Seguidores

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Master adquiriu terreno por R$ 22.000.000,00 e passou ao BRB por R$ 118.000.000,00.


Natália Portinari

O Master ofereceu cotas de um fundo que detém o empreendimento, entre outros ativos, para tentar ressarcir o BRB por um rombo de R$ 12.200.000.000,00, suspeita de fraude que levou à investigação em andamento no STF (Supremo Tribunal Federal). Como mostrou o UOL, entre eles também está um terreno de 76 mil m² em Contagem (MG) que nunca foi pago pelas empresas ligadas à família Vorcaro e sofreu um bloqueio para quitar a dívida, que impede que ele seja vendido. A informação de que o CMX Realty consta nos fundos repassados ao BRB foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo UOL.

Empreendimento barrado.
O terreno em Brumadinho foi transferido pelo antigo proprietário ao Banco Master para pagar uma dívida de R$ 22.000.000,00 em 2020. Desde então, permaneceu nas mesmas condições, vazio e coberto de área verde. O projeto citado pelo fundo para justificar sua avaliação em R$ 118.000.000,00 —em cotas de duas empresas— é de que lá haverá "205 lotes para residências unifamiliares, hotel, hípica, clube, área verde e de lazer". Esse projeto, porém, sofreu um revés em 2024, quando estava prestes a conseguir uma aprovação da Prefeitura de Brumadinho. Em uma inspeção in loco, fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente constataram desmatamento ilegal, alteração da área de preservação permanente e movimentação de aterro sem autorização na propriedade.

A empresa responsável pelo empreendimento está brigando na Justiça para reverter o embargo e obter a liberação. A Prefeitura, porém, diz que é preciso seguir o trâmite da compensação das infrações ambientais antes disso. Apesar disso, a avaliação das empresas que detêm o terreno no fundo CMX Realty continua a mesma. Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro disse que "todos os ativos efetivamente cedidos ao BRB estavam registrados no balanço do Banco Master e integravam as demonstrações financeiras da instituição"."Esses ativos eram periodicamente auditados e precificados conforme metodologias formais de avaliação e de classificação de risco, previstas no manual de rating adotado pelo banco e observadas pelas instâncias de supervisão."

O banqueiro defende que não houve transferência de ativos ocultos, não registrados ou fora dos critérios contábeis e regulatórios aplicáveis. "As operações realizadas seguiram os parâmetros técnicos de avaliação vigentes à época".

 
Outros ativos.
O Master ofereceu outros ativos com fragilidades em suas avaliações para tentar compensar os prejuízos ao banco público, como mostrou o UOL no ano passado. Fontes liga à investigação acreditam que boa parte dos R$ 10.000.000.000,00 oferecidos pelo Master ao BRB para substituir os títulos podres —que tinham sido vendidos antes por R$ 12.200.000.000,00 — têm problemas. 

Nessa lista de R$ 10.000.000.000,00, estão, portanto:
R$ 500.000.000,00 em um fundo cujo principal ativo é um clube em Contagem (MG) com venda bloqueada pela Justiça, com indícios de valor inflado;
R$ 118.000.000,00 em um terreno comprado por R$ 22.000.000,00 milhões, onde, no momento, um projeto de condomínio foi barrado;
R$ 1.750.000.000,00 em ativos do Will Bank, banco digital do Master já liquidado.

A defesa de Daniel Vorcaro e do Banco Master foi procurada para comentar, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O UOL também procurou o administrador do empreendimento em Brumadinho, mas não teve retorno.

https://noticias.uol.com.br