Seguidores

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro usou imóvel de cunhado de Vorcaro durante campanha em SP, diz revista.

 
Apartamento pertenceu a Fabiano Zettel e foi vendido 
ao advogado Willer Tomaz, amigo do candidato.

Por: Marcelo Hailer 

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, utilizou durante a campanha eleitoral um apartamento em São Paulo que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. As informações são da revista Piauí. Segundo a publicação, Flávio permaneceu durante alguns dias da primeira quinzena de agosto no imóvel, localizado no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista. No período, Flávio Bolsonaro se reuniu com integrantes de sua equipe para definir estratégias de campanha, gravou vídeos para o horário eleitoral, participou de podcasts e teve compromissos na região da Faria Lima. O comitê de campanha de Flávio ficava a poucos minutos do apartamento. A Piauí afirma ter confirmado a presença de Flávio no local com moradores do edifício e uma funcionária de uma escola onde ficavam estacionados veículos utilizados pela Polícia Legislativa. Segundo a revista, agentes à paisana fizeram varreduras nas áreas comuns do prédio durante a permanência do candidato.

Imóvel pertenceu a cunhado de Vorcaro.
O apartamento havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, Zettel comprou o imóvel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Menos de dez meses depois, em fevereiro de 2026, vendeu o apartamento por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz. A transação representou uma perda nominal de R$ 2 milhões para Zettel. A venda havia sido revelada anteriormente pela Folha de S.Paulo e foi confirmada pela Piauí. De acordo com a revista, a transferência do apartamento foi registrada em cartório em 4 de março, depois de o STF ter determinado o bloqueio dos bens de Zettel e na mesma data em que ele foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Willer Tomaz, atual proprietário do imóvel, é advogado e amigo de Flávio Bolsonaro. A Piauí relata que a relação entre os dois remonta ao início do governo de Jair Bolsonaro e inclui episódios pessoais e políticos.

Versões de Flávio e do proprietário.
Procurado pela Piauí, Willer Tomaz inicialmente negou, por telefone, que Flávio tivesse utilizado o apartamento. Posteriormente, enviou nota afirmando que não conhece Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e que jamais manteve “relação pessoal, comercial ou societária” com os dois. Segundo a revista, embora tenha sido questionado especificamente sobre Flávio Bolsonaro, Tomaz não tratou do candidato na nota enviada à reportagem. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que se hospedou apenas em hotéis da região.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: favores, resorts e os interesses que cercam a amizade.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz estão no centro de um novo cruzamento entre política e interesses privados. Já candidato à Presidência da República, o senador do PL prometeu acelerar a implantação de resorts e grandes empreendimentos em Angra dos Reis, justamente onde empresas do amigo possuem três propriedades e onde o advogado já procurou o órgão ambiental do Rio de Janeiro para avaliar a exploração turística de um terreno. O discurso de campanha acrescenta um capítulo novo a uma relação de anos. Willer já cedeu gratuitamente uma mansão de luxo à família de Flávio, aparece ao lado do senador em viagens particulares de jatinho e teve seu nome defendido pelo amigo para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em Angra, a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel de empresa do advogado também passou pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) quando o órgão era comandado no Rio por um indicado de Flávio. Não há prova pública de que os benefícios privados tenham sido condicionados a uma contrapartida de Flávio ou de que sua proposta para o turismo tenha sido elaborada especificamente para atender Willer. O que os episódios revelam é uma sucessão de favores pessoais, interesses econômicos e movimentos políticos que se cruzam ao longo da amizade.
 
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: resorts e interesses em Angra.
O fato mais recente ocorreu em 29 de agosto. Durante agenda de campanha em Angra dos Reis, Flávio defendeu a revisão dos planos diretores dos municípios da Costa Verde e medidas para acelerar grandes empreendimentos imobiliários e turísticos. O candidato falou especificamente em condomínios e resorts e defendeu a retirada de entraves ambientais para que essas obras avancem com maior rapidez. A proposta foi apresentada para Angra e municípios vizinhos, como Mangaratiba e Paraty. Uma apuração publicada nesta semana pela Folha de S.Paulo revelou que empresas de Willer possuem três propriedades em Angra dos Reis. Duas estão na Ilha Comprida e uma terceira na Ilha do José André. Os imóveis pertencem à Friponor e à WT Administração de Imóveis, empresas ligadas ao advogado. O interesse de Willer na exploração turística da região também está documentado. Em 2025, ele procurou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para consultar qual percentual de um terreno poderia ser utilizado em uma operação turística. Outra propriedade ligada ao advogado, na Ilha Comprida, aparece em imagens de julho de 2025 passando por obras, com construção de um segundo pavimento e de estruturas separadas da edificação principal. É justamente esse imóvel que está no centro de uma disputa envolvendo uma empresa relacionada ao jogador Richarlison.

A Fórum já reconstituiu a disputa pela mansão de Angra e a relação de Flávio com o caso.
Não há, porém, documento público que permita afirmar que a propriedade em obras é o mesmo terreno objeto da consulta ao Inea. Também não está demonstrada a existência de um projeto formal de resort para a mansão disputada com o grupo ligado a Richarlison. À Folha, Willer rejeitou qualquer associação entre seus negócios e as propostas de Flávio. Disse que não participou da formulação da política para o turismo, não foi consultado e nunca tratou do assunto com o candidato.

Mansão e jatinhos: os favores privados.
Se a proposta para resorts coloca os interesses de Willer no presente da campanha presidencial, os benefícios privados concedidos ao senador aparecem antes. Na terça-feira (8), reportagem do ICL Notícias, assinada por Alice Maciel, revelou que Flávio comemorou em fevereiro o aniversário da filha caçula em uma mansão de luxo à beira-mar em Angra. O imóvel funciona em modelo de propriedade compartilhada e uma das quatro cotas pertence à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer. O próprio advogado confirmou ao ICL que disponibilizou a casa para Flávio e sua família. Segundo ele, não houve pagamento, contraprestação ou relação comercial. Willer disse que emprestou o imóvel exclusivamente por causa da amizade com o senador. A mansão tem sete suítes, piscina aquecida, sauna, academia, heliponto e píer, além de um iate colocado à disposição dos proprietários. A propriedade não é a mesma envolvida na disputa com o grupo de Richarlison.

A Fórum publicou nesta semana os detalhes da mansão utilizada pela família de Flávio.
Meses antes, outra forma de benefício privado já havia chamado atenção: o uso de aeronaves particulares. Documentos do terminal executivo do Aeroporto de Brasília obtidos originalmente pelo Estadão mostraram ao menos dois deslocamentos da família de Flávio em jatinhos privados durante 2025. Em 1º de abril, Flávio, a mulher e as duas filhas entraram no terminal. Poucos minutos depois, uma aeronave pertencente a uma empresa ligada a Willer deixou Brasília com destino ao Rio de Janeiro. Um mês depois, Flávio e a mulher viajaram para a Flórida acompanhados de Willer e da esposa do advogado. Nesse segundo caso, a aeronave estava registrada em nome de uma empresa dos proprietários da União Química, grupo para o qual o escritório de Willer já havia atuado. A Fórum mostrou em abril quem é Willer Tomaz e detalhou sua presença nas viagens de Flávio em jatinhos particulares. Flávio afirmou na ocasião que os deslocamentos tiveram finalidade pessoal e familiar. O senador não esclareceu quem arcou com todos os custos das viagens. Willer negou ter recebido qualquer favorecimento da administração pública em razão da relação com o senador.
 
CNJ e SPU: quando a amizade alcança o poder público. A proximidade entre os dois também chegou à esfera institucional. Em 2022, nos últimos meses do governo Jair Bolsonaro, Flávio tentou emplacar Willer para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça, segundo a apuração da Folha. A articulação não prosperou. No mesmo ano, Willer travava em Angra a disputa pelos direitos de ocupação da casa da Ilha Comprida. O antigo ocupante Antônio Marcos da Silva afirmou à Folha que, durante uma visita à propriedade, Flávio e Willer se tratavam como “sócios”. A afirmação é um relato testemunhal: não há documento societário conhecido que demonstre a existência de sociedade entre os dois, e a assessoria de Flávio nega que tenha havido participação empresarial ou negócio comum.

O episódio mais sensível, no entanto, ocorreu na Secretaria do Patrimônio da União.
Por se tratar de terreno da União, a transferência dos direitos de ocupação da propriedade depende de procedimentos perante a SPU. Naquele momento, a superintendência do órgão no Rio era comandada pelo coronel Paulo Medeiros, que havia chegado ao posto por indicação de Flávio Bolsonaro. Os documentos do processo mostram que, depois do pagamento da taxa de transferência em 7 de julho de 2022, a empresa de Willer protocolou às 11:33h do dia 11 um pedido para a emissão manual da Certidão de Autorização para Transferência. Às 13:13h, a autorização estava emitida. O intervalo entre esse pedido específico e a emissão do documento foi de uma hora e 40 minutos. Após a publicação desta reportagem, a assessoria de Willer Tomaz contestou que esse intervalo correspondesse ao tempo de tramitação do processo de transferência. Segundo resposta oficial da SPU apresentada pela defesa, o processo foi protocolado em 11 de maio de 2022, sob o número 10154.125086/2022-04, e concluído em 12 de julho de 2022 — portanto, após cerca de dois meses de tramitação, com pagamento das taxas de ocupação e do laudêmio e sucessivos atos cadastrais.

A defesa também contestou a informação de que um pedido apresentado em 2021 por empresa ligada a Richarlison aguardava análise na mesma SPU. Segundo a resposta do órgão encaminhada pela assessoria, o requerente não comprovou a aquisição e o pedido não foi concluído por deficiência do próprio requerimento. A SPU informou ainda, de acordo com a manifestação, que não instaurou apuração porque nenhuma irregularidade foi identificada.

Documentos obtidos anteriormente por meio da Lei de Acesso à Informação já haviam levado o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) a pedir à Polícia Federal uma investigação sobre eventual favorecimento. A Fórum revelou em agosto o pedido feito pelo parlamentar à PF e os documentos envolvendo a SPU. Não há prova de que Flávio tenha dado ordem para que o processo fosse acelerado ou interferido diretamente na emissão da autorização. Segundo a resposta da SPU apresentada posteriormente pela defesa de Willer, o órgão não identificou irregularidades no procedimento.

Alvo da PF, Willer nega favorecimento.
A relação passou a ter peso político ainda maior depois que Willer foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em agosto, numa etapa da Operação Sem Desconto, investigação sobre o esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS e suspeitas de lavagem de dinheiro. A Fórum mostrou na ocasião as relações de Willer com Flávio e os elementos que levaram a PF até o advogado. Willer nega envolvimento nas fraudes previdenciárias. Sua defesa sustenta que ele não figura como investigado por participação no esquema e afirma que as diligências ocorreram em razão de relações patrimoniais e da utilização de uma aeronave por pessoas alcançadas pela apuração. Ser alvo de busca e apreensão não significa, por si só, responsabilidade pelos crimes investigados.

É nesse contexto que a promessa de Flávio para acelerar resorts em Angra acrescenta um novo elemento à relação. O candidato propõe hoje facilitar empreendimentos turísticos numa região onde o amigo possui imóveis e já fez consulta formal sobre exploração turística. Antes disso, Willer havia cedido gratuitamente uma mansão à família Bolsonaro, aparecido nas viagens particulares de Flávio e sido cogitado pelo próprio senador para o CNJ. Em sentido inverso, a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel de empresa de Willer passou pela SPU quando a superintendência do órgão no Rio estava sob o comando de um indicado de Flávio. Segundo a resposta oficial apresentada posteriormente pela defesa, o processo tramitou por cerca de dois meses e a SPU informou não ter identificado irregularidades. A sequência não comprova um acordo de contrapartida. Mostra, porém, que a amizade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz atravessa benefícios privados, interesses empresariais e episódios relacionados ao exercício do poder político.
 
À Folha, Willer negou de forma enfática que a proposta para o turismo tenha qualquer relação com seus negócios em Angra. Ao ICL, afirmou que a mansão foi cedida exclusivamente por amizade, sem pagamento ou contraprestação. Flávio, por sua vez, nega manter sociedade ou empreendimento comercial com o advogado. A Fórum procurou diretamente a assessoria de Willer Tomaz e questionou se ele colaborou com despesas das viagens particulares de Flávio; se conversou com o candidato sobre imóveis, resorts, exploração turística ou licenciamento ambiental na Costa Verde; se pediu ou recebeu auxílio relacionado ao processo da Ilha Comprida na SPU; e se alguma atuação ou proposta de Flávio beneficiou seus interesses ou envolveu qualquer contrapartida.

A assessoria confirmou o recebimento das perguntas e informou que as encaminharia ao advogado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação de Willer Tomaz, e eventual posicionamento será acrescentado à matéria.

Após a publicação, Willer Tomaz envia nota de esclarecimento.
Após a publicação da reportagem, a assessoria do advogado Willer Tomaz encaminhou à Fórum uma nota de esclarecimento. A manifestação é reproduzida abaixo na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO.
É falsa a afirmação de que a empresa obteve autorização da SPU “em menos de duas horas”. Segundo resposta oficial da própria Secretaria do Patrimônio da União a pedido de acesso à informação (processo 18002.009674/2026-62). O processo de transferência dos direitos de ocupação do imóvel da Ilha Comprida foi protocolado em 11 de maio de 2022 (processo protocolado sob o número 10154.125086/2022-04) e concluído em 12 de julho de 2022 — ou seja, dois meses de tramitação, com pagamento das taxas de ocupação e do laudêmio e sucessivos atos cadastrais. O requerimento de 2021 atribuído a empresa ligada a Richarlison não “aguardava análise”: conforme a SPU, ele nunca comprovou a aquisição e o pedido não foi concluído por deficiência do próprio requerimento. A SPU informou ainda que não instaurou apuração porque nenhuma irregularidade foi identificada. O Advogado Willer Tomaz nunca pediu nem recebeu auxílio relacionado ao processo, não participou de qualquer proposta de política pública para Angra dos Reis e rejeita categoricamente a insinuação de qualquer tipo de favorecimento. A Folha de S.Paulo, fonte da informação equivocada, já foi notificada para retificação. 
 
https://revistaforum.com.br 

Lula diz que Flávio tem "rabo preso" ao Master e raiva de Moraes pelo 8/1.


O petista assinalou, ainda, que a implicância do senador com o ministro do STF é motivada pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentou contra o Estado Democrático de Direito.

Por Armando Holanda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra Flávio Bolsonaro (PL), na quarta-feira (16/9), ao cobrar explicações do adversário sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O petista acusou Flávio de ter “o rabo preso ao Banco Master” e afirmou que as críticas do senador ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não têm como principal motivação as revelações envolvendo a instituição financeira.

Durante entrevista ao Desce a Letra Show, no YouTube, Lula voltou a mencionar os R$ 130 milhões que, segundo ele, estariam relacionados à atuação do escritório de advocacia de Flávio e cobrou esclarecimentos do adversário. “Eu que fui preso por essa Suprema Corte e fui preso por 580 dias. É muito engraçado isso. O que ele (Flávio Bolsonaro) tem que explicar é cadê os R$ 130 milhões que ele pegou do Vorcaro”, declarou.

Na avaliação do petista, a ofensiva de Flávio contra Moraes está relacionada, sobretudo, à atuação do ministro nos processos que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. “A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque ele mandou prender o cara que matou a Marielle. A bronca dele é que o Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro”, afirmou.

Lula também classificou como uma “obsessão” a postura de Flávio em relação ao magistrado e rebateu as tentativas de associá-lo politicamente ao ministro do Supremo. Apesar da defesa de Moraes, Lula ponderou que eventuais irregularidades envolvendo integrantes do Judiciário devem ser investigadas e, caso comprovadas, punidas, com garantia do direito de defesa.“Todo mundo que cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado. Isso vale para mim, para Alexandre de Moraes, vale para o Fachin”, declarou.

Na sequência, o presidente afirmou que Moraes prestou “dois grandes serviços” à democracia brasileira e destacou a atuação do ministro à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022, em meio aos questionamentos de Bolsonaro sobre o sistema eletrônico de votação. “Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições. Ele sabe, e o Brasil sabe, a tentativa que Bolsonaro fez de destruir a credibilidade das urnas”, enfatizou Lula.

https://www.correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Dino pede explicações sobre elo entre Master e instituto ligado a Mendonça.


Cézar Feitoza, Luccas Lucena

Ministro afirma que a Prefeitura de São Paulo apura eventual interferência do Master em empresas concessionárias dos cemitérios municipais. Pela decisão, a prefeitura e a SP Regula, agência reguladora de serviços públicos, terão dez dias para se manifestar sobre o caso e para apresentar informações e documentos sobre a concessão dos serviços de cemitério à Cortel. Dino aponta que, em 13 de março de 2025, determinou a manutenção sobre o teto dos preços praticados por concessionárias de serviços funerários. Em novembro de 2024, Dino havia ordenado que o município restabelecesse a comercialização e a cobrança de serviços cemiteriais e funerários nos valores anteriores à concessão.

Após decidir manter o teto dos preços de serviços funerários, Dino mandou o caso para plenário, mas Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento. "Ocorre que, em 14 de março de 2025 — um dia antes da formulação do referido pedido de vista —, consoante informações confirmadas pelo próprio Ministro André Mendonça, Sua Excelência recebeu, na sede de uma empresa privada, em São Paulo, o Sr. Daniel Vorcaro. Como vimos acima, havia elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master", diz Dino. Em 4 de abril de 2025, Dino afirma que Mendonça deixou de referendar a medida sobre os preços de serviços funerários. Sem citar a relação, Dino diz que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, integra a SP Regula (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo), atuando na área funerária e cemiterial.

Alexandre foi nomeado superintendente da agência e, em maio deste ano, foi promovido a secretário executivo da SP Regula, segundo Dino. "Isso não significa afirmar que exista relação causal entre tais circunstâncias, tampouco que os atos jurisdicionais praticados tenham sido determinados por interesses externos ao processo. Significa, diversamente, reconhecer que a multiplicidade, a natureza e a convergência temporal desses pontos de contato constituem, em tese, quadro indiciário suficientemente relevante para que a existência — ou inexistência — dessas conexões seja esclarecida mediante apuração pelas autoridades competentes."

Prefeitura de São Paulo nega irregularidade em contratos. Em nota, a prefeitura disse lamentar que "contratações regulares e realizadas dentro da legalidade estejam sendo utilizadas para construir narrativas políticas sem respaldo nos fatos". "Causa estranheza o direcionamento de suspeitas à administração municipal justamente em um momento de graves questionamentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, produzindo uma cortina de fumaça que desvia o foco do debate público", diz o texto (leia mais abaixo).
 
Mendonça recebeu Vorcaro em instituto

Ministro André Mendonça confirmou no último dia 2 ter recebido Vorcaro, em março de 2025. Articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), o encontro aconteceu no Instituto Iter, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, às 17:00h de 14 de março. Ao Estadão, o ministro disse que a conversa durou de 20 a 30 minutos. De acordo com o magistrado, ele e Vorcaro não falaram sobre o Banco Master. Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que o tema do encontro foi a Suspensão de Tutela Provisória 976, que trata do pagamento de precatórios decorrentes de prejuízos adquiridos da Agroindustrial Tabu, usina do setor sucroalcooleiro. Áudio encontrado no celular do banqueiro, porém, sugere que eles pretendiam falar sobre o caso Master. Os áudios foram divulgados inicialmente pela newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, e obtidos posteriormente pelo UOL. Em 8 de fevereiro, Soares enviou a Vorcaro: "O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. (...) Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia, que o Cezinha já tinha falado com ele". Mendonça disse em nota que "se limitou a ouvi-lo".

Instituto Iter foi fundado em novembro de 2023 por André Mendonça. Conforme o site do Iter, a instituição é voltada para a educação executiva, formação de lideranças e capacitação de profissionais para atuação nos setores público e privado. A oferta de formações vai desde curso de oratória a gestão educacional com inteligência artificial e gestão e fiscalização de contratos.

O que diz a Prefeitura de São Paulo.
Em nota, prefeitura diz que relações com bancos privados não são irregulares. "Em relação à concessão dos serviços funerários, a SP Regula esclarece que relações financeiras mantidas pelas concessionárias com bancos ou fundos privados não configuram, por si, qualquer irregularidade contratual". Gestão afirma que contratação de instituto de Mendonça seguiu lei. "A contratação do Instituto Iter pela Secretaria Municipal de Gestão para treinamento de servidores ocorreu após a análise de outras instituições e seguiu estritamente a Lei de Licitações, que autoriza a inexigibilidade de licitação para serviços técnicos especializados de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal". Irmão de Mendonça não foi promovido, diz prefeitura. "No caso da contratação do servidor Alexandre de Almeida Mendonça na SP Regula, não houve qualquer promoção do profissional em 2026. Em junho deste ano ele teve uma mudança de função dentro da agência, deixando de ser Superintendente de Planejamento para assumir a posição de Superintendente da Secretaria Executiva. As duas posições têm o mesmo nível hierárquico, diferentemente do que insinuaram reportagens publicadas sobre o assunto. Além disso, a mudança não resultou em qualquer aumento de remuneração".

https://noticias.uol.com.br 

Flávio Bolsonaro pode ser preso? Entenda o caso Banco Master, Vorcaro e o filme Dark Horse.


Entenda a apuração da PF sobre o financiamento milionário do filme sobre Jair Bolsonaro, a rota do dinheiro nos EUA e por que a Constituição impede a prisão do senador.


Flávio Bolsonaro pode ser preso? 

Entenda o caso Banco Master, Vorcaro e o filme Dark Horse. A dúvida sobre se Flávio Bolsonaro pode ser preso ganhou força após a divulgação de documentos da investigação sobre Vorcaro e o Banco Master. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não corre risco de ser preso neste momento. Como senador e candidato à Presidência, ele é investigado no caso Banco Master, mas não há nenhum mandado contra ele. Além disso, o artigo 53 da Constituição protege parlamentares: deputados e senadores só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável ou após condenação definitiva. No momento, a PF (Polícia Federal) apenas apura se houve lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas na captação de recursos para o filme Dark Horse.

O que é o caso Banco Master e a conexão com o filme.

A investigação sobre Flávio nasceu dentro da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar fraudes bilionárias no Banco Master, administrado por Daniel Vorcaro. O sigilo do inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça no STF, caiu em setembro de 2026, expondo a ponte entre o ex-banqueiro e a produção cinematográfica. O projeto em questão é o filme Dark Horse (anteriormente batizado de Capitão do Povo), uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O plano de negócios achado no celular de Vorcaro previa um investimento pesado de US$ 24 milhões (mais de R$ 120 milhões), dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 63 milhões) efetivamente cruzaram a fronteira em 2025.

Toda essa verba saiu da Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior (o “Mineiro”), e foi parar no Havengate Development Fund, um fundo praticamente inativo no Texas gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.


A atuação dos irmãos Bolsonaro e as suspeitas da PF

Para os investigadores, Flávio não era mero espectador, mas o interlocutor de Vorcaro: trocou mensagens cobrando repasses atrasados, fez reuniões e acompanhou gravações. Mensagens recuperadas também mostram Eduardo Bolsonaro orientando a gestão desses recursos nos EUA.

Além do montante expressivo, a PF achou irreal a bilheteria estimada no projeto, calculada em US$ 100 milhões, e suspeita que a produção cinematográfica possa ter servido de fachada para esquentar capital.

Diante disso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, cobrou apurações para checar se houve corrupção. A PGR quer saber se Flávio ou o deputado Mário Frias (PL-SP) defenderam projetos ou propostas legislativas favoráveis ao Banco Master no Congresso como contrapartida ao dinheiro recebido.

Duas frentes no STF e o trunfo da delação.

O caso corre no Supremo Tribunal Federal em duas frentes diferentes. De um lado, no gabinete de André Mendonça, a apuração foca no núcleo do Banco Master, na movimentação financeira de Vorcaro e nas ações dos irmãos Bolsonaro — uma frente que ganhou forte tração após a homologação da delação premiada de Mineiro, responsável pelas remessas ao fundo americano. De outro lado, no gabinete do ministro Flávio Dino, investiga o uso de emendas parlamentares ligadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil) e à produtora do filme, a Go Up Entertainment, ambas sob comando da empresária Karina Ferreira da Gama, com dados compartilhados pela Polícia Civil de São Paulo.

O que diz Flávio Bolsonaro

Por sua vez, Flávio Bolsonaro admite ter buscado Vorcaro para financiar o longa, mas afirma que se tratou de uma captação 100% privada, sem dinheiro público e sem trocas de favores. O senador defende a abertura total dos autos para provar que todo o montante arrecadado foi efetivamente aplicado na produção.

Em que pé estamos?

A apuração ainda está em estágio inicial. Para haver qualquer desdobramento mais severo, a PF precisa fechar o relatório, a PGR decidir se apresenta denúncia e o STF aceitar a acusação para transformar a investigação em ação penal. Os documentos expostos acendem o sinal amarelo na política, mas não significam condenação ou prisão iminente.

https://ndmais.com.br

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Para blindar Flávio Bolsonaro no caso 'Dark Horse', aliados podem ser rifados.

 
Lauro Jardim
 
Na esteira da operação da PF sobre o financiamento do filme "Dark Horse", deflagrada na quinta-feira passada, aliados de Flávio Bolsonaro adotaram o batido bordão de que "ele não tem nada a ver com isso".

Para tentar blindar o candidato a presidente, investigado no STF pela "possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção" por ter pedido US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro, seu entorno não terá qualquer pudor em rifar, se necessário, o deputado federal Mário Frias, idealizador do projeto, e a produtora Karina Gama, alvos da operação autorizada por Flávio Dino. Seguirão a linha do "se eles tiverem culpa, que paguem pelo que fizeram de errado". 

https://oglobo.globo.com

Vorcaro afirma não se recordar do destinatário de mensagem que, segundo PF, era Moraes.

 
Em depoimento à PF, banqueiro afirmou não se recordar para quem 
enviou anotações sobre as investigações envolvendo o Banco Master.

247 – Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que não se recorda de quem recebeu uma mensagem que, segundo os investigadores, teria sido enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O depoimento ocorreu em 28 de agosto, no âmbito das investigações sobre suspeitas envolvendo o Banco Master. Durante o depoimento, o delegado Albert Paulo Sérvio de Moura apresentou a Vorcaro registros encontrados no celular do banqueiro. Segundo relatório da PF, parte desse material corresponde a mensagens enviadas a Moraes. Uma das anotações, datada de 30 de outubro de 2025, menciona uma alteração de viagem para que Vorcaro pudesse encontrar Alexandre de Moraes. O conteúdo também faz referência às apurações do Banco Central sobre o Banco Master. Segundo o relato apresentado pela PF, Vorcaro dizia receber informações informais e confidenciais de dentro do Banco Central. Nas mensagens, também mencionava o avanço das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A anotação citava ainda a letra “G”, apontada pelos investigadores como uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Também apareciam os nomes “Andrei” e “Paulo”, que a PF relaciona ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Questionado pelo delegado sobre o conteúdo da anotação, Vorcaro afirmou que não conseguia identificar o contexto sem saber para quem havia enviado a mensagem. “Eu… de novo, notas assim eu não me lembro quando não fala quem é a pessoa, não me lembro qual o contexto. Eu estava falando com muitas pessoas sobre essa transação do banco, pessoas próximas a mim. Então isso aí, sem dúvidas, era referente à transação que tava para ser feita do banco com aquelas empresas que eu mencionei, empresas e investimento”.

O delegado perguntou então se o banqueiro se lembrava das pessoas mencionadas na nota. Vorcaro respondeu que não queria fazer inferências sem ter certeza sobre o destinatário. “Eu teria que me recordar para quem foram as mensagens. Essa mensagem, para saber se é quem… [silêncio] é, não quero fazer inferência aqui sem ter certeza, posso responder depois, oportunamente, quando tiver certeza, para não cometer erro aqui”.

Segundo a PF, as anotações apresentadas durante o depoimento eram mensagens enviadas ou compartilhadas. Ao ser novamente questionado sobre o destino do material, Vorcaro disse não se lembrar. Ele afirmou que a identificação do destinatário permitiria compreender melhor o contexto e o conteúdo das mensagens. Sobre a identificação da letra “G”, Vorcaro declarou que “provavelmente é Galípolo, o presidente”.

Defesa fala em possível colaboração.
A defesa de Vorcaro afirmou durante o depoimento que o banqueiro está disposto a colaborar com as investigações, mas indicou que eventual relato sobre outras pessoas envolvidas poderia ocorrer em uma futura delação. “Alguns fatos relacionados a algumas pessoas ele efetivamente pode falar, desde que seja no ambiente futuro de uma nova… Desde o início da audiência, doutor, ele foi advertido de que ele pode ficar em silêncio. Não, não é ficar em silêncio, porque ele tá falando, respondendo algumas coisas. Mas de outras pessoas, como essas que o senhor não sabe”, afirmou o advogado.

O depoimento ocorreu em meio às investigações sobre suspeitas de que Vorcaro teria pago propina a diretores do Banco Central e sobre um suposto vazamento de informações de investigações contra o banqueiro.

Relatório da PF cita 52 mensagens.
No início de setembro, o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal que aponta a existência de 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes. O documento foi elaborado por determinação de Mendonça e passou a integrar a investigação sobre o Banco Master. O caso provocou uma crise no STF em razão das apurações relacionadas à instituição financeira. Mendonça também pediu que o plenário do STF decida se deve ser aberta uma investigação contra Moraes. A análise está prevista para esta terça-feira (15).

Em resposta, Moraes encaminhou à Presidência um relatório de inteligência da PF, sem valor probatório, no qual questionou a atuação de Mendonça na condução das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. Moraes também pediu que o plenário decida sobre a investigação. Esse pedido deverá ser analisado em 23 de setembro.
 
https://www.brasil247.com
 

A trombada do terrivelmente evangélico.

 
Decisões no STF e desculpas esfarrapadas expõem a fuga de 
responsabilidade daqueles que ameaçam o rigor da democracia.

Ronaldo Lima Lins

Um carro desgovernado. O motorista salta, olha as vítimas e examina o volume do estrago. Em seguida, dá as costas e vai embora, como se não fosse com ele. Trata-se de um comportamento típico, uma doutrina comum das nossas atitudes humanas. Jair Bolsonaro também agiu assim, durante o seu mandato, por ocasião da epidemia de Covid: “Não sou coveiro”, gritava em altos brados, como se nada tivesse a ver com aquilo. Seguidor do pai, o 01 insiste no estratagema em plena corrida eleitoral, cada vez que o colocam contra a parede. Negociações com Vorcaro? “É coisa do Lula. Não conheço. Já disse”. Rachadinhas?. “Não sei o que significa isso’. Escritório do crime? “Estão me confundindo”.

André Mendonça, com a cara mais deslavada do mundo, como se cumprisse um rosário de orações, vai fazendo das dele em pleno Supremo Tribunal. Na confusão que armou, pretendeu comprometer um colega de bancada. Não se detém diante de nada. Entre as medidas que tomou, libertou irresponsavelmente implicados nas fraudes do INSS, e não se sabe onde vai parar. Imita clichês da história de nossa sociedade, fechando os olhos para crimes e problemas herdados de outros tempos. É preciso dizer que há muito evitamos enfrentar embaraços de outrora, como desigualdades que minam nossos sistemas de equilíbrio. As trombadas do Mendonça talvez não se interrompam. Com a autoridade de um alto magistrado, é capaz de ir adiante, sem medir consequências. Note-se que, na ânsia de ajudar Bolsonaro e a família, atropela os processos em curso para o pleito que se avizinha. Cria constrangimentos para seus colegas. Enquanto isso, a nação, perplexa, aguarda que alguém tome providências, isto é, que Edson Fachin, presidente em exercício do plenário, decida os rumos a serem seguidos por seus pares. As resistências de Mendonça, retendo apenas para si o que guarda dos inquéritos, sem dividir com ninguém, aumentam as desconfianças que pairam sobre ele. Se continuar assim, aos poucos escreverá na própria testa, em letras garrafais, a palavra culpado.

As situações descritas lembram o que aconteceu com Pablo Picasso, quando acabara de pintar o seu grande e desconcertante Guernica. Vivia-se a ocupação alemã em Paris. Um oficial nazista resolveu visitar o seu ateliê e tropeçou na incrível obra em processo de acabamento. “O senhor fez isto?”, perguntou ao artista, indignado. “Não”, respondeu o outro. “Foi o senhor quem fez”.

Enfiar a cabeça na areia, como os avestruzes, não atende à sociedade brasileira, muito menos durante o período eleitoral, quando devemos escolher entre projetos para a nação. Temos problemas gravíssimos que não se resolverão com trombadas contra seus companheiros de toga. Os golpistas do 8 de janeiro se acham na cadeia. Mas há os que permanecem de plantão. Toda vigilância é pouca para eles. A democracia é camarada, mas necessita de rigor.

 https://www.brasil247.com/ 

Moraes chama diálogos com Vorcaro de fantasiosos e acusa Mendonça de farsa.


Ministro acusa colega de direcionar investigação para 
criar “farsa incriminatória” às vésperas das eleições.

Jussara Soares, Teo Cury e Matheus Teixeira, da CNN Brasil, em Brasília

Em documento de 44 páginas, protocolado na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Alexandre de Moraes chamou de "diálogos fantasiosos" e "criminosas mentiras" as supostas trocas de mensagens que teria mantido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Usando 26 vezes a palavra "ilegal" para referir-se à atuação do colega André Mendonça, Moraes valeu-se novamente dos relatórios de inteligência apócrifos da Polícia Federal para sustentar sua defesa, apresentada a menos de 12 horas da sessão do STF que analisará o pedido de abertura de investigação contra ele. No documento, Moraes acusa Mendonça de "motivação político-eleitoral" e afirma que "está muito clara a tentativa de vingança" dos aliados de quem tentou acabar com a democracia no país.

"A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA", disse o ministro em sua petição.

Moraes garante nunca ter atuado em nenhum caso envolvendo o Banco Master ou o escritório de sua esposa, Viviane Barci, no âmbito do STF. "Não há nenhum elemento que indique a prática de qualquer conduta irregular ou qualquer infração penal pelo ministro Alexandre de Moraes", argumentou. O magistrado sustenta que a Operação Compliance Zero foi bem-sucedida e Vorcaro foi preso, sem indício de qualquer vazamento."Mas nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro [...]. MENSAGENS MINHAS que nunca existiram. DIÁLOGOS FANTASIOSOS."

Moraes alega que a leitura dos metadados, a eventual correlação temporal e a atribuição de suposta autoria das mensagens carecem de perícia e são resultado de "análise subjetiva" a partir de "determinação e direcionamento" de Mendonça. Segundo ele, o então relator do caso Master "ignorou todas as possibilidades" relacionadas aos achados no celular de Vorcaro: o conteúdo do bloco de notas não ter sido efetivamente enviado a alguém; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado a diversas pessoas em momentos diversos da criação do "screenshot"; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado, porém a mensagem ter sido apagada antes de visualizada; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado, porém a mensagem nunca foi visualizada."O analista", escreveu Moraes referindo-se ao colega do STF, "simplesmente escolhe o que lhe convém"."As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES."

De acordo com Moraes, houve direcionamento ilegal das investigações com o objetivo de "montar uma verdadeira farsa incriminatória com finalidade político-eleitoral", aproveitando-se da proximidade das eleições presidenciais e da data de 7 de setembro, usada como mote para atos da direita. Segundo ele, desde 18 de maio, quando assinou a PET 15.625, Mendonça tinha conhecimento da citação a Moraes, mas deixou de encaminhar o caso ao plenário do STF e escolheu um período mais apropriado para "produzir sua farsa"."Trata-se de DECISÃO INCONSTITUCIONAL, TOTALMENTE IRREGULAR E NULA, pois direcionar ilegalmente contra uns significa a tentativa de esconder outros, como ficou demonstrado com o levantamento do sigilo determinado pela Presidência da CORTE."

Moraes argumenta que os relatórios de inteligência da PF, apócrifos e com menções de que não têm "valor probatório", podem ser usados."[Eles] têm a mesma força probante de Colaborações Premiadas, ou seja, são meios de obtenção de prova, que devem ser comprovados por outras provas. Exatamente por isso, em relação a essa conduta absurda do Ministro relator, irei solicitar ao Presidente do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL que intime diversas testemunhas que presenciaram, em várias reuniões, os diversos pedidos do Ministro André Mendonça para a Polícia Federal solicitar medidas contra o Ministro Alexandre de Moraes, bem como, incluí-lo, juntamente com o Presidente do Senado Davi Alcolumbre, na colaboração premiada, mesmo sempre sendo informado que não havia nenhum mínimo indício para isso, por total ausência de prática de infração penal de ambos. As testemunhas serão indicadas no momento adequado."

https://www.cnnbrasil.com.br

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

"Dark Horse" invade show de Daniela Mercury no Rock in Rio.

 
Personagem surgiu lançando notas de dinheiro para o público no Rio de Janeiro.

Carla Melo
Por Carla Melo

Daniela Mercury voltou a movimentar as redes após convidar uma pessoa fantasiada de cavalo preto para subir ao palco, durante a sua participação no show dos Gilsons no Palco Sunset, no Rock in Rio, neste sábado, 12. Em um vídeo compartilhado pela própria artista, o personagem aparece lançando notas de dinheiro para o público. Na legenda, Daniela sugere que o personagem representaria o “Dark Horse”, em referência ao filme sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Um Dark Horse invadiu nosso palco no Rock in Rio e distribuiu notas de dinheiro. Vamos proteger a nossa democracia e a nossa soberania”, escreveu ela. Nos comentários, os internautas elogiaram e admiraram a indireta da artista: “Daniela é Rainha demais! Isso é ser artista. É estar atenta, firme, forte e trazer luz ao povo. É a resistência!”, disse uma internauta.“Tá faltando isso nessa eleição, artistas puxando questões políticas no palco”, comentou outra.

Polêmica.
O filme norte-americano de drama biográfico que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou grande repercussão após investigações da Polícia Federal (PF) apontarem possível participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento da obra. A relação teria sido intermediada pelo filho do ex-chefe de Estado, Flávio Bolsonaro. A suspeita é de que tenha havido desvio de emendas ligadas à produção do filme. Na sexta-feira, 11, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se manifestou sobre as investigações do Banco Master e pediu a quebra do sigilo de todos os documentos envolvendo a ex-instituição financeira, comandada por Daniel Vorcaro, inclusive envolvendo o "Dark Horse"

O magistrado alegou que a retirada da confidência, feita pelo ministro André Mendonça, relator, está sendo feita de forma “seletiva”. É nesse sentido que Moraes pede a “derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos autos” ao presidente Edson Fachin.

https://atarde.com.br/

Dark Horse: distribuidora toma decisão drástica sobre o filme.


Longa está no centro de um dos maiores escândalos 
econômicos e políticos dos últimos anos.

Edvaldo Sales
Por Edvaldo Sales

Em meio às investigações que envolvem o financiamento de ‘Dark Horse’, a distribuidora Europa Filmes decidiu não definir uma data de estreia para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi comunicada pelo diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, em entrevista ao jornal O Globo, na sexta-feira, 11, um dia depois de a Polícia Federal (PF) realizar uma operação para investigar suspeitas de desvio de emendas ligadas à produção do filme.

Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.“O lançamento do filme terá que estar livre de possíveis impedimentos. Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos”, disse Feitosa ao jornal O Globo.

Acho que deverá ser lançado quando não tiver mais possível bloqueio na exibição. Temos primeiro que aguardar o desenrolar de tudo isso. Estamos aguardando, é o prudente. Wilson Feitosa - diretor-geral da Europa Filmes. De acordo com a PF, Mário Frias direcionou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina Gama. Os valores foram pagos em fevereiro e outubro de 2025.

A investigação busca verificar se parte dos recursos foi desviada para empresas relacionadas à produção do longa. Frias nega irregularidades e diz que a operação da PF é uma “cortina de fumaça”. Além disso, há uma segunda frente de investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, que surgiu como desdobramento do caso Banco Master.Essa frente alcança diretamente o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou das tratativas  para levantar recursos privados para o filme.

Cautela da Europa Filmes.
A distribuidora já demonstrou cautela em outras ocasiões. Em julho de 2026, Wilson Feitosa havia declarado que não considerava estratégico lançar o filme durante o período eleitoral. Na ocasião, citou como experiência negativa o lançamento de ‘Lula, o Filho do Brasil’, que chegou aos cinemas em 2010. O cronograma da cinebiografia de Bolsonaro, porém, ainda não havia sido definido. Ainda segundo Feitosa, agora, qualquer definição de data depende também do encerramento das investigações e da ausência de obstáculos à exibição. “Não sabia da operação, mas, se tem coisa errada, tem mais é que esclarecer”, disse.

https://atarde.com.br/