Fabio Serapião, Artur Rodrigues e Natália Portinari Colunistas do UOL
A PF (Polícia Federal) investiga R$ 1,4 bilhão em transações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e o site de apostas Blaze, operado no Brasil pela empresa Foggo Entertainment. Os investigadores suspeitam que apostas feitas no site e transferências entre diferentes contas ligadas a Willer tenham sido utilizadas como mecanismo para ocultar a origem e o destino dos recursos. Uma das hipóteses da PF é que Willer seja sócio oculto da Blaze. O advogado nega qualquer relação societária ou comercial com a empresa e afirma que as movimentações correspondem a apostas feitas com recursos próprio. Willer e Flávio Bolsonaro são amigos, viajaram juntos para o exterior algumas vezes nos últimos anos e mantêm convívio familiar. Como revelou o UOL, e-mails em posse da PF indicam que o candidato e o advogado dividiram uma conta no banco Santander. Ambos negam.
Indícios da relação de Willer com bets surgiram para a PF no curso de uma investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas. Willer sustenta ser viciado em jogo. Ele entrou com uma ação contra a Blaze para tentar reaver R$ 163 milhões que diz ter perdido em apostas por causa do suposto vício e de falhas da plataforma. A investigação da PF se baseia em dados obtidos no iCloud do advogado -o serviço de armazenamento de arquivos da Apple-, e relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que apontam movimentações consideradas suspeitas entre contas pessoais, empresas ligadas a Willer e plataformas de apostas. Entre as empresas analisadas, estão RioPag, Pixs, Embrasis, Cathedral Holdings e Alcazar Holdings. Também chamaram a atenção dos investigadores movimentações de R$ 130 milhões na conta pessoal de Willer no banco digital Magnum Bank entre março e maio de 2025. A PF identificou circulação de recursos entre diferentes contas e transferências fracionadas, o que costuma indicar uma tentativa de driblar a fiscalização das autoridades.
No relatório da Polícia Federal sobre as transações entre as empresas ligadas a Willer e a Blaze, há destaque para uma pulverização de valores em março de 2025. Naquele mês, créditos de R$ 2,05 milhões, sendo R$ 1,05 milhão da Embrasis, entraram na conta pessoal de Willer no Magnum Bank e foram pulverizados em transferências sucessivas de R$ 100 mil para a Foggo, operadora da Blaze. Para a PF, o caso repete um padrão de entrada de valores altos seguida de pulverização rápida, quando o dinheiro é dividido em várias transferências menores logo depois de chegar. Da mesma conta no Magnum saíram também transferências únicas de cerca de R$ 500 mil, R$ 5 milhões, R$ 6 milhões e R$ 13 milhões. O dinheiro foi para a RioPag, que processa pagamentos de bets e pertence à Embrasis, e para outras contas do próprio Willer. A PF suspeita que parte das empresas ligadas ao advogado não tenha atividade operacional efetiva, ou seja, seja somente de fachada.
Entre os sinais apontados estão empresas teoricamente independentes que usavam a mesma sala, tinham sites padronizados e foram abertas em datas próximas. O relatório cita ainda a mesma diretora financeira em empresas diferentes e telefones compartilhados. Algumas não tinham estrutura física, em empregados ou atividade comercial proporcional ao dinheiro que circulava.
A PF (Polícia Federal) investiga R$ 1,4 bilhão em transações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e o site de apostas Blaze, operado no Brasil pela empresa Foggo Entertainment. Os investigadores suspeitam que apostas feitas no site e transferências entre diferentes contas ligadas a Willer tenham sido utilizadas como mecanismo para ocultar a origem e o destino dos recursos. Uma das hipóteses da PF é que Willer seja sócio oculto da Blaze. O advogado nega qualquer relação societária ou comercial com a empresa e afirma que as movimentações correspondem a apostas feitas com recursos próprio. Willer e Flávio Bolsonaro são amigos, viajaram juntos para o exterior algumas vezes nos últimos anos e mantêm convívio familiar. Como revelou o UOL, e-mails em posse da PF indicam que o candidato e o advogado dividiram uma conta no banco Santander. Ambos negam.
Indícios da relação de Willer com bets surgiram para a PF no curso de uma investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas. Willer sustenta ser viciado em jogo. Ele entrou com uma ação contra a Blaze para tentar reaver R$ 163 milhões que diz ter perdido em apostas por causa do suposto vício e de falhas da plataforma. A investigação da PF se baseia em dados obtidos no iCloud do advogado -o serviço de armazenamento de arquivos da Apple-, e relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que apontam movimentações consideradas suspeitas entre contas pessoais, empresas ligadas a Willer e plataformas de apostas. Entre as empresas analisadas, estão RioPag, Pixs, Embrasis, Cathedral Holdings e Alcazar Holdings. Também chamaram a atenção dos investigadores movimentações de R$ 130 milhões na conta pessoal de Willer no banco digital Magnum Bank entre março e maio de 2025. A PF identificou circulação de recursos entre diferentes contas e transferências fracionadas, o que costuma indicar uma tentativa de driblar a fiscalização das autoridades.
No relatório da Polícia Federal sobre as transações entre as empresas ligadas a Willer e a Blaze, há destaque para uma pulverização de valores em março de 2025. Naquele mês, créditos de R$ 2,05 milhões, sendo R$ 1,05 milhão da Embrasis, entraram na conta pessoal de Willer no Magnum Bank e foram pulverizados em transferências sucessivas de R$ 100 mil para a Foggo, operadora da Blaze. Para a PF, o caso repete um padrão de entrada de valores altos seguida de pulverização rápida, quando o dinheiro é dividido em várias transferências menores logo depois de chegar. Da mesma conta no Magnum saíram também transferências únicas de cerca de R$ 500 mil, R$ 5 milhões, R$ 6 milhões e R$ 13 milhões. O dinheiro foi para a RioPag, que processa pagamentos de bets e pertence à Embrasis, e para outras contas do próprio Willer. A PF suspeita que parte das empresas ligadas ao advogado não tenha atividade operacional efetiva, ou seja, seja somente de fachada.
Entre os sinais apontados estão empresas teoricamente independentes que usavam a mesma sala, tinham sites padronizados e foram abertas em datas próximas. O relatório cita ainda a mesma diretora financeira em empresas diferentes e telefones compartilhados. Algumas não tinham estrutura física, em empregados ou atividade comercial proporcional ao dinheiro que circulava.
"O fracionamento e a passagem dos valores por diferentes contas poderiam servir para reduzir a transparência do fluxo financeiro, criando camadas sucessivas de movimentação", afirma a PF no relatório.
A PF registrou apostas altas de Willer desde 2023 e o uso de uma conta vinculada à mãe dele, Elza Tomaz de Souza. Em alguns dias, o volume movimentado em plataformas pela conta pessoal do advogado passou de R$ 35 milhões. Para os investigadores, as transações com as bets tinham valores "aparentemente incompatíveis com a dinâmica ordinária de jogos reais". Os investigadores desconfiam que as apostas tenham sido utilizadas para fazer os mesmos recursos circularem repetidamente, gerando um volume elevado de transações sem a entrada equivalente de dinheiro novo. A Polícia Federal levanta ainda a hipótese de que parte das perdas declaradas pelo advogado tenha sido aceita como custo dessa movimentação. A PF cita registros de saques no exterior como um dos elementos que reforçariam a suspeita.
"Apostas poderiam funcionar como um mecanismo de turnover, com a reaplicação sucessiva do mesmo capital dentro da plataforma e posterior retirada de parte dos valores já vinculados formalmente à atividade do jogo. Essa linha ganha relevância diante de registros de que Willer fez saques no exterior", diz a PF.
Apesar de a movimentação toda de dinheiro identificada pelos investigadores terem somado R$ 1,4 bilhão, não é possível afirmar quanto o advogado investiu inicialmente na operação.
PF apura possível elo entre Willer e Blaze.
A investigação também analisa o papel do empresário Edson Antônio Lenzi Filho, executivo da empresa de pagamentos PayBrokers, como um possível elo entre Willer e a Blaze. Lenzi foi sócio da RioPag, empresa que processava pagamentos de plataformas de apostas credenciadas pela Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro). A RioPag passou ao controle da Embrasis, ligada a Willer, em duas etapas: a aquisição de 50% em março de 2023 e dos outros 50% em fevereiro de 2024, conforme documentos da Junta Comercial do Paraná obtidos pelo ICL e pela Folha de S.Paulo. Empresas administradas por Lenzi também utilizaram um endereço anteriormente associado à Foggo Entertainment em Curitiba. Procurado pelo UOL, Lenzi afirmou que a Blaze foi sua cliente e negou manter relação com Willer.
"Não tenho conhecimento do conteúdo da investigação, mas estou à disposição das autoridades para os esclarecimentos", disse.
Ele também afirmou que sua relação com a Blaze e outras plataformas foi exclusivamente comercial, como prestador de serviços. A Foggo Entertainment informou que nunca manteve qualquer relação societária com Willer Tomaz, Edson Antônio Lenzi Filho ou empresas a eles vinculadas. "Nenhum deles tem ou teve participação, direta ou indireta, no capital ou no controle da companhia." A companhia afirmou, também, que não teve acesso à investigação e que não comenta processos judiciais ou investigações em andamento. Em nota, diz que "reitera seu compromisso com a transparência, a ética e a estrita observância do arcabouço legal e regulatório vigente no país."
O que diz Willer.
Em nota ao UOL, o advogado classificou como falsas as suspeitas e negou qualquer participação societária na plataforma de apostas. "Willer Tomaz nunca manteve relação societária, comercial ou profissional com a Blaze (Foggo Entertainment) nem com empresas a ela vinculadas. Sua única relação com a plataforma foi a de cliente, e nada sustenta a insinuação de sociedade oculta", afirmou. O advogado também contestou o valor atribuído às transações e negou ter realizado saques em plataformas de apostas no exterior.
"É falso que tenha transacionado R$ 1,4 bilhão com a Blaze, assim como é falso que tenha feito saques em plataformas de apostas no exterior."
Segundo a defesa, a ação judicial para recuperar as perdas foi apresentada antes da divulgação das investigações. O advogado argumenta que forneceu voluntariamente à Justiça extratos e relatórios da plataforma. Willer afirmou ainda que já apresentou queixa-crime contra jornalistas do UOL em razão de reportagem anterior e que pretende adotar novas medidas judiciais contra as acusações.
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