Seguidores

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Renata Lo Prete domina a entrevista de Lula com a segurança de quem não precisa se colocar como juiz para ter autoridade.


Apresentadora consegue fazer quase 30 perguntas em 40 
minutos tirando respostas importantes do candidato à reeleição.

Por: Jeff Benício

A escolha de Renata Lo Prete para a segunda rodada do programa ‘Entrevista com o Candidato’ foi um grande acerto da direção de jornalismo da Globo. A âncora do ‘Jornal da Globo’ manteve o estilo sereno e pragmático que a tornou uma das melhores entrevistadoras de política e economia da TV. Mesmo com o presidente Lula falando num tom de voz acima, como de costume, ela manteve a sobriedade de quem não precisa se colocar no papel de julgador para exercer autoridade. Ao longo de 40 minutos não houve interrupções bruscas, apenas alguns complementos de perguntas e comentários para fazer o candidato confirmar seus posicionamentos. Outra proeza de Lo Prete foi administrar bem a duração da sabatina: fez cerca de 25 perguntas, abordando temáticas importantes para o eleitor e respeitando os tempos de resposta de Lula. Ela até despertou um sorriso no petista ao reiterar que os dois pensam diferente na questão da governabilidade de um possível quarto mandato.

Foi um diálogo civilizado e esclarecedor entre um político experiente e uma jornalista bem-preparada com total controle da situação. Uma aula de bom jornalismo. Melhor, sem dúvida, do que as entrevistas menos fluídas com os presidenciáveis no 1º turno. O único lapso de Lo Prete, na opinião da coluna, foi não ter questionado o presidente a respeito de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, suspeito de tráfico de influência e corrupção para favorecer empresas junto a órgãos do governo federal.

Na ‘Central das Eleições’, na GloboNews, o veterano Merval Pereira, homem de confiança da família Marinho, dona da Globo, aprovou o desempenho de Lula. “Eu acho que ele foi muito bem”, disse. “Firme, assertivo, sem aquele rancor que apareceu na primeira entrevista.”

https://www.terra.com.br

Acabou a aposentadoria? Vaza 'plano secreto' de Flávio Bolsonaro; mudança de idade choca internet.

 
O candidato à presidência recebeu um plano econômico 
que pede pelo aumento na idade mínima de aposentadoria.

Por: Maria Flor Neder / Licenciado de Contigo

Durante um encontro com representantes do setor empresarial, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro recebeu um plano econômico que previa o aumento na idade mínima de aposentadoria, a diminuição no piso do salário mínimo e a revisão das regras do Bolsa Família. Chamado de Projeto Brasil de Amanhã, o documento foi entregue ao senador na última terça-feira, (13), e pedia pela mudança em diversos setores econômicos no país.

Mudanças previstas no documento.
Entre as mais marcantes, estava o pedido pelo aumento na idade de aposentadoria. Se a proposta for implementada, a idade que, atualmente está em 65 anos para homens e 62 anos para as mulheres, passaria para 67 anos para ambos. Além disso, o plano também defende o fim da vinculação do piso previdenciário no salário mínimo. O plano dos empresário também pedia pela revisão da entrada e permanência nos benefícios do Bolsa Família. Sem uma estimativa em quantas famílias seriam afetadas por essa reforma, o plano tem como objetivo uma reforma no pacote orçamentário, que poderiam chegar em cerca de R$ 139,9 bilhões a curto prazo, de acordo com informações do site Fórum. Vale ressaltar que, apesar de ter recebido o documento, Flávio não chegou a anunciar se deve adotar as mudanças na previdência ou no Bolsa Família.

Elaborado pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal e pela FIL Brasil, o documento escrito por representantes do setor empresarial está ligado à da Associação Comercial de São Paulo.

https://www.terra.com.br/

Transporte coletivo: Lula diz que vai enviar ao Congresso PEC para garantir tarifa zero aos finais de semana com dinheiro de emendas.


Proposta prevê tarifa zero em todas as cidades do país. Proposta foi anunciada pelo presidente em uma publicação nas redes sociais a 10 dias do segundo turno das eleições.

Por Isabella Calzolari, g1 — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai enviar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC) que prevê tarifa zero para ônibus aos finais de semana em todo o país. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a fonte de recurso da medida será por compartilhamento de emendas parlamentares.

    "Agora que o Senado aprovou o fim da escala 6x1 e os trabalhadores terão dois dias de descanso para ter lazer, visitar família, passear e descansar mais, vou mandar uma PEC também para o Congresso Nacional garantindo passe livre no final de semana para todas as cidades que tiverem transporte coletivo nesse país", disse o presidente.

"E aonde vamos arranjar dinheiro? Aí nós vamos compartilhar com as emendas parlamentares para a gente poder garantir que o povo vai passear. O povo vai ficar feliz, deputados vão dar utilidade para suas emendas e a gente vai garantir que valeu a pena o fim da escala 6x1".

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) passa por uma tramitação mais rígida que a de um projeto de lei comum. Para ser aprovada, precisa ser analisada pela Câmara e pelo Senado, com votação em dois turnos em cada Casa, e obter, em cada votação, o apoio de três quintos dos parlamentares: 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores. Se Câmara e Senado aprovarem o mesmo texto, a emenda é promulgada pelas Mesas das duas Casas, sem necessidade de sanção do presidente da República; se o Senado alterar o texto aprovado pelos deputados, ou vice-versa, a parte modificada precisa voltar à Casa anterior para nova análise.

Nos últimos dias, reta final para a votação do segundo turno, o presidente Lula tem anunciado novas medidas populares voltadas para trabalhadores e estudantes. Na terça-feira (13), Lula anunciou o perdão das dívidas de todos os microempreendedores individuais - os MEIs - que estão inscritos na dívida ativa da União e um pix de até R$ 5 mil por beneficiário, sem necessidade de devolução, para investimentos nos pequenos negócios. Um dia depois, a Câmara aprovou as medidas anunciadas pelo candidato petista, que inclui também a ampliação do limite de faturamento para enquadramento de MEI. Lula também prometeu criar o programa Pé-de-Meia para universitários caso seja reeleito para um quarto mandato, a partir de 2027.

O presidente afirmou que o pagamento será de R$ 700,00 durante dez meses e no final de cada ano de curso, depósito em poupança de R$ 2,5 mil. Nesta quarta-feira (14), o Senado aprovou a PEC que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de folga por semana para o trabalhador sem diminuição do salário. A aprovação da PEC por ampla maioria foi uma vitória para o presidente Lula (PT), que transformou o tema em bandeira de campanha. A expectativa é que a proposta seja promulgada no Senado no início da semana que vem. Segundo a campanha de Lula, o petista deve comparecer à cerimônia na Casa legislativa.

https://g1.globo.com

Juristas pedem suspeição de Nunes Marques após bloqueio de canal pró-Lula.


ABJD questiona imparcialidade do presidente do TSE após suspensão do "Exército do Lula" e aponta possível tratamento desigual em relação a grupo ligado a Flávio Bolsonaro.

Por Alícia Bernardes

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) deve protocolou na quinta-feira (15/10) um pedido de suspeição do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por suposta parcialidade na condução de um caso envolvendo o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG). A entidade questiona decisões que suspenderam o funcionamento do grupo, utilizado por apoiadores da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O canal voltou ao ar na noite de quarta-feira (14). A associação pretende ingressar como terceira interessada em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que tramita no TSE a partir de uma iniciativa da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a entidade, a participação se justifica pelo interesse público envolvido e pelos possíveis impactos das decisões sobre a disputa presidencial. A ABJD sustenta que a sequência de medidas adotadas pelo ministro apresenta indícios de tratamento desigual entre as candidaturas. O questionamento tem como foco a condução do processo. Inicialmente, Nunes Marques determinou a suspensão do canal por meio de uma petição administrativa. A medida foi posteriormente revogada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Mesmo após um parecer da área técnica do TSE favorável ao funcionamento do grupo, o presidente da Corte reverteu a decisão e determinou novo bloqueio por 48 horas, além de outras medidas.

Para a ABJD, a sucessão de decisões levanta dúvidas sobre os critérios utilizados pelo tribunal e sobre os efeitos das determinações na comunicação política durante a campanha. A associação destaca que o bloqueio coincidiu com o período de discussão, no Senado, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Na avaliação da entidade, a interrupção de um canal de mobilização de apoiadores de Lula naquele momento exige esclarecimentos sobre a proporcionalidade e os fundamentos jurídicos das medidas.

“Tropa do Flávio”.
Outro ponto levantado pelos juristas é a existência do canal “Tropa do Flávio”, associado à campanha do senador. A ABJD questiona se a Justiça Eleitoral aplicou critérios equivalentes de fiscalização aos dois grupos e cobra esclarecimentos sobre uma possível diferença de tratamento. A entidade considera que a comparação deve ser examinada na análise do pedido, embora a existência de decisões distintas, isoladamente, não comprove favorecimento político. O pedido de suspeição busca levar ao tribunal a discussão sobre a imparcialidade de Nunes Marques na condução do caso. A apresentação da medida, contudo, não significa que tenha sido reconhecida qualquer irregularidade na atuação do ministro. Caberá à Justiça Eleitoral avaliar os argumentos da associação e decidir sobre o pedido, em meio ao debate sobre os limites da intervenção judicial em canais digitais e a igualdade de condições entre candidaturas.

Nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma ala da Corte avalia que Kássio Nunes Marques tem adotado decisões que podem favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), em meio à disputa presidencial. A avaliação é de que o presidente do tribunal tem atropelado procedimentos internos e decisões de corregedores, concentrando a condução de casos sensíveis e levantando questionamentos sobre a isonomia no tratamento das candidaturas. A atuação do ministro tem ampliado o desconforto entre integrantes da Corte, especialmente diante das medidas contra canais digitais ligados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

https://www.correiobraziliense.com.br/

Mendonça paralisa julgamento no TSE após maioria decidir a favor de Lula.


Plenário da Corte entendeu que vídeo que associa "tesouraço" de Flávio Bolsonaro à redução de recursos para programas sociais não é ilegal. Porém, julgamento terá de recomeçar do zero.

Por Renato Souza

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu destaque, ou seja, análise do caso no plenário físico, e suspendeu o julgamento sobre a remoção de um vídeo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando havia maioria formada em favor do petista. O magistrado paralisou o julgamento do caso quando o placar estava 4 a 3 em favor de Lula. O plenário virtual da Corte analisou uma decisão do próprio ministro que mandou retirar do ar um vídeo em que a campanha de Lula critica o “tesouraço” prometido por Flávio Bolsonaro (PL). Mendonça determinou que fosse removido do horário eleitoral o vídeo em que a campanha do PT afirma que os cortes em um eventual governo Flávio serão feitos no Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos.

O ministro entendeu que o “tesouraço” se refere a cortes na estrutura administrativa e à redução de cargos, não à redução de recursos para programas sociais. Mas a maioria do plenário, formado por sete ministros, entendeu no sentido contrário e votou para manter a reprodução do vídeo no horário eleitoral.

Com o pedido de destaque, os votos terão de começar do zero no plenário físico, e a data do julgamento será agendada pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, aliado de Mendonça.

https://www.correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

‘Atos demonstram potencial de virada e uma onda lulista Brasil afora’, afirma cientista política.


Rosemary Segurado aponta que Nunes Marques tem 
'flagrante alinhamento com campanha de Flávio'.

Lucas Krupacz E Maria Teresa Cruz

Um milhão de pessoas participaram do ato em defesa da democracia e em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Eleitores de outras cidades brasileiras também realizaram atos pela reeleição de Lula. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado, diretora do Coletivo Digital, avalia que os atos representam uma “demonstração de força muito importante” e destaca que, embora a mobilização na capital paulista tenha sido a maior, não foi a única. Além disso, aponta que algumas análises têm comparado o cenário às manifestações pelas Diretas Já!, que antecederam o início da redemocratização após a ditadura militar.

“Vimos uma manifestação multitudinária em Recife, por exemplo. A cidade de Campinas também registrou uma manifestação muito significativa. Tudo isso demonstra um potencial de virada, de algo que podemos chamar de uma onda lulista crescendo Brasil afora”, afirma.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), em reação ao movimento das ruas, protocolou um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender o canal “Exército de Lula”, coordenado por André Janones, por suposta disseminação de fake news. O ministro e presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, pediu apuração da denúncia e um parecer da área técnica do tribunal. Na segunda-feira (12), a equipe de apuração indicou que não foi encontrada divulgação de desinformação no canal. O PT avalia entrar com pedido de suspeição do ministro por atuação em favor da campanha bolsonarista. Para Segurado, a postura de Nunes Marques, que foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é de “flagrante alinhamento” à candidatura de Flávio. “É escandaloso, é um posicionamento favorável. Cabe sim ao Partido dos Trabalhadores entrar com uma medida [contra Nunes Marques]”, pontua.

A analista destaca que o canal de WhatsApp, que já supera os 3,7 milhões de seguidores, tem sido uma importante ferramenta de engajamento e de circulação das estratégias da campanha de Lula. “É uma ação democrática, dentro das regras do jogo, ninguém está sendo pago para isso, não há nenhum nível de impulsionamento privado”, enumera. Rosemary Segurado observa que houve uma mudança de postura da campanha de Flávio diante da reação do eleitorado pró-Lula nas ruas. “Há um sinal de desespero da candidatura de Flávio. Logo após o primeiro turno, Flávio estava falando como eleito, como se já fosse presidente. Ele começa a ver que essa tranquilidade está ameaçada porque a candidatura de Lula tem demonstrado reação e força nas ruas. E como eles fazem isso? Usando o expediente de mentiras e de desinformação, para afetar a imagem da campanha de Lula”, reforça.

https://www.brasildefato.com.br

Flávio Bolsonaro usa equipe econômica para prometer ao mercado revisão do fim da 6×1.

 
Daniela Marques ficou responsável por transmitir recado ao mercado; estratégia 
busca evitar exposição do candidato e inclui retomar PEC de bolsonaristas.

Por Cleber Lourenço

Enquanto Flávio Bolsonaro diz que vai votar a favor do fim da escala 6×1, indo contra o que sempre defendeu, aliados do candidato articulam uma estratégia para reverter os efeitos da decisão caso o senador seja eleito presidente. Essa intenção foi transmitida a representantes do mercado financeiro. Segundo apurou o ICL Notícias, o plano envolve disputar o comando da Câmara e do Senado em 2027 e retomar propostas apresentadas por parlamentares bolsonaristas para o tema. A movimentação ocorre apesar de Flávio ter anunciado, na terça-feira (13), que votará a favor da redução da jornada de trabalho, prevista para ser analisada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A preocupação da campanha é fazer as garantias chegarem aos investidores por meio de interlocutores, evitando que o candidato seja diretamente associado à promessa de modificar uma medida que passou a defender publicamente. Duas propostas já protocoladas são consideradas alternativas para essa estratégia. A PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, e assinada pelo próprio Flávio, continua em tramitação no Senado. Outra possibilidade é recuperar a PEC 40/2025, do deputado Mauricio Marcon (PL-RS), que também não foi arquivada. Ambas permitem jornadas flexíveis e remuneração proporcional às horas trabalhadas, em contraste com a proposta que estabelece 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários. A intenção é aproveitar a nova composição do Congresso a partir de 2027 para avançar com uma dessas alternativas. O objetivo político é esvaziar as garantias da redução da jornada, embora a aprovação das PECs não signifique automaticamente a revogação de direitos que eventualmente sejam incorporados à Constituição.

A comunicação com o mercado financeiro ficou sob responsabilidade de Daniela Marques e de outros integrantes da coordenação econômica da campanha. Houve o cuidado de transmitir os compromissos por intermediários para evitar a exposição direta de Flávio. Daniela já havia classificado a discussão sobre o fim da escala 6×1 como “populista e inócua”, posição que contrasta com o apoio anunciado pelo candidato às vésperas da votação.

Encontro com empresários.
Ao anunciar que votaria a favor do fim da escala 6×1, na terça-feira (13), Flávio Bolsonaro já deu sinais que defende mudanças no modelo de jornada previsto na proposta. “Eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou, antes de propor que os trabalhadores tenham liberdade para montar seus próprios horários. O argumento se aproxima das propostas de flexibilização defendidas por parlamentares do PL, que permitem acordos individuais e remuneração por hora. Flávio também alegou que a redução da jornada poderia ampliar a informalidade e defendeu que o governo compensasse as empresas pelos custos da mudança. Mais tarde, durante um evento do MDB, Flávio foi questionado diretamente sobre a possibilidade de modificar a PEC caso fosse eleito presidente. Ele não descartou alterações e afirmou que a discussão deveria ocorrer fora do período eleitoral. “Tem que ser discutido com muita calma, com muita responsabilidade”, disse. Em seguida, transferiu ao Congresso a responsabilidade pela definição das regras: “A própria regulamentação é que vai ter que discutir isso e o Congresso vai discutir”. A declaração ocorre enquanto integrantes de sua campanha transmitem ao mercado financeiro a intenção de retomar propostas alternativas para flexibilizar a jornada em 2027.

No mesmo dia, Flávio participou de um encontro com empresários em São Paulo, que tinha entre os participantes anunciados Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Daniela Marques, integrante de sua equipe econômica. Skaf tem feito críticas à proposta de redução da jornada, que já classificou como uma “irresponsabilidade total” e uma “PEC boca de urna”, além de defender o adiamento da votação para 2027. A Fiesp também financiou anúncios nas redes sociais críticos à medida durante o segundo turno, com gastos de até R$ 7 mil para impulsionar publicações de seu presidente, segundo levantamento da Biblioteca de Anúncios da Meta.

PEC de bolsonaristas já foi usada para tentar esvaziar redução da jornada.

A PEC 40/2025, apresentada por Mauricio Marcon em outubro do ano passado, mantém a referência de até 44 horas semanais e permite que contratos individuais prevaleçam sobre instrumentos de negociação coletiva. O texto recebeu assinaturas de parlamentares como Julia Zanatta (PL-SC), Zé Trovão (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO) e Mario Frias (PL-SP).

Em fevereiro deste ano, Marcon, Caroline de Toni e Sóstenes Cavalcante apresentaram requerimentos para juntar a PEC 40 à proposta do fim da escala 6×1. Na prática, a iniciativa buscava colocar em discussão um modelo alternativo que, se prevalecesse, poderia anular os principais efeitos da redução da jornada. A tentativa não prosperou, mas o projeto permaneceu disponível para uma eventual retomada.

No Senado, Rogério Marinho tentou incorporar o conteúdo de sua PEC à proposta do fim da escala 6×1 durante a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça. A emenda foi rejeitada, assim como outras alterações apresentadas pelo PL sobre contratos individuais, descanso remunerado e regimes diferenciados de trabalho.

Ao todo, senadores do partido apresentaram 19 das 36 emendas examinadas pela comissão, que aprovou a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

PL quer disputar comando da Câmara e do Senado.

A articulação também passa pela eleição dos presidentes das duas Casas do Congresso. O PL considera estratégico conquistar esses postos para influenciar a tramitação das propostas trabalhistas e de outras medidas de um eventual governo Flávio. Na Câmara, integrantes do partido veem a possível reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) como um obstáculo. Por isso, já discutem a apresentação de uma candidatura própria ou o apoio a outro nome capaz de disputar o comando da Casa.

No Senado, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já afirmou que não há perspectiva de negociação para apoiar a permanência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A intenção é disputar a presidência com Rogério Marinho, justamente o autor da PEC que oferece um modelo alternativo ao fim da escala 6×1. Alcolumbre foi responsável por colocar a redução da jornada na pauta do Senado, enquanto Marinho tentou modificar o texto na Comissão de Constituição e Justiça. A disputa pelo comando da Casa, portanto, também envolve parlamentares com posições distintas sobre a proposta. Embora o controle das presidências facilite a definição da pauta, a alteração constitucional exigiria o apoio de pelo menos 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.

A campanha de Flávio trabalha para construir essas condições políticas a partir de 2027. Enquanto o candidato anuncia voto favorável ao fim da escala 6×1, seus interlocutores sinalizam ao mercado financeiro que as regras poderão ser modificadas em um eventual governo.

 https://iclnoticias.com.br

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Quase 90% da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no Rio veio de áreas de milícias, diz levantamento.


Estudo realizado pelo portal Metrópoles aponta que candidato do PL venceu em 268 dos 311 locais de votação em áreas sob controle ou influência de milícias na capital fluminense; diferença nesses territórios chegou a 122 mil votos, quase a totalidade da vantagem registrada na cidade.

Giovanne Ramos

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) venceu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 268 dos 311 locais de votação situados em áreas sob controle ou influência de milícias no município do Rio de Janeiro. Nesses locais, Bolsonaro recebeu cerca de 440 mil votos, enquanto Lula somou aproximadamente 318 mil, uma diferença de 122 mil votos. Os dados foram divulgados pelo portal Metrópoles em levantamento que cruzou resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o mapeamento territorial do Instituto Fogo Cruzado e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Lula ficou à frente em 43 locais de votação, enquanto Bolsonaro venceu nos outros 86,2% dos pontos analisados. A diferença de 122 mil votos nesses territórios corresponde a cerca de 89% da vantagem de Bolsonaro sobre Lula em toda a capital, estimada em 137 mil votos. Fora dos locais mapeados, a diferença entre os candidatos ficou próxima de 15 mil votos. Os números descrevem a distribuição dos votos, mas não comprovam, por si só, que a presença de milícias tenha determinado a escolha dos eleitores ou que os grupos tenham interferido na votação.

Um levantamento de Bruno Pantaleão, pesquisador associado ao Centro de Estudos de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (FGV), também identificou concentração de votos em territórios sob domínio de milícias no Rio. O estudo, realizado com Isabella Montini, analisa a relação entre controle territorial e padrões de votação. Segundo os números citados na pesquisa, Bolsonaro teve, em média, 5,6 pontos percentuais a mais nos locais de votação em áreas de milícia do que nos demais pontos da Região Metropolitana. Douglas Ruas (PL), eleito governador, registrou uma diferença de 4,7 pontos. As estimativas correspondem a cerca de 107 mil votos acima do esperado para Bolsonaro e 84 mil para Ruas. O levantamento também aponta que 83% dos votos recebidos pelo deputado estadual Márcio Correia de Oliveira (União Brasil) e 77% dos votos do deputado federal Antônio Eduardo de Rueda (União Brasil) vieram de áreas sob controle armado.

A concentração de votos nesses territórios, porém, não comprova, por si só, que milícias tenham orientado ou coagido eleitores. Para estabelecer interferência no processo eleitoral, são necessárias evidências específicas sobre a atuação desses grupos.

Histórico de Flávio Bolsonaro inclui homenagem a ex-miliciano.
Antes mesmo dos dados do levantamento serem divulgados, a relação de Flávio Bolsonaro com pessoas associadas às milícias do Rio já era conhecida pelo público. Em um discurso de 2007, quando era deputado estadual, ele criticou tentativas de estigmatizar esses grupos e afirmou que eles poderiam contribuir para a segurança das comunidades. “Há uma série de benefícios nisso”, declarou, conforme o vídeo que voltou a circular nas redes sociais.

Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Bolsonaro concedeu a Medalha Tiradentes ao ex-policial Adriano Magalhães da Nóbrega, mais tarde apontado pelo Ministério Público como liderança do Escritório do Crime. A mãe e a então esposa de Adriano também trabalharam no gabinete do parlamentar. Bolsonaro afirmou durante a campanha de 2026 que a homenagem ocorreu em razão da atuação do ex-policial no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e contestou as acusações feitas contra ele à época. Mais recentemente, mensagens recuperadas pela Polícia Federal e divulgadas pela revista Piauí trouxeram à tona conversas entre Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe, e Maria de Fátima Bezerra Castro, integrante do gabinete de Bolsonaro. Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar uma organização criminosa armada ligada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

As conversas tratavam da destinação de recursos públicos a um projeto esportivo na Taquara, na Zona Oeste do Rio. Em 2023, o gabinete de Flávio Bolsonaro destinou R$ 199.999,79 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), responsável pelo projeto. A Polícia Federal identificou indícios de irregularidades na aplicação dos recursos. Bolsonaro declarou que a destinação seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte, enquanto a entidade contestou os apontamentos.

https://almapreta.com.br

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Em nova ofensiva, Nunes Marques manda apurar canal 'Exército de Lula'.

 
João José Oliveira, Nino Guimarães

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, pediu uma apuração técnica urgente sobre a circulação de conteúdos falsos em redes digitais e no canal 'Exército de Lula', em mais um capítulo do embate com o corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia revogado ontem a suspensão do canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

O que aconteceu.
O presidente do TSE acionou a área de combate à desinformação do tribunal para investigar redes sociais. O ministro Kassio Nunes Marques deu a ordem em uma ação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o deputado André Janones (Rede-MG) e o Facebook. A equipe técnica deve checar se mensagens suspeitas circulam de forma coordenada na internet. O despacho pede urgência para identificar o alcance dos conteúdos no canal 'Exército de Lula' e em outras plataformas digitais. Kassio também convocou uma reunião com representantes das campanhas do Presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro na terça-feira. A medida busca avaliar riscos para a integridade do processo eleitoral. Além disso, a assessoria especializada da Corte precisa informar se já adotou providências anteriores em relação ao caso.

Divergência entre ministros no tribunal.
A determinação ocorre após o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva revogar a suspensão do canal de Janones. O corregedor-geral afirmou que não existiam provas suficientes para tirar o Exército de Lula do ar no WhatsApp. Nunes Marques havia mandado bloquear o canal em três horas antes do fim do prazo de defesa. Cueva anulou a ordem no domingo (11) por entender ser necessária a produção de provas antes de aplicar medidas restritivas. A controvérsia sobre o bloqueio no WhatsApp será levada ao plenário do TSE. Cueva destacou a importância de preservar a competência do relator e exigir dados concretos para sustentar punições.

Disputa de decisões na campanha eleitoral.
O embate expõe visões opostas entre a Presidência do TSE e a Corregedoria-Geral durante o segundo turno. A tentativa de suspensão do canal gerou contraste com a condução de processos abertos pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ações enviadas por petistas contra a campanha de Flávio Bolsonaro tiveram liminares negadas ou adiadas. Em um dos processos, a decisão de remoção imediata formada na maioria virtual foi transferida para o plenário presencial por pedido de destaque. A campanha petista critica a lentidão da Justiça para analisar relatos de abuso e conteúdos manipulados. As discordâncias sobre os critérios no combate à desinformação ampliaram os debates na reta final da disputa presidencial.

https://noticias.uol.com.br/

Atropelo, 'Exército de Lula' fora do ar e retomada: decisões sobre canal de Janones ampliam guerra jurídica no TSE.

 
Depois de duas decisões, canal de WhatsApp que 
já reúne 3,5 milhões de pessoas seguiu no ar.

Por Pepita Ortega , Letícia Pille , Bruno Alfano , Fabio Graner , Guilherme Queiroz , Eduardo Gonçalves e Geralda Doca — Rio.

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) protagonizaram ontem mais um episódio da disputa interna na Corte em um caso com relação direta com a corrida presidencial. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva derrubou uma decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, e manteve no ar um canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, com 3,5 milhões de participantes. Horas antes, Nunes Marques havia atendido a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinado a suspensão do grupo. O caso, porém, já estava sob responsabilidade de Cueva, o que foi visto como um atropelo por especialistas e como tentativa de censura por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última decisão sobre o tema, além de manter ativo o grupo, Cueva determinou o envio do processo ao plenário do TSE. Caberá agora ao próprio Nunes Marques, presidente da Corte eleitoral, liberar o caso para a apreciação dos demais ministros.

Rito alterado.
O canal, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), teve salto de 50 mil para mais de três milhões de seguidores após o fim do primeiro turno. No espaço, o parlamentar distribui “missões” em áudios e vídeos para alavancar mensagens da campanha do PT. No processo que estava sob sua relatoria, Cueva, que é corregedor do TSE, já havia pedido explicações à campanha do PT sobre a eventual disseminação de mensagens falsas, uma acusação feita pela campanha de Flávio. Também pediu ao PL mais informações que pudessem fundamentar a denúncia. O rito comum do processo, porém, foi alterado pelo despacho de Nunes Marques, após análise de representação de cunho administrativo. O presidente do TSE apreciou pleito da campanha de Flávio sobre o suposto descumprimento de termo de compromisso assinado pela Meta, dona do WhatsApp, para evitar os disparos em massa com suposta desinformação. Ambas as ações que chegaram aos gabinetes dos ministros mencionavam o canal “Exército do Lula”. Em resposta, Cueva determinou seu restabelecimento e preservou “a possibilidade de novas publicações e ingresso de seguidores”, até deliberação do plenário. O conflito de decisões ocorreu menos de 24 horas após a petição original ser analisada por Cueva.

Apesar da decisão favorável à campanha do PT, Cueva proibiu que Janones usasse a plataforma para difundir qualquer conteúdo já considerado ilícito pelo TSE, uma prática apontada por Nunes Marques. O ministro do TSE também criticou a amplitude da decisão do colega.

“A liberdade de expressão não constitui obstáculo à repressão de ilícitos eleitorais. Por outro lado, a existência de manifestações ilícitas individualizadas não autoriza, sem demonstração adicional, a restrição de toda a atividade comunicativa desenvolvida em determinado espaço digital”, anotou o magistrado.

Na decisão derrubada, Nunes Marques diz que o canal “se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional”, de conteúdos reconhecidamente falsos pela Corte. O presidente do TSE cita a veiculação, no grupo, de “afirmações” de que Flávio poderia acabar com o título de Nossa Senhora Aparecida, o envolvimento “com a milícia” e as acusações de que o candidato “reduziria aposentadorias”. Desde a votação do primeiro turno, não há registro de casos relacionados ao tema no canal. Em conteúdo divulgado em setembro, O GLOBO identificou links de vídeos redirecionados ao Instagram sobre o caso de Nossa Senhora e às acusações de que Flávio poderia acabar com reajuste de aposentadorias. Essas publicações, porém, continuam no ar. No termo de compromisso assinado pela Meta, quando trata das diretrizes para “canais” no WhatsApp, a plataforma diz que o grupo pode ser suspenso se houver violações de sua política. Um dos motivos é a propagação de “atividade ou conteúdo que propositalmente engane, se passe por outro, ou deturpe intencionalmente”. Em ato na tarde de ontem, em São Paulo, Lula criticou a decisão de Nunes Marques, antes da determinação de Cueva.

— Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir que seja fechado um canal em que um deputado está pedindo para as pessoas votarem em mim.

O ato ocupou dez quarteirões da Paulista. Além de Lula, participaram governadores eleitos do PT e os ex-ministros Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Imagens de apoio ao petista e de Nossa Senhora Aparecida marcaram presença. Na dispersão do ato houve tumulto e depredações. A batalha de decisões gerou mal-estar no TSE. Na Corte, outros casos recentes também geraram atritos: a inelegibilidade de Anthony Garotinho; o mesmo em relação a Deltan Dallgnol; e um despacho que alterou as regras de debate da TV Globo e prejudicou a realização do encontro. Especialistas avaliam que Nunes Marques atropelou o colega do TSE ao se manifestar em um caso administrativo, instrumento equivocado para a decisão. Já Cueva é relator de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo PL, cujo resultado pode ser até mesmo a cassação do mandato.

‘Suspensão é censura’.
Para o advogado eleitoral Alberto Rollo, a suspensão de todo o canal foi um exagero. Segundo ele, é preciso seguir a resolução do TSE para propaganda eleitoral.

— O que o ministro falou na decisão é que o canal estava sendo utilizado para veiculação de notícias sabidamente inverídicas. Então, o remédio que a resolução dá é tirar de circulação a determinada postagem. Não tudo. A suspensão do canal é censura — diz.

O advogado eleitoral Eduardo Damian Duarte afirma que o Brasil tem visto um excesso de procedimentos judiciais com objetivos idênticos:

— Isso acaba levando a parte a escolher o juiz da causa em detrimento da manifestação do plenário do tribunal. Esse é um problema que temos visto no STF.

Já a campanha do PL defendeu a decisão de Nunes Marques e tratou o canal como um meio de disseminação de fake news, algo “escandaloso”. Segundo a candidatura, Janones “não apenas disseminava em massa conteúdos irregulares”, mas ensinava como adotar “posturas que dificultassem o controle pela Justiça Eleitoral”.

https://oglobo.globo.com