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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Escala 6x1: deputado questiona 'qual lazer do pobre no sertão?'.

 
Bianca Mota

Deputado diz que fim da escala 6x1 pode gerar ócio: 
"Qual o lazer do pobre no sertão do Nordeste?"

Deputado afirma que redução da jornada pode afetar competitividade das empresas e defende discussão em outro momento; ele disse ter alertado o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o tema. Marcos Pereira demonstrou contrariedade ao tema e declarou Não ser o momento para o debate. O parlamentar disse que "ócio demais faz mal" e declarou que a medida pode expor a população ao uso de drogas ou vícios.

Ele questionou: "Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?” O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que está preocupado com a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 e defendeu cautela na tramitação do tema no Congresso Nacional, especialmente em ano eleitoral. O parlamentar relatou ter levado ressalvas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o avanço da proposta na Casa. Segundo ele, o momento político torna a discussão mais sensível. “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira, 25.

De acordo com Pereira, Motta explicou que decidiu encaminhar o debate para evitar que o governo federal assumisse protagonismo sobre o assunto por meio de um projeto próprio. 'Estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo', teria dito o presidente da Câmara, segundo o dirigente do Republicanos.

Impacto econômico e competitividade.
Marcos avalia que a redução da jornada pode gerar aumento de custos para empresas e prejudicar a competitividade da economia brasileira. Ele argumenta que estudos do setor produtivo apontam possíveis impactos negativos sobre a atividade econômica. Na avaliação do parlamentar, a discussão precisa considerar diferenças estruturais entre o Brasil e países que já adotaram jornadas reduzidas, especialmente em relação à renda média e à produtividade. Para Pereira, o trabalho permanece como elemento central para o desenvolvimento econômico.“Acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”, declarou.

Lazer e realidade social.
O deputado também questionou se a ampliação do tempo livre resultaria, necessariamente, em melhoria das condições de vida da população mais pobre. Segundo ele, a falta de renda limita o acesso a atividades de lazer.“O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, afirmou. Apesar das críticas, Pereira reconheceu que o lazer possui importância para a saúde mental, mas ponderou que o debate deve levar em conta a realidade econômica brasileira.

Eleição.
Além da pauta trabalhista, o presidente do Republicanos projetou crescimento da bancada do partido nas eleições de 2026 e comentou o cenário da direita nacional. Ele avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço político após a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da disputa, mas criticou a falta de articulação com outras legendas.“Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação”, disse, ao comentar decisões tomadas sem diálogo entre partidos aliados. O dirigente afirmou ainda que o apoio da sigla será discutido internamente e apenas após o período da janela partidária.

Posições econômicas e institucionais.
Durante a entrevista, Pereira reiterou posições liberais na economia e voltou a defender privatizações amplas, com exceção de empresas consideradas estratégicas. Ele também demonstrou preocupação com vazamentos de investigações, afirmando que o sistema exige cautela para evitar distorções.

Ao comentar acusações envolvendo tentativa de golpe de Estado atribuídas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado evitou emitir opinião definitiva. “Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei”, declarou. Segundo Pereira, a PEC sobre a jornada 6x1 ainda deverá enfrentar amplo debate político e econômico antes de qualquer deliberação definitiva no Congresso Nacional.

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