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quarta-feira, 18 de março de 2026

 

Afirmações de Flávio Bolsonaro sobre ‘uso da força’ vão além do aceitável


São temerárias as afirmações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, sugerindo que qualquer outro candidato, para receber apoio de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026, precisará assegurar indulto ao ex-presidente, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. E Flávio foi além. Afirmou que, em caso de condenação do pai, se um presidente aliado lhe conceder o perdão, será preciso que o STF “respeite os demais Poderes”. “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade de uso da força (...), de interferência direta entre os Poderes. Tudo que ninguém quer”, disse ele.

Não ficou claro o que Flávio quis dizer com “uso da força”. Eis sua explicação singela para as condições que levariam a tal desfecho: “Estou fazendo análise de um cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá. Certamente o candidato que o presidente Bolsonaro vai apoiar deverá ter esse compromisso”.

É certo que ele ressaltou não se tratar de ameaça, mas evidentemente esse tipo de declaração não tem cabimento num regime democrático. Ainda que Bolsonaro venha a ser condenado e que um presidente futuramente lhe conceda indulto, o STF teria o dever de analisar se o benefício cumpre os dispositivos constitucionais. Negar-lhe essa prerrogativa seria desrespeitar a independência dos Poderes.

Há, por sinal, precedentes. Em maio de 2023, o Supremo rejeitou por 8 votos a 2 a graça concedida em 2022 pelo então presidente Bolsonaro em favor do ex-deputado Daniel Silveira, restabelecendo a condenação por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no processo. Na ocasião, a Corte considerou que a decisão presidencial em benefício de um aliado político representou desvio de finalidade.

A Polícia Federal (PF) investigou minuciosamente e reuniu provas robustas da tentativa de golpe em 2022. Foram fatos graves. Além da pretendida ruptura institucional, um plano previa o assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do STF, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin. O mínimo a esperar é que os responsáveis, independentemente de nomes, partidos ou patentes, sejam julgados e, uma vez comprovadas as responsabilidades, punidos. Anistiar quem conspirou conta a democracia só serve para incentivar novos levantes golpistas.

Na semana passada, os depoimentos de Jair Bolsonaro e de outros réus corroboraram as investigações da PF e mostraram que há provas consistentes para condená-lo. Daí a preocupação de Flávio em articular desde já compromissos políticos para blindar o pai. Essa cogitação por si só já é um disparate. Querer contratar no mesmo pacote uma afronta ao Supremo, à Constituição e à democracia extrapola o limite do aceitável.

Israel elimina cúpula de segurança do Irã e expõe crise nos EUA.


Nos bastidores: Embora o governo israelense encoraje publicamente a população iraniana a se revoltar e derrubar o regime, documentos diplomáticos vazados revelam que oficiais israelenses admitem privadamente que, se os iranianos forem às ruas desarmados, "serão massacrados" pela Guarda Revolucionária, que ainda mantém uma estrutura de comando forte e descentralizada, mostra reportagem do Washington Post.

Ataque em Bagdá.
A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, localizada na fortificada Zona Verde, voltou a ser alvo de ataques com drones e foguetes na madrugada de quarta-feira (pelo horário local). Os ataques causaram danos nos arredores da embaixada, embora as forças de segurança relatem ter conseguido interceptar e derrubar pelo menos dois foguetes direcionados ao local. Também houve o registro de um drone que caiu dentro do complexo da embaixada americana.

Cerco a Cuba e escândalo na Casa Rosada.
Atenção redobrada em Cuba: A retórica de Washington em relação a Havana atingiu um tom belicoso. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que as recentes reformas econômicas de Cuba — que abrem o país para investimentos de expatriados — não são "suficientemente drásticas" e reiterou o desejo de uma mudança de regime na ilha. O presidente Donald Trump foi além, sugerindo que seria "uma honra" tomar a ilha, classificando-a como uma nação enfraquecida. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou as ameaças diárias de derrubada do seu governo, enquanto o Vietnã reafirmou seu apoio à ilha por meio de parcerias agrícolas para a produção de arroz. Analistas sugerem que a pressão sobre Cuba pode ser uma manobra de distração de Trump diante da impopularidade e dos impasses da guerra no Irã.

Escândalo financeiro atinge Javier Milei: Na Argentina, uma investigação sobre o colapso da criptomoeda $LIBRA revelou laços financeiros comprometedores entre o presidente Javier Milei e o lobista e trader Mauricio Novelli. A perícia no telefone de Novelli mostrou registros de pagamentos mensais em dólares a Milei desde 2021 — quando o atual presidente ainda era deputado —, para que este desse aulas e promovesse a consultoria de investimentos N&W. O caso se agrava com indícios de que esses repasses em dólares teriam continuado mesmo após a chegada de Milei à Casa Rosada, conforme reportagem do La Nacion.

https://noticias.uol.com.br

terça-feira, 17 de março de 2026

'Não precisamos de ninguém', diz Trump após aliados se negarem a entrar na guerra contra Irã.

  
Presidente dos EUA afirmou que a Otan negou um pedido seu para 
entrar na guerra contra o Irã e criticou a decisão: 'É um erro tolo'.

Por Redação g1 

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (17) que não precisa da ajuda "de ninguém" para seguir na guerra contra o Irã. A declaração ocorre um dia após países aliados rejeitarem o apelo do norte-americano para patrulhar o Estreito de Ormuz. 

Contexto: Trump pediu no fim de semana que aliados europeus e asiáticos enviassem navios militares para ajudar a liberar a passagem no Estreito de Ormuz - via marítima no Oriente Médio por onde passam embarcações transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo. Trump disse que países da Otan, a aliança militar do Ocidente, não concordaram em "se envolver com nossa operação militar contra o regime terrorista do Irã". Afirmou estar "desapontado" com a decisão, que chamou de "tola"."Nós não precisamos deles (sócios da Otan), mas eles deveriam ter ajudado. Estão cometendo um erro muito tolo", disse Trump durante encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin. 

Antes, em sua rede social Truth Social, ele escreveu que "nós não precisamos mais, nem desejamos, a ajuda dos países da Otan" e do Japão, da Austrália e da Coreia do Sul — que também negaram o pedido de Trump."Aliás, falando como Presidente dos Estados Unidos da América, de longe o país mais poderoso do mundo, NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM!", escreveu Trump. "O mesmo vale para o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul".

Pedido recusado.
No fim de semana, Trump pressionou aliados europeus e asiáticos para que ajudassem a patrulhar o estreito de Ormuz. O Irã afirma controlar o canal e tem atacado embarcações comerciais que passam por lá. Veja abaixo o que os países disseram na segunda (16) sobre o apelo de Trump:
 
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que a Alemanha não participará com suas forças armadas da segurança do Estreito: "O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos";
 
Já o chanceler da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a diplomacia é o caminho certo para resolver a crise no Estreito de Ormuz e que não há missões navais em que a Itália esteja envolvida que possam ser estendidas à região;
 
Um porta-voz do governo da Grécia declarou que seu país não se envolverá em operações militares no Estreito de Ormuz.
 
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou ainda não ter decidido se atenderá ao pedido de Trump, mas disse estar dialogando com aliados para tentar "bolar um plano" para garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
 
A França ainda não havia respondido à pressão de Trump, mas o presidente francês, Emmanuel Macron, já disse anteriormente que trabalha com países parceiros em uma possível missão internacional no estreito. Macron afirmou, no entanto, que isso só ocorreria quando os combates diminuírem.
 
A Coreia do Sul afirmou que “tomou nota” do pedido de Trump e que “coordenará de perto e analisará cuidadosamente” a situação com os EUA.

Petroleiros começaram a 'passar aos poucos', diz Casa Branca.
O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse à emissora "CNBC" nesta terça-feira (17) que petroleiros estão "começando a passar aos poucos" pelo Estreito de Ormuz, reiterando a posição do governo Trump de que a guerra com o Irã deve durar semanas, e não meses. Hassett, no entanto, não deu mais detalhes. 
 
Irã sinaliza abertura parcial do Estreito de Ormuz.
 
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que um grupo de embarcações de “diferentes países” já foi autorizado a passar, sem dar detalhes. O Irã afirmou que o estreito está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados. Araghchi acrescentou que “não vemos razão para conversar com os norte-americanos” sobre uma forma de encerrar a guerra. Ele também disse que Teerã “não tem planos de recuperar” o urânio enriquecido que ficou sob escombros após ataques dos EUA e de Israel no ano passado.

https://g1.globo.com 

Obras da Cesan geram falhas e revolta em Guarapari (ES).


Moradores relatam asfalto cedendo, esgoto exposto e 
contaminação de água durante intervenções de saneamento.

Problemas recorrentes nas obras de saneamento executadas pela Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) em Guarapari dominaram o debate da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa na segunda-feira (16). Relatos apresentados por moradores apontam falhas na execução dos serviços, com impactos diretos no cotidiano das comunidades. Entre os principais problemas estão afundamento de vias, vazamentos de esgoto e suspeitas de contaminação de poços e nascentes. Durante a reunião, parlamentares reconheceram a importância do saneamento, mas criticaram a forma como as obras vêm sendo conduzidas.“O Espírito Santo precisa avançar nessa questão. As obras são necessárias e fundamentais, mas precisam ser executadas de forma pragmática, para reduzir ao máximo os prejuízos e transtornos para a população”, afirmou o deputado Bruno Resende.

Moradores apontam falhas graves.
As denúncias mais contundentes vieram de moradores do bairro Condados. Segundo relatos, a compactação do solo estaria sendo feita de forma inadequada, provocando o afundamento de calçamentos e do asfalto em diversas ruas. Domingos Maciel relatou que até veículos da própria obra foram afetados.“O mau cheiro é insuportável. Perdemos produção de alimentos e precisamos da presença de alguém da Cesan no bairro para resolver os problemas”, declarou.

Ele também apontou que vazamentos de esgoto chegaram a permanecer por dias sem solução, além de relatar contaminação de poços e de uma nascente após rompimentos na rede. Segundo o morador, ao menos uma família já acionou a Justiça após ter o abastecimento comprometido.

Pressão política aumenta.
O deputado Zé Preto classificou a situação como grave e criticou a falta de resposta da concessionária.“Queremos obras de qualidade. É inaceitável que um caminhão da própria empresa caia em um buraco causado pela obra”, afirmou. O parlamentar disse que pretende acionar o Ministério Público para avaliar a paralisação das obras até que os problemas sejam corrigidos. Ele também ampliou as críticas para outras regiões da cidade.“O governo afirma que 70% de Guarapari tem cobertura de saneamento básico, mas a realidade não parece ser essa. A Cesan precisa dar uma resposta urgente”, declarou.

Resposta da concessionária.
A Cesan informou que o investimento nas obras é de R$ 7.290.000,00, com execução iniciada em julho de 2025 e previsão de conclusão em janeiro de 2027. Segundo a gerente de obras, Amanda Bragato, os problemas se concentram principalmente em duas vias do bairro Condados. Sobre o episódio do caminhão que afundou, ela atribuiu o caso a falhas de drenagem já existentes na região. A empresa também destacou que a implantação da rede de esgoto foi concluída em 2025, enquanto o asfaltamento seria de responsabilidade da prefeitura.

Fiscalização em campo.
Diante das denúncias, órgãos estaduais e a agência reguladora confirmaram a realização de uma visita técnica aos locais afetados. A vistoria deve ocorrer nas próximas semanas e incluir os bairros Condados e Praia do Morro, onde também há registros de problemas no sistema de esgoto. A expectativa é que a inspeção avalie as falhas apontadas e defina medidas para corrigir as deficiências na execução das obras.

Fonte: Ales
https://vitorianews.com.br

Bolsonaro deixa a UTI e é transferido para unidade semi-intensiva.


Ex-presidente obteve melhora nos marcadores de infecção.

Por Luísa Marzullo — Brasília 

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a unidade semi-intensiva do hospital DF Star, em Brasília, segundo a equipe médica. A mudança de ala ocorre após melhora nos marcadores da infecção que motivou a internação. Em publicação nos stories do Instagram, Michelle também divulgou a notícia e afirmou que o avanço no quadro clínico permitiu a transferência."Com a melhora dos marcadores da infecção, meu amor foi transferido para a unidade semi-intensiva. Seguimos confiantes de que ele vai vencer mais esse momento. Obrigada por todo o carinho e pelas orações", escreveu.

Bolsonaro estava internado na UTI do hospital desde sexta-feira, quando foi levado ao DF Star após passar mal durante a madrugada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde cumpre prisão. Ele chegou ao hospital com febre, vômitos e baixa saturação de oxigênio. O ex-presidente foi diagnosticado com pneumonia bacteriana bilateral causada por broncoaspiração e passou a receber tratamento com antibióticos, além de fisioterapia respiratória e motora durante a internação.

Boletim médico divulgado mais cedo na segunda-feira já apontava melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas, com recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios no sangue, o que indicava resposta favorável ao tratamento. No boletim anterior, divulgado no domingo, os médicos haviam registrado estabilidade clínica e melhora da função renal, mas apontaram nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue, o que levou a equipe a ampliar a cobertura de antibióticos e intensificar a fisioterapia respiratória.

A transferência para a unidade semi-intensiva ocorre após essa evolução no quadro clínico. Um novo boletim confirmando oficialmente a mudança de ala só deve ser divulgado amanhã. 

https://oglobo.globo.com

domingo, 15 de março de 2026

Conselheiro de Trump pediu reunião com futuro presidente do TSE para discutir eleições.


Darren Beattie havia solicitado encontro com Kassio Nunes Marques, 
que comandará a Justiça Eleitoral nas eleições deste ano.

Brasília|Augusto Fernandes e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília.

O assessor do governo americano Darren Beattie, que teve o visto para entrar no Brasil revogado, tinha pedido uma reunião com o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Kassio Nunes Marques para falar sobre eleições. Nunes Marques será o presidente da corte durante as eleições deste ano. A tentativa de agenda com o ministro ocorreu no contexto da visita que Beattie pretendia fazer ao país na próxima semana.

O visto do assessor foi cancelado pelo Ministério das Relações Exteriores após o governo brasileiro considerar que houve omissão e falseamento de informações relevantes no pedido de entrada no país. Beattie chegou a ser autorizado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, mas o ministro voltou atrás após o Itamaraty informar que o eventual encontro com Bolsonaro não havia sido informado previamente às autoridades do país. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também alertou Moraes sobre possíveis implicações diplomáticas e políticas da visita. Na comunicação enviada ao ministro, o chanceler afirmou que a agenda poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos” do Brasil, especialmente por ocorrer em ano eleitoral.

Vieira também destacou que o pedido de visita ao ex-presidente não constava entre os objetivos oficialmente informados pelo governo dos Estados Unidos ao solicitar o visto para Beattie. O documento enviado pelo chanceler ao STF também não falava sobre um eventual encontro do americano com Nunes Marques.

Visto cancelado.
Segundo o Itamaraty, o visto para Beattie havia sido concedido com base na informação de que ele participaria de uma conferência sobre minerais críticos e de reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro. De acordo com autoridades brasileiras, no entanto, outros compromissos planejados durante a viagem não haviam sido comunicados previamente, entre eles a tentativa de visita a Bolsonaro. Diante da situação, o Itamaraty decidiu cancelar o visto. Em nota, o ministério afirmou que a medida foi tomada “tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington”, acrescentando que esse motivo constitui fundamento legal suficiente para a denegação do documento, de acordo com a legislação nacional e internacional.

https://noticias.r7.com

Transcol avança dentro de Guarapari (ES), e ônibus vão circular até Muquiçaba.

 
Linhas do Transcol passarão a avançar para áreas internas 
da cidade, com trajeto até a região da Praça do Extrabom.

Bernardo Mont'Mor *

Os ônibus do Transcol vão passar a circular mais para dentro do município de Guarapari. A ampliação do trajeto foi anunciada pela Prefeitura de Guarapari e faz parte de uma iniciativa realizada em parceria com o Governo do Estado para ampliar o atendimento do transporte público na cidade. A mudança, que acontece a partir do dia 22 de março, permitirá que os coletivos entrem na área urbana do município, avancem até a região da rotatória próxima à Praça do Extrabom, no bairro Muquiçaba, e depois retornem em direção a Vila Velha.

O anúncio foi feito pelo prefeito Rodrigo Borges em um vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo ele, a medida amplia o acesso ao transporte coletivo para moradores que utilizam o serviço diariamente. Conseguimos trazer o Transcol mais para dentro da cidade, avançando o atendimento e levando mais dignidade aos trabalhadores que tanto precisavam desse serviço. (Rodrigo Borges, Prefeito de Guarapari).

Estudo técnico avaliou expansão.
A ampliação ocorre após um pedido feito pela prefeitura à Ceturb-ES (Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo). Desde 2014, o Transcol opera em Guarapari, mas os ônibus atendem apenas até a região de Setiba, sem chegar a outras áreas da cidade. Na época, Rodrigo Borges se reuniu com o diretor-presidente da Ceturb-ES, Marcelo Campos Antunes, para discutir a possibilidade de ampliar as linhas para bairros internos do município. Após o encontro, a Ceturb informou que seria necessário realizar um estudo técnico para avaliar a viabilidade da ampliação do sistema. O objetivo era analisar fatores operacionais e financeiros para garantir que a expansão fosse possível sem impactar o valor da tarifa. Com o anúncio da prefeitura, a expectativa é de que a ampliação do trajeto beneficie trabalhadores e moradores que dependem do transporte coletivo para deslocamentos diários entre Guarapari e cidades da Região Metropolitana.

https://www.folhavitoria.com.br

sábado, 14 de março de 2026

As medidas extremas que países adotam para combater o turismo excessivo.

 
Lindsey Galloway
BBC Travel

As cerejeiras continuam florescendo perto do monte Fuji, no Japão. E os turistas continuam chegando para observá-las. Mas, neste ano, não haverá o festival anual. Autoridades da cidade de Fujiyoshida, no Japão, cancelaram a celebração anual da sakura (as flores de cerejeira). O motivo foram as reclamações dos moradores locais. Eles denunciaram que os visitantes jogavam lixo, invadiam jardins e chegavam a entrar em residências particulares. O festival costumava atrair 200.000 visitantes para a cidade, que tem população estimada em 44.000 moradores. O cancelamento é o mais recente sinal de que, enquanto o turismo global atinge recordes de alta, a paciência dos moradores dos destinos mais populares está acabando. Em 2025, o Japão recebeu cerca de 43.000.000,00 de visitantes, o maior número da sua história. Paralelamente, a Europa recebeu mais da metade dos voos internacionais, estimados em 1.500.000.000,00. As projeções indicam que este número deve atingir 1.800.000.000,00 em 2030 e os governos lutam para gerenciar as pressões. Alguns países vêm tomando medidas que teriam parecido extremas poucos anos atrás.

Os fatores que levaram os EUA ao topo do ranking de melhores países para o turismo. O país africano com praias espetaculares que quer atrair turistas após ser devastado pela guerra. A ilha do Caribe onde os moradores não podem entrar nas praias. Elas incluem o controle das multidões por inteligência artificial, construção de barreiras físicas e a cobrança de ingressos pelo triplo do valor para estrangeiros, além do cancelamento de festivais famosos, como o de Fujiyoshida. Muitos desses países desejam continuar recebendo visitantes. Eles simplesmente querem que os turistas fiquem mais espalhados, se comportem melhor ou façam suas visitas em outras épocas do ano. A BBC conversou com conselhos de turismo e líderes do setor em diversos países, para saber quais medidas assertivas estão sendo tomadas para tentar reduzir os problemas gerados pelo turismo excessivo.

Japão: bloqueios e restrições.
O cancelamento do festival das flores de cerejeira não foi a primeira medida tomada pelo Japão para gerenciar o excesso de turistas. Em 2024, a cidade de Fujikawaguchiko construiu uma barreira física para bloquear um ponto popular para fotos do monte Fuji. A medida foi uma tentativa de evitar que os visitantes continuassem subindo nos telhados, ignorando os guardas e as normas de segurança. Kyoto também luta há muito tempo contra as aglomerações. A cidade proibiu que as pessoas fotografassem as gueixas e restringiu o acesso a certas alamedas do distrito histórico de Gion, um dos pontos mais populares entre os visitantes. Recentemente, Kyoto também recorreu à tecnologia, lançando ferramentas digitais de gerenciamento de multidões. O objetivo é tentar trabalhar em conjunto com os turistas, de forma mais sustentável.

Intitulada Previsão de Congestionamentos, a nova ferramenta prevê os melhores dias e horários para visitar os locais mais importantes. Paralelamente, o aplicativo Smart Navi fornece atualizações em tempo real sobre os níveis de aglomeração; a iniciativa Hidden Gems ("Joias escondidas") promove seis distritos mais calmos, longe dos templos famosos; e Hands Free Kyoto ("Mãos livres") oferece aos visitantes serviços de transporte e armazenamento de bagagem, para reduzir as aglomerações no transporte público."Não existe uma bala de prata para o turismo excessivo, mas pretendemos continuar implementando medidas para proteger o dia a dia dos cidadãos, garantindo, ao mesmo tempo, que os visitantes possam ter uma estadia confortável", afirma o gerente da Divisão de Promoção do Turismo Sustentável de Kyoto, Kousaku Ono.

As operadoras de turismo também estão se ajustando à situação atual. 
A operadora Inside Travel Group, voltada para o desenvolvimento socioambiental, alterou deliberadamente o seu foco em relação ao Japão para cinco regiões pouco visitadas: Toyama, Nagoya, Nagasaki, Aomori e Yamaguchi."O turismo excessivo é uma das maiores ameaças enfrentadas pelo futuro do setor de viagens, que precisa enfrentá-lo de cabeça erguida", afirma o diretor-gerente da companhia, Tim Oakes."Estes são lugares que realmente querem receber visitantes, desde que sem aglomerações." Estados Unidos: preços mais altos para visitantes internacionais. Já os Estados Unidos assumiram uma postura declaradamente voltada para o lado financeiro. Seu vasto sistema de parques nacionais compreende 433 unidades, com área total de 34 milhões de hectares, e oferece incontáveis atrações para os visitantes. Mas a metade das visitas se concentra nos 25 parques mais conhecidos, gerando superlotação, longas filas e excesso de lixo. Para tentar reduzir o problema, os Estados Unidos criaram em 2026 uma sobretaxa de US$ 100,00 (cerca de R$ 520,00) por pessoa para visitantes internacionais, em 11 parques nacionais populares do país. Eles incluem Yellowstone, Yosemite e o Grand Canyon.

O passaporte anual "America the Beautiful" cobre todos os locais federais de recreação. Agora, ele custa US$ 250,00 (cerca de R$ 1.300,00) para não moradores do país — três vezes mais que os US$ 80,00 (cerca de R$ 416,00) cobrados dos cidadãos americanos.

Esta política segue uma ordem executiva que orientou o Departamento do Interior dos Estados Unidos a aumentar os ingressos para estrangeiros. Relatos indicam que a medida está gerando filas ainda mais longas na entrada nos parques, já que os funcionários, agora, precisam conferir a cidadania e os documentos de identificação dos visitantes. Trabalhadores dos parques e do seu entorno não acreditam que esta estratégia seja suficiente para combater as aglomerações."É improvável que o aumento dos ingressos, sozinho, reduza significativamente o turismo excessivo na alta estação", afirma Kevin Jackson, um dos fundadores da EXP Journeys. Sua empresa oferece experiências de viagens particulares perto dos parques de Yellowstone, Grand Canyon, Zion, Moab e Yosemite."A demanda pelos parques emblemáticos permanece alta e, para o tipo de viagens que oferecemos, o ingresso mais caro representa um percentual relativamente pequeno do custo total da viagem", explica ele. Mas ele observou que alguns viajantes internacionais podem optar por parques menos conhecidos, onde a sobretaxa não é aplicada. É o caso do Canyonlands, no Estado de Utah. Dulani Porter é a vice-presidente-executiva da empresa de marketing de destinos turísticos SPARK. Ela destaca questões estruturais mais profundas."Definir preços não é um plano de gestão de visitantes", afirma ela. Porter relembra que o excesso de pessoas em parques como Zion e Yosemite é determinado, em grande parte, pelos padrões domésticos de viagens de verão, calendários escolares e pela capacidade limitada de rodovias e estacionamento. Ela também questiona o impacto sobre as comunidades vizinhas. Os visitantes internacionais contribuem de forma desproporcional com a economia do turismo local. E até mesmo uma pequena redução pode prejudicar hotéis, restaurantes e operadoras de turismo."O turismo excessivo é fundamentalmente uma questão sistêmica", afirma ela. "Não apenas um problema de preços."
 
Jamaica: Reprogramar a sazonalidade.
A Jamaica, por outro lado, vem usando incentivos, não restrições. Ansiosa para atrair turistas após a destruição causada pelo furacão Melissa, em 2025, a ilha do Caribe vem adotando medidas criativas para trazer visitantes fora da alta temporada. As empresas Jamaica Tourism, JetBlue e WeatherPromise se associaram para oferecer, a partir de março, seguro contra chuva para todos os pacotes com destino à Jamaica até o final de novembro, incluindo a estação dos furacões. Se as condições do tempo atingirem o limite para serem consideradas "excesso de chuva", os viajantes que optarem pelo seguro serão automaticamente reembolsados. E ainda poderão aproveitar a viagem para conhecer algumas das atrações em ambiente fechado do país, como o Museu Bob Marley na capital, Kingston, ou para provar rum no vale de Nassau."Esta parceria ajuda a oferecer aos nossos clientes a confiança de reservar viagens para a Jamaica o ano inteiro", afirma Jamie Perry, presidente da Paisly, a companhia responsável pela JetBlue Vacations."Ao reduzir a percepção de risco de viagem durante os períodos tradicionalmente mais calmos, estamos ajudando a criar melhores experiências para os clientes e as comunidades locais."
 
Espanha: gestão das multidões por algoritmo.
A ilha espanhola de Maiorca foi palco de um dos mais emblemáticos protestos contra o turismo já realizados. Agora, ela aposta na inteligência artificial para resolver parte dos seus problemas com aglomerações. Ainda este ano, Maiorca irá integrar ao seu novo website uma plataforma alimentada por IA. Usando dados dos visitantes em tempo real, a ferramenta orientará os turistas sobre os melhores horários para visitar locais populares, sugerindo alternativas menos congestionadas, como oficinas de artesanato com vidro e a tradicional llatra (folhas de palmeira), ou ainda visitas a vinhedos e produtores de azeite de oliva. O objetivo é expandir a visitação para locais fora do roteiro de "sol e praia" da ilha."Com a PID [Plataforma Inteligente de Destinos] de Maiorca, integramos mobilidade, acomodações e recursos em uma única plataforma, o que nos permite antecipar os fluxos, melhorar a experiência dos visitantes e fortalecer a tomada de decisões", explica o recém-nomeado ministro do Turismo local Guillem Ginard, presidente da Fundação para o Turismo Responsável de Maiorca. Além da tecnologia, a fundação lançou a campanha Ca Nostra ("Nossa Casa"), para incentivar visitantes e moradores a tratar Maiorca como sua casa temporária, protegendo seus cenários, tradições e comunidades.

Dinamarca: incentivos ao bom comportamento.
A capital dinamarquesa, Copenhague, é um dos destinos turísticos em maior crescimento da Europa. Projeções indicam que ela o número de visitantes deve aumentar em 24% até 2030. Para combater alguns dos primeiros problemas sendo causados pelo turismo excessivo, a cidade realiza experiências com incentivos ao bom comportamento. Lançado em 2024, o programa CopenPay permite que os visitantes "paguem" por experiências com ações sustentáveis, como passear de caiaque coletando o lixo dos canais ou ir aos museus de bicicleta.
 
Mais de 30 mil visitantes já participaram da iniciativa, que fez com que os aluguéis de bicicletas aumentassem em 59%."Cerca de metade dos participantes afirmam que são motivados a participar porque procuram experiências diferentes e exclusivas", conta Rikke Holm Petersen, diretora de marketing, comunicação e comportamento da organização Wonderful Copenhagen. Ela observou que sete a cada dez participantes também declararam terem levado novos hábitos para casa, como andar mais de bicicleta e separar o lixo corretamente. Este modelo atraiu o interesse de mais de 100 destinos de todo o mundo. Berlim, na Alemanha, e a região francesa da Normandia estão adotando esquemas similares."Muitos participantes nos disseram que todas as cidades deveriam ter este programa", declarou Petersen."Estamos observando uma mudança importante no comportamento dos turistas. Eles querem deixar o destino melhor do que encontraram."

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.
https://www.bbc.com 
  

Condomínios não podem mais barrar carregador de carro elétrico em SP, mas instalação não está garantida.


Custo em prédio pode ser 200% maior do que em casa. 
Empresas criam soluções para baratear e facilitar implementação.

Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo 

No mês passado, entrou em vigor em São Paulo uma lei que dá aos moradores de prédios a prerrogativa de colocar os carregadores para carros elétricos nas vagas, desde que arquem com os custos e atendam às normas técnicas. Antes, assembleias de condomínios ou síndicos tinham o poder de vetar arbitrariamente a instalação. Agora, isso está proibido no estado. Mesmo assim, o processo para a instalação não é simples nem barato. É necessário trazer cabos por dentro do prédio até a vaga.“Dependendo do tamanho desse cabeamento até o carregador, o custo pode ser de R$ 5.000,00 para instalações de cinco metros até R$ 12.000,00 para 100 metros”, explica Luiz Felipe Santos, gerente-geral da Revo, empresa especializada em instalação de carregadores em prédios.“Se o condomínio não entrar com parte dos custos, o morador pode pagar três vezes mais no carregador do que um equivalente numa residência”, diz.

Condomínio agora tem de colaborar.
Para instalar um carregador numa vaga de prédio é preciso, primeiro, fazer uma análise de carga. “Durante sete dias um equipamento verifica o consumo de energia e tensão do prédio. Com isso podemos ver quantos carregadores a rede comporta”, diz o gerente. Essa análise, que pode custar entre R$ 3.000,00 e R$ 15.000,00, precisa ser feita e paga pelo condomínio. É com esse documento que o síndico vai ter respaldo para prosseguir com a instalação ou não. Antes da nova lei paulista, o síndico ou assembléia de condomínio podiam vetar sem apresentar justificativa. Agora é preciso ter documento com motivos técnicos para proibir.“Existem prédios que não comportam instaladores individuais. Aí a solução é ter vagas de uso comum, para todos os moradores. Passa a ser uma iniciativa do prédio, não só do morador”, explica Raquel Bueno, gerente da Lello Condomínios, administradora de São Paulo.

Com a análise pronta e todos os passos em assembleia seguidos, é possível concluir a instalação do carregador entre 20 e 30 dias. Segundo Santos, da Revo, outro custo que pode aparecer é o chamado furo técnico, que pode dobrar o valor do serviço. “Em alguns casos para o cabeamento passar pelas lajes é preciso um engenheiro para certificar. Assim, sabemos que não há comprometimento da estrutura com o furo técnico”, explica. O gerente da Revo diz que alguns condomínios estão arcando com uma parte da instalação que beneficia todos os moradores. “O condomínio paga e nós trazemos o cabeamento até um quadro. A partir dali cada morador, se quiser, instala o seu carregador seguindo as normas”, diz Santos. Segundo ele, isso proporciona padrão na instalação e diminui custos para todos.

Existem prédios mais antigos em que seria necessário refazer toda a elétrica e ainda substituir o transformador na rua. “Os custos poderiam passar de R$ 500.000,00, o que é inviável hoje em dia”, diz. Algumas empresas já se movimentam para facilitar o processo com soluções. "Nós conseguimos criar toda a infraestrutura do prédio sem cobrar nada do condomínio. À medida que os moradores vão aderindo aos carregadores, eles pagam pela instalação individual e manutenção do sistema”, explica Tadeu Azevedo, CEO da Power2Go. Segundo Azevedo, é possível ter soluções para todas as condições dos clientes. “Mesmo com vagas rotativas ou sorteadas, os condomínios conseguem se organizar”, explica.

O executivo acredita que o mais importante é síndicos e assembleias entenderem que implementar carregadores valoriza os imóveis. “Quase nenhum prédio no Brasil nasceu pensando em carro elétrico. É preciso fazer o balanceamento da energia e já deixar a estrutura pronta para todas as vagas no futuro e não somente para os poucos moradores que hoje usam o carregador”, aconselha Azevedo. Segundo uma projeção consultoria Boston Consulting Group (BCG) a pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 65% das vendas de carros 0 km no Brasil será de eletrificados em 2035.
 
Nova lei estabelece responsabilidade.
David Monteiro, advogado especialista em direito imobiliário do escritório Martinelli, diz que o desafio para os condomínios é criar regras claras para essa solicitação."Situações que envolvam intervenções mais profundas em áreas comuns ou na infraestrutura coletiva ainda podem gerar discussões e exigir avaliação caso a caso, inclusive sobre a necessidade de deliberação em assembleia", explica Monteiro.

Patrícia de Pádua Rodrigues, sócia da Martinelli Advogados, diz que o síndico e a assembléia do condomínio não podem criar exigências desproporcionais ou sem base técnica apenas para dificultar ou inviabilizar a instalação do ponto de recarga."A nova lei permite ao condomínio exigir do morador o cumprimento das normas técnicas e das regras de segurança aplicáveis. Se houver previsão em normas da ABNT ou nas orientações dos Bombeiros", diz a advogada.

Risco de incêndio.
Raquel Bueno conta que vários síndicos vetavam os carregadores por não terem normas para se orientar.“Depois das diretrizes nacionais para a instalação elétrica de carregadores, os bombeiros de São Paulo vão definir como deve ser feito o combate ao incêndio de carros elétricos. A partir disso os condomínios vão se adequar”, explica Raquel.

Patrícia de Pádua Rodruigues diz que a nova lei autoriza o condomínio definir padrões técnicos e responsabilidade por danos ou consumo relacionados ao ponto de recarga. Portanto, o condomínio pode criar regras para um eventual ressarcimento de prejuízos."No entanto, essa autorização não permite a atribuição automática de culpa ao dono do carro elétrico em qualquer situação. A convenção não pode simplesmente estabelecer que o morador será responsável por 'todo e qualquer incêndio' ocorrido na garagem, sem a necessária apuração técnica da causa do problema", explica a advogada

Em 2025, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou uma diretriz que orienta como deve ser feita a instalação de pontos de recarga. O texto não tem poder de lei, mas precisa ser seguido para renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Na hora da renovação do AVCB, o prédio precisa seguir as regras que estão vigentes, explica o advogado David Monteiro. "Se houver pontos de recarga instalados sem atender às exigências de segurança, a renovação pode ser negada até que a situação seja regularizada", diz.

Segundo a gerente da Lello, Raquel Bueno, a tendência é que os Bombeiros estabeleçam um modelo de atestado. "Nesse modelo, o condomínio busca um engenheiro responsável para garantir a instalação. Assim como já é feito em prédios com motor gerador”, diz.

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Visto negado a assessor de Trump e recusa a receber presos elevam tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.


Governo diz que Darren Beattie teria prestado 
informações falsas ao solicitar a entrada no país.

Por Eliane Oliveira e Paulo Assad 
 
A temperatura entre Brasil e Estados Unidos voltou a se elevar nos últimos dias após a breve distensão iniciada com o encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro de 2025. Nesta sexta-feira, o governo brasileiro anunciou a retirada do visto do assessor do Departamento de Estado dos EUA Darren Beattie, que planejava vir ao Brasil visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão sem avisar ao Itamaraty, enquanto nos bastidores os dois países seguem a negociar planos de cooperação no combate ao crime organizado. A mais recente proposta americana inclui reproduzir no país modelo semelhante ao adotado em El Salvador, com a transferência de presos de outros países capturados em território norte-americano. Segundo interlocutores do Itamaraty, a revogação do visto ocorreu porque Beattie teria prestado informações falsas ao solicitar a entrada no país. Ele afirmou que participaria de uma conferência sobre minerais críticos em São Paulo, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro. Ao se posicionar contra o encontro, o governo avaliou que a agenda poderia configurar “indevida ingerência” dos americanos em assuntos internos. Autoridades concluíram que Beattie cometeu “omissão e falseamento de informações” sobre a visita.

Em evento no Rio, Lula afirmou que decidiu barrar a visita enquanto não houver solução para o caso envolvendo vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família. — Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado — disse. No governo brasileiro, o caso envolvendo Beattie é tratado como caso isolado de “má-fé diplomática”, sem risco de comprometer novo encontro entre Lula e Trump, que deve ocorrer em abril ou maio.

A defesa de Bolsonaro havia obtido autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para Beattie visitá-lo na Papudinha. Na quinta-feira, porém, Moraes voltou atrás após receber informações do chanceler Mauro Vieira de que o pedido de visto mencionava apenas participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e reuniões com autoridades brasileiras, sem referência à intenção de visitar o ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado.

Cooperação na segurança.
No governo brasileiro, apesar de o Departamento de Estado americano ter aumentado a pressão sobre Lula ao afirmar que Trump considera as facções brasileiras uma “ameaça significativa à segurança regional”, a expectativa é que um entendimento sobre a pauta de segurança possa ser alcançado pelos dois presidentes na reunião que deve ocorrer entre eles dentro de dois meses na Casa Branca. A recente proposta feita pelo governo americano inclui um acordo semelhante ao que permite aos Estados Unidos enviar estrangeiros capturados em território americano para cumprir pena no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador. O país da América Central virou um ponto de peregrinação de políticos bolsonaristas, que defendem a adoção de um modelo similar ao adotado pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, para a pauta da segurança pública.

Segundo Cristiano Maronna, diretor da Plataforma Justa, que pesquisa o judiciário e o sistema penal brasileiro, "não há qualquer base jurídica" para a proposta dos EUA.

— Não existe nada que autorize esse tipo de situação. Ao contrário, as prisões brasileiras elas foram feitas e pensadas para atender o poder judiciário brasileiro e já não dão conta disso — diz Maronna, que acrescenta — O que existe no Brasil, e isso depende de acordos bilaterais em matéria penal, é a possibilidade do cumprimento de pena de alguém que foi condenado no exterior, caso do jogador Robinho. É uma situação que não se equipara a possibilidade de receber dezenas, centenas, milhares de presos estrangeiros.

A proposta, que não menciona classificar facções brasileiras como terroristas, pede que o governo brasileiro apresente medidas para combater o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), o Hezbollah e organizações criminosas chinesas com atuação no Brasil e que compartilhe informações com autoridades dos EUA, como dados biométricos de refugiados no país. A existência da nova proposta foi publicada pela “Folha de S. Paulo” e confirmada pelo GLOBO.

Integrantes do governo brasileiro descartam receber criminosos estrangeiros capturados nos EUA. A avaliação é de que o enfrentamento ao crime organizado deve se dar a partir da cooperação operacional já existente. — Não acreditamos em soluções mágicas do tipo “plano” ou “designação como terrorista”, mas em trabalho contínuo e detalhado de cooperação, troca de informações e coordenação operacional — disse um interlocutor que acompanha as negociações. O plano do governo norte-americano é uma contraproposta ao que foi apresentado por Lula em conversa com Trump no fim do ano passado, quando o Brasil propôs cooperação no combate, por exemplo, à lavagem de dinheiro. Na época, Lula citou o caso do dono da Refit, Ricardo Magro, que está foragido nos EUA. Dias antes, a empresa havia sido alvo de uma megaoperação da PF por fraude no mercado de combustíveis. — Temos o maior traficante de combustível do Brasil que mora em Miami. Fiz questão de dizer: ‘Presidente Trump, vamos começar a combater o narcotráfico pegando os brasileiros que estão aí — disse Lula à TV Verdes Mares após a conversa com o americano.

Outro tópico abordado por Lula na conversa foi o uso do estado americano de Delaware para lavar dinheiro sujo de fraudadores brasileiros. Esse teria sido o caso da Refit, empresa de Magro, que movimentou R$ 72.000.000.000,00 em offshores. Para o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit, o tema da lavagem de dinheiro foi trazido à mesa de negociações pelo governo brasileiro para mostrar boa vontade. — Era interessante demonstrar intenção de cooperar em uma agenda central do governo Trump quando começávamos a negociar tarifas, mantendo autonomia, mas mostrando disposição — diz Rudzit, destacando que os dois países têm histórico de cooperação bem-sucedida no combate a crimes transnacionais.

Rudzit avalia que outro aspecto importante da negociação, a possível classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, faz parte de uma pauta do governo Trump para todo o continente, não tendo como foco apenas o Brasil. Em janeiro de 2025, o termo foi usado para designar o grupo venezuelano Tren de Aragua, que mantém vínculos com o PCC, além do Cartel de Sinaloa, do México, dentre outros. No Brasil, no ano passado, a classificação de facções brasileiras na mesma categoria foi apoiada por políticos da oposição.

— Mais cedo ou mais tarde, a Casa Branca ia querer isso. É uma agenda para o hemisfério — diz Rudzit que, como outros especialistas, vê na volta do debate sobre pauta da segurança entre EUA e Brasil um elemento favorável à oposição.

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