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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Na Suíça, quem é pobre vive em “favelas” que superam a qualidade de vida de muitas cidades pelo mundo.


Por Maura Pereira

A ideia de uma “favela” na Suíça soa como uma contradição para quem conhece a reputação de riqueza e organização do país, mas vídeos recentes viralizaram ao mostrar o que seriam as áreas mais pobres de Basileia. A realidade, no entanto, revela um conceito de pobreza radicalmente diferente do imaginário brasileiro, onde a dignidade e a infraestrutura urbana permanecem intactas mesmo nas rendas mais baixas.

A qualidade de vida desafia os estereótipos de pobreza.
Viver em um bairro considerado “pobre” neste cantão suíço significa, ainda assim, ter acesso a padrões de desenvolvimento humano que superam a maioria das capitais globais. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) registra para a Suíça um IDH de 0.967, garantindo que saúde, educação e segurança sejam universais, independentemente do endereço. A principal diferença nessas regiões, como Klybeck ou áreas próximas às fronteiras, não é a falta de saneamento, mas sim a densidade populacional e o tamanho dos apartamentos. Enquanto os bairros nobres são silenciosos e desertos, as zonas populares pulsam com vida, crianças brincando na rua e uma forte interação comunitária, algo raro na cultura suíça tradicional.

Quem são os moradores dessas comunidades?
A demografia desses locais é marcada pela diversidade cultural, sendo o lar predominante de imigrantes turcos, africanos, asiáticos e latinos que buscam oportunidades no país. A presença multicultural transforma a paisagem urbana, com mercadinhos étnicos, barbearias movimentadas e um código de convivência mais caloroso e barulhento do que no restante da cidade. Essa concentração ocorre não apenas pelos aluguéis mais acessíveis, mas pela proximidade estratégica com as fronteiras da França e da Alemanha. Essa localização permite que os moradores cruzem a divisa para fazer compras em euros, reduzindo drasticamente o custo de vida em comparação a quem consome exclusivamente produtos suíços.

Abaixo, listamos as características que definem essas zonas habitacionais:

    Arquitetura Funcional: Prédios de blocos simples, conhecidos como “bunkers” residenciais, sem o luxo das vilas históricas.
    Carros na Rua: Diferente do Brasil, a “pobreza” aqui não impede a posse de veículos, sendo comum ver carros estacionados por toda parte.
    Inclusão Social: Mesmo com renda menor, o salário mínimo (aprox. 4.000 francos: R$ 
7.017,06) garante poder de compra para eletrônicos e lazer. Explore a realidade e os contrastes sociais de um dos países mais ricos do mundo. O vídeo é do canal Lima Experience, que conta com mais de 15 mil inscritos, e apresenta uma visita aos bairros mais pobres de Basel, na Suíça, mostrando as diferenças na arquitetura, a presença de imigrantes e comparando o custo de vida e a qualidade de vida mesmo nas regiões com menor renda:

O clima continental exige adaptação o ano todo.
A vida em Basileia é ditada pelas estações bem marcadas, que influenciam desde o trânsito até as atividades de lazer nas margens do Rio Reno. Preparar-se para o inverno rigoroso e aproveitar os dias longos de verão é essencial para a integração na rotina local.

A habitação social é sinônimo de precariedade?
Definitivamente não; os complexos habitacionais, muitas vezes destinados a refugiados ou trabalhadores de baixa renda, são mantidos com rigorosa limpeza e manutenção. O conceito de “favela” é desconstruído ao observar que não há construções irregulares, esgoto a céu aberto ou domínio de facções, mas sim um Estado presente que subsidia a moradia. O que o vídeo viral chama de “favela” é, na verdade, uma provocação para mostrar que a pobreza suíça seria considerada classe média alta em muitos países em desenvolvimento. O “choque” visual fica por conta de alguns graffitis e lixo no chão, algo inadmissível nos cantões mais conservadores, mas irrisório comparado a problemas urbanos graves.
 
Basileia prova que desigualdade não significa miséria.
Escolher viver nessas áreas é, muitas vezes, uma decisão financeira inteligente para quem está começando a vida no país mais caro do mundo. A experiência de morar ali oferece uma lição sobre dignidade humana, provando que políticas públicas eficientes podem eliminar a miséria extrema mesmo onde há disparidade de renda. Visitar esses bairros é encontrar a verdadeira face cosmopolita da Suíça, longe dos cartões-postais de montanhas e chocolates.

    Mito Desfeito: A “favela” suíça possui saneamento, transporte de ponta e segurança total.
    Vantagem Fronteiriça: Morar em Basileia permite viver na Suíça com custos de supermercado da Alemanha.
    Comunidade Vibrante: A mistura de nacionalidades cria um ambiente acolhedor para novos imigrantes brasileiros.

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