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sábado, 13 de junho de 2026

Vorcaro tenta arrastar PF para uma brincadeira de gato e rato.


Josias de Souza

A Polícia Federal recusou a segunda proposta de colaboração de Daniel Vorcaro. Concluiu que o personagem fala muito. Mas diz menos do que seus celulares já revelaram. Para a defesa de Vorcaro, os investigadores têm má vontade com o investigado. Dissemina-se nos bastidores de Brasília a impressão de que o dono do falecido Banco Master tenta arrastar a PF para um jogo de gato e rato.

Notícia da revista Veja informa que Vorcaro contou ter transferido dinheiro para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — US$ 30 milhões, o equivalente a R$ 153 milhões. O dinheiro teria sido depositado numa conta secreta no exterior. Em nota, o senador disse que as informações "são falsas" e serão "enfrentadas com firmeza". A mesma notícia diz que Vorcaro citou também uma parceria com o PT da Bahia, iniciada em 2007. Na versão disseminada nos subterrâneos, o problema não seria a inanição da delação de Vorcaro, mas a indisposição da PF para investigar determinados temas. É como se o mafioso que tinha um banco debochasse da alegação segundo a qual tenta blindar o patrimônio ilegal e proteger os amigos.

Nos desenhos animados, sempre que o rato ri do gato é porque imagina que há um buraco por perto. Cabe à Polícia Federal demonstrar a Vorcaro e seus cúmplices — sejam eles quem forem — que não há como escapar de uma investigação bem feita. De resto, seria absurdo imaginar que a Procuradoria-Geral da República e o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, participariam de uma brincadeira de gato e rato como meros espectadores.

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