Entenda a apuração da PF sobre o financiamento milionário do filme sobre Jair Bolsonaro, a rota do dinheiro nos EUA e por que a Constituição impede a prisão do senador.
Flávio Bolsonaro pode ser preso?
Entenda o caso Banco Master, Vorcaro e o filme Dark Horse. A dúvida sobre se Flávio Bolsonaro pode ser preso ganhou força após a divulgação de documentos da investigação sobre Vorcaro e o Banco Master. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não corre risco de ser preso neste momento. Como senador e candidato à Presidência, ele é investigado no caso Banco Master, mas não há nenhum mandado contra ele. Além disso, o artigo 53 da Constituição protege parlamentares: deputados e senadores só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável ou após condenação definitiva. No momento, a PF (Polícia Federal) apenas apura se houve lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas na captação de recursos para o filme Dark Horse.
O que é o caso Banco Master e a conexão com o filme.
A investigação sobre Flávio nasceu dentro da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar fraudes bilionárias no Banco Master, administrado por Daniel Vorcaro. O sigilo do inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça no STF, caiu em setembro de 2026, expondo a ponte entre o ex-banqueiro e a produção cinematográfica. O projeto em questão é o filme Dark Horse (anteriormente batizado de Capitão do Povo), uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O plano de negócios achado no celular de Vorcaro previa um investimento pesado de US$ 24 milhões (mais de R$ 120 milhões), dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 63 milhões) efetivamente cruzaram a fronteira em 2025.
Toda essa verba saiu da Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior (o “Mineiro”), e foi parar no Havengate Development Fund, um fundo praticamente inativo no Texas gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
A atuação dos irmãos Bolsonaro e as suspeitas da PF
Para os investigadores, Flávio não era mero espectador, mas o interlocutor de Vorcaro: trocou mensagens cobrando repasses atrasados, fez reuniões e acompanhou gravações. Mensagens recuperadas também mostram Eduardo Bolsonaro orientando a gestão desses recursos nos EUA.
Além do montante expressivo, a PF achou irreal a bilheteria estimada no projeto, calculada em US$ 100 milhões, e suspeita que a produção cinematográfica possa ter servido de fachada para esquentar capital.
Diante disso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, cobrou apurações para checar se houve corrupção. A PGR quer saber se Flávio ou o deputado Mário Frias (PL-SP) defenderam projetos ou propostas legislativas favoráveis ao Banco Master no Congresso como contrapartida ao dinheiro recebido.
Duas frentes no STF e o trunfo da delação.
O caso corre no Supremo Tribunal Federal em duas frentes diferentes. De um lado, no gabinete de André Mendonça, a apuração foca no núcleo do Banco Master, na movimentação financeira de Vorcaro e nas ações dos irmãos Bolsonaro — uma frente que ganhou forte tração após a homologação da delação premiada de Mineiro, responsável pelas remessas ao fundo americano. De outro lado, no gabinete do ministro Flávio Dino, investiga o uso de emendas parlamentares ligadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil) e à produtora do filme, a Go Up Entertainment, ambas sob comando da empresária Karina Ferreira da Gama, com dados compartilhados pela Polícia Civil de São Paulo.
O que diz Flávio Bolsonaro
Por sua vez, Flávio Bolsonaro admite ter buscado Vorcaro para financiar o longa, mas afirma que se tratou de uma captação 100% privada, sem dinheiro público e sem trocas de favores. O senador defende a abertura total dos autos para provar que todo o montante arrecadado foi efetivamente aplicado na produção.
Em que pé estamos?
A apuração ainda está em estágio inicial. Para haver qualquer desdobramento mais severo, a PF precisa fechar o relatório, a PGR decidir se apresenta denúncia e o STF aceitar a acusação para transformar a investigação em ação penal. Os documentos expostos acendem o sinal amarelo na política, mas não significam condenação ou prisão iminente.
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