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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Trump torna EUA primeiro país a sair de importante tratado climático global.

 Decisão pode isolar Washington de negociações, acirrar 
tensões com aliados e afetar futuros acordos ambientais.

Andrew Freedman, Ella Nilsen e Samantha Waldenberg, da CNN

O governo Trump está retirando os Estados Unidos do tratado fundamental que sustenta a cooperação internacional sobre mudanças climáticas, juntamente com dezenas de outros órgãos globais, de acordo com um memorando divulgado pela Casa Branca na noite de quarta-feira (7) e uma publicação complementar nas redes sociais. Tal ação, se bem-sucedida, deixaria os EUA de fora das negociações internacionais sobre mudanças climáticas e poderia aumentar as tensões com os aliados dos EUA para quem a ação climática é uma prioridade. O acordo em questão é a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), da qual os EUA participaram e que foi ratificada pelo Congresso em 1992, durante o governo de George H.W. Bush. O acordo não exige que os EUA reduzam o uso de combustíveis fósseis ou a poluição, mas sim estabelece a meta de estabilizar a quantidade de poluentes climáticos na atmosfera em um nível que “impeça interferências antropogênicas (causadas pelo homem) perigosas no sistema climático”.

A Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) também estabeleceu um processo de negociação entre os países, que ficou conhecido como as cúpulas climáticas anuais da ONU. Foi sob os auspícios da UNFCCC que o Protocolo de Quioto foi negociado em 1995 e o Acordo de Paris em 2015 — dois momentos monumentais de cooperação global e progresso rumo à redução da poluição climática prejudicial. Além disso, o acordo exige a apresentação de um inventário nacional anual da poluição climática, que a administração Trump notavelmente deixou de fazer este ano. A saída do tratado climático, e de uma série de outras agências internacionais, representa mais um retrocesso dos EUA na cooperação internacional.“Não continuaremos a gastar recursos, capital diplomático e o peso legitimador da nossa participação em instituições que são irrelevantes ou conflitantes com os nossos interesses”, afirmou o Secretário de Estado Marco Rubio em comunicado. “Buscamos a cooperação onde ela serve ao nosso povo e manteremos a nossa posição onde ela não serve.”

O ex-secretário de Estado e enviado especial dos EUA para o clima, John Kerry, criticou duramente a medida, considerando-a esperada, porém prejudicial aos interesses americanos em nível global, e chamando-a de "um presente para a China e um passe livre para países e poluidores que querem se esquivar da responsabilidade". O presidente Trump retirou os EUA do Acordo de Paris pela segunda vez em seu primeiro dia de mandato. Com a decisão de quarta-feira, os EUA se tornarão o primeiro país a se retirar do tratado climático, já que praticamente todos os países são membros, segundo o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (Natural Resources Defense Council), um grupo ambientalista. Como o Senado ratificou a UNFCCC em 1992, existe uma área cinzenta do ponto de vista jurídico sobre se o presidente Donald Trump pode unilateralmente retirar o país da convenção. No entanto, se o Congresso tiver alguma participação, presume-se que a maioria republicana apoiaria a medida.

Caso seja bem-sucedida, a retirada impediria os EUA de participar oficialmente das cúpulas climáticas anuais subsequentes e poderia colocar em xeque o compromisso do país com outros acordos de longa data dos quais é signatário. Também poderia levar outras nações a reavaliarem seus compromissos com a UNFCCC e as negociações climáticas da ONU, colocando em risco não apenas o progresso climático dos EUA, mas também o de outros países. A saída dos EUA poderia dificultar o retorno de um futuro presidente ao Acordo de Paris, visto que esse acordo foi firmado sob os auspícios da UNFCCC. A decisão foi tomada após uma revisão dos principais acordos internacionais realizada pelo Departamento de Estado com base em uma ordem executiva . No total, a Casa Branca determinou a retirada dos EUA de 66 organizações internacionais “ que não servem mais aos interesses americanos ”. A lista abrange uma ampla gama de organizações e grupos, incluindo 31 entidades da ONU, como a ONU-Água, a ONU-Oceanos, o Fundo de População das Nações Unidas e a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres.

Trump também tomou medidas para retirar os EUA do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU — um grupo laureado com o Prêmio Nobel que publica relatórios sobre o aquecimento global. Embora o presidente provavelmente não possa impedir que cientistas americanos participem dos relatórios do IPCC, a medida pode ter repercussões para cientistas federais que, de outra forma, contribuiriam para os relatórios. A lista também incluía diversos grupos não relacionados à ONU, incluindo, entre outros, o Fórum Global de Combate ao Terrorismo, o Instituto Pan-Americano de Geografia e História e o Centro de Ciência e Tecnologia da Ucrânia. O governo Trump há muito tempo denuncia organizações internacionais e já se retirou de algumas, como a Organização Mundial da Saúde.

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