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sábado, 31 de outubro de 2026

O mundo faz o L: Brasil assume a vanguarda da resistência à extrema direita.

  
Reeleição de Lula abre novo capítulo inspirador para as democracias; gesto de apoio ao petista é incorporado na América Latina e na Europa como símbolo de liberdade e esperança. 

Da Rede PT de Comunicação 

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, 25, transformou o Brasil num símbolo global de esperança e de resistência contra a extrema direita e na defesa da democracia. A mobilização digital e as multidões de brasileiras e brasileiros que tomaram as ruas de todo o Brasil entre o primeiro e o segundo turno, garantindo uma virada inédita de 10 milhões de votos a mais para Lula na fase final da disputa, fizeram com que o “L” se espalhasse pelo mundo como gesto de luta e liberdade. O resultado eleitoral do Brasil têm inspirado manifestações em outros países e o engajamento digital de eleitores. Em diferentes idiomas, português, espanhol, francês e italiano, L.U.L.A também se transformou, nas redes, num acrônimo: Liga Universal da Luta Antifascista. Lula virou sinônimo de Luta. Ainda antes da confirmação da reeleição do petista, a ex-prefeita de Barcelona e candidata nas eleições espanholas pela Frente Ampla, Ada Colau, pediu durante um comício que seus apoiadores fizessem o L “pela esperança, pela Palestina livre, por Lula no Brasil e pela Frente Ampla”. 

Depois do resultado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, candidato pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), disse que a vitória de Lula representa a “virada do progressismo global” e que, “se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”. Ilustrações do premiê fazendo o L têm inundado as redes sociais, assim como uma logo alternativa com o L. As eleições espanholas serão em 29 de novembro, e as pesquisas indicam favoritismo do Partido Popular (PP), da direita conservadora. Algo parecido acontece na França. As pesquisas para a eleição presidencial que será realizada em 2027 apontam Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, de extrema-direita, como favorita. Depois da vitória de Lula, se espalharam pelas redes sociais vídeos de apoiadores de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa, fazendo dois Ls com as mãos e depois transformando o gesto em um M. O coordenador da França Insubmissa, Manuel Bompard, disse à emissora LCI que o aumento da participação popular foi fundamental para a vitória de Lula, e completou: “Quero dizer ao povo francês que o que os brasileiros fizeram, nós também podemos fazer na França”. A candidata ecologista Marine Tondelier afirmou que a virada de Lula “lembra que a vitória da extrema direita nunca está garantida de antemão”. 

Outro candidato, o socialista Raphaël Glucksmann, disse que o resultado mostra que “na política, não existe fatalidade” quando há “mobilização popular e cidadã”. Já o candidato do Partido Comunista Fabien Roussel chamou a reeleição de Lula de “extraordinária mensagem de esperança” que lembra que “a extrema direita não é uma fatalidade”. Cenas semelhantes se repetiram na Argentina, no México e no Chile. O gesto do L foi criado pelo publicitário Mário Milani durante a campanha presidencial de 1989. Segundo o próprio Milani, o L não é só de Lula, mas também de “luta” e, principalmente, de “liberdade”. Além dos vídeos de pessoas fazendo o L em todas as partes do mundo, alguns desses posts que tomaram as redes sociais nesta semana usam a trilha sonora do filme “Jogos Vorazes” e associam Lula à personagem Katniss, que a partir do Distrito 12 lidera uma revolução contra o governo fascista da Capital. Algumas publicações dizem que o Brasil é o “Distrito 13”, em referência ao número do PT.

A vanguarda de um novo tempo.
Para a cientista política Carolina Botelho, associada ao Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a virada histórica de Lula do primeiro para o segundo turno coloca o Brasil na vanguarda de um movimento global de resistência. O país foi o primeiro na última década que foi governado pela extrema direita e depois a venceu em dois ciclos eleitorais seguidos. Além disso, Lula contrariou uma tendência de que líderes de esquerda ou direita não conseguem mais se reeleger. Isso, por si só, já acende os holofotes das democracias sobre o Brasil, mas a mobilização pela virada nas ruas e nas redes, a redução histórica das abstenções e as cenas marcantes da eleição aumentam a projeção do país como fonte de inspiração para um novo capítulo da história política em nível global.
 
“A gente precisa entender isso como um novo capítulo mesmo para a política internacional, a ser observado, estudado e entendido pelas nações que estão atravessando essa ofensiva reacionária e neofascista”, afirma Botelho. Segundo ela, o feito se torna ainda mais grandioso ao levar em conta que “a gente tava lutando contra vários tsunamis internos e externos”.

“Além de resistir ao fascismo e à extrema direita nacional, a gente conseguiu de alguma forma frear uma ofensiva internacional, incluindo as big techs e poderes de muita grandeza. É como se a gente tivesse conseguido o impossível”, diz a cientista política. Ela também cita a ofensiva de grandes corporações, do mercado financeiro e de setores da imprensa nacional. Botelho também afirma que é preciso levar em conta o papel fundamental da sociedade civil. Para ela, todo esse movimento influencia países vizinhos e por todo o mundo: “O presidente Lula, mais uma vez, alçou o Brasil a um patamar de país a ser copiado em muitas questões”. Para a especialista, neste momento, o Brasil é um exemplo para o mundo democrático.

Exércitos da liberdade.

Uma das coisas que mais chamaram a atenção do mundo na vitória de Lula foi a força da mobilização digital. O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), tem sido replicado como estratégia digital em vários países. O canal saiu de cerca de 50 mil inscritos no primeiro turno para 10,5 milhões no segundo turno, três semanas depois. O deputado também organizou lives com a presença de políticos, artistas, influenciadores, intelectuais e o próprio presidente da República, além de coordenar ações nas redes sociais. O impacto foi tamanho que Janones foi convidado pela campanha de Pedro Sánchez para ajudar nas estratégias digitais do PSOE. A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, que fez o L ao celebrar a vitória de Lula no domingo, também convidou o deputado para uma visita de trabalho. Na França, apoiadores de Mélenchon criaram o canal “Les Soldats Insoumis” (“Soldados Insubmissos”, em português), que reuniu mais de 15 mil membros somente até terça-feira, 27, e levou à criação do canal oficial “L’équipe de Mélenchon officielle”. “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”, disse o deputado Antoine Laument, que organiza o grupo.

Na argentina, foi criado no Instagram e no WhatsApp o “Ejército del Peronismo”. E na Espanha estão sendo compartilhadas nas redes sociais cartilhas de “regras de Janones”, misturando a estratégia digital de não engajar conteúdos adversários e o cumprimento de “missões” pelos “soldados”. O grupo “La Fuerza da Gente” tem replicado esses conteúdos. O modelo de militância digital implementado no Brasil também está sendo observado por apoiadores do Partido Democrata dos Estados Unidos. A influenciadora Jess Craven publicou um vídeo em seu instagram entitulado “O que podemos aprender com o Brasil?”.

https://pt.org.br/ 

Vorcaro provoca delegada em depoimento sobre fraude no Master: ‘Tem alguém com coragem na PF?’


Em depoimento à Polícia Federal, ex-banqueiro negou ter causado prejuízo de R$ 2,2 bilhões ao BRB e contestou as suspeitas envolvendo carteiras de crédito do Banco Master

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, foi acusado de fraude pela delegada da PF (Polícia Federal) Janaína Palazzo durante depoimento em 15 de outubro. Na ocasião, ela apontou suspeitas de fraude envolvendo carteiras de crédito que teriam sido repassadas ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro negou ter causado prejuízos à instituição e questionou a atuação dos investigadores: “Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para entender isso?”. A audição foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (29), um dia após Vorcaro ser acusado de gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro, segundo o Metrópoles. No depoimento, a delegada afirmou que a fraude ocorreu quando Vorcaro pegou “as carteiras de uma base de dados que, aparentemente, quem trouxe foi o seu sócio, ou ex-sócio, Augusto Lima, e internaliza nos sistemas do seu banco”.

Em seguida, o ex-banqueiro questionou: “Eu fiz isso? A senhora tem prova?”. Vorcaro prosseguiu dizendo que a PF fez um “relatório inicial baseado em informação do Banco Central, que depois ele mesmo disse que já tinham acabado as transações”. Na audiência, Vorcaro reconheceu que houve problemas envolvendo a empresa Tirreno, mas afirmou que “foi resolvido lá atrás”. A delegada da PF argumentou que “tem ações que, apesar de poderem resolver algo financeiramente, não significa que você vai apagar o que aconteceu”. O ex-dono do Banco Master, então, respondeu que “tem que investigar tudo” e voltou a negar crime.

“Se alguém fez alguma coisa de errado dentro do meu banco, no BRB, na Tirreno, tem que ser apurado. Agora, o que eu sei é que eu não fiz nada. O que eu fiz foi: quando eu fiquei sabendo de problema na carteira, peguei ativos do banco e substituí, peguei ativos próprios e substituí, em boa-fé com o BRB, que hoje mais ativos do que ele pagou. Essa é a realidade. Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para poder entender isso?”, questionou.

Janaína informou que já solicitou acesso aos documentos e ao resultado da auditoria. A delegada também mencionou o prejuízo de R$ 2,2 bilhões que, segundo a investigação, teria sido causado ao BRB. “Para mim, é muito dinheiro”, destacou. De acordo com a PF, as carteiras de crédito que conteriam créditos inexistentes foram originadas na Tirreno e transferidas ao BRB por meio do Banco Master. As investigações apontam que Vorcaro teria conhecimento da origem e das inconsistências dos ativos.

“A senhora sabe o que é baixa? É provisionamento contábil que o banco faz. Não quer dizer que não vale”, contestou Vorcaro. A delegada, então, afirmou que “o que a gente acompanha é uma tentativa desesperada do DF de conseguir um empréstimo” para o BRB.

O Governo do Distrito Federal solicitou R$ 6,6 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mas a negociação foi travada após a União se recusar a conceder aval à operação.

*Com informações do Metrópoles
https://ndmais.com.br

Por que Flávio prevê queda antecipada de Lula e admite disputar Presidência antes de 2030.


Por Juliet Manfrin

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que uma crise econômica no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá provocar uma antecipação da disputa presidencial e abrir caminho para uma nova eleição antes de 2030. A declaração foi feita na sexta-feira (30), durante sua primeira transmissão ao vivo dos Estados Unidos, após deixar o Brasil com a mulher e as duas filhas.  Na avaliação do parlamentar, o agravamento das dificuldades econômicas será o principal fator de desgaste do governo e poderá abreviar a permanência de Lula no Palácio do Planalto. Flávio comparou o cenário que projeta para a atual gestão à crise enfrentada pelo governo Dilma Rousseff (PT) em 2014 e 2015, mas afirmou que a situação poderá ser ainda pior.

“Eu acho que a minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”, declarou.

O senador argumentou que Lula enfrentará dificuldades para conciliar as promessas feitas durante a campanha com a situação das contas públicas. Segundo ele, caso o presidente adote as medidas necessárias para cumprir os compromissos anunciados, poderá agravar ainda mais a situação econômica.

“Se ele fizer aquilo que prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido”, afirmou. Flávio disse acreditar que a deterioração econômica poderá derrubar o presidente “muito antes do que muita gente imagina”.

Flávio admite nova candidatura presidencial.
Ao abordar seu futuro político, o senador mencionou os quase 60 milhões de votos que recebeu no segundo turno e sinalizou disposição para voltar a disputar a Presidência da República.

“Qualquer coisa que aconteça eu vou estar aqui pronto, inclusive se for preciso para disputar a Presidência da República de novo”, declarou.

“Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”.

Flávio também defendeu que a oposição concentre sua atuação no Congresso Nacional, especialmente no Senado. Durante a transmissão, anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência da Casa e pediu que seus apoiadores pressionem os parlamentares a votar no aliado. Na avaliação do senador, o comando do Senado seria uma frente importante para conter as iniciativas do governo petista. Ele classificou o Legislativo como a principal trincheira de resistência da oposição.

Senador relata conversa com o pai antes de deixar o país.
Durante a transmissão, Flávio também apresentou sua versão sobre as circunstâncias da saída do Brasil. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na segunda-feira (26). O senador relatou que tinha autorização para permanecer por 30 minutos na residência do ex-presidente, na condição de advogado. Ao término do encontro, foi informado de que agentes da Polícia Federal estavam no local para entregar uma intimação relacionada à determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a entrega de seus passaportes e a proibição de deixar o país. Flávio contou que interpretou a medida como o início de uma perseguição judicial e relatou uma conversa reservada com o pai. Segundo sua versão, Jair Bolsonaro demonstrou preocupação com as consequências da decisão judicial e perguntou se o filho compreendia onde as medidas poderiam chegar.

Depois de voltar para casa, o senador disse que conversou com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e decidiu viajar com a família. Ele negou que outras pessoas tenham participado do planejamento.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubessem, a chance de dar errado seria maior”, afirmou.

O parlamentar rejeitou a interpretação de que tenha abandonado o país e resumiu sua justificativa em uma frase: “Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”.

Críticas ao STF e promessa de atuação no exterior.

Flávio afirmou que pretende continuar exercendo influência sobre a oposição ao governo Lula mesmo estando nos Estados Unidos. Segundo ele, a distância permitirá expressar opiniões que, em sua avaliação, poderiam ser censuradas ou resultar em represálias caso permanecesse no Brasil. 
O senador classificou a situação institucional brasileira como um “regime de exceção” e acusou o Judiciário de atuar politicamente. Também afirmou que não teria condições de recorrer às instituições nacionais caso se considerasse vítima de uma injustiça. Outra crítica foi direcionada às possíveis negociações envolvendo a situação judicial do pai. Flávio afirmou que considera inaceitável utilizar a liberdade de Jair Bolsonaro como instrumento de negociação política. Ao defender sua permanência nos Estados Unidos, o senador sustentou que pretende assumir um papel de liderança na oposição e manter a articulação com aliados no Congresso Nacional.

 https://www.gazetadopovo.com.br 

Itamaraty convoca diplomata argentina, mas evita transformar fuga de Flávio Bolsonaro em crise com Milei.


Vinícius Nunes

O Ministério das Relações Exteriores convocou, na quinta-feira 29, a encarregada de negócios da embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para pedir esclarecimentos sobre a participação do governo de Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. Apesar da iniciativa, o governo Lula (PT) não pretende transformar o episódio em um novo confronto diplomático com Buenos Aires. A informação foi antecipada pelo UOL e confirmada por CartaCapital. A conversa foi rápida, durou poucos minutos e teve caráter protocolar. Cortés foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pela interlocução com os países da região no Itamaraty. O objetivo foi transmitir um pedido de informações sobre a atuação de autoridades argentinas no deslocamento de Flávio até os Estados Unidos, e não apresentar uma reprimenda formal ao governo de Milei. A convocação de representantes diplomáticos para prestar esclarecimentos é um procedimento habitual nas relações entre países. A escolha por uma reunião breve e sem a participação da cúpula do ministério também está alinhada à orientação do Planalto de evitar que o episódio se transforme em uma disputa pública entre os dois governos.

A avaliação no governo brasileiro é que não interessa a Lula abrir uma nova frente de tensão com a Argentina, especialmente em um momento em que as relações bilaterais já atravessam um período delicado. A estratégia é não responder às provocações de Milei nem oferecer a ele e a Donald Trump um novo palanque político a partir da situação de Flávio. O Brasil e a Argentina estão sem os seus respectivos embaixadores nos países depois que, em agosto, o governo brasileiro decidiu rebaixar a relação diplomática entre ambos. O diplomata Julio Bitelli foi chamado de volta para o Brasil naquele mês, e o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, voltou para Buenos Aires. A medida foi uma resposta aos ataques recorrentes de Milei ao presidente Lula, chegando ao ápice de o argentino participar da convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência e proferir diversas ofensas contra o petista.

‘Lulinha Paz e Amor’.
A disposição de manter os canais diplomáticos abertos também deve aparecer na cerimônia de posse de Lula, marcada para 5 de janeiro de 2027. O presidente pretende convidar todos os chefes de Estado de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas, o que inclui tanto Milei quanto Trump. O norte-americano ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Lula e fez declarações questionando o processo eleitoral brasileiro. A orientação do Planalto é não permitir que as divergências políticas impeçam a manutenção das relações institucionais. Em vez de alimentar uma escalada de declarações, Lula pretende preservar a interlocução com os dois governos, inclusive para evitar que a crise em torno de Flávio comprometa outros interesses brasileiros nas relações com Washington e Buenos Aires. Lula, inclusive, deve ir aos Estados Unidos ainda neste ano para a Cúpula do G20, que será realizada em 14 e 15 de dezembro.

https://www.cartacapital.com.br

O povo brasileiro passou no teste, ao contrário dos americanos.


Trajetória brasileira seguia os passos da política americana desde 2018. 
Quebra em 2026 simboliza escolha do eleitor pelo caminho da democracia.

Há oito anos, o Brasil escolheu seguir passo a passo, com dois anos de atraso, o roteiro traçado pelos Estados Unidos. O populismo autoritário de Donald Trump, eleito em 2016, foi seguido pelo de Jair Bolsonaro, escolhido pelas urnas em 2018. A tentativa de golpe após a eleição americana de 2020 foi seguida por outra brasileira em 2022; ambas culminaram com um episódio de multidões, arregimentadas pelos aspirantes a autocratas, destruindo prédios-símbolo das respectivas repúblicas. Houve, então, uma primeira divergência. Nos EUA, Trump escapou de punição pela sua tentativa de golpe, e em 2024 os eleitores americanos o elevaram uma vez mais à Presidência. Com a impunidade chancelada pela absurda decisão da Suprema Corte que declarou os presidentes imunes a qualquer punição criminal por “atos oficiais”, voltou ao poder com o intuito de governar como um autêntico autocrata eleito. No Brasil, em contraste, o dito “Trump dos trópicos” foi castigado. Primeiro, com a anuência tácita de todo o establishment político brasileiro, Jair Bolsonaro foi banido do cenário eleitoral. Em setembro de 2025, ele e vários de seus cúmplices na tentativa de golpe foram julgados, condenados e presos. Como à época afirmei, isso não foi pouco. Pareceu, naquele momento, que o Brasil traçaria um caminho distinto, escolhendo a proteção da democracia contra aqueles que violaram seu princípio mais inegociável: quem perde uma eleição vai para casa. 

Infelizmente, ao longo de 2026, pareceu cada vez mais provável que voltaríamos várias casinhas, indo uma vez mais ao encontro do sórdido caminho de colapso democrático desbravado pelos EUA. De dosimetria em dosimetria, para usar o eufemismo a que se aferraram os apologistas do golpismo, Jair Bolsonaro foi para casa e, ainda que preso, conseguiu retomar o controle da direita, tal como Trump. Não podendo se candidatar, impôs seu filho, o pouquíssimo talentoso Flávio, como o “poste” da vez, confiando nos laços de sangue como aposta para viabilizar a continuidade de seu projeto. E o pior é que tudo caminhava para um retumbante sucesso dessa estratégia. A liderança no primeiro turno, somada à eleição de uma numerosa bancada bolsonarista para o Congresso Nacional, pressagiava o retorno triunfal daquele que parecia ter sido finalmente alijado do jogo democrático que vilipendiara.

O risco era enorme.  
Não apenas porque a história demonstra, com fartas evidências, que é nos segundos mandatos que avançam rapidamente os projetos autoritários que parasitam e corroem por dentro várias democracias. Mas também porque o bolsonarismo carrega em seu DNA os vícios de seu lugar de origem: a política do Rio de Janeiro, um estado-máfia dominado pelo crime organizado, pelas milícias e pela corrupção endêmica. Se Jair representa um organismo transplantado que ali vicejou e cresceu, Flávio é uma criatura do pântano: sua existência política não seria concebível fora do lodo. O Brasil estava, portanto, prestes a entregar seu destino à fina flor da política fluminense. Precisamos dar ao eleitor brasileiro o crédito que ele merece: ele se deu conta de que tinha muito a perder e escolheu dar meia volta, em vez de prosseguir no caminho da erosão democrática

Tivemos no domingo (25), porém, o que quase ninguém esperava, a última reviravolta do roteirista insano que parece escrever a trajetória política do Brasil. Após parecer mais uma vez requentar as fórmulas da série de horror que há anos se mantém no ar na América do Norte, ele engendrou a cena mais surpreendente: o povo brasileiro disse “não”.  E não foi um “não” tímido. Confrontado com a possibilidade de um presidente do naipe de Flávio Bolsonaro, com seu histórico político, e de lhe dar um poder insolitamente extenso — maioria no Congresso, possibilidade de consolidar uma maioria no Supremo Tribunal Federal, apoio irrestrito de um governo americano sem nenhum pudor de se imiscuir nos assuntos de outros países —,  o eleitor brasileiro não deixou margem à dúvida. Isso foi de uma importância fundamental. No prazo imediato, porque cortou pela raiz a tentativa de contestação que o candidato derrotado chegou a ensaiar. Mais ainda, porque retirou do bolsonarismo qualquer tipo de reivindicação de apoio majoritário.

A comparação com os EUA, como tantas vezes, é particularmente útil aqui. Não podemos exagerar o impacto do fato de que Trump obteve, em 2024, mais votos que a rival democrata, Kamala Harris. A express da moda, naquele momento, era “vibe shift”: uma mudança de ventos não apenas política como cultural. O país havia aparentemente revelado sua essência MAGA, e cabia a todos se alinhar ou sucumbir. Os escritórios de advocacia, as universidades, os executivos de Hollywood: todos (ou muitos) em alguma medida se alinharam. Os tech bros recém-convertidos, entusiasticamente, ao catecismo da extrema direita davam o tom. A devastação infligida pelo segundo mandato trumpista à democracia americana não teria sido possível sem isso. O bolsonarismo teria, sem dúvida nenhuma, adotado postura semelhante. Com efeito, o resultado do primeiro turno já foi o bastante para que isso ficasse mais que evidente, no triunfalismo da campanha de Flávio nos dias que se seguiram. Parece-me que foi isso, antes de tudo, que o povo brasileiro viu e rejeitou. Sim, os desafios seguem imensos, assim como as perspectivas de dificuldades políticas para os próximos anos, num cenário econômico crítico. Não está nada claro, a julgar pelo desempenho do terceiro governo Lula, que o próximo estará à altura desses desafios.

Mas isso fica para depois. Neste momento, a despeito da queda da bolsa ou da disparada do dólar, precisamos dar ao eleitor brasileiro o crédito que ele merece: diferentemente do que ocorreu em outras democracias supostamente maduras e estáveis por aí, ele se deu conta de que tinha muito a perder e escolheu dar meia volta, em vez de prosseguir no caminho da erosão democrática. Nos dias de hoje, não podemos pedir muito mais do que isso.

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O que pode acontecer com Flávio Bolsonaro nos EUA se democratas derrotarem Trump no Congresso?


Brasileiros pedem nas redes a políticos democratas a deportação do senador em caso de vitória. Especialistas explicam ao g1 que eventual maioria legislativa de oposição a Trump poderia investigar e fazer pressão política, mas tirá-lo do país é mais difícil.

Por Aline Freitas, g1 — São Paulo 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos a uma semana das eleições de meio de mandato (midterms), que vão renovar toda a Câmara dos Deputados e cerca de um terço do Senado no país. Por conta disso, nas redes sociais, brasileiros têm pedido a candidatos democratas a expulsão do senador dos EUA. A hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre as mais compartilhadas do X no Brasil nesta sexta-feira (30). Mas como as midterms podem afetar a permanência de Flávio, aliado de Trump, no país? Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a deportação ou expulsão do senador não está nas mãos do Congresso. Isso porque as decisões sobre a permanência de estrangeiros nos EUA envolvem órgãos do Executivo, como o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos submetidos ao governo Trump. Mas as Casas poderiam abrir uma investigação para apurar um possível envolvimento das autoridades norte-americanas na fuga do senador brasileiro e se houve algum favorecimento na concessão de vistos para ele e sua família. Além disso, ainda na visão dos especialistas, eventuais investigações e cobranças públicas poderiam ampliar a pressão política sobre o governo Trump e influenciar uma possível decisão das autoridades norte-americanas sobre a permanência de Flávio no país. 

Apesar dessa possibilidade, a avaliação é de que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso. A tendência, segundo eles, é que a oposição concentre esforços em limitar as ações de Trump, especialmente na política econômica e em questões internas, como o custo de vida da população, além de se preparar para a eleição presidencial de 2028.

Entenda mais abaixo:

O Congresso pode expulsar Flávio Bolsonaro dos EUA?
Desde a chegada de Flávio ao território norte-americano, o membro do partido democrata e comentarista político Isaiah Martin tem afirmado nas redes sociais que, com uma possível maioria democrata no Congresso, o senador seria deportado. Contudo, como avaliam os especialistas, essa possibilidade é remota. “Não se pode pensar que o Congresso tem o poder de deportar alguém. Isso não está na sua incumbência, não está na sua jurisdição", explica Roberto Uebel, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM) e professor de Relações Internacionais da ESPM. Vitelio Brustolin, professor no departamento de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que a concessão ou a revogação de vistos é uma atribuição do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio. O professor explica também que há diferenças entre deportação, revogação de vistos e expulsão. A revogação do visto não implica a saída automática de um estrangeiro dos EUA. Já a deportação envolve um procedimento legal para determinar sua retirada do país. A expulsão pode levar à saída obrigatória, conforme as regras migratórias aplicáveis. Apesar disso, os democratas poderiam usar uma eventual maioria no Congresso para pressionar o governo de Trump a prestar esclarecimentos sobre a entrada e a permanência do senador brasileiro no país.

Uebel avalia que esse tipo de cobrança poderia aumentar o desgaste político do governo Trump e influenciar decisões das autoridades responsáveis pela situação migratória do senador. No entanto, ressalta que o caso brasileiro dificilmente ocupará um lugar central na agenda dos democratas. Tomaz Paoliello, coordenador do mestrado em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais na Puc-SP, por sua vez, também reconhece a capacidade de pressão política do Congresso, mas considera pouco provável que ela resulte em medidas concretas contra Flávio.

    “Um Congresso poderoso, a gente sabe, conhecendo a história dos EUA, consegue fazer pressão sobre as instituições burocráticas”, explica. “Particularmente, no caso do Flávio Bolsonaro, não é uma coisa tão importante - ou pelo menos eles não têm dado muita importância”, afirma.

Investigação sobre atuação do governo Trump.

Uma eventual maioria democrata no Congresso poderia abrir investigações para apurar se autoridades do governo Trump ofereceram algum tipo de favorecimento a Flávio Bolsonaro e sua família. As apurações poderiam aumentar a pressão política sobre o Executivo e influenciar uma possível decisão sobre a permanência do senador no país, embora não tenham o poder de determinar sua deportação. Segundo Brustolin, uma comissão parlamentar poderia investigar se houve tratamento excepcional na concessão de vistos, na autorização de entrada no país ou na manutenção do status migratório do senador.

“Para abrir uma investigação parlamentar basta a Câmara dos Deputados. Então não seria necessário conquistar simultaneamente maioria no Senado”, explica.

Uebel avalia que uma das principais medidas poderia ser a convocação do secretário de Estado, Marco Rubio, para prestar esclarecimentos sobre a atuação do governo norte-americano no episódio. Caso fossem identificadas irregularidades ou abusos de poder, as apurações poderiam dar origem a outras medidas contra as autoridades envolvidas, mas não teriam o poder de determinar a revogação do visto ou a saída de Flávio dos EUA. Brustolin destaca ainda que o acesso dos parlamentares às informações migratórias não seria irrestrito. Documentos sobre vistos e comunicações do governo podem estar sujeitos a regras de confidencialidade e a questionamentos do Executivo.

    “Tem também uma espécie de privilégio do Poder Executivo. A Casa Branca pode invocar privilégios e objeções legais para reter determinadas comunicações presidenciais”, explica. "Isso não cria imunidade absoluta contra investigações, mas pode provocar disputas sobre a extensão do acesso a documentos e testemunhos.”

EUA têm outras prioridades.

Apesar da possibilidade de abrir investigações e pressionar o governo, os especialistas avaliam que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso. Para Paoliello, as eleições de meio de mandato estão concentradas principalmente em questões internas do país, como a economia e o custo de vida da população. O professor avalia que uma eventual maioria democrata deve dificultar a aprovação de novas leis e propostas orçamentárias do governo Trump. Ao mesmo tempo, os democratas devem buscar apresentar medidas voltadas à população, já de olho na disputa presidencial de 2028. Roberto Uebel, por outro lado, acredita que a principal prioridade dos democratas será abrir um processo de impeachment contra Trump.

    “A dúvida é se eles querem destituí-lo de fato ou arrastar um longo processo de impeachment para desgastar ao máximo o presidente Trump e os republicanos, olhando já para as eleições presidenciais de 2028”, afirma.

Paoliello discorda dessa avaliação. Segundo ele, as tentativas de destituir o presidente Trump que já ocorreram não deram um resultado político favorável aos democratas já que o republicano voltou ao poder. Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato. O primeiro, em 2019, envolveu acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso após pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden. O segundo, em 2021, ocorreu após a invasão do Capitólio por seus apoiadores. Em ambos os casos, a Câmara aprovou o impeachment, mas o Senado absolveu o republicano.

O que disseram os democratas sobre a fuga de Flávio?

Após a chegada do senador aos EUA, um grupo de políticos democratas do Congresso questionou, em carta ao secretário de Estado Marco Rubio, o papel que o governo Trump desempenhou na fuga de Flávio e o processo de emissão de vistos para ele e sua família. A carta, obtida pela repórter da TV Globo Raquel Krahenbuhl, foi enviada ao Departamento de Estado norte-americano na noite de quinta-feira (29). Segundo o site norte-americano Politico, a carta é assinada por um grupo de 25 democratas da Câmara dos Deputados, liderado pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus. Entre os signatários, estão membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara — o órgão inclusive criticou publicamente a entrada de Flávio Bolsonaro.

    "A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?", afirmou a carta.

Apesar da mobilização, Tomaz Paoliello avalia que a situação ainda tem pouca relevância no debate eleitoral norte-americano.

"Eu acho que os democratas, nesse momento, poderiam pegar isso como uma causa se eles sentissem que isso pode impactar nas eleições", diz. "[Mas] esse tema especificamente de política externa não tem sido muito forte".

Para ele, isso se dá porque as eleições para o Congresso focam mais em questões internas dos EUA do que a posição de Trump em relação a outros países. O que dizem as pesquisas sobre as midterms?

Senado.
Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro.
 
Center for Politics da Universidade da Virgínia.
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 14 de outubro, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 49 cadeiras
    Republicanos: 46 cadeiras
    Disputas indefinidas: 5 cadeiras
 
Race to the WH.
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 22 de outubro, a previsão era a seguinte:

    Democratas: 52 ou 53 cadeiras
    Republicanos: 47 ou 48 cadeiras
    Chance de vitória dos democratas: 72,5%

 
270toWin.
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 48 cadeiras
    Republicanos: 48 cadeiras
    Disputas indefinidas: 4 cadeiras

 
Câmara dos Deputados.
De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no dia 19 de outubro apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano.
 
Center for Politics da Universidade da Virgínia.
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 20 de outubro, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 223 cadeiras
    Republicanos: 200 cadeiras
    Disputas indefinidas: 12 cadeiras

 
Race to the WH.
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 22 de outubro, a previsão era a seguinte:

    Democratas: 236 cadeiras
    Republicanos: 199 cadeiras
    Chance de vitória dos democratas: 92,2%
 
270toWin.
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição da Câmara após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 220 cadeiras
    Republicanos: 200 cadeiras
    Disputas indefinidas: 15 cadeiras


https://g1.globo.com 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Do visto humanitário ao risco de deportação, entenda a situação jurídica de Flávio Bolsonaro após a fuga para os EUA.

 
Autorização recebida pelo senador para ficar no país dura um ano e pode ser renovada; extradição dependeria de ordem de prisão e aval da Justiça americana.


Por Eduardo Gonçalves — Brasília.

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após derrota eleitoral no domingo, deixou uma série de questionamentos sobre a atuação de autoridades brasileiras, argentinas e americanas no episódio. Alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em supostos esquemas de lavagem de dinheiro, Flávio estava com os passaportes brasileiros cancelados, mas não possuía nenhum mandado de prisão em aberto ao deixar o país. O GLOBO esclarece a seguir as principais dúvidas sobre o caso. 

Flávio Bolsonaro pode ser extraditado dos EUA?

Antes de um eventual pedido de extradição, é preciso que a Justiça brasileira emita alguma ordem de prisão que justifique a medida, o que não ocorreu. O Brasil possui um acordo de extradição com os EUA desde 1961. Mas isso não quer dizer que Flávio Bolsonaro será automaticamente preso e enviado de volta ao seu país em caso de pedido das autoridades brasileiras. Cabe à Justiça dos Estados Unidos decidir se as acusações contra ele são válidas no território americano para autorizar uma eventual extradição.

Mesmo sem um pedido de extradição, Flávio pode ser deportado?

Nas atuais condições, não. Mesmo com o passaporte cancelado, o senador está autorizado a permanecer em território americano após uma autorização normalmente concedida a imigrantes por “razões humanitárias”. No documento de imigração do parlamentar, consultado pelo GLOBO, consta a classe de admissão “DT”. Na prática, a sigla indica que a permissão foi concedida no próprio local de entrada por meio de uma autorização temporária, não por causa de um visto previamente concedido.

Quanto tempo dura a autorização por ‘razões humanitárias’?

Emitido em 28 de outubro de 2026, o registro autoriza a permanência de Flávio por um ano, ou seja, até 27 de outubro de 2027, mas pode ser revogado. Inicialmente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou que o país emitiria vistos para o senador e sua família. O dado da entrada de Flávio, entretanto, indica que isso ainda não foi feito.

Como Flávio vai se manter financeiramente nos Estados Unidos?

Flávio tem mandato de senador pelo Rio de Janeiro até fevereiro de 2027, com salário de R$ 46.366,19. Até o momento, o parlamentar não pediu licença do cargo nem indicou que abrirá mão dos valores enquanto não estiver no Brasil. No pedido para reter o passaporte do parlamentar, a Polícia Federal (PF) afirmou que Flávio conta com uma “estrutura” financeira e o “expressivo poderio econômico” de investigados para se manter nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, parte desse dinheiro viria do seu amigo Willer Tomaz, que está nos EUA desde agosto e é suspeito de movimentar R$ 5 bilhões em plataformas de apostas. Além disso, a PF afirma que o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, já mantém uma “estrutura voltada à permanência de longa duração”.

A saída do país pode levar o ministro Alexandre de Moraes a tomar novas medidas?

Doutor em Direito Processual Penal pela Universidade de São Paulo (USP), Renato Stanziola Vieira afirma que são “possíveis e viáveis” novas medidas processuais, mas dependem de pedido da PF e do Ministério Público Federal (MPF). Moraes é relator no Supremo da investigação contra Flávio que apura suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas a Willer Tomaz. Segundo Vieira, o fato de Flávio não ter cumprido a ordem para entregar o passaporte, determinada por Moraes, e ter deixado o país podem justificar novas medidas contra o senador: — A decisão de Flávio pode significar um risco ao andamento da investigação e, portanto, justificar a imposição de outras medidas além das já decretadas, inclusive uma eventual prisão preventiva. O comportamento processual do investigado pode ter colocado esse próprio investigado numa situação de risco da manutenção da sua liberdade.

Por que a PF deixou Flávio cruzar a fronteira e sair do Brasil?

A corporação argumenta que não há ordem de prisão e, por isso, não poderia fazer ações de vigilância ou adotar medidas cautelares que impedissem a circulação de Flávio. A única medida tomada até agora em relação ao senador foi o cancelamento dos passaportes brasileiro e diplomático, conforme ordenou o ministro Alexandre de Moraes. Na região da Tríplice Fronteira, entretanto, não há necessidade de apresentação de passaporte para quem deixa o Brasil. O local é uma “área de controle integrado (ACI)”, que reúne no mesmo local agentes de aduana, imigração, vigilância sanitária e transporte de ambos os países. Nestes pontos, motoristas podem ser obrigados a parar para a verificação de documentos e dos veículos, mas como o fluxo é muito grande, essa fiscalização não costuma ser feita de forma ostensiva. Segundo dados levantados pela GloboNews, cerca de 23 mil pessoas e 8 mil veículos passam por dia pela ponte Tancredo Neves, que teria sido usada por Flávio para atravessar de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Puerto Iguazú, na Argentina. 

A PF ainda tenta esclarecer se Flávio, de fato, passou por um posto de controle migratório brasileiro e não foi cobrado a apresentar os documentos. Segundo os investigadores, não há registro formal de saída dele e de seus familiares nas aduanas brasileiras. Segundo informações do Ministério da Segurança da Argentina, Flávio atravessou a ponte às 22:50h da terça-feira. No controle migratório do aeroporto argentino, o político apresentou o seu passaporte italiano às 23:52h.

Qual foi o trajeto de Flávio no Brasil até chegar na Argentina?

Ainda há poucas informações sobre isso. Jornais argentinos afirmam que após deixar Brasília, entre a noite de segunda-feira e a terça-feira, Flávio teria ficado com a família em uma fazenda em Foz de Iguaçu, no Paraná, e atravessado a fronteira até a Argentina de van, contratada junto a uma agência brasileira de turismo. Contatado pelo GLOBO, o dono da empresa negou ter feito o traslado do senador e familiares. Uma outra hipótese é que Flávio entrou na Argentina por via aérea, com um avião privado. A colunista Malu Gaspar, do GLOBO, revelou que um jato que pertence ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, voou de Brasília para San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, na manhã de terça-feira.

Quem ajudou Flávio a deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos?

A PF trabalha com a suspeita de que Flávio contou com o apoio do governo argentino de Javier Milei para empreender a saída do país. Entre os indícios está a presença de um assessor do presidente na região da Tríplice Fronteira, que estaria monitorando de perto a operação. Parlamentares argentinos que fazem oposição a Milei estão cobrando explicações do seu governo, como se houve o emprego de agentes de inteligência e recursos públicos na empreitada. O governo de Donald Trump também indicou que estava ciente da ida de Flávio aos Estados Unidos. O Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio, informou na tarde de terça-feira que iria conceder vistos ao senador e seus familiares e que sua entrada nos EUA estava autorizada. Segundo a coluna de Bela Megale, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro também ajudou na articulação da fuga do irmão. Conforme a reportagem, ele foi peça central na disseminação de desinformação para despistar que Flávio estava saindo do Brasil pela Argentina. Aliados de Eduardo propalaram o plano de que ele havia viajado via Venezuela. O entorno do senador passou a terça-feira dizendo que estavam sabendo da ida aos EUA pela imprensa e que o parlamentar estava incomunicável.

https://oglobo.globo.com

 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Qual o futuro do bolsonarismo após Flávio Bolsonaro ir para os EUA?


Mariana Schreiber
Role, De Brasília para BBC News Brasil

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, após ser derrotado na eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixa em aberto o futuro do bolsonarismo. Na quarta-feira (28/10), o candidato derrotado divulgou um primeiro pronunciamento escrito, em sua conta na rede social X, em que se autodeclarava "o verdadeiro presidente do Brasil" e dizia que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Depois, apagou essa manifestação e publicou uma outra, quase idêntica, reafirmando a suposta fraude, mas se declarando "o líder do Brasil" em vez de "o verdadeiro presidente". Flávio Bolsonaro disse ainda que vai liderar a oposição a Lula dos Estados Unidos.

"Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista", reforçou na manifestação.

Analistas políticos, porém, são céticos sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro liderar a oposição e o movimento bolsonarista de fora do país, ao lado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Os principais partidos políticos brasileiros também reconheceram a vitória de Lula, incluindo o PL. Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a atuação dos irmãos nos Estados Unidos não terá apoio da maioria da sociedade. Ele lembra que o tarifaço adotado pela Casa Branca contra o Brasil para tentar impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, após articulação de Eduardo Bolsonaro no ano passado, foi mal visto pela maioria da população.

"É muito claro que Flávio vai pra lá tentar fazer uma articulação de fora pra dentro. Agora, quanto a classe política brasileira, inclusive o próprio PL, vai dar ressonância? Ao que parece, os partidos, quase de maneira uníssona, até o PL, já abriram mão de contestar qualquer coisa em relação à eleição de Lula", disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quis comentar a autodeclaração de Flávio como "verdadeiro presidente", ao ser questionado por jornalistas.

"Eu não vou fazer um comentário sobre isso, mas eu sei que nós demos a ele um visto para entrar no país, então vamos ver. Mas eu não vou me envolver, foi uma eleição muito estranha, isso com certeza", disse Trump.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou um pronunciamento em que diz entender a "revolta" de Flávio, mas não apoia sua contestação do resultado eleitoral.

"O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia".

Flávio Bolsonaro deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a apreensão de seu passaporte, atendendo a um pedido da Polícia Federal em um inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro do senador em parceria com o seu amigo Willer Tomaz, advogado e empresário. O senador nega as acusações e disse, em seu pronunciamento, sofrer "perseguição política" com objetivo de "silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista".

Os especialistas entrevistados se dividem sobre o futuro do bolsonarismo após uma série de reveses da família: duas derrotas presidenciais seguidas, a prisão de Jair Bolsonaro (PL) e o êxodo de seus dois filhos com maior projeção política. Por outro lado, a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro (PL) estreará em 2027 em seu primeiro mandato eletivo, como senadora pelo Distrito Federal. Já os filhos Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan (PL), que até então só haviam atuado como vereadores, também chegarão ao Congresso Nacional no próximo ano — Carlos como senador e Renan como deputado federal, ambos por Santa Catarina. Os analistas apontam ainda outros nomes que poderiam liderar o movimento e ampliar seu alcance, com destaque para Tarcísio de Freitas, que se projetou nacionalmente com apoio de Jair Bolsonaro, mas é visto como alguém que tem certa autonomia da família e acaba de reeleger no primeiro turno para governar o Estado mais rico do país.
 
A cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), diz que o bolsonarismo se organiza como um "partido digital", com uma organização coordenada nas redes que está para além da estrutura tradicional de uma legenda política. Na sua avaliação, isso garante uma base sólida para o movimento.

"A derrota presidencial é uma derrota importante, mas o bolsonarismo vai continuar forte porque ele tem hoje um partido que o organiza, que a gente chama de partido digital bolsonarista".

"Agora, o que vai acontecer é que a liderança do Flávio, que vinha sendo construída, que talvez até pudesse ter ganhado a eleição, vai ficar muito fraca, provavelmente vão subir outras lideranças, e o partido tem muitas opções".

Além de Tarcísio, Costanzo destaca outros nomes que se fortaleceram nesta eleição, como Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná; Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais; ou o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), embora ele ainda seja novo para disputar a Presidência da República. Já no clã Bolsonaro, vê Michelle Bolsonaro com mais potencial — ela se projetou como liderança política na presidência do PL Mulher, alavancando a eleição de candidaturas femininas na sigla.

"Michelle continua muito forte. Ela tem vida própria, 
não depende só do resto da família estar bem".

Na terça-feira (27/10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a futura senadora. Em post no Instagram, disse que a recebeu "para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente". Por outro lado, Costanzo não vê Carlos e Jair Renan com potencial para liderar o campo bolsonarista.

"Agora, com a queda do Flávio, já são dois irmãos que estão fora do Brasil, os dois com muito problema na Justiça. Eu acho difícil que um Carlos ou Jair Renan como próxima liderança. Eles têm menos estofo do que o resto das lideranças difícil de embalar mudanças".

Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV, vê dificuldades para Michelle, Carlos ou Jair Renan assumirem a liderança do movimento e aposta em lideranças de fora do clã familiar. Michelle, ressalta, sempre teve conflitos com os filhos do presidente e chegou a brigar publicamente com Flávio Bolsonaro na pré-campanha. Carlos, continua, tem perfil mais de bastidor, tendo atuado na comunicação digital do grupo durante o governo do pai. E Renan é "infantil" e "sem qualquer projeção política", na sua percepção.

"Vai haver uma lacuna. Então, talvez essa seja uma oportunidade também de os partidos que se dizem mais à direita diminuírem a sua dependência da família e buscarem outras lideranças", ressalta.

'Bolsonarismo atuará em três frentes: no Congresso, nas redes e na articulação a partir dos EUA'. Professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e um dos autores do livro Bolsonarismo e o Brasil Profundo, Fábio Baldaia considera que o movimento se manterá forte mesmo após a derrota de Flávio e sua saída do Brasil. Na sua visão, o bolsonarismo é uma movimento que aglutinou diferentes sentimentos e práticas que já existiam no Brasil antes da ascensão de Jair Bolsonaro, como "a relação entre política e religião, um certa concepção da moralidade pública, e uma relação entre Estado e mercado". Isso, diz, o fortalece.

"Então, mesmo com essa fuga de Flávio, o bolsonarismo não vai ser enterrado, porque esse movimento fez um partido que integrava um grupo de partidos não ideológicos, que compunham o que se chama de Centrão, que é o PL, virar o maior partido brasileiro no Congresso", afirma.

"Eles têm muita força no Senado e na Câmara, têm lideranças jovens como Nikolas Ferreira, o Lucas Pavanato [eleito deputado federal mais votado de São Paulo] e outras lideranças importantes. Tem o governador do principal Estado da federação, [Tarcísio de Freitas], que atua dentro da institucionalidade com muita habilidade", continua.

Para Baldaia, o bolsonarismo agora atuará a partir de três frentes. A primeira delas "por dentro da institucionalidade, como se fosse antissistema, talvez tentando articular o impeachment do presidente reeleito e de ministro do STF". A segunda, "mobilizando a opinião pública a partir de pautas que geram engajamento", por meio da atuação nas redes de Nikolas Ferreira e outras lideranças. E a terceira com Flávio, reforçando a articulação de Eduardo Bolsonaro para uma oposição a partir dos Estados Unidos, com outros influenciadores e aliados que estão lá. 'Ostracismo do bolsonarismo pode levar ao fortalecimento de uma direita menos extremista'

Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a família Bolsonaro está em seu momento de maior fragilidade após acumular derrotas nas disputas presidenciais e na Justiça. Na sua visão, esse momento pode favorecer a ascensão de lideranças menos radicalizadas dentro do movimento.

"Há um núcleo dentro do bolsonarismo que não se liga às ideias mais radicalizadas e que, obviamente, na ausência das figuras do clã, vai buscar outras alternativas. Então, talvez a gente tenha um ostracismo do bolsonarismo e o fortalecimento de uma direita menos extremista e radicalizada", analisa.

"Jair Bolsonaro e Flávio, claro que têm capital político, mas também têm rejeição altíssima. E essa rejeição espanta o centro, o eleitor mais moderado. Então, eu creio que pode ocorrer um deslocamento do eixo do poder do sobrenome do clã para outra figura que cresceu no bojo do bolsonarismo, como Tarcísio, que é um presidenciável natural como governador de São Paulo, ou até mesmo Michelle Bolsonaro", reforça.

https://www.bbc.com/ 

Deputados argentinos cobram Milei por viagem de Flávio Bolsonaro | G1.


Deputados argentinos acusam Milei de facilitar fuga 
de Flávio e pedem reconhecimento da vitória de Lula.

Documento assinado por parlamentares de diferentes blocos pede explicações de três integrantes do governo argentino e cobra reconhecimento formal da vitória de Lula. Deputados de diferentes blocos políticos da Argentina divulgaram, nesta quarta-feira (28), uma declaração em que cobram explicações do governo de Javier Milei sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país, a caminho dos Estados Unidos. No documento, os parlamentares acusam o governo argentino de ter facilitado a viagem do candidato derrotado. Flávio fugiu do Brasil na última terça-feira (27) após perder as eleições presidenciais de domingo (25) e seguiu para os Estados Unidos, passando pela Argentina e pelo Equador.

Os deputados pedem que o Executivo responda com urgência aos pedidos de esclarecimento apresentados pelo Congresso e convoque três integrantes do governo para prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados.

Os convocados são: 
O chefe de gabinete, Diego Santilli,
A ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva
O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno. 

Os parlamentares argumentam que a relação entre Argentina e Brasil tem importância estratégica e está ligada à história compartilhada pelos dois países. O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e duas filhas. Segundo o órgão argentino, os quatro apresentaram documentos válidos para viajar, não tinham impedimentos legais para entrar na Argentina e passaram pela fiscalização sem incidentes. Segundo o jornal "Clarín", o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, declarou que o governo argentino tomou conhecimento do resultado eleitoral, mas não pretende divulgar nenhum comunicado oficial, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores.

https://g1.globo.com

Cidadania italiana pode ser obstáculo a eventual asilo de Flávio nos EUA.


Vinícius Murad

A cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL) pode representar um obstáculo a um eventual pedido de asilo político nos Estados Unidos. A CNN Brasil consultou advogados especialistas em imigração sobre as possibilidades do candidato derrotado à Presidência. Flávio chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), três dias após perder o segundo turno da eleição presidencial. Segundo relatos de aliados, o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de asilo. O Departamento de Estado dos EUA confirmou à CNN Brasil a emissão de vistos para o senador e sua família, mas esclareceu que a autorização de entrada no país não equivale à concessão de asilo. Segundo a advogada de imigração Caroline Azevedo, da Visa Finder, a dupla nacionalidade pode pesar contra o pedido. Flávio tem cidadania italiana desde 2023. Em 9 de outubro, o Board of Immigration Appeals (BIA), instância administrativa de recursos em matéria migratória nos EUA, publicou uma decisão que estabelece uma presunção contrária à concessão de asilo a cidadãos da União Europeia, ressalvadas circunstâncias extraordinárias.

O entendimento, conhecido como Matter of B-S-A-N-, considera, entre outros fatores, que cidadãos europeus têm direito de residir legalmente nos demais países do bloco. Na avaliação da advogada, a possibilidade de viver na Itália pode dificultar a demonstração de que Flávio necessita de proteção nos Estados Unidos. A legislação americana também prevê que pessoas com mais de uma nacionalidade, em determinadas circunstâncias, demonstrem que não podem obter proteção em nenhum dos países dos quais são cidadãs. A regra foi estabelecida em precedente de 2013, conhecido como Matter of B-R-. Há, porém, uma ressalva jurídica: em 2022, um tribunal federal de apelações com jurisdição sobre Nova York, Connecticut e Vermont decidiu que, para ser considerado refugiado, um requerente com dupla nacionalidade precisa demonstrar perseguição em apenas um dos países de sua nacionalidade. Essa decisão não tem aplicação nacional e não afasta automaticamente o entendimento mais recente sobre cidadãos da União Europeia.

O precedente de outubro também não impede que Flávio apresente um pedido de asilo, nem determina que ele seja necessariamente negado. A decisão cria uma presunção contrária à concessão, que pode ser superada nas circunstâncias previstas no entendimento. A análise dependerá dos fundamentos apresentados, das provas e da interpretação das autoridades migratórias americanas. A eventual negativa de asilo também não implica deportação automática. Flávio e família conseguiram vistos americanos. Não há informações sobre qual classificação dos documentos.

Flávio obteve cidadania italiana em 2023, por descendência, assim como os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro. A nacionalidade voltou ao centro das atenções após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar a entrega dos passaportes do senador. Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, Flávio utilizou o documento italiano durante o deslocamento para o exterior.

https://www.cnnbrasil.com.br