Jogo Político.
O dia 13 de maio é celebrado ao redor do Brasil por sua importância histórica e religiosa. Simbolicamente, a data é lembrada por marcar a assinatura da Lei Áurea, em 1888, que aboliu oficialmente a escravidão no país. (...). No sincretismo religioso da Umbanda, o 13 de maio celebra ainda o Dia do Preto-Velho, entidade espiritual que representa os ancestrais negros escravizados, idosos e sábios, que faleceram de velhice.
Assinatura da Lei Áurea.
Tida apenas como simbólica, esta terça-feira, 13 de maio, marca o aniversário da promulgação da Lei Áurea, que em 1888 aboliu oficialmente a escravatura no Brasil. A data, no entanto, não é amplamente celebrada pelo movimento negro. Segundo historiadoras, isso se deve ao fato de que o país ainda vive profundas desigualdades sociais, resultado de uma abolição incompleta e sem reparações. Outro ponto criticado é a forma como a história é contada: o protagonismo é dado à princesa Isabel, que assinou a lei, enquanto é frequentemente ignorada a resistência ativa de milhares de pessoas negras escravizadas que lutaram por sua liberdade muito antes da assinatura do documento há 137 anos. Registros da história apontam que a formação de coletivos negros para tentar derrubar o sistema escravocrata acontecia desde quando os portugueses colonizaram o Brasil e iniciaram o tráfico negreiro. Algumas movimentações dos escravizados aconteciam nas próprias senzalas, com fugas, desobediências, luta pela alforria e, até mesmo, a partir das idas aos jornais e à Justiça para reivindicar a escravidão ilegal ou porque já tinham pecúlio suficiente para comprar sua liberdade.
Fim da escravidão teve interesses econômicos.
O dia 13 de maio é celebrado ao redor do Brasil por sua importância histórica e religiosa. Simbolicamente, a data é lembrada por marcar a assinatura da Lei Áurea, em 1888, que aboliu oficialmente a escravidão no país. (...). No sincretismo religioso da Umbanda, o 13 de maio celebra ainda o Dia do Preto-Velho, entidade espiritual que representa os ancestrais negros escravizados, idosos e sábios, que faleceram de velhice.
Assinatura da Lei Áurea.
Tida apenas como simbólica, esta terça-feira, 13 de maio, marca o aniversário da promulgação da Lei Áurea, que em 1888 aboliu oficialmente a escravatura no Brasil. A data, no entanto, não é amplamente celebrada pelo movimento negro. Segundo historiadoras, isso se deve ao fato de que o país ainda vive profundas desigualdades sociais, resultado de uma abolição incompleta e sem reparações. Outro ponto criticado é a forma como a história é contada: o protagonismo é dado à princesa Isabel, que assinou a lei, enquanto é frequentemente ignorada a resistência ativa de milhares de pessoas negras escravizadas que lutaram por sua liberdade muito antes da assinatura do documento há 137 anos. Registros da história apontam que a formação de coletivos negros para tentar derrubar o sistema escravocrata acontecia desde quando os portugueses colonizaram o Brasil e iniciaram o tráfico negreiro. Algumas movimentações dos escravizados aconteciam nas próprias senzalas, com fugas, desobediências, luta pela alforria e, até mesmo, a partir das idas aos jornais e à Justiça para reivindicar a escravidão ilegal ou porque já tinham pecúlio suficiente para comprar sua liberdade.
Fim da escravidão teve interesses econômicos.
Em entrevista concedida ao GLOBO em 2024, a professora e historiadora Angélica Ferrarez ressaltou que o fim da escravidão no Brasil não foi resultado da bondade da realeza, mas sim de pressões e interesses políticos e econômicos. Ela lembra que a abolição ocorreu após mais de três séculos de escravidão e o tráfico de cerca de 4.900.000 africanos para o Brasil — o país que recebeu o maior número de pessoas escravizadas e foi o último das Américas a extinguir oficialmente o regime. — O 13 de maio aconteceu segundo um movimento no Brasil que estava em consonância com interesses dos liberais europeus. Não porque eles estavam preocupados com a condição subumana dos negros escravizados na América, mas porque a empresa escravocrata era desinteressante para a consolidação do sistema capitalista — explicou Angélica à época. O fato de a Lei Áurea ter sido implementada sem nenhuma medida reparativa à população negra é um dos fatores responsáveis pelas desigualdades estruturais que assolam o país (...), de acordo com Martha Abreu. A afirmação é percebida em dados do IBGE. Apesar (...), dos brasileiros se autodeclararem negros, eles são representados como “minoria”, por terem menos acesso à educação, emprego, saúde e moradia. — A Lei Áurea foi muito sumária, pois só estabelece que daqui (13 de maio de 1888) para frente não haveria mais escravizados e ponto final. Mas, não teve nenhuma política de indenização, reforma agrária e ação afirmativa. Ao contrário, teve apoio à imigração e à chegada de brancos europeus para o trabalho nas lavouras. O aprofundamento de ideias racistas, que diziam que essa população escravizada estava despreparada para o trabalho e para a cidadania, não os deu os mesmos direitos que o restante da população. Isso é uma estratégia de continuar hierarquizando a sociedade — complementou a historiadora.
Dia de preto-velho.
Celebrados no mesmo dia da abolição, 13 de maio, os Pretos Velhos representam o perdão e a força que nascem da dor. São espíritos de antigos escravizados que morreram de velhice e que, mesmo feridos pela história, escolheram curar, em vez de ferir. Suas vozes mansas, suas rezas lentas e suas mãos calejadas carregam muita sabedoria.
Dia de preto-velho.
Celebrados no mesmo dia da abolição, 13 de maio, os Pretos Velhos representam o perdão e a força que nascem da dor. São espíritos de antigos escravizados que morreram de velhice e que, mesmo feridos pela história, escolheram curar, em vez de ferir. Suas vozes mansas, suas rezas lentas e suas mãos calejadas carregam muita sabedoria.
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