Em meio a escalada militar, Cuba também condena
apreensão de petroleiro na costa venezuelana.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reafirmou seu apoio ao homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, por telefone nesta quinta-feira, ante a mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe e a apreensão de um petroleiro na costa da Venezuela. Segundo o Kremlin, ambos os líderes também confirmaram seu "compromisso mútuo" com a implementação de projetos conjuntos, especialmente nos setores econômico, energético e comercial."Vladimir Putin expressou solidariedade ao povo venezuelano e confirmou seu apoio à política do governo de Maduro, que visa proteger os interesses e a soberania nacional diante da crescente pressão externa", afirmou o governo russo num resumo da conversa.
O governo Maduro informou pouco depois que os dois líderes "reafirmaram a natureza estratégica, sólida e crescente das relações bilaterais", de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela. Putin disse a Maduro que "os canais de comunicação direta entre as duas nações permanecem permanentemente abertos" e garantiu que a Rússia continuará apoiando a Venezuela em sua luta para afirmar sua soberania, o direito internacional e a paz em toda a América Latina, afirmou o comunicado. Maduro, um aliado fiel ao líder russo, anunciou em maio uma nova reaproximação entre Moscou e Caracas com a assinatura de um tratado de cooperação. Os EUA intensificaram suas medidas econômicas e militares para aumentar a pressão sobre o presidente venezuelano, a quem acusam de comandar um cartel de drogas, acusação que ele nega. Em entrevista recente, o presidente Donald Trump afirmou que os dias de Maduro estão "contados".
O chavista, por sua vez, acusa Washington de querer derrubá-lo para se apossar do petróleo de seu país. Uma ofensiva americana próxima à costa somou mais de 20 ataques a embarcações e matou mais de 80 pessoas.
Parceiros de longa data.
A aliança entre Caracas e Moscou se estreitou durante o governo do falecido Hugo Chávez (1999-2013) e seguiu em expansão sob a liderança de Maduro. A Venezuela, por exemplo, manifestou apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, enquanto Moscou está do lado de Maduro em meio aos questionamentos à sua reeleição — não reconhecida por Washington — sobre denúncias de fraude da oposição, que reivindicou a vitória do exilado Edmundo González Urrutia nas eleições presidenciais de 2024.
Cuba condena apreensão de petroleiro.
Cuba expressou nesta quinta-feira sua "firme condenação" à apreensão feita pelos Estados Unidos de um navio-petroleiro em frente ao litoral da Venezuela, um de seus aliados na região, ao qual Havana disse fornecer "seu apoio absoluto". Trump anunciou na quarta-feira a tomada do navio, uma operação que Caracas classificou como “roubo descarado” e um “ato de pirataria internacional”. “Expressamos a mais firme reportagem ao ataque ao navio-petroleiro venezuelano por forças militares dos Estados Unidos, ato de pirataria que evidencia uma escalada na agressão americana contra a Revolução Bolivariana”, denunciou no X o primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero.“Ratificamos nosso apoio absoluto à Pátria de Bolívar e Chávez”, acrescentou o dirigente cubano, em referência ao libertador Simón Bolívar (1783-1830) e ao ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), aliado de Havana.
O navio-tanque foi utilizado durante anos pela Venezuela e pelo Irã para transportar petróleo, apesar das avaliações internacionais contra os dois países, detalhou a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi. Batizado de Skipper, transportou 1,1 milhão de barris de petróleo bruto sujeito a avaliações, segundo o site especializado MarineTraffic. Segundo o jornal The Washington Post, o embarque estava no caminho de Cuba para entregar petróleo. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela denunciou "um roubo descarado e um ato de pirataria internacional, anunciado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos". O governo americano deslocou um importante dispositivo militar no Caribe já há alguns meses sob o argumento de combater o narcotráfico. Mas a apreensão do petroleiro é algo inédito nesta crise. Os hidrocarbonetos são a principal fonte de renda da Venezuela. Por sua vez, Cuba, submetido ao embargo americano, encontra-se mergulhada em uma grave crise econômica, com uma acentuada escassez de divisas. O país sofre há dois anos uma grave falta de combustível, que afeta a vida econômica e a produção de eletricidade.
(Com AFP)
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