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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Centrão fala em reaproximação com Lula após apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.


Lideranças relatam surpresa com o resultado das urnas, mas reconhecem vitória do petista e sinalizam disposição para negociar.


Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu dirigentes e parlamentares de partidos do Centrão. É o caso do Republicanos, União Brasil e PP, siglas que apoiaram Flávio no segundo turno. Um dia depois da eleição, porém, lideranças dessas legendas já admitiram a possibilidade de uma reaproximação com o governo para garantir a governabilidade no quarto mandato do petista. Embora ainda não haja negociações formalizadas sobre ministérios, interlocutores dessas siglas avaliam que o resultado das eleições abre uma nova etapa de diálogo com o Planalto. O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que a participação dos partidos de centro na sustentação de governos faz parte da dinâmica do presidencialismo de coalizão. “É do DNA do Centro”, avaliou. Barros lembrou que o governo já mantém interlocução com integrantes desses partidos em estados como Paraíba, Ceará e Maranhão, onde existem alianças locais com o PT.

Entre os exemplos estão o senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula na Bahia e defensor de sua reeleição, mesmo diante da posição nacional do PSD, e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que articulou o apoio de dez diretórios estaduais do MDB à candidatura petista no segundo turno. No Republicanos, o deputado Silvio Costa Filho (PE), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos durante o terceiro mandato, também manteve uma relação próxima com Lula e declarou apoio à sua reeleição, apesar da posição nacional da sigla.

Outro exemplo é o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoiou Lula na campanha e manteve diálogo com o Planalto, mesmo depois de seu partido anunciar apoio a Flávio. No PP, André Fufuca (MA), ex-ministro do Esporte e eleito senador, contrariou a direção nacional da legenda ao defender a reeleição de Lula. O posicionamento levou a punições internas determinadas pelo presidente do partido, Ciro Nogueira. Segundo Ricardo Barros, ainda é cedo para falar em distribuição de ministérios, mas disse que o presidente Lula é experiente na relação com o Centro e que, mais cedo ou mais tarde, essa relação deve acontecer.

A avaliação é semelhante à do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Segundo ele, nenhum governo forma maioria no Congresso sem negociar com os partidos e destacou que a composição de uma base parlamentar é uma discussão diferente das alianças feitas durante a campanha eleitoral. Segundo Edinho, após o encerramento do processo eleitoral no domingo (25), caberá ao governo decidir quando e como iniciar as conversas.

Partidos reconhecem resultado.
A possibilidade de reaproximação ocorre em meio às primeiras manifestações dos dirigentes partidários após a derrota de Flávio. Na segunda-feira (26), Antonio Rueda, presidente do União Brasil, reconheceu a reeleição de Lula e afirmou que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado. O dirigente também colocou o partido à disposição para apoiar medidas voltadas ao crescimento econômico, à geração de empregos e à redução das desigualdades. O Republicanos também reconheceu a vitória do petista. Em manifestação pública, o presidente da sigla, Marcos Pereira, defendeu que Lula governe para todos os brasileiros, inclusive aqueles que votaram no candidato do PL, e mantenha o diálogo com o Congresso. MDB e PSD adotaram posições semelhantes. O primeiro defendeu que a vontade manifestada nas urnas seja respeitada, enquanto o segundo sinalizou disposição para manter uma relação institucional com o governo, preservando a autonomia de seus parlamentares.

Após o resultado das urnas, no domingo (25), Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que buscaria anulação do pleito. Na segunda-feira (26), o senador mudou de estratégia diante de obstáculos jurídicos apontados por aliados e advogados. No mesmo dia, Valdemar Costa Neto, o presidente nacional do PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado da eleição presidencial.

Tarcísio sai fortalecido.

No Republicanos, a vitória de Lula também provocou surpresa entre parlamentares que apostavam na eleição de Flávio. Apesar da derrota presidencial, a avaliação dentro da legenda é que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, termina a eleição fortalecido e permanece como uma das principais lideranças da direita. O entendimento é de que Tarcísio teria condições de derrotar Lula, caso tivesse disputado a Presidência neste ano. O partido o vê como um possível sucessor político do campo bolsonarista. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma ressalva: ainda faltam quatro anos para a próxima eleição presidencial, período em que o cenário político poderá mudar.
 
https://noticias.r7.com/ 

Moraes determina que Flávio Bolsonaro entregue passaportes para evitar fuga.

 
Senador derrotado na disputa presidencial foi intimado pela Polícia Federal. Medida é para que ele não fuja do país, algo cogitado pelo irmão Eduardo, tendo em vista os inúmeros crimes pelos quais é acusado.

Por: Henrique Rodrigues 

Numa decisão de caráter cautelar expedida na noite de domingo (25) e executada nas primeiras horas da segunda-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue imediatamente à Justiça todos os seus passaportes e determinou a proibição formal de que o parlamentar se ausente do território nacional. A medida drástica visa mitigar o risco iminente de evasão do país por parte do postulante derrotado no pleito presidencial, cenário abertamente especulado por seus familiares e aliados diretos diante da gravidade das acusações criminais que pesam sobre ele no STF. A ordem judicial foi cumprida por equipes da Polícia Federal em Brasília de forma ostensiva, interceptando o parlamentar em plena via pública no bairro do Lago Sul. O episódio ocorreu no momento em que Flávio deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), este já submetido a regime de prisão domiciliar.

A restrição de ir e vir imposta a Flávio encontra fundamento direto em declarações públicas dadas por seu irmão, o deputado cassado e condenado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista concedida na última sexta-feira a um veículo de comunicação nos EUA onde atualmente reside como um foragido da Justiça, Eduardo defendeu explicitamente que o irmão deveria abandonar o Brasil imediatamente caso o resultado eleitoral lhe fosse desfavorável, além de incitar a contestação do pleito. A manifestação pública do clã acendeu o alerta vermelho das autoridades investigativas para uma eventual tentativa de fuga e de esquiva da jurisdição penal.

Reação do senador e o discurso de vitimização.
Logo após ser abordado pelos agentes federais, Flávio utilizou seus canais de comunicação digital para veicular um pronunciamento em vídeo. No registro, o parlamentar confirmou o recebimento da intimação, mas adotou um tom de contestação à decisão do Supremo, tentando desqualificar o embasamento legal da cautelar e atribuindo à medida um suposto viés de perseguição política decorrente da apuração das urnas.

“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país”, afirmou Flávio Bolsonaro em vídeo publicado nas redes sociais.

Na gravação, o senador questionou a conexão feita pelos investigadores entre a fala do irmão no exterior e as garantias de sua permanência no Brasil, afirmando que a ordem expedida logo após o anúncio da apuração demonstraria a suposta falência do sistema democrático. O parlamentar alegou jamais ter articulado planos para deixar a nação e declarou que cumprirá a ordem de entrega dos documentos de viagem enquanto instrumentaliza sua defesa nos autos.

“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política, não pode ser assim.”
 
Cerco judicial: Bets, lavagem de dinheiro e operações suspeitas.
A determinação de retenção de passaportes ocorre em meio a um conjunto de apurações severas que tramitam na Suprema Corte. O senador figura como alvo central de dois inquéritos distintos que investigam complexos esquemas de ocultação de capital e crimes contra o sistema financeiro, cujo aprofundamento coloca o congressista em situação de extrema vulnerabilidade jurídica. O primeiro procedimento, sob a relatoria direta do ministro Alexandre de Moraes, apura a articulação de uma suposta rede de lavagem de dinheiro operada por meio de plataformas digitais de apostas (conhecidas como bets) e meios de pagamento eletrônico. A investigação começou com diligências conduzidas pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul e migrou para a jurisdição do STF após os investigadores identificarem o envolvimento de autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, notadamente o próprio Flávio Bolsonaro. Conforme a tese trabalhada pelos investigadores federais, o senador teria atuado diretamente em tratativas de alto escalão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex-proprietário do Banco Master) para garantir a injeção de capital no projeto. A apuração baseia-se em compilações de áudios, mensagens de texto e trocas de e-mails captadas com autorização judicial, as quais indicam negociações financeiras heterodoxas que podem configurar crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Diante da complexidade das redes de dados e da necessidade de obter cooperação jurídica internacional para rastrear a cadeia de suprimentos da produção, a Polícia Federal formalizou na última semana um pedido de prorrogação do prazo investigativo por mais 90 dias. A dilação, pendente de homologação pelo ministro Mendonça, permitirá a realização de novas perícias contábeis antes da elaboração do relatório final de indiciamento. O senador reitera que todas as negociações para o filme transcorreram dentro da legalidade e no âmbito de contratos privados.

Destino sem foro privilegiado e o horizonte penal.
A derrota nas urnas consolida a contagem regressiva para o término do mandato parlamentar de Flávio Bolsonaro no Senado Federal, previsto para se encerrar em fevereiro de 2027. O encerramento de sua atuação no Congresso Nacional, todavia, não significará o alívio judicial de ver seus processos remetidos à primeira instância ou diluídos na Justiça comum. Isso ocorre porque o pleno do Supremo Tribunal Federal consolidou uma alteração estrutural em sua jurisprudência no tocante ao foro por prerrogativa de função. Por maioria de 7 votos a 4, a Corte fixou a tese de que os procedimentos criminais iniciados contra autoridades continuam sob a jurisdição do STF mesmo após o encerramento do exercício das funções públicas, desde que os atos delituosos apontados tenham sido praticados no exercício do mandato e em razão do cargo ocupado.

Desse modo, os desdobramentos das apurações de lavagem de dinheiro por meio das plataformas de apostas e do financiamento do longa-metragem permanecerão sob o escrutínio direto dos ministros do STF. Com os passaportes retidos pela Polícia Federal e sob a vigilância ostensiva das autoridades de segurança, o senador derrotado enfrenta um cenário de isolamento político e severo estrangulamento jurídico, sem garantias de fuga ou de contorno às responsabilizações penais que se desenham no horizonte.

https://revistaforum.com.br/ 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Alckmin pode assumir Fazenda para acalmar o mercado financeiro.


Vice reeleito pode assumir o ministério para mostrar ao mercado 
compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.

Por Armando Holanda

Como o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda está em curso, para a quarta e última gestão do presidente os nomes que poderão formá-lo devem ser decididos somente a partir do fim de novembro. Assim mesmo, fontes palacianas que se dispuseram a analisar o assunto, não acreditam em mudanças significativas ou surpreendentes. O vice-presidente Geraldo Alckmin pode assumir um posto de peso. É, hoje, o nome mais cotado para dirigir o Ministério da Fazenda. A razão é simples: resgatar a simpatia da Faria Lima, que se jogou de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro. A colocação de Alckmin na pasta seria a demonstração de que o governo, a partir de 2027, assume um compromisso sério e público com o equilíbrio fiscal, tanto cobrado pelo setor financeiro. Dario Durigan, nesse caso, poderia substituir Alckmin exatamente na pasta da Indústria, Comércio e Serviços — e continuar o trabalho de negociação com o governo de Donald Trump que está em curso e do qual, aliás, já participa.

O patamar de André Janones também tende a ser outro. O deputado da Rede Sustentabilidade por Minas Gerais foi reeleito, mas exerceu papel fundamental entre o primeiro e o segundo turno ao eletrizar a militância e fazer com que os petistas — e os não eleitores de Flávio — se engajassem na reeleição. No discurso da vitória, Lula deu a entender que o parlamentar terá papel preponderante na comunicação do governo neste quarto mandato. Garantiu, inclusive, que será mais visto nas redes sociais e falará diretamente à sociedade. Isso não quer dizer, porém, que Janones foi aceito pelas hostes do PT, que tem dúvidas sobre os métodos de mobilização que utiliza, considerados iguais aos da extrema-direita. Dentro da campanha do presidente, houve quem torcesse o nariz para ele. E não são poucos os petistas que consideram inconcebível o deputado ser cogitado para algum posto relacionado à comunicação — setor que vem sendo motivo de críticas desde que o presidente obteve o terceiro mandato, em 2022. Por conta, sobretudo, da campanha no segundo turno, além da falta de sucessores para a disputa de 2030, alguns nomes cresceram muito no conceito de Lula — embora já fossem admirados pelo presidente. O senador Camilo Santana (PT-CE) é um deles. No primeiro turno, ele trabalhou intensamente pela reeleição do governador Elmano de Freitas e conseguiu o segundo mandato para o petista.

No segundo turno, assumiu as rédeas da campanha à reeleição ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e do presidente do PT, Edinho Silva. Essa tríade foi responsável pelo reagrupamento da tropa, que estava dispersa na etapa anterior da eleição — como chegou a reclamar publicamente o próprio Lula. Camilo foi ministro da Educação. Mas, no próximo governo, pode se tornar um dos mais próximos auxiliares de Lula e ocupar a poderosa Casa Civil. Só que não estaria afastada a hipótese de ele retornar ao MEC e manter a visibilidade de uma pasta forte e capaz de projetá-lo para voos mais altos.

Camilo, porém, tem um adversário de peso para a Casa Civil: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, derrotado por Tarcísio Gomes de Freitas na disputa pelo governo paulista. Sobre se ele pode ser o nome a ser lançado pelo PT à Presidência em 2030, isso é algo a ser analisado com o tempo. Haddad é considerado "pau para toda obra", mas perdeu duas vezes para o bolsonarismo — agora, para Tarcísio, e em 2018, para Jair Bolsonaro.

Quem corre por fora também pela Casa Civil é Gleisi Hoffman, que já esteve no Palácio ao ocupar a Secretaria de Relações Institucionais. Ela disputou o Senado pelo Paraná e não foi eleita. Considerada pessoa de confiança — presidiu o PT quando o presidente esteve preso nas dependências da Polícia Federal, em Curitiba — , Lula tende sempre a mantê-la por perto e em postos-chave.

Fica onde está.
Quem deve permanecer onde está é Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Desde que sucedeu Nísia Trindade, é consenso dentro do Palácio do Planalto que a pasta não apenas obteve visibilidade como se envolveu na articulação política direta com estados, municípios e Congresso. O perfil de Padilha, de muita presença nas redes sociais, é considerado mais compatível com a comunicação atual, sobretudo por causa do alcance das plataformas para a divulgação de programas do governo na área.

Também devem voltar ao governo Simone Tebet e Marina Silva, ambas derrotadas em São Paulo na corrida ao Senado. Mas não representa que reocuparão os espaços em que estavam antes de decidirem disputar as eleições. Tebet é considerada um bom nome para voltar ao Planejamento, mas, nesse caso, sua maior rival é Miriam Belchior, que também esteve à frente da pasta, só que no governo de Dilma Rousseff. Há a possibilidade, ainda, de Miriam ser deslocada para a presidência da Petrobras.
 
Marina, entretanto, pode ser alocada nesta mesma Petrobras. Crítica da prospecção de petróleo na Margem Equatorial, um projeto que vem sendo acalentado por Lula é colocá-la no comando da empresa com o objetivo de consolidar a estatal como produtora de energia limpa e renovável — o presidente várias vezes disse que seria o papel da empresa no futuro.

https://www.correiobraziliense.com.br 

Centrão reconhece vitória de Lula e isola PL em contestação eleitoral.

 
Anita Prado

O reconhecimento da vitória abre espaço para a articulação de Lula com partidos que ocupam posições estratégicas no Congresso Nacional. Isso, porém, não significa que o presidente terá apoio garantido para aprovar sua agenda. A capacidade de governar dependerá das negociações com essas legendas e da correlação de forças no Legislativo, especialmente diante do tamanho das bancadas do PL.

Partidos cobram responsabilidade e diálogo.

Entre as manifestações divulgadas após a apuração, o União Brasil destacou o respeito às instituições como condição para a democracia. Em nota assinada pelo presidente nacional, Antonio Rueda, a legenda afirmou que a soberania popular se expressou livremente nas urnas e que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado. O líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), também cumprimentou Lula e defendeu que as divergências políticas sejam deixadas de lado em favor dos interesses nacionais.

No PSD, o presidente nacional, Gilberto Kassab, parabenizou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em nota, afirmou que a legenda pretende apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades sociais, ao equilíbrio fiscal e à criação de condições favoráveis aos investimentos e à geração de empregos. Kassab também indicou que parlamentares e governadores eleitos pelo partido deverão manter uma relação institucional com o governo federal, sem abrir mão da defesa de projetos que considerem positivos para o desenvolvimento do país.

O Podemos, presidido pela deputada federal Renata Abreu, desejou que Lula conduza o novo mandato com sabedoria e responsabilidade. A sigla, no entanto, ressaltou que continuará atuando com independência no Parlamento, colocando os interesses da população acima das disputas partidárias.

Já o Republicanos, por meio de seu presidente, Marcos Pereira, destacou que a responsabilidade de Lula inclui governar para os eleitores que optaram por Flávio Bolsonaro. O dirigente defendeu respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, também reconheceu a vitória de Lula e afirmou que a reeleição ocorreu democraticamente. O dirigente desejou serenidade ao petista para governar em benefício de todos os brasileiros.

No campo dos partidos que apoiaram a reeleição do petista, o PDT afirmou que esteve ao lado de Lula desde o início da campanha e classificou a vitória como um resultado favorável à democracia. PCdoB e PSOL destacaram a mobilização popular e o trabalho de militantes durante o segundo turno.

A Rede atribuiu o resultado à reação contra a desinformação e o que classificou como interferência estrangeira e atuação das grandes empresas de tecnologia. PCB e PSTU também ressaltaram a participação popular, mas defenderam que a mobilização política continue após a eleição. O PSTU afirmou que seguirá se opondo tanto à extrema direita quanto às medidas do governo que considerar contrárias aos interesses dos trabalhadores.

O partido 
MISSÂO reconheceu a vitória de Lula, mas não parabenizou o presidente. Renan Santos, dirigente da legenda e candidato à Presidência no primeiro turno, negou a existência de fraude e atribuiu o resultado à força da campanha petista na etapa final da disputa e à ampliação da rejeição ao bolsonarismo.

https://noticias.uol.com.br

Como fica situação de Flavio Bolsonaro nas investigações do STF, após derrota para Lula.


Daniel Gullino

Com a derrota na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem cargo a partir de fevereiro de 2027, quando termina seu mandato de senador. O fim do foro privilegiado, contudo, não deve alterar os três inquéritos contra ele que tramitam no STF. Isso porque, no ano passado, a Corte alterou as regras do foro e determinou que as investigações continuassem no tribunal mesmo após o término do mandato das autoridades. Antes, os casos eram enviados à primeira instância.

Flávio é alvo de três inquéritos no STF. Um deles é relatado por André Mendonça e analisa os repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse. Recentemente, a PF pediu a prorrogação da apuração, devido a diligências pendentes. Outro, mais recente, trata das relações entre o senador e o advogado Willer Tomaz e tem Alexandre de Moraes como relator. Também há uma investigação sobre uma suposta calúnia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste caso, a PF já concluiu que houve crime, mas falta o posicionamento da PGR. O relator também é Moraes.

https://veja.abril.com.br

Judicialização para anulação de resultado geral do segundo turno é inviável.


Manuela Rached Pereira

Um eventual pedido judicial para a anulação do resultado geral do segundo turno da eleição presidencial, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é inviável. A avaliação é de advogados eleitoralistas ouvidos pela revista eletrônica Consultor Jurídico. Segundo eles, uma judicialização que conteste o resultado das urnas não poderá atingir a apuração total dos votos, apenas aqueles comprovadamente afetados pela prorrogação da votação até às 19 horas deste domingo (25/10). Mais cedo, o ministro Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin e o presidente do Tribunal Superior Eleitorial, Kassio Nunes Marques, determinaram que a votação fosse estendida por duas horas em seções onde as urnas permaneciam abertas. Antes disso, tanto a coligação de Lula quanto a de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), acionaram o TSE pedindo a extensão do horário. A campanha do petista apontou problemas com a falta de transporte público em capitais como São Paulo e Salvador, enquanto a do senador citou condições climáticas adversas em municípios de estados do sul e sudeste.

Com a vitória de Lula, Flávio contestou o resultado do pleito, defendendo sua anulação. “O que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira”, afirmou em coletiva de imprensa. Já o presidente do TSE afirmou que a prorrogação do prazo de fechamento das urnas não causou problemas na totalização dos votos. “Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, disse Nunes Marques após a confirmação do resultado.

Diferença dificulta contestação.
Segundo o advogado Israel Nonato, que atua em Brasília nas áreas de Direito Eleitoral, Constitucional e Processo Legislativo, um eventual pedido que conteste o resultado da eleição com base na prorrogação do horário de votação invocará a segurança jurídica e o artigo 16 da Constituição, que protege o processo eleitoral contra mudanças de última hora.

“O argumento pesa contra a alteração das regras da disputa”, introduz Nonato. Ele pontua, porém, que a extensão do horário teve como objetivo “reparar uma exclusão em curso” e preservar “uma regra que antecede todas as outras: a participação de todos.”

O advogado analisa que uma eventual crítica à competência do Supremo para estender a medida ao país inteiro atingiria, no máximo, os votos posteriores às 17:00h. “Esses votos foram recebidos por mesas regularmente instaladas, sob ordem judicial vigente. (…) A anulação de todo o segundo turno puniria milhões de eleitores que votaram pela falha de um serviço que faltou a outros”, ressalta, se referindo à falta de transporte público em capitais brasileiras. Para a advogada especialista em Direito Eleitoral Amanda Cunha, a anulação de uma eleição só pode ocorrer por via judicial quando comprovado um ilícito ou crime eleitoral. Para ela, a disparidade em relação ao horário de fechamento das urnas nas diferentes seções eleitorais, por si só, não justifica um pedido de anulação geral da eleições. A contestação, reforça Cunha, poderá ocorrer apenas se o pedido judicial for instruído “com elementos a provar causalidade” e o “impacto significativo” da prorrogação no resultado final do pleito. 

“Uma coisa é apurar se houve irregularidade, ilícito, crime, e punir os responsáveis. Outra coisa é, comprovado que houve uma abstenção ‘x’ em virtude da [decisão pela] falta de transporte, se esse valor chegaria a mudar o resultado da eleição”, afirma a eleitoralista. 

Nonato corrobora a avaliação e reforça que “a força da tese depende da prova”.  Ele destaca que o artigo 212 do Código Eleitoral prevê que o TSE ordene novas eleições quando os votos das seções anuladas e daquelas “cujos eleitores foram impedidos de votar” tenham, comprovadamente, alterado a classificação de um candidato no pleito. Com isso, o advogado pontua que casos isolados não bastam. “Cabe demonstrar, com registros de frota, horários de fechamento e padrões de comparecimento, quantos eleitores foram efetivamente impedidos”, para que se apure a extensão do impedimento e se ele foi capaz de alterar o resultado final. Também para o professor de direito eleitoral da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Neisser, ainda que a disparidade em relação ao horário de fechamento das urnas possa embasar um pedido de anulação das votações, a distância de mais de 4 milhões de votos entre Lula e Flávio, compromete a credibilidade de um eventual pedido. Notato acrescenta ainda que o fato de ambas candidaturas terem pedido a prorrogação da votação “afasta leituras de conveniência”.

“A disparidade autoriza, portanto, um pedido preciso: renovar a votação nas seções em que eleitores foram comprovadamente impedidos, na medida em que seus votos possam alterar a classificação. A soberania popular se restaura quando o voto volta a quem o perdeu. Tomá-lo de quem conseguiu exercê-lo multiplicaria a exclusão”, conclui.

https://conjur.com.br/ 

Presidentes da França, Canadá, Peru, Chile, Rússia e mais países parabenizam Lula; veja repercussão.


O petista derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e se tornou o primeiro presidente 
da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.

Por Redação g1 

Líderes mundiais parabenizaram no domingo (25) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela sua reeleição. Em uma eleição acirrada e marcada por uma virada inédita, Lula conquistou seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. Até a última atualização desta reportagem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não havia comentado a vitória do petista. O presidente argentino, Javier Milei, também não havia se manifestado.

Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular. A confirmação da vitória de Lula foi feita pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21:08h, quando 97% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela altura, Lula tinha 51,74% e Flávio tinha 48,26%.

Emmanuel Macron, presidente da França.
"Meus parabéns, @LulaOficial , pela sua reeleição. A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo."

Rússia.
A presidência russa parabenizou nesta segunda-feira Lula pela reeleição. "Saudamos a vitória do senhor Lula", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante coletiva de imprensa em Moscou. Peskov também elogiou os esforços do presidente brasileiro "não apenas para o desenvolvimento das relações bilaterais" com a Rússia, mas também para dar continuidade aos processos de cooperação "no cenário internacional".

Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha.
“Uma grande vitória para Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A retomada progressista global acaba de começar”.

Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
“A China tomou conhecimento de que o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil anunciou que o presidente Lula venceu o segundo turno das eleições gerais brasileiras e expressa suas felicitações”. O porta-voz acrescentou que Pequim está “disposta a trabalhar com o Brasil para continuar avançando na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil”.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
"Parabéns ao meu amigo @LulaOficial pela sua vitória eleitoral. A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil. A parceria da Europa com o Brasil está florescendo. Permaneceremos ao seu lado nos anos vindouros. Juntos, continuaremos trabalhando de perto por um comércio livre e aberto. Uma ordem global baseada em regras. E fortes ambições pelo nosso clima." 

Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia.
"Minhas mais calorosas felicitações ao meu caro amigo, Presidente Lula, pela sua notável vitória na reeleição. Aguardo com expectativa trabalhar de perto com ele para aprofundar ainda mais e expandir a multifacetada Parceria Estratégica Índia-Brasil. Juntos, continuaremos a fortalecer nossa cooperação em diversos setores, avançar as prioridades compartilhadas do Sul Global e trabalhar por um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável."

Mark Carney, premiê do Canadá.
"Parabéns pela reeleição no Brasil, presidente Lula. As relações entre o Canadá e o Brasil avançaram graças à nossa parceria. Vamos aproveitar esta oportunidade para fortalecê-las ainda mais, juntos, criando novas oportunidades comerciais promissoras, protegendo o meio ambiente e garantindo maior prosperidade para nossas duas populações"

Claudia Sheinbaum, presidente do México.
"Viva a democracia, o povo brasileiro venceu. Parabéns, presidente Lula!"

Keiko Fujimori, presidente do Peru.
"Parabenizo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e cumprimento o povo brasileiro por esta jornada democrática. Às vésperas do bicentenário de nossas relações diplomáticas, reafirmo nossa vontade de fortalecer a aliança estratégica, a integração, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia que compartilhamos, em benefício de ambos os povos".

Daniel Noboa, presidente do Equador
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"Parabéns a Lula por esta vitória. Nossa região tem inimigos em comum, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos".
 
José Antonio Kast, presidente do Chile.
"Acabo de conversar com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o parabenizei pelo resultado da eleição. Chile e Brasil têm um futuro promissor em comum, e continuaremos trabalhando em uma agenda que fortaleça as relações entre nossos países nas áreas de integração econômica e combate ao crime organizado na região".

Yamandú Orsi, presidente do Uruguai
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"Acabo de conversar com o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, um amigo. Eu o parabenizei pela vitória e pela festa democrática que representa um processo eleitoral".

Santiago Peña, presidente do Paraguai
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"Parabéns, Lula, por sua eleição como presidente do Brasil. Saúdo o povo brasileiro por esta grande jornada democrática. Paraguai e Brasil compartilham uma agenda comum de integração e desenvolvimento. Continuaremos trabalhando juntos pelo bem-estar de nossos povos".

Rodrigo Paz, presidente da Bolívia
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"Parabenizo o presidente Lula por sua vitória. Bolívia e Brasil são países vizinhos e irmãos, unidos por uma história e desafios comuns. Continuaremos trabalhando juntos para fortalecer nossa relação e gerar mais oportunidades para nossas nações".

José Raúl Mulino, presidente do Panamá.

"Parabenizo o povo brasileiro por esta jornada democrática e, especialmente, o presidente Lula pela vitória! Seguiremos trabalhando juntos por nossos países".

Gabriel Boric, ex-presidente do Chile.
"Que alegria imensa o povo brasileiro acaba de nos dar! Obrigado, querido, por nunca deixar de lutar, por manter viva a esperança de um mundo. Obrigado, presidente Lula, por seu compromisso com a humanidade. Nós te amamos! Com a esperança intacta…"

https://g1.globo.com/ 

domingo, 25 de outubro de 2026

Flávio fez transações financeiras incompatíveis com a renda, movimentou R$ 1,3 milhão em três meses e usou repasse de escritório de advocacia para quitar mansão, diz Coaf.


Relatórios do órgão de combate à lavagem de dinheiro integram investigação da PF sobre relação do senador com advogado Willer Tomaz; parlamentar não se manifestou.

Por Patrick Camporez , Eduardo Gonçalves e Thiago Bronzatto.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Entre as operações consideradas atípicas pelo órgão vinculado ao Banco Central está o recebimento de R$ 520 mil de um escritório de advocacia para quitar antecipadamente o financiamento da mansão adquirida pelo senador em Brasília. Os documentos, aos quais O GLOBO teve acesso, integram a investigação da Polícia Federal sobre os vínculos do parlamentar com o advogado Willer Tomaz num suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo transações com bets. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Procurado, Flávio não se manifestou.

Ao analisar as transações financeiras realizadas por Flávio, o Coaf apontou que o senador “movimentou montante relevante sem respaldo em informações sobre sua capacidade financeira" entre janeiro e março de 2024, quando realizou R$ 1,3 milhão em transações financeiras, sendo R$ 660.111 em créditos e R$ 649.272 em débitos. De acordo com o órgão, o volume médio de operações feitas pelo parlamentar nesse período de três meses é 7,19 vezes superior “ao esperado para a renda informada” pelo candidato à Presidência da República. O Coaf recebe alertas de bancos e demais instituições financeiras e emite comunicados para órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público quando identifica transações financeiras com indícios de lavagem de dinheiro, de acordo com parâmetros estabelecidos em lei. Os relatórios por si só não atribuem crimes, mas servem para embasar investigações que podem ou não concluir que há irregularidades.

O documento aponta que, em março de 2024, Flávio recebeu R$ 520.277,28 do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados e utilizou esses recursos para liquidar, de forma antecipada, um empréstimo imobiliário contratado em 2021 junto ao Banco de Brasília (BRB) para comprar uma mansão de R$ 5,97 milhões em uma área nobre da capital federal. "Há suspeitas no valor recebido, pois foi destinado à quitação antecipada de operação de crédito", afirma o Coaf. Embora o contrato previsse o pagamento do financiamento imobiliário num prazo de 30 anos, a dívida foi liquidada em aproximadamente três anos, por meio de seis pagamentos extraordinários que variaram de R$ 198 mil a R$ 997 mil. Um deles, segundo o Coaf, ocorreu em março de 2024, no valor de cerca de R$ 520 mil, correspondente aos recursos repassados pelo escritório Gavioli e Viola Advogados Associados.

Os advogados responsáveis pela banca jurídica que fez o pagamento para Flávio atuaram com o senador em dois processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em um deles, relativo a uma disputa societária entre empresas do setor gráfico, o parlamentar ingressou na equipe de defesa em junho de 2024. Dois meses depois, em agosto, a Quarta Turma do Tribunal decidiu, por unanimidade, não admitir o recurso apresentado pelos advogados. Flávio também atuou em parceria com os advogados do escritório Gavioli e Viola na defesa de um casal envolvido no caso que ficou conhecido como Faraó dos Bitcoins, que envolve suspeitas de pirâmide financeira com investimentos em criptomoedas. O senador consta como parte da equipe de defesa do casal desde abril de 2025, quando um recurso foi apresentado ao STJ. Na ação, o parlamentar e integrantes do escritório Gavioli e Viola pediram o trancamento da ação penal, o que foi rejeitado pelo ministro relator do caso, em maio daquele ano.

Procurado, o advogado Bruno Gavioli Lopes, sócio do escritório, disse que não iria se manifestar. Ele afirmou que não fala sobre processos em que atua, "menos ainda sobre as parcerias". “Existe um código de ética, e ele será respeitado”, afirmou por meio de mensagem. Ao solicitar o empréstimo imobiliário ao BRB, Flávio informou ao banco renda mensal de R$ 56,8 mil, composta pelo salário de parlamentar à época, rendimentos de uma franquia de chocolates e aplicações financeiras. Na ocasião, não declarou receitas provenientes da advocacia. Posteriormente, Flávio afirmou à Justiça que também atuava como advogado e que os recursos empregados na compra do imóvel tinham origem lícita.
 
Reportagem do UOL mostrou que o escritório de advocacia de Flávio emitiu ao menos 62 notas fiscais que somam R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Dentre os principais clientes do parlamentar, está a banca jurídica Nilo & Almeida Advogados Associados, comandada pelo advogado Edvaldo Nilo de Almeida, que pagou R$ 4 milhões ao candidato à Presidência. Metade desse valor foi desembolsado três semanas antes de o defensor ser aprovado pelo Senado para compor o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Em nota, o advogado afirmou que os repasses decorreram de contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado em abril de 2025 e negou relação com sua indicação como conselheiro.

Caminho do dinheiro.
Os documentos do Coaf estão entre os elementos analisados pela PF no inquérito que apura o suposto elo financeiro entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, apontado pelo Ministério da Fazenda como o maior apostador do Brasil em 2025, com uma movimentação de cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas online. Os investigadores estão rastreando a origem e o destino do dinheiro que circulou pelas contas bancárias do parlamentar. O inquérito teve origem em uma investigação conduzida pela PF no Rio Grande do Sul sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de pagamento e empresas de apostas, entre elas a Blaze. A análise de documentos e dados obtidos durante as diligências revelou referências ao nome do senador, levando o caso a tramitar no STF. Entre os elementos reunidos pela PF estão registros de viagens internacionais de Flávio custeadas por empresas ligadas a Willer e documentos que identificam o parlamentar como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holding, offshore da qual o advogado é sócio. Diante dessas suspeitas, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores de Willer, que nega qualquer irregularidade.

Ao analisar os dados financeiros de Flávio, o Coaf também apontou atipicidade em transações financeiras realizadas em novembro de 2025. À época, uma conta bancária do parlamentar movimentou R$ 337.641, sendo R$ 144.486 em operações de crédito e R$ 193.155 em débitos. O órgão vinculado ao Banco Central classificou esse volume como um "montante financeiro habitualmente superior à capacidade econômica declarada". Entre os créditos registrados na conta do parlamentar, está uma transferência proveniente de uma vaquinha online, que chamou a atenção do Coaf. O   documento do órgão, porém, não esclarece a finalidade da operação nem identifica a origem do dinheiro. "Esses recursos recebidos foram destinados, principalmente, ao pagamento de fatura de cartão de crédito, a outros pagamentos diversos e a limites incompatíveis com a renda declarada", registra o relatório.

Em novembro de 2025, no mesmo mês da movimentação atípica identificada pelo Coaf, Flávio foi o responsável por criar uma vaquinha online para captar recursos para a familiares de quatro policiais mortos em uma operação no Rio. Segundo o site da arrecadação, as doações chegaram a R$ 1,2 milhão. Na ocasião, o senador usou suas redes sociais para divulgar a chave Pix da vaquinha e prometeu divulgar os comprovantes dos repasses. "Toda a arrecadação vai ser integralmente destinada às famílias destes policiais, com total transparência", disse o senador, em vídeo publicado na época.

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Votação no exterior: Lula vence na Nova Zelândia e Austrália; Flávio Bolsonaro vence no Japão e na Malásia.

 
O g1 realiza um levantamento de boletins de urna de diferentes partes do mundo para antecipar os números da apuração no exterior. Resultado consolidado será divulgado pelo TSE após as 17:00h.

Por Redação g1 

Quase 1 milhão de brasileiros que vivem no exterior estão aptos no segundo turno das eleições presidenciais. A votação será realizada em 186 cidades em mais de cem países. Ao longo deste domingo (25), o g1 realiza um levantamento de boletins de urna de diferentes partes do mundo, disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para antecipar os números da apuração no exterior. Até as 7:00h no horário de Brasília, Lula havia vencido na Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul e na China, enquanto Flávio Bolsonaro havia vencido no Japão, Malásia e nas Filipinas, segundo boletins de urnas divulgados pelo TSE até o momento.

O resultado consolidado, no entanto, só será divulgado pelo TSE após as 17:00h (horário de Brasília), quando a votação termina no Brasil.

https://g1.globo.com/

sábado, 24 de outubro de 2026

Moraes manda bloquear até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz.

 

Agência Brasil

Medida foi tomada após PF constatar viagem de Willer para os EUA; o advogado é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionado a negócios envolvendo bets.

Sérgio Lima/Poder360 e Reprodução/Redes Sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta 6ª feira (23.out.2026) o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz. O ministro também ordenou quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, além da suspensão dos passaportes e a paralisação das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as empresas do advogado. Willer é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionado a negócios envolvendo bets. O valor bloqueado se refere a bens móveis, imóveis, aviões e barcos. As medidas foram tomadas pelo ministro após a PF descobrir que Willer Tomaz viajou para Miami, nos Estados Unidos, após ser alvo, em agosto, de busca e apreensão na operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos nas aposentadorias e beneficiários do INSS.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) serão comunicados sobre a decisão para efetuarem os bloqueios determinados. Com a ordem de quebra de sigilo, as instituições bancárias deverão fornecer todos os dados bancários de Willer Tomaz, incluindo a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. O advogado ficou conhecido nos últimos meses no contexto da campanha eleitoral por ter uma relação de amizade com o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevistas, o candidato disse que mantém apenas relações pessoais com Willer Tomaz e negou ter relações comerciais com o advogado.

O Poder360 procurou a defesa de Willer Tomaz por e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da decisão de Moraes. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

https://www.poder360.com.br