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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Treta na direita: bolsonaristas detonam pré-campanha de Flávio Bolsonaro.


Fabio Wajngarten, Paulo Figueiredo e Kim Paim criticam 
estratégia, comunicação e organização da pré-campanha.

Paulo Emílio

247 – A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a enfrentar críticas públicas de figuras influentes do próprio bolsonarismo, evidenciando um cenário de desgaste e divergências internas na direita. Os ataques ganharam intensidade após a participação do parlamentar, na terça-feira (7), em uma audiência nos Estados Unidos na qual defendeu que o país não imponha novas tarifas sobre produtos brasileiros antes das eleições. Segundo a Folha de São Paulo, aliados históricos de Jair Bolsonaro (PL) passaram a questionar a estratégia política, a comunicação e a organização da campanha de Flávio. As críticas partiram do ex-secretário especial de Comunicação Fabio Wajngarten e dos influenciadores Paulo Figueiredo e Kim Paim, todos ligados ao universo bolsonarista.

Nos bastidores, integrantes da campanha evitaram responder publicamente às manifestações. De acordo com a reportagem, dois integrantes da equipe afirmaram, sob reserva, que os ataques decorrem do descontentamento de pessoas que ficaram fora da coordenação da campanha e minimizaram qualquer participação direta do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) nesse movimento.

Wajngarten diz que campanha “não existe”.
Fabio Wajngarten foi um dos mais duros críticos da estrutura montada por Flávio Bolsonaro. Em publicação na rede X, ele afirmou que “a campanha de Flávio não existe. Não tem agenda. Não tem comunicação. Não tem organização. Não tem planejamento.”

Além das críticas, o ex-secretário sugeriu mudanças na equipe. Entre elas, defendeu que Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, assuma a coordenação-geral da campanha. Ele também propôs o retorno de Toninho Neto e Walter Longo e sugeriu a participação do marqueteiro Duda Lima, embora pessoas próximas afirmem que ele não demonstra interesse em integrar o projeto. Wajngarten ainda defendeu maior aproximação com setores considerados estratégicos do eleitorado bolsonarista.“Empodere nominalmente grandes lideranças católicas, evangélicas, do agro, da segurança pública, da área médica, da área da educação, do desenvolvimento do varejo, para reuniões semanais com updates diários. Chega de erros, chega de ruídos, chega de quem não conhece nem gosta do bolsonarismo”, destacou.

Paulo Figueiredo critica estratégia e cobra reação.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Paulo Figueiredo classificou a comunicação da campanha como um “desastre” e afirmou que a estratégia estaria excessivamente preocupada com a repercussão na imprensa.“Não adianta Flávio Bolsonaro jogar com as características de um candidato que tem 3% nas urnas. Flávio tem que jogar com as características do bolsonarismo”, declarou. Na sequência, fez referência ao estilo político do ex-presidente Jair Bolsonaro:“Imagina se [Jair] Bolsonaro teria tido qualquer pudor em falar sobre o viés óbvio do voto feminino e do que isso representa. Que saudade daquele que falava que não queria ter filho ‘viado’, que saudade desse bolsonarismo.”

O influenciador também criticou a demora da campanha em divulgar uma nota oficial após a audiência realizada nos Estados Unidos.“Depois a gente perde e não sabe por que a militância é desengajada, por que toma de 7 a 1 na imprensa todos os dias”, afirmou.

Kim Paim questiona coordenação da campanha.
Outro crítico foi o youtuber Kim Paim, que direcionou ataques à coordenação da pré-campanha. Segundo ele, o senador Rogério Marinho (PL), apontado como coordenador-geral, estaria conduzindo o projeto de forma equivocada. “Está alucinado pelo poder”, disse. Paim também afirmou que a campanha não produz material suficiente para mobilizar apoiadores. “O que as pessoas possuem para divulgar o Flávio? Nada. Não tem material sendo gerado”, disparou. Além disso, o influenciador repercutiu reportagem do Metrópoles sobre a participação de Vicente Santini, um dos coordenadores da campanha, em um evento realizado nos Estados Unidos que reuniu o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, e o empresário Joesley Batista, da J&F. 
“É normal um cara desses cuidar da agenda do Flávio? E vocês não acham ainda mais estranho quando olha e vê que o Flávio não tem agenda? Está sendo claramente sabotado”, disse Paim ao ser questionado sobre o assunto.

Rogério Marinho e Vicente Santini foram procurados para comentar as críticas, mas não responderam até a publicação da reportagem. A equipe de Flávio Bolsonaro também optou por não rebater publicamente os ataques.

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