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sábado, 31 de outubro de 2026

O que pode acontecer com Flávio Bolsonaro nos EUA se democratas derrotarem Trump no Congresso?


Brasileiros pedem nas redes a políticos democratas a deportação do senador em caso de vitória. Especialistas explicam ao g1 que eventual maioria legislativa de oposição a Trump poderia investigar e fazer pressão política, mas tirá-lo do país é mais difícil.

Por Aline Freitas, g1 — São Paulo 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos a uma semana das eleições de meio de mandato (midterms), que vão renovar toda a Câmara dos Deputados e cerca de um terço do Senado no país. Por conta disso, nas redes sociais, brasileiros têm pedido a candidatos democratas a expulsão do senador dos EUA. A hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre as mais compartilhadas do X no Brasil nesta sexta-feira (30). Mas como as midterms podem afetar a permanência de Flávio, aliado de Trump, no país? Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a deportação ou expulsão do senador não está nas mãos do Congresso. Isso porque as decisões sobre a permanência de estrangeiros nos EUA envolvem órgãos do Executivo, como o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos submetidos ao governo Trump. Mas as Casas poderiam abrir uma investigação para apurar um possível envolvimento das autoridades norte-americanas na fuga do senador brasileiro e se houve algum favorecimento na concessão de vistos para ele e sua família. Além disso, ainda na visão dos especialistas, eventuais investigações e cobranças públicas poderiam ampliar a pressão política sobre o governo Trump e influenciar uma possível decisão das autoridades norte-americanas sobre a permanência de Flávio no país. 

Apesar dessa possibilidade, a avaliação é de que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso. A tendência, segundo eles, é que a oposição concentre esforços em limitar as ações de Trump, especialmente na política econômica e em questões internas, como o custo de vida da população, além de se preparar para a eleição presidencial de 2028.

Entenda mais abaixo:

O Congresso pode expulsar Flávio Bolsonaro dos EUA?
Desde a chegada de Flávio ao território norte-americano, o membro do partido democrata e comentarista político Isaiah Martin tem afirmado nas redes sociais que, com uma possível maioria democrata no Congresso, o senador seria deportado. Contudo, como avaliam os especialistas, essa possibilidade é remota. “Não se pode pensar que o Congresso tem o poder de deportar alguém. Isso não está na sua incumbência, não está na sua jurisdição", explica Roberto Uebel, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM) e professor de Relações Internacionais da ESPM. Vitelio Brustolin, professor no departamento de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que a concessão ou a revogação de vistos é uma atribuição do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio. O professor explica também que há diferenças entre deportação, revogação de vistos e expulsão. A revogação do visto não implica a saída automática de um estrangeiro dos EUA. Já a deportação envolve um procedimento legal para determinar sua retirada do país. A expulsão pode levar à saída obrigatória, conforme as regras migratórias aplicáveis. Apesar disso, os democratas poderiam usar uma eventual maioria no Congresso para pressionar o governo de Trump a prestar esclarecimentos sobre a entrada e a permanência do senador brasileiro no país.

Uebel avalia que esse tipo de cobrança poderia aumentar o desgaste político do governo Trump e influenciar decisões das autoridades responsáveis pela situação migratória do senador. No entanto, ressalta que o caso brasileiro dificilmente ocupará um lugar central na agenda dos democratas. Tomaz Paoliello, coordenador do mestrado em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais na Puc-SP, por sua vez, também reconhece a capacidade de pressão política do Congresso, mas considera pouco provável que ela resulte em medidas concretas contra Flávio.

    “Um Congresso poderoso, a gente sabe, conhecendo a história dos EUA, consegue fazer pressão sobre as instituições burocráticas”, explica. “Particularmente, no caso do Flávio Bolsonaro, não é uma coisa tão importante - ou pelo menos eles não têm dado muita importância”, afirma.

Investigação sobre atuação do governo Trump.

Uma eventual maioria democrata no Congresso poderia abrir investigações para apurar se autoridades do governo Trump ofereceram algum tipo de favorecimento a Flávio Bolsonaro e sua família. As apurações poderiam aumentar a pressão política sobre o Executivo e influenciar uma possível decisão sobre a permanência do senador no país, embora não tenham o poder de determinar sua deportação. Segundo Brustolin, uma comissão parlamentar poderia investigar se houve tratamento excepcional na concessão de vistos, na autorização de entrada no país ou na manutenção do status migratório do senador.

“Para abrir uma investigação parlamentar basta a Câmara dos Deputados. Então não seria necessário conquistar simultaneamente maioria no Senado”, explica.

Uebel avalia que uma das principais medidas poderia ser a convocação do secretário de Estado, Marco Rubio, para prestar esclarecimentos sobre a atuação do governo norte-americano no episódio. Caso fossem identificadas irregularidades ou abusos de poder, as apurações poderiam dar origem a outras medidas contra as autoridades envolvidas, mas não teriam o poder de determinar a revogação do visto ou a saída de Flávio dos EUA. Brustolin destaca ainda que o acesso dos parlamentares às informações migratórias não seria irrestrito. Documentos sobre vistos e comunicações do governo podem estar sujeitos a regras de confidencialidade e a questionamentos do Executivo.

    “Tem também uma espécie de privilégio do Poder Executivo. A Casa Branca pode invocar privilégios e objeções legais para reter determinadas comunicações presidenciais”, explica. "Isso não cria imunidade absoluta contra investigações, mas pode provocar disputas sobre a extensão do acesso a documentos e testemunhos.”

EUA têm outras prioridades.

Apesar da possibilidade de abrir investigações e pressionar o governo, os especialistas avaliam que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso. Para Paoliello, as eleições de meio de mandato estão concentradas principalmente em questões internas do país, como a economia e o custo de vida da população. O professor avalia que uma eventual maioria democrata deve dificultar a aprovação de novas leis e propostas orçamentárias do governo Trump. Ao mesmo tempo, os democratas devem buscar apresentar medidas voltadas à população, já de olho na disputa presidencial de 2028. Roberto Uebel, por outro lado, acredita que a principal prioridade dos democratas será abrir um processo de impeachment contra Trump.

    “A dúvida é se eles querem destituí-lo de fato ou arrastar um longo processo de impeachment para desgastar ao máximo o presidente Trump e os republicanos, olhando já para as eleições presidenciais de 2028”, afirma.

Paoliello discorda dessa avaliação. Segundo ele, as tentativas de destituir o presidente Trump que já ocorreram não deram um resultado político favorável aos democratas já que o republicano voltou ao poder. Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato. O primeiro, em 2019, envolveu acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso após pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden. O segundo, em 2021, ocorreu após a invasão do Capitólio por seus apoiadores. Em ambos os casos, a Câmara aprovou o impeachment, mas o Senado absolveu o republicano.

O que disseram os democratas sobre a fuga de Flávio?

Após a chegada do senador aos EUA, um grupo de políticos democratas do Congresso questionou, em carta ao secretário de Estado Marco Rubio, o papel que o governo Trump desempenhou na fuga de Flávio e o processo de emissão de vistos para ele e sua família. A carta, obtida pela repórter da TV Globo Raquel Krahenbuhl, foi enviada ao Departamento de Estado norte-americano na noite de quinta-feira (29). Segundo o site norte-americano Politico, a carta é assinada por um grupo de 25 democratas da Câmara dos Deputados, liderado pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus. Entre os signatários, estão membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara — o órgão inclusive criticou publicamente a entrada de Flávio Bolsonaro.

    "A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?", afirmou a carta.

Apesar da mobilização, Tomaz Paoliello avalia que a situação ainda tem pouca relevância no debate eleitoral norte-americano.

"Eu acho que os democratas, nesse momento, poderiam pegar isso como uma causa se eles sentissem que isso pode impactar nas eleições", diz. "[Mas] esse tema especificamente de política externa não tem sido muito forte".

Para ele, isso se dá porque as eleições para o Congresso focam mais em questões internas dos EUA do que a posição de Trump em relação a outros países. O que dizem as pesquisas sobre as midterms?

Senado.
Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro.
 
Center for Politics da Universidade da Virgínia.
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 14 de outubro, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 49 cadeiras
    Republicanos: 46 cadeiras
    Disputas indefinidas: 5 cadeiras
 
Race to the WH.
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 22 de outubro, a previsão era a seguinte:

    Democratas: 52 ou 53 cadeiras
    Republicanos: 47 ou 48 cadeiras
    Chance de vitória dos democratas: 72,5%

 
270toWin.
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 48 cadeiras
    Republicanos: 48 cadeiras
    Disputas indefinidas: 4 cadeiras

 
Câmara dos Deputados.
De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no dia 19 de outubro apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano.
 
Center for Politics da Universidade da Virgínia.
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 20 de outubro, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 223 cadeiras
    Republicanos: 200 cadeiras
    Disputas indefinidas: 12 cadeiras

 
Race to the WH.
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 22 de outubro, a previsão era a seguinte:

    Democratas: 236 cadeiras
    Republicanos: 199 cadeiras
    Chance de vitória dos democratas: 92,2%
 
270toWin.
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição da Câmara após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

    Democratas: 220 cadeiras
    Republicanos: 200 cadeiras
    Disputas indefinidas: 15 cadeiras


https://g1.globo.com 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Do visto humanitário ao risco de deportação, entenda a situação jurídica de Flávio Bolsonaro após a fuga para os EUA.

 
Autorização recebida pelo senador para ficar no país dura um ano e pode ser renovada; extradição dependeria de ordem de prisão e aval da Justiça americana.


Por Eduardo Gonçalves — Brasília.

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após derrota eleitoral no domingo, deixou uma série de questionamentos sobre a atuação de autoridades brasileiras, argentinas e americanas no episódio. Alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em supostos esquemas de lavagem de dinheiro, Flávio estava com os passaportes brasileiros cancelados, mas não possuía nenhum mandado de prisão em aberto ao deixar o país. O GLOBO esclarece a seguir as principais dúvidas sobre o caso. 

Flávio Bolsonaro pode ser extraditado dos EUA?

Antes de um eventual pedido de extradição, é preciso que a Justiça brasileira emita alguma ordem de prisão que justifique a medida, o que não ocorreu. O Brasil possui um acordo de extradição com os EUA desde 1961. Mas isso não quer dizer que Flávio Bolsonaro será automaticamente preso e enviado de volta ao seu país em caso de pedido das autoridades brasileiras. Cabe à Justiça dos Estados Unidos decidir se as acusações contra ele são válidas no território americano para autorizar uma eventual extradição.

Mesmo sem um pedido de extradição, Flávio pode ser deportado?

Nas atuais condições, não. Mesmo com o passaporte cancelado, o senador está autorizado a permanecer em território americano após uma autorização normalmente concedida a imigrantes por “razões humanitárias”. No documento de imigração do parlamentar, consultado pelo GLOBO, consta a classe de admissão “DT”. Na prática, a sigla indica que a permissão foi concedida no próprio local de entrada por meio de uma autorização temporária, não por causa de um visto previamente concedido.

Quanto tempo dura a autorização por ‘razões humanitárias’?

Emitido em 28 de outubro de 2026, o registro autoriza a permanência de Flávio por um ano, ou seja, até 27 de outubro de 2027, mas pode ser revogado. Inicialmente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou que o país emitiria vistos para o senador e sua família. O dado da entrada de Flávio, entretanto, indica que isso ainda não foi feito.

Como Flávio vai se manter financeiramente nos Estados Unidos?

Flávio tem mandato de senador pelo Rio de Janeiro até fevereiro de 2027, com salário de R$ 46.366,19. Até o momento, o parlamentar não pediu licença do cargo nem indicou que abrirá mão dos valores enquanto não estiver no Brasil. No pedido para reter o passaporte do parlamentar, a Polícia Federal (PF) afirmou que Flávio conta com uma “estrutura” financeira e o “expressivo poderio econômico” de investigados para se manter nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, parte desse dinheiro viria do seu amigo Willer Tomaz, que está nos EUA desde agosto e é suspeito de movimentar R$ 5 bilhões em plataformas de apostas. Além disso, a PF afirma que o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, já mantém uma “estrutura voltada à permanência de longa duração”.

A saída do país pode levar o ministro Alexandre de Moraes a tomar novas medidas?

Doutor em Direito Processual Penal pela Universidade de São Paulo (USP), Renato Stanziola Vieira afirma que são “possíveis e viáveis” novas medidas processuais, mas dependem de pedido da PF e do Ministério Público Federal (MPF). Moraes é relator no Supremo da investigação contra Flávio que apura suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas a Willer Tomaz. Segundo Vieira, o fato de Flávio não ter cumprido a ordem para entregar o passaporte, determinada por Moraes, e ter deixado o país podem justificar novas medidas contra o senador: — A decisão de Flávio pode significar um risco ao andamento da investigação e, portanto, justificar a imposição de outras medidas além das já decretadas, inclusive uma eventual prisão preventiva. O comportamento processual do investigado pode ter colocado esse próprio investigado numa situação de risco da manutenção da sua liberdade.

Por que a PF deixou Flávio cruzar a fronteira e sair do Brasil?

A corporação argumenta que não há ordem de prisão e, por isso, não poderia fazer ações de vigilância ou adotar medidas cautelares que impedissem a circulação de Flávio. A única medida tomada até agora em relação ao senador foi o cancelamento dos passaportes brasileiro e diplomático, conforme ordenou o ministro Alexandre de Moraes. Na região da Tríplice Fronteira, entretanto, não há necessidade de apresentação de passaporte para quem deixa o Brasil. O local é uma “área de controle integrado (ACI)”, que reúne no mesmo local agentes de aduana, imigração, vigilância sanitária e transporte de ambos os países. Nestes pontos, motoristas podem ser obrigados a parar para a verificação de documentos e dos veículos, mas como o fluxo é muito grande, essa fiscalização não costuma ser feita de forma ostensiva. Segundo dados levantados pela GloboNews, cerca de 23 mil pessoas e 8 mil veículos passam por dia pela ponte Tancredo Neves, que teria sido usada por Flávio para atravessar de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Puerto Iguazú, na Argentina. 

A PF ainda tenta esclarecer se Flávio, de fato, passou por um posto de controle migratório brasileiro e não foi cobrado a apresentar os documentos. Segundo os investigadores, não há registro formal de saída dele e de seus familiares nas aduanas brasileiras. Segundo informações do Ministério da Segurança da Argentina, Flávio atravessou a ponte às 22:50h da terça-feira. No controle migratório do aeroporto argentino, o político apresentou o seu passaporte italiano às 23:52h.

Qual foi o trajeto de Flávio no Brasil até chegar na Argentina?

Ainda há poucas informações sobre isso. Jornais argentinos afirmam que após deixar Brasília, entre a noite de segunda-feira e a terça-feira, Flávio teria ficado com a família em uma fazenda em Foz de Iguaçu, no Paraná, e atravessado a fronteira até a Argentina de van, contratada junto a uma agência brasileira de turismo. Contatado pelo GLOBO, o dono da empresa negou ter feito o traslado do senador e familiares. Uma outra hipótese é que Flávio entrou na Argentina por via aérea, com um avião privado. A colunista Malu Gaspar, do GLOBO, revelou que um jato que pertence ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, voou de Brasília para San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, na manhã de terça-feira.

Quem ajudou Flávio a deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos?

A PF trabalha com a suspeita de que Flávio contou com o apoio do governo argentino de Javier Milei para empreender a saída do país. Entre os indícios está a presença de um assessor do presidente na região da Tríplice Fronteira, que estaria monitorando de perto a operação. Parlamentares argentinos que fazem oposição a Milei estão cobrando explicações do seu governo, como se houve o emprego de agentes de inteligência e recursos públicos na empreitada. O governo de Donald Trump também indicou que estava ciente da ida de Flávio aos Estados Unidos. O Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio, informou na tarde de terça-feira que iria conceder vistos ao senador e seus familiares e que sua entrada nos EUA estava autorizada. Segundo a coluna de Bela Megale, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro também ajudou na articulação da fuga do irmão. Conforme a reportagem, ele foi peça central na disseminação de desinformação para despistar que Flávio estava saindo do Brasil pela Argentina. Aliados de Eduardo propalaram o plano de que ele havia viajado via Venezuela. O entorno do senador passou a terça-feira dizendo que estavam sabendo da ida aos EUA pela imprensa e que o parlamentar estava incomunicável.

https://oglobo.globo.com

 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Qual o futuro do bolsonarismo após Flávio Bolsonaro ir para os EUA?


Mariana Schreiber
Role, De Brasília para BBC News Brasil

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, após ser derrotado na eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixa em aberto o futuro do bolsonarismo. Na quarta-feira (28/10), o candidato derrotado divulgou um primeiro pronunciamento escrito, em sua conta na rede social X, em que se autodeclarava "o verdadeiro presidente do Brasil" e dizia que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Depois, apagou essa manifestação e publicou uma outra, quase idêntica, reafirmando a suposta fraude, mas se declarando "o líder do Brasil" em vez de "o verdadeiro presidente". Flávio Bolsonaro disse ainda que vai liderar a oposição a Lula dos Estados Unidos.

"Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista", reforçou na manifestação.

Analistas políticos, porém, são céticos sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro liderar a oposição e o movimento bolsonarista de fora do país, ao lado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Os principais partidos políticos brasileiros também reconheceram a vitória de Lula, incluindo o PL. Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a atuação dos irmãos nos Estados Unidos não terá apoio da maioria da sociedade. Ele lembra que o tarifaço adotado pela Casa Branca contra o Brasil para tentar impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, após articulação de Eduardo Bolsonaro no ano passado, foi mal visto pela maioria da população.

"É muito claro que Flávio vai pra lá tentar fazer uma articulação de fora pra dentro. Agora, quanto a classe política brasileira, inclusive o próprio PL, vai dar ressonância? Ao que parece, os partidos, quase de maneira uníssona, até o PL, já abriram mão de contestar qualquer coisa em relação à eleição de Lula", disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quis comentar a autodeclaração de Flávio como "verdadeiro presidente", ao ser questionado por jornalistas.

"Eu não vou fazer um comentário sobre isso, mas eu sei que nós demos a ele um visto para entrar no país, então vamos ver. Mas eu não vou me envolver, foi uma eleição muito estranha, isso com certeza", disse Trump.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou um pronunciamento em que diz entender a "revolta" de Flávio, mas não apoia sua contestação do resultado eleitoral.

"O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia".

Flávio Bolsonaro deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a apreensão de seu passaporte, atendendo a um pedido da Polícia Federal em um inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro do senador em parceria com o seu amigo Willer Tomaz, advogado e empresário. O senador nega as acusações e disse, em seu pronunciamento, sofrer "perseguição política" com objetivo de "silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista".

Os especialistas entrevistados se dividem sobre o futuro do bolsonarismo após uma série de reveses da família: duas derrotas presidenciais seguidas, a prisão de Jair Bolsonaro (PL) e o êxodo de seus dois filhos com maior projeção política. Por outro lado, a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro (PL) estreará em 2027 em seu primeiro mandato eletivo, como senadora pelo Distrito Federal. Já os filhos Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan (PL), que até então só haviam atuado como vereadores, também chegarão ao Congresso Nacional no próximo ano — Carlos como senador e Renan como deputado federal, ambos por Santa Catarina. Os analistas apontam ainda outros nomes que poderiam liderar o movimento e ampliar seu alcance, com destaque para Tarcísio de Freitas, que se projetou nacionalmente com apoio de Jair Bolsonaro, mas é visto como alguém que tem certa autonomia da família e acaba de reeleger no primeiro turno para governar o Estado mais rico do país.
 
A cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), diz que o bolsonarismo se organiza como um "partido digital", com uma organização coordenada nas redes que está para além da estrutura tradicional de uma legenda política. Na sua avaliação, isso garante uma base sólida para o movimento.

"A derrota presidencial é uma derrota importante, mas o bolsonarismo vai continuar forte porque ele tem hoje um partido que o organiza, que a gente chama de partido digital bolsonarista".

"Agora, o que vai acontecer é que a liderança do Flávio, que vinha sendo construída, que talvez até pudesse ter ganhado a eleição, vai ficar muito fraca, provavelmente vão subir outras lideranças, e o partido tem muitas opções".

Além de Tarcísio, Costanzo destaca outros nomes que se fortaleceram nesta eleição, como Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná; Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais; ou o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), embora ele ainda seja novo para disputar a Presidência da República. Já no clã Bolsonaro, vê Michelle Bolsonaro com mais potencial — ela se projetou como liderança política na presidência do PL Mulher, alavancando a eleição de candidaturas femininas na sigla.

"Michelle continua muito forte. Ela tem vida própria, 
não depende só do resto da família estar bem".

Na terça-feira (27/10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a futura senadora. Em post no Instagram, disse que a recebeu "para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente". Por outro lado, Costanzo não vê Carlos e Jair Renan com potencial para liderar o campo bolsonarista.

"Agora, com a queda do Flávio, já são dois irmãos que estão fora do Brasil, os dois com muito problema na Justiça. Eu acho difícil que um Carlos ou Jair Renan como próxima liderança. Eles têm menos estofo do que o resto das lideranças difícil de embalar mudanças".

Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV, vê dificuldades para Michelle, Carlos ou Jair Renan assumirem a liderança do movimento e aposta em lideranças de fora do clã familiar. Michelle, ressalta, sempre teve conflitos com os filhos do presidente e chegou a brigar publicamente com Flávio Bolsonaro na pré-campanha. Carlos, continua, tem perfil mais de bastidor, tendo atuado na comunicação digital do grupo durante o governo do pai. E Renan é "infantil" e "sem qualquer projeção política", na sua percepção.

"Vai haver uma lacuna. Então, talvez essa seja uma oportunidade também de os partidos que se dizem mais à direita diminuírem a sua dependência da família e buscarem outras lideranças", ressalta.

'Bolsonarismo atuará em três frentes: no Congresso, nas redes e na articulação a partir dos EUA'. Professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e um dos autores do livro Bolsonarismo e o Brasil Profundo, Fábio Baldaia considera que o movimento se manterá forte mesmo após a derrota de Flávio e sua saída do Brasil. Na sua visão, o bolsonarismo é uma movimento que aglutinou diferentes sentimentos e práticas que já existiam no Brasil antes da ascensão de Jair Bolsonaro, como "a relação entre política e religião, um certa concepção da moralidade pública, e uma relação entre Estado e mercado". Isso, diz, o fortalece.

"Então, mesmo com essa fuga de Flávio, o bolsonarismo não vai ser enterrado, porque esse movimento fez um partido que integrava um grupo de partidos não ideológicos, que compunham o que se chama de Centrão, que é o PL, virar o maior partido brasileiro no Congresso", afirma.

"Eles têm muita força no Senado e na Câmara, têm lideranças jovens como Nikolas Ferreira, o Lucas Pavanato [eleito deputado federal mais votado de São Paulo] e outras lideranças importantes. Tem o governador do principal Estado da federação, [Tarcísio de Freitas], que atua dentro da institucionalidade com muita habilidade", continua.

Para Baldaia, o bolsonarismo agora atuará a partir de três frentes. A primeira delas "por dentro da institucionalidade, como se fosse antissistema, talvez tentando articular o impeachment do presidente reeleito e de ministro do STF". A segunda, "mobilizando a opinião pública a partir de pautas que geram engajamento", por meio da atuação nas redes de Nikolas Ferreira e outras lideranças. E a terceira com Flávio, reforçando a articulação de Eduardo Bolsonaro para uma oposição a partir dos Estados Unidos, com outros influenciadores e aliados que estão lá. 'Ostracismo do bolsonarismo pode levar ao fortalecimento de uma direita menos extremista'

Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a família Bolsonaro está em seu momento de maior fragilidade após acumular derrotas nas disputas presidenciais e na Justiça. Na sua visão, esse momento pode favorecer a ascensão de lideranças menos radicalizadas dentro do movimento.

"Há um núcleo dentro do bolsonarismo que não se liga às ideias mais radicalizadas e que, obviamente, na ausência das figuras do clã, vai buscar outras alternativas. Então, talvez a gente tenha um ostracismo do bolsonarismo e o fortalecimento de uma direita menos extremista e radicalizada", analisa.

"Jair Bolsonaro e Flávio, claro que têm capital político, mas também têm rejeição altíssima. E essa rejeição espanta o centro, o eleitor mais moderado. Então, eu creio que pode ocorrer um deslocamento do eixo do poder do sobrenome do clã para outra figura que cresceu no bojo do bolsonarismo, como Tarcísio, que é um presidenciável natural como governador de São Paulo, ou até mesmo Michelle Bolsonaro", reforça.

https://www.bbc.com/ 

Deputados argentinos cobram Milei por viagem de Flávio Bolsonaro | G1.


Deputados argentinos acusam Milei de facilitar fuga 
de Flávio e pedem reconhecimento da vitória de Lula.

Documento assinado por parlamentares de diferentes blocos pede explicações de três integrantes do governo argentino e cobra reconhecimento formal da vitória de Lula. Deputados de diferentes blocos políticos da Argentina divulgaram, nesta quarta-feira (28), uma declaração em que cobram explicações do governo de Javier Milei sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país, a caminho dos Estados Unidos. No documento, os parlamentares acusam o governo argentino de ter facilitado a viagem do candidato derrotado. Flávio fugiu do Brasil na última terça-feira (27) após perder as eleições presidenciais de domingo (25) e seguiu para os Estados Unidos, passando pela Argentina e pelo Equador.

Os deputados pedem que o Executivo responda com urgência aos pedidos de esclarecimento apresentados pelo Congresso e convoque três integrantes do governo para prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados.

Os convocados são: 
O chefe de gabinete, Diego Santilli,
A ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva
O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno. 

Os parlamentares argumentam que a relação entre Argentina e Brasil tem importância estratégica e está ligada à história compartilhada pelos dois países. O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e duas filhas. Segundo o órgão argentino, os quatro apresentaram documentos válidos para viajar, não tinham impedimentos legais para entrar na Argentina e passaram pela fiscalização sem incidentes. Segundo o jornal "Clarín", o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, declarou que o governo argentino tomou conhecimento do resultado eleitoral, mas não pretende divulgar nenhum comunicado oficial, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores.

https://g1.globo.com

Cidadania italiana pode ser obstáculo a eventual asilo de Flávio nos EUA.


Vinícius Murad

A cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL) pode representar um obstáculo a um eventual pedido de asilo político nos Estados Unidos. A CNN Brasil consultou advogados especialistas em imigração sobre as possibilidades do candidato derrotado à Presidência. Flávio chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), três dias após perder o segundo turno da eleição presidencial. Segundo relatos de aliados, o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de asilo. O Departamento de Estado dos EUA confirmou à CNN Brasil a emissão de vistos para o senador e sua família, mas esclareceu que a autorização de entrada no país não equivale à concessão de asilo. Segundo a advogada de imigração Caroline Azevedo, da Visa Finder, a dupla nacionalidade pode pesar contra o pedido. Flávio tem cidadania italiana desde 2023. Em 9 de outubro, o Board of Immigration Appeals (BIA), instância administrativa de recursos em matéria migratória nos EUA, publicou uma decisão que estabelece uma presunção contrária à concessão de asilo a cidadãos da União Europeia, ressalvadas circunstâncias extraordinárias.

O entendimento, conhecido como Matter of B-S-A-N-, considera, entre outros fatores, que cidadãos europeus têm direito de residir legalmente nos demais países do bloco. Na avaliação da advogada, a possibilidade de viver na Itália pode dificultar a demonstração de que Flávio necessita de proteção nos Estados Unidos. A legislação americana também prevê que pessoas com mais de uma nacionalidade, em determinadas circunstâncias, demonstrem que não podem obter proteção em nenhum dos países dos quais são cidadãs. A regra foi estabelecida em precedente de 2013, conhecido como Matter of B-R-. Há, porém, uma ressalva jurídica: em 2022, um tribunal federal de apelações com jurisdição sobre Nova York, Connecticut e Vermont decidiu que, para ser considerado refugiado, um requerente com dupla nacionalidade precisa demonstrar perseguição em apenas um dos países de sua nacionalidade. Essa decisão não tem aplicação nacional e não afasta automaticamente o entendimento mais recente sobre cidadãos da União Europeia.

O precedente de outubro também não impede que Flávio apresente um pedido de asilo, nem determina que ele seja necessariamente negado. A decisão cria uma presunção contrária à concessão, que pode ser superada nas circunstâncias previstas no entendimento. A análise dependerá dos fundamentos apresentados, das provas e da interpretação das autoridades migratórias americanas. A eventual negativa de asilo também não implica deportação automática. Flávio e família conseguiram vistos americanos. Não há informações sobre qual classificação dos documentos.

Flávio obteve cidadania italiana em 2023, por descendência, assim como os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro. A nacionalidade voltou ao centro das atenções após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar a entrega dos passaportes do senador. Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, Flávio utilizou o documento italiano durante o deslocamento para o exterior.

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‘Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos’, diz Malafaia após carta golpista de Flávio.


Uma das principais lideranças evangélicas do país, o pastor Silas Malafaia disparou na quarta-feira (28) a aliados uma mensagem pelo aplicativo WhatsApp em que chama os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos”. O comentário, obtido pela equipe da coluna, foi uma reação à postura do candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), que se autoproclamou o presidente eleito do Brasil, citando, sem provas, uma "fraude eleitoral" no processo brasileiro.

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu Silas Malafaia. “Trump já tirou o apoio. Deixei ele vir para a América, mas não me me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas”.

Após receber 59 milhões de votos, Flávio fugiu para os Estados Unidos, onde emitiu uma declaração. O texto, divulgado pelo aliado Paulo Figueiredo à imprensa, substitui uma coletiva que o candidato derrotado concederia na manhã de quinta-feira em Miami. No documento, Flávio se dirige “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Sem provas, o senador também falou em “fraude eleitoral” e citou a extensão do horário de votação por duas horas no último domingo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin após interrupções no funcionamento do transporte público em várias capitais brasileiras. Segundo o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado pelo aliado Kassio Nunes Marques, indicado para o STF por Jair Bolsonaro, apenas 34.993 pessoas votaram entre 17:00h e 19:00h, o equivalente a 0,027% de todos os votos computados no segundo turno. Além disso, a prorrogação do horário também havia sido solicitada pela campanha de Flávio à Justiça Eleitoral em várias cidades. Lula teve uma vantagem de 4.430.191 votos sobre o adversário do PL.

Após a repercussão imediata da carta no Brasil, Flávio divulgou em suas redes sociais uma nova versão do comunicado na qual se diz "líder do Brasil" e com outras alterações no texto. Procurado pela equipe da coluna, Malafaia não quis comentar as declarações. "Eu não tenho mais nada para falar. Não tem nada que falar não, amigo", disse.

Auditoria nas urnas.
 
Uma das propostas cogitadas por Flávio, antes de fugir do país, foi a de pedir uma auditoria nas urnas, como tentaram Aécio Neves (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2014 e 2022, respectivamente. Mas o senador foi aconselhado a não seguir adiante com nenhuma ofensiva contra o sistema eletrônico de votação, utilizado pela população brasileira desde 1996 e sem nenhuma acusação de fraude comprovada até hoje. O assunto foi discutido durante almoçou na segunda-feira (26) em Brasília com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha do PL, Rogério Marinho (PL-RN), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), além dos advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet. Um dos argumentos usados por participantes do almoço para implodir a ideia foi a de que o PL pagou um preço caro ao contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, com a imposição de uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé (acionar a Justiça de forma irresponsável), por decisão do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Ou seja, qualquer tentativa de reeditar a estratégia de 2022 não só seria condenada ao fracasso, como poderia custar caro aos cofres do partido, mais uma vez.

Em 2023, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação por utilizar uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação. 

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Trump diz que não vai se ‘envolver’ após Flávio Bolsonaro divulgar carta golpista.


AFP

O presidente Donald Trump declarou na quarta-feira 28 que não vai se “envolver” na proclamação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou ser o “verdadeiro presidente do Brasil” após fugir para os Estados Unidos. “Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver”, disse o presidente americano a jornalistas, ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro, que desembarcou em Miami horas antes, acompanhado da família.

Questionado sobre por que seu governo decidiu permitir a entrada deles no país, Trump declarou: “Acho que foram tratados de forma muito injusta. Não tomei posição sobre a eleição, como vocês sabem, mas, quando vejo algo que é inapropriado, eu digo”. 

Flávio Bolsonaro afirmou ser o “verdadeiro presidente” do Brasil em um comunicado, embora uma versão posterior tenha sido divulgada na qual ele se definia como o “líder”. “Liderarei a oposição” a partir dos Estados Unidos, afirmou Bolsonaro, comparando-se a figuras políticas como os opositores venezuelanos Juan Guaidó e María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Trump é aliado da família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral após o segundo turno de domingo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele havia liderado o primeiro turno, mas Lula se impôs após uma recuperação inesperada, depois que a votação foi prorrogada por duas horas por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Centrão fala em reaproximação com Lula após apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.


Lideranças relatam surpresa com o resultado das urnas, mas reconhecem vitória do petista e sinalizam disposição para negociar.


Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu dirigentes e parlamentares de partidos do Centrão. É o caso do Republicanos, União Brasil e PP, siglas que apoiaram Flávio no segundo turno. Um dia depois da eleição, porém, lideranças dessas legendas já admitiram a possibilidade de uma reaproximação com o governo para garantir a governabilidade no quarto mandato do petista. Embora ainda não haja negociações formalizadas sobre ministérios, interlocutores dessas siglas avaliam que o resultado das eleições abre uma nova etapa de diálogo com o Planalto. O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que a participação dos partidos de centro na sustentação de governos faz parte da dinâmica do presidencialismo de coalizão. “É do DNA do Centro”, avaliou. Barros lembrou que o governo já mantém interlocução com integrantes desses partidos em estados como Paraíba, Ceará e Maranhão, onde existem alianças locais com o PT.

Entre os exemplos estão o senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula na Bahia e defensor de sua reeleição, mesmo diante da posição nacional do PSD, e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que articulou o apoio de dez diretórios estaduais do MDB à candidatura petista no segundo turno. No Republicanos, o deputado Silvio Costa Filho (PE), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos durante o terceiro mandato, também manteve uma relação próxima com Lula e declarou apoio à sua reeleição, apesar da posição nacional da sigla.

Outro exemplo é o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoiou Lula na campanha e manteve diálogo com o Planalto, mesmo depois de seu partido anunciar apoio a Flávio. No PP, André Fufuca (MA), ex-ministro do Esporte e eleito senador, contrariou a direção nacional da legenda ao defender a reeleição de Lula. O posicionamento levou a punições internas determinadas pelo presidente do partido, Ciro Nogueira. Segundo Ricardo Barros, ainda é cedo para falar em distribuição de ministérios, mas disse que o presidente Lula é experiente na relação com o Centro e que, mais cedo ou mais tarde, essa relação deve acontecer.

A avaliação é semelhante à do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Segundo ele, nenhum governo forma maioria no Congresso sem negociar com os partidos e destacou que a composição de uma base parlamentar é uma discussão diferente das alianças feitas durante a campanha eleitoral. Segundo Edinho, após o encerramento do processo eleitoral no domingo (25), caberá ao governo decidir quando e como iniciar as conversas.

Partidos reconhecem resultado.
A possibilidade de reaproximação ocorre em meio às primeiras manifestações dos dirigentes partidários após a derrota de Flávio. Na segunda-feira (26), Antonio Rueda, presidente do União Brasil, reconheceu a reeleição de Lula e afirmou que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado. O dirigente também colocou o partido à disposição para apoiar medidas voltadas ao crescimento econômico, à geração de empregos e à redução das desigualdades. O Republicanos também reconheceu a vitória do petista. Em manifestação pública, o presidente da sigla, Marcos Pereira, defendeu que Lula governe para todos os brasileiros, inclusive aqueles que votaram no candidato do PL, e mantenha o diálogo com o Congresso. MDB e PSD adotaram posições semelhantes. O primeiro defendeu que a vontade manifestada nas urnas seja respeitada, enquanto o segundo sinalizou disposição para manter uma relação institucional com o governo, preservando a autonomia de seus parlamentares.

Após o resultado das urnas, no domingo (25), Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que buscaria anulação do pleito. Na segunda-feira (26), o senador mudou de estratégia diante de obstáculos jurídicos apontados por aliados e advogados. No mesmo dia, Valdemar Costa Neto, o presidente nacional do PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado da eleição presidencial.

Tarcísio sai fortalecido.

No Republicanos, a vitória de Lula também provocou surpresa entre parlamentares que apostavam na eleição de Flávio. Apesar da derrota presidencial, a avaliação dentro da legenda é que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, termina a eleição fortalecido e permanece como uma das principais lideranças da direita. O entendimento é de que Tarcísio teria condições de derrotar Lula, caso tivesse disputado a Presidência neste ano. O partido o vê como um possível sucessor político do campo bolsonarista. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma ressalva: ainda faltam quatro anos para a próxima eleição presidencial, período em que o cenário político poderá mudar.
 
https://noticias.r7.com/ 

Moraes determina que Flávio Bolsonaro entregue passaportes para evitar fuga.

 
Senador derrotado na disputa presidencial foi intimado pela Polícia Federal. Medida é para que ele não fuja do país, algo cogitado pelo irmão Eduardo, tendo em vista os inúmeros crimes pelos quais é acusado.

Por: Henrique Rodrigues 

Numa decisão de caráter cautelar expedida na noite de domingo (25) e executada nas primeiras horas da segunda-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue imediatamente à Justiça todos os seus passaportes e determinou a proibição formal de que o parlamentar se ausente do território nacional. A medida drástica visa mitigar o risco iminente de evasão do país por parte do postulante derrotado no pleito presidencial, cenário abertamente especulado por seus familiares e aliados diretos diante da gravidade das acusações criminais que pesam sobre ele no STF. A ordem judicial foi cumprida por equipes da Polícia Federal em Brasília de forma ostensiva, interceptando o parlamentar em plena via pública no bairro do Lago Sul. O episódio ocorreu no momento em que Flávio deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), este já submetido a regime de prisão domiciliar.

A restrição de ir e vir imposta a Flávio encontra fundamento direto em declarações públicas dadas por seu irmão, o deputado cassado e condenado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista concedida na última sexta-feira a um veículo de comunicação nos EUA onde atualmente reside como um foragido da Justiça, Eduardo defendeu explicitamente que o irmão deveria abandonar o Brasil imediatamente caso o resultado eleitoral lhe fosse desfavorável, além de incitar a contestação do pleito. A manifestação pública do clã acendeu o alerta vermelho das autoridades investigativas para uma eventual tentativa de fuga e de esquiva da jurisdição penal.

Reação do senador e o discurso de vitimização.
Logo após ser abordado pelos agentes federais, Flávio utilizou seus canais de comunicação digital para veicular um pronunciamento em vídeo. No registro, o parlamentar confirmou o recebimento da intimação, mas adotou um tom de contestação à decisão do Supremo, tentando desqualificar o embasamento legal da cautelar e atribuindo à medida um suposto viés de perseguição política decorrente da apuração das urnas.

“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país”, afirmou Flávio Bolsonaro em vídeo publicado nas redes sociais.

Na gravação, o senador questionou a conexão feita pelos investigadores entre a fala do irmão no exterior e as garantias de sua permanência no Brasil, afirmando que a ordem expedida logo após o anúncio da apuração demonstraria a suposta falência do sistema democrático. O parlamentar alegou jamais ter articulado planos para deixar a nação e declarou que cumprirá a ordem de entrega dos documentos de viagem enquanto instrumentaliza sua defesa nos autos.

“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política, não pode ser assim.”
 
Cerco judicial: Bets, lavagem de dinheiro e operações suspeitas.
A determinação de retenção de passaportes ocorre em meio a um conjunto de apurações severas que tramitam na Suprema Corte. O senador figura como alvo central de dois inquéritos distintos que investigam complexos esquemas de ocultação de capital e crimes contra o sistema financeiro, cujo aprofundamento coloca o congressista em situação de extrema vulnerabilidade jurídica. O primeiro procedimento, sob a relatoria direta do ministro Alexandre de Moraes, apura a articulação de uma suposta rede de lavagem de dinheiro operada por meio de plataformas digitais de apostas (conhecidas como bets) e meios de pagamento eletrônico. A investigação começou com diligências conduzidas pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul e migrou para a jurisdição do STF após os investigadores identificarem o envolvimento de autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, notadamente o próprio Flávio Bolsonaro. Conforme a tese trabalhada pelos investigadores federais, o senador teria atuado diretamente em tratativas de alto escalão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex-proprietário do Banco Master) para garantir a injeção de capital no projeto. A apuração baseia-se em compilações de áudios, mensagens de texto e trocas de e-mails captadas com autorização judicial, as quais indicam negociações financeiras heterodoxas que podem configurar crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Diante da complexidade das redes de dados e da necessidade de obter cooperação jurídica internacional para rastrear a cadeia de suprimentos da produção, a Polícia Federal formalizou na última semana um pedido de prorrogação do prazo investigativo por mais 90 dias. A dilação, pendente de homologação pelo ministro Mendonça, permitirá a realização de novas perícias contábeis antes da elaboração do relatório final de indiciamento. O senador reitera que todas as negociações para o filme transcorreram dentro da legalidade e no âmbito de contratos privados.

Destino sem foro privilegiado e o horizonte penal.
A derrota nas urnas consolida a contagem regressiva para o término do mandato parlamentar de Flávio Bolsonaro no Senado Federal, previsto para se encerrar em fevereiro de 2027. O encerramento de sua atuação no Congresso Nacional, todavia, não significará o alívio judicial de ver seus processos remetidos à primeira instância ou diluídos na Justiça comum. Isso ocorre porque o pleno do Supremo Tribunal Federal consolidou uma alteração estrutural em sua jurisprudência no tocante ao foro por prerrogativa de função. Por maioria de 7 votos a 4, a Corte fixou a tese de que os procedimentos criminais iniciados contra autoridades continuam sob a jurisdição do STF mesmo após o encerramento do exercício das funções públicas, desde que os atos delituosos apontados tenham sido praticados no exercício do mandato e em razão do cargo ocupado.

Desse modo, os desdobramentos das apurações de lavagem de dinheiro por meio das plataformas de apostas e do financiamento do longa-metragem permanecerão sob o escrutínio direto dos ministros do STF. Com os passaportes retidos pela Polícia Federal e sob a vigilância ostensiva das autoridades de segurança, o senador derrotado enfrenta um cenário de isolamento político e severo estrangulamento jurídico, sem garantias de fuga ou de contorno às responsabilizações penais que se desenham no horizonte.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Alckmin pode assumir Fazenda para acalmar o mercado financeiro.


Vice reeleito pode assumir o ministério para mostrar ao mercado 
compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.

Por Armando Holanda

Como o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda está em curso, para a quarta e última gestão do presidente os nomes que poderão formá-lo devem ser decididos somente a partir do fim de novembro. Assim mesmo, fontes palacianas que se dispuseram a analisar o assunto, não acreditam em mudanças significativas ou surpreendentes. O vice-presidente Geraldo Alckmin pode assumir um posto de peso. É, hoje, o nome mais cotado para dirigir o Ministério da Fazenda. A razão é simples: resgatar a simpatia da Faria Lima, que se jogou de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro. A colocação de Alckmin na pasta seria a demonstração de que o governo, a partir de 2027, assume um compromisso sério e público com o equilíbrio fiscal, tanto cobrado pelo setor financeiro. Dario Durigan, nesse caso, poderia substituir Alckmin exatamente na pasta da Indústria, Comércio e Serviços — e continuar o trabalho de negociação com o governo de Donald Trump que está em curso e do qual, aliás, já participa.

O patamar de André Janones também tende a ser outro. O deputado da Rede Sustentabilidade por Minas Gerais foi reeleito, mas exerceu papel fundamental entre o primeiro e o segundo turno ao eletrizar a militância e fazer com que os petistas — e os não eleitores de Flávio — se engajassem na reeleição. No discurso da vitória, Lula deu a entender que o parlamentar terá papel preponderante na comunicação do governo neste quarto mandato. Garantiu, inclusive, que será mais visto nas redes sociais e falará diretamente à sociedade. Isso não quer dizer, porém, que Janones foi aceito pelas hostes do PT, que tem dúvidas sobre os métodos de mobilização que utiliza, considerados iguais aos da extrema-direita. Dentro da campanha do presidente, houve quem torcesse o nariz para ele. E não são poucos os petistas que consideram inconcebível o deputado ser cogitado para algum posto relacionado à comunicação — setor que vem sendo motivo de críticas desde que o presidente obteve o terceiro mandato, em 2022. Por conta, sobretudo, da campanha no segundo turno, além da falta de sucessores para a disputa de 2030, alguns nomes cresceram muito no conceito de Lula — embora já fossem admirados pelo presidente. O senador Camilo Santana (PT-CE) é um deles. No primeiro turno, ele trabalhou intensamente pela reeleição do governador Elmano de Freitas e conseguiu o segundo mandato para o petista.

No segundo turno, assumiu as rédeas da campanha à reeleição ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e do presidente do PT, Edinho Silva. Essa tríade foi responsável pelo reagrupamento da tropa, que estava dispersa na etapa anterior da eleição — como chegou a reclamar publicamente o próprio Lula. Camilo foi ministro da Educação. Mas, no próximo governo, pode se tornar um dos mais próximos auxiliares de Lula e ocupar a poderosa Casa Civil. Só que não estaria afastada a hipótese de ele retornar ao MEC e manter a visibilidade de uma pasta forte e capaz de projetá-lo para voos mais altos.

Camilo, porém, tem um adversário de peso para a Casa Civil: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, derrotado por Tarcísio Gomes de Freitas na disputa pelo governo paulista. Sobre se ele pode ser o nome a ser lançado pelo PT à Presidência em 2030, isso é algo a ser analisado com o tempo. Haddad é considerado "pau para toda obra", mas perdeu duas vezes para o bolsonarismo — agora, para Tarcísio, e em 2018, para Jair Bolsonaro.

Quem corre por fora também pela Casa Civil é Gleisi Hoffman, que já esteve no Palácio ao ocupar a Secretaria de Relações Institucionais. Ela disputou o Senado pelo Paraná e não foi eleita. Considerada pessoa de confiança — presidiu o PT quando o presidente esteve preso nas dependências da Polícia Federal, em Curitiba — , Lula tende sempre a mantê-la por perto e em postos-chave.

Fica onde está.
Quem deve permanecer onde está é Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Desde que sucedeu Nísia Trindade, é consenso dentro do Palácio do Planalto que a pasta não apenas obteve visibilidade como se envolveu na articulação política direta com estados, municípios e Congresso. O perfil de Padilha, de muita presença nas redes sociais, é considerado mais compatível com a comunicação atual, sobretudo por causa do alcance das plataformas para a divulgação de programas do governo na área.

Também devem voltar ao governo Simone Tebet e Marina Silva, ambas derrotadas em São Paulo na corrida ao Senado. Mas não representa que reocuparão os espaços em que estavam antes de decidirem disputar as eleições. Tebet é considerada um bom nome para voltar ao Planejamento, mas, nesse caso, sua maior rival é Miriam Belchior, que também esteve à frente da pasta, só que no governo de Dilma Rousseff. Há a possibilidade, ainda, de Miriam ser deslocada para a presidência da Petrobras.
 
Marina, entretanto, pode ser alocada nesta mesma Petrobras. Crítica da prospecção de petróleo na Margem Equatorial, um projeto que vem sendo acalentado por Lula é colocá-la no comando da empresa com o objetivo de consolidar a estatal como produtora de energia limpa e renovável — o presidente várias vezes disse que seria o papel da empresa no futuro.

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