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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Hilux apreendida revelou R$ 5 milhões da Ancine para filme sobre Bolsonaro.

  
Agência autorizou captação do valor durante gestão de Mário Frias, em 2021.
 
Gabriela Araújo
Por Gabriela Araújo

Os recursos destinados para o filme Dark Horse, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vão além do captado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e inclue também a Ancine (Agência Nacional do Cinema). Em 2021, sob gestão do então secretário especial da Cultura, Mário Frias, a estatal autorizou a empresa a Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda., pertencente à produtora Karina Gama, a captar R$ 5 milhões por meio dos incentivos da Lei do Audiovisual, para a produção da obra. Ao A TARDE, a Ancine esclarece como é feito a captação do recurso para o financiamento de um longa. A Agência ainda negou que a empresa de Karina Gama tenha captado qualquer tipo de valor para a obra que narra a vida do ex-presidente. Em relação às empresas de titularidade de Karina Ferreira da Gama, a Agência esclarece que nenhuma das três empresas registradas (Go Up Entertainment Ltda; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eirelli; e Instituto Conhecer Brasil) efetivamente captou ou teve liberados recursos públicos geridos pela ANCINE. Das três, apenas a Go Up encontra-se com registro ativo; GO7 e Instituto Conhecer Brasil estão com registro suspenso por falta de revalidação.

Leia a nota na íntegra:
"A ANCINE esclarece que a captação de recursos públicos geridos pela Agência, para o financiamento de projetos audiovisuais, exige que a empresa produtora atenda a requisitos jurídicos, fiscais e operacionais previstos na legislação. Os projetos audiovisuais apresentados na Agência são analisados pelas instâncias técnicas e submetidos à deliberação da Diretoria Colegiada. Uma vez aprovado, o projeto pode captar recursos via Leis de Incentivo ou Fundo Setorial do Audiovisual - FSA. Valores eventualmente captados são depositados em conta bloqueada até nova análise técnica que autorize a sua efetiva liberação. Em relação às empresas de titularidade de Karina Ferreira da Gama, a Agência esclarece que nenhuma das três empresas registradas (Go Up Entertainment Ltda; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eirelli; e Instituto Conhecer Brasil) efetivamente captou ou teve liberados recursos públicos geridos pela ANCINE. Das três, apenas a Go Up encontra-se com registro ativo; GO7 e Instituto Conhecer Brasil estão com registro suspenso por falta de revalidação.

A Agência informa ainda que, em 2021, foi concedida à GO7 uma autorização para captação de recursos pela Lei do Audiovisual, destinada ao projeto “Mais que Vencedores”, hoje cancelado. A autorização se deu após análise das instâncias técnicas e a deliberação colegiada, conforme legislação e procedimento aplicáveis a todos os projetos audiovisuais. O projeto “Mais que Vencedores”, da GO7, foi cancelado por não ter havido captação de recursos no prazo estipulado (até 31/12/2024). Por fim, ressalta-se que as informações sobre projetos audiovisuais aprovados são públicas e podem ser verificadas no Portal da ANCINE".

A autorização para transferência do recurso milionário foi descoberta pela Polícia Civil de São Paulo, em junho deste ano, após a apreensão de um carro no modelo Hilux, sob posse da produtora Karina Gama.

Hilux escancara ligação de produtora de Dark Horse à captação de R$ 5 milhões.
A mulher deu acesso do veículo aos agentes, de acordo com informações da coluna Ramiro Brites, do portal Metrópoles. Conforme o colunista, a caminhonete Hilux está registrada em nome da empresa “K.F. DA GAMA BERNASSI”. No entanto, esse mesmo CNPJ já pertenceu a outra empresa: a Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural LTDA, que está no centro das investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil, que tiveram os sigilos abertos no domingo por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mario Frias já destinou R$ 54 mil à produtora do Dark Horse.
Mario Frias, que também participa diretamente da produção do longa, já destinou R$ 54 mil à Go7, a mesma empresa de Karina da Gama. Segundo o colunista, o montante foi encaminhado em 2022, quando Frias foi eleito a deputado federal. A coluna não informou se o valor foi direcionado à produção do Dark Horse.

Dark Horse: Mário Frias é apontado como líder de esquema criminoso.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a suspeita de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor do filme Dark Horse, tenha atuado como líder de um esquema criminoso. O esquema citado por Dino tinha como finalidade o desvio de recursos, no âmbito das investigações sobre o financiamento da obra cinematográfica.

*Matéria atualizada às 08h47, de 15 de setembro, para acrescentar o posicionamento da Ancine.

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