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quinta-feira, 12 de março de 2026

Análise: Governo Trump subestimou reação do Irã à guerra e agora corre para conter disparada do petróleo.

 
 Na preparação para o ataque EUA-Israel, o presidente minimizou os riscos para os mercados de energia, classificando-os como uma preocupação de curto prazo que não deveria ofuscar a missão de decapitar o regime iraniano.
 
Em 18 de fevereiro, enquanto o presidente Donald Trump avaliava a possibilidade de lançar ataques militares contra o Irã, Chris Wright, secretário de Energia, disse a um entrevistador que não estava preocupado com a possibilidade de a iminente guerra interromper o fornecimento de petróleo no Oriente Médio e causar estragos nos mercados de energia. Mesmo durante os ataques israelenses e americanos contra o Irã em junho passado, disse Wright, houve pouca perturbação nos mercados. "Os preços do petróleo subiram um pouco e depois voltaram a cair", afirmou. Alguns dos outros assessores de Trump compartilharam opiniões semelhantes em conversas privadas, descartando os alertas de que — numa segunda investida — o Irã poderia travar uma guerra econômica fechando rotas marítimas que transportam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo.

A dimensão desse erro de cálculo ficou evidente nos últimos dias, quando o Irã ameaçou atacar petroleiros comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, o ponto estratégico de estrangulamento por onde todos os navios precisam passar em sua saída do Golfo Pérsico. Em resposta às ameaças iranianas, a navegação comercial no Golfo ficou paralisada, os preços do petróleo dispararam e o governo Trump se esforçou para encontrar maneiras de conter uma crise econômica que provocou o aumento dos preços da gasolina para os americanos.

O episódio é emblemático de como Trump e seus assessores avaliaram mal a forma como o Irã reagiria a um conflito que o governo em Teerã, capital iraniana, considera uma ameaça existencial. O Irã respondeu de forma muito mais agressiva do que durante a guerra de 12 dias em junho passado, disparando rajadas de mísseis e drones contra bases militares americanas, cidades em países árabes do Oriente Médio e centros populacionais israelenses. Autoridades americanas tiveram que ajustar planos rapidamente, desde ordenar a evacuação de embaixadas às pressas até desenvolver propostas políticas para reduzir os preços da gasolina.

Após uma reunião fechada entre funcionários do governo Trump e parlamentares na terça-feira, o senador Christopher S. Murphy, democrata de Connecticut, afirmou nas redes sociais que o governo "NÃO TINHA UM PLANO" para o Estreito de Ormuz e "não sabia como reabri-lo com segurança".

Dentro do governo, alguns funcionários estão cada vez mais pessimistas quanto à falta de uma estratégia clara para terminar a guerra. Mas eles têm evitado expressar isso diretamente ao presidente, que declarou repetidamente que a operação militar é um sucesso completo. Trump estabeleceu metas maximalistas, como insistir que o Irã nomeie um líder que se submeta a ele, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth descreveram objetivos mais restritos e táticos que poderiam servir de saída no curto prazo.

Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, afirmou que o governo "tinha um plano sólido" antes do início da guerra e prometeu que os preços do petróleo cairiam após o seu término."A perturbação proposital do mercado de petróleo pelo regime iraniano é de curto prazo e necessária para o ganho a longo prazo de eliminar esses terroristas e a ameaça que representam para os Estados Unidos e o mundo", disse ela em um comunicado. Este artigo baseia-se em entrevistas com uma dúzia de funcionários americanos, que pediram anonimato para discutir conversas privadas. 
 
 'Mostre coragem'.
Hegseth reconheceu na terça-feira que a resposta feroz do Irã contra seus vizinhos pegou o Pentágono um tanto de surpresa. Mas insistiu que as ações do Irã estavam se voltando contra ele. — Não posso dizer que previmos necessariamente que eles reagiriam dessa forma, mas sabíamos que era uma possibilidade — disse Hegseth em uma coletiva de imprensa no Pentágono. — Acho que foi uma demonstração do desespero do regime. Trump tem demonstrado crescente frustração com a forma como a guerra está interrompendo o fornecimento de petróleo, dizendo à Fox News que as tripulações dos petroleiros deveriam "mostrar coragem" e navegar pelo Estreito de Ormuz.

Alguns conselheiros militares alertaram antes da guerra que o Irã poderia lançar uma campanha agressiva em resposta e que consideraria o ataque americano-israelense uma ameaça à sua própria existência. Mas outros conselheiros permaneceram confiantes de que a eliminação da alta cúpula do governo iraniano levaria à ascensão de líderes mais pragmáticos, que poderiam pôr fim à guerra. Quando Trump foi informado sobre os riscos de um possível aumento nos preços do petróleo em caso de guerra, ele reconheceu a possibilidade, mas minimizou-a, considerando-a uma preocupação de curto prazo que não deveria ofuscar a missão de decapitar o regime iraniano. Ele instruiu Wright e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a trabalharem no desenvolvimento de opções para um possível aumento nos preços.

Mas o presidente não se pronunciou publicamente sobre essas opções — incluindo o seguro contra riscos políticos com o apoio do governo americano e a possibilidade de escolta pela Marinha dos EUA — até mais de 48 horas após o início do conflito. As escoltas ainda não ocorreram. Wright, o secretário de Energia, causou alvoroço no mercado na terça-feira ao publicar nas redes sociais que a Marinha havia escoltado com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz. Sua publicação impulsionou as ações e tranquilizou os mercados de petróleo. No entanto, quando ele apagou a publicação após autoridades do governo afirmarem que nenhuma escolta havia ocorrido, os mercados voltaram a entrar em turbulência.

Com o conflito abalando os mercados globais, os republicanos em Washington estão cada vez mais preocupados com o aumento dos preços do petróleo, que pode prejudicar seus esforços para apresentar uma agenda econômica aos eleitores antes das eleições de meio de mandato. Trump, tanto publicamente quanto em privado, tem argumentado que o petróleo venezuelano poderia ajudar a resolver quaisquer impactos decorrentes da guerra com o Irã. O governo anunciou na terça-feira uma nova refinaria no Texas que, segundo autoridades, poderia ajudar a aumentar a oferta de petróleo, garantindo que o Irã não cause danos de longo prazo aos mercados petrolíferos.

Uma possível saída.
 Trump afirmou que a guerra poderia durar mais de um mês e que estava "praticamente concluída". Ele também disse que os Estados Unidos "seguiriam em frente mais determinados do que nunca". Rubio e Hegseth, no entanto, parecem ter coordenado suas mensagens, por ora, em torno de três objetivos distintos que começaram a apresentar em declarações públicas na segunda e terça-feira.

— Os objetivos desta missão são claros — disse Rubio em um evento no Departamento de Estado na segunda-feira, antes da coletiva de imprensa de Trump. — Trata-se de destruir a capacidade deste regime de lançar mísseis, tanto destruindo seus mísseis quanto seus lançadores; destruir as fábricas que produzem esses mísseis; e destruir sua Marinha. O Departamento de Estado chegou a detalhar os três objetivos em forma de tópicos e destacou um vídeo de Rubio declarando-os em uma conta oficial de mídia social.

A apresentação de Rubio, que também é conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, pareceu preparar o terreno para que o presidente pusesse fim à guerra o mais breve possível. Em sua coletiva de imprensa, Trump vangloriou-se de como as Forças Armadas americanas já haviam destruído a capacidade de mísseis balísticos e a marinha do Irã. Mas também alertou para ações ainda mais agressivas caso os líderes iranianos tentassem cortar o fornecimento mundial de energia.

Matthew Pottinger, que foi vice-conselheiro de Segurança Nacional no primeiro governo Trump, disse em entrevista que Trump havia indicado que poderia decidir prosseguir com objetivos de guerra ambiciosos que levariam semanas, no mínimo.— Em sua coletiva de imprensa, pude ouvi-lo reiterando a justificativa para prolongar a luta, visto que o regime ainda sinaliza que não se deixará intimidar e continua tentando controlar o Estreito de Ormuz — disse Pottinger, atual presidente do programa para a China na Fundação para a Defesa das Democracias, um grupo que defende uma estreita parceria entre os EUA e Israel e o confronto com o Irã. — Ele não quer ter que travar uma guerra por uma "sequência"

https://oglobo.globo.com

quarta-feira, 11 de março de 2026

Vazamento de mensagens deixa André Mendonça em saia justa.


Não pode poupar colegas e nem querer ser ‘Herói Nacional’.
 
Edilene Lopes 

O vazamento das mensagens de Daniel Vorcaro deixa o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em saia justa. A pedido dos advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o STF autorizou a investigação sobre a divulgação do material. O Caso Master deixa o ministro entre a cruz e a espada. Ao mesmo tempo que o magistrado precisa manter o mínimo de cordialidade entre seus pares, ele não pode vestir a carapuça do “Herói Nacional” como fez o juiz Sérgio Moro na operação Lava Jato ou como fez o próprio Alexandre de Moraes nas apurações relacionadas ao dia 8 de janeiro, conforme analisou uma fonte da coluna na própria corte. A melhor estratégia é ser razoável, segundo integrantes do judiciário, é cumprir prazos e não extrapolar competências.

Origem do vazamento.
Nos corredores do STF, a desconfiança é que o vazamento tenha saído do Congresso Nacional, o que também exige muito melindre, já que são vários capítulos do cabo de guerra entre o judiciário e o parlamento no Brasil.

Pressão da direita.
Mendonça sofre ainda a pressão da direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que acredita que as informações relacionadas ao Caso Master possam ser prejudiciais não apenas ao STF, mas também ao executivo e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ponto a favor.
O ponto a favor de Mendonça nesse caso é que os próprios colegas admitem que além de experiente, o ministro tem um gabinete muito técnico formado principalmente por profissionais de carreira da Advocacia Geral da União.

https://www.itatiaia.com.br

As mensagens-bomba de Daniel Vorcaro - O Assunto #1677.


Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março.

Por Natuza Nery — São Paulo 

Em Brasília, o caso do Banco Master está no centro das atenções. Nesta terça-feira (10), foi protocolado no Senado um pedido de CPI para investigar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. No STF, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, se reuniu com colegas para discutir os desdobramentos da crise. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma vota para manter ou não a prisão do dono do Master. Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março, por ordem do ministro André Mendonça – ele que assumiu o caso depois que o ministro Dias Toffoli renunciou à relatoria. De acordo com reportagens do jornal O Globo, horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro, o banqueiro trocou mensagens com um contato salvo em seu celular como Alexandre de Moraes. O ministro nega ter recebido as mensagens. Parlamentares e dirigentes partidários também foram citados em diálogos encontrados pela PF nos celulares de Vorcaro – caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chama de “grande amigo”.

Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN, sobre as mensagens que expõem a proximidade de Daniel Vorcaro com as esferas de poder em Brasília. Ela também comenta as explicações dadas a respeito do contrato de R$ 3.500.000,00 por mês assinado por Viviane Barci, mulher de Moraes, para advogar para o Banco Master. E analisa o impacto da crise para a imagem do ministro e para a opinião do eleitorado que vai às urnas em outubro deste ano.

https://g1.globo.com

Moraes autoriza visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão.


Encontro deverá ocorrer em 18 de março, 
dentro do horário regular de visitas da Papuda.

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, em Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou na terça-feira (10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receba na prisão a visita de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e está detido no Complexo da Papuda, em Brasília. Na decisão, Moraes rejeitou o pedido da defesa para que a visita ocorresse de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março, fora do calendário regular de visitas do presídio.

Segundo o ministro, não há previsão legal para alterar datas específicas de visitação, que devem seguir as regras administrativas do estabelecimento prisional.“Os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário”, afirmou Moraes. Com isso, o ministro autorizou que o encontro ocorra na quarta-feira, 18 de março, das 08:00h às 10:00h, dentro do horário regular de visitas permitido na unidade prisional. A decisão também permite que Beattie esteja acompanhado de um intérprete.
 
Assessor de Trump que Bolsonaro quer ver atacou Moraes.

Próximo de Eduardo, Darren Beattie é apontado como responsável por articular aplicação da Lei Magnitsky contra ministro que vai decidir sobre visita a ex-presidente. O assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o ex-presidente Jair Bolsonaro quer receber na prisão já fez ataques públicos ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e é apontado como um dos responsáveis pela aplicação de sanções contra o magistrado com base na Lei Magnitsky. Como mostrou a CNN, a defesa de Bolsonaro pediu a Moraes na terça-feira (10) autorização para que o americano Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado americano, visite o ex-presidente, que cumpre pena na Papudinha após condenação por tentativa de golpe de Estado. Beattie é considerado um aliado próximo da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No governo Trump, ele passou a atuar em cargos de alto escalão no Departamento de Estado e foi designado para acompanhar temas relacionados ao Brasil.

O assessor já protagonizou críticas diretas ao ministro do Supremo. Em publicações nas redes sociais em agosto do ano passado, classificou Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”. Na mesma linha, afirmou que os “flagrantes abusos de direitos humanos” atribuídos ao ministro justificariam sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

Ao compartilhar uma nota do Departamento de Estado (equivalente ao Itamaraty) criticando a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), ele alertou outros magistrados a não apoiarem o ministro Alexandre de Moraes."Os aliados de Moraes na Suprema Corte e em outros lugares são fortemente aconselhados a não auxiliar ou encorajar o comportamento sancionado de Moraes", escreveu o funcionário de alto escalão dos EUA.

A aplicação da Lei Magnitsky no fim de julho provocou forte reação no Brasil e abriu uma crise diplomática entre os dois países. A sanção só foi retirada em dezembro, após aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump. Interlocutores do governo brasileiro e do STF passaram a atribuir a Beattie papel relevante na articulação política das sanções dentro da administração Trump. A aproximação de Beattie com o bolsonarismo se intensificou nos últimos anos. O americano se reuniu com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e tem sido um dos principais defensores da tese de que decisões do STF no Brasil representam restrições à liberdade de expressão.

https://www.cnnbrasil.com.br 

terça-feira, 10 de março de 2026

Flávio Bolsonaro vai baixar o valor da aposentadoria e do salário mínimo?


Carlos Juliano Barros

Mas falta combinar com o eleitorado. Quando a campanha de fato começar, em agosto, o candidato Flávio Bolsonaro vai mesmo pedir votos defendendo que um aposentado possa ganhar menos de um salário mínimo? Lembrando que, dos cerca de 40 milhões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 70% ganham até R$ 1.621,00 — o atual valor do mínimo fixado pelo Governo Federal. E quanto à valorização do salário mínimo acima da inflação, uma das marcas registradas das gestões de Lula: Flávio Bolsonaro vai falar abertamente sobre a possibilidade de retomar a política do mandato de seu pai, abortando os reajustes reais? Se não for devidamente provocado, é pouco provável que o candidato do PL cometa sincericídio em público durante a campanha eleitoral. De todo modo, é bastante revelador da ideologia do partido que caciques do PL joguem aos quatro ventos a disposição de sacrificar aposentados, depois de terem atuado para barrar no Congresso a proposta de tributação dos super-ricos.

Para quem tem a memória curta, aí vai um breve lembrete: a sigla de Flávio Bolsonaro tentou com todas as forças derrubar a tributação mínima de até 10% sobre a minúscula minoria de 141.000 brasileiros com renda anual superior a R$ 600.000,00. A taxa foi criada pelo Governo Federal para compensar a isenção de imposto de renda concedida a cerca de dez milhões de contribuintes que ganham até R$ 5.000,00 mensais."Ele [o governo] que se vire", resumiu Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, em agosto do ano passado, numa inequívoca demonstração do compromisso com a "responsabilidade fiscal" defendida por sua legenda.

Sim, é verdade que muitos economistas sérios têm alertado para os crescentes impactos financeiros decorrentes da vinculação entre salário mínimo e benefícios previdenciários. Em determinado momento, talvez não reste alternativa a não ser quebrar essa regra para cessar a trajetória de alta dos gastos públicos.

https://economia.uol.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2026

Vorcaro chama Bolsonaro de “beócio” por post sobre Master: “alguém falou que era coisa [do] PT [e] ele postou”.

 
"Depois todos os amigos, o próprio ciro [Nogueira] ligou", disse Vorcaro sobre publicação de Bolsonaro, tratado pelo banqueiro como "idiota" por disparar fogo amigo contra o próprio grupo político.

Por: Plinio Teodoro 

Uma conversa entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a namorada, Martha Graeff, datada de 13 de julho de 2024, revela irritação do banqueiro com uma publicação feita por Jair Bolsonaro (PL), tratado por ele como “beócio”, e expõe a ligação com o grupo político do ex-presidente e o Centrão. Na publicação, feita no dia anterior, Bolsonaro compartilha o print de uma notícia que diz que “Gerentes da Caixa perdem cargo após barrarem operação ‘arriscada’ e ‘atípica’ de R$ 500.000.000,00”, após divulgação de um “parecer sigiloso contra compra de títulos do Banco Master”.“Os senhores não leram errado. Impediram de acontecer e foram DEMITIDOS”, afirma Bolsonaro, que segue: “Não é mais questão de todo dia, mas sim a cada hora. Por isso o sistema está agindo com tanto afinco em suas ações”.

“Idiota”, reclamou Vorcaro na conversa com a namorada. O banqueiro então reclama que Bolsonaro teria sido orientado errado por “alguém” que atrelou o caso ao PT, partido de Lula. Ao comentar, o banqueiro usa a palavra “beócio” para se referir a Bolsonaro, termo usado pejorativamente para classificar pessoas ignorantes e grosseiras.“Depois todos os amigos, o próprio ciro [Nogueira] ligou. Mas nao tinha como tirar. Cara é um beócio. Alguém falou que era coisa PT ele postou”, afirma Vorcaro.

Como já revelado, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente do PP, era tratado como “grande amigo de vida” pelo banqueiro e comandava o lobby de Vorcaro no Congresso, como antecipou a Fórum. No início da conversa, Vorcaro afirma que após a publicação do ex-presidente, ele teria recebido “mais de mil mensagens”, revelando o elo com os bolsonaristas.“O pior de ontem foi o bolsonaro postado. Recebi mais de mil msgs instagram”, disse Vorcaro.

“Grande amigo”.
Nas mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro, o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro é tratado como “grande amigo de vida”, ao comemorar uma emenda apresentada por ele que beneficiaria o Banco Master e chega a autorizar um pagamento a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. As mensagens mostram que Vorcaro mantinha conversas frequentes com o senador, que é presidente nacional do PP. Segundo investigadores, os diálogos tratam de assuntos políticos, amenidades e organização de encontros presenciais. Uma das mensagens, porém, aponta suposto pagamento ordenado por Vorcaro a Ciro. Até o momento, não há inquérito formal aberto contra o senador no âmbito da investigação. Na troca de mensagens com sua companheira, a blogueira Martha Graeff, Vorcaro apresenta o senador como alguém muito próximo. “Ciro nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, escreveu o banqueiro em maio de 2024.

Meses depois, ele voltou a citar o parlamentar ao comentar uma iniciativa legislativa apresentada por Nogueira. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”, escreveu Vorcaro. Martha respondeu: “Wow amor. Louca pra saber de tudo ao vivo”. A conversa ocorreu em 13 de agosto de 2024, data em que o senador apresentou uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da autonomia financeira do Banco Central. O texto sugeria elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250.000,00 para R$ 1.000.000,00 por CPF.

O modelo de negócios do Banco Master estava fortemente baseado na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com garantia do FGC. Com a ampliação do teto de cobertura, os títulos emitidos pela instituição passariam a contar com proteção maior para investidores. Por causa desse impacto potencial, a proposta ficou conhecida nos bastidores do mercado financeiro e do Congresso como “emenda Master”. A iniciativa acabou não avançando após resistência de entidades ligadas ao setor bancário e a PEC segue parada no Senado.

Autorização de pagamento.
Além das mensagens sobre a emenda, a PF identificou indícios de um possível pagamento associado ao nome “Ciro”. Em maio de 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro, enviou ao banqueiro uma lista com solicitações de repasses.“Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu Zettel. Na sequência, Vorcaro autorizou os pagamentos mencionados na lista.

Os investigadores ainda não tiveram acesso aos dados bancários relacionados à transação e, por isso, não confirmaram se o destinatário era o senador ou outra pessoa com o mesmo nome.
 
https://revistaforum.com.br/ 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Vorcaro, dono do Banco Master, é preso em nova operação da PF.


Banqueiro é alvo de uma nova fase Operação Compliance Zero, em 
que a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Por Isabela Leite, Márcio Falcão, Isabela Camargo, Bruno Tavares, GloboNews e TV Globo 

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo. A prisão dele aconteceu na terceira fase Operação Compliance Zero, que, segundo a PF, tem o objetivo de investigar a "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa". A PF apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. Havia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que já foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista.

Também são cumpridos outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22.000.000.000,00, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

https://g1.globo.com

segunda-feira, 2 de março de 2026

Análise: Mendonça vira o jogo e Master assombra Brasília em ano eleitoral.


CPIs investem em explorar elo entre 
políticos e sistema financeiro corrompido.

Tainá Falcão

Ao assumir o caso Master, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça entrou ciente de que a forma como conduzirá a investigação trará riscos à sua biografia. A pessoas próximas, não à toa, Mendonça indicou que fará o necessário para preservá-la. O caso arrastou Brasília para um caldeirão de suspeitas que, ironicamente, começou a vazar dos gabinetes do Supremo, com implicações sobre Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mas que, rapidamente, atravessaram a Praça dos Três Poderes.“Tenho amigos em todos os Poderes”, disse o banqueiro Daniel Vorcaro expondo, sem cerimônia, a intimidade que mantém com políticos e ministros influentes. Caberá a Mendonça investigar se esses amigos serviram para manter o Master em ascensão, mesmo diante de irregularidades.

Como um de seus primeiros atos à frente do caso, Mendonça liberou para análise mais de cem celulares que podem ajudar a Polícia Federal a entender melhor quem integrava a rede de apoio de Vorcaro, como e se ele a utilizava para projetar seus negócios. Ainda sem provas conclusivas sobre essa parceria do banqueiro com a política, mas sob indícios curiosos, em ano eleitoral, há quem se sinta apto a meter o dedo na ferida sem sangrar a si próprio. Neste momento, CPIs sobre diversos assuntos se viram sobre o Master. A CPI do Crime Organizado pediu a convocação de ministros do Supremo e familiares; a CPMI do INSS espera acesso às informações antes restritas à presidência do Senado; e a CAE costura acordos para dar a Vorcaro a oportunidade de dizer, afinal, se ainda pode contar com os velhos amigos.

Com a entrada de Mendonça, o caso saiu do controle de quem buscava encobri-lo e começa a apontar para um cenário em que cada um buscará encobrir a si mesmo. Com todos no mesmo barco, morrer abraçado não parece uma opção. A depender do que virá, o maior escândalo financeiro do Brasil, fará de Brasília um salve-se quem puder.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Escala 6x1: deputado questiona 'qual lazer do pobre no sertão?'.

 
Bianca Mota

Deputado diz que fim da escala 6x1 pode gerar ócio: 
"Qual o lazer do pobre no sertão do Nordeste?"

Deputado afirma que redução da jornada pode afetar competitividade das empresas e defende discussão em outro momento; ele disse ter alertado o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o tema. Marcos Pereira demonstrou contrariedade ao tema e declarou Não ser o momento para o debate. O parlamentar disse que "ócio demais faz mal" e declarou que a medida pode expor a população ao uso de drogas ou vícios.

Ele questionou: "Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?” O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que está preocupado com a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 e defendeu cautela na tramitação do tema no Congresso Nacional, especialmente em ano eleitoral. O parlamentar relatou ter levado ressalvas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o avanço da proposta na Casa. Segundo ele, o momento político torna a discussão mais sensível. “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira, 25.

De acordo com Pereira, Motta explicou que decidiu encaminhar o debate para evitar que o governo federal assumisse protagonismo sobre o assunto por meio de um projeto próprio. 'Estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo', teria dito o presidente da Câmara, segundo o dirigente do Republicanos.

Impacto econômico e competitividade.
Marcos avalia que a redução da jornada pode gerar aumento de custos para empresas e prejudicar a competitividade da economia brasileira. Ele argumenta que estudos do setor produtivo apontam possíveis impactos negativos sobre a atividade econômica. Na avaliação do parlamentar, a discussão precisa considerar diferenças estruturais entre o Brasil e países que já adotaram jornadas reduzidas, especialmente em relação à renda média e à produtividade. Para Pereira, o trabalho permanece como elemento central para o desenvolvimento econômico.“Acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”, declarou.

Lazer e realidade social.
O deputado também questionou se a ampliação do tempo livre resultaria, necessariamente, em melhoria das condições de vida da população mais pobre. Segundo ele, a falta de renda limita o acesso a atividades de lazer.“O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, afirmou. Apesar das críticas, Pereira reconheceu que o lazer possui importância para a saúde mental, mas ponderou que o debate deve levar em conta a realidade econômica brasileira.

Eleição.
Além da pauta trabalhista, o presidente do Republicanos projetou crescimento da bancada do partido nas eleições de 2026 e comentou o cenário da direita nacional. Ele avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço político após a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da disputa, mas criticou a falta de articulação com outras legendas.“Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação”, disse, ao comentar decisões tomadas sem diálogo entre partidos aliados. O dirigente afirmou ainda que o apoio da sigla será discutido internamente e apenas após o período da janela partidária.

Posições econômicas e institucionais.
Durante a entrevista, Pereira reiterou posições liberais na economia e voltou a defender privatizações amplas, com exceção de empresas consideradas estratégicas. Ele também demonstrou preocupação com vazamentos de investigações, afirmando que o sistema exige cautela para evitar distorções.

Ao comentar acusações envolvendo tentativa de golpe de Estado atribuídas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado evitou emitir opinião definitiva. “Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei”, declarou. Segundo Pereira, a PEC sobre a jornada 6x1 ainda deverá enfrentar amplo debate político e econômico antes de qualquer deliberação definitiva no Congresso Nacional.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Master: Medidas de Mendonça afastam homens de confiança de Toffoli da investigação.

 
Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Brasília 

A decisão do ministro André Mendonça de fortalecer a atuação dos técnicos da Polícia Federal, ao assumir a relatoria do caso do Banco Master no Supremo, abriu caminho para a PF retirar da órbita da apuração dois homens de confiança que Dias Toffoli havia colocado para atuar no inquérito. Escolhidos a dedo pelo antigo relator, o perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti, que foi designado formalmente por Toffoli para verificar o conteúdo de celular de Vorcaro, e o delegado Rafael Dantas, que ficava nos bastidores orientando e produzindo material para o ministro, agora estão fora do caso. Dantas foi excluído automaticamente quando Toffoli renunciou à relatoria, enquanto o perito perdeu a senha de acesso aos materiais da investigação depois que Mendonça liberou a PF para distribuir os 100 dispositivos eletrônicos apreendidos nas duas fases da Operação Compliance Zero para peritos escolhidos pela própria corporação. Logo após a publicação do despacho, todas as senhas de acesso foram canceladas, e as novas foram distribuídas apenas aos técnicos designados pela direção da corporação.

Em uma das decisões mais controversas que tomou à frente das investigações, Toffoli determinou no mês passado que todo o material apreendido pelos policiais federais fosse lacrado e armazenado no STF. Depois, determinou que o material fosse enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR). E numa medida atípica, escolheu a dedo os quatro peritos da PF que poderiam se debruçar sobre o material, incluindo Lorenzo. De acordo com informação prestada pela PF ao ministro, como a perícia envolve um número aproximado de 100 dispositivos eletrônicos, um único técnico teria de dedicar 20 semanas ininterruptas para fazer a sua parte em um esquema de dedicação exclusiva. Mendonça autorizou que as extrações dos dados e análise do material seguissem o “fluxo ordinário de trabalho” da instituição, “com distribuição regular das demandas entre peritos habilitados, conforme critérios técnicos e administrativos”.

Já o delegado Rafael Dantas havia sido escolhido por Toffoli para apurar o vazamento das perguntas do depoimento de Vorcaro, ocorrido em 30 de dezembro do ano passado. O pedido de apuração foi apresentado pela defesa do executivo depois que este blog revelou o teor dos questionamentos elaborados pelo gabinete do ministro. Segundo a equipe da coluna apurou, essa apuração ainda não chegou a ser realizada antes de o STF decidir pela redistribuição do caso Master para outro relator, há duas semanas. O mesmo delegado já havia sido escolhido por Toffoli para conduzir outro caso polêmico – as investigações em torno da atuação do ex-juiz federal e hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR) à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba. Em dezembro do ano passado, Toffoli determinou uma operação de busca e apreensão na antiga vara da Lava-Jato. A investigação gira em torno de acusações do ex-deputado estadual Tony Garcia contra Moro. Garcia afirma que foi coagido por Moro a gravar interlocutores de forma ilegal em 2004 no âmbito do caso Banestado, o que o ex-juiz nega.

Queixas em coro.
Apesar de reforçar a área técnica, a decisão de Mendonça também tirou poder do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao determinar expressamente que agentes e delegados não compartilhassem detalhes sigilosos do inquérito com “superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”. O diretor da PF se tornou alvo preferencial das críticas dos ministros do Supremo ao entregar ao presidente do tribunal, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição – como por exemplo o pagamento de R$ 35.000.000,00 do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.

O relatório levou Toffoli a renunciar à relatoria do caso Master, após uma reunião secreta em que os outros ministros o pressionaram a sair. Ainda assim, no relato sobre a reunião publicado pelo site Poder 360, Mendonça foi um dos mais críticos à postura do diretor-geral da PF de entregar um relatório sobre as conexões de Toffoli com Vorcaro.

Embates.
A relação de Toffoli com a PF na supervisão das investigações do caso Banco Master foi marcada por tensões e embates públicos, a ponto de o ministro acusar a corporação de “inércia” e “falta de empenho” na execução da segunda fase da operação. Os investigadores, no entanto, rebateram as críticas do ministro, alegando que não tinham deflagrado a operação antes porque ainda não tinham em mãos os endereços certos dos alvos da investigação. Toffoli também determinou que os depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, fossem realizados no próprio STF. O ministro chegou a convocar uma acareação, antes mesmo que fossem colhidos depoimentos para confrontar versões. Depois, seu gabinete determinou que os depoimentos fossem realizados antes da acareação, ainda que não houvesse nenhuma decisão nesse sentido. 

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