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sábado, 14 de março de 2026

Condomínios não podem mais barrar carregador de carro elétrico em SP, mas instalação não está garantida.


Custo em prédio pode ser 200% maior do que em casa. 
Empresas criam soluções para baratear e facilitar implementação.

Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo 

No mês passado, entrou em vigor em São Paulo uma lei que dá aos moradores de prédios a prerrogativa de colocar os carregadores para carros elétricos nas vagas, desde que arquem com os custos e atendam às normas técnicas. Antes, assembleias de condomínios ou síndicos tinham o poder de vetar arbitrariamente a instalação. Agora, isso está proibido no estado. Mesmo assim, o processo para a instalação não é simples nem barato. É necessário trazer cabos por dentro do prédio até a vaga.“Dependendo do tamanho desse cabeamento até o carregador, o custo pode ser de R$ 5.000,00 para instalações de cinco metros até R$ 12.000,00 para 100 metros”, explica Luiz Felipe Santos, gerente-geral da Revo, empresa especializada em instalação de carregadores em prédios.“Se o condomínio não entrar com parte dos custos, o morador pode pagar três vezes mais no carregador do que um equivalente numa residência”, diz.

Condomínio agora tem de colaborar.
Para instalar um carregador numa vaga de prédio é preciso, primeiro, fazer uma análise de carga. “Durante sete dias um equipamento verifica o consumo de energia e tensão do prédio. Com isso podemos ver quantos carregadores a rede comporta”, diz o gerente. Essa análise, que pode custar entre R$ 3.000,00 e R$ 15.000,00, precisa ser feita e paga pelo condomínio. É com esse documento que o síndico vai ter respaldo para prosseguir com a instalação ou não. Antes da nova lei paulista, o síndico ou assembléia de condomínio podiam vetar sem apresentar justificativa. Agora é preciso ter documento com motivos técnicos para proibir.“Existem prédios que não comportam instaladores individuais. Aí a solução é ter vagas de uso comum, para todos os moradores. Passa a ser uma iniciativa do prédio, não só do morador”, explica Raquel Bueno, gerente da Lello Condomínios, administradora de São Paulo.

Com a análise pronta e todos os passos em assembleia seguidos, é possível concluir a instalação do carregador entre 20 e 30 dias. Segundo Santos, da Revo, outro custo que pode aparecer é o chamado furo técnico, que pode dobrar o valor do serviço. “Em alguns casos para o cabeamento passar pelas lajes é preciso um engenheiro para certificar. Assim, sabemos que não há comprometimento da estrutura com o furo técnico”, explica. O gerente da Revo diz que alguns condomínios estão arcando com uma parte da instalação que beneficia todos os moradores. “O condomínio paga e nós trazemos o cabeamento até um quadro. A partir dali cada morador, se quiser, instala o seu carregador seguindo as normas”, diz Santos. Segundo ele, isso proporciona padrão na instalação e diminui custos para todos.

Existem prédios mais antigos em que seria necessário refazer toda a elétrica e ainda substituir o transformador na rua. “Os custos poderiam passar de R$ 500.000,00, o que é inviável hoje em dia”, diz. Algumas empresas já se movimentam para facilitar o processo com soluções. "Nós conseguimos criar toda a infraestrutura do prédio sem cobrar nada do condomínio. À medida que os moradores vão aderindo aos carregadores, eles pagam pela instalação individual e manutenção do sistema”, explica Tadeu Azevedo, CEO da Power2Go. Segundo Azevedo, é possível ter soluções para todas as condições dos clientes. “Mesmo com vagas rotativas ou sorteadas, os condomínios conseguem se organizar”, explica.

O executivo acredita que o mais importante é síndicos e assembleias entenderem que implementar carregadores valoriza os imóveis. “Quase nenhum prédio no Brasil nasceu pensando em carro elétrico. É preciso fazer o balanceamento da energia e já deixar a estrutura pronta para todas as vagas no futuro e não somente para os poucos moradores que hoje usam o carregador”, aconselha Azevedo. Segundo uma projeção consultoria Boston Consulting Group (BCG) a pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 65% das vendas de carros 0 km no Brasil será de eletrificados em 2035.
 
Nova lei estabelece responsabilidade.
David Monteiro, advogado especialista em direito imobiliário do escritório Martinelli, diz que o desafio para os condomínios é criar regras claras para essa solicitação."Situações que envolvam intervenções mais profundas em áreas comuns ou na infraestrutura coletiva ainda podem gerar discussões e exigir avaliação caso a caso, inclusive sobre a necessidade de deliberação em assembleia", explica Monteiro.

Patrícia de Pádua Rodrigues, sócia da Martinelli Advogados, diz que o síndico e a assembléia do condomínio não podem criar exigências desproporcionais ou sem base técnica apenas para dificultar ou inviabilizar a instalação do ponto de recarga."A nova lei permite ao condomínio exigir do morador o cumprimento das normas técnicas e das regras de segurança aplicáveis. Se houver previsão em normas da ABNT ou nas orientações dos Bombeiros", diz a advogada.

Risco de incêndio.
Raquel Bueno conta que vários síndicos vetavam os carregadores por não terem normas para se orientar.“Depois das diretrizes nacionais para a instalação elétrica de carregadores, os bombeiros de São Paulo vão definir como deve ser feito o combate ao incêndio de carros elétricos. A partir disso os condomínios vão se adequar”, explica Raquel.

Patrícia de Pádua Rodruigues diz que a nova lei autoriza o condomínio definir padrões técnicos e responsabilidade por danos ou consumo relacionados ao ponto de recarga. Portanto, o condomínio pode criar regras para um eventual ressarcimento de prejuízos."No entanto, essa autorização não permite a atribuição automática de culpa ao dono do carro elétrico em qualquer situação. A convenção não pode simplesmente estabelecer que o morador será responsável por 'todo e qualquer incêndio' ocorrido na garagem, sem a necessária apuração técnica da causa do problema", explica a advogada

Em 2025, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou uma diretriz que orienta como deve ser feita a instalação de pontos de recarga. O texto não tem poder de lei, mas precisa ser seguido para renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Na hora da renovação do AVCB, o prédio precisa seguir as regras que estão vigentes, explica o advogado David Monteiro. "Se houver pontos de recarga instalados sem atender às exigências de segurança, a renovação pode ser negada até que a situação seja regularizada", diz.

Segundo a gerente da Lello, Raquel Bueno, a tendência é que os Bombeiros estabeleçam um modelo de atestado. "Nesse modelo, o condomínio busca um engenheiro responsável para garantir a instalação. Assim como já é feito em prédios com motor gerador”, diz.

https://g1.globo.com 

Visto negado a assessor de Trump e recusa a receber presos elevam tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.


Governo diz que Darren Beattie teria prestado 
informações falsas ao solicitar a entrada no país.

Por Eliane Oliveira e Paulo Assad 
 
A temperatura entre Brasil e Estados Unidos voltou a se elevar nos últimos dias após a breve distensão iniciada com o encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro de 2025. Nesta sexta-feira, o governo brasileiro anunciou a retirada do visto do assessor do Departamento de Estado dos EUA Darren Beattie, que planejava vir ao Brasil visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão sem avisar ao Itamaraty, enquanto nos bastidores os dois países seguem a negociar planos de cooperação no combate ao crime organizado. A mais recente proposta americana inclui reproduzir no país modelo semelhante ao adotado em El Salvador, com a transferência de presos de outros países capturados em território norte-americano. Segundo interlocutores do Itamaraty, a revogação do visto ocorreu porque Beattie teria prestado informações falsas ao solicitar a entrada no país. Ele afirmou que participaria de uma conferência sobre minerais críticos em São Paulo, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro. Ao se posicionar contra o encontro, o governo avaliou que a agenda poderia configurar “indevida ingerência” dos americanos em assuntos internos. Autoridades concluíram que Beattie cometeu “omissão e falseamento de informações” sobre a visita.

Em evento no Rio, Lula afirmou que decidiu barrar a visita enquanto não houver solução para o caso envolvendo vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família. — Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado — disse. No governo brasileiro, o caso envolvendo Beattie é tratado como caso isolado de “má-fé diplomática”, sem risco de comprometer novo encontro entre Lula e Trump, que deve ocorrer em abril ou maio.

A defesa de Bolsonaro havia obtido autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para Beattie visitá-lo na Papudinha. Na quinta-feira, porém, Moraes voltou atrás após receber informações do chanceler Mauro Vieira de que o pedido de visto mencionava apenas participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e reuniões com autoridades brasileiras, sem referência à intenção de visitar o ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado.

Cooperação na segurança.
No governo brasileiro, apesar de o Departamento de Estado americano ter aumentado a pressão sobre Lula ao afirmar que Trump considera as facções brasileiras uma “ameaça significativa à segurança regional”, a expectativa é que um entendimento sobre a pauta de segurança possa ser alcançado pelos dois presidentes na reunião que deve ocorrer entre eles dentro de dois meses na Casa Branca. A recente proposta feita pelo governo americano inclui um acordo semelhante ao que permite aos Estados Unidos enviar estrangeiros capturados em território americano para cumprir pena no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador. O país da América Central virou um ponto de peregrinação de políticos bolsonaristas, que defendem a adoção de um modelo similar ao adotado pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, para a pauta da segurança pública.

Segundo Cristiano Maronna, diretor da Plataforma Justa, que pesquisa o judiciário e o sistema penal brasileiro, "não há qualquer base jurídica" para a proposta dos EUA.

— Não existe nada que autorize esse tipo de situação. Ao contrário, as prisões brasileiras elas foram feitas e pensadas para atender o poder judiciário brasileiro e já não dão conta disso — diz Maronna, que acrescenta — O que existe no Brasil, e isso depende de acordos bilaterais em matéria penal, é a possibilidade do cumprimento de pena de alguém que foi condenado no exterior, caso do jogador Robinho. É uma situação que não se equipara a possibilidade de receber dezenas, centenas, milhares de presos estrangeiros.

A proposta, que não menciona classificar facções brasileiras como terroristas, pede que o governo brasileiro apresente medidas para combater o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), o Hezbollah e organizações criminosas chinesas com atuação no Brasil e que compartilhe informações com autoridades dos EUA, como dados biométricos de refugiados no país. A existência da nova proposta foi publicada pela “Folha de S. Paulo” e confirmada pelo GLOBO.

Integrantes do governo brasileiro descartam receber criminosos estrangeiros capturados nos EUA. A avaliação é de que o enfrentamento ao crime organizado deve se dar a partir da cooperação operacional já existente. — Não acreditamos em soluções mágicas do tipo “plano” ou “designação como terrorista”, mas em trabalho contínuo e detalhado de cooperação, troca de informações e coordenação operacional — disse um interlocutor que acompanha as negociações. O plano do governo norte-americano é uma contraproposta ao que foi apresentado por Lula em conversa com Trump no fim do ano passado, quando o Brasil propôs cooperação no combate, por exemplo, à lavagem de dinheiro. Na época, Lula citou o caso do dono da Refit, Ricardo Magro, que está foragido nos EUA. Dias antes, a empresa havia sido alvo de uma megaoperação da PF por fraude no mercado de combustíveis. — Temos o maior traficante de combustível do Brasil que mora em Miami. Fiz questão de dizer: ‘Presidente Trump, vamos começar a combater o narcotráfico pegando os brasileiros que estão aí — disse Lula à TV Verdes Mares após a conversa com o americano.

Outro tópico abordado por Lula na conversa foi o uso do estado americano de Delaware para lavar dinheiro sujo de fraudadores brasileiros. Esse teria sido o caso da Refit, empresa de Magro, que movimentou R$ 72.000.000.000,00 em offshores. Para o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit, o tema da lavagem de dinheiro foi trazido à mesa de negociações pelo governo brasileiro para mostrar boa vontade. — Era interessante demonstrar intenção de cooperar em uma agenda central do governo Trump quando começávamos a negociar tarifas, mantendo autonomia, mas mostrando disposição — diz Rudzit, destacando que os dois países têm histórico de cooperação bem-sucedida no combate a crimes transnacionais.

Rudzit avalia que outro aspecto importante da negociação, a possível classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, faz parte de uma pauta do governo Trump para todo o continente, não tendo como foco apenas o Brasil. Em janeiro de 2025, o termo foi usado para designar o grupo venezuelano Tren de Aragua, que mantém vínculos com o PCC, além do Cartel de Sinaloa, do México, dentre outros. No Brasil, no ano passado, a classificação de facções brasileiras na mesma categoria foi apoiada por políticos da oposição.

— Mais cedo ou mais tarde, a Casa Branca ia querer isso. É uma agenda para o hemisfério — diz Rudzit que, como outros especialistas, vê na volta do debate sobre pauta da segurança entre EUA e Brasil um elemento favorável à oposição.

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Análise: Governo Trump subestimou reação do Irã à guerra e agora corre para conter disparada do petróleo.

 
 Na preparação para o ataque EUA-Israel, o presidente minimizou os riscos para os mercados de energia, classificando-os como uma preocupação de curto prazo que não deveria ofuscar a missão de decapitar o regime iraniano.
 
Em 18 de fevereiro, enquanto o presidente Donald Trump avaliava a possibilidade de lançar ataques militares contra o Irã, Chris Wright, secretário de Energia, disse a um entrevistador que não estava preocupado com a possibilidade de a iminente guerra interromper o fornecimento de petróleo no Oriente Médio e causar estragos nos mercados de energia. Mesmo durante os ataques israelenses e americanos contra o Irã em junho passado, disse Wright, houve pouca perturbação nos mercados. "Os preços do petróleo subiram um pouco e depois voltaram a cair", afirmou. Alguns dos outros assessores de Trump compartilharam opiniões semelhantes em conversas privadas, descartando os alertas de que — numa segunda investida — o Irã poderia travar uma guerra econômica fechando rotas marítimas que transportam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo.

A dimensão desse erro de cálculo ficou evidente nos últimos dias, quando o Irã ameaçou atacar petroleiros comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, o ponto estratégico de estrangulamento por onde todos os navios precisam passar em sua saída do Golfo Pérsico. Em resposta às ameaças iranianas, a navegação comercial no Golfo ficou paralisada, os preços do petróleo dispararam e o governo Trump se esforçou para encontrar maneiras de conter uma crise econômica que provocou o aumento dos preços da gasolina para os americanos.

O episódio é emblemático de como Trump e seus assessores avaliaram mal a forma como o Irã reagiria a um conflito que o governo em Teerã, capital iraniana, considera uma ameaça existencial. O Irã respondeu de forma muito mais agressiva do que durante a guerra de 12 dias em junho passado, disparando rajadas de mísseis e drones contra bases militares americanas, cidades em países árabes do Oriente Médio e centros populacionais israelenses. Autoridades americanas tiveram que ajustar planos rapidamente, desde ordenar a evacuação de embaixadas às pressas até desenvolver propostas políticas para reduzir os preços da gasolina.

Após uma reunião fechada entre funcionários do governo Trump e parlamentares na terça-feira, o senador Christopher S. Murphy, democrata de Connecticut, afirmou nas redes sociais que o governo "NÃO TINHA UM PLANO" para o Estreito de Ormuz e "não sabia como reabri-lo com segurança".

Dentro do governo, alguns funcionários estão cada vez mais pessimistas quanto à falta de uma estratégia clara para terminar a guerra. Mas eles têm evitado expressar isso diretamente ao presidente, que declarou repetidamente que a operação militar é um sucesso completo. Trump estabeleceu metas maximalistas, como insistir que o Irã nomeie um líder que se submeta a ele, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth descreveram objetivos mais restritos e táticos que poderiam servir de saída no curto prazo.

Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, afirmou que o governo "tinha um plano sólido" antes do início da guerra e prometeu que os preços do petróleo cairiam após o seu término."A perturbação proposital do mercado de petróleo pelo regime iraniano é de curto prazo e necessária para o ganho a longo prazo de eliminar esses terroristas e a ameaça que representam para os Estados Unidos e o mundo", disse ela em um comunicado. Este artigo baseia-se em entrevistas com uma dúzia de funcionários americanos, que pediram anonimato para discutir conversas privadas. 
 
 'Mostre coragem'.
Hegseth reconheceu na terça-feira que a resposta feroz do Irã contra seus vizinhos pegou o Pentágono um tanto de surpresa. Mas insistiu que as ações do Irã estavam se voltando contra ele. — Não posso dizer que previmos necessariamente que eles reagiriam dessa forma, mas sabíamos que era uma possibilidade — disse Hegseth em uma coletiva de imprensa no Pentágono. — Acho que foi uma demonstração do desespero do regime. Trump tem demonstrado crescente frustração com a forma como a guerra está interrompendo o fornecimento de petróleo, dizendo à Fox News que as tripulações dos petroleiros deveriam "mostrar coragem" e navegar pelo Estreito de Ormuz.

Alguns conselheiros militares alertaram antes da guerra que o Irã poderia lançar uma campanha agressiva em resposta e que consideraria o ataque americano-israelense uma ameaça à sua própria existência. Mas outros conselheiros permaneceram confiantes de que a eliminação da alta cúpula do governo iraniano levaria à ascensão de líderes mais pragmáticos, que poderiam pôr fim à guerra. Quando Trump foi informado sobre os riscos de um possível aumento nos preços do petróleo em caso de guerra, ele reconheceu a possibilidade, mas minimizou-a, considerando-a uma preocupação de curto prazo que não deveria ofuscar a missão de decapitar o regime iraniano. Ele instruiu Wright e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a trabalharem no desenvolvimento de opções para um possível aumento nos preços.

Mas o presidente não se pronunciou publicamente sobre essas opções — incluindo o seguro contra riscos políticos com o apoio do governo americano e a possibilidade de escolta pela Marinha dos EUA — até mais de 48 horas após o início do conflito. As escoltas ainda não ocorreram. Wright, o secretário de Energia, causou alvoroço no mercado na terça-feira ao publicar nas redes sociais que a Marinha havia escoltado com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz. Sua publicação impulsionou as ações e tranquilizou os mercados de petróleo. No entanto, quando ele apagou a publicação após autoridades do governo afirmarem que nenhuma escolta havia ocorrido, os mercados voltaram a entrar em turbulência.

Com o conflito abalando os mercados globais, os republicanos em Washington estão cada vez mais preocupados com o aumento dos preços do petróleo, que pode prejudicar seus esforços para apresentar uma agenda econômica aos eleitores antes das eleições de meio de mandato. Trump, tanto publicamente quanto em privado, tem argumentado que o petróleo venezuelano poderia ajudar a resolver quaisquer impactos decorrentes da guerra com o Irã. O governo anunciou na terça-feira uma nova refinaria no Texas que, segundo autoridades, poderia ajudar a aumentar a oferta de petróleo, garantindo que o Irã não cause danos de longo prazo aos mercados petrolíferos.

Uma possível saída.
 Trump afirmou que a guerra poderia durar mais de um mês e que estava "praticamente concluída". Ele também disse que os Estados Unidos "seguiriam em frente mais determinados do que nunca". Rubio e Hegseth, no entanto, parecem ter coordenado suas mensagens, por ora, em torno de três objetivos distintos que começaram a apresentar em declarações públicas na segunda e terça-feira.

— Os objetivos desta missão são claros — disse Rubio em um evento no Departamento de Estado na segunda-feira, antes da coletiva de imprensa de Trump. — Trata-se de destruir a capacidade deste regime de lançar mísseis, tanto destruindo seus mísseis quanto seus lançadores; destruir as fábricas que produzem esses mísseis; e destruir sua Marinha. O Departamento de Estado chegou a detalhar os três objetivos em forma de tópicos e destacou um vídeo de Rubio declarando-os em uma conta oficial de mídia social.

A apresentação de Rubio, que também é conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, pareceu preparar o terreno para que o presidente pusesse fim à guerra o mais breve possível. Em sua coletiva de imprensa, Trump vangloriou-se de como as Forças Armadas americanas já haviam destruído a capacidade de mísseis balísticos e a marinha do Irã. Mas também alertou para ações ainda mais agressivas caso os líderes iranianos tentassem cortar o fornecimento mundial de energia.

Matthew Pottinger, que foi vice-conselheiro de Segurança Nacional no primeiro governo Trump, disse em entrevista que Trump havia indicado que poderia decidir prosseguir com objetivos de guerra ambiciosos que levariam semanas, no mínimo.— Em sua coletiva de imprensa, pude ouvi-lo reiterando a justificativa para prolongar a luta, visto que o regime ainda sinaliza que não se deixará intimidar e continua tentando controlar o Estreito de Ormuz — disse Pottinger, atual presidente do programa para a China na Fundação para a Defesa das Democracias, um grupo que defende uma estreita parceria entre os EUA e Israel e o confronto com o Irã. — Ele não quer ter que travar uma guerra por uma "sequência"

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quarta-feira, 11 de março de 2026

Vazamento de mensagens deixa André Mendonça em saia justa.


Não pode poupar colegas e nem querer ser ‘Herói Nacional’.
 
Edilene Lopes 

O vazamento das mensagens de Daniel Vorcaro deixa o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em saia justa. A pedido dos advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o STF autorizou a investigação sobre a divulgação do material. O Caso Master deixa o ministro entre a cruz e a espada. Ao mesmo tempo que o magistrado precisa manter o mínimo de cordialidade entre seus pares, ele não pode vestir a carapuça do “Herói Nacional” como fez o juiz Sérgio Moro na operação Lava Jato ou como fez o próprio Alexandre de Moraes nas apurações relacionadas ao dia 8 de janeiro, conforme analisou uma fonte da coluna na própria corte. A melhor estratégia é ser razoável, segundo integrantes do judiciário, é cumprir prazos e não extrapolar competências.

Origem do vazamento.
Nos corredores do STF, a desconfiança é que o vazamento tenha saído do Congresso Nacional, o que também exige muito melindre, já que são vários capítulos do cabo de guerra entre o judiciário e o parlamento no Brasil.

Pressão da direita.
Mendonça sofre ainda a pressão da direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que acredita que as informações relacionadas ao Caso Master possam ser prejudiciais não apenas ao STF, mas também ao executivo e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ponto a favor.
O ponto a favor de Mendonça nesse caso é que os próprios colegas admitem que além de experiente, o ministro tem um gabinete muito técnico formado principalmente por profissionais de carreira da Advocacia Geral da União.

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As mensagens-bomba de Daniel Vorcaro - O Assunto #1677.


Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março.

Por Natuza Nery — São Paulo 

Em Brasília, o caso do Banco Master está no centro das atenções. Nesta terça-feira (10), foi protocolado no Senado um pedido de CPI para investigar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. No STF, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, se reuniu com colegas para discutir os desdobramentos da crise. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma vota para manter ou não a prisão do dono do Master. Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março, por ordem do ministro André Mendonça – ele que assumiu o caso depois que o ministro Dias Toffoli renunciou à relatoria. De acordo com reportagens do jornal O Globo, horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro, o banqueiro trocou mensagens com um contato salvo em seu celular como Alexandre de Moraes. O ministro nega ter recebido as mensagens. Parlamentares e dirigentes partidários também foram citados em diálogos encontrados pela PF nos celulares de Vorcaro – caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chama de “grande amigo”.

Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN, sobre as mensagens que expõem a proximidade de Daniel Vorcaro com as esferas de poder em Brasília. Ela também comenta as explicações dadas a respeito do contrato de R$ 3.500.000,00 por mês assinado por Viviane Barci, mulher de Moraes, para advogar para o Banco Master. E analisa o impacto da crise para a imagem do ministro e para a opinião do eleitorado que vai às urnas em outubro deste ano.

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Moraes autoriza visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão.


Encontro deverá ocorrer em 18 de março, 
dentro do horário regular de visitas da Papuda.

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, em Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou na terça-feira (10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receba na prisão a visita de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e está detido no Complexo da Papuda, em Brasília. Na decisão, Moraes rejeitou o pedido da defesa para que a visita ocorresse de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março, fora do calendário regular de visitas do presídio.

Segundo o ministro, não há previsão legal para alterar datas específicas de visitação, que devem seguir as regras administrativas do estabelecimento prisional.“Os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário”, afirmou Moraes. Com isso, o ministro autorizou que o encontro ocorra na quarta-feira, 18 de março, das 08:00h às 10:00h, dentro do horário regular de visitas permitido na unidade prisional. A decisão também permite que Beattie esteja acompanhado de um intérprete.
 
Assessor de Trump que Bolsonaro quer ver atacou Moraes.

Próximo de Eduardo, Darren Beattie é apontado como responsável por articular aplicação da Lei Magnitsky contra ministro que vai decidir sobre visita a ex-presidente. O assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o ex-presidente Jair Bolsonaro quer receber na prisão já fez ataques públicos ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e é apontado como um dos responsáveis pela aplicação de sanções contra o magistrado com base na Lei Magnitsky. Como mostrou a CNN, a defesa de Bolsonaro pediu a Moraes na terça-feira (10) autorização para que o americano Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado americano, visite o ex-presidente, que cumpre pena na Papudinha após condenação por tentativa de golpe de Estado. Beattie é considerado um aliado próximo da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No governo Trump, ele passou a atuar em cargos de alto escalão no Departamento de Estado e foi designado para acompanhar temas relacionados ao Brasil.

O assessor já protagonizou críticas diretas ao ministro do Supremo. Em publicações nas redes sociais em agosto do ano passado, classificou Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”. Na mesma linha, afirmou que os “flagrantes abusos de direitos humanos” atribuídos ao ministro justificariam sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

Ao compartilhar uma nota do Departamento de Estado (equivalente ao Itamaraty) criticando a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), ele alertou outros magistrados a não apoiarem o ministro Alexandre de Moraes."Os aliados de Moraes na Suprema Corte e em outros lugares são fortemente aconselhados a não auxiliar ou encorajar o comportamento sancionado de Moraes", escreveu o funcionário de alto escalão dos EUA.

A aplicação da Lei Magnitsky no fim de julho provocou forte reação no Brasil e abriu uma crise diplomática entre os dois países. A sanção só foi retirada em dezembro, após aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump. Interlocutores do governo brasileiro e do STF passaram a atribuir a Beattie papel relevante na articulação política das sanções dentro da administração Trump. A aproximação de Beattie com o bolsonarismo se intensificou nos últimos anos. O americano se reuniu com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e tem sido um dos principais defensores da tese de que decisões do STF no Brasil representam restrições à liberdade de expressão.

https://www.cnnbrasil.com.br 

terça-feira, 10 de março de 2026

Flávio Bolsonaro vai baixar o valor da aposentadoria e do salário mínimo?


Carlos Juliano Barros

Mas falta combinar com o eleitorado. Quando a campanha de fato começar, em agosto, o candidato Flávio Bolsonaro vai mesmo pedir votos defendendo que um aposentado possa ganhar menos de um salário mínimo? Lembrando que, dos cerca de 40 milhões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 70% ganham até R$ 1.621,00 — o atual valor do mínimo fixado pelo Governo Federal. E quanto à valorização do salário mínimo acima da inflação, uma das marcas registradas das gestões de Lula: Flávio Bolsonaro vai falar abertamente sobre a possibilidade de retomar a política do mandato de seu pai, abortando os reajustes reais? Se não for devidamente provocado, é pouco provável que o candidato do PL cometa sincericídio em público durante a campanha eleitoral. De todo modo, é bastante revelador da ideologia do partido que caciques do PL joguem aos quatro ventos a disposição de sacrificar aposentados, depois de terem atuado para barrar no Congresso a proposta de tributação dos super-ricos.

Para quem tem a memória curta, aí vai um breve lembrete: a sigla de Flávio Bolsonaro tentou com todas as forças derrubar a tributação mínima de até 10% sobre a minúscula minoria de 141.000 brasileiros com renda anual superior a R$ 600.000,00. A taxa foi criada pelo Governo Federal para compensar a isenção de imposto de renda concedida a cerca de dez milhões de contribuintes que ganham até R$ 5.000,00 mensais."Ele [o governo] que se vire", resumiu Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, em agosto do ano passado, numa inequívoca demonstração do compromisso com a "responsabilidade fiscal" defendida por sua legenda.

Sim, é verdade que muitos economistas sérios têm alertado para os crescentes impactos financeiros decorrentes da vinculação entre salário mínimo e benefícios previdenciários. Em determinado momento, talvez não reste alternativa a não ser quebrar essa regra para cessar a trajetória de alta dos gastos públicos.

https://economia.uol.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2026

Vorcaro chama Bolsonaro de “beócio” por post sobre Master: “alguém falou que era coisa [do] PT [e] ele postou”.

 
"Depois todos os amigos, o próprio ciro [Nogueira] ligou", disse Vorcaro sobre publicação de Bolsonaro, tratado pelo banqueiro como "idiota" por disparar fogo amigo contra o próprio grupo político.

Por: Plinio Teodoro 

Uma conversa entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a namorada, Martha Graeff, datada de 13 de julho de 2024, revela irritação do banqueiro com uma publicação feita por Jair Bolsonaro (PL), tratado por ele como “beócio”, e expõe a ligação com o grupo político do ex-presidente e o Centrão. Na publicação, feita no dia anterior, Bolsonaro compartilha o print de uma notícia que diz que “Gerentes da Caixa perdem cargo após barrarem operação ‘arriscada’ e ‘atípica’ de R$ 500.000.000,00”, após divulgação de um “parecer sigiloso contra compra de títulos do Banco Master”.“Os senhores não leram errado. Impediram de acontecer e foram DEMITIDOS”, afirma Bolsonaro, que segue: “Não é mais questão de todo dia, mas sim a cada hora. Por isso o sistema está agindo com tanto afinco em suas ações”.

“Idiota”, reclamou Vorcaro na conversa com a namorada. O banqueiro então reclama que Bolsonaro teria sido orientado errado por “alguém” que atrelou o caso ao PT, partido de Lula. Ao comentar, o banqueiro usa a palavra “beócio” para se referir a Bolsonaro, termo usado pejorativamente para classificar pessoas ignorantes e grosseiras.“Depois todos os amigos, o próprio ciro [Nogueira] ligou. Mas nao tinha como tirar. Cara é um beócio. Alguém falou que era coisa PT ele postou”, afirma Vorcaro.

Como já revelado, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente do PP, era tratado como “grande amigo de vida” pelo banqueiro e comandava o lobby de Vorcaro no Congresso, como antecipou a Fórum. No início da conversa, Vorcaro afirma que após a publicação do ex-presidente, ele teria recebido “mais de mil mensagens”, revelando o elo com os bolsonaristas.“O pior de ontem foi o bolsonaro postado. Recebi mais de mil msgs instagram”, disse Vorcaro.

“Grande amigo”.
Nas mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro, o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro é tratado como “grande amigo de vida”, ao comemorar uma emenda apresentada por ele que beneficiaria o Banco Master e chega a autorizar um pagamento a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. As mensagens mostram que Vorcaro mantinha conversas frequentes com o senador, que é presidente nacional do PP. Segundo investigadores, os diálogos tratam de assuntos políticos, amenidades e organização de encontros presenciais. Uma das mensagens, porém, aponta suposto pagamento ordenado por Vorcaro a Ciro. Até o momento, não há inquérito formal aberto contra o senador no âmbito da investigação. Na troca de mensagens com sua companheira, a blogueira Martha Graeff, Vorcaro apresenta o senador como alguém muito próximo. “Ciro nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, escreveu o banqueiro em maio de 2024.

Meses depois, ele voltou a citar o parlamentar ao comentar uma iniciativa legislativa apresentada por Nogueira. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”, escreveu Vorcaro. Martha respondeu: “Wow amor. Louca pra saber de tudo ao vivo”. A conversa ocorreu em 13 de agosto de 2024, data em que o senador apresentou uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da autonomia financeira do Banco Central. O texto sugeria elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250.000,00 para R$ 1.000.000,00 por CPF.

O modelo de negócios do Banco Master estava fortemente baseado na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com garantia do FGC. Com a ampliação do teto de cobertura, os títulos emitidos pela instituição passariam a contar com proteção maior para investidores. Por causa desse impacto potencial, a proposta ficou conhecida nos bastidores do mercado financeiro e do Congresso como “emenda Master”. A iniciativa acabou não avançando após resistência de entidades ligadas ao setor bancário e a PEC segue parada no Senado.

Autorização de pagamento.
Além das mensagens sobre a emenda, a PF identificou indícios de um possível pagamento associado ao nome “Ciro”. Em maio de 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro, enviou ao banqueiro uma lista com solicitações de repasses.“Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu Zettel. Na sequência, Vorcaro autorizou os pagamentos mencionados na lista.

Os investigadores ainda não tiveram acesso aos dados bancários relacionados à transação e, por isso, não confirmaram se o destinatário era o senador ou outra pessoa com o mesmo nome.
 
https://revistaforum.com.br/ 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Vorcaro, dono do Banco Master, é preso em nova operação da PF.


Banqueiro é alvo de uma nova fase Operação Compliance Zero, em 
que a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Por Isabela Leite, Márcio Falcão, Isabela Camargo, Bruno Tavares, GloboNews e TV Globo 

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo. A prisão dele aconteceu na terceira fase Operação Compliance Zero, que, segundo a PF, tem o objetivo de investigar a "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa". A PF apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. Havia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que já foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista.

Também são cumpridos outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22.000.000.000,00, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

https://g1.globo.com

segunda-feira, 2 de março de 2026

Análise: Mendonça vira o jogo e Master assombra Brasília em ano eleitoral.


CPIs investem em explorar elo entre 
políticos e sistema financeiro corrompido.

Tainá Falcão

Ao assumir o caso Master, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça entrou ciente de que a forma como conduzirá a investigação trará riscos à sua biografia. A pessoas próximas, não à toa, Mendonça indicou que fará o necessário para preservá-la. O caso arrastou Brasília para um caldeirão de suspeitas que, ironicamente, começou a vazar dos gabinetes do Supremo, com implicações sobre Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mas que, rapidamente, atravessaram a Praça dos Três Poderes.“Tenho amigos em todos os Poderes”, disse o banqueiro Daniel Vorcaro expondo, sem cerimônia, a intimidade que mantém com políticos e ministros influentes. Caberá a Mendonça investigar se esses amigos serviram para manter o Master em ascensão, mesmo diante de irregularidades.

Como um de seus primeiros atos à frente do caso, Mendonça liberou para análise mais de cem celulares que podem ajudar a Polícia Federal a entender melhor quem integrava a rede de apoio de Vorcaro, como e se ele a utilizava para projetar seus negócios. Ainda sem provas conclusivas sobre essa parceria do banqueiro com a política, mas sob indícios curiosos, em ano eleitoral, há quem se sinta apto a meter o dedo na ferida sem sangrar a si próprio. Neste momento, CPIs sobre diversos assuntos se viram sobre o Master. A CPI do Crime Organizado pediu a convocação de ministros do Supremo e familiares; a CPMI do INSS espera acesso às informações antes restritas à presidência do Senado; e a CAE costura acordos para dar a Vorcaro a oportunidade de dizer, afinal, se ainda pode contar com os velhos amigos.

Com a entrada de Mendonça, o caso saiu do controle de quem buscava encobri-lo e começa a apontar para um cenário em que cada um buscará encobrir a si mesmo. Com todos no mesmo barco, morrer abraçado não parece uma opção. A depender do que virá, o maior escândalo financeiro do Brasil, fará de Brasília um salve-se quem puder.

https://www.cnnbrasil.com.br