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terça-feira, 7 de julho de 2026

Crescimento bilionário da fortuna de Trump reacende debate sobre conflito de interesses; compare as regras dos EUA e do Brasil.


Especialistas explicam quando o enriquecimento de um chefe de Estado pode levantar questionamentos éticos e como a legislação trata conflitos de interesse.

Por Micaela Santos, g1 — São Paulo 

O crescimento da fortuna do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu segundo mandato reacendeu o debate sobre ética pública e conflitos de interesse envolvendo chefes de Estado. Apenas no ano passado, após retornar à Casa Branca, Trump acrescentou mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,3 bilhões) ao patrimônio. Segundo a declaração financeira divulgada pelo próprio presidente, a expansão da riqueza foi impulsionada por negócios da família, especialmente nas áreas de criptomoedas e licenciamento de marca.

A questão é que parte desse crescimento ocorreu enquanto o governo Trump promovia mudanças regulatórias favoráveis ao mercado de ativos digitais. Segundo reportagem do jornal "The New York Times", o presidente e sua família ampliaram os negócios no setor ao mesmo tempo em que o governo flexibilizou regras para a indústria, o que configuraria possíveis conflitos de interesse. Diferentemente de presidentes anteriores, Trump optou por não transferir seus ativos para um blind trust ("fundo cego", em inglês), opção tradicionalmente usada para reduzir a percepção de problemas entre interesses privados e decisões públicas.
 
O blind trust é um mecanismo em que uma pessoa transfere a administração de seus bens e investimentos para um gestor independente. Durante esse período, o proprietário não sabe como os ativos são administrados nem participa das decisões sobre eles. Críticos ouvidos pelo jornal, entre eles representantes do Project on Government Oversight e da Transparência Internacional nos EUA, classificaram a situação como um conflito de interesses sem precedentes. A Casa Branca rejeita as críticas. Em declaração ao jornal "Financial Times", a porta-voz Anna Kelly afirmou que Trump "implementou políticas que tornaram todos os americanos mais ricos e prósperos". Segundo ela, os negócios privados são administrados pelos filhos do presidente.

Uso de influência.
Embora o aumento do patrimônio de um chefe de Estado, por si só, não configure uma irregularidade, ele pode levantar questionamentos quando houver indícios de que decisões públicas tenham beneficiado interesses privados. Para Michel Sancovski, sócio da área de Anticorrupção & Compliance do Tauil & Chequer Advogados associado ao Mayer Brown, "o aspecto central é se esse aumento decorreu do exercício do cargo ou de situações que possam comprometer a imparcialidade das decisões públicas". Segundo ele, a análise também deve levar em conta se decisões do governo favoreceram ou podem ter favorecido o enriquecimento do próprio governante.

O debate sobre os negócios de Trump também chegou ao Congresso dos EUA. Entidades que acompanham o tema defendem a inclusão de uma emenda na Clarity Act, projeto que regulamenta o mercado de ativos digitais no país. A proposta proibiria ocupantes de cargos eletivos e seus familiares mais próximos de lucrar com determinados negócios ligados ao setor durante o exercício do mandato. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Representantes e aguarda análise do Senado.
 
O que diz a lei americana.
Pela legislação americana, o presidente e o vice-presidente estão isentos da principal lei federal sobre conflitos de interesse no Poder Executivo (18 U.S.C. § 208). Na prática, isso significa que o presidente pode manter empresas, investimentos e outros bens durante o mandato. Em geral, a norma impede que autoridades tomem decisões oficiais que possam beneficiar seus próprios interesses financeiros. Por isso, é considerada um dos principais instrumentos de prevenção de conflitos de interesse e de combate à corrupção no governo federal. Em contrapartida, a legislação exige a divulgação anual, em relatórios públicos, de informações detalhadas sobre patrimônio, renda, dívidas e participações societárias. Além disso, a Constituição americana determina que o presidente não pode receber presentes, pagamentos ou benefícios de governos estrangeiros sem autorização do Congresso. Também proíbe que receba remuneração adicional dos governos federal ou estaduais além do salário do cargo. Como a legislação não obriga o presidente a vender empresas nem a transferir seus bens para um fundo independente, muitos ocupantes da Casa Branca adotam essas medidas de forma voluntária para reduzir a percepção de conflitos de interesse.

O Escritório de Ética Governamental (Office of Government Ethics – OGE) fiscaliza o cumprimento das regras de ética no governo federal, mas não tem poder para obrigar o presidente a vender empresas, investimentos ou outros ativos.

O que diz a lei brasileira.
No Brasil, não há uma lei voltada exclusivamente ao presidente da República sobre situações desse tipo. No entanto, a Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013) também se aplica ao chefe do Executivo federal por sua condição de agente público. A norma determina que o presidente deve evitar situações em que interesses privados possam interferir no exercício da função pública e proteger informações privilegiadas. Pela legislação brasileira, conflito de interesses é qualquer situação em que um interesse privado possa influenciar de forma imprópria a atuação do agente público, mesmo que não haja prejuízo aos cofres públicos ou vantagem financeira. Segundo Sancovski, a lei brasileira adota uma lógica preventiva. "A lei busca impedir que interesses privados interfiram na atuação do agente público antes mesmo da demonstração de um benefício econômico efetivo ou de prejuízo ao poder público", afirma.

Por isso, durante o mandato, o presidente não pode:
Usar ou divulgar informações privilegiadas em benefício próprio ou de terceiros; Exercer atividades privadas incompatíveis com o cargo; Prestar serviços ou fazer negócios com pessoas ou empresas interessadas em decisões do governo; Tomar decisões que beneficiem empresas das quais ele, o cônjuge ou parentes até o terceiro grau participem; Receber presentes de pessoas ou empresas interessadas em decisões sob sua responsabilidade além dos limites previstos em regulamento.

A proibição de utilizar informações privilegiadas permanece válida mesmo após o fim do mandato. Por outro lado, a legislação também não impede que o presidente seja sócio ou acionista de empresas."O que a legislação veda é que ele atue na gestão ou na administração desses negócios enquanto estiver no cargo ou utilize a função pública para favorecê-los", explica Sancovski. Segundo ele, o presidente também não pode participar de decisões governamentais nas quais seus interesses privados possam influenciar sua atuação.

Fiscalização e transparência.
A fiscalização do presidente e das demais autoridades do alto escalão do governo federal é feita pela Comissão de Ética Pública (CEP), vinculada à Presidência da República. Entre as obrigações estão a entrega anual de informações sobre patrimônio, participações em empresas e atividades econômicas, além da divulgação diária da agenda oficial de compromissos. A Comissão também pode ser consultada para avaliar se determinada situação configura conflito de interesses. Se houver violação da lei, o agente público pode responder por improbidade administrativa. As punições incluem perda do cargo, suspensão dos direitos políticos, multa, ressarcimento ao poder público, quando houver dano, e proibição de contratar com o governo ou de receber benefícios fiscais por três anos. A legislação deixa claro que um conflito de interesses pode existir mesmo sem prejuízo aos cofres públicos ou ganho financeiro para o agente público.

No Brasil, candidatos à Presidência da República devem declarar seu patrimônio à Justiça Eleitoral. Depois de eleito, o presidente da República deve encaminhar anualmente à Comissão de Ética Pública informações atualizadas.

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PF faz buscas contra Márcio Canella e Marcus Amim no Rio de Janeiro.

  

Policiais cumprem 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

Mirelle Pinheiro

O ex-prefeito de Belford Roxo, pré-candidato ao Senado e presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella (à esquerda na foto), e o ex-secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Amim (à direita na foto) estão entre os alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (7/7). A ação investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para ocultar recursos de origem criminosa. Policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados. Segundo a PF, a investigação ganhou força após um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), desenvolvido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões realizadas pelo grupo nos últimos seis anos. Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que eventualmente forem identificados.
 
Na semana passada, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por supostas ligações com a chamada Máfia do Cigarro. Também foram alvo daquela etapa o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no estado, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, já preso. As investigações apuram uma rede de proteção ao crime organizado, lavagem de dinheiro e possível participação de agentes públicos no esquema.

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domingo, 5 de julho de 2026

Michelle Bolsonaro responde críticas por elogiar iniciativa de Lula: ‘acima de ideologia’.

 
Equipe CartaCapital

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro rebateu, neste sábado 4, as críticas que recebeu por elogiar a iniciativa do governo Lula (PT) de criar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, apresentada pelo Ministério da Educação.“Sempre fui uma defensora das pessoas com deficiência. Essa é a pauta do meu coração e ela está acima de qualquer ideologia ou partido”, afirmou Michelle, que ainda disse que a iniciativa foi concebida quando seu marido, Jair Bolsonaro (PL), era presidente.“A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos — lançada hoje — foi elaborada e apresentada em nosso governo, fruto do nosso carinho e cuidado para com a Comunidade Surda. Infelizmente, uma ação judicial atrasou a tramitação e não foi possível entregá-la antes do fim do nosso governo”, declarou em suas redes sociais. 

Os ataques que Michelle recebeu da própria direita por elogiar a iniciativa acontecem em meio à crise de Michelle com seu enteado Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial. Na semana passada, ela publicou um vídeo no qual afirmou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” durante uma conversa com o senador.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Master e Digimais: como Paulo Guedes e Campos Neto, no ex-governo Bolsonaro, promoveram a farra financeira da Faria Lima.

 

Investigações da PF sobre os bancos Master, de Daniel Vorcaro, e Digimais, de Edir Macedo, desnudam os efeitos de uma agenda neoliberal nos governos Temer e Bolsonaro que Flávio Bolsonaro quer reproduzir se vencer a eleição.

Por: Plínio Teodoro 

O escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, revelados na Compliance Zero, e a Operação Miragem sobre o Digimais, de Edir Macedo, revelam os efeitos colaterais de um modelo de desregulamentação financeira iniciada no governo golpista de Michel Temer (MDB) e levada às últimas consequências pelo “super” ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do “autônomo” Banco Central Roberto Campos Neto no ex-governo Jair Bolsonaro (PL). Vendida como “modernização” do sistema financeiro – mesma alcunha agora propalada por Flávio Bolsonaro para seduzir a Faria Lima, as resoluções e medidas de Guedes e Campos Neto abriram caminho para um ecossistema de fintechs, bancos digitais e operações financeiras que sob o governo Lula estão no centro de investigações da Polícia Federal.

Durante anos, Paulo Guedes e Roberto Campos Neto venderam ao mercado a ideia de que o Brasil precisava romper o suposto oligopólio bancário para estimular a concorrência, democratizar o crédito e acelerar a inovação financeira. Sob esse discurso, foram criadas condições para a explosão de fintechs, bancos digitais, plataformas de crédito e estruturas financeiras que passaram a disputar espaço com as instituições tradicionais. O problema é que, enquanto a Faria Lima festejava a abertura, a fiscalização parecia perder capacidade de acompanhar a velocidade das transformações. Diante das investigações que alcançam Master e Digimais, emerge uma questão inevitável: os potenciais crimes identificados pela Polícia Federal são resultado de casos isolados ou revelam fragilidades de um modelo regulatório concebido justamente para flexibilizar barreiras e acelerar a expansão do setor financeiro? A resposta começa antes mesmo da chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Governo Temer: a origem.
A origem da atual arquitetura financeira remonta ao governo Michel Temer (MDB). Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução 4.656, criando as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs). À primeira vista, tratava-se de uma medida técnica destinada a estimular a inovação. Na prática, inaugurava uma ruptura histórica. Pela primeira vez, empresas não bancárias poderiam conceder crédito diretamente ao público sem a necessidade de se transformarem em bancos convencionais. A medida foi recebida com entusiasmo pela Faria Lima. O argumento era simples: mais concorrência reduziria juros e ampliaria o acesso ao crédito. Mas, a resolução também marcou o início de um processo de fragmentação do sistema financeiro. Novos agentes passaram a operar em um ambiente regulatório significativamente mais leve do que aquele imposto aos grandes bancos, enquanto o Estado apostava que a supervisão baseada em risco seria suficiente para acompanhar a expansão do setor.

Bolsonaro: o financismo como política de Estado.
Quando Roberto Campos Neto assumiu um “autônomo” Banco Central, em 2019, esse processo foi acelerado e transformou o financismo em política de Estado. Diferentemente de seus antecessores, que viam a estabilidade financeira como prioridade absoluta, Campos Neto passou a tratar inovação e concorrência como objetivos centrais da autoridade monetária. A partir daquele momento, o BC deixou de atuar apenas como fiscalizador para assumir também o papel de indutor da expansão do mercado financeiro. Em 2020 veio o Sandbox Regulatório, mecanismo que permitiu a empresas selecionadas testar produtos e modelos de negócios sob regras diferenciadas de supervisão. A iniciativa era inspirada em experiências internacionais e apresentada como ferramenta de modernização. Mas também representava uma mudança de paradigma: o foco deixava de ser a prevenção de riscos para privilegiar a experimentação e o crescimento. O passo seguinte foi ainda mais ambicioso. Em 2021 entrou em operação o Open Banking, posteriormente ampliado para Open Finance. O sistema obrigou instituições financeiras a compartilhar dados de clientes, permitindo a integração de bancos, fintechs, plataformas de crédito e empresas de tecnologia em uma mesma rede. A Faria Lima, mais uma vez, comemorou. Campos Neto celebrou com Guedes a “modernização” no mercado brasileiro. No entanto, pouco se discutiu sobre os desafios de supervisão que surgiam a partir da criação de um ecossistema financeiro cada vez mais complexo, pulverizado e interconectado.

“Terceirização” e Farra no mercado financeiro.
Foi nesse ambiente que prosperou o modelo conhecido como Banking as a Service (BaaS). Empresas sem tradição bancária passaram a oferecer contas, cartões, empréstimos e serviços financeiros utilizando a estrutura de instituições parceiras, em uma espécie de “terceirização”, a reboque do que acontece em outros setores, como o do trabalho, com o avanço do ultraliberalismo. A fronteira entre banco, fintech, empresa de tecnologia e plataforma financeira tornou-se cada vez mais difusa. O sistema cresceu. A fiscalização, não necessariamente. Paralelamente, a aprovação da Lei Complementar 182, o chamado Marco Legal das Startups, e da autonomia formal do Banco Central consolidou a visão de que a expansão do mercado financeiro deveria ocorrer com o mínimo de interferência estatal possível. As propostas estão no cerne do “pensamento” de Paulo Guedes, um entusiasta do neoliberalismo, alçado em 2018 pela mídia liberal e Faria Liberal como “o posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro, uma espécie de oráculo que colocaria uma mordaça no confesso ignorante em Economia que seria colocado no Planalto após a prisão de Lula por outro “super” ministro, Sergio Moro, hoje candidato do clã ao governo do Paraná. O resultado foi a criação de um ambiente altamente favorável à entrada de forasteiros no mercado financeiro, à circulação de grandes volumes de recursos e ao surgimento de estruturas cada vez mais sofisticadas, que dificultavam a fiscalização. A brecha permitiu que o “empresário” Daniel Vorcaro e o “bispo” Edir Macedo se tornassem banqueiros, conseguindo do BC de Campos Neto o aval para operacionalizar o Master, em 2019, e o Digimais, em 2020.

O caso Master.
É nesse contexto que o Banco Master se torna símbolo da nova era financeira brasileira. Sob o comando de Daniel Vorcaro, a instituição viveu uma expansão meteórica justamente durante o período em que Roberto Campos Neto conduzia a agenda de abertura do setor. O banco ampliou operações, passou a ocupar espaço crescente no mercado de capitais e construiu uma rede complexa de fundos, empresas e ativos financeiros que chamava atenção pela velocidade de crescimento. Agora, a PF investiga suspeitas envolvendo operações estruturadas, movimentação de ativos, créditos de difícil recuperação e mecanismos financeiros que, segundo as apurações, podem ter servido para ocultar a origem de recursos e mascarar operações patrimoniais. Relatórios de inteligência financeira analisados pelos investigadores também apontam suspeitas de conexões entre estruturas examinadas na operação e recursos associados a facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O aspecto mais perturbador do caso não é apenas o volume dos recursos investigados. É o fato de que o crescimento ocorreu dentro do sistema financeiro formal, sob supervisão estatal, em um ambiente que celebrava justamente a capacidade dessas instituições de desafiar os grandes bancos tradicionais.

Digimais: o novo Master.
O Digimais surge agora como um novo capítulo dessa história. Ligado ao grupo empresarial de Edir Macedo, que comanda o Republicanos de Tarcísio Gomes de Freitas e um dos principais apoiadores de Bolsonaro durante seu governo, o banco digital prosperou no mesmo ciclo de expansão das fintechs e das instituições financeiras digitais. Na operação da terça-feira (23), a PF investiga suspeitas de fraudes no Sistema Financeiro Nacional, com bloqueio autorizado de até R$ 670,3 milhões em bens e valores ligados aos investigados. O modus operandi é semelhante ao do Master, com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI. Além disso, o banco presidido pelo bispo João Urbaneja, braço direito de Macedo, lucrou com empréstimos consignados a servidores, como os policiais militares de São Paulo estimulados pelo governo Tarcísio a se endividarem com o banco ligado à Igreja Universal, que também promove cultos para dar “assistência espiritual” aos PMs. As apurações ainda estão em estágio inicial, mas o simples fato de mais uma instituição criada e fortalecida nesse ambiente regulatório aparecer no radar das autoridades amplia os questionamentos sobre a eficácia do modelo adotado entre 2019 e 2024.

Um modelo estruturado para crimes no sistema financeiro.
Não se trata de atribuir a Paulo Guedes ou Roberto Campos Neto responsabilidade por eventuais irregularidades investigadas pela Polícia Federal. A questão é mais profunda. Foi sob a condução deles que o Brasil trocou um sistema concentrado, fortemente supervisionado e dominado por poucos bancos por um ecossistema financeiro pulverizado, interligado e orientado pela lógica da expansão acelerada.
 
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Richard Gere, Trump e Bolsonaro: O desabafo do ator que serve de alerta ao Brasil.


Em forte depoimento no Oslo Freedom Forum, o ator Richard Gere lamentou não ter feito mais para impedir a vitória de Donald Trump, deixando uma lição crucial para o Brasil não repetir o erro com o clã Bolsonaro.
Por: Antonio Mello

Num depoimento durante o Oslo Freedom Forum, conferência Global sobre direitos humanos e democracia, o ator Richard Gere, mundialmente famoso por Pretty Woman, falou sobre o desmonte que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez nos programas sociais e nas realizações democráticas do governo do país. Gere faz também uma autocrítica que serve também para nós aqui no Brasil. O ator se questiona, diz que deveria ter feito mais para impedir que Trump viesse a ser presidente novamente.

É uma reflexão que vale para nós aqui no Brasil, que também permitimos a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e agora somos ameaçados com a candidatura de seu filho Flávio à eleição presidencial deste ano. A reflexão de Richard vale para nós: o quanto não nos esforçamos mais para impedir a eleição de Jair Bolsonaro, quando não fomos mais às ruas, às redes, o quanto não comunicamos mais com os nossos amigos, colegas, informando do perigo da eleição de Jair Bolsonaro naquele 2018. Não podemos cometer o mesmo erro com seu filho Flávio Bolsonaro agora em 2026.

Richard Gere não tem essa oportunidade mais. Donald Trump foi reeleito. Mas nós temos essa chance, não podemos cometer o mesmo erro novamente de não darmos tudo de nós para impedir a vitória de uma candidatura que levará o país ao caos, que vai destruir o que resta dos direitos e garantias trabalhistas, que vai entregar nossas riquezas para os Estados Unidos, vai privatizar Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil… porque destruir o que foi construído ao longo do tempo é fácil. Vimos isso nos governos Temer e Bolsonaro. Por isso vale, e muito, a reflexão de Richard Gere.

    Estamos vivendo o momento mais sombrio que já presenciei neste planeta. Quem imaginaria que os Estados Unidos chegariam a esse ponto? Quem imaginaria que um maníaco como esse seria presidente dos Estados Unidos? E desmantelaria, espera, espera, não, não.

    Isso é algo que precisamos realmente discutir. [Ele poderia]Desmantelar todas as coisas boas. Os Estados Unidos nunca foram um lugar perfeito, mas têm um ideal de perfeição para o qual caminham, e sempre caminharam, e se autocorrigem.

    No primeiro dia, esse cara desmantelou quase tudo de bom que havia no governo e no povo americano. Como isso é possível? Porque fomos dormir, espera, espera. Fomos dormir. Não nos importamos. Não votamos.

    Não demos ouvidos de verdade. É claro que eu não votei nesse cara, mas não me esforcei o suficiente para convencer as pessoas ao meu redor, próximas e distantes, de que era uma loucura eleger essa pessoa como presidente dos Estados Unidos. Então, todos nós temos que assumir a responsabilidade por isso.

    Mas como foi rápido, em questão de semanas, ele desmantelou a América. Veja como nosso mundo pode ser tirado de nós tão rapidamente. Se cochilarmos.

    E precisamos estar atentos aos sinais. Precisamos estar atentos a esses sinais. Essa ditadura dos monstros.

    Como tudo acontece rápido. Precisamos estar vigilantes. Não podemos ficar de braços cruzados e pensar: “Ah, a vida é boa”.


    Estou bem. Sabe, tenho comida. Tenho dinheiro.
    Tenho minha casa. Tenho outro carro. Estou pensando nisso.
    Estou bem. Eu sei que ele é uma pessoa ruim, mas tudo bem.”


    Mas não está tudo bem. Não está tudo bem. Nunca está tudo bem.

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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Trump revela que quer interferir na eleição brasileira.


Presidente dos EUA compartilhou artigo que o Brasil "é o próximo".
 
Por: Yuri Ferreira 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou na terça-feira (23) um artigo do site americano Newsmax que apresenta a eleição presidencial brasileira de 2026 como a próxima a ter interferência da extrema direita depois dos resultados eleitorais preliminares favoráveis à Abelardo de la Espriella na Colômbia. A publicação foi reproduzida por Trump em sua rede social, a Truth Social. No texto, o Brasil é descrito como a principal potência política da região e a próxima disputa de grande relevância no hemisfério. O artigo afirma que, após vitórias de forças políticas alinhadas à direita em outros países latino-americanos, a eleição brasileira poderá redefinir o cenário político regional.

Segundo a análise assinada pelo jornalista John Gizzi, ainda haveria quatro grandes desafios para Trump na região: Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil. O texto afirma que “a eleição já está gerando intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa por todos os lados”. O artigo também sustenta que Trump acumula “oito vitórias em sete anos” na América Latina, mencionando mudanças de governo em países como El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile, Peru e, mais recentemente, Colômbia. A publicação argumenta que uma eventual mudança política no Brasil alteraria significativamente o mapa político da região. A repercussão ocorre poucos dias após Trump fazer comentários sobre a situação política brasileira em entrevista ao site Axios. Na ocasião, o presidente norte-americano declarou que observou o cenário do país e comentou sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.“Não sou fã dele, nem desgosto. Realmente não penso nele. Não estou nem aí. Mas agora ele é um tipo de pessoa diferente. Muito volátil. Eu vi como ele fez um discurso. Foi muito volátil, e tudo bem”, afirmou Trump.

Na semana passada, o republicano também declarou que o Brasil se tornou um ambiente “um pouco difícil” e “politicamente perigoso”, após participar da cúpula do G7. As declarações foram dadas em resposta a perguntas sobre contatos mantidos com Lula durante o encontro realizado na França.

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Comissão apura obra de saneamento abandonada em Guarapari (ES).


DA REDAÇÃO

A Comissão de Saúde recebeu, nesta terça-feira (23), equipe da Cesan e representantes da comunidade para falar sobre a situação de obras de saneamento no bairro Condados de Meaípe, em Guarapari. A agenda se refere a denúncias de abandono das obras referentes à complementação do sistema de esgotamento sanitário pela empresa contratada para o serviço. Vale lembrar que, em março, a Comissão de Saúde fez visita técnica em bairros de Guarapari e passou pelo bairro Condados de Meaípe. Segundo o deputado Zé Preto (Podemos), solicitante da reunião, a empresa abandonou a obra sem justificativa. “Essa empresa pegou um serviço público para fazer e simplesmente não entregou. Nós precisamos de uma resposta. E mais: a empresa tem que ser banida de novos contratos públicos”, afirmou o parlamentar.

O presidente do colegiado, deputado Dr. Bruno Resende (União), disse que o colegiado está acompanhando o caso. “Nós fizemos contato com a empresa Terral Construtora, que é a contratada para executar essa obra. Não tivemos resposta até o momento. Nós estamos falando de saneamento básico, que é uma coisa tão primária no dia a dia da comunidade”, disse Dr. Bruno.

Cesan.
A gerente de obras da Cesan, Amanda Bragatto, explicou a atual situação do contrato e do serviço: “O contrato com essa empresa está vigente. E realmente a empresa contratada desmobilizou o canteiro de obras, porém, não houve o rompimento do contrato. Essa empresa não é do Espírito Santo. Há divergência contratual para lidar e também nós precisamos fazer uma alteração no projeto, que já está em andamento dentro da Cesan. Mas isso leva em torno de 60 dias, E temos um processo administrativo aberto para apurar a responsabilidade dessa desmobilização do canteiro de obras”, disse a gerente.

Questionada sobre a parte financeira do contrato, a gerente explicou que a empresa executou 40% do contrato, mas não há valores pendentes. “A empresa não tem valor retido. O que foi feito até o momento, foi pago. Serviços que não foram entregues por completo, não foram pagos”, garantiu.

Cobrança.
A reunião também contou com a presença do deputado Fábio Duarte (PDT), que cobrou uma posição mais firme da Cesan junto à contratada. “A população de Guarapari não pode ficar refém de uma empresa que não cumpre o contrato. O tempo vai passando e a população vai ficando à mercê desses problemas. A Cesan precisa ter uma posição mais firme e buscar juridicamente o que é possível fazer e até romper esse contrato, se for o caso”, pontuou. Representando a comunidade, o morador Domingos Maciel relatou que a parte da obra que foi entregue também apresenta problemas. “A Cesan é a responsável por essa obra e nós queremos uma solução. O descaso é grande. A obra está abandonada e a verdade é que o pouco que foi feito é de péssima qualidade. O bairro está cheio de valas e buracos, o asfalto mal feito, cheio de relevos, fora os alagamentos. Está um caos”, contou.

A Comissão de Saúde cobrou uma atitude mais enérgica do poder público. “A Cesan está querendo resolver de um jeito muito calmo e amigável. Infelizmente, nesse ponto do problema, não tem como ser por essa via. Não tem como aceitar isso e ficar esperando a revisão do projeto e revisão contratual, que segundo a Cesan pode levar pelo menos 60 dias. Então, a comissão vai agir via Ministério Público e dar uma resposta a essa comunidade”, disse o deputado Zé Preto.

“É um descaso com a população. Se tudo isso acontecesse na frente da casa de qualquer autoridade que está aqui, já estaria resolvido. Então, nós vamos notificar o Ministério Público estadual e municipal para resolver o problema, ou pelo rompimento desse contrato, ou por meio dessa empresa fazendo o que tem que ser feito. Mas tem que ter uma solução!”, finalizou o presidente Dr. Bruno.

Fonte: POLÍTICA ES
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terça-feira, 23 de junho de 2026

PF faz operação em banco de bispo Edir Macedo e bloqueia R$ 670 milhões.

Investigadores tiveram acesso a relatórios do 
Banco Central que apontaram irregularidades.

A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem, com o objetivo de desarticular um complexo esquema fraudulento voltado à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, no âmbito da gestão de instituição financeira Digimais, do grupo do bispo Edir Macedo. Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão judicial também autorizou o afastamento do sigilo bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 670.348.945,70.

Durante as investigações, a Polícia Federal teve acesso a relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil que apontaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira. As apurações indicam que o esquema envolveria a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis, com o objetivo de ocultar a real situação econômico-financeira da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle. A prática teria permitido ainda a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas no montante de centenas de milhões de reais.

Também são investigadas operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, além da possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro do órgão regulador. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A CNN busca contato com o banco Digimais.

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domingo, 21 de junho de 2026

Os dois motivos que mais irritaram Lula sobre o envolvimento de Jaques Wagner no caso Master.

 
Por: Bela Megale

Auxiliares de Lula relataram que o presidente ficou muito irritado com o envolvimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no escândalo do Banco Master. Um dos motivos é que Wagner tinha assegurado a Lula que não havia nada que o comprometesse em relação ao grupo de Daniel Vorcaro. A investigação da Polícia Federal, no entanto, mostrou o oposto. O segundo foco de irritação do presidente foi a entrevista concedida pelo senador à Bandnews, na qual falou, sem autorização prévia, do telefonema que recebeu de Lula após ser alvo da Polícia Federal. Além disso, o parlamentar afirmou que não sairia da liderança de governo, a menos que o presidente determinasse, gerando constrangimento ao chefe do Executivo. A avaliação é que não há clima para a permanência de Wagner na liderança pela fragilidade de suas explicações para rebater as acusações do inquérito policial.

Na operação deflagrada na quinta-feira (18), a PF afirma que o senador teria recebido benefícios, como um apartamento de R$ 2,45 milhões por ter atuado a favor do banco Master. Na entrevista, Jaques Wagner admitiu ter pedido para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, comprar o apartamento, sob a condição de que ele recompraria o imóvel posteriormente. A PF aponta outras regalias recebidas pelo senador, como uso de aeronaves particulares e o ingresso para o camarote de um show da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, ao custo de R$ 63,3 mil. Além das benesses, uma empresa do núcleo familiar do senador recebeu transferência de R$ 3 milhões de uma financeira vinculada a Lima, segundo a investigação.

Na segunda-feira, Wagner se reunirá com Lula. Petistas e uma ala do governo trabalham para que ele peça para sair da liderança. 

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Redes de cinema rejeitam filme sobre Bolsonaro antes mesmo da estreia.

 
Publicado por
Diário do Centro do Mundo -

A cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrenta resistência das principais redes de cinema do país antes mesmo de sua estreia. Segundo informações publicadas pelo jornalista Lauro Jardim, no Globo, exibidores demonstram pouco interesse em incluir o longa em suas programações. Entre os motivos apontados está a expectativa de baixo desempenho comercial. Executivos do setor avaliam que o filme pode registrar procura limitada do público, o que reduziria o interesse das redes em reservar salas para a produção.

Outro fator que pesa na decisão é a preocupação com possíveis conflitos envolvendo grupos com posições políticas divergentes. Exibidores temem que a exibição do filme possa provocar tensões entre apoiadores e críticos de Bolsonaro em áreas de circulação dos cinemas. O longa tem como protagonista o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”. Na produção, ele assume o papel do ex-presidente brasileiro em uma narrativa baseada em sua trajetória política.

A resistência ocorre em um momento em que o mercado cinematográfico busca recuperar público e receitas após anos de mudanças nos hábitos de consumo de entretenimento. Nesse cenário, a definição da programação das salas costuma levar em conta projeções de bilheteria e potencial de atração de espectadores. Ainda não há informações sobre o número de cinemas que pretendem exibir “Dark Horse” ou sobre a estratégia de distribuição do filme no Brasil. A produção, porém, já desperta atenção antes do lançamento por causa do tema político e das reações que vem provocando entre exibidores.

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