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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Em nova ofensiva, Nunes Marques manda apurar canal 'Exército de Lula'.

 
João José Oliveira, Nino Guimarães

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, pediu uma apuração técnica urgente sobre a circulação de conteúdos falsos em redes digitais e no canal 'Exército de Lula', em mais um capítulo do embate com o corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia revogado ontem a suspensão do canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

O que aconteceu.
O presidente do TSE acionou a área de combate à desinformação do tribunal para investigar redes sociais. O ministro Kassio Nunes Marques deu a ordem em uma ação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o deputado André Janones (Rede-MG) e o Facebook. A equipe técnica deve checar se mensagens suspeitas circulam de forma coordenada na internet. O despacho pede urgência para identificar o alcance dos conteúdos no canal 'Exército de Lula' e em outras plataformas digitais. Kassio também convocou uma reunião com representantes das campanhas do Presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro na terça-feira. A medida busca avaliar riscos para a integridade do processo eleitoral. Além disso, a assessoria especializada da Corte precisa informar se já adotou providências anteriores em relação ao caso.

Divergência entre ministros no tribunal.
A determinação ocorre após o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva revogar a suspensão do canal de Janones. O corregedor-geral afirmou que não existiam provas suficientes para tirar o Exército de Lula do ar no WhatsApp. Nunes Marques havia mandado bloquear o canal em três horas antes do fim do prazo de defesa. Cueva anulou a ordem no domingo (11) por entender ser necessária a produção de provas antes de aplicar medidas restritivas. A controvérsia sobre o bloqueio no WhatsApp será levada ao plenário do TSE. Cueva destacou a importância de preservar a competência do relator e exigir dados concretos para sustentar punições.

Disputa de decisões na campanha eleitoral.
O embate expõe visões opostas entre a Presidência do TSE e a Corregedoria-Geral durante o segundo turno. A tentativa de suspensão do canal gerou contraste com a condução de processos abertos pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ações enviadas por petistas contra a campanha de Flávio Bolsonaro tiveram liminares negadas ou adiadas. Em um dos processos, a decisão de remoção imediata formada na maioria virtual foi transferida para o plenário presencial por pedido de destaque. A campanha petista critica a lentidão da Justiça para analisar relatos de abuso e conteúdos manipulados. As discordâncias sobre os critérios no combate à desinformação ampliaram os debates na reta final da disputa presidencial.

https://noticias.uol.com.br/

Atropelo, 'Exército de Lula' fora do ar e retomada: decisões sobre canal de Janones ampliam guerra jurídica no TSE.

 
Depois de duas decisões, canal de WhatsApp que 
já reúne 3,5 milhões de pessoas seguiu no ar.

Por Pepita Ortega , Letícia Pille , Bruno Alfano , Fabio Graner , Guilherme Queiroz , Eduardo Gonçalves e Geralda Doca — Rio.

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) protagonizaram ontem mais um episódio da disputa interna na Corte em um caso com relação direta com a corrida presidencial. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva derrubou uma decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, e manteve no ar um canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, com 3,5 milhões de participantes. Horas antes, Nunes Marques havia atendido a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinado a suspensão do grupo. O caso, porém, já estava sob responsabilidade de Cueva, o que foi visto como um atropelo por especialistas e como tentativa de censura por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última decisão sobre o tema, além de manter ativo o grupo, Cueva determinou o envio do processo ao plenário do TSE. Caberá agora ao próprio Nunes Marques, presidente da Corte eleitoral, liberar o caso para a apreciação dos demais ministros.

Rito alterado.
O canal, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), teve salto de 50 mil para mais de três milhões de seguidores após o fim do primeiro turno. No espaço, o parlamentar distribui “missões” em áudios e vídeos para alavancar mensagens da campanha do PT. No processo que estava sob sua relatoria, Cueva, que é corregedor do TSE, já havia pedido explicações à campanha do PT sobre a eventual disseminação de mensagens falsas, uma acusação feita pela campanha de Flávio. Também pediu ao PL mais informações que pudessem fundamentar a denúncia. O rito comum do processo, porém, foi alterado pelo despacho de Nunes Marques, após análise de representação de cunho administrativo. O presidente do TSE apreciou pleito da campanha de Flávio sobre o suposto descumprimento de termo de compromisso assinado pela Meta, dona do WhatsApp, para evitar os disparos em massa com suposta desinformação. Ambas as ações que chegaram aos gabinetes dos ministros mencionavam o canal “Exército do Lula”. Em resposta, Cueva determinou seu restabelecimento e preservou “a possibilidade de novas publicações e ingresso de seguidores”, até deliberação do plenário. O conflito de decisões ocorreu menos de 24 horas após a petição original ser analisada por Cueva.

Apesar da decisão favorável à campanha do PT, Cueva proibiu que Janones usasse a plataforma para difundir qualquer conteúdo já considerado ilícito pelo TSE, uma prática apontada por Nunes Marques. O ministro do TSE também criticou a amplitude da decisão do colega.

“A liberdade de expressão não constitui obstáculo à repressão de ilícitos eleitorais. Por outro lado, a existência de manifestações ilícitas individualizadas não autoriza, sem demonstração adicional, a restrição de toda a atividade comunicativa desenvolvida em determinado espaço digital”, anotou o magistrado.

Na decisão derrubada, Nunes Marques diz que o canal “se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional”, de conteúdos reconhecidamente falsos pela Corte. O presidente do TSE cita a veiculação, no grupo, de “afirmações” de que Flávio poderia acabar com o título de Nossa Senhora Aparecida, o envolvimento “com a milícia” e as acusações de que o candidato “reduziria aposentadorias”. Desde a votação do primeiro turno, não há registro de casos relacionados ao tema no canal. Em conteúdo divulgado em setembro, O GLOBO identificou links de vídeos redirecionados ao Instagram sobre o caso de Nossa Senhora e às acusações de que Flávio poderia acabar com reajuste de aposentadorias. Essas publicações, porém, continuam no ar. No termo de compromisso assinado pela Meta, quando trata das diretrizes para “canais” no WhatsApp, a plataforma diz que o grupo pode ser suspenso se houver violações de sua política. Um dos motivos é a propagação de “atividade ou conteúdo que propositalmente engane, se passe por outro, ou deturpe intencionalmente”. Em ato na tarde de ontem, em São Paulo, Lula criticou a decisão de Nunes Marques, antes da determinação de Cueva.

— Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir que seja fechado um canal em que um deputado está pedindo para as pessoas votarem em mim.

O ato ocupou dez quarteirões da Paulista. Além de Lula, participaram governadores eleitos do PT e os ex-ministros Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Imagens de apoio ao petista e de Nossa Senhora Aparecida marcaram presença. Na dispersão do ato houve tumulto e depredações. A batalha de decisões gerou mal-estar no TSE. Na Corte, outros casos recentes também geraram atritos: a inelegibilidade de Anthony Garotinho; o mesmo em relação a Deltan Dallgnol; e um despacho que alterou as regras de debate da TV Globo e prejudicou a realização do encontro. Especialistas avaliam que Nunes Marques atropelou o colega do TSE ao se manifestar em um caso administrativo, instrumento equivocado para a decisão. Já Cueva é relator de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo PL, cujo resultado pode ser até mesmo a cassação do mandato.

‘Suspensão é censura’.
Para o advogado eleitoral Alberto Rollo, a suspensão de todo o canal foi um exagero. Segundo ele, é preciso seguir a resolução do TSE para propaganda eleitoral.

— O que o ministro falou na decisão é que o canal estava sendo utilizado para veiculação de notícias sabidamente inverídicas. Então, o remédio que a resolução dá é tirar de circulação a determinada postagem. Não tudo. A suspensão do canal é censura — diz.

O advogado eleitoral Eduardo Damian Duarte afirma que o Brasil tem visto um excesso de procedimentos judiciais com objetivos idênticos:

— Isso acaba levando a parte a escolher o juiz da causa em detrimento da manifestação do plenário do tribunal. Esse é um problema que temos visto no STF.

Já a campanha do PL defendeu a decisão de Nunes Marques e tratou o canal como um meio de disseminação de fake news, algo “escandaloso”. Segundo a candidatura, Janones “não apenas disseminava em massa conteúdos irregulares”, mas ensinava como adotar “posturas que dificultassem o controle pela Justiça Eleitoral”.

https://oglobo.globo.com 

domingo, 11 de outubro de 2026

Valdete Souto Severo sobre trabalho por hora: discurso de liberdade de escolha dá ‘a opção da pessoa morrer de fome’.

 
 Juíza do Trabalho e professora da UFRGS analisa o que está por trás e as 
possíveis consequências sobre proposta apresentada por senador bolsonarista.

Luís Gomes
luisgomes@sul21.com.br

A discussão sobre o fim da escala 6×1 foi retomada pelo Senado Federal nesta semana e, como ocorre logo após o primeiro turno das eleições, tornou-se um dos focos do debate do segundo turno da disputa presidencial. O presidente Lula (PT) cobrou de Flávio Bolsonaro (PL) a sua posição sobre o tema, enquanto o senador criticou a discussão da pauta no momento e defendeu uma “proposta alternativa”.

Oficialmente, Flávio Bolsonaro não indicou nas entrevistas que deu sobre o tema qual seria exatamente a sua proposta de modificação na lei trabalhista, mas tramita no Congresso um projeto de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, a chamada PEC da Hora Trabalhada. O texto permite a redução da jornada mediante acordo individual ou convenção coletiva, com pagamento da hora trabalhada e dos direitos proporcionais ao salário mínimo ou ao piso da categoria. Em entrevista à imprensa na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro, que assina a PEC como coautor, resumiu a ideia que defende em uma frase: “Quem quer trabalhar mais, vai trabalhar mais, e quem quer trabalhar menos, vai trabalhar menos”.

Para entender quais as mudanças que podem ocorrer no âmbito das relações de trabalho em eventual aprovação desta proposta, o Sul21 conversou com Valdete Souto Severo, doutora em Direito do Trabalho pela USP/SP, juíza do trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região, professora de Direito e Processo do Trabalho na UFRGS. Ela pontua que o discurso em defesa da proposta se baseia em ideias que não são originais sobre “liberdade de escolha” e que escondem que o trabalhador depende do salário para ter acesso à moradia, alimento e remédio. “Ele tá dando a opção da pessoa morrer de fome”, afirma.

Valdete avalia que a efetivação da proposta representaria um “salto” na precarização das relações de trabalho. Ela avalia que a PEC levaria para a Constituição a lógica de receber apenas pelas horas trabalhadas, o que eliminaria a garantia do salário mensal e do descanso semanal remunerado. “Essa proposta de alteração constitucional não garante menos tempo de trabalho, garante apenas menos remuneração”, diz.

A magistrada também critica a previsão de acordo individual entre patrão e empregado. Para ela, a negociação direta “nega toda a razão de existência do Direito do Trabalho”, que nasce justamente do reconhecimento de que há uma assimetria entre quem precisa trabalhar e quem paga pelo trabalho. “A pessoa precisa de um emprego. Então ela vai assinar”, resume.

Na conversa, Valdete ainda rebate a ideia de que a Justiça do Trabalho seria uma invenção brasileira, explica os mecanismos que já permitem flexibilizar a jornada e que, se aprovada, a mudança não seria necessariamente um problema de fiscalização: “O problema vai ser que isso vai ser normalizado”.

Confira a seguir a íntegra da entrevista com a juíza Valdete Souto Severo.
Sul21: A PEC da Hora Trabalhada, proposta em alternativa ao fim da escala 6×1, permite a redução da jornada mediante acordo individual ou convenção coletiva com pagamento da hora trabalhada e dos direitos proporcionais ao salário mínimo ou piso da categoria. Como a senhora avalia essa proposta?

Valdete Souto Severo: Terrível. Primeiro porque é uma proposta para alterar a Constituição da República. Então, a gente já tem uma alteração muito parecida num contrato específico, que é o contrato de trabalho intermitente na CLT, que é fruto da reforma trabalhista de 2017, que já foi bastante ruim para a classe trabalhadora, porque estabeleceu essa possibilidade de precarização da proteção social no âmbito da CLT.

Agora, é um salto, porque, na verdade, a proposta é alterar o texto da Constituição da República, que já não é levado a sério porque fala numa jornada máxima de 8 horas e a gente tem uma tolerância, inclusive de parte da Justiça do Trabalho – antes já da reforma havia essa tolerância – com jornadas mais extensas, porque tem o banco de horas, porque tem o regime 12×36. Mas, ainda assim, um parâmetro constitucional muito nítido de que o máximo é 8 horas de trabalho por dia e 44 por semana, e de que tem que receber um salário mínimo mensal, é algo muito importante para quem vive do trabalho.
 
O que esse projeto tá fazendo é estabelecer ou estender a lógica do trabalho intermitente para qualquer tipo de contratação. O que significa, em bom português, que a pessoa só vai receber pelas horas trabalhadas. Ou seja, elimina, na verdade, a ideia de um salário mensal, de um descanso semanal remunerado, de toda a remuneração que hoje se tem garantida para quem tem vínculo de emprego, inclusive para o período de não trabalho, para o período de descanso.

Sul21: A legislação atual, como tu disseste, já permite, por exemplo, o trabalho intermitente, mas antes mesmo já permitia algumas questões com trabalho por hora. Eu queria que tu explicasse quais são esses mecanismos que já permitem uma maior flexibilidade da jornada de trabalho e em que casos eles podem ser empregados. Como é que funciona isso hoje?

Valdete Souto Severo: Hoje, a jornada ajustada pode ser a de diarista. Tem uma previsão na CLT de que pode ser um ajuste por dia; pode ser um trabalho em tempo parcial, que é uma jornada de 4 horas por dia e não a jornada de 8 horas por dia. E o contrato de trabalho intermitente, que é um contrato específico, que tem que ser feito por escrito, que tem que ter a previsão de que a pessoa vai ser chamada para o trabalho e que tem requisitos. Mas, para além disso, tem a possibilidade já na legislação trabalhista de compensação de jornada.

Então, mesmo que a contratação seja nos moldes ordinários, digamos, uma jornada de 8 horas, a flexibilização da jornada é possível em qualquer tipo de contratação, exatamente porque há essa possibilidade de estabelecer um pouco mais de trabalho num dia para compensar por folga em outro dia. Isso que na Constituição da República de 1988 só podia ser feito no período de no máximo um mês, ou a compensação na mesma semana: trabalha a mais de segunda a sexta, folga no sábado, ou dentro do mesmo mês. Por uma medida provisória, depois convertida em lei, ainda no final da década de 1990, se tornou o que foi apelidado de banco de horas, que é uma possibilidade de compensação hoje em um período de até um ano, que é uma coisa que rompe um pouco com a ideia de compensar o trabalho pela fadiga.

Com isso, eu quero dizer que já está muito ruim a legislação trabalhista do jeito que está. Mesmo sem essa alteração constitucional, hoje em dia, e quem vive do trabalho sabe disso, já é possível uma flexibilização, não sei se esse termo é bom, mas uma extensão da jornada sem pagar horas extras de várias formas em função desses ajustes de compensação de jornada.

O problema é o salto, como eu disse, que essa proposta dá, porque ela vai colocar dentro da Constituição. Ela vai romper, na verdade, com essa ideia de contratação mensal, de contratação por um salário mensal, que é o salário mínimo previsto na Constituição e que é o que garante minimamente. Porque o valor já é muito baixo, mas que a pessoa tenha uma possibilidade de manter o pagamento das despesas ordinárias, de aluguel, supermercado, remédio.

Sul21: A senhora fala de romper esse vínculo de uma relação mensal. Como é que a senhora vê na prática que isso poderia se dar? A senhora poderia trazer casos de como é que isso poderia ocorrer na prática?

Valdete Souto Severo: Na verdade, esse modelo de jornada por hora é uma imitação, no caso da reforma trabalhista, do modelo de contrato zero hora da Inglaterra. O que é exatamente essa mesma possibilidade: a pessoa é contratada, mas ela só recebe pelas horas que ela efetivamente trabalhar; é eliminar o direito ao salário nos moldes da Constituição. Se for aprovada essa proposta de emenda constitucional nos termos dessa PEC, não há nenhum limite, não existe um tipo específico de trabalho para o qual isso poderia ser feito. E ainda a previsão é de ajuste individual. Então, é possível que o trabalhador seja contratado dentro dos moldes regulares e depois faça, supostamente, porque não faz, na verdade, um acordo. Ele não tem escolha, mas que haja um instrumento dizendo que ele fez um acordo direto com o seu patrão para receber só pelas horas efetivamente trabalhadas.

Então, como que isso se dá na prática? A pessoa vai ser contratada para receber um salário mínimo de R$ 1.700, mais ou menos, R$ 1.600 e poucos, e depois vai ter esse termo lá de acordo individual com o patrão para que ela só receba pelas horas que vai trabalhar. Então, ela trabalha segunda, terça e quarta e vai receber por essas horas, mas não vai receber quinta, sexta, sábado e domingo. Vai perder o descanso e não vai receber o salário. Porque, na medida em que ela faz esse ajuste para receber pelas horas trabalhadas, se ela não trabalha as 40 horas na semana ou as 44, se o sistema tiver esse parâmetro, o salário vai reduzir, ela não vai receber todo o valor do salário. Então, é muito ruim. É uma precarização de uma condição de vida que já é muito ruim para a classe trabalhadora hoje.
 
Eu repito: o que nós temos hoje na ordem jurídica, com as possibilidades de compensação que a CLT traz, muito em função da reforma trabalhista, mas não apenas, já é bastante ruim. A gente sabe disso, a gente vê, as pessoas estão aí, brigando pelo fim da escala 6×1, que não tem previsão legal, na verdade, não existe uma previsão legal de possibilidade de escala 6×1. O que é que existe? Regimes de compensação de jornada que acabam fazendo com que as pessoas trabalhem 6 dias por semana, 8 ou mais horas por dia. Então, é um passo a mais na precarização das condições de trabalho de uma classe trabalhadora que já vem sofrendo muito com um processo de precarização que começou, só para pegar o período pós-Constituição, já que a gente está na semana de aniversário da Constituição, na década de 1990, e nunca parou de acontecer. Essa é a verdade.

Nunca parou de ter precarização de direitos trabalhistas no Brasil. E isso é bastante grave e a gente vê o reflexo disso no processo político em termos mais amplos, porque as pessoas trabalham cada vez mais. Elas têm cada vez menos tempo para estudar, para ler, para pensar sobre o que está acontecendo, em termos de Direito Ambiental, em termos mesmo de escolha política nas eleições, mas também de questões comunitárias. Agora, por exemplo, nós estamos aqui em Porto Alegre de novo com a possibilidade de chuvas fortes por vários dias. Então, de novo uma ameaça de que haja alagamento em algumas regiões da cidade. Mas quem tem tempo para pensar sobre isso? Inclusive para pensar criticamente o que foi e o que não foi feito desde a enchente de 2024. As pessoas não têm tempo porque elas estão trabalhando muitas horas.

E aí, o mais maluco disso é que essa possibilidade de contratação por hora não vai reduzir o tempo de trabalho, que é a demanda da classe trabalhadora. A demanda que deu origem a esse Movimento Vida Além do Trabalho e à PEC do fim da escala 6×1 é uma demanda por menos tempo de trabalho. Essa proposta de alteração constitucional não garante menos tempo de trabalho, garante apenas menos remuneração. Como a contratação vai ser por hora, mesmo trabalhando 12 horas no dia, a pessoa vai acabar no final do mês recebendo menos do que receberia porque não terá a garantia do salário mensal.

Sul21: Um aspecto importante dessa discussão, também na fala do Rogério Marinho e do Flávio Bolsonaro, é que isso vai se dar com base na negociação entre o empregado e o empregador. A gente teve na discussão da reforma trabalhista a questão do acordado sobre o legislado. E depois teve uma decisão do STF sobre isso. Como é que essa discussão avançou desde então e o que está valendo hoje?

Valdete Souto Severo: A primeira questão que a gente tem que entender é que, na verdade, não é o acordado sobre o legislado, porque é a lei que tá dizendo do que o sindicato pode abrir mão. E esse também é um processo histórico mais antigo. Ele nem começa na reforma trabalhista. A gente tem desde a década de 1990 algumas negociações coletivas, portanto, feitas por sindicato, que abrem mão de direitos que estão na CLT. Então, essa discussão do suposto negociado sobre legislado vem desde a década de 1990. O que acontece? Na reforma trabalhista, isso entra no texto da CLT, no 611-A e no 611-B, que são dispositivos legais e, portanto, é o legislado dizendo do que o sindicato pode abrir mão e do que não pode abrir mão. Mas são duas regras para negociação coletiva. Então, estão falando de negociação, acordo ou convenção, feita pelo sindicato ou pelo sindicato com a empresa ou por um sindicato com outro sindicato.

Aqui também o salto. A proposta de emenda à Constituição, desse modo como ela está redigida, está dizendo que isso pode ser feito através de acordo individual entre trabalhador e patrão. Então, a gente nem estaria falando, por exemplo, do Tema 725 do STF, que diz que é possível conciliar o que não seja relativamente indisponível. Não é nem essa discussão, que já é uma discussão bastante problemática e que a gente sabe que tem fragilizado bastante a atuação dos sindicatos.

É pior, porque é dizer que o trabalhador tem condições de negociar direto com o patrão numa situação em que um tem os meios de produção e o capital e o outro tem a necessidade de trabalhar para poder pagar as contas no final do mês. E isso é, simbolicamente, muito significativo, porque toda a origem do Direito do Trabalho está justamente no reconhecimento por parte do Estado de que esse acordo não tem como ser feito. Ou seja, só existe Direito do Trabalho porque se reconhece que ali na relação de trabalho não há negociação entre patrão e empregado porque há uma assimetria muito grande. Não tem como os dois negociarem condições de trabalho, se um precisa trabalhar e o outro tem a grana para pagar por esse trabalho. É aí que o Estado vai reconhecer todo o discurso do Direito do Trabalho; por isso, as normas são impositivas; por isso, há os direitos sociais que depois vão para a Constituição, para o Título II, dos direitos e garantias fundamentais.
 
Uma proposta como essa, na verdade, nega toda a razão de existência do Direito do Trabalho, porque, veja, é a lógica do Direito Civil, que mesmo no Direito Civil já não existe mais como uma lógica hegemônica no discurso, porque lá já se fala de contrato de adesão, de lesão nos contratos, por exemplo, que a gente tem que fazer com operadoras de telefonia. Já se reconhece no campo do Direito Civil que eu não consigo negociar com quem me fornece serviço de internet ou de celular, porque não há uma simetria na posição dos dois contratantes. Então, o Direito Civil caminha para um discurso, em alguma medida, de reconhecimento de que essa negociação direta em muitas situações não acontece. O Direito do Trabalho existe porque o Estado reconhece isso.

E essa proposta aí, ao dizer que é possível negociar diretamente, nega tudo isso. Então, é como se fosse uma fantasia. Só que essa é uma fantasia que na realidade concreta tem muito impacto na vida das pessoas, porque a gente sabe o que acontece quando a legislação diz que é possível uma negociação direta. O que acontece é que essa negociação vai aparecer, esse instrumento, esse documento dizendo “eu estou concordando em trabalhar”, vai ser assinado, porque a pessoa precisa de um emprego e ela vai assinar. E aí, a gente vai precisar ter uma Justiça do Trabalho muito forte para poder analisar a validade desse tipo de negociação.

Caso seja aprovado, o que eu espero que não aconteça, porque como tem esse efeito simbólico de na verdade negar a própria razão de existência do Direito do Trabalho, tem um efeito social bastante deletério, bastante destrutivo, que é justamente esse, a gente tá construindo regras, a gente não, o parlamento, infelizmente, e existem propostas mais agressivas nesse sentido, de construção de regras, que tão negando a própria razão pela qual existe um Direito do Trabalho. Estão atuando no âmbito trabalhista como se estivessem falando de Direito Civil e de um Direito Civil que não existe mais. Porque no Direito Civil já se discute há muito tempo essa ausência de paridade.

Sul21: E tem outra coisa, como em quase tudo, a referência para esse segmento da sociedade sempre é aos Estados Unidos, mas também é um desconhecimento de como as coisas funcionam nos Estados Unidos. Mesmo não tendo uma instituição como a Justiça do Trabalho, como existe no Brasil, existem regras que regulamentam o trabalho. O que eu queria lhe perguntar é isso: apesar das críticas de que a Justiça do Trabalho seria uma invenção brasileira, na grande maioria dos países desenvolvidos também existem regulamentos semelhantes e o que vai mudar é a especificidade de cada país, correto?

Valdete Souto Severo: Sim, todos os países que adotam o sistema capitalista têm Direito do Trabalho. Todos, sem exceção. Alguns têm uma estrutura separada para a Justiça do Trabalho, como é o caso da Alemanha, como é o caso da Itália, de tantos países, e outros têm várias especializadas para cuidar das relações de trabalho dentro do Poder Judiciário. Então, todos têm regra trabalhista, que é diferente da regra civil, e todos têm uma estrutura do judiciário, inserida na mesma ou separada, como a nossa, para cuidar do conflito entre capital e trabalho.

Então, o primeiro dado objetivo é: é uma mentira dizer que só no Brasil existe Justiça do Trabalho. Isso simplesmente não é um dado verdadeiro. E a segunda questão é a gente pensar por quê. Por que todos os países capitalistas têm regra trabalhista e têm Justiça do Trabalho? Exatamente porque a Justiça do Trabalho contém, de certa forma, essa luta de classes. Estou usando aqui luta de classes no sentido do Marx mesmo, que ele vai dizer que a luta de classes é a própria oposição de interesses de alguém que precisa trabalhar para viver e de alguém que tem o capital para poder pagar por esse trabalho, mas que vai ficar com o fruto desse trabalho.

A Justiça do Trabalho e o Direito do Trabalho, de algum modo, contêm essa luta social, esse confronto de interesses, regulando isso de uma maneira que permita inclusive que a classe trabalhadora também seja a classe consumidora. E, por outro lado, sem dúvida nenhuma, tem uma potência transgressora ou transformadora que é justamente dar condição material de existência para a classe trabalhadora e, com isso, permitir que ela pense sobre o mundo em que ela vive.

Mas eu acho que é interessante pensar nessa dualidade, porque daí a gente se dá conta de que o Direito do Trabalho em alguma medida interessa ao funcionamento do sistema, porque esse é um sistema que depende de uma economia que circule, então eu preciso de pessoas que tenham condição de morar, de vestir, de comer e de consumir. E, por outro lado, ela é atacada, e esse tipo de mentira circula, exatamente pela potência que ela tem de evidenciar que esse é um sistema cheio de contradições. É um sistema que precisa regular essa relação jurídica e, ao mesmo tempo, ao regular a relação jurídica, dá às pessoas a capacidade de pensar sobre os problemas desse nosso modo de viver em sociedade, que não são poucos. Então, resumindo, tem Justiça do Trabalho nos outros países.

Sul21: A senhora já falou sobre a diferença de forças entre empregado e empregador. Mas eu queria te perguntar sobre essa frase específica que o Flávio Bolsonaro falou sobre a proposta dele, que não sabemos exatamente se ainda é a PEC do Rogério Marinho, mas essa é a proposta que está colocada. O Flávio disse: “Quem quer trabalhar mais, vai trabalhar mais, e quem quer trabalhar menos, vai trabalhar menos.” Dada a tua experiência, não só profissional, mas também como professora da área, como é que tu vês uma declaração dessas? Porque, de alguma forma, vende a ideia de opção do trabalhador e de liberdade de escolha. Como é que tu vês essa questão de “liberdade”?

Valdete Souto Severo: Então, a primeira coisa que eu posso dizer é que não há nenhuma originalidade nessa declaração. Porque quando a gente começa a estudar mais profundamente a própria forma como historicamente se constrói o conceito de liberdade e de autonomia individual, no centro desse conceito, que, no sentido moderno, é construído justamente para justificar a sociedade capitalista, tá essa noção de que a gente escolhe trabalhar. É isso, né? Então, veja como é fundo, até hoje a gente vê trabalhadoras e trabalhadores que dizem: “Não, é que eu tô aqui porque eu quero. Eu escolhi, né? Eu escolhi trabalhar como motorista para uma empresa que opera por plataforma, por exemplo, porque eu sou autônomo, tenho autonomia para escolher”.

Só que esse discurso, e por isso que eu digo que não é original, é muito profundamente assentado no nosso modo de convivência social, porque tem toda uma filosofia, uma construção de cultura política em cima dessa ideia de autonomia individual. E o que é que tá escondido nessa autonomia individual e não aparece? É que quem não trabalha não tem acesso ao alimento, para ficar num exemplo. Então, vamos lá, vamos traduzir isso para uma coisa bem prática, assim.

Quando alguém diz: “A pessoa, se quiser trabalhar mais, trabalha, se não quiser, não trabalha”, ele tá dando a opção da pessoa morrer de fome. Não ter casa para morar. Nesse sentido, a pessoa tem liberdade, né? Esse é o sentido da liberdade moderna. Eu tenho escolha. Eu posso trabalhar por salário ou eu posso não trabalhar. Mas aí eu vou morar na rua, como tanta gente tá morando hoje e daí eu não vou ter como comprar o alimento, porque o alimento não é distribuído. Isso é uma escolha política: não distribuir alimento, não distribuir remédio, não distribuir casa. Então, é nesse sentido que o uso da palavra liberdade é transformado para adquirir esse conteúdo individual, quando, na verdade, liberdade não é um valor individual; é um valor social.

Eu não consigo ter liberdade se vocês não têm. Não existe uma liberdade de um indivíduo só em meio a indivíduos não livres, mas se transforma num valor individual e se cria todo um discurso; é um discurso que a gente aprende desde pequeninho, que tá em todas as instâncias da nossa vida social, para nos convencer de que esse ato de escolha é verdadeiramente um ato de escolha. Não existe trabalho forçado regulado no Brasil. Existe só à margem da lei. Então, vamos lá, é um ato de escolha, mas essa escolha de trabalhar por salário é uma escolha que não coloca em xeque a minha possibilidade de viver. Essa é a questão.

Porque a pergunta seguinte é: Beleza, o trabalhador escolhe se ele trabalha 5 dias, 4 dias, 3 dias. Se ele trabalhar 3 dias, o que ele vai ganhar em troca vai permitir que ele more em algum lugar e que ele pague um aluguel? Não vai. Vai permitir que ele compre carne para se alimentar, que ele compre alimento suficiente para ter três refeições por dia? Não vai. Então, não é uma escolha. É uma falsa escolha. Mas o interessante é que esse discurso sempre volta.
 
Por isso, inclusive, que eu acho que a gente vai chamar esse movimento mais recente de neoliberalismo, quando na verdade é um pouco uma outra coisa, mas é porque tem uma coisa realmente que permanece nesse discurso desde que o capitalismo se assenta na Europa e é imposto aqui com a invasão europeia, que é essa noção individualista de liberdade e de autonomia que esconde a forma mais eficiente de dominação dos corpos, que é justamente colocar o alimento, o território, o remédio como uma mercadoria e algo, portanto, que eu só posso conseguir ter acesso se eu tiver dinheiro para uma realidade em que as pessoas não têm dinheiro. Porque quem produz o dinheiro é o Estado, o dinheiro é uma fabricação humana que o Estado produz, que já estava nas mãos das mesmas pessoas, continuou nas mãos das mesmas pessoas e que, para a maioria das pessoas ter acesso, elas têm que trocar trabalho por capital.

Então, olha que interessante, a troca de trabalho por capital tá no centro desse modelo de sociedade, é o que estrutura esse modelo de sociedade, é a relação menos cuidada pelo Estado, inclusive por todos os governos até agora, sem exceção, e é disfarçada nessa ideia de liberdade e autonomia individual, que é o mais caro para a gente. Porque a gente pensa sobre a vida, a gente sabe que a gente existe, que a gente tá aqui, vivendo. Então, nada é mais caro do que falar em liberdade. Então, é muito sedutor dizer: “Não, a gente vai deixar as pessoas livres para escolherem.” O problema é o que não se diz, que essa liberdade vai custar a possibilidade de viver com o mínimo de decência, algo que já é difícil para a classe trabalhadora hoje com a regra que se tem. Imagina então com essa precarização.

Sul21: E só para fechar, como é que se fiscaliza esse novo modelo de trabalho se ele vier a ser implementado? Vai ser mais difícil de fiscalizar? Como é que ti achas que isso vai se efetivar na prática?

Valdete Souto Severo: Eu acho que nesse aspecto não muda muito, porque vai ter que ter a documentação da relação, quantas vezes foi chamado. Então, vai ser possível até identificar a fraude. O problema é justamente que se legaliza essa forma de contratação; é tipo a questão da pejotização. Se eu digo que é lícito fingir que uma pessoa é uma empresa, se um órgão de cúpula do Poder Judiciário que tem efeito vinculante das suas decisões diz algo desse teor, não vai haver a própria regulação da licitude desse ato.

Então, o problema não vai ser fiscalizar; o problema vai ser que isso vai ser normalizado. Então, se o empregador fizer formalmente o que tem que ser feito e tiver uma lei, e se estiver dentro da Constituição essa possibilidade da pessoa receber só pelas horas que ela trabalhou, essa vai ser a regra do jogo. Então, não vai ter fiscalização eficiente, que a gente já não tem. Então, veja qual é o nosso problema: tem várias camadas. A gente tem uma Constituição elogiada no mundo inteiro, importantíssima, que traz os direitos sociais para o título dos direitos e garantias fundamentais, que garante lá uma estrutura mínima de proteção social, que é condição de possibilidade para viver com decência. Essa Constituição não é respeitada.

Em larga medida, esse desrespeito se dá não apenas pela prática ilegal de alguns tomadores de trabalho, mas também por uma jurisprudência condescendente com práticas que estão ali no limite, regimes de compensação, formas de despedida, punição no ambiente de trabalho que nem têm previsão legal. Já é muito difícil fazer valer o Direito do Trabalho com o quadro normativo que a gente tem e com a atuação do sistema de justiça que a gente tem. Se precariza ainda mais o quadro normativo, fica muito mais difícil, porque aí não tem fiscalização a ser feita, porque passa a ser a regra do jogo. Essa não é a única PEC perigosa, digamos assim, para a proteção social que a gente tem. A gente tem outras PECs que estão lá paradas hoje no Congresso, mas podem ser movimentadas, que trazem efeitos muito ruins para os direitos sociais, em especial os direitos trabalhistas, e que daí vão transformar o quadro normativo. Aí vai ficar muito mais difícil, não vai ter fiscalização que dê conta.

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Flávio pede derrubada de canal pró-Lula; TSE pede esclarecimentos.


Canal no WhatsApp criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) reúne cerca 
de 3.200.000 inscritos e mobiliza a militância pela reeleição do presidente Lula.

Por Luíza Altoé e Maria Beatriz Giusti

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (10/10) que suspenda o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para mobilizar aliados do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O canal, que reúne cerca de 3,2 milhões de inscritos, vem funcionando como uma das principais forças de ativação da militância nas redes sociais nesta campanha de segundo turno à Presidência. Na representação, Flávio pede a exclusão do canal e das publicações, em duas horas, e o banimento do perfil de Janones. Além disso, pede a cassação do registro ou diploma de Lula e do seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e a declaração de inelegibilidade dos responsáveis pelas supostas condutas abusivas.

A campanha bolsonarista alega que Janones teria coordenado a disseminação de conteúdos desinformativos e ofensivos contra Flávio, em benefício da reeleição de Lula. A representação sustenta que o canal atua na distribuição de “missões” de compartilhamento de publicações e teria empregado recursos públicos de campanha em impulsionamento de propaganda negativa.

“É uma tentativa clara de censura, porque as redes sociais é onde eles sempre dominaram. Mas, com esse canal, a gente passou deles e aí eles estão tentando vencer no tapetão”, afirmou Janones em vídeo publicado nas redes sociais, onde expressou sua indignação com o pedido da campanha de Flávio.  

Em resposta, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que Flávio apresente, em 72 horas, informações complementares e esclarecimentos para a análise dos pedidos. Caberá à campanha do bolsonarista informar se medidas semelhantes já foram solicitadas em outras ações e especificar as irregularidades atribuídas a cada publicação. O corregedor ainda pede que a defesa de Flávio identifique quais conteúdos deveriam continuar ativos. Além disso, Cueva concede cinco dias para que Flávio apresente os materiais que a petição inicial faz referência: vídeos, mensagens e outros arquivos digitais originais que não foram incluídos no processo eletrônico. A decisão menciona que tal medida possibilitará a conferência das provas e assegura o direito de defesa.

“A análise ocorrerá após os esclarecimentos, e os pedidos poderão não ser conhecidos nos pontos que permanecerem sem informação suficiente”, disse o TSE. 

Ainda que adiada a análise, o corregedor admitiu o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e determinou a notificação de Lula, Alckmin e Janones para apresentarem defesa em cinco dias. Ainda na decisão, o ministro ressalva que o recebimento da ação não significa o reconhecimento da veracidade das alegações. Além disso, o pedido de sigilo foi negado, ressalvada a possibilidade de proteção de dados específicos. 

Janones faz live.
Na noite de sábado (10/10), o deputado reuniu mais de 470 mil pessoas em uma live no Instagram, em protesto contra o pedido de Flávio. Durante a transmissão, Janones disse que a oposição estaria com medo de perder espaço nas redes sociais, com o crescimento do Exército de Lula.

“Vocês estão com medo. Vocês estão com medo porque se acostumaram a reinar, a impor medo nas pessoas. Nós retomamos as ruas e agora estamos retomando as redes. E nós viemos para as redes. E viemos para ficar. Vocês não vão nos intimidar”, afirmou.

Janones também afirmou que a oposição “sequestrou” a bandeira brasileira e defendeu que os apoiadores do presidente retomem os símbolos nacionais como parte de sua identidade política. “Tem mais uma coisa que a gente vai retomar. Os nossos símbolos que vocês sequestraram para vocês. A bandeira do Brasil. A camisa da Seleção Brasileira. O tetra vai vir e nós vamos reeleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil”, declarou. O parlamentar também agradeceu o apoio dos eleitores e afirmou que a comunidade pertence aos apoiadores. “Foi porque eu trato as pessoas que estão ali como pessoas. E eu ajudei a gerar nelas uma sensação de pertencimento. Que, me desculpe, mas esse Exército não é mais do Lula, ele não é do Janones. Ele é de vocês. Vocês fazem aquele canal ali”, declarou. Ao final, atribuiu o engajamento à influência de Lula. “Eu conquistei essas 3 milhões de pessoas, em primeiro lugar, acima de tudo, pela força de um homem chamado Luiz Inácio Lula da Silva. Essa força é dele”, disse.

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TSE dá 48 horas para Meta explicar suposta restrição a Lula na web.


Coligação de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a empresa de 
tentativa de interferência no processo eleitoral e acionou a Justiça.

Por Ronayre Nunes

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou no sábado (10/10) que o Facebook preste esclarecimentos, em 48 horas, sobre possível restrição seletiva de conteúdo da campanha do Partido dos Trabalhadores (PT). Mais cedo, a coligação de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a empresa de tentativa de interferência no processo eleitoral e acionou a Justiça. O grupo sustenta que a plataforma limitou entregas de postagens do partido e de aliados, prejudicando a paridade de armas na disputa.

Exigências estabelecidas para a Meta.
De acordo com o despacho judicial, a Meta deve cumprir as seguintes ordens:
Preservar todos os registros, logs de moderação, dados de anúncios e métricas relacionados ao caso;
Informar, perfil a perfil, todas as medidas aplicadas desde 16 de agosto às contas oficiais de Lula e de terceiros, como redução de alcance, exclusão de recomendação e restrição de busca;
Explicar as anomalias nas métricas dos vídeos publicados em 7 de outubro, inclusive se houve recontagem ou expurgo de visualizações;
Especificar o fundamento concreto da desabilitação da conta de anúncios da campanha, ocorrida em 23 de setembro;
Demonstrar se identificou a rede de 255 perfis e quais providências adotou;
Descrever como aplica o art. 28, § 1º-A, da Res.-TSE nº 23.610/2019, referente à exclusão de candidatos dos sistemas de recomendação, esclarecendo se o procedimento ocorre de forma idêntica para as duas candidaturas.

Apuração sobre perfis e prazos.

A representação partidária cita uma rede de 255 perfis no Instagram geridos por inteligência artificial. De acordo com levantamento do projeto "VigIA", da "Agência Lupa", realizado entre 1º e 5 de outubro, essas páginas somaram 58 milhões de visualizações em um mês divulgando ataques contra Lula, o PT e a primeira-dama Janja da Silva. O TSE também oficiou a "Agência Lupa" e o "Instituto Democracia em Xeque" para apresentarem a metodologia de suas pesquisas. Após a resposta da Meta, a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão 24 horas cada para manifestação, momento em que o tribunal vai analisar o pedido de tutela de urgência.

Posicionamento da plataforma.
A Meta declarou que os apontamentos realizados pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são desprovidos de fundamento.

"As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos", afirmou a Meta, em nota.

*Com informações da Agência Estado
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Bolsonaristas atacam Cleitinho: "Traiu eleitor de Minas".


Com posicionamento independente, senador 
tem incomodado eleitores da extrema direita.

Por Andrei Megre - Estado de Minas

 O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), tem sido alvo de críticas de bolsonaristas nas redes sociais devido a posicionamentos recentes. Apesar de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República, ele adota postura independente. Senador, Cleitinho apareceu em um vídeo ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para anunciar que o fim da escala 6x1 será votado na Casa na quarta-feira (14/10). Ele defende a medida, que também é apoiada pelo presidente Lula (PT).

“O cara quer discutir um assunto que não é conveniente ao país neste segundo turno? Um dia a menos de trabalho é aumento de despesa na casa do brasileiro que vive em um país afundado nas mãos do Lula. A gente deve discutir isso depois que o Flávio entrar”, criticou um eleitor do candidato do PL, no X (antigo Twitter).

Além de a pauta sobre a mudança na escala ser considerada eleitoralmente positiva para Lula, Alcolumbre tem sido alvo frequente de críticas entre a direita por não pautar nenhum dos mais de 100 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não é possível que ele [Cleitinho] teve coragem de gravar um vídeo com esse cara. Se esse vídeo tivesse saído antes do primeiro turno jamais eu teria votado nele”, disse outra pessoa.

'Traiu o eleitor'.
Outro posicionamento que incomodou foi Cleitinho ter prestado solidariedade à deputada federal eleita por Minas Ana Elisa (PT), que recebeu ameaças de morte e estupro.

“Cleitinho virou a casaca de vez e traiu o eleitor de Minas Gerais. Ele acaba de sair em defesa da militante extremista de esquerda: Ana Elisa”, publicou um perfil de extrema direita com mais de 60 mil seguidores no X.

“Cleitinho, você deveria ter feito esses posts com o Davi Alcolumbre antes do primeiro turno. Mas você é um oportunista e ganhou o voto do mineiro de bem. Agora está mostrando sua verdadeira face. Pacificar a nação não é servir a polícia e ao bandido. Respeite seu eleitor”, afirmou mais um.

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sábado, 10 de outubro de 2026

Ideia da equipe de Bolsonaro reduz aposentadorias pela metade.


Flávio Bolsonaro nega que vá acabar com reajuste real das aposentadorias, 
mas equipe econômica dele e do pai flertaram com a ideia.

Por: Marcos de Oliveira.

Apesar de Flávio Bolsonaro garantir que vai manter o aumento real para o salário mínimo e estender o reajuste às aposentadorias, há fortes motivos para desconfiar. Primeiro, porque, se ele assumisse que apoia a “desvinculação”, encaminharia sua derrota; segundo, porque os integrantes da equipe econômica do candidato do PL serem simpáticos à ideia. Até mesmo os jornalões duvidam da promessa, ao contrapor a manutenção do aumento real das aposentadorias à promessa de “forte ajuste fiscal”, na casa de R$ 300 bilhões. O governo de Bolsonaro pai limou o aumento real do salário mínimo e, consequentemente, das aposentadorias. Não é demais lembrar que o todo poderoso ministro Paulo Guedes defendia os chamados “3Ds”: desindexar, desvincular e desonerar. Nenhum deles aplicados ao Bolsa Banqueiro, claro.

Como mostrou esta coluna na quarta-feira, em 25 anos (2002 a 2026) o salário mínimo perderia metade de seu valor atual se não houvesse o reajuste real (além da inflação). Em vez de R$ 1.621, o mínimo cairia para R$ 807.

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PF e PGR negam que Vorcaro tenha afirmado que financiou documentário sobre Lula.


Reportagem da revista "Veja" publicada na sexta-feira (9) diz que Vorcaro teria afirmado, em áudio, que financiou um filme sobre a vida do presidente. A defesa do ex-banqueiro também nega a afirmação.

Por Redação g1 — Brasília 

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram na sexta-feira (9) que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tenha afirmado em depoimento ou apresentado documentos sobre um suposto financiamento do documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, durante as tratativas para uma delação premiada. A defesa de Vorcaro também negou a existência de um anexo sobre o tema na proposta de colaboração premiada do ex-banqueiro, que acabou rejeitada. A revista "Veja" publicou nesta sexta que Vorcaro teria afirmado, em áudio, ter financiado o filme sobre a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a revista, o material faria parte da proposta de delação. O documentário foi lançado em maio de 2024 e produzido entre 2022 e 2023. Em nota, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito pela revista nem entregou à instituição documentos ou informações sobre o assunto (veja na íntegra mais abaixo). 

A PF também publicou uma nota declarando que recebeu uma notícia-crime do grupo Prerrogativas com um pedido de investigação do caso. Os advogados pediram uma perícia no áudio atribuído ao banqueiro que inclui acusações contra o presidente, candidato à reeleição. A PF avalia a denúncia feita pela campanha do petista para decidir se abre ou não um inquérito sobre o caso. A PGR também negou as informações. De acordo com o órgão, as negociações foram conduzidas exclusivamente pelos advogados de Vorcaro, sem interlocução direta entre o ex-banqueiro e representantes da Procuradoria.

    "Não houve depoimento do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à junto a defesa".

A defesa do ex-banqueiro também diz que ele não prestou depoimento à PF ou à PGR durante as tratativas. Os advogados afirmam que não confirmam "o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas".

AGU pediu direito de resposta.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou, na tarde da sexta-feira (9), que solicitará direito de resposta e retificação das informações divulgadas, sem descartar outras medidas legais. O direito de resposta é um instrumento previsto na Lei nº 13.188/2015 que permite a uma pessoa ou instituição contestar informações divulgadas por veículos de comunicação que considere ofensivas ou inverídicas. Segundo o órgão, que representa juridicamente o governo federal, a iniciativa ocorreu após solicitações da Casa Civil e do Ministério da Saúde.

Veja a íntegra da nota da PGR:
"A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que as tratativas de colaboração premiada envolvendo o senhor Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido. Todas as propostas formalizadas pela Defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR. Não houve depoimento oral do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa. A Procuradoria-Geral da República respeita o sigilo que se impõe, por lei, ao procedimento de colaboração premiada havido."

Veja a nota da Polícia Federal na íntegra:
"A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, publicada pela revista Veja na sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito. As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa. Por fim, a Polícia Federal informa que recebeu na sexta-feira (9/10), notícia crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionadas à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária."

O que diz a defesa do ex-banqueiro:
"A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas. O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa esclarece que Daniel Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades. Brasília, 09 de outubro de 2026."

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Áudio de Vorcaro sobre Lula racha defesa do ex-dono do Master.


Advogado deverá encontrar com banqueiro para tentar esclarecer caso.

O vazamento de um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro no qual ele detalha um financiamento a petistas de um filme sobre Lula expôs o racha na defesa do banqueiro. A equipe que trabalha desde o início do caso com Vorcaro, liderada pelo advogado Sergio Leonardo, levanta suspeita de que a gravação foi clandestina e feita com aval do advogado Daniel Bialsky, que entrou recentemente no caso após duas propostas de colaboração premiada rejeitadas pela PF e pela PGR. Bialsky, por sua vez, nega qualquer envolvimento com o caso. Ele afirmou que o ex-dono do banco Master não prestou nenhum depoimento para a Polícia Federal ou qualquer outro órgão sobre isso e que nunca fez alusão sobre esse tema. Disse, porém, que a voz da gravação realmente é de Vorcaro, porém, não saberia dizer quando e em qual circunstâncias isso foi gravado.

A nota oficial de Sergio Leonardo e de Engels Muniz, não assinada por Bialsky, diz que “a defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”. A principal suspeita do grupo é que o áudio foi gravado durante uma videochamada com Vorcaro. Leonardo disse a interlocutores que deverá se reunir com o próprio Vorcaro ainda neste sábado para verificar se ele autorizou a gravação. Se sim, avalia deixar o caso. Se não, defenderá que Bialsky deixe o caso.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Moraes ordena cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro por coação e cancela passaportes de ex-deputado.


Ex-parlamentar mora nos Estados Unidos e recebeu do 
governo Donald Trump visto permanente de residência.

Por Pepita Ortega — Brasília 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou o chamado "trânsito em julgado", ou fim do processo, no qual o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado por coação no curso do processo. A partir da decisão, o magistrado ordenou o cumprimento imediato da pena de quatro ano anos e dois meses de prisão do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em regime semiaberto. Eduardo, porém, mora nos Estados Unidos e recebeu do governo Donald Trump visto permanente de residência. Na mesma decisão, Moraes ordenou o cancelamento dos passaportes de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado foi condenado por atuar no exterior junto a autoridades americanas para impedir o julgamento da trama golpista, caso em que o seu pai foi condenado a 27 anos de prisão.

Na prática a decisão assinada nesta tarde não impõe novas restrições a Eduardo Bolsonaro, mas visa certificar seu cumprimento. Foi determinada, por exemplo, a expedição do mandado de prisão do ex-deputado, assim como a inclusão do documento no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP). O despacho também insta o diretor-geral da Polícia Federal a adotar as "providências necessárias" para a declaração administrativa imediata da perda do cargo público de Eduardo Bolsonaro como escrivão de Polícia Federal. A medida foi determinada quando o ex-deputado foi condenado, em razão da violação direta e grave aos deveres inerentes à função pública. Também deverá ser calculada a multa que foi imposta a Eduardo Bolsonaro pelo STF quando de sua condenação. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral foi oficiado do despacho, já que os direitos políticos do ex-deputado ficarão suspensos durarem os efeitos da condenação criminal.

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