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sábado, 11 de julho de 2026

Dia da Pizza: Brasil Abre 13 Novas Pizzarias por Dia em 2026.


forbes.com.br
Camila Pati

O Brasil ganha uma pizzaria a cada duas horas para dar conta de um consumo de 3.800.000 de pizzas por dia. Os números dimensionam a paixão nacional brasileira pela pizza, homenageada na sexta-feira, 10 de julho. Entre janeiro e maio de 2026, o país registrou a abertura de 1.990 novos estabelecimentos, alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram inauguradas 1.875 unidades. Os dados são do Panorama de Mercado 2026, levantamento da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). O resultado equivale a 398 pizzarias inauguradas por mês, cerca de 13 por dia. O desempenho dá sequência ao ciclo de crescimento registrado no ano passado. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 40.000 pizzarias em operação e encerrou o ano com 40.332 estabelecimentos ativos, avanço de 10,29% sobre 2024. No período, foram abertas 4.109 novas pizzarias e o número de fechamentos caiu ao menor patamar da última década, segundo a associação.

Para o presidente da Apubra, Gustavo Cardamoni, o resultado dos primeiros cinco meses do ano confirma que a expansão do ano passado não foi um movimento isolado. “O mercado continua em expansão, mantém um ritmo consistente de abertura de novos negócios e demonstra que ainda existe espaço para empreender no setor de pizzarias”, diz.

Os números mostram que ano começou mais devagar e que a retomada veio em março. Janeiro e fevereiro tiveram volume de inaugurações ligeiramente inferior ao de 2025. Mas em março, foram abertas 461 novas pizzarias, mais de 100 acima das 355 registradas no mesmo mês do ano anterior. O ritmo se manteve em abril, com 412 unidades, e em maio, com 369. Somente entre março e maio, o país ganhou 1.242 novas pizzarias.
São Paulo lidera, mas expansão se espalha

Não é à toa que o Dia da Pizza foi criado no estado de São Paulo, nos idos 1985. A pesquisa mostra que cada habitante da cidade de São Paulo consome em média 27 pizzas por ano. O estado segue como o principal polo de abertura de pizzarias, com 28% das inaugurações entre janeiro e maio. Na sequência aparecem Minas Gerais e Santa Catarina, ambos com 9%, seguidos por Rio de Janeiro (8%), Paraná (7%), Bahia (6%), Ceará (5%), Goiás (4%), Rio Grande do Sul (4%) e Pernambuco (3%).

A pesquisa indica que o mercado está cada vez mais descentralizado. Quase três em cada quatro pizzarias abertas em 2026 nasceram fora do estado de São Paulo. Segundo a Apubra, o movimento acompanha o fortalecimento dos mercados regionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Foram utilizadas fontes oficiais do governo e consideradas empresas cadastradas na Receita Federal com situação ativa entre janeiro e maio de 2026, nos portes ME, EPP e LTDA, excluindo microempreendedores individuais (MEIs). A amostra representa cerca de 89% do mercado brasileiro de pizzarias, segundo a associação.
No delivery, 195 pizzas por minuto

De acordo com o Sindbares/Abrasel, mesmo com a expansão de hambúrgueres, bowls e culinária oriental, a pizza continua sendo o prato mais pedido no delivery no Brasil. O iFood entregou 50 milhões de pedidos de pizza no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 195 pizzas por minuto em todo o país, segundo análise da plataforma divulgada para o Dia da Pizza. No mesmo período, o número de novas pizzarias parceiras do aplicativo cresceu 27%. Procuradas, a 99Food e a Keeta não toparam compartilhar os dados.

A calabresa segue como o sabor favorito dos brasileiros no iFood, posição que já ocupava no ano passado, seguida pela pizza de frango com requeijão cremoso. A terceira colocação mudou: a marguerita, quinta no ranking de 2025, ultrapassou a muçarela. Completam o top 5 a muçarela e a portuguesa.

A personalização é outro destaque: cerca de 80% dos pedidos em restaurantes da plataforma são de pizzas meio a meio ou customizadas. No Sul, o hábito é ainda mais forte, com índices de 94% em Santa Catarina e de 90,8% no Rio Grande do Sul.

São Paulo também lidera o consumo no delivery, com volume de pedidos quase três vezes superior ao do Rio de Janeiro, segundo colocado. O crescimento mais acelerado, no entanto, vem do Norte e do Nordeste: o Amazonas consumiu 31% mais no primeiro semestre de 2026 na comparação anual, seguido por Pará e Ceará, ambos com alta de 19%.

Os hábitos de consumo confirmam a pizza como programa de fim de semana: 62% dos pedidos no iFood se concentram entre sexta-feira e domingo, com o sábado respondendo por mais de 21% do fluxo semanal. O jantar concentra 95% da preferência.

Nos supermercados atendidos pela plataforma, o comportamento é diferente: o consumidor pede em média duas pizzas por compra, prefere a muçarela e mais de 40% dos pedidos, entre semiprontas e congeladas, acontecem no horário do almoço. Na vertical de mercado, o Maranhão lidera o crescimento, com alta de 305% nos pedidos de pizza no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025.

https://forbes.com.br/

Trump ameaça destruir o Irã caso país tente assassiná-lo: 'Mil mísseis estão prontos'.

 
Mensagem foi publicada após novos relatos sobre ameaças contra o presidente. Post ocorre em meio à nova escalada de tensões entre EUA e Irã.

Por Redação g1 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (11) que os militares americanos estão prontos para lançar um ataque em larga escala contra o Irã caso o governo iraniano tente assassiná-lo. 

Em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que "mil mísseis estão prontos e carregados" contra o Irã e que "milhares" de outros poderiam ser lançados em seguida."Mil mísseis estão prontos para disparo e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros prontos para serem lançados imediatamente em seguida, caso o governo iraniano cumpra a ameaça, feita em muitos cantos do mundo, de assassinar, ou tentar assassinar, o presidente em exercício dos Estados Unidos da América, neste caso, eu", escreveu.

Trump afirmou ainda que as ordens já foram dadas e que as Forças Armadas dos EUA estão preparadas para "dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã" por um período de um ano, com possibilidade de prorrogação. O presidente encerrou a mensagem com a expressão "Louvado seja Alá".

A publicação foi feita dias depois de apoiadores do governo iraniano entoarem palavras de ordem pedindo a morte de Trump durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei. Na quinta-feira (9), o jornal The Wall Street Journal informou que Israel compartilhou com os Estados Unidos novas informações de inteligência que, segundo autoridades israelenses, indicariam um novo plano iraniano para matar Trump. O Irã promete há anos retaliar Trump pela morte do general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária iraniana, morto em um ataque americano ordenado pelo então presidente em janeiro de 2020. Autoridades americanas já anunciaram, em diferentes ocasiões, acusações relacionadas a supostos planos iranianos para assassinar Trump. O Irã nega envolvimento em conspirações do tipo.

https://g1.globo.com/

Dino suspende emendas e bloqueia R$ 119.000.000,00 de Valdemar Costa Neto.

 
Paulo Toledo Piza

Segundo o ministro, há “indícios convergentes” de que os investigados participaram de um esquema que desviou cerca de R$ 119.000.000,00. Ministro afirma que as investigações apontam a atuação coordenada de servidores da Câmara dos Deputados e de Valdemar Costa Neto no direcionamento das verbas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a suspensão de emendas parlamentares suspeitas de terem sido indicadas irregularmente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Na decisão, o ministro manda bloquear R$ 119.000.000,00 das contas do ex-deputado federal. Segundo Dino, há “indícios convergentes” de que os investigados participaram de um esquema para direcionar irregularmente recursos de emendas parlamentares, com possível desvio de aproximadamente R$ 119.000.000,00. O ministro afirma que as investigações apontam a atuação coordenada de servidores da Câmara dos Deputados e de Valdemar Costa Neto no direcionamento das verbas. Em nota, a defesa de Costa Neto criticou a medida cautelar que torna indisponíveis valores do presidente do PL. Os advogados negaram qualquer irregularidade e avaliam que a decisão foi “prematura” em período eleitoral.

A investigação teve origem na operação Transparência, da Polícia Federal, deflagrada em dezembro de 2025 para apurar possíveis irregularidades na distribuição de emendas parlamentares. De acordo com a decisão, mensagens, planilhas e outros documentos apreendidos indicam que Costa Neto teria influenciado a destinação de recursos públicos por meio de servidores da Câmara, mesmo sem exercer mandato. Entre as medidas cautelares, Dino determinou a indisponibilidade patrimonial dos investigados por meio dos sistemas de bloqueio de ativos e bens, além da suspensão imediata da execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas apontadas pela Polícia Federal, independentemente de estarem na fase de empenho, liquidação ou pagamento. A Câmara dos Deputados, a Advocacia Geral da União e a Controladoria Geral da União deverão adotar providências para cumprir a decisão e informar as medidas tomadas ao STF em até 10 dias.

O ministro também determinou que a AGU comunique formalmente todos os municípios beneficiários da suspensão das emendas e apresente ao Supremo os comprovantes dessas notificações. Além disso, a Câmara deverá encaminhar toda a documentação relativa à tramitação interna das emendas mencionadas na investigação. Dino afirma que o caso envolve possível violação dos princípios constitucionais de transparência e rastreabilidade na execução do Orçamento. Segundo o ministro, embora a ausência desses requisitos não configure automaticamente crime, os elementos reunidos pela investigação indicam possível prática de peculato-desvio e justificam a adoção de medidas cautelares para preservar recursos públicos e evitar novos prejuízos ao erário durante o andamento das investigações.

https://www.poder360.com.br

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Treta na direita: bolsonaristas detonam pré-campanha de Flávio Bolsonaro.


Fabio Wajngarten, Paulo Figueiredo e Kim Paim criticam 
estratégia, comunicação e organização da pré-campanha.

Paulo Emílio

247 – A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a enfrentar críticas públicas de figuras influentes do próprio bolsonarismo, evidenciando um cenário de desgaste e divergências internas na direita. Os ataques ganharam intensidade após a participação do parlamentar, na terça-feira (7), em uma audiência nos Estados Unidos na qual defendeu que o país não imponha novas tarifas sobre produtos brasileiros antes das eleições. Segundo a Folha de São Paulo, aliados históricos de Jair Bolsonaro (PL) passaram a questionar a estratégia política, a comunicação e a organização da campanha de Flávio. As críticas partiram do ex-secretário especial de Comunicação Fabio Wajngarten e dos influenciadores Paulo Figueiredo e Kim Paim, todos ligados ao universo bolsonarista.

Nos bastidores, integrantes da campanha evitaram responder publicamente às manifestações. De acordo com a reportagem, dois integrantes da equipe afirmaram, sob reserva, que os ataques decorrem do descontentamento de pessoas que ficaram fora da coordenação da campanha e minimizaram qualquer participação direta do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) nesse movimento.

Wajngarten diz que campanha “não existe”.
Fabio Wajngarten foi um dos mais duros críticos da estrutura montada por Flávio Bolsonaro. Em publicação na rede X, ele afirmou que “a campanha de Flávio não existe. Não tem agenda. Não tem comunicação. Não tem organização. Não tem planejamento.”

Além das críticas, o ex-secretário sugeriu mudanças na equipe. Entre elas, defendeu que Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, assuma a coordenação-geral da campanha. Ele também propôs o retorno de Toninho Neto e Walter Longo e sugeriu a participação do marqueteiro Duda Lima, embora pessoas próximas afirmem que ele não demonstra interesse em integrar o projeto. Wajngarten ainda defendeu maior aproximação com setores considerados estratégicos do eleitorado bolsonarista.“Empodere nominalmente grandes lideranças católicas, evangélicas, do agro, da segurança pública, da área médica, da área da educação, do desenvolvimento do varejo, para reuniões semanais com updates diários. Chega de erros, chega de ruídos, chega de quem não conhece nem gosta do bolsonarismo”, destacou.

Paulo Figueiredo critica estratégia e cobra reação.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Paulo Figueiredo classificou a comunicação da campanha como um “desastre” e afirmou que a estratégia estaria excessivamente preocupada com a repercussão na imprensa.“Não adianta Flávio Bolsonaro jogar com as características de um candidato que tem 3% nas urnas. Flávio tem que jogar com as características do bolsonarismo”, declarou. Na sequência, fez referência ao estilo político do ex-presidente Jair Bolsonaro:“Imagina se [Jair] Bolsonaro teria tido qualquer pudor em falar sobre o viés óbvio do voto feminino e do que isso representa. Que saudade daquele que falava que não queria ter filho ‘viado’, que saudade desse bolsonarismo.”

O influenciador também criticou a demora da campanha em divulgar uma nota oficial após a audiência realizada nos Estados Unidos.“Depois a gente perde e não sabe por que a militância é desengajada, por que toma de 7 a 1 na imprensa todos os dias”, afirmou.

Kim Paim questiona coordenação da campanha.
Outro crítico foi o youtuber Kim Paim, que direcionou ataques à coordenação da pré-campanha. Segundo ele, o senador Rogério Marinho (PL), apontado como coordenador-geral, estaria conduzindo o projeto de forma equivocada. “Está alucinado pelo poder”, disse. Paim também afirmou que a campanha não produz material suficiente para mobilizar apoiadores. “O que as pessoas possuem para divulgar o Flávio? Nada. Não tem material sendo gerado”, disparou. Além disso, o influenciador repercutiu reportagem do Metrópoles sobre a participação de Vicente Santini, um dos coordenadores da campanha, em um evento realizado nos Estados Unidos que reuniu o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, e o empresário Joesley Batista, da J&F. 
“É normal um cara desses cuidar da agenda do Flávio? E vocês não acham ainda mais estranho quando olha e vê que o Flávio não tem agenda? Está sendo claramente sabotado”, disse Paim ao ser questionado sobre o assunto.

Rogério Marinho e Vicente Santini foram procurados para comentar as críticas, mas não responderam até a publicação da reportagem. A equipe de Flávio Bolsonaro também optou por não rebater publicamente os ataques.

https://www.brasil247.com 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Faria Lima vê atuação de Flávio Bolsonaro em novo tarifaço dos EUA como inócua e 'decepcionante'.

 
Senador participou de audiência pública do governo americano para tentar impedir a imposição de novas tarifas de 25% contra produtos importados do Brasil.

Por João Sorima Neto — São Paulo 

No setor privado e no mercado financeiro, a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na audiência pública do governo americano, para tentar impedir a imposição de novas tarifas de 25% dos Estados Unidos contra produtos importados do Brasil, foi considerada inócua. Alguns classificaram a participação como 'decepcionante'. Empresários e gestores consultados pelo GLOBO avaliaram que a presença de um senador brasileiro poderia ajudar se ele tivesse levado argumentos econômicos que contrapusessem o tarifaço. Mas isso não foi o que aconteceu: Flávio deslizou para um tom mais político, o que causou desapontamento entre empresas e associações que representam setores afetados.

Na condição de anonimato, empresários que estiveram na audiência de Flávio ou acompanharam do Brasil seu discurso avaliaram a participação como 'ruim'. Enquanto esperavam mais argumentos técnicos do senador, em um discurso de cerca de cinco minutos, ele citou temas como corrupção no Brasil, além do uso do Pix e do cartão de crédito. O Pix brasileiro foi um dos alvos do governo americano, sob argumento que prejudicavam bandeiras de cartão de crédito americana."O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal", disse Flávio.

https://oglobo.globo.com

terça-feira, 7 de julho de 2026

Crescimento bilionário da fortuna de Trump reacende debate sobre conflito de interesses; compare as regras dos EUA e do Brasil.


Especialistas explicam quando o enriquecimento de um chefe de Estado pode levantar questionamentos éticos e como a legislação trata conflitos de interesse.

Por Micaela Santos, g1 — São Paulo 

O crescimento da fortuna do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu segundo mandato reacendeu o debate sobre ética pública e conflitos de interesse envolvendo chefes de Estado. Apenas no ano passado, após retornar à Casa Branca, Trump acrescentou mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,3 bilhões) ao patrimônio. Segundo a declaração financeira divulgada pelo próprio presidente, a expansão da riqueza foi impulsionada por negócios da família, especialmente nas áreas de criptomoedas e licenciamento de marca.

A questão é que parte desse crescimento ocorreu enquanto o governo Trump promovia mudanças regulatórias favoráveis ao mercado de ativos digitais. Segundo reportagem do jornal "The New York Times", o presidente e sua família ampliaram os negócios no setor ao mesmo tempo em que o governo flexibilizou regras para a indústria, o que configuraria possíveis conflitos de interesse. Diferentemente de presidentes anteriores, Trump optou por não transferir seus ativos para um blind trust ("fundo cego", em inglês), opção tradicionalmente usada para reduzir a percepção de problemas entre interesses privados e decisões públicas.
 
O blind trust é um mecanismo em que uma pessoa transfere a administração de seus bens e investimentos para um gestor independente. Durante esse período, o proprietário não sabe como os ativos são administrados nem participa das decisões sobre eles. Críticos ouvidos pelo jornal, entre eles representantes do Project on Government Oversight e da Transparência Internacional nos EUA, classificaram a situação como um conflito de interesses sem precedentes. A Casa Branca rejeita as críticas. Em declaração ao jornal "Financial Times", a porta-voz Anna Kelly afirmou que Trump "implementou políticas que tornaram todos os americanos mais ricos e prósperos". Segundo ela, os negócios privados são administrados pelos filhos do presidente.

Uso de influência.
Embora o aumento do patrimônio de um chefe de Estado, por si só, não configure uma irregularidade, ele pode levantar questionamentos quando houver indícios de que decisões públicas tenham beneficiado interesses privados. Para Michel Sancovski, sócio da área de Anticorrupção & Compliance do Tauil & Chequer Advogados associado ao Mayer Brown, "o aspecto central é se esse aumento decorreu do exercício do cargo ou de situações que possam comprometer a imparcialidade das decisões públicas". Segundo ele, a análise também deve levar em conta se decisões do governo favoreceram ou podem ter favorecido o enriquecimento do próprio governante.

O debate sobre os negócios de Trump também chegou ao Congresso dos EUA. Entidades que acompanham o tema defendem a inclusão de uma emenda na Clarity Act, projeto que regulamenta o mercado de ativos digitais no país. A proposta proibiria ocupantes de cargos eletivos e seus familiares mais próximos de lucrar com determinados negócios ligados ao setor durante o exercício do mandato. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Representantes e aguarda análise do Senado.
 
O que diz a lei americana.
Pela legislação americana, o presidente e o vice-presidente estão isentos da principal lei federal sobre conflitos de interesse no Poder Executivo (18 U.S.C. § 208). Na prática, isso significa que o presidente pode manter empresas, investimentos e outros bens durante o mandato. Em geral, a norma impede que autoridades tomem decisões oficiais que possam beneficiar seus próprios interesses financeiros. Por isso, é considerada um dos principais instrumentos de prevenção de conflitos de interesse e de combate à corrupção no governo federal. Em contrapartida, a legislação exige a divulgação anual, em relatórios públicos, de informações detalhadas sobre patrimônio, renda, dívidas e participações societárias. Além disso, a Constituição americana determina que o presidente não pode receber presentes, pagamentos ou benefícios de governos estrangeiros sem autorização do Congresso. Também proíbe que receba remuneração adicional dos governos federal ou estaduais além do salário do cargo. Como a legislação não obriga o presidente a vender empresas nem a transferir seus bens para um fundo independente, muitos ocupantes da Casa Branca adotam essas medidas de forma voluntária para reduzir a percepção de conflitos de interesse.

O Escritório de Ética Governamental (Office of Government Ethics – OGE) fiscaliza o cumprimento das regras de ética no governo federal, mas não tem poder para obrigar o presidente a vender empresas, investimentos ou outros ativos.

O que diz a lei brasileira.
No Brasil, não há uma lei voltada exclusivamente ao presidente da República sobre situações desse tipo. No entanto, a Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013) também se aplica ao chefe do Executivo federal por sua condição de agente público. A norma determina que o presidente deve evitar situações em que interesses privados possam interferir no exercício da função pública e proteger informações privilegiadas. Pela legislação brasileira, conflito de interesses é qualquer situação em que um interesse privado possa influenciar de forma imprópria a atuação do agente público, mesmo que não haja prejuízo aos cofres públicos ou vantagem financeira. Segundo Sancovski, a lei brasileira adota uma lógica preventiva. "A lei busca impedir que interesses privados interfiram na atuação do agente público antes mesmo da demonstração de um benefício econômico efetivo ou de prejuízo ao poder público", afirma.

Por isso, durante o mandato, o presidente não pode:
Usar ou divulgar informações privilegiadas em benefício próprio ou de terceiros; Exercer atividades privadas incompatíveis com o cargo; Prestar serviços ou fazer negócios com pessoas ou empresas interessadas em decisões do governo; Tomar decisões que beneficiem empresas das quais ele, o cônjuge ou parentes até o terceiro grau participem; Receber presentes de pessoas ou empresas interessadas em decisões sob sua responsabilidade além dos limites previstos em regulamento.

A proibição de utilizar informações privilegiadas permanece válida mesmo após o fim do mandato. Por outro lado, a legislação também não impede que o presidente seja sócio ou acionista de empresas."O que a legislação veda é que ele atue na gestão ou na administração desses negócios enquanto estiver no cargo ou utilize a função pública para favorecê-los", explica Sancovski. Segundo ele, o presidente também não pode participar de decisões governamentais nas quais seus interesses privados possam influenciar sua atuação.

Fiscalização e transparência.
A fiscalização do presidente e das demais autoridades do alto escalão do governo federal é feita pela Comissão de Ética Pública (CEP), vinculada à Presidência da República. Entre as obrigações estão a entrega anual de informações sobre patrimônio, participações em empresas e atividades econômicas, além da divulgação diária da agenda oficial de compromissos. A Comissão também pode ser consultada para avaliar se determinada situação configura conflito de interesses. Se houver violação da lei, o agente público pode responder por improbidade administrativa. As punições incluem perda do cargo, suspensão dos direitos políticos, multa, ressarcimento ao poder público, quando houver dano, e proibição de contratar com o governo ou de receber benefícios fiscais por três anos. A legislação deixa claro que um conflito de interesses pode existir mesmo sem prejuízo aos cofres públicos ou ganho financeiro para o agente público.

No Brasil, candidatos à Presidência da República devem declarar seu patrimônio à Justiça Eleitoral. Depois de eleito, o presidente da República deve encaminhar anualmente à Comissão de Ética Pública informações atualizadas.

https://g1.globo.com 

PF faz buscas contra Márcio Canella e Marcus Amim no Rio de Janeiro.

  

Policiais cumprem 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

Mirelle Pinheiro

O ex-prefeito de Belford Roxo, pré-candidato ao Senado e presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella (à esquerda na foto), e o ex-secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Amim (à direita na foto) estão entre os alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (7/7). A ação investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para ocultar recursos de origem criminosa. Policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados. Segundo a PF, a investigação ganhou força após um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), desenvolvido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões realizadas pelo grupo nos últimos seis anos. Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que eventualmente forem identificados.
 
Na semana passada, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por supostas ligações com a chamada Máfia do Cigarro. Também foram alvo daquela etapa o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no estado, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, já preso. As investigações apuram uma rede de proteção ao crime organizado, lavagem de dinheiro e possível participação de agentes públicos no esquema.

https://www.metropoles.com/

domingo, 5 de julho de 2026

Michelle Bolsonaro responde críticas por elogiar iniciativa de Lula: ‘acima de ideologia’.

 
Equipe CartaCapital

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro rebateu, neste sábado 4, as críticas que recebeu por elogiar a iniciativa do governo Lula (PT) de criar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, apresentada pelo Ministério da Educação.“Sempre fui uma defensora das pessoas com deficiência. Essa é a pauta do meu coração e ela está acima de qualquer ideologia ou partido”, afirmou Michelle, que ainda disse que a iniciativa foi concebida quando seu marido, Jair Bolsonaro (PL), era presidente.“A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos — lançada hoje — foi elaborada e apresentada em nosso governo, fruto do nosso carinho e cuidado para com a Comunidade Surda. Infelizmente, uma ação judicial atrasou a tramitação e não foi possível entregá-la antes do fim do nosso governo”, declarou em suas redes sociais. 

Os ataques que Michelle recebeu da própria direita por elogiar a iniciativa acontecem em meio à crise de Michelle com seu enteado Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial. Na semana passada, ela publicou um vídeo no qual afirmou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” durante uma conversa com o senador.

https://www.cartacapital.com.br

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Master e Digimais: como Paulo Guedes e Campos Neto, no ex-governo Bolsonaro, promoveram a farra financeira da Faria Lima.

 

Investigações da PF sobre os bancos Master, de Daniel Vorcaro, e Digimais, de Edir Macedo, desnudam os efeitos de uma agenda neoliberal nos governos Temer e Bolsonaro que Flávio Bolsonaro quer reproduzir se vencer a eleição.

Por: Plínio Teodoro 

O escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, revelados na Compliance Zero, e a Operação Miragem sobre o Digimais, de Edir Macedo, revelam os efeitos colaterais de um modelo de desregulamentação financeira iniciada no governo golpista de Michel Temer (MDB) e levada às últimas consequências pelo “super” ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do “autônomo” Banco Central Roberto Campos Neto no ex-governo Jair Bolsonaro (PL). Vendida como “modernização” do sistema financeiro – mesma alcunha agora propalada por Flávio Bolsonaro para seduzir a Faria Lima, as resoluções e medidas de Guedes e Campos Neto abriram caminho para um ecossistema de fintechs, bancos digitais e operações financeiras que sob o governo Lula estão no centro de investigações da Polícia Federal.

Durante anos, Paulo Guedes e Roberto Campos Neto venderam ao mercado a ideia de que o Brasil precisava romper o suposto oligopólio bancário para estimular a concorrência, democratizar o crédito e acelerar a inovação financeira. Sob esse discurso, foram criadas condições para a explosão de fintechs, bancos digitais, plataformas de crédito e estruturas financeiras que passaram a disputar espaço com as instituições tradicionais. O problema é que, enquanto a Faria Lima festejava a abertura, a fiscalização parecia perder capacidade de acompanhar a velocidade das transformações. Diante das investigações que alcançam Master e Digimais, emerge uma questão inevitável: os potenciais crimes identificados pela Polícia Federal são resultado de casos isolados ou revelam fragilidades de um modelo regulatório concebido justamente para flexibilizar barreiras e acelerar a expansão do setor financeiro? A resposta começa antes mesmo da chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Governo Temer: a origem.
A origem da atual arquitetura financeira remonta ao governo Michel Temer (MDB). Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução 4.656, criando as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs). À primeira vista, tratava-se de uma medida técnica destinada a estimular a inovação. Na prática, inaugurava uma ruptura histórica. Pela primeira vez, empresas não bancárias poderiam conceder crédito diretamente ao público sem a necessidade de se transformarem em bancos convencionais. A medida foi recebida com entusiasmo pela Faria Lima. O argumento era simples: mais concorrência reduziria juros e ampliaria o acesso ao crédito. Mas, a resolução também marcou o início de um processo de fragmentação do sistema financeiro. Novos agentes passaram a operar em um ambiente regulatório significativamente mais leve do que aquele imposto aos grandes bancos, enquanto o Estado apostava que a supervisão baseada em risco seria suficiente para acompanhar a expansão do setor.

Bolsonaro: o financismo como política de Estado.
Quando Roberto Campos Neto assumiu um “autônomo” Banco Central, em 2019, esse processo foi acelerado e transformou o financismo em política de Estado. Diferentemente de seus antecessores, que viam a estabilidade financeira como prioridade absoluta, Campos Neto passou a tratar inovação e concorrência como objetivos centrais da autoridade monetária. A partir daquele momento, o BC deixou de atuar apenas como fiscalizador para assumir também o papel de indutor da expansão do mercado financeiro. Em 2020 veio o Sandbox Regulatório, mecanismo que permitiu a empresas selecionadas testar produtos e modelos de negócios sob regras diferenciadas de supervisão. A iniciativa era inspirada em experiências internacionais e apresentada como ferramenta de modernização. Mas também representava uma mudança de paradigma: o foco deixava de ser a prevenção de riscos para privilegiar a experimentação e o crescimento. O passo seguinte foi ainda mais ambicioso. Em 2021 entrou em operação o Open Banking, posteriormente ampliado para Open Finance. O sistema obrigou instituições financeiras a compartilhar dados de clientes, permitindo a integração de bancos, fintechs, plataformas de crédito e empresas de tecnologia em uma mesma rede. A Faria Lima, mais uma vez, comemorou. Campos Neto celebrou com Guedes a “modernização” no mercado brasileiro. No entanto, pouco se discutiu sobre os desafios de supervisão que surgiam a partir da criação de um ecossistema financeiro cada vez mais complexo, pulverizado e interconectado.

“Terceirização” e Farra no mercado financeiro.
Foi nesse ambiente que prosperou o modelo conhecido como Banking as a Service (BaaS). Empresas sem tradição bancária passaram a oferecer contas, cartões, empréstimos e serviços financeiros utilizando a estrutura de instituições parceiras, em uma espécie de “terceirização”, a reboque do que acontece em outros setores, como o do trabalho, com o avanço do ultraliberalismo. A fronteira entre banco, fintech, empresa de tecnologia e plataforma financeira tornou-se cada vez mais difusa. O sistema cresceu. A fiscalização, não necessariamente. Paralelamente, a aprovação da Lei Complementar 182, o chamado Marco Legal das Startups, e da autonomia formal do Banco Central consolidou a visão de que a expansão do mercado financeiro deveria ocorrer com o mínimo de interferência estatal possível. As propostas estão no cerne do “pensamento” de Paulo Guedes, um entusiasta do neoliberalismo, alçado em 2018 pela mídia liberal e Faria Liberal como “o posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro, uma espécie de oráculo que colocaria uma mordaça no confesso ignorante em Economia que seria colocado no Planalto após a prisão de Lula por outro “super” ministro, Sergio Moro, hoje candidato do clã ao governo do Paraná. O resultado foi a criação de um ambiente altamente favorável à entrada de forasteiros no mercado financeiro, à circulação de grandes volumes de recursos e ao surgimento de estruturas cada vez mais sofisticadas, que dificultavam a fiscalização. A brecha permitiu que o “empresário” Daniel Vorcaro e o “bispo” Edir Macedo se tornassem banqueiros, conseguindo do BC de Campos Neto o aval para operacionalizar o Master, em 2019, e o Digimais, em 2020.

O caso Master.
É nesse contexto que o Banco Master se torna símbolo da nova era financeira brasileira. Sob o comando de Daniel Vorcaro, a instituição viveu uma expansão meteórica justamente durante o período em que Roberto Campos Neto conduzia a agenda de abertura do setor. O banco ampliou operações, passou a ocupar espaço crescente no mercado de capitais e construiu uma rede complexa de fundos, empresas e ativos financeiros que chamava atenção pela velocidade de crescimento. Agora, a PF investiga suspeitas envolvendo operações estruturadas, movimentação de ativos, créditos de difícil recuperação e mecanismos financeiros que, segundo as apurações, podem ter servido para ocultar a origem de recursos e mascarar operações patrimoniais. Relatórios de inteligência financeira analisados pelos investigadores também apontam suspeitas de conexões entre estruturas examinadas na operação e recursos associados a facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O aspecto mais perturbador do caso não é apenas o volume dos recursos investigados. É o fato de que o crescimento ocorreu dentro do sistema financeiro formal, sob supervisão estatal, em um ambiente que celebrava justamente a capacidade dessas instituições de desafiar os grandes bancos tradicionais.

Digimais: o novo Master.
O Digimais surge agora como um novo capítulo dessa história. Ligado ao grupo empresarial de Edir Macedo, que comanda o Republicanos de Tarcísio Gomes de Freitas e um dos principais apoiadores de Bolsonaro durante seu governo, o banco digital prosperou no mesmo ciclo de expansão das fintechs e das instituições financeiras digitais. Na operação da terça-feira (23), a PF investiga suspeitas de fraudes no Sistema Financeiro Nacional, com bloqueio autorizado de até R$ 670,3 milhões em bens e valores ligados aos investigados. O modus operandi é semelhante ao do Master, com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI. Além disso, o banco presidido pelo bispo João Urbaneja, braço direito de Macedo, lucrou com empréstimos consignados a servidores, como os policiais militares de São Paulo estimulados pelo governo Tarcísio a se endividarem com o banco ligado à Igreja Universal, que também promove cultos para dar “assistência espiritual” aos PMs. As apurações ainda estão em estágio inicial, mas o simples fato de mais uma instituição criada e fortalecida nesse ambiente regulatório aparecer no radar das autoridades amplia os questionamentos sobre a eficácia do modelo adotado entre 2019 e 2024.

Um modelo estruturado para crimes no sistema financeiro.
Não se trata de atribuir a Paulo Guedes ou Roberto Campos Neto responsabilidade por eventuais irregularidades investigadas pela Polícia Federal. A questão é mais profunda. Foi sob a condução deles que o Brasil trocou um sistema concentrado, fortemente supervisionado e dominado por poucos bancos por um ecossistema financeiro pulverizado, interligado e orientado pela lógica da expansão acelerada.
 
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Richard Gere, Trump e Bolsonaro: O desabafo do ator que serve de alerta ao Brasil.


Em forte depoimento no Oslo Freedom Forum, o ator Richard Gere lamentou não ter feito mais para impedir a vitória de Donald Trump, deixando uma lição crucial para o Brasil não repetir o erro com o clã Bolsonaro.
Por: Antonio Mello

Num depoimento durante o Oslo Freedom Forum, conferência Global sobre direitos humanos e democracia, o ator Richard Gere, mundialmente famoso por Pretty Woman, falou sobre o desmonte que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez nos programas sociais e nas realizações democráticas do governo do país. Gere faz também uma autocrítica que serve também para nós aqui no Brasil. O ator se questiona, diz que deveria ter feito mais para impedir que Trump viesse a ser presidente novamente.

É uma reflexão que vale para nós aqui no Brasil, que também permitimos a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e agora somos ameaçados com a candidatura de seu filho Flávio à eleição presidencial deste ano. A reflexão de Richard vale para nós: o quanto não nos esforçamos mais para impedir a eleição de Jair Bolsonaro, quando não fomos mais às ruas, às redes, o quanto não comunicamos mais com os nossos amigos, colegas, informando do perigo da eleição de Jair Bolsonaro naquele 2018. Não podemos cometer o mesmo erro com seu filho Flávio Bolsonaro agora em 2026.

Richard Gere não tem essa oportunidade mais. Donald Trump foi reeleito. Mas nós temos essa chance, não podemos cometer o mesmo erro novamente de não darmos tudo de nós para impedir a vitória de uma candidatura que levará o país ao caos, que vai destruir o que resta dos direitos e garantias trabalhistas, que vai entregar nossas riquezas para os Estados Unidos, vai privatizar Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil… porque destruir o que foi construído ao longo do tempo é fácil. Vimos isso nos governos Temer e Bolsonaro. Por isso vale, e muito, a reflexão de Richard Gere.

    Estamos vivendo o momento mais sombrio que já presenciei neste planeta. Quem imaginaria que os Estados Unidos chegariam a esse ponto? Quem imaginaria que um maníaco como esse seria presidente dos Estados Unidos? E desmantelaria, espera, espera, não, não.

    Isso é algo que precisamos realmente discutir. [Ele poderia]Desmantelar todas as coisas boas. Os Estados Unidos nunca foram um lugar perfeito, mas têm um ideal de perfeição para o qual caminham, e sempre caminharam, e se autocorrigem.

    No primeiro dia, esse cara desmantelou quase tudo de bom que havia no governo e no povo americano. Como isso é possível? Porque fomos dormir, espera, espera. Fomos dormir. Não nos importamos. Não votamos.

    Não demos ouvidos de verdade. É claro que eu não votei nesse cara, mas não me esforcei o suficiente para convencer as pessoas ao meu redor, próximas e distantes, de que era uma loucura eleger essa pessoa como presidente dos Estados Unidos. Então, todos nós temos que assumir a responsabilidade por isso.

    Mas como foi rápido, em questão de semanas, ele desmantelou a América. Veja como nosso mundo pode ser tirado de nós tão rapidamente. Se cochilarmos.

    E precisamos estar atentos aos sinais. Precisamos estar atentos a esses sinais. Essa ditadura dos monstros.

    Como tudo acontece rápido. Precisamos estar vigilantes. Não podemos ficar de braços cruzados e pensar: “Ah, a vida é boa”.


    Estou bem. Sabe, tenho comida. Tenho dinheiro.
    Tenho minha casa. Tenho outro carro. Estou pensando nisso.
    Estou bem. Eu sei que ele é uma pessoa ruim, mas tudo bem.”


    Mas não está tudo bem. Não está tudo bem. Nunca está tudo bem.

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