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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Marina Silva tratou com presidente do PT sobre candidatura ao Senado por São Paulo.

 
Ministra também já realizou conversas com a presidente do Psol e afirmou estar 'muito honrada' pela procura de 'diversos partidos'.

Por Yago Godoy — Rio de Janeiro 

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), afirmou que pode disputar uma vaga ao Senado Federal por São Paulo nas eleições deste ano. Ela disse estar "disposta" a participar de uma construção eleitoral no estado que a "recolocou na cena política", além de relatar estar sendo procurada por "vários partidos". A ministra ponderou que a decisão para definir "a melhor forma de contribuir" será a partir de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). — Eu me vejo no desenho da construção para o Senado. São Paulo ajudou a salvar a minha vida biológica e me recolocou na cena política de uma forma incrível, quando eu nem queria mais ser candidata. E, agora, eu estou disposta a fazer essa construção — afirmou Marina, na quinta-feira, em entrevista à Rede TV. A ministra disse estar avaliando uma saída de seu atual partido, a Rede Sustentabilidade, e ressaltou que se sente "muito honrada" com a procura outras legendas "do campo democrático popular, com compromisso com a democracia". Conforme reportagem do GLOBO publicada na semana passada, interlocutores do PT afirmam já haver “quase um casamento” entre o partido e Marina. — Estou dialogando com o PT, sim, e tive uma primeira conversa muito boa com o Edinho (Silva, presidente da sigla). Uma conversa já aconteceu com a presidente do Psol, Paula Coradi. Tem pedidos de conversa do PSB, do PV, de vários partidos. Uma análise está sendo feita — disse.

De acordo com ela, o objetivo é formar um arranjo político capaz de beneficiar Lula nas eleições presidenciais em São Paulo. Ao mesmo tempo, o PT, segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, já está fazendo pesquisas para medir a viabilidade eleitoral da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), para uma possível disputa para o Senado pelo estado. Marina ainda mencionou a possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo paulista, que vem sendo cobrado para aderir à disputa embora manifeste não desejar ir às urnas: — Muita gente diz: "estão pressionando o Haddad". Eu não vejo como pressão. Vejo como reconhecimento da liderança que ele é, da importância que ele tem — destacou Marina. — Ele levou para o segundo turno uma eleição difícil (2022) em São Paulo que foi fundamental para a vitória do Lula. A liderança dele é de novo decisiva.

Nesta quinta-feira, Haddad ironizou a cobrança da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), para que ele seja candidato. Segundo ela, "todos os melhores quadros têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa", o que o ministro reagiu: "estou comemorando a Gleisi ter me elogiado".

Condições para candidatura de Marina.
Eleita deputada federal em 2022, Marina descarta disputar uma vaga na Câmara este ano. O GLOBO também apurou ser “pouco provável” que a ministra vá às urnas caso Haddad seja também candidato ao Senado, em vez de disputar o governo. Com isso, a avaliação no PT é que, até uma definição final do ministro da Fazenda, o cenário sobre uma candidatura da ambientalista permanece aberto. O PT deseja repetir em São Paulo a estratégia costurada no Paraná, com uma ministra na corrida pelo Senado como modo de fortalecer a presença da sigla no Legislativo e a reeleição do presidente Lula.

A saída de Marina da Rede está prevista para ocorrer nos primeiros meses deste ano. Aliados da ministra publicaram, em dezembro, um manifesto contra a direção nacional da sigla. Eles criticam mudanças no estatuto partidário e afirmam haver uma perseguição interna contra a ambientalista. O tensionamento da relação de Marina com a sigla se aprofundou em abril do ano passado com a derrota do candidato da ambientalista para o apoiado pela deputada federal Heloísa Helena, rompida com a ministra desde 2022. Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e optou por integrar a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico.

(Colaborou Luís Felipe Azevedo)
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Líder da bancada evangélica apoiou acordo do INSS com entidade acusada de fraude que recebeu R$ 221.000.000,00.


Empresas de familiares do deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) receberam R$ 1.800.000,00 da organização investigada.

Por Bernardo Mello — Rio de Janeiro 

Uma das principais lideranças da bancada evangélica, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) participou da assinatura de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades investigadas por suposta fraude em descontos de aposentadorias. Desde aquele acordo, a CBPA recebeu R$ 221.000.000,00 repassados pelo INSS, entre março de 2023 e abril de 2025 — mês em que foi deflagrada a Operação Sem Desconto, que apurou irregularidades nessas entidades. Silas acompanhou o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, em reuniões com a cúpula do INSS no início de 2021, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro. Em maio daquele ano, ele compareceu à cerimônia em que foi assinado, conforme Diário Oficial, um “protocolo de intenções (...) com a finalidade de efetivar descontos nos benefícios previdenciários” de filiados à CBPA, no valor de até 2,5% do benefício.“O acordo de cooperação técnica com o INSS trará um novo momento para mais de 1 milhão de pescadores e pescadoras artesanais do país”, escreveu Silas, após a cerimônia no INSS ao lado de Lincoln.

O acordo foi efetivado em julho de 2022, e os descontos passaram a ocorrer em março de 2023, já durante o governo Lula. Entre junho e julho daquele ano, a CBPA passou de 35 mil associados com descontos nos seus vencimentos para mais de 220 mil. Com isso, a entidade saltou de cerca de R$ 30.000,00 para R$ 7.500.000,00 recebidos do INSS por mês. No início de 2025, o valor subiu para R$ 9.500.000,00 mensais. Quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a investigação, a CBPA contava com 442 mil associados que tinham seus vencimentos descontados pelo INSS e repassados à entidade. A CGU entrevistou uma amostra de 32 associados à CBPA, em 2024, e nenhum deles disse ter autorizado os descontos. Segundo a CGU, a entidade ligada a Silas Câmara não conseguiu esclarecer a situação de nenhum desses associados.

Contratos milionários.
O caso entrou na mira da CPI do INSS após um depoimento de Abraão Lincoln, presidente do CBPA, em novembro. Documentos enviados à CPI e levantados pelo GLOBO mostram que, desde o fim de 2023, a CBPA firmou contratos com empresas de familiares de Silas Câmara, para as quais repassou R$ 1.800.000,00. O primeiro contrato foi com a Network Multimídia, que recebeu R$ 30.000,00 para divulgar, em agosto de 2023, o “Grito da Pesca”, evento da CBPA que teve o deputado amazonense como uma espécie de “embaixador”. Em seguida, entre julho de 2024 e março de 2025, a CBPA repassou R$ 1.000.000,00 à Network Filmes, empresa quase homônima à primeira. A Network Filmes tem como sócia Kethlen Brito, cunhada de Heber Câmara, filho do deputado. Heber se apresenta como CEO do “Network Group”. Já a Network Multimídia está em nome de Maria Soraia Costa, sogra de Heber. No ano passado, a CBPA repassou ainda R$ 30.000,00 à Rádio Morena FM, que era dirigida por Elienai Câmara, outro filho de Silas. Houve ainda um contrato entre a CBPA e a Conektah Estratégias Digitais, empresa que figurou na prestação de contas da campanha de Silas Câmara em 2022. A empresa arrecadou R$ 800.000,00 da CBPA, sob pretexto de “veicular programas radiofônicos” sobre a entidade no Amazonas.

Procurado pelo GLOBO, Silas Câmara não se manifestou. Em ofício enviado à CPI do INSS, a defesa do deputado disse que “não há qualquer base fática ou indício mínimo que permita cogitar” que as empresas foram usadas “para fins irregulares”. A defesa disse ainda que a “relação familiar (...) não implica, por si só, irregularidade”. A CBPA também contratou outra filha de Silas, a advogada Milena Ramos Câmara, para o setor jurídico. Ela já foi coordenadora jurídica da bancada evangélica, que foi presidida por Silas em 2019 e 2023.
 
Acusado por ex-mulher.
Mãe de Milena e Heber, a também deputada federal Antonia Lucia (Republicanos-AC), que se separou de Silas em 2024, acusa o ex-marido de “gastar o dinheiro da farra dos pescadores por meios ilícitos”. Nas redes sociais, Antonia mencionou a atuação de Silas, em 2025, para permitir que entidades como a CBPA sigam intermediando o repasse de seguro-defeso. O benefício é pago pelo INSS nos períodos do ano em que a pesca não é permitida. Nas redes, o próprio Silas expôs sua articulação com Abraão Lincoln, da CBPA, para modificar uma medida provisória do governo Lula que transferia a responsabilidade do cadastro de seguro-defeso para prefeituras. O Amazonas contava, em 2025, com 83 mil beneficiários do seguro-defeso, boa parte cadastrados pela CBPA e por associações vinculadas a ela.“Somos contra abrir precedentes que fragilizam a atuação das entidades representativas”, disse Silas na ocasião.

A CBPA não retornou os contatos do GLOBO.
Contexto:
Irmão do pastor Samuel Câmara, principal nome da Assembleia de Deus na região Norte, o deputado Silas Câmara não foi a única liderança evangélica dragada pela CPI do INSS — que será retomada esta semana com depoimento de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A menção a pastores e igrejas na CPI, postos sob suspeita de se beneficiar de descontos fraudulentos, causou cizânia entre Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em uma amostra de divisões que podem chegar às urnas neste ano. Malafaia, líder de outro braço da Assembleia de Deus — mas com histórico de alianças com a família Câmara na igreja —, não gostou de ver Damares lembrar, em entrevistas recentes, que as apurações resvalaram em “grandes pastores”. Damares, aliada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também sugeriu que haveria pressão para abafar o caso nas igrejas. Embora não seja um dos citados, Malafaia desconfia das intenções de Damares. A senadora apoiou Michelle a tentar a Presidência; o pastor preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Damares costuma enfrentar lideranças consolidadas: em 2019, se tornou ministra de Bolsonaro contra o também evangélico Magno Malta, de quem havia sido assessora. No ano passado, pediu ao pastor Mário de Oliveira, que se afastasse do comando da Igreja Quadrangular, da qual ela já fez parte, após ser acusado de abuso sexual. O petardo de Damares atingiu ainda o pastor André Valadão, líder da Lagoinha, outra igreja à qual a senadora já foi ligada. Valadão, que apoia Flávio Bolsonaro à Presidência, foi citado na CPI por suspeitas envolvendo o cunhado de Vorcaro, que também é da Lagoinha. Irritado, Valadão disse que Damares “mordeu a isca da esquerda” ao citá-lo e negou irregularidades. A senadora escolheu uma forma curiosa de pedir desculpas ao pastor: após chamá-lo de “amigo de longa data”, disse que a igreja de Valadão é “procurada por pessoas muito ricas”. “Os pobres me dão de presente farinha, banana, este é meu público”, disse Damares.

A CPI do INSS virou exemplo de que as grandes lideranças evangélicas, antes aglutinadas com Bolsonaro, hoje já não pensam tão parecido.

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Ministério da Saúde emite alerta urgente sobre o Vírus Nipah no Brasil.

 
Por Carolina Carvalho 

Nos últimos dias, você provavelmente ouviu falar sobre o surto do vírus Nipah na Índia, que gerou muita preocupação entre cientistas pela alta letalidade do vírus (que não tem vacina). Em meio à repercussão, o Ministério de Saúde do Brasil publicou uma nota sobre o assunto, tranquilizando a população sobre os riscos do vírus chegar ao país e de causar uma nova pandemia. A nota destaca que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a pasta avaliam que o risco de uma pandemia causada pelo Nipah é “baixo”. “O surto recente registrado na Índia teve dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, e nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”, afirma a nota.“Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, completa o comunicado da pasta.

Vale destacar que o principal vetor de transmissão do vírus são morcegos do gênero Pteropus, espécies que não existem no Brasil. O vírus Nipah pode ser transmitido entre humanos, mas, de acordo com infectologista Benedito Fonseca, professor de infectologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USO e consultor da Sociedade Paulista de Infectologia, consultado pelo O Globo, esse tipo de transmissão é baixa porque é preciso um contato “muito íntimo” com as secreções de pessoas contaminadas.

Vírus Nipah na Índia.
Foram confirmados dois casos no país. Quase cem contatos próximos dos contaminados foram testados e tiverem um resultado negativo para o vírus. Aeroportos de países asiáticos também adotaram medidas de proteção sanitária para evitar a proliferação do vírus.

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Pouca gente sabe, mas o chamado “cheiro de idoso” não é causado por falta de higiene.

 
A ciência descobriu que o odor corporal muda com a idade devido à alteração na composição química das substâncias que a pele produz.

Por Carlos Emanoel Freires dos Santos.

Muita gente já percebeu um odor característico em casas e ambientes frequentados por pessoas mais velhas, mas poucos sabem que esse cheiro específico tem uma explicação científica clara. O chamado cheiro de pessoa idosa não tem nada a ver com falta de higiene ou cuidados pessoais inadequados. É na verdade uma mudança química natural que acontece no corpo humano à medida que envelhecemos, impossível de evitar completamente mesmo com banhos frequentes.

De onde vem esse odor característico de pessoas idosas?
A ciência descobriu que o odor corporal muda com a idade devido à alteração na composição química das substâncias que a pele produz. A partir dos 40 anos, o corpo começa a produzir um composto chamado 2-nonenal que tem um cheiro característico descrito como gorduroso, herbáceo ou até lembrando papel velho. Esse composto não é produzido em quantidades significativas em pessoas mais jovens. O 2-nonenal é resultado da degradação de ácidos graxos ômega-7 presentes naturalmente na pele. Com o envelhecimento, a pele produz mais esses ácidos graxos e ao mesmo tempo se torna menos eficiente em eliminá-los. Quando esses ácidos se oxidam em contato com o ar, formam o 2-nonenal que se acumula na superfície da pele e nas roupas criando o odor característico associado ao envelhecimento.

Por que higiene normal não elimina completamente esse cheiro?
O 2-nonenal é um composto lipofílico, ou seja, se dissolve em gordura mas não em água facilmente. Isso significa que um banho comum com sabonete regular não remove completamente essa substância da pele. O composto continua sendo produzido constantemente então mesmo depois de um banho completo, ele volta a se acumular em poucas horas. Além disso, o 2-nonenal não é produzido apenas na superfície da pele mas também em camadas mais profundas da epiderme. Isso torna praticamente impossível eliminar o odor completamente através de limpeza externa. Não é questão de lavar mais ou usar produtos mais fortes, mas sim uma característica biológica inevitável do processo de envelhecimento humano.

As razões para a persistência do odor incluem:
O composto 2-nonenal sendo lipofílico não se dissolve facilmente em água ou sabão comum.
Produção contínua do composto pela pele fazendo com que retorne mesmo após banho.
Formação em camadas profundas da epiderme além da superfície facilmente acessível.
Acúmulo gradual em roupas e tecidos que entram em contato com a pele regularmente

Esse odor afeta todas as pessoas igualmente?
A intensidade do odor varia bastante de pessoa para pessoa dependendo de fatores genéticos, dieta e estilo de vida. Algumas pessoas produzem mais 2-nonenal que outras naturalmente devido à genética. A alimentação também influencia porque dietas ricas em gorduras oxidadas podem aumentar a produção do composto, enquanto dietas com muitos antioxidantes podem reduzir ligeiramente. Fumantes tendem a ter o odor mais intenso porque o tabaco acelera a oxidação dos ácidos graxos na pele. O consumo excessivo de álcool também pode piorar o problema pelos mesmos motivos. Por outro lado, pessoas que mantêm boa hidratação, praticam exercícios regularmente e têm dieta balanceada podem apresentar versão mais suave do odor característico.

Existe alguma forma de minimizar esse odor?

Embora seja impossível eliminar completamente o 2-nonenal, algumas estratégias podem ajudar a reduzir sua intensidade. Usar sabonetes específicos formulados para remover óleos mais eficientemente pode ajudar um pouco. Produtos à base de carvão ativado ou argila também são mais eficazes em absorver compostos lipofílicos que sabonetes comuns. Trocar roupas de cama e toalhas com mais frequência faz grande diferença porque o 2-nonenal se acumula nesses tecidos. Lave as roupas em água quente sempre que possível porque temperaturas mais altas ajudam a remover óleos impregnados. Manter o ambiente bem ventilado também reduz a concentração do odor no ar impedindo que se torne perceptível.

As estratégias para minimizar o odor incluem:
Usar sabonetes à base de carvão ativado ou argila que removem óleos mais eficientemente.
Trocar roupas de cama e toalhas com maior frequência evitando acúmulo do composto.
Lavar roupas em água quente para remover óleos impregnados nos tecidos.
Manter ambientes bem ventilados reduzindo concentração do odor no ar.
 
Como essa informação ajuda a reduzir estigma?
Saber que o cheiro característico de pessoas idosas é uma mudança química natural e não resultado de falta de cuidados pessoais pode reduzir muito o estigma e os julgamentos injustos. Muitas pessoas mais velhas se sentem constrangidas com esse odor achando que não estão se cuidando adequadamente, quando na verdade estão fazendo tudo certo mas lutando contra a biologia inevitável. Essa compreensão também ajuda familiares e cuidadores a abordarem o assunto com mais sensibilidade e empatia. Em vez de sugerir que a pessoa precisa tomar mais banhos ou lavar melhor as roupas, reconheça que se trata de um processo natural do envelhecimento. O foco deve estar em estratégias práticas de minimização do odor sem fazer a pessoa se sentir suja ou negligente com a própria higiene.

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sábado, 31 de janeiro de 2026

Tebet aceita se candidatar, e Marina Silva se movimenta por vaga na corrida ao Senado por SP.

 
Titular do Planejamento vai deixar pasta e deve concorrer ao Senado, enquanto ministra do Meio Ambiente se reúne com partidos.

Por Sérgio Roxo — Brasília 

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), acertou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mudança do seu domicílio eleitoral para São Paulo e deve disputar o Senado em uma chapa que teria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), concorrendo ao governo do estado. Em paralelo, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), afirmou que também pode concorrer ao cargo — a eleição terá duas vagas para a Casa — e que está “disposta” a participar de uma construção eleitoral no estado que a “recolocou na cena política”

Lula e Tebet conversaram sobre o cenário eleitoral durante viagem ao Panamá nesta semana para participar do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). A ministra tem até 4 de abril para transferir o seu título eleitoral do Mato Grosso do Sul, seu estado de origem e por onde já foi senadora, para São Paulo. Ainda não está definido se Tebet mudará de partido. A ministra recebeu convite para trocar o MDB pelo PSB.

Negociação no MDB.
Lideranças petistas de São Paulo ainda alimentam, porém, a possibilidade de ela concorrer ao Senado pelo seu atual partido. Mas no estado o MDB está comprometido com o projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que na disputa municipal de 2024 foi um importante cabo eleitoral do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). A aliança firmada na época teve a participação do presidente nacional da legenda, Baleia Rossi. A ministra foi questionada na sexta-feira, após participar de um evento em São Paulo, sobre a possibilidade de transferir o seu domicílio eleitoral para o estado. — Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir. Porque o presidente avalia que sou importante no processo eleitoral e entende que é importante a minha candidatura. — respondeu. — Discutimos apenas a minha candidatura ao Senado. Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Ele queria me ouvir. O presidente tem a virtude de nunca impor nada.

Tebet revelou que terá uma segunda conversa com Lula antes do carnaval para continuar a discutir a sua situação política e chegar a uma definição. No entorno do presidente, há uma avaliação de que Tebet deve mudar para São Paulo não só porque sua candidatura ao Senado é viável eleitoralmente, mas também porque o cenário político para ela no Mato Grosso do Sul é complicado. O MDB faz parte do governo de Eduardo Riedel, que trocou o PSDB pelo PP e se aproximou do bolsonarismo. Depois do apoio dado a Lula no segundo turno da eleição de 2022, Tebet teve a sua imagem desgastada no estado, onde Bolsonaro superou o petista. Deputados estaduais do MDB do MS não gostariam de disputar tendo a ministra na chapa ao Senado.Em São Paulo, o palanque de Lula ainda não está totalmente definido. Haddad vem resistindo em  declarações públicas à possibilidade de concorrer ao governo. Há uma aposta, porém, de que o ministro da Fazenda vai ceder aos apelos do presidente e à pressão do PT, já manifestada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. — Eu entendo que São Paulo tem dois nomes de peso, relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem, de levar inclusive para um segundo turno, que são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Não entramos em detalhes (sobre isso). Estou aqui apenas externando uma mera opinião — avaliou Tebet.

Encontro com Edinho.
Já Marina também deve se reunir com Lula para tratar de seu futuro político e definir, segundo ela, “a melhor forma de contribuir” na construção eleitoral em São Paulo. A ministra deve deixar seu atual partido, a Rede, e negocia um retorno ao PT. Na sexta-feira, ela se reuniu com dirigentes do PV, como noticiou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.— Eu me vejo no desenho da construção para o Senado. São Paulo ajudou a salvar a minha vida biológica e me recolocou na cena política de uma forma incrível, quando eu nem queria mais ser candidata — disse.

Marina relatou que é procurada por “vários partidos”:
— Estou dialogando com o PT, sim, e tive uma primeira conversa muito boa com o Edinho (Silva, presidente da sigla). Uma conversa já aconteceu com a presidente do PSOL, Paula Coradi. Tem pedidos de conversa do PSB, do PV, de vários partidos. Uma análise está sendo feita.

(Colaboraram Matheus de Souza e Yago Godoy)
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Motta rebate Tebet sobre sobre 'sequestro do Orçamento': 'Emendas dão voz a estados e municípios'.

 
Presidente da Câmara reage a crítica da ministra em meio a 
tensão com o Planalto por vetos e bloqueios no Orçamento.

Por Luísa Marzullo — Brasília 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu na sexta-feira às críticas feitas pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), ao volume e à execução das emendas parlamentares. Em evento, Tebet defendeu uma reforma orçamentária para melhorar o planejamento e a qualidade do gasto público. Em suas redes sociais, Motta afirmou que o Congresso Nacional não “sequestra” o orçamento da União ao ampliar o espaço dos recursos. Para ele, a declaração da ministra deslegitima uma atribuição constitucional do Legislativo e distorce o papel do Parlamento na definição dos gastos públicos. — Nenhuma instituição que integra o regime democrático “sequestra” o orçamento. O Congresso exerce uma prerrogativa constitucional: debater, emendar e decidir sobre a alocação dos recursos públicos. Isso não é desvio, é equilíbrio entre os Poderes — disse Motta.

O presidente da Câmara classificou como “equivocada” a fala da ministra e reforçou o caráter federativo das emendas parlamentares, que, segundo ele, funcionam como instrumento de conexão entre o Orçamento da União e as demandas locais. — Foi equivocada a declaração da ministra Simone Tebet de que o Congresso sequestra parte do orçamento. As emendas parlamentares dão voz aos estados, aos municípios e às prioridades reais da população — afirmou.

Motta sustentou ainda que divergências entre os Poderes são naturais, mas que o debate precisa preservar o reconhecimento institucional do papel do Parlamento. — Divergências fazem parte da democracia, mas é preciso cuidado com palavras que deslegitimam o papel do Parlamento — completou.

As declarações do deputado foram dadas após discurso de Tebet na sexta-feira, durante evento do Insper, em São Paulo, em que a ministra criticou o volume de recursos destinados a emendas parlamentares e o grau de influência do Congresso na execução do Orçamento. — Parte das despesas do orçamento que é livre foi confiscado, foi sequestrado por um Congresso Nacional cada vez mais dependente do orçamento brasileiro com um objetivo muitas vezes eleitoral, algumas vezes legítimo — afirmou a ministra. No mesmo evento, Tebet disse não ser contrária às emendas em si, mas criticou a concentração de recursos e a falta de planejamento em parte dos repasses. Segundo ela, há situações em que um único parlamentar tem poder para direcionar cerca de R$ 60.000.000,00 por ano “sem nenhum planejamento”, sem garantia de que os recursos estejam alinhados a políticas públicas estruturantes. A ministra defendeu ainda uma reforma do orçamento, que classificou como “vital” para melhorar a qualidade do gasto público e a formulação de políticas públicas.

A reação de Motta ocorre em meio à irritação de líderes da Câmara com decisões recentes do Planalto na área orçamentária, como o veto a cerca de R$ 400.000.000,00 em emendas e o bloqueio de aproximadamente R$ 11.000.000.000,00 no Orçamento. As medidas foram interpretadas por parlamentares como tentativa do Executivo de "abrir fogo" contra o Parlamento. Ao mesmo tempo, Motta evita desgaste político com o governo. O presidente tenta preservar canais com o Planalto já de olho nas eleições. Seu pai, Nabor Wanderley, é pré-candidato ao Senado na Paraíba e quer compor a chapa governista no estado.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Irmã de Nikolas o alertou sobre ‘magia negra’: 'O Problema não é o Lula'.


Ela disse ter recebido mensagem direta de Deus e sugeriu que pessoas que 
trabalham para o parlamentar estão conspirando espiritualmente contra ele.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou uma mensagem que recebeu da irmã, Ellen Ferreira, em julho do ano passado. No texto, ela contou ao parlamentar sobre uma visão e disse que havia pessoas fazendo “magia negra” contra ele. Ellen relatou ter sido alertada por Deus sobre “sujeira”. “Nikolas, tive uma visão agora há pouco, Deus me orientou a compartilhar isso somente com você. (...) Eu vi jorrando dessa parte muita lama. Muita sujeira, como se fosse um cano de esgoto estourado. E à medida que aquilo foi saindo, eu comecei a chorar e falar: Teu povo clama! teu povo clama!”, escreveu.“E então Deus começou a falar comigo: ‘Para que a limpeza aconteça, primeiro a sujeira deve sair. A podridão deve vir à tona. Parem de se preocupar com os grandes. O problema do Brasil não é o Lula, o PT ou a esquerda. O problema é o joio, os que estão entre vocês. Os que estão crescendo às suas custas. Peçam por luz, por clareza. Nada ficará oculto’”, escreveu.

Ela disse ter recebido mensagem direta de Deus e sugeriu que pessoas que trabalham para o parlamentar - citando uma imagem de uma empregada - estão conspirando espiritualmente contra ele. Ellen seguiu parafraseando a mensagem que diz ter recebido de Deus: “‘Tenham cuidado com quem entra na casa de vocês, quem trabalha pra vocês. Há pessoas colocando objetos consagrados com magia negra dentro das casas e dos gabinetes (Nesse momento eu vi uma mulher com roupa de ‘empregada’ colocando algo em uma prateleira na casa de alguém). Orem e consagrem tudo o que forem comer. Louvem antes de todas as reuniões, porque o louvor liberta. Eu não me esqueci de vocês’”.

Caminhada de Nikolas.
Nikolas fez post no Instagram revelando a mensagem da irmã, recebida em julho de 2025, mesmo mês em que teve a ideia de fazer a caminhada. Na última segunda-feira (19/1), o parlamentar partiu de Paracatu (MG) rumo a Brasília (DF) em um trajeto de 250 km que durou até domingo (25).“Eu não lembrava dessa mensagem, muito menos do conteúdo. Ela me enviou agora e lembrei que, no último dia, passamos por uma chuva que subiu literalmente água de esgoto enquanto a gente caminhava. E eu e vários falavam: água pra limpar a sujeira de Brasília”, completou o deputado.

https://www.em.com.br

Ditadora interina da Venezuela diz estar "farta" de ordens dos EUA.


Isabella Hell de Paula

Desde que assumiu interinamente o regime da Venezuela com a queda do ditador Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez tem andado na corda bamba, na tentativa de equilibrar a pressão dos aliados chavistas com as exigências dos EUA. No domingo (25), durante um discurso na refinaria de Puerto La Cruz, no estado de Anzoátegui, a ditadora pediu ao governo de Donald Trump que cesse "imediatamente" o que ela considera interferência nos assuntos internos da Venezuela. Rodríguez declarou aos trabalhadores que participaram do evento: "Basta de ordens de Washington", uma mudança radical no tom de cooperação com os americanos.

A representante do chavismo adotou uma narrativa mais alinhada com a utilizada por Maduro para lidar com os problemas da Venezuela. Rodríguez relacionou a situação atual do país aos efeitos da pressão internacional e das sanções impostas por setores que ela descreveu como "fascistas" e "extremistas". Ela afirmou no discurso que "a República pagou um preço muito alto por ter que enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo", enfatizando que a prioridade de seu regime é "defender a pátria e sua integridade territorial".

Na semana passada, um funcionário da Casa Branca citado pela Agência EFE informou que a ditadora interina da Venezuela deve visitar Washington "em breve". O anúncio sobre a viagem de Delcy Rodríguez ocorre dias depois de uma reunião entre Trump e a líder opositora venezuelana e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, a quem o republicano excluiu, por enquanto, do processo de transição no país por considerar que não conta com apoio suficiente. Em entrevista à revista The Atlantic, poucos dias após a captura de Maduro, Trump afirmou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” caso não coopere com os EUA.

https://www.gazetadopovo.com.br

Entrevista: 'Não vou cruzar os braços. Doa a quem doer', diz Edson Fachin, presidente do STF, sobre caso Master.


Magistrado afirma que eventuais questionamentos sobre a investigação da instituição financeira, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, podem ser analisados pela Segunda Turma da Corte.

Por Mariana Muniz — Brasília 

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin afirma em entrevista ao GLOBO que não irá ficar de “braços cruzados” na hipótese de ter que avaliar questionamentos sobre o caso do Banco Master, cuja investigação está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, alvo de pedidos de suspeição feitos por parlamentares. Apesar de evitar fazer qualquer antecipação sobre seu posicionamento, o magistrado afirma que pode agir — “doa a quem doer”.

O ministro Dias Toffoli vem sendo questionado sobre as condições de continuar como relator da investigação do Banco Master no STF. Dois irmãos do magistrado já foram sócios de um resort no Paraná e venderam a participação para um fundo que é ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Diante disso, o senhor entende que Toffoli deve permanecer à frente do caso?

- Como presidente do tribunal, não posso antecipar juízo sobre circunstâncias que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi mencionado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer.

O que achou das reações negativas à nota em defesa de Toffoli e do STF divulgada na semana passada?

- Uma nota institucional da presidência do Tribunal tem, antes de tudo, o dever de defender a institucionalidade. Nesse caso específico, defendeu-se a regularidade da atuação jurisdicional durante o recesso, uma vez que o ministro relator foi designado por sorteio aleatório e optou por continuar trabalhando. Além disso, procurei enfatizar a autonomia técnica das instituições de controle — Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público. Cabe à Polícia Federal investigar com transparência; ao Ministério Público, exercer plenamente suas atribuições. Nada está imune à crítica, nem o Supremo, nem qualquer um de seus ministros. As interpretações da nota são legítimas, sejam elas quais forem.

Na nota, o senhor afirmou que é legítimo que eventuais vícios ou irregularidades devem ser analisados pelo colegiado do STF. Haverá uma definição de outros ministros da Corte sobre a permanência do caso Master no Supremo ou o retorno à primeira instância da Justiça?

- A regra é que eventuais arguições de irregularidade sejam apreciadas pelo colegiado competente, nos termos do regimento interno. Se houver recurso ou irresignação por parte de interessados, essa matéria será submetida ao órgão colegiado correspondente, e o relator apresentará suas razões. O colegiado, então, decidirá. Pela regra, será a Segunda Turma, colegiado do qual o ministro Toffoli faz parte.

O senhor tem defendido a necessidade de um código de conduta para ministros e até interrompeu as férias para conversar com os demais integrantes da Corte. Por que esse tema enfrenta tanta resistência na Corte?

- Entendo que o Supremo, nesses 37 anos, alcançou um amadurecimento institucional que permite a adoção de um código de conduta. Foram décadas intensas: enfrentamos impeachments, grandes escândalos de corrupção, ações penais de grande repercussão, como a Ação Penal 470 (processo do mensalão), a (Operação) Lava-Jato e, mais recentemente, o julgamento de pessoas envolvidas na tentativa de golpe de Estado. Nesse período, o Supremo assumiu um papel cada vez mais visível. Antes da Constituição de 1988, poucas pessoas sabiam quem eram os ministros da Corte. Hoje, isso é evidente, inclusive na vida cotidiana. A exposição pela TV Justiça também contribuiu para isso. Outras Cortes passaram por processo semelhante. O código de conduta fortalece a instituição porque reforça a legitimidade da caminhada e aumenta a confiança da população. Ele fixa parâmetros objetivos de comportamento. Dou um exemplo simples: a transparência sobre palestras ministradas por ministros — onde foram realizadas, quem convidou, quem patrocinou e se houve pagamento. Essa resposta precisa ser institucional e estrutural. Não pode ser casuística nem direcionada a situações específicas. O código deve ser duradouro.

Mas qual é o obstáculo para tirar essa ideia do papel?

- A principal resistência que percebo não é ao conteúdo do código, mas ao momento. Há quem defenda que se espere passar o período eleitoral para evitar contaminações políticas. Respeito essa posição, mas não concordo. No Brasil, temos eleições praticamente a cada dois anos, e o debate público, com críticas e controvérsias, faz parte da democracia. A democracia é um canteiro de obras ruidoso.

É possível que o código seja aprovado até 2027?
 
- Se depender da minha iniciativa, espero estabelecer um cronograma o mais breve possível, a partir de um consenso entre os ministros. Isso não significa fazer algo apressado. O próprio debate sobre o código deve ser um instrumento de mudança cultural. Isso é importante porque o Supremo deve dar o exemplo para os cerca de 18 mil juízes do país.

Como têm sido essas conversas com ministros?

- O diálogo tem sido bom e muito positivo. Tenho exposto as razões que nos levam a defender a adoção de um código de conduta e, ao mesmo tempo, recebido sugestões, ideias e também algumas contraposições, todas muito relevantes. O debate tem sido sadio, e estou confiante de que daremos um passo adiante. Com o ministro Dias Toffoli, conversei por telefone. No curso de uma ligação sobre outros assuntos, tratamos também do código de conduta. Assim como ocorreu com os demais ministros, foi uma conversa cordial, com a apresentação de sugestões que considero positivas.

Como vê a proposta de código de conduta que a OAB-SP encaminhou ao STF?

- Eu ainda não li detalhadamente, mas tenho certeza de que ela contém boas ideias. Trata-se de uma comissão respeitável, com ministros aposentados, professores e ex-integrantes do Ministério da Justiça. Vejo como salutar a iniciativa. Há um debate legítimo sobre se o Supremo pode adotar regras internas mais restritivas do que as previstas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. A minha posição é afirmativa, desde que haja critérios objetivos e que o objetivo seja a proteção do interesse público.

Por que o Judiciário tem sido alvo de ataques?

- O Judiciário não é eleito, o que faz com que sua legitimidade não venha do voto, mas do ingresso por concurso ou por indicação constitucional, seguido de sabatina. Essa é a chamada “legitimidade de entrada”. A outra dimensão é a “legitimidade da caminhada”, construída diariamente por decisões fundamentadas, jurisprudência estável e conduta compatível com a função. O Judiciário costuma ser alvo de ataques por três razões principais. A primeira é seu papel de controle sobre os demais Poderes, o que incomoda governantes com pretensões autoritárias. A segunda é o fato de ser um Poder sem armas ou força material própria, o que o torna mais vulnerável a tentativas de deslegitimação. A terceira está ligada ao papel assumido no pós-guerra de proteger direitos fundamentais e minorias, o que desperta reações de setores contrários a essa atuação. 

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Toffoli avisa STF que fica com caso Master: 'Apanho o que tiver de apanhar'.

 
Daniela Lima

O ministro Dias Toffoli decidiu ser eloquente. Contatado por colegas do Supremo, mandou avisar que fica com o caso Master. Disse que vai "apanhar o que tiver que apanhar" e "conduzir o caso regularmente, com tranquilidade". Em nota sobre a rejeição do pedido de seu afastamento do processo pela Procuradoria-Geral da República, o ministro reforçou a mensagem. Disse que o parecer de Paulo Gonet rejeitando tirá-lo do caso "reafirma a regularidade da condução"."Todos os requerimentos formulados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal foram integralmente deferidos. Em razão disso, todas as medidas investigativas foram autorizadas pelo relator e as apurações encontram-se atualmente sob a custódia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, responsáveis pela análise do material e pela instrução dos procedimentos."

Na prática, Toffoli decidiu não arredar pé. A questão agora é de defesa pessoal de sua capacidade de conduzir um processo complexo e polêmico debaixo de fogo cerrado. O ministro foi taxativo: "Não vou abrir mão", disse a um aliado.

Aos críticos dentro do próprio STF, fez questão de lembrar que a corte inteira tem na memória episódios de caronas em aeronaves ligadas a grandes empresários e que sua situação passa longe de ser inédita ou única. Pegou em armas. Toffoli determinou novos depoimentos dos diretores do Master na semana que vem. Mais: pretende fazer uma segunda conversa a portas fechadas com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para aparar arestas que ficaram evidentes, inclusive em decisões publicadas por ele, no dia da segunda fase da operação Compliance Zero. A novela vai longe.

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