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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Centrão fala em reaproximação com Lula após apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.


Lideranças relatam surpresa com o resultado das urnas, mas reconhecem vitória do petista e sinalizam disposição para negociar.


Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu dirigentes e parlamentares de partidos do Centrão. É o caso do Republicanos, União Brasil e PP, siglas que apoiaram Flávio no segundo turno. Um dia depois da eleição, porém, lideranças dessas legendas já admitiram a possibilidade de uma reaproximação com o governo para garantir a governabilidade no quarto mandato do petista. Embora ainda não haja negociações formalizadas sobre ministérios, interlocutores dessas siglas avaliam que o resultado das eleições abre uma nova etapa de diálogo com o Planalto. O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que a participação dos partidos de centro na sustentação de governos faz parte da dinâmica do presidencialismo de coalizão. “É do DNA do Centro”, avaliou. Barros lembrou que o governo já mantém interlocução com integrantes desses partidos em estados como Paraíba, Ceará e Maranhão, onde existem alianças locais com o PT.

Entre os exemplos estão o senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula na Bahia e defensor de sua reeleição, mesmo diante da posição nacional do PSD, e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que articulou o apoio de dez diretórios estaduais do MDB à candidatura petista no segundo turno. No Republicanos, o deputado Silvio Costa Filho (PE), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos durante o terceiro mandato, também manteve uma relação próxima com Lula e declarou apoio à sua reeleição, apesar da posição nacional da sigla.

Outro exemplo é o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoiou Lula na campanha e manteve diálogo com o Planalto, mesmo depois de seu partido anunciar apoio a Flávio. No PP, André Fufuca (MA), ex-ministro do Esporte e eleito senador, contrariou a direção nacional da legenda ao defender a reeleição de Lula. O posicionamento levou a punições internas determinadas pelo presidente do partido, Ciro Nogueira. Segundo Ricardo Barros, ainda é cedo para falar em distribuição de ministérios, mas disse que o presidente Lula é experiente na relação com o Centro e que, mais cedo ou mais tarde, essa relação deve acontecer.

A avaliação é semelhante à do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Segundo ele, nenhum governo forma maioria no Congresso sem negociar com os partidos e destacou que a composição de uma base parlamentar é uma discussão diferente das alianças feitas durante a campanha eleitoral. Segundo Edinho, após o encerramento do processo eleitoral no domingo (25), caberá ao governo decidir quando e como iniciar as conversas.

Partidos reconhecem resultado.
A possibilidade de reaproximação ocorre em meio às primeiras manifestações dos dirigentes partidários após a derrota de Flávio. Na segunda-feira (26), Antonio Rueda, presidente do União Brasil, reconheceu a reeleição de Lula e afirmou que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral deve ser respeitado. O dirigente também colocou o partido à disposição para apoiar medidas voltadas ao crescimento econômico, à geração de empregos e à redução das desigualdades. O Republicanos também reconheceu a vitória do petista. Em manifestação pública, o presidente da sigla, Marcos Pereira, defendeu que Lula governe para todos os brasileiros, inclusive aqueles que votaram no candidato do PL, e mantenha o diálogo com o Congresso. MDB e PSD adotaram posições semelhantes. O primeiro defendeu que a vontade manifestada nas urnas seja respeitada, enquanto o segundo sinalizou disposição para manter uma relação institucional com o governo, preservando a autonomia de seus parlamentares.

Após o resultado das urnas, no domingo (25), Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que buscaria anulação do pleito. Na segunda-feira (26), o senador mudou de estratégia diante de obstáculos jurídicos apontados por aliados e advogados. No mesmo dia, Valdemar Costa Neto, o presidente nacional do PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado da eleição presidencial.

Tarcísio sai fortalecido.

No Republicanos, a vitória de Lula também provocou surpresa entre parlamentares que apostavam na eleição de Flávio. Apesar da derrota presidencial, a avaliação dentro da legenda é que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, termina a eleição fortalecido e permanece como uma das principais lideranças da direita. O entendimento é de que Tarcísio teria condições de derrotar Lula, caso tivesse disputado a Presidência neste ano. O partido o vê como um possível sucessor político do campo bolsonarista. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma ressalva: ainda faltam quatro anos para a próxima eleição presidencial, período em que o cenário político poderá mudar.
 
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