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sábado, 15 de agosto de 2026

MPF abre inquérito sobre abordagem da polícia de São Paulo a veículo com Haddad.


Wendal Carmo

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da abordagem da Polícia Militar ao veículo do candidato ao governo do estado Fernando Haddad (PT), adversário do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A medida consta de um despacho assinado na sexta-feira 14 pelo procurador Paulo Taubemblatt, em resposta à notícia-crime que a coligação liderada pelo PT apresentou contra “supostos atos de intimidação e coação policial” a Haddad. Na quarta-feira, o ex-ministro da Fazenda relatou uma suposta tentativa de intimidação ao seu motorista. Haddad retornava de um evento na Faculdade de Direito da USP na noite anterior quando uma viatura da PM “jogou luz no para-brisa” para checar quem estava dentro do carro. Após deixá-lo em casa, o motorista teria sido seguido por vários minutos.

O candidato acionou a Secretaria de Segurança Pública do estado no dia seguinte, ao saber da notícia, e recebeu como explicação do governo que os policiais estariam à procura de uma gangue do “quebra-vidro” na região central da capital paulista. A versão é contestada pela campanha de Haddad, sob o argumento de que o horário da ocorrência não condiz com o do relato. Na quinta-feira, a PM-SP afirmou ter aberto uma sindicância para apurar o caso.

Ao autorizar o inquérito, o MPF destacou que o relato da coligação petista indica “possível prática de abuso dos poderes político e de autoridade, mediante a utilização da máquina pública e do aparato policial estatal para coagir ou intimidar candidato durante o processo eleitoral”, e pediu documentos, no prazo de cinco dias, ao secretário da pasta, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, e à comandante-geral da PM, coronel Glauce Cavalli.“A coligação destacou o nexo temporal entre os fatos e as críticas públicas proferidas pelo candidato à gestão da Segurança Pública estadual em debate televisivo ocorrido dois dias antes, sugerindo uma possível retaliação institucional”, aponta o documento, em referência ao primeiro debate entre o petista e Tarcísio nestas eleições, promovido pela TV Band no último domingo.

No caso da PM, o procurador regional solicitou o plano estratégico e operacional do batalhão responsável pelo policiamento do bairro Planalto Paulista, além da delimitação dos “setores de patrulhamento” da guarnição e de detalhes sobre “itinerários e pontos de estacionamento previamente determinados”. Também há um pedido para que a corporação forneça as ordens de serviço emitidas dos dias 1º a 11 de agosto, os dados das viaturas e dos policiais e a identificação dos agentes envolvidos na ocorrência. Outra frente de apuração do inquérito envolve o Hotel Pulmann, no bairro Vila Mariana, onde o motorista diz ter se abrigado, após ser seguido pela viatura, para ser filmado por câmeras de segurança. Ele afirma que desceu do carro para perguntar aos policiais o que estava acontecendo e ouviu a expressão “vaza daqui”. O despacho do MPF solicita imagens das câmeras naquela data, após 21:40h.

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