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terça-feira, 28 de julho de 2026

FMI cobra Argentina por dívida de US$ 57 bilhões e Milei tenta virar a página.


Visita de Kristalina Georgieva ocorre em meio à melhora da economia argentina, mas país enfrenta o desafio de voltar aos mercados e pagar dívida bilionária com o FMI.

Por Bloomberg 

Oito anos, três acordos e US$ 57 bilhões desde a última visita de uma líder do FMI à Argentina, Kristalina Georgieva chegou na segunda-feira (27) a Buenos Aires para acompanhar de perto a recuperação econômica promovida pelo presidente Javier Milei. Os tempos mudaram para melhor na relação entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e seu maior devedor. Mas o verdadeiro teste — o pagamento da dívida — está prestes a começar. Isso levanta dúvidas sobre se o FMI algum dia conseguirá sair da Argentina, ou vice-versa, e se Georgieva conseguirá transformar um fracasso em uma grande conquista. A visita ocorre em um momento considerado favorável para o governo Milei, e o fato de ser a primeira viagem da diretora-gerente do FMI ao país desde que assumiu o cargo reflete essa mudança. Os títulos argentinos subiram, a inflação caiu e o Banco Central está reconstruindo suas reservas de caixa necessárias para pagar o FMI. A economia está crescendo, embora de forma desigual, e Georgieva verá de perto a principal história de sucesso da Argentina: o boom do petróleo na Patagônia, que vem atraindo bilhões de dólares em investimentos.“O governo fez um progresso extraordinário”, disse Martin Mühleisen, ex-funcionário do Fundo e pesquisador sênior do Atlantic Council. “Agora existe ao menos a possibilidade de que a Argentina consiga eventualmente quitar sua enorme exposição ao FMI.”

Segundo o governo argentino, Georgieva fararia uma coletiva de imprensa com o ministro da Economia, Luis Caputo, às 13:00h no horário de Buenos Aires e depois se reuniria com Milei no palácio presidencial. A chegada de Georgieva seria difícil de imaginar apenas três anos atrás, quando funcionários do FMI descreviam uma “crise completa” antes das eleições presidenciais argentinas, com inflação acima de 100% e uma profunda recessão em andamento. Após 23 programas em quase 70 anos, o FMI ainda é alvo de forte rejeição na Argentina e visto por muitos cidadãos como um dos responsáveis pelas crises econômicas nas quais a instituição esteve envolvida.

Georgieva herdou as dívidas da Argentina com o FMI ao assumir o cargo, em 2019, depois que sua antecessora, Christine Lagarde, não conseguiu resgatar o governo anterior com um pacote de socorro recorde firmado no ano anterior e posteriormente deixou o Fundo para comandar o Banco Central Europeu. Um novo acordo em 2022, criado para refinanciar o programa anterior, teve resultado ainda pior, à medida que a crise se aprofundou. Milei fechou seu acordo com o FMI em abril de 2025.

Em setembro, a Argentina começará a pagar o principal da dívida, levando os pagamentos, incluindo juros, a cerca de US$ 3 bilhões no restante de 2026. Esse valor mais que dobra no ano seguinte, e o próximo governo argentino terá de pagar pelo menos US$ 9,5 bilhões por ano entre 2028 e 2031, segundo o FMI. Os pagamentos estão programados até 2042, por enquanto, e o governo afirma que não pretende refinanciar suas dívidas pelo menos no próximo ano, quando termina o atual mandato de Milei. Ex-funcionários do FMI dizem que praticamente tudo precisa dar certo para que Milei consiga encerrar, em algum momento, a dependência da Argentina em relação ao Fundo.“Se a Argentina conseguir obter os dólares necessários para pagar o FMI, os detentores de títulos e outros credores, e se Milei sair vitorioso nas eleições do próximo ano, o ciclo será rompido”, disse Douglas Rediker, ex-representante dos Estados Unidos no FMI.“Se qualquer um desses fatores não acontecer, o país terá de buscar mais tolerância do FMI — incluindo um novo programa para ajudar a pagar os anteriores —, dar calote em outros credores ou recorrer ao tipo de engenharia financeira que Milei prometeu desmontar quando chegou ao poder.” O principal elemento que ainda falta é o retorno da Argentina aos mercados internacionais, um próximo passo desejado por Georgieva, mas que Milei não pretende buscar neste momento.

O acesso aos mercados ajudaria a garantir que o FMI receba seu dinheiro de volta e substituiria uma estratégia de dívida fragmentada, dependente do mercado doméstico argentino, que funcionou até agora, mas que pode não ser sustentável diante do aumento dos pagamentos nos próximos anos. Milei evitou Wall Street enquanto demonstrava frustração com o fato de os prêmios de risco dos títulos argentinos refletirem mais o medo de uma nova mudança política nas eleições do próximo ano do que seus resultados econômicos. O ceticismo dos investidores sobre a continuidade das políticas econômicas na Argentina tem fundamento. Desde três acordos com o FMI firmados a partir de 2018, o país passou por três presidentes, seis ministros da Economia e cinco presidentes do Banco Central.
 
A economia passou a maior parte desse período em recessão, e a inflação, hoje em 34%, chegou perto de 300% pouco depois da posse de Milei. Embora Milei e Georgieva demonstrem apoio público um ao outro, a relação nem sempre foi tranquila. Milei criticou duramente Rodrigo Valdes, alto funcionário do FMI indicado por Georgieva, até que ele se afastou das negociações. Georgieva também recuou de comentários feitos no ano passado antes das eleições legislativas, quando afirmou aos eleitores argentinos que “é muito importante que eles não desviem da vontade de mudança”. A declaração foi criticada em Buenos Aires como uma interferência eleitoral. Desta vez, ela evita a política argentina ao visitar o país com mais de um ano de antecedência em relação à eleição presidencial de 2027. O FMI também passou a ser menos associado a cortes de gastos desde que Milei empunhou uma motosserra para simbolizar sua campanha de austeridade, revertendo a percepção histórica de que o Fundo obrigava governos argentinos relutantes a reduzir despesas.

Apesar dos avanços obtidos até agora, ainda não está claro se o programa de Milei com o FMI será o último da Argentina.“O país pode estar começando a sair desse ciclo”, disse Kezia McKeague, diretora-gerente da consultoria McLarty Associates, em Washington. “Mas ainda não conseguiu se libertar dele.”

https://investnews.com.br 

Flávio deve prestar depoimento à PF sobre falas contra Lula nesta 3ª

 
Nino Guimarães

Senador será ouvido pela Polícia Federal sobre comparação feita entre o petista e o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) deve prestar depoimento para a Polícia Federal nesta 3ª feira (28.jul.2026). O senador prestará esclarecimentos no inquérito sobre calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O depoimento foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da defesa do candidato. Na decisão, Moraes disse que foi dada oportunidade à defesa do senador para indicar data e horário para ser ouvido. Como não houve resposta, a oitiva foi marcada para as 14:00h de 28 de julho. 

O Poder360 questionou a assessoria do senador Flávio Bolsonaro se ele pretende ir ao depoimento, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. 

RELEMBRE O CASO
O caso tem relação com a publicação de Flávio Bolsonaro no X, em 3 de janeiro, quando o então presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi capturado e preso por forças dos Estados Unidos. Na postagem, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. Em 26 de junho, a Polícia Federal encaminhou o relatório final do caso a Moraes e indicou crime contra a honra. Em 6 de julho, a Procuradoria Geral da República defendeu que a PF escute o senador para apurar se houve crime de calúnia contra Lula. 

A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que a investigação foi concluída sem que houvesse um depoimento oficial do senador pela PF. Além disso, requereu ofícios da Presidência da República, do Ministério das Relações Exteriores e de tribunais distritais dos Estados Unidos. De acordo com a PGR, embora não haja necessidade de todas as medidas sugeridas pela defesa, é necessário que se cumpra a oitiva de Flávio Bolsonaro. “Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena”, disse o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

https://www.poder360.com.br

domingo, 26 de julho de 2026

Milei deve ser declarado persona non grata, impedido de entrar no Brasil e o Itamaraty deve agir imediatamente.


Milei passará. No entanto, enquanto essa página sombria não for superada, o Brasil não é obrigado a tolerar os insultos sistemáticos e as agressões de uma figura sórdida e pérfida.

 Leonardo Attuch

Por mais estratégicos, históricos e fundamentais que sejam os laços diplomáticos, econômicos e culturais entre o Brasil e a Argentina, há limites que uma nação soberana jamais pode permitir que sejam ultrapassados. As reiteradas agressões e afrontas desferidas pelo repugnante presidente argentino, Javier Milei, contra o Estado brasileiro constituem uma violência inaceitável. A diplomacia da convivência civilizada exige respeito mútuo – um princípio básico brutalmente atropelado pelo mandatário do país vizinho.

É estarrecedor que uma figura pública com tamanha incapacidade administrativa se julgue no direito de orquestrar ataques verbais em pleno território nacional. Milei é o responsável direto por causar a maior catástrofe econômica e social da história recente da Argentina, reduzindo uma nação altiva a um cenário desesperador no qual parcelas da população passaram tragicamente a recorrer ao consumo de carne de burro e de pombos para sobreviver. Mesmo afundado na tragédia que ele próprio produziu, ele insiste em desembarcar no Brasil para insultar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – um estadista de estatura global reconhecido internacionalmente por ter retirado dezenas de milhões de brasileiros da pobreza – e para atacar autoridades do Supremo Tribunal Federal, como o ministro Alexandre de Moraes.

As providências imediatas do Itamaraty.
Diante do desrespeito flagrante às instituições da República e à própria soberania nacional, o Ministério das Relações Exteriores não pode se limitar a notas moderadas. O Itamaraty precisa tomar duas providências imediatas: convocar o embaixador argentino em Brasília para prestar explicações formais e rigorosas e, em ato contínuo, chamar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas. Essa medida rebaixa temporariamente o nível das relações diplomáticas ao âmbito puramente técnico e burocrático, deixando claro que o Brasil não contemporiza com o crime de lesa-dignidade institucional.

O comportamento indigno de Milei não representa um caso isolado de exotismo político, mas sim o que há de mais repugnante, perverso e repulsivo na cena política mundial contemporânea. Trata-se da corporificação do desprezo absoluto pela vida, pela dignidade humana, pelas instituições democráticas e pelos preceitos mínimos da civilidade internacional.

Como destacou com precisão Edinho Silva, presidente do PT, Javier Milei é uma figura que não está à altura do cargo que ocupa. O Brasil lamenta pela Argentina e pelo seu atual presidente, que envergonha não apenas o próprio país, como toda a Humanidade.

Milei passará. O fascismo e o obscurantismo que hoje assombram a Casa Rosada não serão eternos na Argentina. O povo argentino haverá de reencontrar seu destino democrático e soberano. No entanto, enquanto essa página sombria não for superada, o Brasil não é obrigado a tolerar os insultos sistemáticos e as agressões de uma figura sórdida e pérfida. Não por acaso, Milei se projetou como um dos raros e convictos apoios externos do candidato de extrema-direita no Brasil, Flávio Bolsonaro, alinhando-se àqueles que tentam desestabilizar a democracia brasileira.

O Brasil deve agir com a altivez que sua história exige. Declarar Javier Milei persona non grata e impedi-lo de ingressar em solo nacional é um ato de legítima defesa da dignidade da República e do povo brasileiro.

https://www.brasil247.com

Netanyahu pausa matança no Líbano e manda recado a Flávio Bolsonaro: “Meu amigo”.


Publicado por
Diário do Centro do Mundo.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enviou um vídeo à convenção nacional do PL no sábado (25), em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. Alvo de mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, Netanyahu chamou o candidato de “meu amigo” e defendeu uma aproximação entre Brasil e Israel. “Flávio, meu amigo, eu quero te parabenizar pelo lançamento oficial de sua campanha. Você é um grande campeão do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre os povos, e eu sei que você vai levar o Brasil a voos cada vez mais altos. Parabéns!”, disse Netanyahu no vídeo exibido no ato do partido.

A convenção também contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que atacou o presidente Lula (PT) durante o evento. O PL formalizou a candidatura de Flávio sem anunciar um nome para vice-presidente, em um ato marcado pela ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O gesto de Netanyahu ocorre após o agravamento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel em 2024, quando Lula classificou os ataques israelenses à Palestina como genocídio. Na ocasião, o premiê israelense declarou o presidente brasileiro “persona non grata” em Israel.

Quase três após a intensificação dos massacres na Faixa de Gaza, as forças sionistas têm destruído o Líbano nos últimos meses. Inúmeras estruturas civis já foram destruídas no sul do país, inclusive a casa de uma família brasileira, mantando a mãe e um de seus filhos, além do pai libanês.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br

sábado, 25 de julho de 2026

Michelle não participará de ato que oficializa Flávio à disputa presidencial, diz Celina Leão.


Governadora do Distrito Federal, amiga de Michelle e articuladora do reconcílio 
afirmou em entrevista que ex-primeira-dama não vai à convenção do PL.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse em entrevista ao SBT News na sexta-feira (24) que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não participará da convenção do PL agendada para sábado (25). O evento oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Às vésperas do evento, Flávio e Michelle reconciliaram através das redes sociais após cerca de oito meses de uma crise familiar que teve implicações na carreira política de ambos os representantes do clã Bolsonaro. Em 24 de junho Michelle publicou vídeo expondo o dilema interno. Ela afirmou que Flávio tentou silenciá-la, junto com os irmãos teria coordenado ataques contra a madrasta e ordenou que Michelle ficasse de fora das decisões do partido. A manifestação causou alvoroço na campanha de Flávio, que precisou escalar a esposa, Fernanda Bolsonaro, e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos) para a estratégia de contenção da crise provocada junto ao eleitorado feminino e evangélico. Michelle chegou a ser defendida por adversárias da esquerda, incluindo atual primeira-dama Janja da Silva.

Flávio surpreendeu com pedido de desculpas a Michelle.
Na quinta-feira (23), Flávio apelou pelo perdão da madrasta e pediu para que ela apoiasse o projeto de campanha. Michelle prontamente atendeu e disse que fariam as pazes por Jair Bolsonaro e aos brasileiros. A trégua teve objetivo claro: garantir a competitividade do filho primogênito do ex-presidente contra Lula, que na sexta-feira (24) surgiu na pesquisa Datafolha com liderança no primeiro e segundo turno. “No dia de hoje eu estava conversando com ela. Ela realmente não vai sair do Distrito Federal. Ela tem preocupação de deixar o presidente sozinho, ela não ficaria em paz de ir”, disse Celina, antecipando que Michelle produziu material para ser transmitido pela direção do PL demonstrando os resultados de seu trabalho frente ao PL Mulher.

Ela deixou o comando da coordenação feminina da legenda bolsonarista deixando digitais de mobilização que marcaram sua carreira pública. Michelle ainda é cotada para a disputa ao Senado pelo DF, mas até o momento não confirmou se vai às urnas em outubro. Ela tem dito que a prioridade é cuidar do ex-presidente Bolsonaro, que obteve benefício de prisão domiciliar humanitária em razão das condições de saúde que enfrenta.

Atualmente Michelle é o único contato político com o líder bolsonarista. Decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Superior Tribunal Federal), proibiu visitas com cunho político até o fim das eleições, suspendeu o direito de Flávio Bolsonaro em visitar o pai e determinou 30 dias de visitas suspensas ao ex-presidente. O isolamento, contudo, favoreceu a ex-primeira-dama, tornando-a porta-voz de Bolsonaro durante o período de campanha.

https://ndmais.com.br/

sexta-feira, 24 de julho de 2026

No PL, aliados classificam articulação de Flávio com Centrão como 'tragédia' e já admitem candidatura avulsa.

 
Após fracasso nas negociações com União Brasil e Progressistas, dirigentes avaliam que Lula venceu disputa por apoios e veem Republicanos e Podemos cada vez mais distante de acordo nacional.

Por Luísa Marzullo — Brasília 

A confirmação de que a federação União-Progressistsa permanecerá neutra na disputa presidencial consolidou, entre dirigentes do PL, a percepção de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá chegar ao início da campanha sem alianças nacionais. Nos bastidores, integrantes da legenda classificam como uma "tragédia" a articulação política conduzida pelo senador e pelo coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa pelos principais apoios partidários e já trabalham com a perspectiva de uma candidatura "avulsa", sustentada exclusivamente pela estrutura do próprio PL. A avaliação ganhou força após o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicar a Flávio, na tarde desta quarta-feira, que a legenda ficará neutra na eleição presidencial, movimento que será acompanhado pelo União Brasil por causa da federação entre os dois partidos. A campanha tratava a conversa como a última tentativa de reverter a tendência de neutralidade e chegou a oferecer a vaga de vice à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou o convite. Reservadamente, dirigentes do PL afirmam que a campanha falhou na construção de uma rede de interlocução política desde o início. A crítica é que Flávio e Rogério concentraram esforços na estratégia eleitoral e negligenciaram a relação cotidiana com presidentes de partidos e lideranças do Centrão.

Um dirigente, ouvido sob reserva, afirma que a política se faz "na alegria e na tristeza", em referência ao comportamento que Flávio teve quando Ciro Nogueira foi alvo de operação da Polícia Federal no âmbito do caso Master. Segundo ele, Flávio errou ao divulgar uma nota em que ressaltou a gravidade das acusações, defendeu a apuração "com rigor e transparência" e elogiou o ministro André Mendonça, responsável por autorizar a investigação, sem fazer uma defesa política mais enfática do presidente do PP. Entre aliados de Ciro, o gesto foi interpretado como abandono justamente em um momento de maior desgaste.

Uma semana depois, veio um novo revés. O portal The Intercept Brasil divulgou mensagens entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse. A revelação reforçou, entre dirigentes da federação União Progressista, a percepção de que o senador havia adotado um discurso duro enquanto mantinha interlocução com o controlador do Banco Master.

Lula venceu de 'goleada'.
A comparação feita internamente é com Lula. O presidente conseguiu reunir todas as principais siglas do campo da esquerda — a federação formada por PT, PV e PCdoB, a federação PSOL-Rede e o PSB. Ao mesmo tempo, partidos de centro, como a federação União Progressista e o MDB, optaram pela neutralidade, cenário que também favorece o chefe do Executivo ao impedir que essas legendas reforcem formalmente a candidatura adversária. Nesse contexto, interlocutores de Flávio afirmam que Lula venceu de “goleada” a primeira disputa da eleição, travada em torno da formação das alianças, e que o senador larga a campanha em desvantagem. Ainda assim, por estar filiado ao partido com a maior bancada do Congresso, Flávio deverá dispor de cerca de 30% do tempo de propaganda eleitoral.

O pessimismo também aumentou porque interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que o Republicanos está cada vez mais distante de uma aliança nacional. Embora o PL continue defendendo a indicação da ex-presidente da Caixa Daniella Marques para a vice de Flávio, parte da direção do partido interpreta a insistência como uma forma de pressionar a legenda a integrar a chapa presidencial. Nem mesmo o Podemos é visto hoje como uma alternativa. Embora dirigentes da sigla tenham mantido conversas com PL, Novo, PT e PSD, interlocutores afirmam que a tendência é permanecer neutro na disputa presidencial. Para integrantes do PL, o quadro consolida o isolamento da candidatura de Flávio e praticamente elimina as possibilidades de uma aliança nacional antes do início da campanha.

O incômodo tem uma razão adicional. Daniella se filiou ao Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente da sigla, Marcos Pereira, e precisou recorrer à Justiça para ter sua filiação reconhecida. Como não há mais prazo para mudança de partido, dirigentes avaliam reservadamente que o PL tenta transformar a situação em instrumento de pressão para forçar uma coligação nacional.

https://oglobo.globo.com/

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Flávio emitiu notas fiscais para cobrar de empresas ligadas a Vorcaro.


PODER360.

Senador nega irregularidade, cita duas cobranças que foram canceladas e diz não ter negócios com ex-dono do Master. O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à Presidência, emitiu notas fiscais para cobrar duas empresas ligadas ao esquema de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O senador nega irregularidades e diz não ter negócios com o empresário. Ao todo, foram emitidas 3 notas. Duas delas, de R$ 500 mil cada, foram canceladas. Uma 3ª, também de R$ 500 mil, permanece sem registro de cancelamento. O total das cobranças chega a R$ 1,5 milhão. A informação foi publicada pela coluna Tácio Lorran, do site Metrópoles.

As duas notas canceladas foram emitidas em 7 de abril de 2025 pelo escritório do qual Flávio é único sócio. Elas indicavam prestação de serviços de consultoria jurídica à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Em 9 de abril de 2025, o mesmo escritório emitiu a 3ª nota, de R$ 500 mil, relacionada à empresa Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda. Não há registro de cancelamento dessa cobrança, segundo a reportagem. As duas empresas são ligadas a Rogério Lourenço Novo, que consta na Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen e único sócio da Contábil Correa. Ambas são ligadas ao esquema de Vorcaro no Banco Master, conforme o Metrópoles.

OUTRO LADO.
Flávio Bolsonaro negou, em vídeo no X publicado nesta 4ª feira (22.jul.2026), ter cometido qualquer irregularidade, e afirmou que a reportagem do Metrópoles tenta “marginalizar a advocacia”. Segundo o pré-candidato, ele foi contratado para prestar serviços jurídicos à Contábil Correa e recusou outro trabalho para a Copenhagen, motivo pelo qual as notas fiscais foram canceladas. O senador disse que duas notas fiscais emitidas por seu escritório foram canceladas porque o serviço não chegou a ser prestado. “Não movimentou nada, não tem prestação de serviço, não tem absolutamente nada de errado”, declarou. Também afirmou que não é alvo de investigação e sugeriu que informações protegidas por sigilo teriam sido divulgadas ilegalmente por “órgãos governamentais”.“Sempre que uma pesquisa mostra que eu passei o Lula, vem uma narrativa construída de forma mentirosa e covarde para tentar manchar a minha imagem. Não vão conseguir me parar. Nem com facas, nem com balas e muito menos com mentiras e narrativas“, escreveu ao compartilhar o vídeo.
 
CASO “DARK HORSE”.
Flávio Bolsonaro já admitiu anteriormente ter pedido apoio financeiro a Daniel Vorcaro para realizar o filme “Dark Horse”, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do Intercept Brasil, o fundador do Master repassou R$ 61 milhões para o projeto cinematográfico. Flávio negou qualquer irregularidade ou utilização de recursos públicos no caso.

https://www.poder360.com.br/ 

Guarapari (ES), já retira excesso de fios em postes da cidade.


Pedro Henrique Oliveira

Prefeitura iniciou um mutirão para retirar das ruas do município os fios inutilizados, mais conhecidos como “cabos mortos”. Trabalhador retira fios na avenida Ewerson de Abreu Sodré, em Muquiçaba. Ação se estenderá por outros pontos.
 
Problema que se arrasta há décadas em cidades de todo o País, o emaranhado de fios nos postes pode estar com os dias contados em Guarapari. Pelo menos é o que promete a prefeitura, que iniciou ontem um mutirão para retirar os fios inutilizados, conhecidos como “cabos mortos”. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Obras (Semob), com apoio da EDP e de operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura. O projeto-piloto foi realizado na avenida Ewerson de Abreu Sodré, uma das vias mais movimentadas do bairro Muquiçaba, onde cerca de 50 postes passaram pelo serviço. De acordo com o prefeito Rodrigo Borges, a ação é resultado de um trabalho iniciado ainda no começo da gestão, com reuniões entre a prefeitura, a EDP e as empresas que compartilham a rede aérea.“Desde o início do mandato, fazemos ações para conseguir essa despoluição visual e diminuir essa insegurança causada pelos fios caídos. Já fizemos outras ações, mas hoje (ontem) realizamos uma intervenção mais robusta e esperamos um resultado mais positivo”.

Segundo ele, uma das principais dificuldades é o grande número de fios irregulares, instalados por operadoras clandestinas. O mutirão começou por uma das principais avenidas de Guarapari, mas a prefeitura pretende ampliar o trabalho para toda a cidade. A prioridade será atender as vias com maior fluxo de pessoas e comércio e, posteriormente, as principais ruas dos bairros. “Primeiro vamos tentar as principais avenidas do comércio. Depois, as principais ruas dos bairros. Quando a gente conseguir chegar às vias secundárias é porque já teremos alcançado resultados mais positivos”.

Além da retirada dos cabos mortos, a ação prevê um novo sistema de identificação para todos os fios instalados nos postes. De acordo com o subsecretário de Obras, Ruan Felipe Monteiro, haverá fiscalização semanal para garantir o controle da ocupação da rede.“A partir de agora, todas as empresas responsáveis deverão identificar seus cabos. A prefeitura fará o monitoramento semanal dos postes, que já estão mapeados em conjunto com a EDP”, explicou.
 
Cabos deverão ser identificados.
Guarapari iniciou um mutirão para retirar fios inutilizados dos postes, conhecidos como “cabos mortos”, com o objetivo de reduzir a poluição visual e aumentar a segurança. A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Obras (Semob), em parceria com a EDP e operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura. O projeto-piloto foi realizado na avenida Ewerson de Abreu Sodré, no bairro Muquiçaba, abrangendo cerca de 50 postes. Segundo a prefeitura, o mutirão é resultado de reuniões realizadas desde o início da atual gestão com a EDP e empresas que compartilham a rede aérea.

Um dos principais desafios é a atuação de operadoras clandestinas, que instalam cabos sem autorização e dificultam o controle da ocupação dos postes. Além da retirada dos fios inutilizados, todos os cabos deverão ser identificados pelas empresas responsáveis, permitindo maior fiscalização. A prefeitura informou que fará monitoramento semanal dos postes para acompanhar a ocupação da rede e evitar novas irregularidades. Após a etapa piloto, o mutirão será expandido para outras avenidas de maior movimento e, posteriormente, para as principais ruas dos bairros para alcançar toda a cidade.

https://tribunaonline.com.br 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas.

 
Medida atinge milhares de produtos brasileiros, mas deixa de fora itens estratégicos para os EUA, como carne e café. Governo brasileiro ainda avalia resposta, que pode passar pela negociação diplomática ou pelo uso da Lei da Reciprocidade Econômica.

Por André Catto, g1 — São Paulo 

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. (leia mais abaixo). A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida.

O que muda com o tarifaço e quando ele entra em vigor?
Confirmada na noite da última quarta-feira (15) pelo governo Trump, a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA passa a valer nesta quarta-feira (22). A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA. Na prática, isso aumenta o custo de levar esses produtos ao país e pode desestimular as compras de produtos brasileiros por empresas americanas.

Enquanto isso, outros mais de 2 mil produtos ficaram de fora da medida. Muitos deles foram excluídos por serem considerados estratégicos para a economia americana, seja pelo risco de encarecer produtos essenciais, seja porque o país não produz quantidade suficiente desses itens.

Quais são os principais produtos atingidos?
Entre os 50 principais produtos brasileiros exportados aos EUA em 2025, ficaram de fora da nova tarifa itens como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Por outro lado, produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio passam a estar sujeitos à tarifa adicional.

Quais são os impactos para o Brasil?
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o novo tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA. Segundo ele, o percentual tem como referência as exportações de 2024, ano anterior aos primeiros tarifaços anunciados por Trump. O valor corresponde a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,6 bilhões). Se a base for 2025, a participação dos setores afetados cai para 15%, o equivalente a US$ 5,8 bilhões (R$ 29,4 bilhões). O ministro acrescentou que, com a nova medida, 57% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA permanecerão sem tarifa. No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço afetará R$ 4,6 bilhões por ano em exportações, o equivalente a 36,5% das vendas do setor aos EUA.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apesar dos segmentos atingidos, a medida não terá impacto sobre "a economia do país como um todo". Especialistas também avaliam que os efeitos serão restritos, entre outros fatores, pela extensa lista de exceções.
 
Como o governo dos EUA justifica a medida?
A decisão é resultado de uma investigação comercial do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo permite ao governo americano investigar práticas de outros países que considera prejudiciais ao comércio dos EUA. No relatório final, o USTR afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e que poderiam "onerar ou restringir" o comércio com os EUA. 
 
Entre os temas analisados estão:
PIX e serviços de pagamento: o USTR afirmou que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. 
Regulação de plataformas digitais: 
o órgão questionou decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticaram tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. 
Desmatamento ilegal: 
o relatório apontou falhas na fiscalização ambiental. 
Mercado de etanol: os EUA alegaram falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro.
Propriedade intelectual: 
o documento citou problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes.
Combate à corrupção: o USTR criticou medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato.

O que diz o governo brasileiro?
O governo classificou o tarifaço como um "marco lastimável" na relação entre os dois países e afirmou que a medida tem motivação política por envolver temas considerados internos e inegociáveis, como o PIX. Segundo o blog do Valdo Cruz, o presidente Lula (PT) orientou aliados a evitar radicalismos na reação ao tarifaço. Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como "injusta e descabida" e afirmou que o Brasil "não saiu da mesa de negociação".

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda "não cabe falar em retaliação" aos EUA."Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem 'viralatice' e seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", afirmou.

Brasil vai usar a Lei da Reciprocidade Econômica?
Na madrugada da última quinta (16), logo após a gestão de Donald Trump confirmar a taxa, o Palácio do Planalto divulgou uma nota em que afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação.

Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade. Uma das preocupações é com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas. Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.

Há, também, o fator eleitoral. Na avaliação de assessores presidenciais, uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, é justamente o que Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro desejam. Assim, poderiam argumentar que Lula coloca seus planos eleitorais acima dos interesses das empresas brasileiras. Além disso, os próprios setores afetados pelo tarifaço se posicionaram contra medidas de reciprocidade. Em reuniões com o governo na terça-feira (21), empresários do segmento de máquinas defenderam que a resposta seja feita pela via diplomática e empresarial.
 
Quais podem ser as respostas do Brasil?
Para especialistas, a via diplomática ou o uso cauteloso da Lei da Reciprocidade Econômica, sem uma escalada das tensões, seguem como os principais caminhos para o governo. Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país. Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho." Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo."
 
A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes." Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA."As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz.

Quais medidas o governo brasileiro anunciou até agora?
O governo federal deve fechar nos próximos dias uma série de ações para conter os efeitos econômicos do novo tarifaço e da alta dos preços dos fertilizantes, insumos essenciais para o agronegócio e afetados pela guerra no Oriente Médio. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao blog da Ana Flor que as iniciativas nas duas frentes buscam reduzir os impactos no Brasil de medidas externas. Uma delas prevê a abertura de uma linha de crédito para empresas misturadoras, responsáveis pela combinação de insumos que resulta nos fertilizantes. A outra envolve investimentos como complemento ao Plano Brasil Soberano, ainda sem detalhes definidos. Nesse caso, o governo avalia oferecer crédito a empresas atingidas pelo tarifaço, com exigência de manutenção de postos de trabalho. O Plano Brasil Soberano é um programa do governo que oferece linhas de crédito e outras formas de apoio a empresas afetadas por crises externas, como o tarifaço. Criado no ano passado por meio de medida provisória, o programa tem três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial.

Paralelamente, a ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Tarifas podem aumentar ainda mais?
Há essa possibilidade. O governo brasileiro reconhece que os EUA devem aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. A principal dúvida é se essa nova tarifa será acumulada aos 25% que entram em vigor nesta quarta-feira (22). Caso seja cumulativa, os produtos brasileiros poderiam enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. A possível nova tarifa também é resultado de uma investigação do USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que a União Europeia e outros 59 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A confirmação da nova tarifa pode sair na sexta-feira (24). Em entrevista à CNBC, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira que as medidas serão anunciadas "em breve".

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