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domingo, 19 de abril de 2026

Família Trump movimenta bilhões durante presidência dos EUA.


Da redação, com agências

*A família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ampliado seus negócios durante o exercício do cargo, em um movimento que contrasta com a postura adotada por antecessores e levanta questionamentos sobre ética e possíveis conflitos de interesse. A fortuna de Trump é atualmente estimada em US$ 6.300.000.000,00, segundo a Forbes, com crescimento de 60% desde o retorno à presidência. Paralelamente, a família mantém iniciativas como clubes privados de alto valor e venda de produtos com a marca Trump, incluindo itens como tênis, guitarras e bíblias. Historicamente, presidentes como Harry Truman evitaram o uso do nome em empreendimentos, enquanto George W. Bush vendeu ativos antes de assumir o cargo. Já Trump segue um caminho diferente, com expansão internacional da Trump Organization em ritmo inédito desde sua fundação.

Sob comando dos filhos Eric e Donald Jr., os negócios da família Trump passaram a incluir investimentos em criptomoedas e participação em empresas com interesse direto em contratos com o governo. Entre os movimentos recentes, os dois adquiriram participação em uma empresa de drones armados que busca vender ao Pentágono e a países do Golfo. As novas frentes de atuação geraram bilhões de dólares, mas também intensificaram dúvidas sobre vantagens concedidas a investidores e possíveis interseções com decisões políticas. A expansão internacional também ganhou força. Durante o primeiro mandato, a família Trump não fechou acordos fora dos EUA. No segundo, já são oito projetos, incluindo empreendimentos no Catar, Vietnã e Arábia Saudita. Em alguns casos, há participação de empresas ligadas a governos locais, como a construção de um clube de golfe no Catar, resorts no Vietnã e um “Trump Plaza” no Mar Vermelho.

Esses projetos coincidem com benefícios obtidos por esses países em relações com os EUA, como acesso a tecnologia, redução de impostos e fornecimento de equipamentos militares, embora não haja confirmação direta de vínculo entre decisões políticas e interesses comerciais.

Venda de tokens de segurança e acordos com investidores estrangeiros.
No setor financeiro, a atuação da família Trump também se intensificou. A empresa World Liberty Financial movimentou bilhões com venda de tokens de governança e acordos com investidores estrangeiros, incluindo grupos ligados aos Emirados Árabes Unidos. Parte desses recursos foi aplicada em ativos seguros, gerando receitas adicionais. A venda de moedas digitais associadas à imagem de Trump arrecadou cerca de US$ 320.000.000,00 em quatro meses, superando receitas de empreendimentos anteriores, como o hotel Trump International em Washington. Entre os investidores, o bilionário Justin Sun adquiriu milhões em tokens e moedas digitais ligadas à empresa, enquanto processos judiciais envolvendo seu nome foram encerrados com pagamento de multa.

Em paralelo, decisões do governo Trump, como a flexibilização de regras para exportação de chips aos Emirados Árabes Unidos e o perdão concedido ao fundador da Binance, ocorreram após negociações financeiras envolvendo empresas ligadas à família, embora advogados e a Casa Branca neguem qualquer relação. Os negócios da família Trump também se expandiram para novos produtos e ativos. A American Bitcoin abriu capital, gerando valor estimado em US$ 1.000.000.000,00 em ações para Eric e Donald Jr. No mesmo período, Trump anunciou a criação de uma reserva nacional de bitcoin, o que impactou o mercado. Apesar disso, a volatilidade do setor levou à queda de cerca de 90% no valor de ativos como moedas digitais e ações relacionadas.

A Casa Branca afirma que o presidente atua de forma ética e não participa da gestão dos negócios, que estão sob responsabilidade dos filhos. A Trump Organization sustenta que cumpre todas as leis aplicáveis e nega conflitos de interesse. Ainda assim, especialistas em ética pública avaliam que o volume e a natureza das operações são sem precedentes e ampliam o debate sobre os limites entre interesses privados e decisões de governo nos Estados Unidos.

*com a AFP
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