix, o desmatamento, corrupção, entre outros argumentos — todos rebatidos pelo governo brasileiro.

O Brasil foi atingido ainda por uma sobretaxa foi aplicada sob a alegação de, junto com outras 59 nações, falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado – 54 foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. Os argumentos também são rechaçados pela gestão Lula.

Segurança pública
Na chamada, Lula também reforçou o interesse de uma cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado e rejeitou que grupos criminosos no Brasil podem ser considerados terroristas. Em maio deste ano, os EUA decidiram classificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, num revés para o governo, que buscava evitar isso.

“Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”, diz a nota.

Ainda na ligação, o presidente brasileiro falou de ações do governo para “asfixiar financeiramente a criminalidade”, além da intenção de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima.

Segundo a nota, Lula também falou da aprovação do projeto de lei Antifacção e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública —a segunda está parada no Senado, ainda precisa ser votada. Os dois projetos foram apresentados pelo governo federal ao Congresso como bandeiras da gestão na área da segurança pública.

A Secom disse que Trump “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.

Os dois presidentes também trocaram impressões sobre os principais conflitos internacionais, principalmente a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio. De acordo com a nota da Secom, as duas autoridades concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada entre Rússia e Ucrânia.

Trump também falou sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. Lula, por sua vez, “lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU” e, assim como fez em ligações recentes a outros presidentes, como o da China, Xi Jinping, e o da Rússia, Vladimir Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas. “O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, diz a nota.

Idas e vindas 

A ligação entre os dois é mais um capítulo negativo na relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Ao longo de um ano e meio de convivência como presidentes dos maiores países democráticos do Ocidente, os chefes de Estado acumularam choques, intercalados por alguns momentos de demonstração de simpatia e aproximação.

Em julho do ano passado, Trump decretou o tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados aos EUA e citou como justificativa uma suposta “perseguição” na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por participação na tentativa de golpe de 2023. Lula reagiu de forma dura.

Um encontro de 39 segundos nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado, mudou o rumo da relação. Trump revelou minutos depois ao discursar que eles tiveram “uma química excelente”.

A química resultou em telefonemas entre os dois e em um encontro em outubro na Malásia. O americano chegou a relaxar o tarifaço, com retirada de produtos, e excluiu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, das sanções previstas na Lei Magnitsky, utilizada para punir estrangeiros.

Em maio, Lula viajou aos Estados Unidos para um encontro de três horas, que incluiu um almoço, com Trump na Casa Branca. A visita parecia ter selado um período de harmonia entre os dois presidentes.

Mas 20 dias depois de Lula voltar ao Brasil, os EUA classificaram as facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas, apesar dos apelos do governo brasilerio para que a medida não fosse tomada.

A sequência de medidas americanas prosseguiu com a proposta de taxação de 25% sobre os produtos brasileiros após uma investigação comercial com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana em junho.

Na sequência , ainda foi anunciada a conclusão de uma apuração por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado” a 60 países, incluindo o Brasil, com sugestão de tarifa de 12,5%. O tarifaço anterior de 2025 havia sido derrubado pela Suprema Corte americana.

Desde a imposição dessas tarifas, Lula vinha avaliando como ligar para Trump e tentar a melhora da relação.

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PGR e Mendonça têm desconexão sobre Lulinha, diz pesquisador do STF.



Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF (Supremo Tribunal Federal), aponta que divergência sobre foro privilegiado entre PGR e ministro relator pode comprometer desfecho do caso.

Da CNN Brasil

O caso Lulinha no STF (Supremo Tribunal Federal) está marcado por um clima de desconfiança e incerteza, segundo Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF ao WW. Em análise sobre o impasse entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o ministro André Mendonça, Recondo destacou que o processo não está correndo de maneira ortodoxa na corte. Para Recondo, o principal sinal de desconexão é o pedido da PGR para que o caso seja enviado à primeira instância, sob o argumento de que não há autoridade com foro privilegiado que justifique a permanência do processo no STF. Em sentido oposto, André Mendonça já manifestou entendimento de que existe, sim, tal autoridade com foro.

Desconexão entre relator e investigador.
O pesquisador ressaltou que essa divergência revela um problema estrutural no andamento das investigações. "Se a Procuradoria-Geral da República é responsável pela investigação e não vê autoridade com foro, e o ministro relator vê, já se mostra uma desconexão entre juiz relator e investigador", afirmou Recondo. Segundo ele, o receio é de que as investigações "não acabem bem" e não cheguem a uma conclusão satisfatória.

O contexto também expõe o STF a críticas mais amplas. A analista de Política da CNN Jussara Soares, que participou do debate, destacou que o momento é especialmente delicado, dado o cenário eleitoral. Ela apontou que o pedido da PGR para enviar o caso à primeira instância levanta questionamentos sobre outros processos que tramitam no STF, como os relacionados ao 8 de janeiro e a integrantes do chamado núcleo golpista.

Questionamentos sobre a atuação da PGR.
Jussara chamou atenção para a inconsistência na postura da PGR: nos outros casos, o órgão não via problema em mantê-los no STF, o que agora gera críticas à sua atuação."Por que o Procurador-Geral da República agora mudou de ideia, se nos outros casos ele não via problema de ficar no Supremo Tribunal Federal?", questionou ela.

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Globo suspeita de sabotagem na GloboNews.


Imersa na maior crise de audiência e reputacional de toda a sua 
história, emissora festejará seus 30 anos sem motivos para comemorar.

Gabriel de Oliveira
gabriel.oliveira@odia.com.br

O inferno astral da GloboNews parece não ter fim. Imersa na maior crise de audiência e reputacional de toda a sua história, a emissora festejará seus 30 anos sem ter motivos para comemorar. Nos últimos dias, ganhou força nos bastidores da Globo a teoria de que o canal de notícias está sendo alvo de uma sabotagem orquestrada por funcionários insatisfeitos desde o episódio do PowerPoint impreciso transmitido pelo ‘Estúdio i’. Boa parte da equipe do jornalístico foi remanejada para o Edição das 18h e para o Jornal das 10, que passaram a sofrer com falhas técnicas frequentemente. Aline Midlej, insatisfeita com a precariedade de seu jornal, já chegou a se queixar ao vivo das falhas.

Não há crise.
Um perfil especializado em notícias falsas no X, o antigo Twitter, disse que Celso Portiolli não teria ido ao almoço dos 45 anos do SBT por estar negociando com a Globo. A história não tem fundamento algum. O apresentador, assim como o diretor do ‘Domingo Legal, não compareceu por estar fora de São Paulo, trabalhando nas gravações de um quadro do seu programa. A relação do comunicador com a direção do SBT está excelente, e ele segue como um dos fiéis escudeiros de Daniela Beyruti.

https://odia.ig.com.br/

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O que pode acontecer com Flávio Bolsonaro após vídeo contra Lula.


TSE decidiu pela remoção de conteúdo; entenda quais são as possíveis consequências jurídicas e eleitorais para o senador e candidato à Presidência em 2026.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta semana, a remoção de um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que associava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A decisão, tomada por cinco votos a dois em plenário virtual, acendeu o alerta sobre as implicações jurídicas e políticas para o parlamentar. A medida do TSE estabelece um precedente importante no combate à desinformação, especialmente em ano eleitoral. Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência e Lula busca a reeleição nas eleições de 2026. A ação que resultou na decisão foi movida pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que acusou o senador de propaganda eleitoral antecipada negativa. A decisão impõe consequências diretas aos responsáveis por conteúdos considerados falsos ou gravemente descontextualizados pela Justiça Eleitoral.

Quais as consequências para Flávio Bolsonaro?
A consequência imediata é a obrigação de retirar o vídeo de suas redes sociais, e a determinação para que a plataforma X (antigo Twitter) também remova o conteúdo, sob pena de multa diária. No entanto, a decisão abre caminho para sanções mais severas, que podem ser exploradas tanto na esfera cível quanto na criminal, dependendo de futuras ações judiciais. A determinação do tribunal serve como um forte indicativo de que a disseminação de informações falsas com o objetivo de influenciar o debate público não será tolerada. Para os magistrados, a publicação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e da crítica política, configurando um ataque à honra e à imagem de um adversário.

Flávio Bolsonaro pode ser processado?
Sim, a decisão do TSE fortalece a possibilidade de que o senador responda judicialmente por sua publicação. As principais frentes de responsabilização incluem processos por danos morais e ações na esfera criminal. A equipe jurídica do presidente Lula pode utilizar o veredito para formalizar novas queixas contra o parlamentar. As possíveis penalidades que o senador pode enfrentar se desdobram em diferentes áreas:
Crimes contra a honra: a publicação pode ser enquadrada como calúnia, difamação ou injúria, crimes previstos no Código Penal, o que levaria a um processo criminal.
Ação por danos morais: na esfera cível, o parlamentar pode ser condenado a pagar uma indenização financeira como reparação pelo dano causado à imagem do presidente.
Investigação por abuso de poder: em um cenário mais extremo, a conduta pode ser alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

O que acontece agora?
Com a ordem do TSE, Flávio Bolsonaro precisa remover o conteúdo de todas as plataformas onde foi divulgado. A decisão colegiada contou com cinco votos favoráveis à remoção (ministros Estela Aranha, Ricardo Villas Bôas Cueva, Dias Toffoli, Floriano de Azevedo Marques e Antonio Carlos Ferreira) e dois contrários (André Mendonça e o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques).

A partir de agora, o caso serve de base para que os advogados de Lula ingressem com representações específicas buscando punições mais severas. A decisão do TSE funciona como uma validação de que o conteúdo foi ilícito, o que aumenta significativamente as chances de sucesso em eventuais processos futuros contra o senador.

https://www.em.com.br

Análise - Tarcísio assume persona de 'concurseiro', apresenta plataforma nacional e esquece Flávio.


Há pouco mais de uma semana, o debate da Band já se encaminhava para o fim quando Fernando Haddad fez troça com Tarcísio de Freitas o chamando de “meio concurseiro” após ele enumerar municípios, regiões e micro detalhes da gestão de escolas em uma resposta sobre privatização. A sabatina do GLOBO, Valor e CBN nesta quinta-feira deixa claro que o governador gostou da piada, e quer manter o estilo de gestor detalhista como sua principal marca. Ao longo de uma hora e meia, Tarcísio empilhou dados sobre as realizações de cada área de seu governo, detalhando programas, números, metas, municípios, bacias hidrográficas, bairros e como é a relação com fornecedores — desde os responsáveis por grandes obras até as câmeras de segurança da polícia —, chegando a mencionar o nome do programa usado na alfabetização, o Elefante Letrado.

Liderando a corrida estadual com 15 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad, e tendo uma rejeição 21 pontos menor, Tarcísio se deu ao luxo de prometer simplesmente manter e ampliar os programas implementados nos últimos quatro anos. Embora tenha na segurança e na saúde avaliações majoritariamente negativas, a aprovação geral do atual governo chegou a 55% na última pesquisa Genial/Quaest, ante 29% de desaprovação. Se a situação do governador parece confortável, o mesmo não se pode dizer em relação a seu aliado nacional, Flávio Bolsonaro. O herdeiro do bolsonarismo sabe que precisa garantir uma ampla vitória no estado para reverter a vantagem que o presidente Lula tem hoje nas pesquisas, mas Tarcísio deixou claro na sabatina que sua estratégia é quase que a antítese da expressa ontem por Fernando Haddad.

Enquanto o petista diz que sua missão principal é eleger Lula, Tarcísio sinalizou que a candidatura de Flávio está longe de ser prioritária. Indagado sobre como conduziria a campanha diante da possibilidade de se formar o voto “Tarula” — com seus eleitores apoiando Lula nacionalmente —, o governador passou um minuto e meio enumerando os programas estaduais que pretende mostrar para o eleitor e só no fim, de forma sintética, disse que “se tiver também integração no plano federal, com Flávio” vai ter mais facilidade de realizá-los. E se Lula for o vitorioso? “Sempre vou me pautar pelo pragmatismo e pelo interesse das pessoas”, respondeu, detalhando como foi a negociação com Lula para a construção do túnel Santos-Guarujá.

Tarcísio aproveitou a entrevista para riscar o chão, demarcando diferenças relevantes em relação a Flávio e à família Bolsonaro. Defendeu com vigor as urnas eletrônicas, afirmou categoricamente que o país precisa de um duro ajuste fiscal, e reclamou do fato de o país ter perdido “a capacidade de estabelecer consensos”. O governador sabe que qualquer tentativa futura de um voo presidencial dependerá de ter o apoio sólido do eleitor de direita, e acenou ao grupo ao defender a legitimidade da abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Embora a sabatina tenha sido dominada pelos problemas paulistas, Tarcísio apresentou o rascunho do que seria sua plataforma nacional: reforma política pelo fim da reeleição e adoção do voto distrital, ajuste fiscal de 2,5% a 3% do PIB e preocupação com o endividamento das famílias.

Existe um fetiche entre políticos e analistas sobre as perspectivas eleitorais nacionais de quem governa o maior estado do país. A história, no entanto, sugere cautela. Desde o fim da República Velha, em 1930, ao menos sete ocupantes do Palácio dos Bandeirantes tentaram chegar à Presidência. Só Jânio Quadros conseguiu, em 1960, para um trágico mandato de sete meses. Como o próprio Tarcísio admitiu, é muito cedo para projetar como serão as eleições de 2030, mas o governador começa a mostrar qual personagem pretende encarnar. Livre do papel de poste desempenhado em 2022, o "concurseiro" quer se apresentar como um gestor de centro-direita, apoiado pelos Bolsonaro, mas não servil a eles.

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Eclipse lunar no Brasil: veja horários das fases que a lua "apagará".


Fenômeno astronômico acontece entre os dias 27 e 28, 
com sua fase parcial iniciando às 23:33h, no horário de Brasília.

Fernanda Palhares, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo

Um eclipse lunar vai acontecer entre os dias 27 e 28 de agosto e todos no Brasil poderão observar. Segundo o astrônomo Emerson Roberto Perez, o início da fase parcial do eclipse será às 23:33h do dia 27 e termina às 02:51h do dia 28, no horário de Brasília. Em entrevista à CNN Brasil, o astrônomo especificou a porcentagem do satélite que será coberta pela sombra da Terra em cada horário. 

O fenômeno poderá ser visto por qualquer pessoa no Brasil.
O astrônomo explicou à CNN Brasil que existe a possibilidade de a Lua assumir uma coloração mais avermelhada, fenômeno conhecido como “Lua de Sangue”. Como o eclipse será visível em todo o país, Emerson recomenda que os amantes da astronomia procurem locais com boa visibilidade do céu e pouca ou nenhuma interferência da iluminação das cidades.

Por que a Lua fica vermelha?
A coloração avermelhada ocorre porque a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz direta. Parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre antes de atingir a superfície lunar. “Da mesma forma como a gente observa o Sol avermelhado quando ele está no horizonte, isso acontece porque ele está atravessando uma camada maior de área. Ele deixa de ser, digamos, amarelado e ele fica mais avermelhado, porque a nossa atmosfera espalha essa luz azul”, explica o astrônomo Thiago Gonçalves.

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