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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Lula ganhou o debate da Band mesmo sem ir.


Há debates que um candidato vence falando. E há 
debates em que ele vence justamente porque não está lá.

Por: Renato Rovai 

Há debates que um candidato vence falando. E há debates em que ele vence justamente porque não está lá. Foi o que aconteceu com Lula no debate da Band. A ausência do presidente transformou sua própria ausência no principal assunto da noite. Mas houve um detalhe ainda mais revelador: Renan e Caiado, em vez de concentrar seus ataques em Lula, bateram mais em Flávio Bolsonaro. Isso diz muito sobre o momento da disputa.

Flávio, que deveria ser um dos principais polos de oposição ao governo, acabou sendo colocado na defensiva por candidatos que, em tese, também disputam o eleitorado contrário ao campo progressista. A ausência de Lula foi uma vitória. A de Flávio, uma derrota. A disputa pelo espaço da direita apareceu com mais força do que o confronto direto com Lula. E isso é uma ótima notícia para o presidente. Porque, quando os adversários começam a se atacar entre si, o candidato que está fora do debate ganha uma vantagem silenciosa: não precisa gastar energia se defendendo. O curioso é que Lula acabou funcionando como uma espécie de elefante na sala. Estava ausente fisicamente, mas presente em praticamente toda a lógica do debate. Para atacá-lo, era preciso falar dele. Para se diferenciar dele, era preciso falar dele. Mas, na hora do confronto efetivo, Renan e Caiado preferiram mirar Flávio.

É um fenômeno político importante.
Lula hoje não é apenas mais um nome na disputa. É a referência em torno da qual os demais candidatos precisam se posicionar. E, quando os adversários começam a disputar entre si quem ocupa o espaço de oposição, Lula assiste de fora e preserva sua posição. Há ainda um segundo aspecto. Lula não precisa entrar em toda arena para demonstrar força. A eleição de 2026 será decidida muito mais pela avaliação que os brasileiros fizerem do país, da economia, do emprego, das políticas sociais e do futuro do Brasil do que pela performance de uma noite de televisão. No fim, os candidatos tiveram o palco. Lula continuou tendo a centralidade.

E talvez essa seja a principal leitura do debate da Band: Lula não foi ao debate. Renan e Caiado passaram boa parte dele batendo em Flávio. E, enquanto a oposição brigava entre si, Lula seguia sendo o principal personagem da eleição. Paradoxalmente, pode ter sido justamente por não estar lá que Lula saiu como um dos grandes vencedores da noite. Quanto a Augusto Cury, ele continua sendo um não candidato.

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